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História We Got Married - SaTzu - Capítulo 11


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Notas do Autor


HELL YAS! I'M BACK!

Primeiramente, eu estou muito bem agora e muito obrigada aos que perguntaram!

Acredito que assim como eu, alguns estejam de quarentena por causa do Corona Vírus (Voz da Cardi B).

Então para dar aquela animada e me animar também, está aí o capítulo quentinho de 'We Got Married'.

Boa leitura! 💜 (Por gentileza, ler a nota final)

Capítulo 11 - Capítulo 8 - Fuzuê


Fanfic / Fanfiction We Got Married - SaTzu - Capítulo 11 - Capítulo 8 - Fuzuê

Seus olhos se prenderam nos dela.

Sua respiração falhou e um arrepio perpassou por todo seu corpo.

A dificuldade em engolir a pouca saliva que armazenara na boca, causara desconforto. O líquido parecia ter se transformado em uma batata, tamanho o nó que estava pendente em sua garganta.

Um misto de felicidade e medo a tomaram deixando claro que, talvez, aquilo não tivesse acabado.

••••| Algumas horas antes

- Podemos assinar este contrato, por fim? - Perguntou o responsável pela MBC na grande mesa redonda, completada pelas as agentes, as artistas e os representantes legais das agências.

- Pela SM Entertainment, sem dúvidas. - Respondeu o senhor Nam So Young, CEO da SM. - Aliás, estou sentindo falta do responsável pela Konnect. Kang Eui-geon, correto?

A atenção foi direcionada para Jihyo, que abriu a boca duas vezes, na tentativa de explicar essa enorme falha na grade da empresa.

Por mais que se responsabilizasse por Sana, ainda assim, era necessário que o CEO estivesse presente no fechamento de contratos, proposta de parcerias, entre outros.

- Eu prefiro Daniel, senhor Nam So Young. - O rapaz com um terno muito bem alinhado adentrou a sala, acompanhado da secretária aflita e de olhos estatelados - Peço desculpas pelo atraso. O aeroporto está um caos, principalmente da China para cá.

- Não consegui impedi-lo, senhor Choi Seung-ho. Expliquei que era necessário o anúncio prévio de sua visita antes de entrar na reunião, porém ele ignorou. - Desculpou-se com leves tremiliques e a voz embargada.

- Não se preocupe, Somi. Estávamos a espera do senhor Kang. - Com um leve aceno do CEO, a garota pediu licença e fechou a porta após a sua saída. - Pensamos que mais uma vez trataríamos o assunto com a senhorita Park.

- Não dessa vez. - Sentou-se ao lado da coreana esboçando um sorriso amistoso - A partir de hoje, voltarei a responder pela Konnect. Jihyo é uma pessoa competente, porém não tem a abertura suficiente para prosseguir com a agenda dos nossos artistas.

Sana segurou a mão da amiga por baixo da mesa, dando-lhe conforto. Sabia que a coreana estava tensa com a situação, ainda mais que fora pega de surpresa com a presença de Daniel.

- E a sua irmã? Não tem interesse em assumir a matriz? - Questionou Nam So Young com o seu semblante de poucos amigos.

- Seulgi tem outros desejos, e ficar a frente da Konnect não é um deles. - Disse simplista, recolhendo o montante de papéis que estavam a frente de Jihyo - Darei uma olhada no contrato.

Antes que pudesse abrir, o coreano mais velho colocou a mão sobre os documentos.

- Não será necessário, senhor Kang. - O rapaz ergueu uma das sobrancelhas em reprovação - A senhorita Park já analisou o conteúdo e fora aprovado por todos aqui.

Em meio a um suspiro irônico, o jovem coreano ostentou um sorriso e sustentou o olhar que o responsável pela MBC lhe dava, puxando a papelada para si.

- Bem, senhor Choi, embora eu tenha plena confiança na senhorita Park, tenho de lembrá-lo que eu sou o CEO da Konnect, portanto, eu mesmo analisarei os tópicos deste documento.

- Ele está certo. Deixe-o averiguar o conteúdo do contrato. - A voz grave de So Young ressoou no ambiente que até então estava em meio a burburinhos. - Nada mais justo.

A muito contra gosto, o coreano assentiu. Após vários minutos em um silêncio cortante, Daniel ajeitou-se na cadeira antes de pigarrear.

- Serão duas semanas? - Perguntou, afagando o maxilar.

- Exatamente. O suficiente para mostrar uma vida de casado, assim como no programa oficial. - Respondeu o mais velho.

- E começaríamos semana que vem?

