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História We go up! - Kageyama Tobio - Capítulo 16


Escrita por: taefrosty

Notas do Autor


Ai gente, os dois são tão fofos que me senti na obrigação de fazer uma capinha pro capítulo de hoje. O Kageyama tá meio monstrão, tá mais pro Kageyama time-skip mas vamos relevar kkkkkkk espero que gostem do capítulo de hoje 🥺🥺

Capítulo 16 - A lenta decolagem das corvas


Fanfic / Fanfiction We go up! - Kageyama Tobio - Capítulo 16 - A lenta decolagem das corvas

  Kayo's POV

Discutíamos as táticas para a partida do dia seguinte antes de treinarmos um pouco. Talvez eu pudesse entrar como levantadora se Watabe estivesse bem para assumir como líbero, mas era menos provável já que fomos bem com minha recente posição para assim dar mais um dia de descanso para ela.

O time parecia mais bem entrosado e mais persistente com a vitória. Mas alguém parecia menos entrosado comigo... alguém do ginásio masculino.

— Durmam bem! — Michimiya se despede.

— Durmam bem, comam bem! — também me despeço.

Preciso ver o Tobio. Preciso saber o que está acontecendo. Pensei no dia em que Keishin nos encontrou na rua e ficou a sós com ele... Será que...?

De tantos bebedouros próximos a mim, eu escolho o perto do banheiro masculino do ginásio. 

Já era bastante tarde, se os meninos não estão treinando, provavelmente passarão por aqui alguma hora.

Ouço os escandalosos surgirem gritando pelo corredor misturado a um cheiro de suor e de menino. Bingo

Me viro para olhar e vejo Kageyama e Nishinoya com as camisas nos ombros e Tanaka que estava por tirar. Nós quatro congelamos, mas eu parecia ser a única a ficar com calor ali.

Tanaka tem um belo abdômen trincado. Noya não chegava a ser miúdo e nem atlético, mas ainda sim é só elogios aos meus olhos. E Kageyama... Kageyama tem um lindo corpo para quem tem apenas 15 anos. Seus músculos são bem definidos, não assustadoramente grandes, mas perfeitamente atléticos.

Droga, para de olhar, Kayo, deixa de ser descarada! Disfarça, anda!

— U-Ukai-san, por favor, não olhe! — Nishinoya pede nervoso pegando atrapalhadamente a camisa no ombro para se tampar sem vesti-la. Kageyama faz o mesmo.

Tampo os olhos com as mãos, mas espio por entre os dedos.

— Desculpa! Desculpa, desculpa, desculpa! — peço tapando os olhos verdadeiramente.

— Meu Deus, ela viu minha barriga... — Tanaka se ajoelha. — Me perdoa, Ukai-san! Não conte ao sensei que me viu assim, ou ele vai furar meus olhos!

— E-eu não conto se você não contar!

— Obrigado! — ele se levanta.

— P-parabéns pela vitória — Noya inventa de dizer qualquer coisa enquanto caminha de fininho para dentro do banheiro sem que eu veja seu corpo.

— P-parabéns pra v-você também!

Tanaka também pula para dentro do banheiro e Kageyama ia sem dizer uma palavra. Seguro seu braço livre.

— Tobio. O que tá rolando?

— Nada.

— Nada? Você nem fala mais comigo.

— Hum... eu tô falando agora mesmo... e eu também te desejei boa sorte... uh... e te dei boa noite.

Ele me deu "boa sorte" de longe, quando Keishin estava me abraçando e de costas para ele.

— Foi o meu irmão? Ele te intimidou?

Ele desvia o olhar de mim.

— Não foi bem isso...

— Foi sim.

— Não, Kayo... eu não queria conversar sobre isso antes do campeonato acabar. Não foi nada demais, eu juro, mas é algo que prefiro deixar para depois.

— Se não é nada demais então posso conversar com ele.

— Eu não queria que se preocupasse com isso. O que ele me disse é menos pior do que pensa. Prometo que te digo quando o campeonato acabar, mas até lá quero que me prometa que não falará nada com ele.

Keishin passa mais tempo com Tobio do que comigo. Se eu falasse com meu irmão agora a conversa poderia não me afetar em muita coisa, mas bastante na relação deles.

— Tudo bem. Mas... você não gosta mais de mim? — pergunto me aproximando lentamente dele. — Você ainda me deve muitos beijos...

