História Wedding - Capítulo 12


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Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Ino Yamanaka, Kiba Inuzuka, Konohamaru, Kushina Uzumaki, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sai, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shion, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Hinata, Konohana, Naruhina, Naruto, Universo Alternativo
Visualizações 776
Palavras 7.778
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Famí­lia, Festa, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Quem tarda não falha hehehe
Preparem o coração para muitas emoções.

Capítulo 12 - Capítulo XII


Fanfic / Fanfiction Wedding - Capítulo 12 - Capítulo XII

 

Haviam sido poucas às vezes em que Hyuuga Hiashi recuara diante de uma situação. Nascido em uma família que vinha acumulando um império no ramo bancário há gerações, desde sua infância ele aprendera a ser uma pessoa pulso firme, autoritária e respeitada onde quer que fosse, porém, a mesma personalidade que desenvolvera para que pudesse ser o presidente perfeito da rede de bancos que herdou, também foi à personalidade que ele utilizou para criar os filhos.

Hiashi esperava que Neji assumisse seu lugar, e ao seu lado Hinata e Hanabi pudessem trabalhar, dando todo o apoio possível, apoio esse que nunca teve, pois seu irmão gêmeo Hizashi havia o deixado anos antes de assumir os negócios.

A morte do irmão no qual era tão apegado foi uma das poucas situações em que Hiashi recuou. Seu elo com aquele que havia dividido o cordão umbilical era tão forte que sentiu que nunca seria forte o suficiente para sobreviver no mundo sem o seu semelhante, mas ele descobriu da pior forma possível que a vida seguiria em frente, e que ele era obrigado a superar a perda, caso quisesse mesmo ser quem era destinado a ser.

Quando se casou, sua vida que havia se tornado nublada, ganhou um pouco mais de cor. A presença de sua amada esposa trouxe uma grande paz para seu coração, e o nascimento dos dois primeiros filhos também fora uma grande benção. Hiashi estava mudando cada dia mais, estava se tornando uma pessoa mais alegre, mais apegada à família, e mesmo que ainda criasse os filhos de maneira semelhante a que fora criado, o afeto que nunca havia recebido de seus pais era dado aos filhos.

Entretanto, tudo aquilo acabou como um sopro.

Sua esposa descobriu que esperava o terceiro filho do casal e consequentemente uma grande alegria se instalou por toda a família, mas essa alegria não durou muito, pois na medida que a criança se desenvolvia no ventre da mãe, essa parecia cada vez mais fraca e debilitada, e foi então que a grande onda de dor se instalou sobre aquela família.

Hiashi descobriu que a esposa era portadora de uma doença degenerativa vinda de nascença, e que por alguma razão, a segunda gravidez acabou despertando a doença. Não havia muito que se fazer a partir dali, mas caso ela quisesse prolongar a vida com tratamentos, ela precisaria abrir mão da gravidez, caso não o fizesse, ela não sobreviveria ao parto. E para aquela mulher, abrir mão de um filho não era uma opção.

A partir daí, um momento que deveria ser de grande alegria para aquela família, se tornou o mais triste. Um marido apaixonado precisaria lidar com o fato de que só teria sua esposa por alguns meses, e quando ela partisse, teria que lidar com a ausência da mulher e ainda ser o suporte de duas crianças que ainda eram novas demais para lidar com a perda da mãe, além de uma recém nascida que jamais teria o amor da mesma.

E foi por isso que Hiashi decidiu desligar-se por completo de seu lado sentimentalista e se tornar um pai mais duro, que se preocupava unicamente com a criação de seus filhos e com o sucesso dos mesmos. Mesmo com a dor avassaladora que tomava seu coração, não derramou sequer uma lágrima no funeral de sua esposa, e ao invés de consolar os filhos, ele apenas disse que era necessário que lidassem com a perda de forma madura, porque era isso que a vida cobrava de pessoas como eles, e sem que percebesse, ele se afastou de tudo, passou a viver unicamente para os negócios, afastou-se dos filhos, e passou a dar a eles a mesma criação fria que tivera em sua infância. E por muito tempo ele acreditou ter conseguido o que desejava. Hinata e Neji haviam ingressado em um noivado com pessoas que considerava aceitáveis para que se juntassem a sua família, ambos com boa reputação, então ele não opôs ao fato de que sua filha desejava estudar moda. E quando as coisas entre ela e Kiba desandaram, a sua relação com ela também foi completamente comprometida.

Hiashi sempre havia visto o noivado de Hinata como uma boa oportunidade para criar laços com uma família de empreendedores como os Inuzuka. Aquele casamento favoreceria ambos os lados e por isso, não pensou nos sentimentos da filha ao descobrir a traição, ele pensou apenas no futuro dos negócios, e foi isso que o encorajou a ordenar que ela reatasse o noivado, mesmo com a traição. Porém, Hinata já estava ferida demais para aceitar tal ordem absurda de seu pai, ela já havia acordado para a realidade e também notara que a vida que vinha vivendo era uma grande mentira, e toda sua revolta serviu como combustível para que desafiasse Hiashi.

Hinata não aceitou a ideia que considerou absurda, e em contrapartida, criou uma grande mágoa de seu pai, pois o mesmo sequer havia se importado com seus sentimentos, sequer se importava com a forma como havia sido humilhada, preocupando-se apenas com os negócios da família, deixando os filhos como segundo plano.

A relação dos dois nunca mais foi à mesma, e como nenhum deu o braço a torcer, as coisas continuaram ruins, mesmo depois do casamento de seu pai, que acabou trazendo um pouco mais de alegria a sua vida e acabou o aproximando mais dos filhos, Hinata não fora capaz de perdoar seu pai, principalmente porque ele também não conseguia aceitar as decisões e o modo que a filha escolheu viver. Quando Hinata abandonou todos os valores que Hiashi havia pregado em sua criação, ela o afrontou da pior maneira possível, e isso havia o afetado muito mais do que sua recusa em se casar com Kiba. Ninguém nunca havia o desafiado daquela maneira, e o fato de não conseguir lidar com o comportamento rebelde de Hinata gerou um imenso rancor no coração de Hiashi, e esse sempre era descontado na filha mais velha, que era rebatido por ela, e aquilo acabou se tornando um circulo vicioso que já afetava todos em sua volta.

