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História We Found Love 1Love - Capítulo 12


Escrita por: e Malia_Chriz


Notas do Autor


Oiiiie meus chuchus... me perdoem pela demora em atualizar aqui, mas eu andei meio ocupada com outras coisinhas e também estava me faltando criatividade pra escrever justamente esse capitulo que narra a separação do nosso casal... bom mas a partir de hoje informo que estou com uma parceira maravilhosa a Malia_Chriz que vai me ajudar com os capítulos, e prometo que não vou mais demorar pra atualizar TÁ? Não desistam dessa fic pois tenho tantos planos pra ela, e garanto que ela ainda irá emocionar muito vocês!

Música tema desse capítulo: So Cold, do album Graffiti.

Quem quiser ouvir a musica do começo ao fim do capítulo dara mais emoção...

Capítulo 12 - Nao é um Adeus


Fanfic / Fanfiction We Found Love 1Love - Capítulo 12 - Nao é um Adeus

Droga, eu quero o meu amor de volta

É tão frio sem ela, (frio sem ela)

Ela foi embora

Agora estou sozinho, sem ninguém pra abraçar

Porque ela era a única

E eu sei que eu estava... totalmente errado

Mas se você, se você

A vir

Pergunte se ela me perdoa

Se por acaso você a vir

Se por acaso você precisar dela

Se por acaso você tiver a chance de sentar e conversar com ela

Avise ela que está tão frio

Está tão frio

Aqui sem ela

E diga que eu sinto falta dela

Diga que eu preciso dela

Diga que eu quero

Eu quero muito que ela volte para casa

De volta para me aquecer

Diga que eu sinto muito

Sinto muito mesmo

Você pode me perdoar?

Por favor me perdoe

E volte pra casa

Mantenha-me salvo e aquecido.

Chris Brown -So Cold


Chicago, Illinois, Janeiro de 2008...


POV's Chris Brown.


Arrasado, devastado e completamente perdido... É assim que eu estou me sentindo após ver a mulher da minha vida indo embora pra cada vez mais longe de mim... Eu observo com desespero o táxi virar a esquina, eu fui muito idiota em esconder isso dela, como eu pude ser tão covarde e ter medo de encarar toda essa merda de uma vez? Eu sabia que seria praticamente impossível ir pra Austrália e manter meu relacionamento com a Robyn, mas acabar tudo com ela magoada desse jeito está sendo mil vezes pior... Eu a conheço o bastante pra saber que ela não vai mais querer olhar pra minha cara tão cedo! Aquela garota era tudo pra mim, eu tinha plena certeza que seria com ela que eu construiria meu futuro e agora por conta da minha burrice posso ter jogado tudo isso no lixo! Quatro anos, eu terei que ficar no mínimo quatro anos longe dela, eu sinceramente não faço ideia de como sobreviver a isso... eu estou indo sem saber se ainda terei para o que voltar quando meu contrato acabar, não... eu não posso deixar as coisas terminarem assim... o que eu e a Robyn sentimos um pelo outro é forte demais pra acabar desse jeito, eu não posso ir embora sem me entender com ela... definitivamente não posso! Eu respiro fundo e seco minhas lágrimas e o que se tem a fazer agora é ir pra casa e terminar de arrumar minhas coisas e espero que amanhã a Robyn aceite falar comigo, não vou suportar ir embora sem me despedir dela.

—Oi meu filho e aí como foi lá? —Minha mãe pergunta assim que entro em casa, mas devido a minha cara de enterro ela entende logo que não foi tudo bem. —Ah... meu anjo... Chris não fica assim meu amor! Ela pode estar chateada agora mas você vai ver quando você voltar vocês terão tempo pra recuperar, eu sei o quanto vocês se amam, e não vai ser essa distância que vai acabar com tudo assim... confie filho, confie!—Ela me conforta me dando um abraço.

—Eu estou tentando ser forte por ela mãe, a minha motivação pra ficar lá todo esse tempo e ser o melhor jogador em quadra, é por ela! Já que eu to indo, que pelo menos eu faça valer a pena e volte com condições de cumprir o que eu prometi, vou dar a ela o Anel de brilhantes e fazer dela a minha esposa! Eu nao vou desistir da Robyn mãe! Não vou! —Eu falo com convicção.

—É assim que se fala filho, vai dar tudo certo no final você vai ver! Agora me ajuda a terminar de arrumar as coisas aqui, seu empresário Richard já ligou confirmando o vôo para amanhã às dez da noite.—Ela diz me puxando para o segundo andar pra terminar de arrumar as malas.

[...]

POV's Robyn.


Depois da conversa com as meninas eu estou me sentindo um pouco melhor, passar esses quatro anos sem o Chris vai ser difícil, mas tendo elas comigo vai aliviar um pouco a ausência dele e será mais suportável passar por tudo isso. Eu desço do táxi na porta de casa e logo entro sem nem olhar pro lado e ter a chance de ver a casa do Chris e correr o risco de ir até la e abraçá-lo colocando assim tudo a perder... eu não posso fazer isso, ele precisa ir e fazer o que tem que fazer e depois voltar pra gente... eu rapidamente entro em casa e minha mãe logo percebe minha cara abatida e vem até mim ao ver que continuei parada encostada na porta.

—Filha? O que houve? Que cara é essa meu amor? —Ela pergunta preocupada e eu não consigo conter as lágrimas e desabo a chorar e ela corre pra me abraçar.

—Aí mamãe... tá doendo tanto...—Eu falo entre soluços.

—Do que está falando Robyn? O que está acontecendo? Porque está chorando assim? Você saiu daqui com o Chris tão alegre mais cedo...—Ela indaga confusa.

—Se eu soubesse que esse seria o passeio mais triste da minha vida eu nem teria ido! Eu e o Chris terminamos mãe! —Falo ainda soluçando.

—O que? Porque? Minha filha como algo assim pode ter acontecido? Vocês se amam tanto...—Ela questiona perplexa.

—Acontece mamãe, que não adianta nada nos amarmos se ele vai morar do outro lado do mundo! O Chris está indo pra Austrália amanhã... e não volta antes de quatro anos!—Eu falo pra ela.

—Austrália? Mas como assim Robyn? Me explica essa história direito menina! —Ela me encara surpresa e me puxa até o sofá.

—É isso mãe, o Chris assinou um contrato pra jogar basquete em um time universitário em Sidney tem duas semanas e ele embarca amanhã... só que ele me contou isso somente hoje, um dia antes dele partir! Eu estou tão magoada... Ele deveria ter me contado antes..—Eu falo triste.