- Bem, na verdade amanhã mesmo.

- Mas já? - Surpreso, o coreano buscou os papéis novamente atrás de alguma cláusula sobre a determinação do prazo de início - Sem nenhuma preparação?

- Olha Daniel - O CEO da MBC apresentava impaciência - nós adiamos o casal que começaria nesta semana para dar oportunidade para essa nova experiência e aproveitar a notícia fresca, já que ambas estão nos tópicos mais comentados. - Ajeitou-se na cadeira, cruzando a mãos - E mandamos esse contrato no início da semana para certificar que estava tudo certo. Recebemos uma resposta positiva da senhorita Park. - Deu um olhar sugestivo para a garota, que engoliu seco.

- Sim, Jihyo me mandou. No entanto, não tive tempo para analisá-lo.

- Bem, senhor Kang, quanto tempo leva a viagem da China para cá? Em média, umas 3 a 4 horas de vôo?

- Sei o que o senhor está insinuando, mas como lhe disse, estava difícil voltar com tantos cancelamentos e quarentenas. E além disso, tenho assuntos gerais da minha empresa para cuidar também.

- E a sua artista principal, a qual é a responsável pelos ganhos da sua empresa não merece uma atenção especial? - Questionou-o. Com um sorriso sarcastico, virou-se para a japonesa - Sana, acredito que se você tiver interesse a SM pode contratá-la e você conseguirá um espaço privilegiado. Não é mesmo, senhor Nam So Young? - O outro mais velho apenas deu um sorriso de lado, causando desconforto ao CEO.

Daniel cravou as unhas em sua palma ao cerrar os punhos, na tentativa de se acalmar. Desde que inaugurara a Konnect, o rapaz fora subestimado por vários empresários do ramo.

A ascensão de Sana fez com que as ações da Konnect aumentassem rapidamente e tem consciência que isso se deve a namorada e sua persistência.

E sem dúvidas, ele é extremamente grato por isso.

No entanto, neste momento, pode observar que os leões tentavam deixá-lo vulnerável por meio de piadinhas e comentários aleatórios, para colocar em cheque a sua competência.

Choi acreditava ser o predador. Porém, as atitudes o contradiziam, mostrando sua verdadeira face: um urubu que está como expectador à espera das sobras.

Permitiu-se encarar Choi, que retribuiu o seu olhar por alguns segundos.

O típico homem que para mostrar a sua grandeza, precisava pisotear outros.

Daniel podia estar nervoso com tantos questionamentos, mas não deixaria transparecer, pois em sua visão, isso lhes daria poder.

E Jihyo conhecia o namorado o suficiente para saber que ele não daria o braço a torcer tão facilmente.

Ele consegue ser bem debochado, principalmente quando velhas cobras querem dar o bote.

- Sana? - Chamou-a preocupado - Você se sente confortável em fazer algo assim, de repente? - Perguntou a loira.

Surpresa, a japonesa olhou do chefe para o poderoso chefão da MBC.

- Claro. Já conversamos o suficiente e acredito que, tanto eu quanto a Tzuyu, - Olhou para a taiwanesa de relance, podendo vê-la concordando brevemente - estamos de acordo.

- Perfeito. Se não há divergências de ideias entre as empresas e a MINHA artista está satisfeita, podemos dar andamento.

- Então amanhã daremos início ao "We Got Married - Edição Especial"! Muito obrigado a todos e ao senhor Kang por conseguir chegar ao menos para assinar os documentos.

- Obrigado a todos e ao senhor Choi que faz questão de fazer piadas inconvenientes sempre que pode. - Os homens mais velhos riam caminhando para fora da sala. Incomodado, porém, satisfeito com o resultado, Daniel arrumou o terno, antes de voltar para as garotas ao seu lado - Jihyo, Sana, podemos ir?

- Vocês podem ir na frente. - Disse a japonesa, atraindo atenção da coreana. - Tzuyu e eu iremos tomar um café.

- Tem certeza? - Ela assentiu, enquanto a taiwanesa juntou-se ao grupo - Bem, então somos apenas nós, meu bem.

- Você vai ficar bem? Quer que eu vá com vocês? - Jihyo quase implorou para que Sana entendesse seus olhares sugestivos.

- Imagina, Jihyoah! Vai curtir o namoradão. Faz tempo que vocês não se vêem. - Aproximou-se o suficiente do casal e mudou o tom para algo descontecertante - Se é que me entendem.

Daniel coçou a nuca demonstrando seu constrangimento e o rubor nas bochechas de Jihyo indicavam a mistura da sua irritação e vergonha.