Pai e filha chegaram ao ponto de evitar um ao outro, pois sabiam que não eram capazes de estar no mesmo ambiente sem que entrassem em atrito, e para aqueles que estavam em sua volta, em especial Neji e Hanabi, assistir aquilo tudo era decepcionante demais.

Hiashi escolheu se acomodar com a relação conflituosa com Hinata, por não aceitar que estava errado e por achar inadmissível ser tratado da forma que ela o tratava, e todo esse orgulho acabou fazendo com que ele se esquecesse do laço que ainda possuíam.

Hiashi ainda era pai de Hinata, e mesmo com todo ressentimento, ela ainda era parte dele e ele ainda a amava, e agora, ele estava diante da porta de seu quarto amargurado e ressentido, porque precisou que Neji também se opusesse a ele para que finalmente pudesse enxergar seus erros.

Ele então percebeu, que durante todo aquele tempo, seus filhos não se opuseram a ele porque concordavam com sua atitude, mas porque sentiam medo de qual seria sua reação diante da postura que haviam escolhido. E quando Hanabi permitiu que sua raiva fosse extravasada, ele começou a pensar a respeito, mas vendo como Neji ainda estava ao seu lado, ele sentiu que talvez a filha mais velha estivesse apenas manipulando a irmã, considerando a forte ligação existente entre as duas, mas quando seu filho também abriu o jogo e revelou tudo que realmente sentia, a sensação de estar sendo esfaqueado por si mesmo lhe proporcionou uma grande dor.

Hiashi estava submerso em culpa, pois sentia que se fosse mais próximo de seus filhos, se tivesse dado o devido suporte para Hinata quando ela havia descoberto a traição de Kiba, talvez nenhuma das duas estivesse naquela situação tão humilhante.

E por se sentir de tal forma, mais uma vez ele recuou. Recuou por medo da rejeição que poderia sofrer, pois sabia que Hinata estava em seu total direito de rejeitá-lo caso quisesse, e ele não poderia fazer nada quanto a isso.

Então ele deu dois passos para trás, afastando-se da porta, e com isso, o sentimento de impotência o consumiu de imediato. Seu coração estava cheio de remorso por tudo que havia feito por Hinata, e aquilo parecia o afastar ainda mais de sua filha. Já havia aceitado sua falha, e antes que pudesse se afastar, alguém o impediu.

– Querido, está tudo bem? – O olhar preocupado de Emma trouxe um pouco de paz para o coração do homem. – Eu fiquei preocupada com o atraso da cerimônia e decidi vir até aqui para ver se havia algo de errado. No meio do caminho encontrei Neji e ele me contou o que aconteceu, e também disse que estaria aqui. Você falou com a Hinata?

– Eu não consigo fazer isso. – Ele disse de uma forma bastante triste. – Eu falhei de todas as formas possíveis como pai para ela, e agora eu não me sinto no direito de estar aqui.

– Hiashi. – Emma ergueu a cabeça do homem para que pudesse olhar em seus olhos. – Apesar de nunca ter conversado com você sobre isso, por achar que isso não era do meu direito, eu nunca escondi minha opinião de você quanto à forma que se relacionava com a Hinata, e o fato de que você finalmente conseguiu enxergar isso me deixa extremamente aliviada, porque para mim que sempre tive o desejo de ser próxima de seus filhos porque não fui abençoada com a capacidade de ter os meus, era doloroso demais ver como vocês viviam afastando o outro dessa forma. Então por favor, não se sinta fraco, não agora. Você é forte porque foi capaz de reconhecer o erro que cometeu, e é isso que precisa dizer para ela. Hinata está sofrendo, e é dever de um pai dar o devido suporte a um filho que sofre, então não fique aqui se martirizando pelo passado, vá lá e comece a construir um futuro com sua filha, seja o pai que ela merece e tenha a filha que você tanto ama de volta em seus braços.

Hiashi abriu um sorriso fraco, caminhou em direção a sua esposa, abraçou-a de maneira calorosa e em seguida depositou um beijo suave em sua testa.

– Muito obrigado por isso, Emma. Você foi um grande presente em minha vida. Quando a Hanabi disse que você era mulher demais para mim, ela estava redondamente certa. – O casal caiu em risos.

– Fico feliz em poder ajudar, mas agora você precisa ir falar com a Hinata. Hanabi está convicta de que não fará isso sem a irmã, o tempo está passando e as pessoas estão começando a desconfiar que algo sério aconteceu. Eu vou voltar para lá e ajudar Tenten no que for necessário, então seja rápido, mas faça a coisa certa. – A mulher abriu um sorriso motivador para o marido, em seguida deixou o local.

Graças às palavras motivadoras de Emma, Hiashi estava mais decidido do que nunca. Ainda reconhecia os riscos de sua atitude, mas isso já não o amedrontava mais, ele apenas precisava cumprir o seu papel de pai, papel esse que havia abandonado há tempos, então ele apenas precisava se esforçar e recuperar o tempo perdido.

Respirou fundo pela última vez, então bateu na porta, mas não obteve resposta. Bateu mais uma vez e o silêncio continuava a se fazer presente, como última tentativa, decidiu averiguar se a porta estava aberta, e para sua surpresa, Hinata não havia a trancado. Ainda existia a possiblidade de que ela não estivesse ali, mas ao adentrar o local e a encontrar deitada em sua cama, suspirou aliviado.

– Hinata... – Ele falou enquanto se aproximava mais. – Podemos conversar? – Ele se assentou em uma poltrona próxima a cama de sua filha, mas ela nada respondeu. Estava completamente imóvel e completamente inexpressiva. – Sua irmã está esperando por você, ela disse que não vai conseguir se casar se não estiver ao lado dela. – Mas ela nada respondeu, assim como também não demonstrou nenhuma emoção. Era como se apenas seu corpo estivesse ali.