—Mas filha que motivo ele teria pra te esconder isso? Eu nao entendo... o Chris sempre se mostrou um rapaz tão ajuizado... E ir pra o outro lado do mundo e deixar você aqui não me parece uma escolha que ele faria hoje, aquele garoto é louco por você filha! —Ela pisca várias vezes os olhos tentando entender o que acabei dizer..

—Ah mãe, aconteceram umas coisas que na verdade o deixaram sem escolha e ele teve que acabar aceitando e não tem outro jeito, ele tem que ir... Eu entendi a escolha dele mãe, eu no lugar dele também faria o mesmo, mas o que me machucou mais nessa história toda foi ele ter escondido tudo isso de mim sabe? Poxa eu era a namorada dele, mesmo que eu não pudesse ajudar com muita coisa, eu estaria do lado dele dando apoio por mais que fosse doloroso pra mim ficar sem ele!—Eu falo cabisbaixa.

—Ok, você está certa o Chris não deveria esconder nada de você seja lá o que fosse... mas o que foi que ele escondeu de você exatamente? Eu estou confusa...—Ela passa as mãos no rosto frustrada e eu não consigo evitar sorrir da aflição dela. E então eu a atualizo de tudo o que aconteceu também a fazendo acreditar que estou muito chateada por ele ter mentido, ela não tem que saber da verdade agora, senão ela vai estragar tudo antes da hora. Após ouvir tudo ela fica chocada.

—Uau... eu sabia que aquela mulher que o Clinton arrumou não prestava assim que a vi! Coitada da Joyce, passou o que passou na separação e agora isso... e essa atitude do Chris foi muito nobre filha, isso só mostra o quanto ele ama a mãe dele... por um lado entendi o que ele fez e por outro, estou chateada por ele não ter aberto o jogo com você antes, vocês sempre dividiram tudo um com o outro, eram tão unidos... eu  também entendo você, mas isso era algo muito delicado mesmo, entendo o medo dele. Mas Robyn já que não tem outro jeito, o que resta é aceitar que ele vá e cumpra sua obrigação e quando ele voltar, vocês conversam e se acertam... a história de vocês é muito bonita, vocês se amam tanto... Não vai ser o período de quatro anos que vai fazer isso acabar assim. Tudo vai ficar bem meu amor confie! —Ela fala docemente acariciando meu rosto.

—É o que espero mãe, tudo que eu mais quero é que esses quatro anos passem voando pra que eu possa ter o meu amor de volta... eu vou sentir muito a falta dele e espero mesmo que tudo dê certo e que ele ainda seja meu quando voltar...—Falo cabisbaixa.

—Ele te ama Robyn, já deixou claro isso diversas vezes... vai ficar tudo bem ok? Agora melhora essa carinha e o que acha de me ajudar com o jantar? Vou fazer o meu famoso bolo de carne! —Ela sorri sugestiva. Huuuum.. eu amo o bolo de carne dela, só de pensar minha boca saliva.

—Eu amo seu bolo de carne mãe! A senhora sabe mesmo como me animar né? Vamos logo, só de pensar nele eu já estou com água na boca!  —Eu falo animada a puxando do sofá e seguimos pra cozinha pra preparar o jantar.

[....]

No dia seguinte....


POV's Chris Brown.


Encaro as malas que estão com minhas coisas com um olhar perdido, a sensação que sinto no meu peito chega a ser sufocante de tão insuportável. Está sendo difícil deixar a minha vida aqui, a minha Robyn... Só que eu simplesmente não podia deixar a minha mãe na situação em que ela estava, não podíamos perder a casa. Ela lutou tanto pra ter tudo o que temos, trabalhou dia e noite e por culpa do miserável do meu pai, por confiar naquela vadia íamos perder a casa. Não suporto a idéia de ter a minha Shawty chateada comigo, eu sei que eu devia ter contado antes sobre a proposta pra ir pra Sidney, sobre meu pai e sobre a casa...Mas eu estava com medo não só dá reação dela, estava com medo da dor que sei que eu ia causar, mas não adiantou nada porque no fim das contas, ela saiu mais machucada ainda. Me sinto um tremendo covarde por isso. Não consegui pregar os olhos de noite, a nossa conversa de ontem fica passando na minha cabeça várias e várias vezes, como um disco arranhado. É uma tortura. Me lembro da tristeza e da decepção que se passava em seus olhos, sei que ela ficou feliz por mim, afinal esse é o meu sonho, só que eu imaginei que viveria isso ao lado dela, imaginei que cresceríamos juntos e agora aqui estou eu, parado no meio do meu quarto olhando fixamente para as minhas malas e para o meu quarto praticamente vazio. São tantas lembranças, tantas coisas que vivi aqui com ela. O nosso primeiro beijo, a nossa primeira vez, a qual não poderia ser mais perfeita. Ainda me lembro da beleza daquela noite, do céu estrelado e a minha baby. Ela estava linda, com a luz do luar iluminando o seu rosto, mostrando toda a sua beleza nítida e clara . Nunca vou me esquecer das sensações que senti esse dia.

— Oi querido.— A minha mãe entra com um olhar cauteloso — Nem acredito que vamos deixar tudo isso, você passou a sua infância toda nessa casa, passamos por tanta coisa aqui...— Ela suspira olhando em volta do quarto. — Eu sei que está sendo difícil pra você meu amor, por conta da Robyn, mas eu te prometo que tudo vai se resolver em breve Chris, você é o meu orgulho e muito obrigado por isso meu bem, estou tão feliz que você está realizando o seu sonho e...— Ela fala me olhando e com os olhos cheios d'água.

— Tudo bem mãe, não chore. Eu faria tudo pela senhora sem pensar duas vezes. Você me tornou esse homem, e eu que sou grato a senhora por tudo, tá?— As lágrimas escorrem dos seus olhos e ela me abraça. A minha mãe é o meu tudo, eu faria qualquer coisa por ela e sei que ela passou por muita coisa por conta do meu pai. Eu não podia deixar que nossa casa fosse tomada e ficar parado sem fazer nada quando eu tinha o poder de fazer alguma coisa. Me dói saber que estou abrindo mão do amor da minha vida, mas eu não tinha escolha. A Robyn é tudo pra mim, mas a minha mãe… Eu não podia deixá-la. Sei que talvez demore, mas ela vai entender. 

— Ah Chris, não acredito que está fazendo isso. Eu estou feliz que você está indo realizar o seu sonho querido, isso não é só por nós, e por você, pela Robyn... É o seu futuro também. Eu fico tão orgulhosa em saber que, apesar de tudo você ainda teve a bondade de ajudar o traste do Clinton. — Ela murmura ao me soltar me olhando séria. 