A clavícula e os ombros largos ainda estavam expostos mesmo com a camisa cobrindo o peito. Ele é tão grande, não digo tanto em altura, mas as estruturas de seu corpo são tão belas...

— ... Como eu fico com você me ignorando assim? — termino com o rosto tão perto do seu que sinto sua respiração.

— Idiota — ele diz com um sorriso pequeno. — É bastante difícil desgostar de você de um dia para o outro... ou até mesmo de uma distância de tempo maior.

Eu amava quando Tobio era romântico sem que quisesse, como se pensasse alto demais e depois se arrependesse disso e fizesse essa cara de surpresa como ele faz agora. Mas antes que fugisse como outras vezes, avancei para seus lábios e o beijei.

Passo a mão por seus ombros e sinto sua pele fria do vento que batia, os relevinhos que a pele faz rente aos seus musculos e subo para a nuca. Sinto seus pelinhos eriçarem em um arrepio. Seus braços me envolvem e me juntam para seu corpo, agora com a camisa que cobria parte de seu peito no chão.

Hinata era sem dúvidas um dos mais escandalosos do bando. Ouvimos seus gritos antes mesmo dele entrar no corredor junto a outras pessoas e paramos.

— Não venha aqui mais vezes, ia ser bem chato se acabassem contando ao sensei que você veio aqui.

— Tudo bem, mas então vai ter que me encontrar em outro lugar.

Ele hesita.

— Tá... falamos sobre isso outra hora — ele rapidamente pega a camisa do chão e entra no banheiro. — V-vocês estavam ouvindo?! — ouço ele perguntar com a porta fechada abafando sua voz.

Os outros dois fazem barulho de que estavam prestes a rir.

— KAGEYAMA TÁ DE PAU DURO, HAHAHAHAHA! — ouço Tanaka zoar enquanto pegava minha garrafinha do bebedouro, pronta para ir embora.

CALA A BOCAAA!

— Tava de beijinho, né? Muan, muan, muan — Noya zomba.

— EU DISSE PRA CALAR A BOCA!

Meu Deus, que vergonha... 

Mesmo que eles não estivessem vendo, meu rosto parecia que ia explodir de vergonha.

 

[...]

 

"Vocês podem até continuar avançando, mas todas são barradas pelo Niiyama."

Foi o que ouvimos após nossa vitória que garantia as semifinais da capitã do time que tínhamos vencido. Relevei na hora por ter pensado que era só mágoa de quem perdera, mas há muito eu já sabia que o Niiyama é o clube de vôlei feminino mais forte de Miyagi.

Tínhamos força de vontade e até certa confiança e companheirismo no time. Mas todos que disputam um campeonato querem ganhar.

 

Karasuno Girls High School |17| 2 |25| Niiyama Girls High School

 

Queríamos ganhar... mas nem chegamos ao terceiro set.

Toda a vez que eu jogava eu lembro de pensar que eu controlava o jogo, e ganhávamos todas as vezes que eu pensava nisso. "Eu controlo o jogo enquanto tocar na bola." Pfffft...

O juiz estende um braço para a quadra do Niiyama e cruza os braços em X, apita o fim da partida.

A grande torcida vermelha e branca do Niiyama vibra tão alto que poderia ser ouvida do lado de fora da arena. É uma torcida completa: cones, pompons, gritos de guerra e uma banda; enquanto a Karasuno só tinha no máximo os pais de algumas jogadoras e aqueles que acabam por torcer pelo time mais fraco esperando por uma mudança do que já é regra, esperando um milagre.

A vontade de vencer nunca é só o suficiente. Se fosse assim, todos ganhariam apenas por suas preces...

Não consigo segurar as lágrimas ao ver minhas senpais. Eu as fiz acreditar que iríamos para a final.

— Vamos... vamos agradecer a torcida! — Michimiya grita sendo firme à suas lágrimas.

Formamos uma fila em frente aos parentes e alguns gatos pingados que batiam palmas. Nos curvamos profundamente.

MUITO OBRIGADA! — gritamos juntas, umas mais firmes e outras com as vozes embargadas.

Caminhamos até o banco da técnica aos choros.

— O que acha que será de nós, Ukai? — Sasaki pergunta baixinho enquanto funga o nariz e enxuga os olhos. — Somos as únicas primeiranistas, Watabe e Manami as únicas do segundo ano... quando nossas senpais se graduarem, metade do time vai embora... — ela chora. — E nem conseguimos chegar na final.

Seu pensamento me faz soluçar de tanto chorar.

— Eu não sei... eu não sei... — e passo o braço enxugando os olhos.

