1. Spirit Fanfics >
  2. Waves -Drarry >
  3. Trabalho

História Waves -Drarry - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, gente.
Muito, muito obrigada por todos os comentários e favoritos.
Às vezes, não consigo responder eles, mas saibam que eu leio todos com muito carinho 😊

Capítulo 3 - Trabalho


[Draco]


-Livro do mês? -Pansy perguntou, encostada no armário dela que, por sorte, ficava ao lado do meu.

-Ainda não decidi. -respondi, colocando alguns dos meus livros no armário para pegar outros.

-Quando é a próxima consulta da Luna?

-No próximo mês. -respondi num tom cansado, fechando o armário e batendo a cabeça no metal da porta. -Ela sempre fica nervosa antes de uma consulta, e a situação dela acaba piorando por conta disso.

-Cara, você sabe que, se precisar de mim, é só ligar, não é? -ela falou, colocando a mão em meu ombro e me lançando um olhar compreensivo.

-Valeu, Pansy.

Nossa atenção acabou sendo atraída para um pequeno tumulto na porta de entrada da escola. E lá, estavam Gina e Harry. A menina levantava e sacudia o pulso para cima, mostrando a pulseira, aparentemente -e surpreendentemente -de ouro que, ao que parecia, tinha sido dada pelo seu namorado. Potter sorria e falava algumas coisas que eu não conseguia entender por conta da distância.

-Minha nossa. -Pansy comenta, bem na hora em que o casal se beija. -Não sei como as pessoas podem chamar esse negócio de amor.

-Do que você chamaria? -perguntei, desviando a minha atenção para ela, arqueando uma sobrancelha.

-Egocentrismo, egoísmo, cretinice e o mais puro e belo interesse. -ela respondeu, encenando dramaticamente ao colocar a mão sobre o peito, me fazendo rir.

O casalzinho perfeição -composto por um jogador de futebol rico e burro e uma líder de torcida egocêntrica e arrogante -já tinha voltado há uma semana, mas todo mundo ainda fala do quão maravilhosa foi a serenata, e de como a declaração que ela postou para ele nas redes sociais foi linda e verdadeira. Verdadeira é o cacete. Ela copiou aquele texto da Internet. Sei disso porque eu sigo uma página que posta textos e frases diários sobre reflexão, amor e esse tipo de coisa. E quando li o que a Gina escreveu, descobri que ela seguia a mesma página que eu. Quem diria, hein?

Quando eles passam por nós, eu estou ocupado demais rindo, vendo e ouvindo Pansy xingar aos quatro ventos os novos vizinhos dela que, pelo visto, faziam karaoke toda quinta-feira, para prestar atenção no tumulto que passava por nós, acompanhando aqueles dois bonecos de vitrine.

Eu até entendo. Porque karaoke não é toda uma produção ensaiada e tal, e sim, um bando de gente -em sua maioria, bêbada -que não sabe cantar, querendo se mostrar enquanto usa um microfone de 1,99 que foi comprado na lojinha da esquina.

Conversa vai, conversa vem, o sinal ensurdecedor, iniciando o reinício das aulas após o intervalo soou, fazendo com que nós dois suspirássemos de forma cansada.

-Que merda. Detesto matemática. -ela reclamou, fechando o armário e ajeitando a mochila nas costas. -Adiós, Dray.

-Au revoir, Pans. -eu falei, e nós seguimos direções opostas.

Essa meio que é a nossa despedida padrão. Ela presta atenção nas aulas de espanhol, e eu presto atenção nas aulas de francês.

Pelo resto da aula, não me preocupei com nada além de manter os meus olhos e a minha concentração nos meus cadernos e livros, enquanto prestava atenção nas explicações dos professores e, vez ou outra, escutava algum rumor entre cochichos sobre mim.

"Será que ele é filho do Drácula? Parece que saiu de um caixão."

Sério? Drácula? Essa é velha.