— Mãe, eu nunca me perdoaria se eu o deixasse como ele estava. Eu não sou como ele, eu sei o que é prioridade na vida e família é prioridade, nunca que eu faria com ele o que ele fez com a gente mãe. Apesar de tudo ele é o meu pai é um ser humano, pelo menos é o que diz na minha documentação, mas na real...Depois disso, ele não é nada pra mim, eu tinha que fazer isso pra ele pra não me sentir mais mal depois. — Falo sentindo um nó na garganta. Dói saber que a pessoa que você mais admirou na vida toda é na verdade um ser humano hipócrita e troglodita. 

— Eu sei meu filho, você sempre foi muito apegado ao seu pai e realmente o que ele fez não se perdoa fácil assim, e não foi só a questão da casa meu amor, foi ele ter ousado bater em nós dois! Ele nos humilhou e nos perdeu naquele instante...Mas vamos parar de falar de coisa ruim, apesar de tudo ele é realmente o seu pai e eu espero que um dia você o perdoe, Chris! Não faz bem pra ninguém viver com essa angústia e mágoa dentro do peito. Lembre-se, a mágoa amarga o peito. Você é um rapaz muito bom pra permitir que isso aconteça. Eu te amo, sempre fale comigo sobre tudo o que sente tá? Ainda mais nesse momento em que sei que você está muito confuso em relação a universidade e a Robyn. — Ela fala seria acariciando a minha bochecha e logo deposita um beijo ali. 

— Tá bom mãe, eu falo sim! — É tudo que consigo dizer depois do que ela disse. O que o meu pai fez realmente me machucou, e nem sei se um dia vou ser capaz de perdoar ele. Ele nos fez muito mal. Eu o culpo por tudo que está acontecendo comigo, mas o agradeço também. Se não fosse por isso eu nunca teria conhecido o amor da minha vida, mas também a mesma coisa que nos aproximou está nos separando. Se meu pai tivesse apenas pagado ele mesmo a merda da hipoteca, nada disso estaria acontecendo. Eu não estaria indo para Austrália e estaria agarrado com a minha Shawty. O único lugar onde eu queria estar agora era em seu abraço, vendo aquele sorriso e admirando o brilho intenso dos seus lindos olhos. Mas sei que ela deve estar trancada no quarto se sentido traída por eu não ter contado nada a ela. Droga Chris, seu idiota! Olho para a minha mãe mais uma vez que me encara com um olhar de pena.— Eu também te amo.— Falo por fim e ela sorri enquanto esfrega a mão no meu braço. 

— Vamos indo então, querido? Temos que passar na casa dos Fenty pra entregar a chave da casa e nos despedir! — Ela fala me dando um tapinha onde estava esfregando. 

— Tá bom mãe, me dá só mais um momento aqui. Já estou descendo!— Falo encarando a varanda. 

— Tá bom, te espero lá embaixo. Já vou guardando algumas coisas no carro juntamente com as  malas tá?— Concordo em silêncio com a cabeça e ela desce as escadas indo em direção ao seu destino. 

Me aproximo da varanda que a Robyn tanto gosta e fico lá por uns instantes observando o céu e me lembrando outra vez de cada momento que tivemos aqui. Vou sentir muita falta. 

—Espero que um dia você me perdoe meu amor!— falo pra mim mesmo depois de um suspiro pesado e carregado de angústia. 

Me afasto da varanda e caminho em direção as malas. As pego e vou em direção ao carro onde a minha mãe está sofrendo pra colocar umas caixas que ela insiste em levar.

—Eu te ajudo mãe! — pego a caixa dela e coloco de um jeito menos desastroso no porta malas. Vejo que havia algo na caixa e estava escrito" Roupas de bebê." O que é isso? 

—Obrigado filho.  — Ela diz batendo a mão uma na outra como se estivesse limpando a poeira. 

— Mãe, o que tem nessa caixa aí?— Pergunto curioso. 

— Suas roupas de quando você era bebê! — Seus olhos chegam a brilhar.

— Meu Deus, mãe!— A repreendo.— Que exagero isso, só estamos levando mais bagagem atoa. — Reclamo. 

— Ué, qual o problema em guardar as roupinhas do filho? Sem falar que quero ver meus netos usando elas um dia.— Confesso que foi uma pontada no peito. Não faz muito tempo que eu estava falando de ter ao menos 5 filhos com a Robyn e cá estamos, rumo a Austrália...Apesar de tudo, isso se tornou um sonho distante e naquele momento tudo parecia tão certo e eterno. Não, não se desanima Chris, a Robyn vai te perdoar e daqui quatro anos eu volto e vamos fazer esses 5 filhos e mais… Não posso nem cogitar que isso é um sonho distante, pessimismo aqui não.— Me repreendo mentalmente. 

— Que suas preces sejam ouvidas mãe e que esses netos sejam meus com a Robyn.— Murmuro encarando o nada. 

— Querido, só tenha fé e nunca perca esse amor. Ele é imenso e diz tanto de vocês dois. Eu acredito que essa é apenas uma fase, você só precisa se manter de cabeça erguida e confiar que um dia ela vai estar em seus braços outra vez, e vocês vão estar aqui, bem e fazendo muitos netos pra mim.— Minha mãe fala tão animada e confiante que me deixou eufórico e cheios de expectativas. Sorrio dela e beijo o seu rosto. 

— Obrigado mãe. Já pegamos todas as caixas e malas agora só vou lá dentro pegar uma coisa. Tenho que entregar pra minha Shawty antes de partimos!— Falo na esperança que ela possa se despedir de mim. Eu não posso ir embora sem vê-la, não sei se consigo ir assim e ontem a noite escrevi uma carta pra ela e mesmo  sabendo que ela não quer me ver, eu preciso entregar a ela. Nessa carta coloquei tudo o que sinto pra fora. Talvez assim ela me entenda, talvez assim ela me espera e quem sabe talvez, só talvez...Ainda exista um para sempre só nosso. 

— Tá bom. Eu te aguardo aqui no carro. 

Eu havia descido convicto de que não iria fazer isso, decidido a ir apenas tentar conversar com ela e me explicar mais uma vez, mas as palavras não saem como eu quero, não são mais suficiente, não quando estamos olhando um no olho do outro e sentindo aquela dor. Essa dor faz com que tudo que eu queira dizer seja consumida pelo medo de falar e só piorar as coisas ainda mais, então pensei...Uma carta seria melhor, assim ela vai entender e tudo que eu não conseguir dizer vai estar escrito lá com as minhas mais sinceras palavras. Mas não posso partir sem dizer adeus e como não consigo ir sem vê-la, já entrego logo a ela e espero que ela leia assim que eu sair, sei que está doendo tanto pra ela quando pra mim. 

