História We Were Born For This - Capítulo 5


Escrita por:

Postado
Categorias Harry Styles, Justin Bieber, Madison Beer
Personagens Harry Styles, Justin Bieber, Personagens Originais
Tags Drama, New York, Romance, Universidade
Visualizações 20
Palavras 5.244
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Saga
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


link do trailer cast e música nas notas finais,
boa leitura!

músicas recomendadas:
(até o encontro): zayn – if i got you
(depois do encontro): why ona - wannabe (trap remix


Copyright © 2019 de bibadol
Todos os direitos reservados.

Capítulo 5 - Capítulo 5.


Fanfic / Fanfiction We Were Born For This - Capítulo 5 - Capítulo 5.

O apartamento de Grace era quase que do outro lado da cidade, foi uma fortuna de transporte e eu decidi que precisava aprender a usar o metrô. Entreguei a nota para o motorista e quando ele me entregou o troco, eu desci do carro.

Parei no hall e dei meu nome para o concierge que liberou minha entrada, dizendo em um sotaque francês forte que “A Srt. Turner” me esperava. Esperei entrar no elevador para dar uma risada.

Eu só não sabia se estava rindo de nervoso por não saber aconselhar ninguém sobre términos de namoro, ou pelo sotaque que havia escutado a segundos atrás, ou até mesmo se eu estava rindo de felicidade pelo meu encontro de meia hora atrás.

Not a date, just hanging out.* Meu cérebro me corrigiu e eu senti minha cabeça rodar, provavelmente pelo vinho.

Parei no andar de Grace mais rápido do que eu pensava e logo que as portas se abriram, já dava dentro do apartamento dela. Não tinha uma porta, ou um corredor imenso, muito menos vizinhos. Rico pode, certo?

– Grace?

Chamei, mas sem resposta. Decidi então que deveria começar a procura-la. Eram três andares, porque depois de olhar o segundo, percebi que tinha outra escada ainda. Meu Deus, como ela se sustentava?

– Grace – repeti, mas já estava cansando de chama-la e quase desistindo de procura-la naquela mansão disfarçada de apartamento. Até que eu a vi sentada na parte de fora da casa, um terraço. – Oi – chamei baixinho e ela logo me fitou.

– Pensei que fosse me ligar. A casa é enorme, creio que tenha ficado perdida.

Ri concordando e sentei do seu lado. Aceitei a taça que ela empurrou em minha direção.

– Você quer me contar o que houve?

– Na verdade não – ela respira fundo e cruza suas pernas. – Como você está?

Eu entendo que ela queira que eu a distraia, então penso bem se conto ou não sobre onde eu estava antes.

– Eu estou... – escolho bem a palavra, porque não queria me vangloriar – normal.

– Conseguiu conversar com o bonitão do apartamento da frente?

– Aparentemente, ele não namora.

– Ele te contou?

Balanço a cabeça, concordando.

– Então ele está afim de você.

– Não sei – e dessa vez eu sou sincera ainda mais comigo mesma. Por mais que tivéssemos aquele momento bom, eu entendia que ele tinha visto como uma amizade.

– Não perguntei, eu afirmei – ela riu meio amarga, mas eu sabia que não era para mim e sim da sua própria situação.

– Talvez ele esteja – preferi concordar com ela do que contrariar.

– Isso é bom, aproveite enquanto está no começo – Grace bebe um gole grande do vinho branco que ela tinha me oferecido antes e logo enche a taça novamente.

– Vai na faculdade amanhã?

– Vou. Não posso faltar amanhã, se não Kendra nunca mais conversa comigo.

– Kendra? – indaguei curiosa, pegando a taça de sua mão para dar mais um gole.

– Uma amiga minha, é aniversário dela amanhã. Ela não ia fazer nada, mas quando contei que Sam terminou comigo, ela vai sair com a gente amanhã a noite com outras amigas nossa e durante o dia vamos apenas torrar dinheiro em algum shopping.

Grace joga seu corpo para trás e eu percebo que ela está um tanto cansada.

– Você vai dormir aqui hoje, não é? – pergunta depois de um longo silêncio.

– Eu não tenho roupa...

– Posso te emprestar – ela me olha quase piedosamente, esperando que eu concordasse.

