História We Could Be Heroes - Capítulo 3


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Categorias Stranger Things
Personagens Eleven (Onze), Mike Wheeler
Tags Eleven, Mike, Mileven, Stranger Things
Visualizações 22
Palavras 1.530
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello! Mais um capítulo dessa fic que tá me dando tanta vontade de escrever! Espero que curtam!

Capítulo 3 - Olhando por outro lado


El acordou suada, arfando. Pegou o celular na mesinha do lado da cama: quatro da manhã.

Levantou-se rapidamente, foi ao banheiro lavar o rosto e encarou-se no espelho: estava com a cara ainda espantada, como se seu pesadelo fosse real.

Ela odiava sonhar com sua infância. Odiava ver o rosto do seu pai biológico ali, naquela posição ameaçadora, subindo a mão para lhe desferir mais um tapa, para lhe ferir com o cinto de couro, para lhe fazer ficar ajoelhada no milho rezando, “porque ela tinha sido uma pecadora”.

Sim, El era filha de Martin Brenner, um fanático religioso que pusera seu nome como um número em homenagem a uma passagem bíblica que ela nem lembrava qual, que batera nela e em sua mãe até ser descoberto pela polícia. Graças a Deus, naquele momento ela conhecera Jim Hopper e ali sua vida mudou... mas ainda doía na alma como um dia doera em seu corpo.

Voltou para a cama e, como tinha perdido parcialmente o sono, decidiu ficar no celular até ele voltar. Entrou no Instagram e viu as fotos que Will e os amigos tinham postado da festa de horas antes; sorriu em ver Max e Lucas flagrados olhando feito bobos um para o outro; Will e Henry meio tímidos, dividindo um outra foto; Suzie e Dustin abraçados como o casal grude e fofo que eram. Na última foto da sequência, estava Mike olhando distraído para um ponto desconhecido e ela se viu analisando o rosto de maxilar forte dele. Lembrou-se que não tinha salvado o número dele e fez isso. Adicionou-o ao whatsapp e ele estava online.

Online às 4:30 a.m, Wheeler? – ela digitou e enviou.

El? Pergunto o mesmo – ele respondeu.

E- Não consegui dormir direito. Tive um pesadelo.

M- E eu ainda não consegui dormir.

E- É comum você ter insônia?

M- Não, mas tô ansioso porque amanhã, ou melhor, hoje, vou ter algo importante pra fazer.

E- Você não tá se referindo ao trabalho, né?

M- Não, essa é a segunda coisa mais importante. Não posso fazer feio com você.

E- Tudo bem, vai dar certo. Até à noite.

M- Feliz pela honra de você ter salvo o meu número. J

E- Parceiros de trabalho fazem isso, né?

Ok, meio aleatório estar conversando àquela hora com Mike, mas, depois daquilo, El conseguiu pegar no sono.

[...]

Mike estava para além de ansioso com o fato de seu livro poder ser publicado por uma grande editora. Aquilo tinha sido seu projeto de vida desde os dezessete anos, quando aquela ideia de formar uma série de aventura literária tomou forma em sua mente.

Ele trabalhava na escrita com disciplina, e era, com certeza, a melhor parte dos seus dias. Criar as tramas, delinear os personagens, decidir os caminhos possíveis, se divertir com os diálogos, pesquisar fontes históricas, culturais...

Infelizmente, seu pai nunca aprovara que Mike se tornasse um escritor e exigia que ele fizesse Direito em alguma Ivy League. Por que o rapaz se submetia a isso?

Ele já havia refletido muito sobre aquilo e ele achava que era porque era um covarde. Porque perder a chance de fazer faculdade em um lugar caro, perder os bens, o dinheiro em si, eram coisas difíceis ainda para ele. Mas, se conseguisse publicar seu livro, tudo mudaria. Ele sairia de Harvard assim que completasse os quatro anos de formação acadêmica “livre” e viveria sua vida do jeito que quisesse.

No sábado à tarde, o jovem se encontrou com Eddie MacKenzie, o editor de livros da Tyler Books, em um restaurante badalado em Boston.

-Olá, Michael, tudo bem? – o homem o cumprimentou quando chegou. Era um quarentão charmoso, sorridente.

Depois de terminarem o almoço e de conversarem amenidades, o homem foi ao ponto:

- Então, eu li o texto que você mandou e achei o livro muito, muito bom, Michael... só que...

- Só que?

- Que é um tipo de obra que já não causa mais o mesmo efeito que há alguns anos. Pensa, depois de Harry Potter, Game of thrones, Jogos Vorazes, as pessoas já mostraram que gostam muito de sagas, mas a sua, não sei... não me parece que possa ser relevante.

Mike sentiu a boca, um amargor de decepção tomando conta de si:

- Bom, eu já trabalhei muito nesses livros, eu acho que...