Coloco a carta dentro de um envelope junto com um cheque  e coloco no bolso da camisa de frio. Tomara que ela não me ignore. Robyn é muito pessimista e cabeça dura. Antes de começarmos a namorar foi a maior confusão, se ela tivesse me ouvido em vez de se isolar e  tirar conclusões precipitadas, estaríamos juntos a muito mais tempo. Mas as coisas são como são, acontece tudo como tem que ser. Tranco tudo antes de sair e digo um tchau em silêncio pra casa e caminho de volta para o carro. 

— Pegou?— A minha mãe murmura depois que me sento no banco do motorista. Faço que sim com a cabeça e entrego a chave na mão dela. Ela olha as chaves na palma da sua mão com um olhar triste e depois ela sorri fraco. — Nem acredito que estamos fazendo isso. — Ela solta o ar que estava segurando. 

— Eu também não mãe, mas se a senhora quer manter esses seus olhinhos menos inchados, acho melhor a gente ir logo pra casa dos Fenty... Pensando bem, de qualquer maneira a senhora vai chorar!— Falo tentando dar um sorriso. 

— Como não chorar Chris, estamos deixando nossas vidas aqui. Essa não é uma decisão fácil! — Definitivamente não é, mas a vida em si não é fácil. Concluo comigo mesmo e dou a partida no carro e em alguns segundos paro em frente a casa da Robyn, não demorou muito já que as nossas casas leva menos 5 minutos de distância uma da outra.

A minha mãe desce do carro e eu vou logo em seguida. Essa sensação de buraco que não sai do meu peito e estando aqui na casa dela está me dando um frio na barriga. Estou com medo de ser rejeitado de novo, mas eu não posso desistir. Não posso ir sem entregar isso, não posso deixar que termine assim. —Pego no bolso onde estava a carta e puxo o ar com força para os meus pulmões.  

Apertamos a campainha da casa dos Fenty mesmo sabendo que praticamente moro aqui, morava…Aqui foi o meu refúgio quando mais precisei, eles foram como uma família pra mim, minha segunda casa. Monica aparece na porta com uma cara de enterro. Senti o ar pesar no mesmo instante, sei que todos estamos chateados com essa história toda.  

— Oi Chris e Joyce. Entrem, estávamos esperando vocês. Já estava começando a achar que iriam sem se despedir de nós!— Ela fala com um sorriso simpático e me abraça apertado e logo a minha mãe. Obviamente Robyn deve ter contado tudo a mãe, graças a Deus a relação delas é ótima. 

— Nunca que iríamos sem dizer adeus a vocês, ainda mais depois de tudo que fizeram por nós!— Minha mãe diz. Olho com um olhar de súplica pra Monica que  entende na hora. 

— Que isso Joyce, não se preocupe. Chris, ela está lá em cima, mas já aviso...Está difícil dizer qualquer coisa a ela. Ela está em negação, na cabeça da Robyn é melhor fingir que nada aconteceu entre vocês e você sabe que ela é cabeça dura, quando põe algo ali... pra tirar é só Jesus na causa. — Ela fala soando frustrada. 

— Eu sei Monica, obrigado por tudo. — murmuro olhando em seus olhos.  

— Que isso, não tem que agradecer.

Ela diz e em seguida eu vou cumprimentar meu sogro e logo já subo as escadas até o quarto dela. A minha mãe ficou lá na sala conversando com eles sobre a casa e tudo mais, já que eles vão ficar com ela para entregar para outra família que alugou nossa casa e vai ficar no nosso lugar até voltarmos. 

Paro em frente a porta dela e a encaro como dúvida. Ontem definitivamente foi um dos dias mais difíceis da minha vida, a pior parte não foi a decisão que tomei e sim a reação que ela teve. Eu havia achado que aceitar ir pra lá já estava me machucando, mas vê-la desolada e não poder fazer nada foi bem pior.

Bato na porta duas vezes e nada. Bato outra vez e com mais força. 

— Chris, por favor. Eu te Imploro, vá logo de uma vez. — Ela diz com a voz embargada e rouca. 

— Shawty, não faz isso. Eu não posso ir sem me  despedir de você amor, não consigo subir no avião sem saber se você ainda me ama e que um dia vai me perdoar, por favor baby, eu só preciso te ver antes de partir.— A ouço chorar intensamente depois das minhas palavras.

— Não torna tudo mais..D-difícil do que está...ta...sendo Chris, não faz isso co-comigo, não faz isso com a ge-gente.  Eu odeio despedidas, odeio com toda as minhas fo-forças. — Ela fala entre soluços. Sinto como se tivesse acabado de levar um soco no estômago e aquele maldito nó na garganta volta quase que me sufocando. 

— Robyn...— Sinto as lágrimas tomarem conta dos meus olhos e não consigo mais me segurar. Porra, como isso dói.— Está sendo difícil pra nós dois, mas não podemos deixar acabar assim. Shawty, nós vivemos muita coisa. Não deixe que o orgulho faça isso com a gente...Temos uma história e eu não consigo ir assim, preciso te ver e esclarecer umas coisas, por favor! — Coloco a minha mão na porta e apoio a cabeça na mesma, apertando os meus olhos com toda força enquanto o silêncio responde por nós. Tiro a minha mão e me afasto depois de um tempo em silêncio. Eu tinha certeza de que ela não iria abrir, de que ela nunca mais queria me ver e então ela abre a porta. Levanto a cabeça para olha-la e ela parecia péssima, mas até na merda ela é perfeita. 

Ela estava de pijama, estava com os olhos inchados e triste, pareceu ter chorado a noite toda e tenho certeza que sim. A culpa é minha, eu não queria machucar ela assim. 

— Chris...Eu...— Ela fala me olhando desesperada, parecia agoniada e atormentada. Sei que ela não está lidando bem com tudo isso, eu estou tentando não surtar, mas sei que se eu fizesse isso só iria piorar as coisas pra todo mundo. — Eu acho que já esclarecemos tudo no parque. Não precisamos piorar ainda mais isso e já acabamos esse lance, não existe mais "nós" aqui.— Sua boca diz isso, mas seus olhos me sussurram outra coisa. 

— Shawty, não faz isso. Não minta pra mim e não minta pra si mesma, amor sempre vai existir um "nós" lembra que quero ficar com você até ficarmos velhinhos? Eu não estava brincando Robyn. Isso aqui não é um adeus, eu vou voltar pra você. Só te peço pra não desistir de mim. Se eu tivesse outra escolha não estaria abrindo mão da mulher que amo nunca...Mas baby, tenta entender...Eu estava desesperado, a minha mãe vem em primeiro lugar depois de tudo e eu não podia deixá-la sofrendo ainda mais por culpa do Clinton, já passamos por muito com ele. — Ela me olha com um olhar que não conheço. 