– Hinata... – Hiashi suspirou pesadamente antes de começar a falar. – Eu sei de tudo que aconteceu, e eu sei que eu sou a última pessoa que você gostaria de ver agora, mas acredite, eu estou aqui porque tenho uma dívida muito grande, com todos os meus filhos, em especial com você. Eu fui um péssimo pai para vocês por achar que criar laços e sentimentos demais não fosse algo bom, isso tudo porque eu sofri quando perdi meu irmão, assim como eu sofri quando sua mãe morreu, então e fui um grande covarde e preferi me ausentar, enquanto eu deveria me dedicar em amar meus filhos, eu me preocupei apenas com os negócios, ao ponto de ficar cego com isso e nem mesmo conseguir reconhecer os seus sentimentos quando descobriu sobre o Kiba. Eu estava vivendo no automático há tanto tempo, que passei a achar que todos deveriam viver da mesma forma, por isso fui contra sua decisão de romper o noivado, porque eu não estava pensando em você, estava pensando nos negócios. E agora, diante da grande bola de neve que essa situação se tornou, eu sou capaz de enxergar que eu fiz tudo errado, durante toda a minha vida. Eu errei em pensar que era o único com a razão no meio de toda essa história, eu errei em me afastar de você por orgulho, eu errei em tentar afastar seus irmãos e mantê-los ao meu lado à base do medo, eu errei em absolutamente tudo na minha vida. Eu sou um fracasso de pai, Hinata, e eu sinto que, não importa o que eu faça, eu jamais vou conseguir recuperar o tempo que pedi, em especial com você. Eu tenho a plena consciência de que talvez o que eu disser aqui nunca seja o suficiente para que você possa me perdoar, e eu estou disposto a aceitar isso, mas a única coisa que eu te peço é que não abandone sua irmã. Eu também não fui um pai presente para ela, e diferente de você e do Neji que ainda conheceram um lado bom em mim, ela nunca teve essa oportunidade, mas ela sempre teve você, Hinata, você sempre foi à figura materna na vida da Hanabi, e ela sempre confiou cegamente em você, e eu acredito que ela jamais faria algo para te magoar, aquela menina parece amar você mais que qualquer outra pessoa, mais que a mim, que a seu irmão, mais que o Konohamaru. Se ela não tiver você ao lado dela, ela não vai conseguir seguir em frente, Hinata. Então, mesmo que eu não tenha o direito de te pedir algo...

Hiashi se levantou, ajoelhou-se ao lado da cama e abaixou a cabeça diante da filha. Tal atitude fora tão surpreendente, que mesmo diante de todo o choque vivido alguns minutos antes, Hinata foi pega de surpresa.

– Eu estou aqui pela sua irmã, Hinata. Dê a ela uma chance de explicar o que aconteceu, escute-a, por favor. Nós conversamos e ela contou exatamente tudo que aconteceu entre ela e o Kiba, e a razão para ter guardado segredo disso. Ela nunca faria algo para de machucar, e mesmo que tenha sido da maneira errada, ela só queria te proteger. Então eu imploro, dê uma chance para que ela conte a sua versão da história. – Hiashi suplicou, e aquilo surpreendeu Hinata de uma forma grandiosa. Mesmo com as coisas acontecendo daquela maneira, ela nunca esperaria uma atitude como aquela de seu pai. Era a primeira vez em sua vida, que ela via Hiashi se ajoelhar diante de alguém e implorar por algo de maneira tão sincera.

Após ouvir as palavras de seu pai, algumas lembranças de sua infância vieram à tona. Em sua grande maioria, estava ao lado de seus irmãos, e sempre protegendo a menor. Hinata jamais poderia escolher qual amava mais, porém, o laço que possuía com Hanabi era diferente do que possuía com Neji. Com a ausência do pai, ele acabou assumindo o papel de protetor das irmãs, e Hinata acabou se tornando a cúmplice de Hanabi. Com a adolescência, por mais que os três ainda mantivessem os laços, Neji acabou fazendo mais amigos homens e naturalmente se afastou um pouco, e com isso as duas se uniram ainda mais, e se tornaram ainda mais amigas e ainda mais cúmplices. E assim como Hinata havia dito quando discursou na despedida de solteira de Hanabi, não existia nada que elas não haviam compartilhado uma com a outra, nunca houve mentiras, traições ou omissões, e se Hanabi havia escondido de todos o que realmente aconteceu com Kiba, era porque ela queria proteger a irmã.

Hinata não precisava ouvir a verdade da boca de sua irmã, ela não precisava confirmar nada para que pudesse acreditar na garota. O laço que possuíam era a prova viva de que uma jamais trairia a outra, e ela sabia disso porque sentia que aquela confiança ainda existia. Tinha certeza de que a Hanabi que sempre cuidou, nunca deixaria de existir, e ninguém no mundo seria capaz de destruir o laço de cumplicidade que elas possuíam.

– Papai... – Hinata se levantou. Suspirou pesadamente buscando um pouco de fôlego e firmeza em sua voz. – Por favor, não se ajoelhe diante de mim ou de ninguém. Esse não é você. E eu já tomei uma decisão, eu não quero e nem preciso confirmar nada com a Hanabi. A relação que nós duas temos vai muito além de um laço fraternal, as coisas são muito mais intensas, e é por isso que eu não preciso de confirmações ou provas. Eu confio cegamente na minha irmã, e eu tenho plena certeza que ela jamais faria algo para me magoar, e se ela omitiu algo de mim, foi por uma razão muito forte, como me proteger. Mas acho que eu deixei que essa situação e o passado me afetassem demais, eu estava sobrecarregada, passei anos engolindo meus ressentimentos e fingindo não sentir nada. Eu mudei e confesso que me senti muito melhor depois disso, mas acho que acabei perdendo o controle de algumas coisas na minha vida, e eu acabei me tornando alguém que eu não sou por puro medo de encarar a realidade, por isso eu não me preparei para uma eventual situação em que tudo fosse despejado em mim, como foi hoje, e por isso eu não fui capaz de controlar o amontoado de sentimentos que vinha acumulando em mim. Eu não me controlei como sempre fiz, e tudo isso porque a situação que mais me desestabilizou em toda minha vida estava relacionado com a única pessoa que me faria ser quem eu sou de verdade. Eu não lidei da maneira correta com tudo isso e como consequência as coisas desabaram dessa forma em mim, mas a culpa disso não é da Hanabi, nunca será.