Na última aula -a de física -nossa professora passou um trabalho para nós. Se quiséssemos fazer em dupla, era só informar o nome do nosso parceiro no final da aula. Normalmente, eu faço os trabalhos com Pansy. Mas, como nós não temos aula de física juntos, vou ter que encarar essa sozinho.

O sinal anunciando a hora da saída -graças a Deus -tocou, fazendo todos se levantarem das cadeiras e guardarem os materiais com rapidez, para logo em seguida, quase se atropelarem ao passar em maior quantidade do que o espaço disponível na largura da porta proporciona.

Eu apenas esperei que a quantidade de pessoas que passavam por ali diminuísse, para enfim me levantar e ir para casa.

Enquanto andava pelos corredores, já quase que totalmente vazios, recebi uma mensagem de Pansy, avisando que já tinha ido embora, pois a mãe dela avisou para que chegasse cedo em casa para um compromisso.

Eu apenas segui para o meu armário e comecei a guardar os livros que eu não precisaria levar, enquanto cantarolava uma música qualquer em minha mente. Mas, ao fechar o armário, eu dou um pulo de susto ao ver que não estava mais sozinho.

Potter estava ali, encostado no armário ao lado, de braços cruzados, sem olhar para mim.

Eu o encarei por um tempo, mas como ele não disse nada, resolvi me pronunciar.

-Precisa de alguma coisa? -perguntei, ainda o encarando.

-Olha...Draco, não é? -ele perguntou e eu assenti, curioso para ver até onde aquela conversar ia nos levar. -Olha, eu sei que isso pode parecer meio esquisito, já que nunca nos falamos antes nem nada do tipo, mas...eu queria saber se você quer fazer aquele trabalho de física comigo.

Falou, eu não esperava por essa.

Por que ele está sugerindo isso? O cara nunca trocou uma palavra comigo, nem sequer olha direito na minha cara, e de repente, vem querer fazer um trabalho comigo?

-Ah...oi? -perguntei, ainda confuso com aquela história.

-É que...eu tenho um pouco de dificuldade em física. E eu notei que você é bom nessa matéria, não é? -ele perguntou e eu dei de ombros, assentindo novamente. -Então, pode ser? Tipo, nós dois fazermos o trabalho juntos?

-Ah, claro, pode ser. -respondi, já recuperado da surpresa.

-Legal e...'tá aqui o meu número. Me manda o seu endereço. -ele falou que, me passando um pequeno pedaço de papel, no qual havia o seu número anotado.

-Ok, e...quando prefere fazer o trabalho? Hoje ou amanhã? -perguntei, enquanto guardava o número dele no bolso da minha mochila.

-Ah, amanhã mesmo. É sábado, então, vamos ter mais tempo. -ele respondeu, dando de ombros.

-Ok, até amanhã. -eu falei, dando um fim em nossa conversa e passando por ele para ir para casa, pensar nesse pequeno fato surreal que acabou de acontecer.

-------

-Como é que é? -Pansy pergunta, desacreditada, do outro lado da linha do telefone.

-Isso que você ouviu. -eu respondi, deitado em minha cama de cabeça para baixo, com os pés apoiados na parede, perto da prateleira de livros embutida na madeira.

-O Potter e você? Fazendo um trabalho? Juntos?

-Loucura, não é? -falei. -Ele simplesmente chegou em mim na hora da saída e começou a falar que queria fazer o trabalho comigo porque tem dificuldade em física.

-E como ele saberia que você é bom em física?

-Pans, infelizmente, quase todo mundo sabe que eu me dou bem com qualquer matéria. Ele deve ter ouvido de alguém por aí, só isso.

-Hm, 'pra mim, isso ainda é suspeito.

-Pans, relaxa. É só um trabalho.

-De qualquer forma, vou poder ir aí amanhã, né?

-Claro que sim. Eu só vou ter que ficar fora da água até ele ir embora.