— Chris, eu entendo. Eu te entendo perfeitamente e eu já disse que se eu fosse você faria a mesma coisa, só que tenta me entender também...Eu não posso ficar aqui esperando você por QUATRO ANOS, eu não posso... eu tenho que seguir a minha vida e você a sua, isso de relação a distância não é pra mim e se for pra ser assim, eu prefiro que a gente termine. Vai ser melhor pra nós dois! — Ela fala seca e um olhar sem rumo, perdida eu diria. Cada palavra aumentam as estocadas que venho ganhando no estômago desde que contei a ela. 

— Achei que me amasse o suficiente pra lutar pela gente.— Decepção é óbvia na minha voz ela me olha incrédula. 

— Acha que não amo você o suficiente? Eu te amo tanto que estou fazendo isso por nós dois, Chris eu morreria por você sem ao menos pensar… Você é minha vida, você foi a pessoa que fez aquela Robyn careta nessa menina mulher que sou hoje e eu sou tão grata a você por não desistir de mim, mas é que eu não posso atrapalhar a sua vida assim. Você vai estar em outro país com pessoas novas, coisas novas e preso a mim que vou estar a quilômetros de distância de você! Não é que eu não queira lutar, eu só não consigo com você estando tão longe de mim. — Ela se desmancha em lágrimas. 

— Shawty, você não me atrapalha em nada muito pelo contrário amor! Você é o meu incentivo, a minha razão. Não faça isso com a gente.— Passo o polegar em seu rosto e ela se afasta. 

— Já disse que não dá. Por favor, eu já fiz muita burrada ao abrir a porta, me ajuda indo embora de uma vez e se esquecendo do que você tem aqui...— Ela fala me olhando com dureza. Eu não vou desistir. 

— Tudo bem, já que não me quer aqui...pelo menos aceite isso. — Entrego o envelope com a carta e com o cheque para o curso dela. Ela pega com relutância e abre as pressas e bem na hora que abro a boca para que ela não leia na minha presença o cheque cai no chão. 

— O que é...— Ela murmura agachada no chão— Isso... Chris?— Ela fala com a sobrancelha arqueada após se levantar. 

— São os dez mil para o seu curso, sei que ainda não tem a grana então...Eu quero que aceite isso, por favor.— Imploro enquanto ela me olha com um sorriso sarcástico. 

— Você acha mesmo que vou aceitar isso? Não se preocupe, eu não preciso do seu dinheiro... Só de você... Pode ficar, eu vou dá um jeito de arrumar o dinheiro, mas não...Não posso aceitar isso. — Ó céus, quanta teimosia. 

— Baby, por favor. Me ajuda a te ajudar, já está sendo um caralho estar aqui dizendo tchau pra você. Está sendo um inferno ter que viver com essa culpa por conta dessa decisão que tomei. Você acha que foi fácil pra mim? Não está sendo fácil pra nós dois, tenta entender. EU não escolhi isso, foram as consequências dos erros de outras pessoas que está me levando a dizer tchau pra pessoa que mais amo no mundo, para a pessoa que eu estava planejando morrer velhinho, e ter pelo menos uns 5 filhos a uns dias atrás. Não está sendo fácil, eu fugiria pra qualquer lugar com você se eu pudesse, mas eu não posso...Não posso fugir da merda dos meus problemas. Não posso Robyn! Então… Fica com essa droga de dinheiro, pois vou ganhar o dobro disso e como estou indo, não posso deixar você assim... É uma forma de eu ajudar de longe, acho que ainda sim não iria retribuir o que você e sua família fizeram por mim. —  Falo em um tom um pouco alto enquanto não seguro as lágrimas, dizendo um pouco do que estava me machucando e ela me olha assustada, me abraçando em seguida com força. Que saudades desse abraço.

— Vou sentir muito a sua falta, mas não posso continuar com você Chris...Assim vai ser melhor pra você. Assim você não tem motivos pra voltar antes ou pra se preocupar, tá?— Ela fala com a voz abafada no meu pescoço enquanto chora e isso me parte por inteiro. Nem consigo mais respondê-la. 

— Não é um adeus, Shawty eu vou voltar pra você tá?— Ela não diz nada. Apenas se afasta de mim sem nem me olhar nos olhos. Pego na mão dela e vejo que ela ainda usa a nossa aliança. Juro que quando eu voltar vou trazer um melhor, assim como eu havia prometido. — Eu... Escrevi uma carta pra você...Leia quando eu sair ? Está no envelope que estava com o cheque...Por favor, me promete que vai usar esse dinheiro pro seu curso?Por nós Shawty! — Imploro. 

— Eu vou ler a carta!— Ela diz enquanto uma lágrima solitária escapa dos seus lindos olhos verdes que estão com o brilho apagado, por minha culpa, aliás! 

— Eu te amo Robyn!— Ela me olha intensamente, mas não diz nada. Apenas chora.

— Chris...Acho melhor você ir, não temos mais nada para conversar.— Ela fala seca e se vira entrando em seu quarto em seguida e  fechando porta com força. Enquanto isso fico do lado de fora, parado no corredor com cara de tacho. Espero que ela mude de ideia depois que ler a carta. 

Fico por mais uns instantes parado olhando pra porta do quarto dela, ouço ela tentar a abafar o choro com o travesseiro e eu simplesmente não aguento vê-la assim. Passo a mão no meu rosto e desço as escadas tentando esconder o meu rosto frutado. As coisas não saíram como eu imaginei, ela não me respondeu que me ama e muito menos que iria usar o dinheiro para o curso, mas isso não importa. Sei que apesar de tudo, o nosso amor é verdadeiro e recíproco. Ela vai pensar melhor sobre o uso do dinheiro, sei que vai! Por via das dúvidas vou falar com a Monica pra ela encher a Robyn até ela enxergar que precisa da grana pro curso dela. 

— Aí meu filho, pela carinha sei que não foi nada bem né…Vem cá meu amor — A minha mãe fala quando me aproximo da sala e abre os braços pra me acolher em um abraço caloroso de mãe. Olhei a cena e pensei em pedir pra ela não me envergonhar na frente dos meus sogros, mas eu não estava aguentando aquela maldita dor que me consumia por dentro. Ignorei qualquer merda que alguém fosse pensar se me visse assim com a minha mãe e a abracei com toda força e por um momento senti que ela estava dividindo aquele peso comigo. Cada lágrima que derramei no ombro dela foi um pouco da dor que permiti que saísse. 

— Pode chorar meu bebê, a mamãe está aqui por você sempre, tá bom?— Sorri enquanto chorava depois que ela disse isso. Porra a minha mãe é muito importante pra mim, a Robyn é muito importante também, mas a minha mãe é meu tudo. Na minha lista de pessoas extremamente importante ela está em primeiro lugar sempre, depois vem a minha mina e o resto é resto… 

— Bebê mãe! Qual é! — Falo sorrindo depois que me afasto para encará-la e ela beija a minha bochecha sorrindo também. 

