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História We Don't Talk About It - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oi gente! Então, minha conta antiga foi banida assim como minhas histórias então estou respostando minhas fics por essa ser minha única alternativa até agora. Obrigado por quem leu antes e quem está lendo agora :)

Capítulo 1 - Capitulo Um


[1981]

— Com mais de cinquenta testemunhas oculares e provas que apontam contra Sirius Black, consideramos o réu culpado e lhe será sentenciado prisão perpétua em Azkaban — disse o Ministro batendo seu martelo e desfazendo o feitiço que ampliava sua voz por toda a corte.

Não tive reação quando percebi estar sendo puxado pelos dementadores em direção as mais temíveis celas do mundo bruxo. Eu não era culpado pelo assassinato de todos aqueles trouxas, mas sentia a culpa pela morte de James e Lily em meus ombros. A ideia de ter Wormtail como fiel do segredo havia sido minha e tudo que conseguia pensar enquanto a corte ficava cada vez mais distante, era que o tempo todo havia desconfiado da pessoa errada: Remus.

Meu melhor amigo,Prongs, estava morto, Wormtail era um traidor e Moony agora estava sozinho em um mundo que não o recebia de maneira justa. E tudo isso era minha culpa,eu merecia estar ali. Não sei se esses pensamentos estavam sendo mais intensificados devido a influência de dementadores que se aglomeravam em volta de minha cela, mas o vazio que habitava meu peito era quase palpável e quando achei que não suportaria mais toda aquela dor, uma ideia nasceu de minha mente: eu poderia me transformar em um cão.

Antes que meus carcereiros pudessem notar, um cão negro e peludo deu lugar a minha imagem e pude desfrutar de momentos em que não sentia que toda felicidade e boas memórias estavam sendo afastadas de mim pois isso era tudo que eu tinha, memórias e eram elas que minimamente consolavam minha existência naquele lugar horrível.

[1978]

Já era tarde da noite quando eu, Prongs, Wormtail e Moony perambulávamos do lado de fora de Hogwarts. Aquela atitude era,obviamente, proibida, pior ainda, era estar do lado de fora da escola usando ervas ilícitas após o toque de recolher, enquanto a noite caia. Era proibido, e era exatamente por isso que nós, o pequeno grupo de rapazes que se auto intitulavam como "marotos" estávamos lá.

Diferente de nós, Remus não possuía uma forma animaga, sendo obrigado a usar a capa da invisibilidade de James para chegar até ali. Ele havia negado veementemente participar daquele ato,sendo convencido por James, Peter e,obviamente, por mim a aproveitar seu último anos em Hogwarts com dignidade.

O local, conhecido como Casa dos Gritos, ficava na vila de Hogsmeade e era famoso por ser assombrado e perigoso o que para nós era uma piada ,visto que a assombração estava bem à nossa frente e se tratava de um garoto magricela que acabara de completar dezessete anos e era aluno exemplo em Hogwarts. Nos três e ele passávamos horas naquele lugar,mesmo quando não era lua cheia e o único objetivo era nos distrairmos das obrigações escolares como fazíamos naquele momento

— Eu ainda não acredito que você foi nomeado monitor chefe. — disse Remus para James passando o cigarro de volta para mim. Estávamos sentados em semicírculo sob o chão empoeirado da casa enquanto passávamos o pequeno objeto de mão em mão.

James deu de deu de ombros.

— Todos os professores sabem como sou um aluno exemplar agora. — respondeu ele fazendo um tom de voz engraçado e estufando o peito comicamente. Apenas Peter riu.

— Isso não significa que você vai ficar chato igual Remus não é? — perguntei ignorando o resmungo em protesto de meu amigo. — Ainda somos os marotos não é? Essa escola não precisa de mais CDF's.

James deu de ombros tragando seu cigarro lentamente,observando a fumaça se espalhar sob si. A verdade é que eu tinha medo de que meu melhor amigo se afastasse de nós apenas para impressionar uma garota.

— Emmeline está ainda mais gostosa esse ano vocês não acham? — questionou Remus com ar sonhador, eu não poderia dizer se causado pela erva ou por seus pensamentos estarem na garota que cobiçava desde os treze anos.

— Todo ano tem você falando isso mas não tendo nenhuma atitude,mulheres não gostam disso Moony. — respondi pegando o cigarro da mão de Peter que olhava fixamente para um ponto da parede a sua frente.

— Nós somos amigos a anos, ela iria rir da minha atitude se eu a chamasse para sair um dia.— rebateu Remus ainda de maneira distante. Ele não estava tão acostumado a usar aquilo quanto eu.

— Você nunca vai saber se nem tentar cara — disse James tentando encorajar o amigo.