Paramos diante da sensei.

— Vocês foram bem — ela começa quando todas se reuniram. — É bastante duro e vocês devem achar inútil ouvir isso depois de uma derrota, mas eu costumava dar esses discursos muito mais cedo nos campeonatos. 

'A Karasuno nunca foi tão longe enquanto eu estive aqui, e é com certa alegria que anúncio que no momento somos uma das quatro melhores escolas femininas de Miyagi! — neste momento vejo seus olhos brilharem. — Vejo muito progresso, mas este é apenas o começo. A Karasuno Vôlei Feminino se torna mais forte à partir de hoje. Parabéns pela campanha, meninas.

— Obrigada!

— Muito obrigada, sensei!

— Obrigada, sensei!

Nos curvamos rapidamente com palavras de agradecimento e, após isso, saímos da quadra. Algumas se sentam e outras ficam de pé, mas continuamos próximas umas as outras.

— Eu... e-eu quero falar algumas palavras — Michimiya diz quebrando o silêncio entre nós. — Sei que a final se tornou um sonho próximo no decorrer das eliminatórias, mas se agora, por um momento pensarem no que poderíamos ter feito, quero usar as palavras da sensei e dizer que vocês fizeram um ótimo trabalho.

'Quando entramos na escola a Karasuno Volêi Feminino era um time fraco, e antes disso também. Nunca fomos um time no qual as outras escolas procurassem para somar forças porque nunca fomos consideradas um oponente verdadeiro — ela pausa ao pensar, as lágrimas iam e voltavam de seus olhos mas nunca caíam.

Ela é tão forte...

— Entramos no clube por que gostávamos, não tanto para disputar prêmios, mas porque era divertido e fizemos boa amizades. Mas quando entrávamos em um campeonato e mal passávamos da primeira fase não dava para evitar a frustração. Talvez fosse legal ganhar, mas nunca sentimos o gosto disso... muitas pessoas abandonaram o clube ao longo do caminho, mas quero agradecer pelas que continuaram comigo e pelas minhas kouhais, agradecer por ter tornado esse gosto pela vitória um pouco mais próximo de atingi-la. 

'Infelizmente não tenho muito mais tempo como capitã, mas estarei aqui pelas minhas kouhais no que precisarem. Obrigada pelo tempo, foi divertido — ela dá um sorriso com os olhos.

Todas choram com a sensação de despedida. Eu e Sasaki somos as que teremos mais tempo no clube no momento, mas era horrível assistir as terceiranistas dizerem adeus com uma derrota. E eu nem tive tanto tempo com elas...

— Com licença — Michimiya pede e se afasta.

Após alguns segundos pensando decido segui-la, mesmo imaginando que ela iria querer um momento a sós. Sigo o rastro até o último local que a vi andar e ouço murmúrios na sala de armazenamento. Abro a porta lentamente e a vejo chorar como nunca.

A capitã sempre cuida de nós, mas quem cuida dela?

— Michimiya-san. Eu também queria te dizer algumas coisas.

Ela não se vira para me olhar, mas parecia ouvir.

— Quero dizer que lamento por não ter entrado antes e ter conhecido vocês. Você é uma ótima capitã e sinto por não ter sido encorajada ou jogado com você por mais vezes. Obrigada pelos seus esforços pelo time.

— Esforços? — ela soluça. — Eu sequer saí da zona de conforto. "Somos um time ruim mesmo, o que eu posso fazer?". Agora sei que poderia ter treinado mais, persistido mais. Minhas kouhais têm tanta vontade de ficar na quadra, tanta vontade de vencer. Eu poderia ter sido mais como vocês.

Apesar do discurso parece que o que ela mais carrega é arrependimento.

Adentro no quartinho e ponho a mão em seu ombro.

— Neste momento, apesar dos seus lamentos, ainda me sinto feliz por estar aqui e termos jogado juntas. Chegamos longe como vocês dizem, ainda que não o quanto queríamos, mas também é graças a sua existência no time que pretendemos ser mais fortes. Minha mãe diz que pessoas deixam marcas em nós... acho que você nos fez ficar mais famintas por um troféu. Se um dia o conseguirmos, ele será tão seu quanto nosso. 

Ela se vira e me abraça.