- Vamos esposinha? - Enganchou o braço no da garota que esboçava um sorriso fofo, salientando as suas covinhas.

- Noiva. - Corrigiu-a. - Ainda não casamos, Sannie.

- Eu adoro quando você me chama assim. - Disse com a voz mole, descansando a cabeça no ombro da mais alta.

- Aproveita que estou de bom humor então. - Brincou, puxando-a para porta - Boa sorte para vocês! - Desejou enquanto passavam pelo casal, sumindo corredor a fora.

Talvez esse fosse o maior desejo de Jihyo: sumir.

- Bem, como a minha bff vulgo "safada que abandona a pessoa mais importante da vida dela para trás" não me convidou ou ao menos perguntou como eu iria embora... - Disse Nayeon com a bolsa quase arrastando no chão. - Serei obrigada a aceitar a carona, embora vocês também não tenham oferecido. Não consegui buscar meu carro ainda. - Queixou-se, dando de ombros. - Ah, sou a Nayeon, por um acaso. - Cumprimentou o rapaz que estava no automático.

- Ela é agente da Tzuyu. - Achou melhor informá-lo para não ter confusões futuras, principalmente ao vê-lo tão... frustrado? - E claro que lhe daremos carona, Unnie. Podemos ir?

- Por favor... - Disse o coreano com a voz cansada.

Já fazia uns vinte minutos que estavam no carro, cantando o repertório de músicas antigas que Sana carregava em seu velho pendrive.

Era engraçado pensar que há uns dias nem imaginaria uma cena dessas, muito menos com Chou Tzuyu ao seu lado.

Ela estava diferente.

Não estava mais contida, pelo contrário, cantava a plenos pulmões e fazia umas coreografias engraçadas que arrancavam a risada alta de Sana.

Talvez agora ela estivesse confortável com a presença da mais velha.

- Me diga que você tem alguma música dessa década, por favor! - Brincou.

- Ariana Grande? Ou Camila Cabello? São as que mais ouço.

- Beyoncé!!!! - Gritou animadamente.

- Assim você me complica, Tzuyu. - Fez uma careta - Só tenho algumas. 7/11?

- Nem pensar. - Desesperou-se - Não sei porque, mas essa música me lembra de tempos sombrios e dá calafrio só de ouvir o instrumental.

- Deve ser por isso que eu quase não ouço também. - Disse pensativa.

- E se for Ariana Grande, nada de 'Problem', por favor.

- Okay, okay! 'God is a Woman' é uma boa, pode ser?

- Finalmente, Minatozaki! - Deu um tapinha de leve no braço da garota, aproveitando o som para observar a movimentação na rua. - Como acha que vai ser amanhã?

- Não sei, ainda não parei para pensar. O que você acha?

- Acho que estou definitivamente fazendo uma loucura, ou melhor, nós estamos fazendo loucura. - Sentou de lado para olhar a mais velha - Você viu a reação daquelas pessoas na lanchonete da Konnect ontem, não? Pois é, várias farão a mesma coisa pela internet de forma anônima. - Endireitou-se com um bico nos lábios.

- Talvez sim, mas acredito que haverá pessoas do nosso lado também. Nós fazemos um casal bonito. - Olhou de relance vendo-a corar. - Vai dizer que não?

- Se você diz, quem sou eu para dizer o contrário? - Sana riu com a timidez repentina da garota. - Presta atenção no trânsito, Minatozaki. Temos que nos casar amanhã.

- Sim, esposinha.

Aproveitando o silêncio, a taiwanesa imergiu em suas redes sociais, principalmente nas várias fotos que a marcavam. Entre elas, uma foto de meia hora atrás saindo acompanhada de Sana do prédio da MBC.

Aquilo era uma loucura.

Não que fosse um ser anônimo, entretanto as pessoas não a perseguiam na rua ou tiravam fotos suas distraída por aí.

Era realmente estranho pensar que cada passo, de agora em diante, seria monitorado por fãs e pessoas interessadas em sua vida, e que o seu "anonimato" aos poucos ia acabando.

Seria ela futuramente um modelo para várias mulheres, jovens e adultas? Crianças, talvez.

Um incomodo em sua garganta a fez esticar a gola já frouxa de sua blusa. A sensação era de estar sufocando.

- Sana... - Chamou a japonesa que cantarolava. - Pára o carro.

- O que? Por que? - Encarou-a, assustando-se com o estado da garota - Você está branca! Tzuyu?!

- Para o carro, por favor. - Estava hiperventilando e aquele sentimento começou a vir novamente. - SANA, PARA O CARRO!