– Tudo bem. Eu fico.

A noite foi longe, Grace não quis chorar no começo, mas quando nos deitamos ela desabou no meu colo. Eu, por mais estranho que parecesse, tinha adorado dormir de conchinha com ela, acariciando seus fios. Ela me lembrava muito Barbara, com a pose de louca, mas o coração mole.

Durante as aulas, Grace estava aérea, mas seu rosto estava impecável com aquela maquiagem, nem parecia que tinha chorado até dormir. Que inveja. Se fosse comigo, eu estaria toda inchada e descabelada. Tratei de prestar atenção na aula para que assim eu passasse para ela depois, porque eu percebi que nada que a Sra Gordon falava atraia a atenção da minha amiga.

Éramos amigas, certo?

Quando o horário acabou, chamei sua atenção. Ela apenas sorriu e me esperou de pé, enquanto eu guardava seu material, já que como eu não tinha levado o meu, e ela não usaria o seu. E como de costume, andamos até a biblioteca. E eu parei no segundo que vi Harry parado ao lado de uma estante de livros.

– Que merda – murmurei, observando minha saia extremamente curta já que nenhuma calça de Grace coube em mim por sua bunda ser o dobro da minha.

– O que? – minha amiga olha para onde eu estou com o olhar preso. – Você conhece? Nunca o vi por aqui.

– Eu tenho um encontro com ele, agora.

– O que? – ela repetiu um pouco mais alto. Aquilo atraiu a atenção dele que não estava muito longe agora.

Harry caminhava em minha direção com um sorriso que mostrava suas covinhas fundas, seus olhos estavam ainda mais claros por causa da iluminação.

– Por que não me contou antes? – não podia responde-la, porque ele estava próximo demais.

– Oi, Harry! – ignorei a garota ao meu lado dando um dos meus melhores sorrisos. – Você se importa de apenas esperar um pouco?

– Não, posso esperar ali – apontou para a estante que eu estava antes e eu concordei.

– Por que você fez isso? Deus, ele é tão gato!

– Não vou te deixar sozinha – respondo, decidida. – Podia ser o Jensen Ackles. Não me importo.

E então os olhos dela brilharam, assim como o sorriso radiante que me lançou.

– Você é incrível! – ela sentenciou antes de deixar um beijo em minha bochecha. – Olha, Kendra está ali, você já pode ir para os braços do segundo homem mais bonito do mundo. E vai me contar direitinho essa história de noite.

– Segundo?

– A gente sabe que se ele fosse o Jenses Ackles você não teria ficado comigo – então ela sai depois de uma piscada, e eu reviro os olhos.

Caminho preguiçosa e lentamente até Harry, parando com as mãos para trás.

– Vamos? – perguntei chamando sua atenção para mim.

– Vamos – ele sorriu novamente e eu me derreti com suas covinhas pela segunda vez em menos de cinco minutos. Queria te levar no Café Wha, mas lá só abre às oito da noite. Podemos marcar outro dia.

Ele já pensava em um segundo café sem nem ter tomado o primeiro comigo? Eu não sabia distinguir se aquilo era incrivelmente bom, ou se eu me assustava. Mas fiquei com a minha primeira opção, pelo menos por enquanto.

– Se importa se andarmos um pouco?

– Claro que não! – sorri jogando meu casaco sobre o ombro. – Mas me conta como é ser um britânico em Nova York.

– Bom, não muda muita coisa, a não ser o lugar do motorista. Isso me incomoda muito, porque tem mais de cinco anos que dirijo do lado direito e agora, em menos de um mês, tive que me virar com o lado esquerdo.

Dei uma risada concordando.

– Você não parece daqui.

– Sério? Você é a primeira pessoa que percebe isso.

– Talvez por eu também não ser daqui.

– Mas não faz sentido, quem é daqui que deveria saber diferenciar meu sotaque – gesticulei, fazendo uma leve careta, sabendo que meu ponto de vista estava certo.

– É, faz sentido – e eu sorri como quem dissesse “é claro que faz sentido”.

O café era meio bagunçado, apertado e rústico, mas ao mesmo tempo era muito aconchegante. Observei o lugar por inteiro enquanto nós esperávamos na fila, diversos quadros na parede combinavam bastante com os bancos enormes com alguns desenhos entalhados no encosto.

