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História We Could Head to the Coast - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Eu pensei nisso hoje e escrevi hoje mesmo em algumaa horas, apenas um pensamento sobre o que poderia ter acontecido, mas que sabemos que nunca aconteceu, ai ai. Bem, espero que aproveitem!

Capítulo 1 - What Pleases Me


Fanfic / Fanfiction We Could Head to the Coast - Capítulo 1 - What Pleases Me

Ele vai para a costa de qualquer jeito, nunca olhando para trás, não parando realmente para pegar qualquer história com os anões, não querendo que alguém questionasse suas lágrimas.

Ele desceu a montanha por um caminho diferente, não olhando para a pedra que se sentou no crepúsculo do dia anterior e derramou seus sentimentos para Geralt, um raro momento de fraqueza, esperando que o bruxo tivesse alguma ideia de porque ele ainda estava ali, por quem.

Ele não esperava uma resposta, mas ele recebeu uma de qualquer maneira, mesmo que não fosse verbal, Geralt nunca era verbal, ele mostrou o quanto se importava com os sentimentos de Jaskier no momento que se virou e seguiu Yennefer como um cãozinho abandonado, chorando aos seus pés esperando receber um pouco de carinho. Era enervante, era decepcionante. Ele foi dormir abraçado ao alaúde imaginando como seria se tivesse um corpo real ao seu lado para se agarrar, o corpo dele.

Então no fim, o caos reina, como sempre acontece quando a feiticeira aparece, e Geralt desconta nele toda frustração causada por ela, e ele só conseguiu dizer: isso não é justo. Porque não era, nunca foi, mas o bruxo não queria saber disso quando pronunciou as palavras odiosas:

Se a vida pudesse me dar uma benção, seria tirar você das minhas mãos.

Ele iria dar a Geralt sua benção, por mais que seu coração quebrasse, por mais que as lágrimas descessem, por mais que seus pés doessem a cada passo dado para longe do bruxo, ele continuou, despedindo-se de Roach no caminho para a vila, bebendo todas as suas moedas, tocando e cantando paródias de suas canções numa voz arrastada e confusa degradando o bruxo que jogou seus sentimentos no lixo, chorando tanto no fim que nada além de resmungos desconexos saíam por entre os lábios, recebendo pães e bebidas ao invés de moedas.

Tudo bem, ele merecia isso, era uma apresentação terrível.

Ele acordou no corredor atrás da taverna, cabeça doendo, um olho roxo e contusões doloridas na barriga, ele não se lembrava muito bem porquê, mas podia imaginar que os clientes realmente odiaram a última performance.

Ele sacudiu a poeira de suas roupas, respirou fundo com o sentimento de afundamento no estômago, a raiva que substituía a tristeza, colocou o alaúde nas costas e partiu. Ele iria para a costa, ele não precisava de Geralt para tentar descobrir o que lhe agradava.

Andou de vila em vila, cidade a cidade, cantando qualquer coisa que não fossem os louvores do Lobo Branco, e quando era solicitado, quando não podia recusar e as músicas eram cantadas sem todos os sentimentos normalmente demonstrados pelo bardo do bruxo, as pessoas pararam de pedir por elas.

Ele cantou 'Her sweet kiss' uma vez, sua voz se quebrou no final, e ele foi embora antes que alguém pudesse perguntar porque ele estava chorando.

Não demorou mais que um mês para chegar a costa, ele foi abordado por bandidos pelo menos duas vezes em sua jornada, mas conseguiu chegar inteiro no seu destino, pelo menos fisicamente.

Seu interior por outro lado era uma bagunça, a raiva foi substituída pela resignação agora, uma mágoa profunda que ele não conseguia cantar longe independente de suas habilidades, um coração em pedaços que ele não pensava ser capaz de tentar montar os cacos por um longo tempo ainda.

Ele estava sentado na grama agora olhando para o mar, as ondas batendo calmamente contra as pedras, varrendo a areia branca. Ele estava fazendo isso a uma semana agora, esperando que o prazer de realizar as coisas mais simples e mundanas voltassem a se apoderar dele, tirando o alaúde das costas e do estojo de couro, a madeira um pouco ressecada agora após tanto tempo sem polimento e cuidados adequados, puxando suavemente uma corda e então a outra, ajustando o corpo no colo e dedilhando o instrumento distraidamente buscando alguma inspiração.