Hiashi ainda permanecia ajoelhado próximo a Hinata, mesmo com seu pedido para que ele se levantasse. Então ela apenas se abaixou para que pudesse encará-lo, olhando em seus olhos.

– Papai, eu fico realmente agradecida por ter vindo até aqui e por ter ajudado para que eu me reerguesse. Eu teria me deixado levar por tudo que aconteceu e não iria para o casamento, e com isso, tudo acabaria da pior forma possível, pois eu não seria capaz de encarar Hanabi depois de decepcioná-la dessa maneira. Mas, graças a você, eu consegui despertar para a realidade e perceber como eu estaria sendo egoísta se me escondesse aqui de forma tão covarde. – Hinata segurou a mãos de seu pai e o auxiliou para que pudessem se levantar juntos. – Eu senti sua falta, pai.

– Hinata... – Hiashi abriu um sorriso agradecido. – Eu posso te abraçar? – Lágrimas de emoção começavam a inundar o os olhos de Hinata, assim como um largo sorriso se abriu quando os braços de seu pai rodearam sua cintura. Ela não se lembrava qual fora a última vez que havia recebido um ato de carinho vindo de seu pai, mas a sensação nunca havia sido esquecida, assim como a saudade que sentira do pai amoroso.

Hiashi se afastou de Hinata para que pudesse olhar em seus olhos. Com a ponta dos dedos, delicadamente secou algumas lágrimas que ainda caíam, e então voltou a colhê-la em seus braços.

– Me desculpe minha filha. – Ele sussurrou. – Eu não sei que vou conseguir recompensar a dor que te causei, mas eu prometo que farei o possível, se você deixar.

– Apenas vamos esquecer tudo. – Ela respondeu. – Vamos recomeçar, deixar o que nos machucou no passado. Não quero viver uma vida em que nós ficaremos tentando recompensar os erros que cometemos, vamos apenas esquecer tudo e viver como se nada tivesse acontecido. Sei que isso parece um pouco imaturo da minha parte, mas sinto que se continuarmos usando as coisas ruins como base para melhorar, sempre daremos brechas para que essas coisas continuem vindo a tona.

– Tudo bem minha filha, faremos da forma que quiser.  Mas acho que agora precisamos ir, a cerimônia de casamento está atrasada em quase uma hora. – Hiashi afastou Hinata para que ela pudesse se recompor. – Você se sente bem o suficiente para ir?

– Sim. – Hinata abriu um sorriso sereno e ao mesmo tempo convicto. – Não existe nada que eu não possa fazer pela minha menina. Mas eu queria falar com ela antes do casamento, isso vai ser um problema?

– Claro que não. – Hiashi tranquilizou a filha. – Honestamente, acho que você teria que fazer isso de qualquer forma, caso contrário a Hanabi não conseguiria ficar tranquila para se casar.

– Vou na frente para conversarmos então. – Hinata sorriu agradecida. – E mais uma vez, muito obrigada, papai. Obrigada por estar de volta na minha vida.

**

Duas batidas ecoaram no interior do quarto, mas Hanabi nada respondeu. Àquela altura, a garota já havia removido o véu e se jogado em sua cama, enquanto as lágrimas teimavam em continuar caindo. Certo alívio havia lhe tomado ao saber que Konohamaru havia mudado de ideia e que retornaria para o casamento, mas ainda havia uma culpa imensa pelo eu acontecera com Hinata. Não tinha certeza de que ela realmente havia escutado sua conversa com Kiba, mas as circunstâncias pareciam apontar unicamente naquela direção. E graças a isso, a mais nova concluiu que não seria capaz de ir em frente com o casamento se não tivesse o perdão e apoio de Hinata. Havia sido ela a lhe apoiar quando descobriu estar apaixonada, ela havia dado todo o suporte para se aproximar de Konohamaru, ela se colocou por diversas vezes entre o casal afim de que aquele relacionamento acontecesse, não seria justo que se casasse graças a Hinata, enquanto a própria se afundava em um mar de mágoas por sua culpa. Konohamaru poderia não perdoá-la por isso, mas ela não seria capaz de dar continuidade aquilo.

Então, um pequeno sopro de esperança inundou o coração de Hanabi.

– Eu posso entrar? – Ouvir a voz de Hinata fez com que o coração da mais nova acelerasse de uma forma descomunal. Ela sabia que as chances de que ela tivesse ido apenas para repreendê-la ou atitar todas as verdades e ressentimentos eram grandes, mas Hanabi conhecia perfeitamente o temperamento da irmã para saber quando ela estava irritada ou não, e a forma como ela se pronunciou não parecia demonstrar isso.

– Hinata? – Ela se levantou em um choque, secando as lágrimas. – P-pode entrar...

Hinata então caminhou em passos lentos até o interior do quarto, fechando a porta atrás de si antes disso. Queria alguns minutos de privacidade ao lado da irmã para que pudessem conversar, mesmo que não soubesse exatamente como dar inicio ao diálogo. Apenas continuou em seus paços até que finalmente estivessem cara a acara. Abriu um sorriso pequeno e então se assentou ao lado da mais nova em sua cama.

As duas permaneceram da mesma forma por longos minutos. Nenhuma tinha coragem de encarar a outra, tão pouco de iniciar a conversa, mas nem o silêncio e o medo do olhar parecia incomodá-las. Aquele era um momento que tinham para pensar sobre tudo que havia acontecido e como lidariam com isso. Aquele silêncio era necessário e era algo de costume quando algo acontecia e necessitava de um diálogo mais intenso entre as duas irmãs.