Deixei que Harry escolhesse o café para que eu provasse coisas novas e pedi um croissant recheado com chocolate para acompanhar. Eu poderia viver a base de cacau que eu não me importaria. Sentamos em uma mesa no fundo, do lado da janela e bem afastada das outras. Ajeitei meu corpo no banco e encostei minhas costas assim que pude, Harry fez o mesmo, e depois de um longo gole no café quente, ele começou:

– Me conta de onde você é afinal? – e eu sabia que teria que passar pelas mesmas perguntas e conversas que eu tinha passado no dia anterior.

– Brasil.

– Eu chutaria que você é brasileira, juro.

– Por quê?

– Bom, uma parte da minha família, distante, mas que eu tenho contato nasceu la. Eu reconheço um pouco os traços de um brasileiro – sorri sem mostrar os dentes porque estava com comida na boca. – E na universidade? Qual curso você está fazendo?

Ele checou o relógio de pulso, provavelmente se policiando quanto ao horário da sua palestra.

– Curso jornalismo. É o que sempre quis, sempre me chamou atenção e eu sempre tive facilidade com a escrita.

– É bom fazer o que a gente gosta, não é? – e eu balancei a cabeça concordando.

– Você faz o que mesmo?

– Artes. No momento eu estou estudando a história da arte, porque aparentemente só assim para eu conseguir finalmente estar de frente para uma tela e poder pintar o que eu quiser.

– Achei que não precisasse. Que fossem duas coisas diferentes;

– Bom, são. Mas eu preciso estudar sobre os termos de cada período, sabe? É complicado de explicar.

E por um segundo eu desejei receber uma mensagem de Derek. Mas ele não tinha meu número. Droga.

Meu café já tinha acabado e um croissant também, mas a nossa conversa fluiu até que mais do que eu pensei que ela poderia. Harry era atraente e interessante, mas de alguma forma eu estava comparando-o com Derek de todas as formas possíveis. Os dois eram muito diferentes um do outro, enquanto o que estava na minha frente era carinhoso e tentava ao máximo manter uma conversa comigo, direcionando os assuntos sem ser grosseiro em momento algum; o que não saia da minha cabeça era um tanto enigmático, parecia um daqueles cubos mágicos que eu nunca consegui resolve-los sem olhar na internet, mas ali era a vida real e Derek não tinha um manual de como eu deveria trata-lo ou assuntos que o interessaria.

Eu estava largada no banco, já me sentia a vontade de sentar daquela forma desleixada, talvez por eu sempre sentar assim. Minha perna direita estava sobre a esquerda, cruzada, e meu braço esquerdo estava apoiado no encosto das costas. Harry nem se quer tentava uma aproximação, e aquilo de certa forma me deixava um tanto tranquila.

– Eu preciso ir, já estou um pouco atrasado – informou e nós dois levantamos ao mesmo tempo. – Eu agradeço que tenha tirado um tempo para conversar comigo. Queria poder ficar mais.

Então fica, pensei. Ele me lançou um sorriso que eu tive que me controlar para não me atirar em cima dele. Sorriso com certeza é meu ponto fraco, não posso ver um bonito que eu já sinto vontade de beija-lo.

– Não precisa agradecer, eu quem agradeço por ter me salvado de algumas horas com quatro mulheres histéricas dentro de uma loja de lingerie – brinquei gesticulando com as mãos. – Agora – olhei meu relógio de pulso, sorrindo com ironia – são duas horas com quatro mulheres histéricas, então, muito obrigada por diminuir o tempo da minha tortura.

Ele riu em uma gargalhada gostosa, provavelmente se divertindo com a minha situação, e apertou seus grandes olhos verdes. Com certeza nossos filhos teriam olhos verdes. O que? Olivia?

– Bom, vou caminhando porque eu ainda tenho que enfrentar minhas colegas – sentenciei, indicando a direção que eu ia tomar com a mão.

– Vai lá. Eu vou por aqui – explicou e apontou para a direção contrária a minha com um sorriso lindo no rosto. Talvez ele não fosse o homem mais interessante do mundo como eu queria que fosse, mas eu esquecia facilmente desse fato quando ele sorria para mim.