No impulso, a japonesa apenas puxou o freio de mão, parando o carro no meio da avenida, recebendo buzinadas e xingos furiosos. Todavia, a sua única preocupação era Tzuyu, que saiu desembestada pela rua.

Ao avistar um espaço mínimo entre alguns carros, Sana não pensou duas vezes antes de se enfiar entre eles. Às pressas, saiu atrás da taiwanesa que andava perdida em seus próprios pensamentos.

- TZUYU! - Gritou, vendo-a entrar no que parecia ser um bar.

Correu entre as pessoas que se acumulavam na calçada, sentindo o vento gelado bater contra o seu rosto e congelar a sua feição. Provavelmente não valorizaria a sua beleza.

- Tzuyu... - Disse arfante, enquanto a garota virava um copo de vai saber o que. - Tzuyu, o que houve?

- Eu precisava sair dali. - Bateu o copo com certa força sobre o balcão para alcançar os ombros já mais velha e chacoalhá-los. - Sana! Nós vamos influenciar milhares de pessoas.

- O que? Tzuyu, o que você bebeu? - Era um cheiro forte que exalava da boca da garota.

- Se chama "Prova do inferno", tá no menu ali na parede. - Deu um tapa no tampo de madeira, atraindo a atenção do atendente - Mais duas doses, por favor! Copos separados.

- Eu não vou beber isso e nem você. - Disse atracando alguns won's do bolso e deixando sobre o balcão. - Vamos embora. - Disse, pegando na mão da garota.

- Hey! Nem casamos e você já está querendo mandar em mim? - Reclamou desvencilhando do aperto. Por um segundo, Sana podia jurar que as pessoas que estavam ali as julgavam e não pela tentativa de levar Tzuyu embora. - Presta atenção, Japa, eu faço o que eu quiser e quantas vezes eu quiser. Tá entendendo?

- Esse negócio deve ser forte mesmo. - Assim que a bebida foi colocada perto de Tzuyu, a mais nova virou como uma campeã - Tzuyu!

- Sana, eu tenho que te contar uma coisa - Soluçou, antes de se aproximar - Eu tenho um problema com essas coisinhas aqui. - Ergueu o copinho que continha a segunda dose, ingerindo-a em seguida, para o desespero da japonesa - São a minha perdição.

- Okay, você bebeu três doses.

- Seis, se contar que a primeira dose tinha três doses. - Fez um bico, se pondo a rir - Ai Sana, você é bem diferente do que eu pensava.

- É mesmo? E por que? - Aquele cheiro não era nada agradável, pelo menos para o olfato sensível de Sana.

- Você é rígida. Não sabe se divertir. - A boca mole da garota fazia com que tudo fosse dito com deboche.

- O que? É claro que eu sei.

- Não, não sabe... - A voz da taiwanesa já estava um pouco embargada. Em busca de conforto, Tzuyu puxou Sana para uma mesa e solicitou uma garrafa para elas. - Eu vou te ensinar a se divertir.

- Olha, bebida não é a minha praia, okay?

- Meu Deus, como você é frouxa. Completamente sem graça. - Fez uma careta com o copo americano em mãos - Que decepção, Minatozaki.

- Tzuyu, podemos ir embora? Aqui não é um ambiente para nós.

- Para você, Sana, que é uma princesinha.

- Não é a minha família que é podre de rica e concentra a maior parte da economia de Taiwan.

- Touché. - Sorveu o líquido majestosamente, suspirando aliviada - Minha mãe não queria que eu bebesse mais. A Nayeon também. E os estilistas. E as outras modelos. E a minha ex.

- Chaeyoung?

- Shhhhhhh, não fala o nome do defunto. - Colocou o dedo indicador sobre a boca dela - Qual o seu problema, Minatozaki?

- Não sei, me diz você. - Conformada, tentava conter a sede de álcool de Tzuyu por meio da conversa.

- Você é gostosa. Do tipo, muito gostosa. Mesmo! - Enfatizou com o olhar, deixando Sana sem palavras - Sabe o que dá vontade de fazer? Foder. Até minhas pernas não aguentarem mais me sustentar. - "Okay, isso foi uma surpresa", pensou a mais velha. - Só que tem um problema nisso tudo, Minatozaki.

Já que estava no inferno, porque não abraçar o dito cujo?

- E qual seria? - Perguntou zombeteira.

- Você! Você pode ser gostosa, do tipo super gostosa, mas não tem a capacidade de me fazer sentir dessa forma.

- Como é?