– E sinto muito... – Hanabi iniciou o diálogo, e então voltou ao silêncio. Hinata permaneceu na mesma posição e não disse uma palavra sequer, era como se ela soubesse que a irmã ainda não havia terminado. – Acho que eu não consigo encontrar uma forma de expressar tudo que eu estou sentindo em relação ao que aconteceu entre você e o Kiba, e entre nós dois. Meu coração está me dizendo que eu cometi o pior erro da minha vida em ter mentido para você. Nesse exato momento eu começo a lembrar de tudo e repensar em como as coisas poderiam ter sido diferentes se eu tivesse dito a verdade naquele maldito dia.

– Então por que você não começa contando tudo agora? – Hinata suspirou pesadamente e então ergueu o olhar, ainda sem direcioná-lo à Hanabi. – Eu estou aqui para te ouvir...

 Hanabi suspirou pesadamente buscando fôlego para o que viria a seguir. Estava decidida a abrir o jogo sobre aquela noite para irmã, sem deixar de fora nenhum detalhe sequer.

 

 

 

 

 

 

Londres, quatro anos antes;

As luzes ecoavam por toda a extensão da boate, Hinata e Hanabi dançavam animadamente, enquanto Shion observava a dupla de uma distancia próxima ao bar onde Konohamaru e Kiba se encontravam.

– A Shion só vai ficar olhando ou vai dançar com a gente? – Hinata direcionou um olhar desconfiado para a prima que parecia observar demais o ambiente. – Não consigo acreditar que ela saiu do Japão para vir aqui só olhar para o tempo, isso porque ela é a única aqui que não está com a vida arrumada.

– Ela com certeza está procurando macho! – Hanabi rolou os olhos e riu. – Quando eu convidei ela, achei que nem aceitaria porque tecnicamente você estaria com o Kiba e eu me desenrolaria com o Kono, mas ela aceitou porque queria conhecer algum inglês gato.

– Falando em Konohamru... – Hinata sorriu maliciosa para a irmã. – Como andam as coisas entre vocês?

– Ah Hinata, é complicado... – Hanabi abriu um sorriso amarelo. – Acho que nós não somos as pessoas ideais para tomar iniciativa. Nunca conseguimos sair de um diálogo...

– Mas ao menos vocês conseguem conversar, não é mesmo? Porque se não, acho melhor desistir logo e...

– Não! – Hanabi interrompeu a mais velha. – Nós conversamos muito e adoramos ficar juntos, o nosso problema é a iniciativa para outras coisas mesmo...

– Mas vocês já estão pensando em sexo? – Hinata perguntou perplexa, e não conseguiu conter o riso quando viu a irmã corar. – Céus, Hana, eu não imaginava que vocês já estavam indo tão rápido...

– Não é nada disso sua maluca! – A mais nova esbravejou. – Nós nem ficamos ainda, como já estaríamos penando em sexo?

– Então era disso que estava falando... – Hinata suspirou aliviada, e continuava a rir. – Tudo bem, agora eu já acho que estão indo devagar demais...

– Por isso estou dizendo... – Ela suspirou pesadamente. – Eu não sei o que acontece entre nós, só que tudo trava quando as coisas parecem inclinadas para que algo aconteça.

– Faz o seguinte. – Hinata puxou a irmã para o bar, próximo ao local onde Shion estava. – Oi! – Ela se dirigiu à loira. – Já encontrou seu inglês ideal?

– Quem me dera. – Ela rolou os olhos e bufou. – Achei que eu resolveria meu problema com homens nessa viagem, mas acho que foi pura ilusão. Pelo visto vou ficar de vela mesmo...

– Não seja pessimista – Hinata piscou para a prima. – Vamos beber e hoje vocês solucionarão os seus problemas com os homens. Ei! – Ela sinalizou para o barman, que sorriu gentilmente antes de atendê-la. – Nove doses de tequila. – Ela estendeu o cartão para o homem, que assentiu e se retirou para pegar as bebidas.

– Para que isso tudo? – Hanabi perguntou confusa.

– Apenas algumas doses de coragem. – A Hyuuga mais velha sorriu animadamente. – Não vai deixar ninguém bêbado, mas vai ajudar com os problemas de vergonha de algumas pessoas aqui.

– Cuidado que três doses podem ser fatais para algumas pessoas... – Shion riu debochadamente da careta que Hanabi fazia.

– Vocês devem achar que eu sou uma fraca, mas fiquem sabendo que só por eu ser a mais nova aqui não significa que eu não saiba beber como vocês. – Ela rebateu de maneira convicta.

– Ótimo! – Hinata disse animada. – Então esteja preparada para provar isso para a gente.

Seguindo o desafio feito por Hinata, o trio se entregou a diversão e ao álcool. Não pararam apenas naquelas doses, bebendo um pouco mais até que se sentissem alegres o suficiente para aproveitar a noite da melhor forma possível. Desta vez, voltaram à pista de dança na companhia de Shion, que acabou desistindo de sua busca e optou apenas por se divertir.

Enquanto estava sob o efeito da bebida, Hanabi tomou coragem para que pudesse fazer algo que talvez não faria em sã consciência. Buscou seu celular e digitou uma mensagem. Relutou um pouco, mas acabou enviando e voltou para a companhia das outras duas mulheres, esperando ansiosamente pelo momento que retornariam para casa.

– Olha só como elas estão animadas. – Kiba dizia ao amigo enquanto bebericava uma cerveja. – É difícil até dizer qual delas é a mais bonita...

– Isso não soa um pouco desrespeitoso com a Hinata? – Konohamaru perguntou intrigado.

– Ela adora falar na minha cara quando vê um homem que acha bonito. – Kiba rolou os olhos e riu. – Além disso, eu já fiz isso na frente dela e aparentemente ela não liga.

– Se você diz... – O moreno deu de ombros.

– Por sinal, como vão as coisas com a Hanabi? Vocês estão se dando bem? – Kiba abriu um sorriso malicioso, que acabou constrangendo Konohamaru. – Se é que você me entende, né...