— Sim, você sempre vai ser o meu bebê— Ela murmura. Olho para os pais da Robyn e eles nos olham com um olhar preocupado. Depois dessa cena, devem estar achando o pior. 

— Senhor e senhora Fenty, me desculpa por isso… Não está sendo fácil pra nós dois, eu amo muito a filha de vocês e vocês sabem da nossa história desde o início, sabem que somos melhores amigos acima de namorados e a Robyn é cabeça dura. Eu sei que ela estava precisando de dez mil dólares para o curso e com o dinheiro que eu peguei sobrou um pouco e então dei dez mil a ela, foi difícil dela pegar porque vocês a conhecem...Mas fiquem de olho e senhora Fenty, conversa com ela porque a senhora como mãe dela sabe que Robyn tem um orgulho maior que a galáxia inteira...— Falo limpando os olhos. — E por favor, já foi difícil ouvir a Robyn dizendo que não precisava quando sei que precisava, não tentem me convencer do contrário, só aceitem sem pestanejar. 

— Chris, não precisa pedir desculpas! Nós sabemos que vocês tem uma história e eu fico muito feliz em saber que a minha filha teve a sorte de conhecer um rapaz bom como você. Eu te considero como um filho e garanto que o sonho de todo pai e ver a filha com um cara de caráter e espero que volte logo. Muito obrigado pela ajuda com o curso da Robyn, estava começando a ficar preocupado com o que íamos fazer. — Senhor Fenty diz e eu me aproximo dando um abraço nele. 

— Eu que agradeço, o senhor foi mais meu pai nesses últimos anos do que o meu verdadeiro. Eu faço questão de voltar, como eu disse pra Shawty, isso não é um adeus!— Falo sorrindo pra ele depois que o solto. 

— Chris, estaremos sempre com as portas abertas pra você tá?— Monica diz e me abraça também. 

— Faço questão de levar você ao aeroporto.— Senhor Fenty diz e agora que me lembrei do carro! Eu não disse a Robyn, mas esse carro vai ficar pra ela enquanto não estou aqui. Mas acho que dessa forma foi melhor, assim eu evitei mais "Nãos" 

— Ah, claro. Assim conversamos sobre um assunto importante, aqui não porque a Robyn pode ouvir...Não quero deixar ela mais chateada do que já está! — Falo sério. 

Depois de um tempo nos despedimos da Monica e minha mãe conseguiu ir no quarto conversar com a Robyn, a minha mãe ela dá prioridade para entrar! Injustiça isso. Tudo que vou levar dela é um abraço cheio de dor, decepção e saudades... Não era essa lembrança que eu queria, mas com certeza é melhor do que vê-la correndo de mim várias e várias vezes.

[...]

— Tá bom Chris, tenham uma ótima viagem e se cuida, viu? Não se preocupe que na hora certa eu falo que esse carro é dela. Ela está com a cabeça muito quente, vai dizer não na hora.— Senhor Fenty Murmura depois de nos ajudar a retirar a última mala. As nossas caixas foram levadas por uma companhia área que vai exportar as coisas daqui pra Austrália. 

— Muito obrigado por tudo senhor Fenty—O abraço mais uma vez e ele entra no carro dando a partida e logo ele some do nosso campo de visão. 

Avisto Justin e Tyga sentados na banco de espera falando empolgados sobre alguma coisa. As famílias deles decidiram deixar minha mãe responsável por eles lá, já que a mãe do Justin está grávida e  não seria bom se mudar assim e a mãe do Tyga tem seu trabalho no hospital como enfermeira e achou melhor ficar também, elas e minha mãe são amigas então elas confiam de olhos fechados na dona Joyce, então vamos morar todos juntos. Que Deus a ajude a aguentar nós três na mesma casa. Mais a frente vejo Richard nosso agente responsável por nos contratar, ele está no guichê fazendo o check-in.

Caminho até meus amigos com a minha mãe e assim que eles nos veem, correm pra ajudar a pegar as malas. 

— Oi tia, tá animada?— Justin perguntou parecendo um pateta.

— Talvez, Justin...— A minha mãe diz o cumprimentando. — Filho fica aí com os seus amigos que eu vou comprar uns doces pra socar na minha bolsa. Até mais crianças.— A minha mãe já mete o pé porque sabe o quão bobo somos quantos estamos os três juntos.  

— Ah cara, estamos tão felizes que você vai!— Tyga diz eufórico vindo na minha direção com os braços abertos. 

— Sai daqui cara, esses momentos gay aqui em público não...— Falo sorrindo, mas logo a minha animação desaparece. 

— Conheço essa cara, pelo jeito as coisas com a Robyn não foram muito boas né.— Tyga diz. Olho sério pra ele e coço a cabeça concordando. 

— Nossa mano, que merda isso.— Justin fala mais sem graça do que eu. 

— Ela está muito puta por eu não ter contado antes sobre tudo Isso. Mas mesmo assim sei que ela me ama e mesmo ela dizendo que não somos mais nada, somos tudo um do outro. Eu só queria estar aqui pra cuidar dela sempre ou pelo menos que ela estivesse aqui com a gente numa boa. Está sendo ruim pra porra ter que ir e deixar as coisas entre nós assim, tão bagunçadas, saca? Eu amo muito aquela mulher, eu estava decidido a não ir, mas...— Abaixo a cabeça e encaro o chão. 

— Fica tranquilo cara, logo logo ela aceita isso e vocês não vão precisar ficar sofrendo assim.— Tyga diz. 

— A Robyn é tão de boa, vou sentir falta dela.— Justin põe a mão no queixo enquanto diz isso. Tyga dá um tapa na cabeça dele e ele resmunga irritado. 

— Qual foi otário?— Ele resmunga lançando um olhar mortal para Tyga enquanto esfrega o lugar onde o tapa tinha pegado. 

Vejo Tyga olhando pra ele torto e sorrio pela atitude dos dois. O assunto é encerrado quando Vicky e Katy aparecem. Havia me esquecido que elas viriam.

— Chegamos a tempo!— Vicky fala respirando pesado. Até parece que vieram correndo.

— Oi meninos...— Katy diz e dá um abraço e um beijo em cada um de nós. 

Depois Vicky faz o mesmo. 

— Não conseguiu resolver nada com ela Chris?— Vicky diz se referindo a Robyn. Faço que não com a cabeça e ela faz um rosto de pena. Todos os nossos amigos estão cientes das coisas que estão rolando entre nós, quero levar a amizade deles pro resto da minha vida também.— Sinto muito! 