- Sabe como é frustrante ter uma máquina nova e pronta para funcionar, só que a pessoa que pilota não sabe como colocar em prática? Pois é, essa definitivamente é você.

- Não sabe o que diz, Chou. Nunca me viu em ação, como pode dizer com tanta convicção?

- É só ver os papéis que estamos desempenhando: eu, jovem, linda, muito gostosa e aproveitando cada segundo da vida. Aí temos você, super gostosa e sendo uma velha de oitenta anos que quer ir tomar um cházinho de erva doce, às duas da tarde.

- Qual o problema em tomar um chá?

- Chá não faz a minha coleguinha aqui gritar. - Irônica, passou a língua entre os lábios sob o olhar atento da japonesa - Você é morna e isso é um desperdício.

- E se eu te provar que não sou?

- E como faria isso? - Desafiou-a.

- Te levando até o meu apartamento. - Tzuyu riu, gargalhou e esperniou, fazendo Sana torcer o nariz - Posso saber a graça?

- Você quer me levar até o seu apartamento para "mostrar que estou errada" - A mais velha deu de ombros sem entender - Sana, tem um banheiro bem ali. Se você fosse tão boa quanto diz, me puxaria para lá e faria eu engolir as minhas próprias palavras. Porém, você quer me levar até o seu apartamento. - Tzuyu ria gostosamente - Até lá o tesão que eu tô sentindo, se esvaiu.

- Okay, vamos até o banheiro. - Levantou-se de supetão e Tzuyu não pode evitar um sorriso cínico acompanhado da sobrancelha arqueada.

- Você não quer isso. - Franziu o cenho ainda divertida.

- Quem está ainda sentada é você. - Esbravejou indignada. Tzuyu, sem dúvidas alguma, a estava tirando do sério. - Vai arregar?

- Não quero que faça algo que se arrependa depois, Minatozaki. E outra, por mais que você seja gostosa, você não faz o meu tipo.

- O que?

- Existem níveis, Sana. - Resmungou - Você está no nível três e olha que eu estou sendo bem legal.

- Agora você me tirou do sério. - Bateu na mesa, deixando a Chou surpresa - Eu estou aguentando você me chamar de frouxa e o caralho a quatro, e isso tá me deixando extremamente estressada. Você não vai gostar quando eu perder a razão. - Disse entredentes.

Tzuyu ficou séria enquanto encarava a arfante e corada Minatozaki Sana no auge da sua descompostura.

Aquilo poderia deixá-la com medo? Nem um pouco.

- Você fica bem sexy quando está brava e sem dúvidas esse jeans valoriza a sua bunda, principalmente quando você enrijesse ela assim. - Tzuyu era indecifrável, o que deixava Sana perdidamente confusa. - Me diz uma coisa, você gosta de coisas obscuras, como amarrar ou chicotear pessoas durante o sexo?

- O que? Não! - Exasperou-se, roxa de vergonha.

- Ué, e por que não? - Indagou a morena - Às vezes é bom para dar aquela animada.

- Você é esquisita, garota. 

- Você que é idosa demais. Você precisa de uma mulher de pulso para te colocar no eixo.

- Olha, ninguém nunca reclamou.

- Ponto para você! - Zombeteira, bateu palminhas - Mas como eu te disse, te dou o nível três.

- Se não experimentou, não pode dar opinião.

- Opa! Agora a princesa está respondendo a altura. - Bateu a palma da mão sobre a mesa com um sorriso largo - Gostei e concordo.

- Que bom, porque na minha visão você é só papo.

- Como é que é? - Sua feição mudou. Estava levemente confusa.

- Você diz que faz isso e faz aquilo, mas eu tenho certeza que essa tal de Chaeyoung foi a sua primeira mulher e vocês ficaram naquele papai e mamãe bem insosso, sabe?

- Você adoraria isso, né Minatozaki? Mas para o seu governo, eu sou mais rodada que velocímetro de carro de corrida.

- Wow, você é virgem! - Gritou eufórica, como se tivesse ganho na loteria.

- Eu não sou virgem! - Por outro lado, a taiwanesa apresentava indignação e um rubor conhecido pela japonesa.

- É sim! - Apontou vitoriosa para garota - Só alguém tão insegura diria uma coisa assim! - Começou a rir, fazendo caretas - Chou Tzuyu, sua safadinha. Quase acreditei que gostasse de bondage.

- Você é...

- O que? - Instigou-a - Inteligente? Um poço de esperteza?

- Você também é virgem. - Cantarolou a última palavra, vangloriando-se tanto quanto Sana.