E talvez eu fosse capaz de esquecer os defeitos sempre que ele me mostrasse suas covinhas.

Harry se inclinou em minha direção, deixando um beijo casto em minha bochecha. Esse momento durou uma eternidade em minha cabeça e eu prendi minha respiração. Seu cheiro era incrível, e, devido a aproximação, ele se fez presente nas minhas narinas. Era um cheiro fresco, mas amadeirado ao mesmo tempo e me deixou inebriada por alguns poucos segundos. Assim que dei as costas, no mesmo segundo que ele, puxei meu celular do bolso para que eu pudesse discar o número de Grace. Que atendeu no quarto toque.

– Onde você está? Sei que ele é um gato, mas está perdendo toda diversão! – ela informou e parecia muito animada.

– Eu estava pretendendo encontrar com vocês.

– Bloomingdale’s! – e meu coração acelerou em um segundo, porque eu instantaneamente me lembrei de Friends, quando Rachel trabalha em uma.

Eu não queria demorar e aproveitar ainda mais a loja de departamento que eu sempre quis conhecer, então deixei para conhecer o metrô outro dia e pegar um táxi. E em torno de dez minutos eu estava na porta da loja. Eu queria gritar de felicidade, mas retive um sorriso apenas. Eu realmente estava vivendo um sonho.

Nós passamos literalmente a tarde inteira dentro da loja, comprando uma porção de coisas desnecessárias e que nunca iríamos usar. Bom, pelo menos não eu, eu fui consciente com o que levei de lá, afinal as contas iriam apertar para mim no final do mês sem um emprego.

Combinei com Grace que ela me buscaria em casa às nove horas. Como era sexta, resolvemos sair mais tarde. Eu me senti totalmente sem graça porque todas as meninas tinham uma identidade falsa para entrar em uma balada, menos eu. Não por muito tempo, já que o irmão de Chloe tinha experiência na área, e segundo ela hoje eu poderia me sentir como se tivesse vinte e um anos.

Depois de um banho demorado, não me permiti um banho de banheira porque eu demoraria muito e Grace ia me matar. Tive tempo para me sentir indecisa em questão a roupa e enquanto me decidida, resolvi que já podia passar uma maquiagem consideravelmente pesada por ser uma festa a noite.

Quando li a mensagem que Grace estava saindo de casa para me buscar, eu já sabia que na verdade ela já devia ter buscado todo mundo e nisso eu faria todo mundo esperar, porque eu nem tinha ideia de que roupa eu iria.

No meio do desespero, eu escolhi ir com uma saia de couro que eu sempre usava quando saia com Barbara, para literalmente qualquer lugar. Aquela minissaia combina com absolutamente qualquer blusa e qualquer ocasião, ela é perfeita. E para completar coloquei o cropped faixa que tinha ganhado de aniversário no ano passado e nunca tive como usa-lo justamente porque ele era todo com brilho e um balada de New York me parecia perfeito.

Dei uma olhada no espelho aprovando a mim mesma pela escolha perfeita. Arregalei os olhos quando Grace disse que estava me esperando estacionada em frente meu apartamento. Só tive tempo de espirrar o máximo de perfume que eu podia no pescoço e pulsos e carregar meu salto em mãos. Não se pode correr risco algum quando se tem uma Shiloh 100, preta, nos pés.

Deus se acontecesse qualquer coisa com minha sandália eu me mataria.

Optei por calça-la no carro já que mesmo no elevador eu ainda tive que correr até a Mercedes GL 250, branca, de Grace que estava do outro lado da rua. Eu estava me acostumando a entrar no meio dos carros, como nos filmes porque não tinha paciência para esperar o sinal fechar e só me permiti respirar normalmente quando senti o ar do carro ir contra minha pele.

– Como você está linda! – Kendra me elogiou tocando meu braço e eu sorri abertamente, totalmente agradecida.

– Você esta maravilhosa – devolvi e terminei de dar oi para as meninas, Chloe e Grace no banco da frente.

Todas estavam de saia preta, menos Grace que resolveu desenhar suas curvas com um vestido de seda azul. O assunto do carro era sobre drogas e homens que supostamente estariam la e eu me senti um tanto deslocada porque elas pareciam bem familiarizadas com o lugar e os assuntos que eu queria me incluir por conhecer bem sobre, mas me mantive calada para não parecer uma viciada em drogas ou uma ninfomaníaca.