-Ótimo. Assim, eu fico de olho nele.

-Pans. -repreendi.

-'Tá legal, 'tá legal. Eu fico na minha.

-Valeu.

-Bom, eu tenho que ir agora. Adiós, Dray.

-Au revoir, Pans.

Assim, desliguei o telefone e me sentei normalmente na cama, observando o despertador no criado mudo. Já passava da meia-noite. Quando eu ia me ajeitar na cama para dormir, eu ouvi a porta da frente da casa bater. Luna.

Oh, merda. Esqueci de trancar a porta. O vento está forte hoje. O mar está extremamente agitado.

Eu me levantei rapidamente da cama, abrindo a porta do meu quarto e começando a correr pela casa.

Quando cheguei na varanda, fui atingido pelo vento forte, que começou a balançar os meus cabelos. Haviam alguns relâmpagos e trovões, acompanhados de um leve, porém, perceptível, chuvisco. Uma tempestade estava começando. E lá, na areia, estava Luna.

Ela dava passos atrapalhados, quase tropeçando nos próprios pés, enquanto os longos cabelos platinados eram levantados pelo vento, enquanto ela andava na direção da água.

Eu desci as escadas da varanda apressadamente e corri na direção dela, a alcançando e a segurando no lugar, quando ela já estava há alguns metros da água.

Ela começou a se debater contra mim, e eu mantive minha força ao segurá-la firmemente pelo torso, prendendo seus braços.

-Casa! Casa! -ela exclamava, enquanto alguns fios de cabelo batiam em seu rosto pelo vento, assim como eu.

-Hey, hey. -eu falei, colocando uma de minhas mãos sobre a testa dela, trazendo-a para mais perto de mim, enquanto ela ainda se debatia. -Eu 'tô aqui, Lu. Eu 'tô aqui. Eu vou te levar 'pra casa.

Aos poucos, ela foi parando de se mexer muito, e o corpo dela relaxou, fazendo com que eu a pegasse no colo para levá-la para dentro novamente.

Por sorte, a chuva só começou depois que eu entrei com ela em casa. Eu a deixei na cama e voltei para a sala, trancando a porta e batendo com a cabeça na madeira, suspirando.

Nossa, como eu pude esquecer de trancar a porta na temporada de chuva? Eu sou um grande imbecil.

Quando fui para o meu quarto, dei uma parada na entrada do quarto de Luna, observando-a dormir serenamente. Ao lado da cama, no criado mudo, estava o violino dela, que possuía uma simples e bela cor branca. Eu sorri ao lembrar de quando passamos pela loja na rua. Ela olhou e apontou especificamente para o instrumento.

"Quero aprender a tocar." Ela disse.

Demorou um pouco, mas a minha mãe conseguiu juntar dinheiro o suficiente para mandar fazer um especialmente para ela. Quando Luna viu o violino, lembro de como o rosto dela ficou iluminado.

"Eu vou aprender a tocar. E eu vou ser incrível." Ela falou. Bom, essas duas metas foram atingidas com sucesso.

[Draco of]

[Harry on]

Que merda eu estava pensando quando dirigi a palavra para Draco?

As únicas pessoas para quem contei sobre isso, foram Ron, Mione e Neville. Se os três já ficaram extremamente chocados com o fato, não quero nem saber qual seria a reação do resto do time se soubessem dessa minha façanha.

É que, desde aquele dia que eu o ouvi cantar, eu consegui escrever os três primeiros versos de uma nova música, que ficaram realmente bons. Mas uma música não pode ter apenas três versos.

Eu tentei escrever mais, só que eu não consegui. Então, eu concluí que só pode ser por causa dele. A voz dele, em si, é melódica, e isso é uma penca de inspiração. Eu já usava outras vozes para me inspirar, mas, ao que parece, eu preciso de material novo. Meu azar é que eu fui encontrar esse material logo nele.