O sorriso da mais velha quase que desapareceu.

- O que? Tá querendo jogar isso em mim?

- Você é tão virgem quanto eu. Por isso suas frases são tão sem emoção. E eu achando que você ficava com a Jihyo. - Franziu o cenho com um sorriso cínico.

- O que? Jihyo namora!

- Sim, mas ela tava toda ciumenta ontem a noite enquanto conversávamos.

- E você não estava tão bêbada, não é mesmo? - 

- Eu posso ter extraviado a minha bebida para o copo delas. - Assumiu, bebericando o líquido.

- Uau, Chou Tzuyu. Você é uma caixinha de surpresa mesmo. - Cruzou os braços, espantada - Embebedou a minha agente para tentar tirar alguma informação e depois fingiu que estava bêbada. E agora? Tá fingindo também?

- Não, eu realmente estou bêbada. E realmente te acho gostosa e a minha namorada, muito provavelmente terminou comigo porque eu não dava assistência. E por que? Puf, sou virgem. - Bufou chateada, rodeando o copo com o dedo.

- Hey, não se sinta mal por isso, okay? Você foi verdadeira consigo mesma e não há problema em ser virgem. - Era bem contraditório dizer aquilo, já que ela mesma não admitia isso - Sexo é algo muito especial para você fazer com qualquer pessoa. Se você não se sente confortável, não deve fazer apenas para satisfazer o seu parceiro.

- Eu tinha vontade, sabe? Mas na hora, as dúvidas sobre ela me largar assim que transássemos, me rondavam. E no fim, ela me largou mesmo assim.

- A Jihyo pensa que eu sou a mulher mais experiente da face da Terra. - Revelou colocando a mão na cabeça, um pouco envergonhada.

- E por que ela acha isso?

- Bem, eu posso ter exagerado em alguns detalhes. Eu não gosto de me sentir atrás dos outros.

- Acho que temos algo em comum.

- Mais do que imaginamos. - Ambas sorriram.

Tzuyu ria facilmente. Ora pela bebida, ora pela face divertida de Sana.

- Você estava acreditando em mim, não?

- Aigo! Estava. - Arfou rendida - E me sentindo péssima por pensar que você era dez vezes mais descolada do que eu.

- Eu só bebo. Muito. - Comentou em um tom triste - Eu estava tendo um ataque de Pânico no seu carro e o meu jeito rápido de resolver as coisas é bebendo.

- Você não deveria beber tanto. É perigoso.

- Eu sei - Choramingou - Mas quando eu percebo já estou no terceiro copo e a sensação que me preenche é única. É como ser abraçada por um ser quente e confortável. É maravilhoso.

- Tzuyu, eu sei que deve ser difícil, mas se você quiser, eu posso ser seu ponto de refúgio. - Os olhos chocolate de Tzuyu encontraram os de Sana. - Assim você não precisa mais beber. Eu posso e quero te ajudar.

- Sannie, você é especial, sabia disso? Não vou prometer, mas tentarei ser mais racional e recorrer a ti quando me sentir dessa forma.

- Ótimo.

Foi uma pausa breve para a mais nova simplesmente buscar novamente a garrafa e o copo vazio.

- Mas já que estamos aqui - Colocou a bebida de qualquer jeito no copo de vidro - Não há um motivo plausível para que eu não continue a beber agora, afinal é muito chato não beber quando se compromete com a garrafa. - Sana a olhava desconfiava, fazendo a mais nova erguer as mãos - Só essa, prometo.

- Vamos ter que ligar para que nos busquem. - Ajeitou-se na cadeira, colocando o aparelho sobre a mesa.

- Você não tá bebendo. - Deu um último gole, pronta para pegar a garrafa, sendo impedida pela japonesa.

- Mas vou. - Agarrou e despejou o líquido caramelizado no copo americano - Não vou deixar você beber tudo isso sozinha.

- Você não precisa fazer isso, Minatozaki. - Disse séria, encarando-a.

- Mas eu quero.

Com o copo na altura dos lábios, sentiu quando ele teve outro destino. Com um simples tapa, Tzuyu o lançou longe, assustando os clientes e o atendente no balcão pelo o objeto espatifado no chão.

- Não vou deixar você ficar igual a mim. - Largou três notas de cinquenta mil wons na mesa e virou-se para o homem que as olhava intrigado. - Isso é pela bebida e o incomôdo. Vamos Sana.

Sana fez uma breve reverência, antes de se retirar. Observou que Tzuyu havia parado entre a calçada e a entrada do bar, parecendo pensativa.