— Eu me lembro do dia em que vi você no corredor quando eu tentava recrutar pessoas pro segundo semestre. Eu disse que procurava por pessoas com potencial para guiar a Karasuno e coincidência ou não, você foi a única a entrar nesta leva — ela funga. — Não lembro se senti algo naquele momento mas agora eu vejo. Eu vejo esse potencial em você, Ukai, eu juro que vejo — e olha para mim. — Guie o clube em direção à vitória. O mais alto que puderem.

É algo grande demais, pesado demais, incerto demais.

 — Eu prometo que irei — digo num impulso.

Vejo que Michimiya ficaria ali por mais tempo para chorar em paz, saio dali com olhos ainda marejados.

Encosto as costa numa parede e penso. Sequer encostamos no Niiyama, as Rainhas de Miyagi, e eu prometo alcançar altos resultados. Temos um total de 4 pessoas para as partidas do próximo ano e 0 interessadas para entrar no clube, e eu prometo um troféu...

Vejo o time da Seijoh passar na minha frente, todos tristes, chorosos e cabisbaixos. A Aoba Johsai... perdeu?

Os olhos de Oikawa se cruzam com os meus. Vejo leves bordas vermelhas neles.

— Dia ruim — ele diz ao parar na minha frente.

— Dia ruim. Dia ruim mesmo, você até está chorando.

— Eu não tô chorando... — ele dá ombros e cruza os braços. — A porra de um cisco caiu no meu olho — e gesticula com uma mão. — Você que tá vermelha igual um tomate.

— Cala a boca... — cruzo os braços.

Isso quer dizer que a Karasuno ganhou?! 

— A-a Karasuno ganhou então?! 

— Para de falar desse jeito... ah, esqueci que você torce pro inimigo...

— Mas ainda sinto muito por você, Oikawa... ainda que tenha sido um babaca comigo.

— Eu não fui babaca, eu estava na minha razão — ele apoia uma mão na parede bem do lado do meu rosto. — Como você consegue recusar essa boquinha aqui? 

Droga, ele tá muito perto do meu rosto.

— Kayo — uma voz de fumante rosna no ar.

Eu e Tooru olhamos para a direção da voz. Keishin aparece com parte do time atrás, e Tooru se afasta um pouco.

— Alguém tá te incomodando? — ele pergunta.

— N-não... 

— Acho que vou indo, bebê — ele segura meu queixo e deposita um demorado beijo em minha bochecha. — Até a próxima.

Ele vai embora e Keishin pega fogo pelas orelhas.

— Me explica essa intimidade agora!

Olho para trás dele e vejo Kageyama olhar tudo disfarçadamente, encostado na parede e de braços cruzados.

— E-ele é brincalhão assim mesmo, ele só quis irritar!

— Irritar quem?!

— Você, ele sabe que você é o meu irmão.

— Quero você longe desse riquinho metido à besta, ou eu juro que na próxima vez não serei bonzinho assim.

— Você me quer longe de todo mundo... — murmuro.

Ele suspira.

— A gente conversa em outra hora — ele pausa, põe as mãos no bolso e me olha com mais calma. — Você está bem? Soubemos do placar...

— Não.

Tento ser forte, mas então lembro do quão ruim aquele dia estava sendo e desabo mais uma vez. Ele me abraça e eu choro em seu peito.

— Foi horrível, perdemos tão feio. E a torcida grande... ela me desconcentrou um pouco. Por mais que eles não nos xingassem eu ficava pensando se o fariam alguma hora... e eu não sei agora, será que isso pode ter me afetado? Eu corria atrás da bola, mas a sensação era de que perderíamos de qualquer jeito. Elas são tão fortes... juntas e solo.

— "Faça em quadra o que puder fazer, e assim, não haverá arrependimentos".

— Você tá cada vez mais parecido com o vovô...

— É que ele diz umas coisas maneiras de vez em quando.

Ele acaricia o topo da minha cabeça e olha para mim.

— Aposto que fez o que podia nas condições que se encontrava. Se não está satisfeita, procure melhorar treinando em vez de chorar pelo leite derramado — ele continuou. — Você chegou fazendo bastante barulho, foi até uma semi-final depois de três anos.

Me sinto um pouco mais aliviada com suas palavras, o suficiente para parabenizar o time masculino todo, mas Tobio parecia não querer muito papo. Presumo que era graças a presença do meu irmão.

Já na van de volta para a escola pego meu celular e vejo as mensagens.

 

Tobio-chan: Me encontre hoje a noite no banheiro do seu ginásio.

'Quero ter tempo o suficiente para te consolar.


Notas Finais


Chamou pro banheiro já sabem, né 😝
O consolo: 8====D


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