— Valeu! Mas creio que logo logo vai ficar tudo bem.— Tento mostrar que estou otimista, assim eles não me olham com essa cara.  

— É vai sim… onde está sua mãe?— Katy pergunta.

— Ela foi comprar umas coisas pra comermos. 

— E pode?— Justin  pergunta horrorizado.

— Óbvio que pode cara, é comida!— Falo como se ele estivesse perguntado sobre algo absurdo.

— A que horas sai o voo?— Vicky fala olhando as horas no seu celular. 

— Às dez horas. Daqui a pouco o Richard deve chamar a gente. — Pego o meu celular e já são 21:48 min, no mesmo instante a voz ecoa por todo o aeroporto avisando que o voo para Austrália estava quase no horário de partida e que era pra todos os passageiros já irem se organizando em seus assentos. Todos ficamos em silêncio ao ouvir apenas olhando um para a cara do outro temendo o que viria em seguida. 

—Boa noite pessoal! É isso aí, está na hora... aqui estão as passagens de vocês com todas as informações dos assentos, se despeçam de seus familiares, e me encontrem no portão de embarque ok? —Richard diz amigavelmente nos entregando as passagens e segue pelo corredor.

— É isso...Já está na nossa hora galera.— Tyga fala. Avisto a minha mãe vindo às pressas com umas coisas em uma sacola enquanto tenta socar tudo dentro da bolsa. Rimos muito da situação.

— Calma mãe, o Richard disse que ainda temos um tempinho, o voo só sai às dez.— Falo depois que ela está parada na minha frente respirando pesado pela pressa que ela teve achando que ia perder o vôo. 

— Nossa, é melhor... previnir do que remediar.— Fala demonstrando completamente seu cansaço. 

A minha mãe cumprimenta as meninas e logo depois levamos as malas para o lugar onde a bagagem será despachada...Na verdade é onde eles colocam as malas no porão do avião, sendo encaminhada no check-in e retirada no destino final. Não entendo muito dessas coisas, essa é a minha primeira viagem, afinal. Feito isso, chegamos próximo ao local que dava no corredor que nos levava até onde o avião estava"estacionado" e onde  Richard nos espera.

— Então... É isso meninos, vamos sentir muita falta de vocês.— Katy fala triste..

— Eu espero que um dia vocês voltem e que se lembrem da gente!— Vicky diz sorrindo.

— Relaxa gata, vocês ainda vão ver esse rostinho lindo por aí. — Justin fala e ela revira os olhos. 

Elas abraçam a minha mãe, o Tyga, o Justin, se despedindo deles. Depois disso eles começam a passar pelos seguranças em uma fila Indiana. Fico por último para me despedir delas, afinal elas são as melhores amigas da Robyn, preciso de um favor de cada uma. 

— Cuidem dela pra mim?— Falo esperançoso enquanto abraço as duas juntas.  

— Pode deixar Chris, vamos cuidar dela pra você. Não se preocupe tá, a Robyn é nossa amiga, mas você também é, e pode sempre contar conosco.— Katy fala enquanto dá um sorriso simpático depois que nós desgrudamos.

— Valeu gente, se puderem sempre mantenham contato comigo. Como eu disse pra minha Robyn, isso não é um adeus.— Murmuro sério e elas balançam a cabeça como se estivessem concordando. 

—Pode deixar, a gente vai manter contanto sim. — Vicky diz e eu dou um tchau e um sorriso e começo a passar pelo segurança, mas Kate me chama. 

—Chris!— Ela me olha estranho.— Arrasa nesse novo time de basquete, assim como você arrasava no colégio. — Sorrio para ela e concordo, passando por fim pelo segurança e caminhando pelo corredor longo. 

Depois de muita briga pra ver quem iria ficar na janela, eu ganho. Tadinha da minha mãe, está andando com esses dois patetas do lado dela. Ainda bem que o assento dela fica um pouco longe do nosso. Nos sentamos e logo todos ficaram calados. No fundo estamos tensos demais e ainda confusos com essa decisão, a nossa vida toda está aqui em Chicago, essa decisão de largar tudo pra realizar esse sonho que temos desde moleques foi tomada com muito cuidado, mas no meu caso eu não tive opção… 

O avião começa a decolar e eu não posso negar que senti um tremendo frio na barriga, não só por estar em um avião, mas por que a vontade que eu tenho de sair correndo daqui e desistir de tudo é alarmante e grita em um som ensurdecedor aqui dentro. O chão começa a ficar cada vez menor e em poucos minutos, Chicago parece uma miniatura. Uma angústia que chega a ser quase insuportável toma conta de mim, mas tudo o que posso fazer é aguentar tudo isso na esperança de que em breve eu estarei de volta por você e pra você, Shawty. 

— Tchau Chicago, até breve.— Falo com as lágrimas me ameaçando. Engulo elas e encosto a minha cabeça na poltrona. Enquanto isso sou atormentado pelas lembranças ruins dos últimos dias e pelo olhar triste da minha Shawty, seus olhos marcantes não saiam da minha mente. Depois de muito tempo, acabo dormindo pelo excesso de cansaço.

[...]

POV's Robyn.


Ainda estou aqui, sentada no chão encostada na porta totalmente desolada e sentindo que o meu mundo desabou em cima de mim, assim, sem dó nem piedade. A sensação que tenho é que estão apertando o meu coração com a mão com toda força porque a dor é horrível. Ver o Chris aqui só me deixou pior, eu não consegui dormir ontem pensando nele. Sem falar que eu estava muito enjoada, não acredito que vomitei todo bolo de carne, a coisa que mais amo comer. Me segurei tanto pra não fazer cena na frente da minha mãe que depois que subi para o meu quarto não consegui sair, o cheiro forte ainda estava lá.

 Chorar, foi só o que fiz depois que me deitei. Chorei por ele está indo, por saber que a culpa não é dele, por saber que ele vai ter um filho comigo e não vai saber, e chorei também por ter um filho antes da hora... Como deixei a minha vida chegar a esse ponto? Mas no fim tudo isso valeu a pena, eu sou um dos poucos seres humanos sortudos que tiveram a chance de conhecerem a alma gêmea...Mas de que adiantou? Ele está indo para o outro lado do mundo e eu vou ficar aqui. Como se supera isso? Não superamos, apenas aprendemos a lidar com a dor e nem sei se vou ser capaz disso. Dói muito. Vê-lo aqui com aquele olhar só piorou tudo e não poder contar sobre o nosso bebê, não poder beija-lo foi o fim. Eu o amo, o amo com todas as minhas forças e ele sabe, eu deixei bem claro. 