E, agora, eu estou pedalando na direção do endereço que ele me mandou. Eu não sabia que ele morava na praia.

Quando eu cheguei na praia, eu comecei a empurrar minha bicicleta pela areia.

Num momento, enquanto eu me aproximava, pude ouvir um fino som melódico, que ficava mais alto conforme eu avançava.

E, quando eu me aproximei o bastante, pude ver uma garota, em pé na frente do mar, enquanto administrava um violino branco. Prestando mais atenção, eu a reconheci. Era a garota do outro dia, que estava com a Parkinson e o Malfoy.

Ela estava de costas para mim. Tocava com maestría enquanto seus longos cabelos brancos e ondulados eram levados pelo vento. Parecia que ela usava o ritmo das ondas para tocar a música -que reconheci ser 'Ocean eyes', após escutar mais atentamente.

Ela parecia tão inebriada. Como se estivesse em um universo particular, só dela.

Quando ela terminou de tocar eu, sem querer, pisei em um galho. Fala sério. Que coisa clichê.

Ela se virou bruscamente para mim e, quando me viu, começou a dar passos para trás, antes de se virar e sair correndo.

-Ei, espera! -tentei chamá-la, deixando a minha bicicleta encostada num rochedo que havia por ali, começando a segui-la.

-Dray! -ela chamou e, depois de avançar um pouco mais, consegui ver uma casa elevada de madeira perto do mar, de onde um garoto conhecido por mim saiu pela porta e desceu as escadas, acompanhado de Pansy Parkinson.

Chegando lá, a garota falou alguma coisa para eles e, quando ambos me olharam, a expressão dos dois se suavizou. Draco falou mais alguma coisa para as duas e a Parkinson levou a garota para o outro lado da casa, enquanto o garoto vinha na minha direção.

Eu fiquei um tanto desconcertado ao vê-lo com um short consideravelmente curto e um cropped preto e de mangas compridas com um capuz, pois nunca o vi com roupas curtas antes. Na verdade, eu nem sequer sabia que ele usava esse tipo de roupa, já que, na escola, ele se cobre do pescoço aos pés. Sempre houve rumores sobre esse fato também. De que, talvez, ele tivesse cicatrizes a esconder ou algo do tipo. Mas, pelo que posso ver daqui, não há nada desse gênero.

-Que história é essa de ficar perseguindo a minha irmã? -ele perguntou na minha frente, arqueando uma sobrancelha.

-Ah...eu...eu não estava...eu não queria...-falei, me atrapalhando com as palavras.

-Brincadeira. Só 'tô mexendo com você. -ele falou, dando uma pequena risada anasalada. -Ela só não está acostumada a ver muitas pessoas novas. Só se assustou um pouco.

-Ah, foi mal. -eu falei meio sem jeito, coçando a nuca em nervosismo.

-De boa. Vem. Vamos 'pro meu quarto. -ele falou, se virando e começando a andar na direção da casa, e eu apenas o segui.

Quando nós entramos no quarto dele, eu consegui ver alguns pôsteres de bandas e cantores, e eu conhecia e curtia vários deles. Quem diria que alguém como ele podia ter coisas em comum com alguém como eu.

-Bom, eu já listei alguns tópicos importantes que temos que pesquisar e os organizei aqui. -ele falou, sentado na cama de forma casual, com as pernas cruzadas, enquanto folheava um portfólio roxo. -Começamos a fazer e você vai me falando quais são as suas dificuldades, que eu tento te ajudar. Pode ser?

-Claro. -respondi, me sentando ao lado dele e retirando os materiais da mochila para fazer o trabalho.

Essa conversa de que eu tenho dúvida em física foi só papo furado. Não estou com dificuldade alguma na matéria. Só inventei aquilo para que não soasse muito estranho para ele. Se bem que o motivo para que eu quisesse fazer o trabalho com ele é bem mais bizarro do que esse.















Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...