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História We Got Married - Capítulo 34


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Capítulo 34 - Better Apart


NAHYUN

Na sexta-feira, estamos terminando os últimos compromissos do dia. Com o inusitado sucesso mundial do nosso álbum, as coisas estão tomando proporções inimagináveis. Já estamos sendo indicadas a várias premiações gigantescas, além dos prêmios que já ganhamos desde o nosso comeback.

Estou retocando pela última vez minha maquiagem no camarim, enquanto as meninas também estão esperando obedientemente. Assim que termino, sento-me num dos sofás, até esperar a hora da nossa última entrevista.

Pego meu celular, tentando me distrair pelos próximos vinte minutos. Vou até o google olhar algumas notícias sobre nosso grupo, porém deveria saber que essa é uma das piores coisas a se fazer. De vez em quando damos de cara com comentários rudes ou notícias mentirosas de sites, então precisamos tomar bastante cuidado com o que procuramos.

Como ultimamente não sou uma das pessoas mais sortudas se considerar minha vida pessoal, acabo abrindo na primeira manchete com meu nome, que eu acreditava ser algo bom. Então leio o título: Park Jimin, integrante do BTS, diz a verdade chocante sobre o We Got Married.

Sei que é uma péssima ideia, mas a curiosidade fala mais alto. Começo a ler a notícia.

“Cada vez mais surpresas! Fazendo sucesso nessa temporada do reality show, We Got Married, Park Jimin conta algumas verdades sobre o casal (de mentirinha) mais falado do ano!”

A parte lógica do meu cérebro pede para que eu não abaixe mais a tela e clique no vídeo que aparece, porém não lhe dou ouvidos. Meu coração acelerado impede qualquer pensamento certo que posso ter e então clico no vídeo.

A primeira coisa que noto é Jimin. Faz tanto tempo que tento ignorar qualquer menção ao seu nome, ou qualquer situação que possa me fazer vê-lo, mesmo que através de uma tela de celular, que acabo tomando um susto quando o vejo. Está lindo, como sempre, porém dessa vez seus cabelos estão tingidos de castanho escuro. É um detalhe surpreendente, porque estive tão acostumada a vê-lo com os fios alaranjados, mas nem de longe é algo ruim. Na verdade, mesmo que pareça ser impossível, ele está ainda mais bonito.

Respiro fundo, tentando colocar meus pensamentos em ordem. veja o vídeo, Nahyun, uma vozinha me repreende. E é isso que faço.

Começa com uma entrevista com todos os meninos, onde respondem as perguntas do entrevistador, até que é a vez de Jimin. Não presto tanta atenção nas suas perguntas, estou focada demais na sensação que tenho ao vê-lo ali, me fazendo relembrar todos os momentos que tivemos juntos.

— Não existe nada entre nós. Quando o programa acabou perdemos totalmente o contato. Não tenho o que falar a não ser que não estamos juntos.

Suas palavras fazem sulcos no meu peito. Não sei o que estava esperando, honestamente. O que sai da sua boca é exatamente como as coisas aconteceram, porém não faço ideia do motivo de me sentir assim, apenas sinto.

Sinto meu coração se acelerar e doer gradativamente. Sinto as lágrimas chegarem e um vazio no estômago que me provoca ânsia. Por que as coisas tinham que ser assim? Repito. Por quê?

Continuo com respiradas fundas, enquanto encaro a tela do celular com os olhos marejados. É melhor assim, separados. Não mantendo contato, porque é exatamente como as coisas precisam estar indo.

E não há razão para querer que as coisas fossem diferentes. Porque a verdade é que nada iria mudar. Do que adiantaria Jimin gostar de mim de volta, quando há problemas maiores que não nos fazem ficar juntos? Eu não gostaria de passar pelo constante julgamento e ataques que sofreria diariamente. Não posso. Não sou forte o suficiente pra isso.

Mas do que também adianta pensar em hipóteses impossíveis? No final, tudo está como deveria ser. E é melhor assim...


(...)

Me acomodo melhor na almofada, observando o pessoal organizar as câmeras. Vamos participar de um programa hoje, então a felicidade das meninas com a ocasião me deixa um pouco melhor. Além disso, como já completou um mês desde o fim do programa há alguns dias atrás, as perguntas sobre ele não são mais tão frequentes. Foi um período desconfortável precisar encontrar um jeito de mudar de assunto ou responder de uma maneira bem humorada toda vez que um entrevistador mencionava o reality.