– Não está acontecendo nada, definitivamente nada mesmo. – O mais novo respondeu de forma seca. – Eu não sei qual é o meu problema, eu só não consigo reagir muito bem na presença dela.

– Então bebe, bebe muito. – Kiba respondeu de uma maneira tão séria que assustou o rapaz. – Eu estou falando sério, isso vai ser o que te dará coragem para tomar uma atitude. Mas se não quiser também, não tem problema. Tenho certeza que já devem ter um monte de ingleses afim dela. Também, bonita como é...

– Ei, barman! – Konohamaru imediatamente chamou pelo homem do outro lado do balcão, solicitando alguma bebida. A atitude imediata do rapaz provocou uma crise de risos em Kiba. – Ei, você viu meu celular? – O mais novo direcionou sua atenção para o amigo novamente, e esse conteve o riso por um momento.

– Vi você usando ele mais cedo quando chegamos. Não está mais com você? – Kiba ficou confuso ao ver a expressão preocupada do amigo.

– Que merda! – Konohamaru resmungou. – Não está comigo, então devo ter perdido.

– Que merda cara. – Kiba fez uma careta. – Se precisar eu tenho um extra, posso te emprestar até conseguir um novo.

– Obrigado cara. Mas vou precisar apenas durante a viagem, chegando no Japão eu compro um novo.

Permaneceram bebendo por poucos minutos, até que o trio finalmente decidiu se juntar a dupla de homens.

– Oi... – Hinata se aproximou do noivo com um sorriso malicioso. – Podemos ir agora?

– Mas já? – Kiba respondeu um pouco indignado. – Ainda está tão cedo, e o Kono começou a beber de verdade agora...

– Mas a Hanabi disse que tem algumas coisas para fazer hoje ainda. – Hinata rolou os olhos. – Além disso, podemos aproveitar um pouco mais o tempo juntos, se é que me entende. – A última frase fora dita próxima ao ouvido de Kiba, e não foi necessário mais nenhum argumento para que a mulher o convencesse a ir embora.

**

A responsabilidade pela direção acabou ficando por conta de Hinata, visto que era única do grupo com habilitação para dirigir em território londrino. Então foram necessários vários litros de água até que ela estivesse bem o suficiente para dirigir.

Seguiram apressadamente até a propriedade de Hiashi, e ao chegarem, cada um seguiu seu caminho. A primeira foi Shion, que dizia estar com bastante sono e seguiu para seu quarto. Konohamaru permaneceu por mais alguns minutos no carro como última tentativa de encontrar o celular, sendo essa sem sucesso. Hanabi nada disse, apenas deixou o carro após Shion, mas não seguiu para seu quarto.

– Amor, se importa se eu fumar por alguns minutos? – Kiba fez um bico pidão ao ver a careta de Hinata. – Prometo não demorar, depois sou todo seu.

– Você sabe que eu não gosto que fume... – Ela disse de maneira séria. – Acho que deveria abandonar esse vício de uma vez.

– Você está certa, e eu pretendo fazer isso quando voltarmos para casa, então deixa só hoje, por favor?

– Tudo bem... – Ela rolou os olhos e suspirou derrotada. – Não demore, tudo bem? Vou te esperar no quarto para tomarmos um banho juntos e tirar o cheiro ruim que vai ficar.

– Me espere daquele jeito, ok? – Kiba mordeu o lábio inferior e então beijou Hinata.

Caminhou até um local isolado da propriedade, próximo a um campo que ficava no caminho para o pequeno lago. O local era escuro e afastado da mansão, o que impediria outras pessoas de vê-lo fumando e de incomodar alguém com o odor. Respirou aliviado por finalmente sucumbir ao vício e então vasculhou seus bolsos em busca dos cigarros.

Mas antes que pudesse acendê-los, uma silhueta feminina que não reconheceu devido à escuridão se aproximou, as formas não lhe eram estranhas, por isso a primeira pessoa que veio em sua mente fora Hinata, mas quando a mulher aproximou-se, e o puxou para um beijo, ele começou a duvidar de sua identidade, mas naquele momento não importava mais. Ele gostava daquele beijo e permaneceria ali quanto tempo fosse nos braços daquela mulher.

O beijo perdurou e se intensificou, sendo completado por carícias e toques em regiões bastante agradáveis para ambos. Kiba sentiu uma leve animação quando suas mãos deslizaram para os glúteos da mesma, e ao apertá-los, ouviu-a gemer de um jeito que o deixou louco. Sem mesmo ter certeza de quem poderia ser a mulher, apenas queria tirá-la dali e continuar com aquilo em um lugar fechado.

E seus desejos não foram atendidos, quando uma voz ecoou pelo grande jardim, assustando o casal, que se afastou imediatamente.

– Tem alguém ai? – A voz que pertencia a um dos criados ecoou, dando um choque de realidade nos dois.

– Puta merda! – Kiba ralhou baixo. – Será que nos viram?

– K-kiba? – A voz trêmula e perplexa de Hanabi fez com que o homem despertasse para a realidade e também entrasse em um choque imediato. – Mas que porra! O que você tá fazendo aqui?

– Eu vim aqui para fumar, mas pelo visto consegui algo melhor... – Ele dizia em um tom malicioso que embrulhou o estômago de Hanabi

– Puta merda, não diz bobagem! – A garota parecia bastante atordoada. – Merda, eu não acredito nisso! Não era para você está aqui! Cadê o Konohamaru?

– Eu que sei? – Kiba respondeu um tanto nervoso. – Eu quero saber o que você faz aqui! 

– Isso não importa mais... – A garota respirou pesadamente. – Vamos fingir que nenhum de nós nunca esteve aqui, que isso nunca aconteceu, tudo bem?

– Espere. – Kiba puxou uma Hanabi que já deixava o local pelo braço, aproximando-a de seu corpo. – Não me peça para fazer isso se foi algo tão bom. Além disso, você não pode negar que também gostou...