Então ele ouviu passos às costas, e ouviu a voz antes de se virar para ver se talvez ele seria assaltado uma terceira vez e o que poderia ser levado embora agora. Não era um ladrão.

—Jaskier…

A voz rouca, baixa, parecendo tão triste e frágil e vulnerável, fez o coração do bardo dar um pulo no peito de uma forma que não faz a muito tempo agora.

—Vai embora. - Ele se ouviu dizendo, tão mais triste, frágil, vulnerável e cansado, que o bruxo. —Eu não posso te dar sua benção se você continuar me seguindo.

—Jaskier, eu…

—Eu te dei tudo, Geralt. - Ele interrompeu, apertando o alaúde no peito, procurando no instrumento alguma base, algo para se segurar antes que caísse mais profundamente no poço de desespero que assolava sua alma moribunda. —Eu te dei minha voz, te dei minha companhia, minha amizade, eu te dei meu tempo, tanto, tanto tempo…

—Jaskier, por favor…

—Vinte e dois anos que estive ao seu lado, ajudando você, fazendo pessoas verem você do jeito que eu via, e eu não precisei estar magicamente amarrado a você para isso, eu escolhi, escolhi estar ao seu lado todo esse tempo, não desejando mais do que a sua amizade de volta, desistindo de ter mais do que isso depois que Yennefer apareceu na sua vida. - Ele confessou, ele não conseguia parar, ele não conseguia segurar sua língua agora que Geralt estava finalmente ouvindo. Depois de vinte e dois anos, o bruxo finalmente parou para ouvi-lo.

Ele ouviu o bruxo se aproximar.

—Mas você me fez perceber claramente naquela montanha que nem a coisa mais simples como um companheiro de viagem digno eu poderia ter de você. Eu sou um fardo para você, sempre fui, eu achei que estivesse ajudando quando na verdade só coloquei você em mais e mais problemas. - Ele sentia suas emoções agora começarem a transbordar, amaldiçoando seu desejo anterior de querer voltar a sentir de novo porque agora ele estava sentindo, e era muito, ele não sabia se ia aguentar.

—Jaskier, não…

—Eu não sei porque você está aqui, mas se é um pedido de desculpas por cavar sua merda por todo esse tempo, então me desculpe, agora vai embora, por favor. - Pediu largando enfim o alaúde, sem forças puxando as pernas para o peito e se abraçando, escondendo o rosto entre elas, não querendo dar a Geralt o prazer de vê-lo desmoronar, mesmo sabendo que o bruxo provavelmente podia cheirar suas lágrimas, que ele podia ver seu corpo tremendo e ouvir os soluços que ele tentava abafar tão desesperadamente, esperando que Geralt pudesse ter decência o suficiente para deixá-lo sofrer em paz, mas o bruxo não se afastou, seus passos estavam se aproximando muito mais rápido agora, e antes que ele pudesse gritar para o bruxo ir, um par de braços fortes estão repentinamente o segurando.

Uma onda bate com violência nas pedras, o ar salgado sobe com força e gotículas de água respingam no cabelo. Ambos estão em silêncio, pela primeira vez em mais de um mês, Jaskier está desamparado o suficiente para não saber o que dizer. Felizmente ele não é aquele quem quebra o silêncio.

—Me desculpe. - Ele ouviu o sussurro que fez seu coração dar mais um salto animado. —Por favor me desculpe, Jaskier, eu sinto muito…

E Jaskier pensou que ele definitivamente era um otário sem qualquer senso de autopreservação porque bastou aquelas palavras, tão sinceras, tão frágeis e quebradas, para o bardo começar a perdoar o bruxo. Ele não sabia que podia ficar melhor até Geralt abrir a boca novamente.

—Me desculpe pela montanha, nada do que eu disse foi culpa sua, nem Yennefer, ou o Djinn, a surpresa infantil, foi tudo eu, Jaskier, é minha culpa.

—Então por que… - Ele parou antes de elaborar, fechando a boca com tanta força que seus dentes bateram com um som audível. Ele não queria estragar isso, não ainda. Não quando os braços de Geralt estavam segurando-o tão fortemente e se expressando com palavras reais dessa vez.

Mas ele não precisava elaborar, Geralt sabia exatamente o que ele estava perguntando.