Remus não respondeu, porém,permaneceu perdido em seus pensamentos. A vida dele tomaria caminhos diferentes das nossas e ele sabia disso. Remus acreditava que não podia iludir a si mesmo acreditando que uma garota poderia ter interesse recíproco em um monstro,como ele via si mesmo, em alguém sem boas perspectivas para dali em ,mais do que ninguém, possuía plena consciência de como as coisas seriam diferentes após o último ano letivo.

A sociedade bruxa não era benevolente com licantropos como Dumbledore fora. Remus havia conseguido uma vaga na escola de magia e bruxaria e sua formação fora garantida porque o diretor o auxiliou a guardar seu segredo mas,no mundo lá fora, seria impossível esconder o fato de que teria de se ausentar uma vez por mês e que, no dia seguinte, voltaria com cicatrizes e indisposições causados pelo efeito da lua cheia.

— Lily aceitou sair comigo esse final de semana. — anunciou James tirando Remus de seu devaneio e fazendo com que o ele obtivesse a mesma expressão que eu e Peter exibiamos.

— O que você fez pra ela aceitar isso? — questionou Peter como se esperasse um tutorial de como encantar jovens bruxas que pareciam, até então,desinteressadas em seus flertes.

— Ah, Lily não resistiu ao charme Potter, e também nos aproximamos bastante agora que somos monitores juntos. — respondeu James com as mãos atrás da cabeça numa postura relaxada. Seus olhos brilhavam ao falar de memórias que envolviam a garota. — Ela tem conhecido um lado meu que nunca tinha visto antes e eu, conheço ainda mais o que existe por trás daqueles olhos verdes.

Lembro de ter soltado uma das minhas risadas que mais pareciam um latido segundo Remus e James.

— Prongs virou um maricas. — eu disse recebendo um gesto obsceno de meu amigo como resposta.

Dando o último trago no cigarro mal enrolado, me levantei para voltar a minha forma animaga assim como James e Peter. Remus nos seguiu por debaixo da capa da invisibilidade, direcionando-se seguramente para Hogwarts e seus dormitórios na torre da Grifinória.

As semanas seguintes seguiram com aulas de conteúdo denso e complicado devido aquele ser o ano dos N.I.E.M.S e eu estava entediado. James não parecia querer se divertir entre as aulas como fazia antes, mal prestou atenção quando transformei um dos livros de um primeiranista em uma lagarta ou quando azarei um garoto do quinto ano que andava de maneira esquisita.

Até mesmo Peter parecia diferente e, se já era um garoto assustado antes,agora tremia por completo cada vez que ouvia sobre a crescente adesão de bruxos puro-sangue aos ideias de Voldemort. O bruxo das trevas vinha ganhando popularidade e poder, sendo responsável pelo assassinato de vários nascidos trouxas e era cada dia mais comum ler notícias sobre Aurores experientes derrotados por comensais. Eram tempos sombrios.

— Lembra quando fizemos uma bomba de bosta e deixamos perto do salão comunal da Sonserina? — perguntei para Remus quando estávamos sob uma das árvores dos jardins de Hogwarts,em frente ao Lago Negro observando a lula gigante numa tarde calma de sábado. — Podíamos fazer o mesmo agora,mas com várias bombas espalhadas pelos corredores que dão para aquele salão comunal.

Remus se dignou a apenas lançar um olhar de reprovação para mim antes de voltar os olhos para o que lia. Estava recostado no tronco da árvore enquanto eu permanecia deitado de maneira esparramada ao seu lado, deixando meu corpo ser aquecido pelo sol quente. Não cortava o cabelo havia meses,fazendo com que o comprimento chegasse aos meus ombros. Eu tinha plena consciência de que o que poderia dar uma impressão de descuido em outros, fazia com que eu ficasse ainda mais charmoso e usava aquilo a meu favor. Aquele era um dos momentos que fazia isso.

— Ah vamos Mooney, Prongs está ocupado demais com Evans por aí e Wormtail... Bem, sei lá onde ele se meteu. — insisti. — Podíamos pegar a capa da invisibilidade de Prongs para você usar enquanto eu, na minha forma animaga, te ajudo a implantar as bombas.

— Não somos mais crianças Padfoot. — respondeu Remus. — E da última vez que você tentou ferrar com sonserinos quase foi responsável pela morte de um não é?

Havia rancor na voz de Remus e tudo que eu menos queria era tocar naquele assunto. Amaldiçoei James mentalmente por ter contado a Remus como Snape descobriu seu segredo.

— Eu não esperava que ele fosse tão idiota a ponto de fazer o que eu disse, Moony. — comecei a me defender, adquirindo uma postura ereta para poder encarar Remus que deixara o livro de lado e me olhava de maneira acusativa.— Eu não achei que ele fosse estúpido a ponto de se aproximar do Salgueiro Lutador e ir atravessar a passagem para a casa dos gritos.