Não demorou muito para chegarmos até porque Grace fez questão de correr e furar no mínimo três sinais da avenida principal que segundo ela, todos faziam isso em uma sexta a noite. O momento nos incentivou a colocar a cabeça para fora, enquanto Kendra sentou na janela, com o tronco todo para fora.

– Qual é? Meu aniversário! – gritou para um grupo de idosas que repreenderam-a balançando suas cabeças brancas, julgando o ato da garota. Eu só sabia rir das brincadeiras da maluca.

– Kendra, desce dai que você vai se machucar – Chloe a repreendeu pelo retrovisor já que ela estava no banco da frente e logo Kendra tornou a se sentar no banco de braços cruzados e um bico, como uma criança.

Não demorou muito para que Grace parasse em frente à balada que tinha uma fila considerável do lado de fora para entrar e eu entortei o nariz ao me lembrar que se fosse ficar tanto tempo em pé, eu iria empenar meu salto e aquilo me renderia uns três dias direto apenas chorando.

– Relaxa – Chloe entrelaçou nossos braços falando baixinho perto do meu ouvido –, somos VIP porque o pai de Grace é dono daqui.

Então estava tudo explicado, o apartamento enorme de Grace, sua Mercedes com cheiro de carro que acabou de sair da concessionária e suas roupas de grife. Os seguranças deram espaço para que nós entrássemos depois de mostrar as identidades falsas.

E o lugar foi um balde de água fria em cima de mim. Como assim elas me trouxeram em um restaurante? Fui completamente iludida achando que íamos curtir a noite em um lugar quente e cheio de corpos suados dançando. Joguei o cabelo por cima dos ombros, mantendo uma feição feliz até nos sentássemos na mesa.

– Vou querer as ostras porque da última vez ninguém quis comer comigo – Kendra se decidiu sem nem pegar no cardápio, indo direto para as bebidas.

– Vou pedir o coquetel de camarão com uma salada para acompanhar, só quero forrar o estômago – Grace compartilhou falando com uma voz arrastada como se estivesse conversando sozinha.

– Vou com você, baby – Chloe concordou com Grace também olhando a seção de bebidas e eu me senti perdida.

– Você quer pedir o mesmo também, Olivia? – parece que ela leu minha mente já que eu tinha achado sua escolha bastante atrativa. Balancei a cabeça, sorrindo sem mostrar os dentes.

– Olivia é muito grande e eu sempre enrolo a língua para chamar, você importaria se eu te chamasse de Liv? – Kendra perguntou fazendo um biquinho depois, como mania.

– Não! Eu iria amar – me pronunciei pela primeira vez durante a noite e, como sempre, sorri.

– Certo, vou pedir um champanhe para nós, porque... – bateu levemente as mãos sobre a mesa como se fosse tambor e mordeu os lábios nos fitando perversamente – é o meu aniversário, porra!

– Por um segundo eu fico feliz pelo meu término com Sam, já que você não ia fazer nada antes, inclusive obrigada por estarem comigo hoje – Grace comentou com seus olhos azuis ainda mais azuis por estarem marejados.

– Baby, eu só estou comemorando por sua causa você sabe disso – Kendra segurou sua mão, tombando a cabeça para o lado. – Se não fosse por vocês na verdade, eu estaria comendo pizza com meu padrasto uma hora dessa e bebendo uma cerveja ruim e barata.

Todas rimos e logo pudemos nos deliciar da bebida cara e borbulhante que Kendra tinha ganhado de aniversário do pai de Grace que supostamente estaria no escritório, mas sabia que sua filha estava ali dentro com suas amigas.

– Liv, conte mais sobre você – Chloe pediu enquanto jogava um dos molhos em cima da salada.

– Bom, nada muito interessante – comecei depois de mastigar e engolir um pedaço de camarão. – Eu vim do Brasil para cursar jornalismo, que foi onde conheci Grace e... acho que só. Ainda não vivi nenhuma aventura por aqui.

Dei de ombros e coloquei mais um pouco de comida na boca.

– Agora que esta conosco, vamos viver muitas aventuras e você vai poder até mesmo escrever sobre a gente – Kendra brincou e eu concordei.