— Muito bem! Olá, pessoal de casa, hoje temos uma surpresa bastante inusitada e agradável — o apresentador exclama, fazendo todos baterem palmas.

— Isso mesmo! Estamos com as meninas do Dower, o mais novo grupo feminino e, em geral, a alcançar atualmente recordes mundiais na música! — uma mulher, dessa vez, completa.

Então eu e as meninas nos introduzimos para as câmeras. Como é um daqueles programas de tv com dinâmica mais descontraída, não me sinto tão tensa. Começamos a fazer joguinhos e responder perguntas mais divertidas.

Então eles decidem nos apresentar algumas comidas e doces que a apresentadora nos mostra. Ela é da Tailândia, então traz algumas comidas típicas e que fazem sucesso lá para os seus convidados.

Eu e as meninas provamos das comidas. Quando estamos no terceiro doce que nos mostra, pego um pedaço de barra de chocolate e faço o erro de olhar por trás das câmeras. Uma das assistentes me encara, negando com a cabeça. Como já sei o que devo fazer, dou uma pequena mordida no pedaço, porém finjo que não gosto e deixo de lado. É o que também preciso fazer com todas as outras comidas.

Deveria saber que isso estava prestes a acontecer. Agora com o aumento da popularidade do nosso grupo, precisamos estar ainda mais tomando cuidado com nossa saúde, ou com nossa aparência, no caso.

Também notei que, durante nosso comeback, acabei me deixando levar e, pela permissão que Jongsu, nossa nutricionista, nos deu de poder sair um pouco da dieta, acabei saindo dos limites. Também com o final do programa, presa em meus pensamentos e sentimentos, não cuidei muito bem de mim mesma.

A consequência disso foi aumento de peso considerável em menos de um mês. Com a atenção em cima de nós, prefiro voltar ao meu corpo de antes o mais rápido possível. Já notei alguns comentários virtuais ao longo desses últimos anos e prefiro evitá-los ao máximo.

— Sim. Vamos começar com alguns shows nacionais logo — é Jihyun quem responde e que me faz voltar à realidade.

— Que bom. Depois desse comeback incrível que tiveram tenho certeza que seus fãs estão extremamente ansiosos e entusiasmados com a notícia.


(...)

Forço uma expressão neutra para as câmeras, quando sinto um dos flashs me cegar. Estamos tirando mais fotos hoje, quero dizer, a manhã inteira. Ficamos dentro desse galpão desde as sete da manhã. E agora já devem ser quase onze.

Gostaria de dizer que meu cansaço diante das câmeras é apenas pelo fato de estar em pé por trinta minutos diretos, mas não. Acontece que não estou comendo bem nesses últimos dias. E a culpa é inteiramente minha, pois mesmo com a nova dieta, quero até mesmo evitá-la ao máximo. Estou ajustando-a para a minha nova técnica: quanto tempo consigo ficar sem comer antes de desmaiar?

Preciso lidar com a situação com um pouco de humor ou senão acabarei surtando. Ninguém sabe sobre isso, estou me saindo até que incrivelmente bem na hora de disfarçar para as meninas as minhas faltas de refeições. Porém apenas quero voltar ao meu peso normal o quanto antes. A diferença não foi tanto quanto imaginei quando me pesei novamente, mas sei que há algo de errado. E alguns assistentes confirmaram isso pra mim.

Respiro fundo, ajeitando-me novamente em outra posição. Noto que há algo de errado no momento em que preciso me levantar novamente, porque sinto minha visão ficar turva por alguns segundos. Respiro profundamente, sentindo meu coração acelerar. Tem algo de errado.

Comprovo isso no momento em que outro flash me cega e então sinto minhas pernas falharem. A próxima coisa que percebo é que estou sentada no chão, com o pé dolorido. No movimento, acabei tropeçando para o lado de Amy, que tentou me segurar, mas não conseguiu ter um reação à tempo.

Não desmaio nem nada, ainda bem, porém com a fraqueza nos pés, acabei torcendo com o salto alto.

— Droga — murmuro, sentindo uma dor aguda na dobra.

Já tem um assistente ao meu lado, dando uma olhada na torção. As garotas também estão agachadas, me olhando preocupadas.