– Para de pensar merda Kiba! – Hanabi o afastou bruscamente. – Você é noivo da minha irmã! Isso nunca poderia ter acontecido, você entendeu?

– Então esse é o único problema para você? – Kiba abriu um sorriso ladino.

– Ai Kiba, quer saber? – Hanabi bufou. – Para de beber. – E sem dizer mais nenhuma palavra, a garota correu do local, abandonando um Inzuka que disse mais algumas coisas, e essas, porém, não foram ouvidas por ela.

Hanabi deixou o local bastante atordoada com tudo que havia acontecido. Não conseguia acreditar que a pessoa que havia beijado era na verdade Kiba. Estava confusa, assustada, com medo e com certa repulsa de si e do homem. Não poderia aceitar que havia feito aquilo com a irmã, e o pior, Kiba não parecia incomodado ou arrependido do que havia feito. Quantas vezes mais ele poderia ter se envolvido com outras mulheres? Hanabi logo concluiu que precisava fazer algo a respeito, antes que Hinata fosse magoada pelo cafajeste com quem iria se casar.

– Eu definitivamente preciso conversar com a Hinata...

– Falando sozinha? – Uma voz masculina ecoou logo atrás de Hanabi. A princípio, a garota se assustou com a repentina aparição do rapaz, mas logo suspirou aliviada por ser a única pessoa que queria encontrar naquele momento.

– Kono! – Ela disse animadamente enquanto caminhava até o rapaz. – Eu estava te procurando. Onde esteve? Você viu minha mensagem?

– Você me enviou uma mensagem? – Ele perguntou envergonhado. – Mas que droga, Hananbi! Eu perdi meu celular. – Ele suspirou pesadamente e fez uma careta. – Me desculpe por qualquer coisa...

– Tudo bem, você não tem culpa. – Ela sorriu gentilmente. – Vamos dar uma volta? Quero te levar em um lugar...

– Claro! – A expressão de Konohamaru se iluminou de imediato. Então seguindo a garota, caminharam em direção ao imenso jardim nos fundos da propriedade, em direção ao pequeno lago que havia ali.

**

Hinata permanecia estática na mesma posição enquanto a irmã continuava a falar sobre aquela noite.

– No fim, a noite que deveria ter sido a pior da minha vida, acabou sendo a melhor, porque foi o dia do meu primeiro beijo com o Konohamaru, e a primeira vez que fizemos amor. – Ela suspirou pesadamente antes de continuar. – Eu realmente fui uma péssima irmã para você, eu fui muito egoísta, Hinata. Depois daquilo eu fiquei pensando se deveria mesmo falar com você o que havia acontecido, na verdade eu estava certa de que o faria, pois não desejava que continuasse em uma relação com um cara que possivelmente estava te traindo, mas eu também tinha muito medo da sua reação comigo. Então na manhã seguinte, quando eu retornei do lago com o Konohamaru a merda já tinha sido jogada no ventilador e a culpa acabou caindo toda pra Shion, e foi ai que eu vi a oportunidade de ficar livre da minha culpa. Quando você disse que iria tirar satisfações com ela pelo que havia feito, em um impulso eu te convenci a não fazer aquilo justamente para que não descobrisse que o Kiba tinha armado tudo para terminar. Eu também não sabia, até que ele começou a me procurar dizendo que queria ficar comigo outra vez... – Hanabi fez uma pequena pausa. – Desculpe por falar disso, eu só acho que não posso mais esconder isso de você.

– Tudo bem. – Hinata disse de maneira firme. – Apenas continue.

– O próprio Kiba me contou depois o que havia feito para romper com você. Ele foi até a Shion, que segundo ele já havia dado algumas condições antes, mas deu para trás porque vocês estavam juntos. Ele mentiu para ela dizendo que você tinha terminado com ele, por isso eles ficaram naquela noite. Depois disso ele deu um jeito de armar para que você descobrisse a traição e rompesse o noivado. Ele ficou no meu pé por um tempo, mas isso acabou quando eu e o Konohamaru assumimos nosso relacionamento publicamente. Eu fiquei aliviada porque achei que isso tinha acabado, eu estava feliz porque havia conseguido te poupar de muita coisa, eu achei que estava fazendo o certo, quando na verdade eu estava apenas tentando me proteger. Eu não queria que você ficasse magoada comigo, eu não queria ser mal vista se isso viesse à tona, no fim, eu te usei como uma desculpa para me proteger, e só agora vendo como tudo isso se voltou para mim eu consigo enxergar meu erro. Eu deveria ter te contado tudo naquela época, se eu tivesse feito isso eu teria permitido que você seguisse em frente, que você não vivesse sua vida com um sentimento de amargura tão grande em meu coração. Eu vejo como você está ferida porque não deixa o Naruto se aproximar e eu só consigo me sentir culpada por isso! Eu poderia ter impedido que você se afundasse nessa dor e eu não fiz isso...

– Hanabi. – Hinata interrompeu a irmã. – Eu não vou dizer que tudo que falou aqui é mentira apenas para se sentir melhor, porque eu estaria mentindo para você e para mim mesma. Eu fico realmente magoada em saber que escondeu isso tanto tempo de mim, mas eu também me questiono se não faria o mesmo se estivesse no seu lugar. Eu amo você mais que tudo nesse mundo, e acredite, para que você não sofra eu faria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, então posso entender o seu sentimento quando escondeu isso na tentativa de me proteger e de se proteger. Você reconhece que tem uma consideração muito forte pelo nosso laço e isso me deixa muito feliz... – Hinata fez uma pausa para secar algumas lágrimas que caíam enquanto falava. – Se quer saber a verdade, por mais que exista uma pequena mágoa no meu coração, eu não conseguiria guardar ressentimentos de você. A confiança que tenho em você me faz acreditar que em cada uma de suas palavras antes mesmo de saber a verdade, porque meus sentimentos por você me fazem enxergar isso.

Hinata pousou sua fala por mais alguns segundos, então deslizou uma de suas mãos até à mão de Hanabi, apertando-a e em seguida finalmente direcionou o olhar para a irmã.