- Eu tô aqui com você. - Pegou em sua mão, entrelaçando os dedos - Não precisa ter medo. - Os olhos da taiwanesa foram das mãos para o rosto da japonesa.

Sua respiração, até entao desregulada, foi acalmando e por impulso, talvez, agarrou o pescoço de Sana com a direita, juntando seus lábios.

Surpresa, a mais velha não teve tempo de reagir, pois com a mesma rapidez que Tzuyu iniciou, ela terminou.

Apenas um selar.

Mas o selar mais significativo que teve em sua vida.

Envergonhada, Tzuyu saiu na frente tampouco se preocupando com o trânsito que simplesmente parara enquanto ela atravessava apressada. Ainda entorpecida, Sana saiu em disparada para acompanhá-la recebendo mais buzinas em resposta.

Depois de deixarem Nayeon em seu apartamento, Jihyo e Daniel resolveram por almoçar em um restaurante novo que abrira no centro comercial de Seoul, uma região privilegiada e muito recomendada.

Jihyo estava em sua luta para continuar em silêncio, enquanto que Daniel tentava puxar um assunto qualquer para distrai-la.

- Eu sei que tenho faltado muito com você, amor. Mas eu preciso que você me entenda.

- Te entender? - Questionou, posicionando-se melhor - Daniel, você deixou a empresa a Deus dará e foi cuidar de uma filial que nem estava inclusa nos projetos de desenvolvimento.

- Eu sei e tenho um motivo para ter feito isso. - Apressou-se.

- Qualquer motivo que você diga não me fará pensar diferente. E outra: Seulgi? Me desculpa, mas a sua irmã não está nem aí para a empresa.

- E você reagiu com um tapa nela. - Jihyo sentiu as bochechas esquentarem, desviando o olhar do namorado que continuava com uma expressão impassível.

- Sim - "Pega no pulo" - E confesso que foi errado. Porém, tive os meus motivos também.

- Ela me disse que foi um pouco ácida nas palavras. - Cauteloso, o coreano decidiu por amenizar a conversa desagradável que teve com a irmã por mais de uma hora no telefone.

- Ácida? Ela deu a entender que eu tinha algo com a Sana, Daniel. Ela supôs isso na frente da Sunmi.

- E você tem? - Perguntou simplório e olhos pidões.

- Daniel!

- O que? Eu não te culparia por isso, de verdade. - Pegou a mão da coreana entre as suas, fazendo um leve carinho com o polegar - Olha, eu estive ausente e não tenho o direito de prender você nesse relacionamento, Jihyo. Por mais que eu te ame, eu quero vê-la feliz.

- O que você tem tomado? - Estava horrorizada com aquele assunto, principalmente por aquilo a fazer relembrar do sonho que teve e que não tinha arrependimento nenhum - Não, eu não estou com ninguém além de você. Você está com outra pessoa?

- Claro que não. Jihyo, você é a mulher da minha vida. - Sorriu de um jeito bobo, que parecia iluminar a íris castanha - A mulher com quem eu quero construir uma familia, ter filhos e tudo que temos direito.

- Então por que está dizendo essas coisas?

- Porque eu preciso te falar a verdade e não sei se isso vai te fazer ir embora.

- E o que seria?

Se dissesse que não estava preocupada com a resposta, seria mentira.

- Não existe a filial chinesa e eu não estava na China.

- Como é? - Sua voz aumentou, fazendo o rapaz olhar para os lados amedrontado - Daniel! Como assim?

- Eu precisava me afastar, Jihyo. - Ele abaixou mais a voz, segurando firmemente em sua mão. - Só preciso que você me entenda.

- O que foi fazer então? Onde estava? - Praticamente a garota cuspiu as perguntas sequencialmente e na mesma rapidez.

- Eu fui diagnosticado com depressão e achei melhor ir atrás de um tratamento adequado fora do país. - Suspirou, com o olhar baixo - A Coreia não sabe lidar com quadros de saúde mental, então para não piorar mais e não correr o risco de te decepcionar, eu achei melhor cuidar disso sozinho. - Jihyo sentia a sua cabeça ser pressionada e uma leve tortura lhe rodeou. Era muita informação ao mesmo tempo. - Eu sei que te abandonei aqui, não te dei a assistência necessária e muito menos facilitei a sua vida com a empresa e todo o resto. Peço que me perdoe. Eu nunca quis magoá-la ou afastá-la de mim. Pelo contrário, eu fui me tratar justamente para que ficassemos juntos e felizes.

Daniel estava tentando. Ele sorria, apesar de ostentar o semblante triste e o olhar perdido.