- Mike, o problema é, como te disse, uma questão de visão comercial, sua saga não é ruim, não é mal escrita, só não acho que, no atual momento editorial, tenha fôlego para enfrentar a concorrência. Desculpe, mas, depois de muita análise, a Tyler Books não está interessada no seu projeto. Boa sorte.

Mike ficou abismado por vários minutos, encarando o prato com o resto de almoço, a cadeira vazia onde o editor estivera, seu sonho que parecia tão perto se desfazendo entre os dedos. O gosto da decepção era cruel.

Já caía a noite quando Eleven tocou a campainha da casa onde Mike e os outros amigos moravam. Ele veio atendê-la, e sua cara abatida chamou logo a atenção:

- Tá tudo bem com você? – ela indagou.

- Não muito, mas não é nada de mais.

- Você está doente?

- Não, são só... problemas.

Eles subiram para o quarto de Finn e ele já havia organizado tudo. Colocara uma cadeira a mais na bancada de estudos e arrumado a cama e os livros:

- Eu achei melhor ficarmos aqui porque mesmo que todo mundo tenha saído, eles podem voltar antes e fazer algum barulho.

- Tudo bem. – ela disse, já retirando seu caderno de anotações de dentro da mochila.

Eles ficaram em um silêncio confortável lendo alguns livros e artigos, grifando trechos dos textos, quando Mike começou a se distrair desenhando coisas aleatórias na folha.

- Ei. – El cutucou seu pé levemente. – Você já acabou de ler?

- Já, apenas me distraí. – ele deu um sorriso fraco.

Ela escreveu mais algumas coisas e perguntou:

- Sabe, não estou querendo ser chata, mas eu sinceramente me pergunto que tipo de problema você possa ter.

- “White people problems” – ele riu.

- Com certeza. – ela concordou, mas continuou. – Sério, Mike, pelo o que eu conheço de você e da sua vida, teoricamente, o que poderia ser tão grave?

Ele se mexeu na cadeira, incomodado:

- Eu não sou só isso que você vê, sabia? Mas, sinceramente, não importa. Eu só achei que algo genuinamente meu pudesse dar certo, mas não deu.

- Você não pode desanimar, Mike. – ela instintivamente pôs sua mão sobre a dele, detalhe que fez a pele do rapaz queimar naquele lugar. – Eu não sei que coisa é essa, mas pelo o que você está dizendo, te decepcionou de alguma forma. Não desista só porque você levou um “não”.

Ele estava atento a cada palavra dela.

- Eu trabalho como voluntária em uma orfanato e conheço histórias que iriam te arrepiar, enojar, revoltar, mas as crianças e jovens de lá ainda estão lutando pra viver. Eu também já sofri muito, fui adotada, e só estou aqui em Harvard porque tenho uma bolsa de estudos pela qual preciso lutar a cada nota. Desistir nunca foi opção para mim.

- Assim me sinto até envergonhado... – ele murmurou.

- Sabe, você bem que poderia ser voluntário em algo. Se quiser, posso te indicar algumas instituições, tenho certeza de que isso te daria uma perspectiva de vida melhor, diferente. Um mundo em que você não seria apenas o filho do senador Ted Wheeler.

-Eu acho... acho que seria muito bom. Obrigado pelo conselho, El.

Os olhos de ambos estavam vidrados um no outro, e a mão dela ainda estava sobre a dele. Houve um momento, um ínfimo momento em que ele ou ela talvez, lá no fundo da mente, pensou em se inclinar, quando...

- Seu celular tá vibrando. – El disse, apontando para o aparelho e recolhendo sua mão.

Era a mãe de Mike, Karen Wheeler, falando nervosa e apressadamente:

- O quê? Mãe, calma, calma!- ele pedia, também ficando nervoso. – Ok, eu vou ver se consigo um voo ainda hoje. Por favor, mãe, fica calma. Vai ficar tudo bem.

Ele estava branco como papel quando desligou o celular.

- O que aconteceu? – ela o encarava apreensiva.

- Meu pai acabou de ter um infarto.

- Oh, meu Deus, Mike!

- Eu preciso ir agora para Washington... El, me desculpa pelo trabalho, entregue só o seu, eu vejo se dou um jeito com o professor.

- De maneira, alguma, eu vou pôr seu nome como se tivesse feito comigo. Bem, você tava fazendo.

- Mas ainda falta muito para terminar. – ele objetou.

- Vamos fazer uma coisa? Eu ponho seu nome no trabalho e você ganha nota mas, em compensação, vai ao orfanato comigo e se tornar voluntário também, que tal?

- Obrigado. – ele relaxou minimamente. – Com certeza, temos um acordo.

Ela ajuntou suas coisas enquanto ele colocava dentro de uma pequena mala de viagem algumas roupas e itens pessoais:

- Eu posso falar com o pessoal sobre seu pai, é melhor você ir logo. – ela disse.

- Tudo o que você me disse hoje foi muito importante, El. Obrigado.

- De nada, Mike. – e, pela primeira vez, ela o abraçou. 


Notas Finais


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