—Eu estava com raiva… eu estava frustrado e chateado e você estava apenas , parecendo tão feliz e eu apenas… eu-

—Eu não estava feliz, Geralt, eu estava tentando animar você, estava tentando ser seu amigo! - Ele soltou, alterado, tentando empurrar o bruxo para longe por mais que isso doesse, mas Geralt não o deixou, pelo contrário, o apertou mais ao corpo. —Tudo o que eu fiz até agora, seu bruto idiota emocionalmente constipado, foi tentar ser o seu amigo!

Ele gritou, não conseguindo conter as lágrimas.

—Me desculpe, shh… sinto muito, eu sei agora, eu descobri depois que você se foi, mas já era tarde demais, você já tinha ido embora, eu estive procurando você, seguindo seus passos, porque eu queria me desculpar, você não merecia o que eu disse.

—Eu sei… - Ele murmurou, tentando limpar as lágrimas, suspirando surpreso quando sentiu o polegar áspero do bruxo fazendo isso por ele, fechando os olhos com força e vendo Geralt travar, continuando um momento depois muito mais suave. Ele só foi saber que o bruxo não estava mais tentando limpar suas lágrimas, quando percebeu que elas não estavam mais caindo. Os dedos de Geralt continuaram lá, porém.

—Eu… eu nunca fui muito gentil com você, e eu sinto muito por isso também, mas se você me deixar, eu posso tentar mudar isso. - Geralt falou segurando seu rosto nas mãos, tão suave, tão gentil, tão assustado e esperançoso, e Jaskier juntou coragem para abrir os olhos novamente, vendo o bruxo encarando-o de volta, esperando.

—Eu… - Ele sussurrou, incerto, sentindo uma mão grande escorregar de seu rosto para a nuca, os dedos se emaranhando nos fios mais sensíveis ali e fazendo-o se arrepiar. Seu coração acelerou, era aquilo mesmo? —Se você for fazer, o que eu acho que você vai fazer-

—Eu pretendo fazer o que você acha que eu vou fazer.

Ele se aproximou um pouco mais, seus narizes quase se tocando.

—Então se você vai fazer o que eu acho que você vai fazer, espero que não seja só para tentar fazer eu me sentir melhor, que não seja algo só de uma noite. - Ele sussurrou, fechando os olhos, subindo suas próprias mãos para o rosto do bruxo, sentindo a aspereza de sua barba a fazer na palma das mãos e não conseguindo pensar em outro lugar que quisesse colocá-las agora.

—Não é.

—Eu não vou aguentar se você correr de volta para Yennefer quando ela aparecer de novo.

—Não vou.

—Bom.

E ele mesmo iniciou o contato, inclinando-se para frente até seus lábios se roçarem nos de Geralt, leve, com medo, esperando que aquilo fos se a coisa certa a se fazer, e então o bruxo segurou seu pescoço com mais força e o puxou, colando totalmente sua boca a dele, um beijo cheio de sentimentos, aqueles sentimentos que bruxos supostamente não deveriam ter, cheio de culpa e desculpa, repleto de amor, paixão e desejo, e o pegou como um furacão.

Uma onda bateu nas pedras novamente, e eles se separaram, suas testas se tocando, os narizes roçando, respirações ofegantes se conectando.

—Porra… - Ele falou, muito eloquente.

—Porra. - Geralt ecoou, certa diversão na voz fazendo o bardo rir. Inclinando-se para tocar os lábios macios mais uma vez. —Obrigado. Por me perdoar.

Jaskier apenas cantarolou, feliz, relaxado, apreciando o carinho dos dedos ásperos do bruxo em sua pele enquanto ele mesmo explorava suas feições delicadamente com os dedos.

—O que fazemos agora?

—Você disse que queria ir para a costa…

Jaskier riu.

—Estamos na costa, Geralt.

—Hmm… então nada nos custa aproveitar isso.

Geralt sussurrou, virando seu rosto para o horizonte e o seguindo para ver as várias cores no céu refletindo no mar, o sol descendo além mar, os pássaros planando por entre as nuvens, uma beleza que ele não conseguia ver antes.

Os braços de Geralt o envolveram novamente e Jaskier deixou a cabeça cair no ombro do bruxo com um suspiro contente.

—Sim, podemos procurar o que nos agrada agora.


Notas Finais


Eu sei que a história foi triste, mas o final é um pouquinho feliz né?
Bem, obrigada pela leitura, por favor não deixem de me dizer o que acharam!


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