E esse cheque idiota!— Olho para aquele papel mais uma vez e meu ódio multiplica. Eu queria ele…Não dez mil, só ele. Olho para o canto da cama e vejo que o envelope ainda está jogado lá. Quando entrei pro meu quarto, o deixando lá fora foi a primeira coisa que fiz, joguei aquilo pra bem longe de mim, mas agora me lembrei que ele me pediu pra ler o que tinha ali. Me arrasto sem vontade e pego o envelope o qual continha uma carta escrito a punho com a letra dele. Não leio de imediato, eu preciso ir pra outro lugar. 

Reviro o meu porta copos e encontro a chave da casa dele. Desço de fininho as escadas e vejo que meus pais já foram dormir e saio porta a fora. Eu amo o Chris, e eu espero que um dia ele também entenda que eu fiz isso por ele, porque o amo intensamente e eu não posso deixar que o fato dele ser pai atrapalhe nos sonhos dele, ele merece isso, sei que se ele soubesse da criança não iria. O quarto dele é um dos meus lugares favoritos, adoro aquela varanda desde o primeiro dia que a vi e todos os meus melhores momentos com o Chris foram lá e ir em seu quarto...Vai ser um meio de me sentir mais confortável...Ah Chris, como já sinto sua falta. 

Abro a porta e subo para o quarto dele com o papel em mãos. Abro a porta do quarto dele e choro ainda mais quando sinto o seu cheiro que tanto me deixa fora de órbita. Observo os poucos móveis que restaram aqui, e caminho até sua cama que agora só existe o colchão envolto em um plástico pra proteger da poeira e me deito lá. Abro a carta e começo a ler com medo do que está escrito. 

 

Hey Shawty, estou escrevendo esta carta para tentar explicar melhor e pra te dizer algumas coisas que não consegui, pois, as vezes as palavras não são suficientes para expressarmos explicitamente o que pensamos, pelos menos as palavras ditas ao vivo e olhando em seus olhos. Enxerguei nas cartas um meio de lhe dizer o que eu não disse com medo de te machucar ainda mais. Como você já sabe, as coisas ficaram um pouco complicadas para mim por questões que infelizmente estão nos separando, você é a minha melhor amiga antes de ser a minha namorada e eu entendo que você está se sentindo traída por eu não ter te contado antes sobre a universidade em Sidney, Austrália.

 Amor, quero que você fique ciente de que estou indo para Austrália, mas o meu coração fica aqui em Chicago com você e como eu disse, isso não é um adeus. Eu te peço só para não desistir da gente, lembra de tudo que passamos até aqui e pense no que ainda tem por vir, porque eu te amo e eu não vou desistir de você, vou lutar por você como lutei quando você acreditou que nao podiamos ficar juntos por que segundo você, éramos de mundos diferentes, mas eu provei pra você desde então que o meu mundo era você.

Baby, sei que esse tempo que ficarei longe não será fácil para nenhum de nós dois, mas eu prometo a você que vou dar o meu melhor em quadra naquele país, já que as circunstâncias me obrigaram a fazer isso tendo que deixar tudo que mais amo aí em Chicago, eu vou trabalhar duro amor, eu vou fazer o que eu puder pra ser o melhor jogador que aquele time já teve e você vai ver baby, eu vou conseguir e quando eu voltar, vou cumprir o que prometi a você, vamos nos casar e ter nossos filhos! Eu sei que talvez você tenha medo que eu me interesse por outra pessoa, mas me diga como isso seria possível se o meu coração está aí com você? Não há mais ninguém no mundo pra mim baby, só você, sempre foi você e sempre será você.

Então termino esta carta implorando a você meu amor, termine seu curso, realize seus sonhos também baby já que estamos sendo obrigados a realizá-los longe um do outro, faça isso por nós, eu também vou fazer isso aqui, mas por favor Robyn, não esqueça da gente, não posso exigir que você me espere, não tenho esse direito, mas se você me ama como eu sei que ama, quando eu voltar quero ter a chance de reencontrar você e pegar meu coração de volta... Até breve amor, saiba que mesmo de longe estarei torcendo por você e contarei cada dia que passar, ansioso pra voltar e ver novamente seus lindos olhos e o seu sorriso que tanto me encanta... Espero que você responda essa minha carta quando as coisas esfriarem, por favor não me deixe sem notícias suas ta? No verso deste papel tem o número da caixa  postal pra que você possa se comunicar comigo quando quiser, não se esqueça de nós amor, pois eu nunca vou esquecer... se cuida, eu amo você.

Para sempre seu, Christopher...

 

Termino de ler a carta sentindo como se o mundo não fosse mais tão certo, como se a minha vida não fosse mais tão certa, não sem ele aqui comigo. Eu poderia ter contado, poderia ter lutado para que ele ficasse, mas seria errado, e como seria errado. Eu sei que não fiz esse filho sozinha, sei que ele tem o direito de saber, puxa ele é o pai! Mas é o sonho dele, é a vida dele e de qualquer maneira se ele tivesse ficado ele iria ter que pagar de volta o que a universidade deu. 

Por que parece que estou caindo em um buraco sem fundo? Por que tenho a sensação de que a minha vida não faz sentido? Chris deixou seu coração comigo, mas ele levou o meu também e não sei como lidar com essa dor, com essa sensação de vazio. Ele era a parte da minha vida que preenchia esse buraco oco que eu nem sabia que existia em mim, não sabia que eu era capaz de amar alguém com todas as minhas forças assim,  e quando eu finalmente descobri, ele teve que partir. Ódio, ódio da vida e das dores que temos que suportar pra lidar com ela.

— Ah Chris... Droga!— Murmuro entre lágrima e soco a cama com força.

Mas apesar de tudo, meu coração também está com você Chris, nunca vou amar ninguém na vida como amo você, talvez eu responda essa carta... ou talvez não... acho melhor manter a distância pra isso poder dar certo e você cumprir o seu dever sem preocupações, fique tranquilo amor, eu vou ficar bem e nosso filho também e será através dele que eu vou encontrar forças pra continuar seguindo sem você, porque se fosse por mim eu nem faria questão de tentar, mas é por você e pelo nosso filho, juro cuidar bem dele, portanto trate de cumprir o que me prometeu pessoalmente e nesse papel agora úmido por minhas lágrimas. Volte pra buscar o seu coração e devolver o meu! 


Notas Finais


Ain gente.... que tristeza meu Deus... e ai gostaram? Bom a partir de agora começamos uma nova fase, personagens vao entrar e vocês vao acompanhar como vai ser a vida do Chris e da Robyn daqui pra frente... o que vocês esperam que aconteça? Será que ele volta mesmo em quatro anos? Será que a Robyn vai esperar? Comentem meus amores, a opniao de voces é muito importante pra nós viu? Até o próximo capitulo❤

So Cold:
https://youtu.be/YVQ9PtApfqo


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