— Será que quebrou? — Amy diz, no seu tom eufórico.

— Não sei muito bem... — ele diz, mas é interrompido pelo meu gemido de dor no momento em que tira meu sapato. — É provável, mas talvez seja apenas uma pequena torção.

Ele sai para pegar gelo enquanto fico ali, sentada no chão.

— Não acredito que isso aconteceu. Estamos prestes a fazer os shows — ouço Jihyun reclamar. Encaro-a seriamente, mas parece mais uma careta pela dor.

— É com isso que se preocupa? — Yoojin pergunta. Ambas falam em um tom baixo, para mais ninguém nos ouvir. Hyemi e Amy ainda estão agachadas comigo.

— É claro. Se Nahyun não estivesse tão distraída ultimamente, como esteve desde que aquele maldito programa terminou, isso não teria acontecido — encolho os ombros com cada palavra.

Nem mesmo posso contradizê-la. Mas hoje, pelo menos, foi pela falta de comida. O que não deixa de ser minha culpa. Porém não irei admitir nenhuma dessas coisas.

No final, somos interrompidas pelos outros ajudantes que aparecem e decidem me deixar de repouso pelo resto do dia. Vou até a emoresa naquela tarde, onde nosso fisioterapeuta nos encontra e me tranquiliza, diagnosticando o que foi apenas uma torção. Caso eu evitasse colocar peso no meu pé direito e continuasse aplicando gelo, o inchaço e dor acabariam em vinte e quatro horas.

É o que faço assim que chego em casa. As garotas não chegaram ainda, porque tem outro programa para participarem. Eu também deveria estar indo, porém não posso, por motivos óbvios. Vou direto para o quarto e me deito na cama. Respiro fundo, apreciando o silêncio.

Sinto meu estômago roncar. Desse jeito acabarei me matando de fome. Decido ir até a cozinha para pegar alguma coisa. Uma das staffs ficaria aqui comigo até que as meninas chegassem, para me ajudar, porém dispensei a ideia. Imagina se precisasse ir ao banheiro? Disse que podia me virar e a tranquilizei, dizendo que não saíria da cama.

Faço todo o caminho em um pé só, pulando a cada passo. Vou até a cozinha, onde abro o armário. Como não quero preparar alguma coisa, decido por algo rápido. O problema é que não tem muita coisa senão carne ou miojo, e é uma das opções que demorará muito para o meu gosto e que prefiro evitar comer.

Olho para um pacote de salgadinho que tem em um dos armários e fico encarando-o, pensativa. Será apenas algumas mordidas, só pra acalmar o estômago. Decido pegar.

Abro a embalagem, sentindo o cheiro forte e ao mesmo tempo viciante. Pego um. Mastigo rapidamente. O sabor é bom demais para evitar. Pego mais um. E mais um. Não vai fazer diferença alguns, não é? Ou uma mão cheia. Talvez metade do pacote. É o bastante pra me deixar satisfeita pelo resto do dia.

Fico ali, apoiada na bancada, aproveitando a sensação boa de ter como comer sem monitoramento. Vou pegar mais um salgadinho. Mas meus dedos encontram o vazio. Franzo o cenho e confiro o interior do pacote. Não há nada mais.

— Ah, não — murmuro, colocando a mão na boca.

Respiro fundo. Está tudo bem. É só seguir a dieta a partir de agora. Ficarei em jejum. Não, não, não. A voz aparece na minha mente. E então sei que estraguei tudo. Mais uma vez.

Saio da cozinha, mas antes jogo a embalagem no lixo, com força. Sinto minha respiração acelerar mais. Vou dando pulos novamente até o corredor, mas ainda é muito lento. Deixo o pé machucado encostar no chão, mas não me importo com a dor aguda. Preciso chegar até lá.

Abro a porta do banheiro, à tempo de abrir a privada e vomitar tudo. Não é muito, pra falar a verdade, mas a sensação é reconfortante. Forço mais, até que sinto as lágrimas arderem meus olhos, assim como a garganta. Forço mais uma vez, até que apenas líquido comece a sair.

Respiro profundamente, sentindo um soluço atravessar a garganta. Encosto a cabeça na parede, sentando no chão gelado. Mal tenho tempo de me recuperar, assimilar o que aconteceu, antes que já esteja chorando compulsivamente.



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