Depois de muitas perguntas e risadas, eu já podia me sentir mais a vontade com elas. Mas creio que o álcool me ajudava muito a me enturmar com as duas, já que com Grace eu tinha uma grande intimidade. A mesma inclusive tinha parado de beber sem que Kendra ou Chloe percebesse porque o alvo mesmo era eu, a minha diversão.

– Porque não esta bebendo? – perguntei a Grace fitando-a pelo espelho.

Tínhamos ido ao banheiro para retocar a maquiagem, o que eu achava desnecessário afinal era apenas um rrestaurante.

– Preciso ser responsável por Kendra e Chloe, e agora por você também. – respondeu com os lábios cobertos de gloss de morango. Sua marca registrada pelo visto. – Estou dirigindo hoje, vou deixar vocês em casa de madrugada então hoje vou beber apenas energético e coquetel sem álcool.

Aquilo era triste. Fofo, mas triste. Barbara nunca abriria mão da sua própria loucura por mim.

– Agora vamos descer porque eu não aguento mais essa música ambiente, preferiria que meus ouvidos explodissem a ter que ouvir isso – revirou os olhos dando as costas para sair do banheiro.

– Pensei que tivesse sido só eu – comentei concordando com um olhar apenas.

Kendra e Chloe nos esperavam em frente uma porta enorme e aparentemente pesada. Havia um segurança na porta que entregava pulseira para quem estivesse no pacote de aniversariante de Kendra que consistia em bebida grátis a noite inteira. Mais um presente do Sr. Turner.

– Porra, eu amo o seu pai como nunca amei nenhum outro homem – a forma de Kendra agradecer os presentes arrancou risada de todas nós.

E então meus olhos brilharam quando passamos pela enorme porta. A balada ficava literalmente em baixo do restaurante. Aquilo era do caralho! Nunca imaginaria que um lugar agitado como aquele pudesse estar de baixo de um restaurante italiano como aquele.

Lavo era definitivamente meu lugar favorito.

Não precisou de mais do que dois Lavo Frosé para que meu corpo flutuasse o suficiente para dançar com as meninas. Eu estava um tanto feliz com a companhia delas, parecia que nós nos conhecíamos por meses e até mesmo anos. Grace estava meio aerea e distante mas se esforçou o maximo que pode por Kendra, tentei fazer companhia para ela várias vezes, mas sempre que eu sentava meu estomago revirava, então preferi ficar em pé com Chloe, já que Kendra estava agarrada com um garoto.

Lá para as três da manhã, Grace já bocejava e olhava seu Audrey 38mm branco. Logicamente eu já procurava um lixeira para me debruçar enquanto via Kendra já abraçada com uma, vomitando. Esperávamos apenas Chloe terminar de beijar um loiro alto no canto do salão pra ir embora.

As duas ajudaram Kendra a ficar de pé e caminhar até o carro enquanto eu engolia o vômito que insistia em querer sair por minha boca. Que nojo. Eu precisava aprender sobre meus limites com o álcool.

Chloe foi no banco de trás segurando o cabelo da amiga que reclamava do gosto horrível que sua boca tinha. Eu estava a um passo de fazer a mesma reclamação. Grace deixou as duas no apartamento de Chloe e enquanto ela subia com as duas para acomoda-las e ajuda-las a deitar para dormir, aproveitei que fiquei sozinha na rua e coloquei o que podia para fora. O que não foi uma boa ideia já que minha cabeça girou completamente pela queda de pressão que eu tive.

– Que merda – reclamei comigo mesma escapando de uma poça de vomito que eu mesma tinha deixado no chão.

Grace demorou muito a descer novamente para o carro, o que me incomodou já que eu precisava de um banho.

– Deus, você está fedendo como elas Liv – Grace comentou rindo e dando partida no carro, eu me sentia envergonhada porque apesar de bêbada eu tinha consciência de algumas coisas. – Vou fazer você comer algo e depois te colocar na cama.

Balancei a cabeça cansada demais para negar uma ajuda.

Cheguei a começar a cochilar quando Grace me cutucou avisando que estávamos em frente meu prédio. Ela travou o carro e deu uma corridinha para me acompanhar, só ai que eu vi que ela estava de tênis a noite inteira. No elevador eu fiquei em silêncio, me segurando no ferro que rodeava a máquina metálica, na altura da minha cintura.