- Você não tem nada a dizer? - Jihyo abriu e fechou a boca duas vezes, vendo o rosto esperançoso do namorado.

Não tinha palavras suficientes para justificar a sua indignação por ter sido colocada de lado em um assunto tão importante.

Entretanto, uma dorzinha em particular começara a latejar. O sentimento do egoísmo.

Estava sendo egoísta por não enxergar a tentativa falha de Daniel em protegê-la e até mesmo, por ele buscar ajuda sem ao menos divulgar sobre isso.

Talvez faria o mesmo no lugar dele. Uma parte de si dizia para não julgá-lo. Não estava na pele dele para saber como reagiria nessa situação.

Seria forte o suficiente para ir atrás de uma solução sozinha? Não sabia dizer.

- Por que não me disse? - A voz que sairá foi tão calma e baixa, que surpreendeu o coreano, fazendo-o a encarar - Eu podia ter ajudado você. Ter te acompanhado para que não ficasse sozinho.

- Eu não podia colocar você no meio disso tudo. Você estava preocupada com as coisas, sempre sendo uma pessoa proativa e forte. Isso poderia desestabilizar você, amor. Eu não queria isso.

- Como eu não notei... - Separou de seu contato, afundando o rosto nas mãos, completamente chateada consigo mesma. - Como eu pude ser tão cega e... Não perceber que você não estava bem?

- Jihyoah, não faça isso. Eu não contei antes exatamente para que você não se sentisse dessa maneira. Olha pra mim - Ergueu o queixo da garota para que pudesse passar segurança em suas palavras - Eu estou bem. Estou medicado e farei visitas periódicas no psicólogo. Okay? Eu estou aqui e com você.

- Mas eu não estava com você quando precisou - Lágrimas quentes correram sobre o rosto da coreana, marcando a pele e a trilhando com sua tristeza e dor.

- Você sempre esteve aqui - Colocou a mão sobre o peito. - Você me ajudou muito, Jihyo. Sempre otimista e dando o melhor de si para todos. - Levou um de seus dedos para apanhar as gotas insistentes que deslizavam sobre a pele corada - Toda vez que eu pensava em um motivo para acordar outra vez, você era a única que vinha nos meus pensamentos. Só de imaginar os seus olhos brilhantes, o seu sorriso meigo e a sua pele quente junta a minha. - Suspirou mostrando os dentes no contorno do sorriso perfeito - Ah... O meu motivo de viver é você, Park Jihyo, e sempre será.

Ambos sorriram. Não poderia ser diferente.

Naquele momento, a coreana sentiu que Daniel era a pessoa certa e que apesar dos pesares, talvez ele a salvaria das suas tentações.

- Jihyo? - Aquela voz. Seus olhos se prenderam nos dela. Sua respiração falhou e um arrepio perpassou por todo seu corpo.

- Jeongyeon... - A mais alta sorriu, deixando seu olhar falar por si só o quanto aquele encontro foi agradável.

Daniel até poderia tentar salva-la, todavia, as tentações sempre dão um jeito de aparecer.

Não importa o tempo ou lugar.

Elas voltam acompanhadas das dúvidas sobressalentes.


Notas Finais


Mais de 5.000 palavras! Capítulo mais extenso até agora.

Quero agradecer imensamente pelos 250 favoritos! Vocês são fodas! 🎉

E bem, tô devendo uma explicaçãozinha.

Pessoal, seguinte: Quero pedir desculpas por me ausentar. Além de ter uns problemas pessoais acabei tendo uma crise criativa e não tinha certeza se devia continuar com a história, não apenas esta, mas como as outras que escrevo também.

Eu estava em uma grande dúvida sobre voltar ou apagar de vez. Entretanto, não achei justo eu trazer algo e pedir a opinião de vocês sobre realizar ou não a história, e de repente, apagar tudo e fingir demência.

Não pareceu uma escolha correta e legal, principalmente por eu saber que há leitores assíduos que acompanham não só We Got Married como também God is a Woman - Twice (Teve atualização nessa semana), Trick It (DahMo), Private Life: SaTzu, The Future Girl (MiChaeng) e Twice The Story Begins.

E sim, aproveitei o momento também para divulgar os meus outros trabalhinhos.

Enfim, espero que vocês me perdoem e continuem acompanhando essa história porque sem vocês, não teria motivos para escrever.

Comentem aí o que estão achando. Se vocês apostam em alguma coisa, tem alguma teoria, gosto de ver vocês aí.

Mais uma vez, muito obrigada!

Até a próxima! 💜


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