— E você contou com uma suposição quando fez algo tão grave. Se Prongs não tivesse sido tão rápido em tirar ele de lá …

— Ele salvou a vida de ranhoso, que bom. Mas eu teria feito o mesmo, não por aquele comensalzinho de merda,mas por você Moony. — os olhares que trocavamamos agora eram ainda mais intensos. — Eu sei que você nunca se perdoaria se machucasse alguém e eu nunca, nunca deixaria você passar por isso.

— Por que não vai procurar umas das várias garotas que vivem suspirando por você Padfoot? — Remus havia voltado seus olhos para o livro novamente. — Talvez alguma delas mate seu tédio.

Olhei para ele furioso antes de me levantar e adentrar a escola sozinho e com pensamentos acelerados. Tinha feito merda e sabia disso, mas ter Remus distante daquela maneira me incomodava mais que tudo. Nas últimas semanas, James passava a maior parte do tempo com Lily agora que os dois eram, para todos os efeitos, um casal. Peter era meu amigo, mas oficialmente não uma companhia tão divertida quanto James e Remus... Bem, havíamos criado uma proximidade maior, sempre nos encontrando sozinhos no salão comunal ou nos corredores de Hogwarts quando James estava ocupado com Evans e Peter afogado em suas tentativas de ter boas notas nas próximas avaliações. E estar sozinho com Remus era diferente. Era calmaria comparado a minha amizade com James e, certamente era algo confortável o suficiente para que eu estivesse cada vez mais habituado a tê-lo ao meu redor.

Meus pensamentos acelerados foram afastados quando no meio do caminho encontrei Emmeline. Estava com um grupo de amigas que deram risadinhas quando indiquei que queria falar com ela a sós. Eu afastava meu cabelo do rosto enquanto seguíamos para um corredor mais vazio ciente da maneira como ela olhava para mim.

— Achei que você e Marlene McKinnon estivessem saindo Sirius. — disse ela enquanto caminhávamos.

— Estamos, mas ela não se importaria com isso. — respondi apontando de mim para ela.

Marlene não se importaria, mas eu sabia de alguém que sim quando a direcionei para uma das passagens secretas de Hogwarts que havia descoberto com os outros marotos.

— O que está fazendo Sirius?!— era raro referirem-se uns aos outros pelo nome no lugar dos apelidos mas, numa situação como aquela era impossível evitar.

Remus nos encontrou entrelaçados contra a parede. Eu e a garota loira de olhar destemido por quem eu sabia que meu amigo sentia atração.

— Ah… Oi Remus… — começou Emmeline desvencilhando-se de mim e ajeitando as próprias roupas claramente desconfortável com a situação.

— Qual seu problema Mooney? Vai ficar aí parado olhando?— questionei de cabeça erguida em tom desafiador sem me afastar de Emmeline.

— Qual o meu problema?— ecoou Remus tremendo devido a raiva que se espalhava por seu corpo. Sacou a varinha antes que qualquer pensamento racional o alcançasse, fiz o mesmo para desespero de Emmeline que se encontrava entre nós.

— Estupefaça !

— Immobilius!

— Expelliarmus!

Lançavamos feitiços um contra o outro mas conheciamos muito bem nossos próprios movimentos para prevê-los e desviar de cada ataque ou azaração.

— Protego! — exclamou Emmeline fazendo com que uma barreira fosse criada entre nós, impedindo que pudéssemos voltar a nos atacar com feitiços. Aquilo, porém, não impediu que deixássemos nossas varinhas de lado e passassemos a trocar socos e chutes,rolando no chão do corredor enquanto a garota gritava para que parassem.

— Você sugeriu que eu fosse procurar uma garota para me distrair e eu fiz. — eu disse entre dentes enquanto Remus pressionava minha cabeça contra o chão. — O problema foi ter sido Emmeline ou foi eu estar com outra pessoa Remus?

Minha fala fez com que Remus recuasse e passasse a me olhar de maneira cautelosa. Eu não conseguia retribuir o olhar, porém. Estava impressionado com minhas próprias palavras e me levantava do chão com o olhar fixo em meus pés. Era raro ver eu, Sirius Black, com uma postura como aquela.

— Você está bem?— perguntou Emmeline se aproximando dele com expressão preocupada. Haviam pequenos cortes em meus lábios e eu sentia que um dos meus olhos estava começando a inchar.

Remus não estava mais à vista, o que me fez presumir que o garoto havia voltado para o salão comunal da grifinória para não ter de me encarar novamente.

— Vou ficar. — respondi pegando minha varinha do chão e fazendo alguns feitiços para melhorar minhas feridas. Insisti para que Emmeline me deixasse sozinho em seguida, prometendo a encontrar no salão comunal mais tarde.

Eu não queria ser visto por ninguém, não estava disposto a conversar, por isso me dirigi para a torre da Grifinória apenas horas mais tarde, quando pude seguir para o dormitório sem a interferência de ninguém em meu caminho. Dei graças a Merlin por todos meus colegas de quarto já estarem dormindo quando deitei-me em minha cama.

Remus esteve em meus sonhos aquela noite.


Notas Finais




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