– Ele mora aqui – sussurrei quase inaudível apontando para o apartamento de Derek.

– O bonitão que não namora, mas mora com uma garota?

– Sim! – dei um pulinho, um tanto animada por ter me lembrado do nosso jantar.

E antes que eu pudesse contar isso para ela, o segundo elevador fez um barulho indicando que tinha chegado no andar.

Era Derek, e uma garota. Loira, cabelos cacheados e longos que cobriam seus seios enormes. O vestido vermelho quase não cabia em seu corpo que parecia que ia explodir de tanto silicone. A mão dele estava na cintura fina dela até o momento que me viu. Derek não poupou uma expressão de surpresa e eu arrisquei me olhar pelo longo espelho que tinha no corredor.

Desagradável. Lastimável. Tristemente horrorosa.

Tentei ajeitar disfarçadamente meu cabelo e deixei a minha chave cair. Grace se adiantou para pega-la pra mim já que eu não tinha as minimas condições de abaixar. Desenhei um sorriso forçado pelos meus lábios acompanhando os passos de Derek e sua acompanhante até a porta do seu apartamento.

Posicionei a chave na fechadura e entraria tranquilamente se ele não fosse tão educado. Nos momentos que não precisam, porque de manhã não é a melhor pessoa para dar ao menos um bom dia.

– Boa noite, Olivia – ele me lançou um sorriso divertido e eu pressionei meus olhos, não acreditando que ele estava fazendo aquilo.

Não fiz questão de responder, apenas devolvi um sorri e empurrei Grace para dentro do meu apartamento, assim como ele empurrou a loira para dentro também.

– Que filho da puta – reclamei assim que bati minha porta, assim como ele, ao mesmo tempo.

– Ela era a namorada?

– Não. – pensei um pouco para reponder e joguei minha bolsa e casaco sobre a mesa da sala. – Não sei – conclui, pensativa.

– Te entendo – ela torceu o nariz se apoiando na bancada da cozinha.

– Grace, eu e ele jantamos na quinta – soltei depois de alguns segundos, achei que fosse o momento para falar um pouco sobre mim.

– Como se você estava no meu apartamento? – sua expressão era confusa mas ela matinha a atenção nas batatas que picava.

Por que diabos ela estava picando batata? E tão rápido assim.

– Antes. Você me ligou quando eu tinha acabado minha sobremesa.

– Olivia! – ela usou um tom repreensivo enquanto apontava a faca em minha direção. – Por que não me disse isso? Eu nunca teria te ligado se soubesse que estava com ele.

– Não ligo, você é mais importante – dou de ombros indo até meu quarto.

– Como foi? Onde ele te levou?

– Em um restaurante italiano, tomamos vinho e comemos macarrão – sorri falando um pouco mais alto por estarmos em cômodos diferentes.

– Nossa, ele esta afim de você. – joguei meus brincos e o celular na cômoda.

Voltei para a sala e a encarei com deboche.

– Estou falando sério, se, em New York, um cara te leva para um restaurante italiano ao invés de uma balada, ou um barzinho na rua mesmo, – deu uma pausa enquanto ligava o fogão e eu a encarava curiosa – é porque ele te quer – ela deu de ombro, como se aquilo fosse a coisa mais normal, e uma regra.

Revirei meus olhos sabendo que aquilo não se aplicava a Derek.

– Ele me parecia bem afim da loira que uma hora dessas deve estar gemendo o nome dele – falei sugestiva e raivosa.

– Acho que ainda não. Ele deve estar enchendo a segunda taça de vinho dela.

– Não consegui achar graça – reclamei ao mesmo tempo em que Grace ria da minha cara. Fui ate a janela e abri a cortina.

Aquela vista sempre me acalmava e esquentava meu coração.

– Seu apartamento é maravilhoso – ela elogiou enquanto colocava as batatas para fritar.

– Mas não vou poder ficar aqui. Vou ter que vender.

– Por?

– Não tenho um emprego – dei de ombros sentando no banco que estava debaixo da bancada da cozinha, fitando-a cozinhar. – Não posso pagar por um lugar desses sozinha também, a não ser que eu vire a Paris Hilton.