– Eu não vou te prometer que esquecerei isso, porque francamente, não sei se conseguirei, mas eu vou tentar. – Hinata abriu um sorriso fraco. – Também não pretendo guardar mágoas por isso. Sempre que essas memórias vierem em minha mente e isso me incomodar, eu tentarei usar nossas boas lembranças para substituir as ruins, e eu tenho certeza absoluta que elas são o suficiente para que nossa relação não seja abalada. Eu amo você Hanabi, e não vai ser um erro como esse que irá nos afastar.

– Eu te amo tanto... – A mais nova não conseguiu se controlar e novamente caiu em prantos, enquanto abraçava Hinata. – Eu prometo passar o resto da minha vida tentando compensar isso, eu juro!

– Você não tem que fazer isso. – Hinata abriu um largo sorriso enquanto secava as lágrimas da irmã. Primeiro você precisa se casar, depois pensaremos em algo para compensar tudo, ok? – Hanabi assentiu com um largo sorriso no rosto. – Então vamos nos recompor porque parece que o Konohamaru já está a sua espera.

Hinata então abriu um sorriso iluminado e sincero para a irmã. No fundo, ainda havia muitas coisas que a machucavam, mas toda aquela conversa com Hanabi e as inúmeras verdades sendo colocadas à sobre a mesa, acabaram proporcionando uma leveza gigantesca para Hinata, como se inúmeras respostas para perguntas que vinham atormentando-a por anos finalmente tivessem surgido. Mas mesmo em meio a tantas coisas finalmente chegando ao fim, ainda havia algo que a incomodava.

– Hinata... – Hanabi iniciou um novo assunto enquanto a mais velha ajeitava o véu em eu cabelo. – Tem algo que eu queria te falar...

– Pode dizer. – Hinata abriu um pequeno sorriso para a irmã. – Acho que agora eu já estou preparada para ouvir qualquer coisa. – Nenhuma das duas conseguiu conter o riso com a piada da mais velha.

– Isso é sério. – Hanabi se recompôs. – É sobre o Naruto.

E então o sorriso de Hinata se desfez. Sua expressão imediatamente ficou séria e ela sequer conseguiu olhar nos olhos da irmã. Precisou de mais alguns minutos para que tivesse a coragem de deixar que ela continuasse.

– O que você quer falar? – Ela perguntou de maneira seca.

– Eu acho que vocês estão gostando um do outro, o problema é que são orgulhosos demais para admitirem isso. Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas eu percebi que o clima não está legal. Cheguei a comentar isso com o Konohamaru, conversamos um pouco sobre as possibilidades e...

– Ei! – Hinata interrompeu a irmã de maneira repreensiva. – Por acaso vocês estão criando teorias com a minha vida?

– Talvez. – Hanabi sorriu amarelo. – De qualquer forma, chegamos à conclusão que o Naruto pode ter te visto com o cara da boate.

– O quê? – Hinata perguntou perplexa.

– Bem, parece que o Sasuke e a Sakura estão hospedados no hotel desse cara, que é o mesmo que ele te levou na noite da despedida de solteiro. Como uma infeliz coincidência, o Naruto estava em uma vibe meio negativa e o Sasuke emprestou o quarto para ele dormir. Aparentemente vocês ficaram estranhos no dia seguinte e nós imaginamos que pudesse haver uma ligação...

– Na manhã seguinte eu fui falar com Naruto e então nós brigamos. – Hinata parou por alguns segundos, tentando relembrar cada passo dado naquela noite. – E eu nem cheguei a ficar com o Kise.

– Não? – Hanabi perguntou surpresa.

– Estávamos no quarto e então eu não consegui continuar com aquilo. – Hinata suspirou pesadamente. – Eu estava com o Kise, mas a minha mente estava em outro lugar...

– E eu suponho que ela estivesse no Naruto, ou eu estou errada?

– Onde você aprendeu a adivinhar coisas sobre minha vida assim? – Hinata perguntou perplexa.

– Você me conhece muito bem porque me criou, e pelo mesmo motivo eu também conheço você muito bem. – Hanabi abriu um largo sorriso. – Eu sei decifrar perfeitamente a minha irmã mais velha.

– Pelo visto eu não posso ter você como inimiga mesmo. – Hinata rolou os olhos e riu. – Mas que droga! – Ela suspirou pesadamente. – Eu fui tão estúpida com o Naruto, eu o tratei tão mal, e mesmo quando ele tentou apaziguar a situação eu dei as costas para ele. A culpa foi toda minha e eu agi como uma estúpida arrogante o tempo todo! Como eu vou conseguir olhar para ele depois de tudo que eu fiz?

– Hinata, eu conheço muito pouco do Naruto, mas sei que ele não é o tipo rancoroso. – Hanabi suspirou e sorriu de maneira consoladora para a irmã. – Não se sinta constrangida com isso, supere um pouco seu orgulho e converse com ele. Existe sim a possibilidade de que ele não te perdoe por isso, mas ao menos tente...

– Não sei se devo... – Hinata respondeu de forma entristecida. – Você não faz ideia de como fui idiota com ele. Se estivesse na mesma situação jamais aceitaria o perdão...

– Então se aproveite disso e mostre que tanto você quanto ele podem ser melhores do que isso! – Hanabi disse de maneira convicta. – Tá na cara que vocês estão gostando um do outro, e francamente, isso parece uma raridade na vida dos dois, então é inadmissível que percam essa oportunidade por tão pouco!

– Prometo pensar sobre isso. – Hinata abriu um sorriso fraco. – Mas agora você precisa se casar. Deixe eu colocar o enfeite em seu cabelo... – Hinata rapidamente colocou o arranjo no cabelo da irmã, e então sorriu de forma orgulhosa. – Pronta para se casar?


Notas Finais


O próximo capítulo irá finalizar essa primeira parte da história, e a partir do 14 teremos uma novam abordagem, claro que, ainda dentro da temática inicial da fic.
Tentarei voltar no máximo até o final do mês.
Um grande beijo!


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