Grace riu.

– Eu queria achar alguém para dividir o apartamento comigo, mas sou muito chata com isso. Não suportaria colocar qualquer um aqui.

– Olivia – Grace quase gritou meu nome e eu me assustei. – Eu sei como me ajudar e te ajudar com isso.

– Te ajudar? – a fitei duvidosa, não entendendo como aqui iria favorecê-la.

– Bom, Samuel tem um irmão. Não é de sangue, mas a mãe desse amigo de Sam que o criou, então eles são praticamente irmãos.

Maneei com a cabeça tentando ao máximo prestar atenção nela, já que o sono estava começando a me dominar. Ela empurrou um prato cheio de batata frita em minha direção e meu estomago roncou, agradecendo.

– E se você dividisse o apartamento com ele?

– Com o Samy?

– Não, cabeça-oca. Com o irmão dele.

– E quem é esse? Por que ele precisaria do apartamento.

Grace me olhou como se eu fosse um bicho.

– Justin é fotógrafo, está vindo morar em Nova York para um projeto.

– Justin...

– Justin – repetiu o nome dele, corrigindo minha pronúncia. Aparentemente o “u” dizia-se como se fosse um “o” e o “i” era na verdade um “e”.

– Ai que seja. Bêbada o suficiente para errar o nome de um desconhecido – joguei os braços para cima, como se me rendesse. – Mas o Samuel parece um homem com dinheiro, provavelmente o irmão dele também tem, não?

Grace negou e abaixou a cabeça, parecia sem graça.

– Justin tem dinheiro. Samy não – me movi tão desconfortável como ela.

– E por que ele quer dividir um apartamento com alguém sendo que ele pode morar sozinho?

– Eu estou tentando te ajudar – ela revirou os olhos e colocou um punhado de batata na boca. – Ele ia comprar um apartamento em Manhattan, mas como você está com um lugar enorme para alugar, acho que Justin iria preferir.

– Ainda não entendi, mas vou fazer de conta que sim. – rodei o banco assim ficando de frente para a sala e de costas para Grace. – Eu gostei muito do apartamento, isso é o que eu sempre quis, a vista é maravilhosa, é perto da minha faculdade... Eu não quero abrir mão disso tudo – choraminguei tornando a ficar de frente para ela.

– Pensa nisso do Justin, ele é novo, responsável e cheiroso – Grace fez um biquinho tombando um pouco a cabeça.

– Você errou o irmão, então.

Ela riu tombando a cabeça para trás dessa vez.

– Justin tem uma namorada. Na verdade acho que eles ficaram noivos mês passado.

– Perca de tempo – resmunguei lembrando do meu ex namorado que agora tinha uma noiva. – Ela não vai vir junto, não é?

– Não, ela mora em Petersburg, na Viginia.

– Ótimo, porque eu não vou ficar de vela ambulante no meu próprio apartamento.

– Por falar nisso, pode começar a me contar do bonitão ali da frente – disse um tanto autoritária e colocou o prato de batata sobre a pia.

Eu teria que passar por mais um curso intensivo de amizade, já que Barbara não estava por perto mais, e eu teria que incluir Grace na minha vida se não quisesse ficar sozinha.


Notas Finais


*não é um encontro, apenas estamos saindo.

olha olha quem está aparecendo!!! primeira citação do Justin na fic, como vocês se sentem, hun?? hahah nada demais ne, mas mesmo assim, tenho certeza que muitas esperam que ele vá aparecer logo para começar um amorzinho, mas como eu já disse antes não esperem um amor logo de cara, ok?
musica do capítulo (até o encontro com Harry): https://www.youtube.com/watch?v=gv42-c9YPis zayn – if i got you
(depois do encontro): https://www.youtube.com/watch?v=jj2GfsB2EYs why ona - wannabe

o apartamento (vou deixar sempre para que vocês não se percam): https://idx.realtymx.com/index.cfm?page=details&id=873566&source=RLS&client_id=1179&idx_agent_id=9,1#top

trailer wwbft: https://www.youtube.com/watch?v=RYcpLf21s24

cast wwbft: https://www.youtube.com/watch?v=CK_1aX7xV2A


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...