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História Welcome To The Panic Room - Capítulo 15


Escrita por: Mizukiller

Notas do Autor


Boa Tarde Cerejudinhos!

Como vocês estão hoje? Espero que bem!

Primeiro, peço desculpas pelo sumiço aqui da fic, como eu disse no capítulo anterior, eu estava escrevendo outra e, quando terminei ela, me bateu um desânimo de escrever, andei um pouco mal no mês passado, não minto. MAS! Eu consegui! Yupiii!

Esse capítulo é um pouco caótico, mas é necessário!

AVISO: Pode ser gatilho para abuso sexual, violencia física e agressão verbal. Se você é sensível, esteja avisade.

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TEM MÚSICA NESSE CAPÍTULO! LINK DA PLAYLIST:
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Enfim, boa leitura cerejudos! 💋🍒

Capítulo 15 - Capítulo 13 - Noite de Formatura


Fanfic / Fanfiction Welcome To The Panic Room - Capítulo 15 - Capítulo 13 - Noite de Formatura

Catra estava deitada no telhado do muquifo que Double Trouble chamava de casa, observando o céu noturno por entre os dedos finos, onde o anel brilhante se destacava. Sorria de forma sincera e sentia em seu coração um calor muito reconfortante. A sensação de pertencimento, de ser verdadeiramente parte de alguma coisa boa.

 

De todas as vezes, de todas as pessoas que teve, Adora foi a primeira a lhe pedir realmente em namoro daquela forma e, mesmo estando no meio do caos completo, havia tido um tempo para pensar em si e, isso amolecia o coração indomável da gata selvagem. Era uma trivialidade, sabia. Ainda sim, necessária.

 

Caramba, Adora a amava e ela retribuía. Isso era muito irreal, ao menos para seu próprio ser, que não conseguia se conectar a nada.

 

E com um susto, a jovem saltou alguns centímetros, por reflexo. A porta que dava acesso ao terraço foi aberta e dela a figura andrógina passou, com a mesma expressão de sempre em seu rosto calaceiro.

 

- Caramba, Lagartixa! Quer me matar do coração?! 

 

- Hahaha, não acho que seria eu a prestar este papel, Gatinha… - Retirou um cigarro da carteira brilhante e o acendeu rapidamente, liberando a fumaça aos poucos, mirando a cidade de Etheria na vastidão da noite plena - Você não foi cautelosa… Agora está apaixonada… 

 

- Eu não estou apaixonada! De onde tirou essa ideia ridícula? - Negou, forçando o olhar bicolor para longe, o mais frio que conseguiu sustentar. 

 

- Eu te conheço muito bem, minha amiga Felina. E eu sei que você odeia muita gente e que por muito tempo se recusou a ceder sentimentalmente para Lonnie, entretanto, para a Cachinhos Dourados, Gatinha, você caiu facilmente. Seja lá o que ela fez, foi certeiro. 

 

- Hahahhaha! Não… Está enganade, Double. É só diversão… Ela é rica e bem gostosa, só estou me aproveitando, nada demais. 

 

- Dá pra notar pelo anel caríssimo de compromisso que você está usando e agora escondendo na esperança de que eu já não tenha o visto, que é só uma "diversão barata", Catra. - O som da voz sutil e debochado acertou a menor que, desestruturada, encarou Double Trouble - Eu não nasci ontem, bebê. 

 

Catra engoliu em seco e, suspirando, tentou se recompor. Poderia confiar em Double Trouble para dizer sobre Adora? Não que ele já não soubesse, afinal, tinha acabado de botar tudo em evidência. Porém, era um abismo de distância entre supor algo sobre si e ter a confirmação absoluta. Estavam também em um momento muito delicado da Horda, onde, tinham traidores aparecendo e emergindo desde entregadores menores até alguém que tivesse acesso a muitas coisas ali. E tanto Hordak como Sombria estavam com uma operação minuciosa para com todos em nome do teste da boa lealdade.  

 

Além de que, ultimamente, a lealdade de Catra só se dava à uma pessoa em Etheria e Eternia chamada "Adora''.

 

Optou por, mais uma vez, ficar quieta. 

 

- Um anel caro não quer dizer nada, Lagartixa. Você e seus velhos ricos nos tempos de ouro dizem bem disso.

 

- Ah, certamente. Faço tudo que estiver ao meu alcance, pelo preço certo, é claro. 

 

- Até mesmo traição? - Foi direta, recebendo um olhar inquisidor - Você sabe, está tudo um caos. Sombria está a todo vapor com a operação dela em descobrir quem são os dedos-duros entre os nossos e, bem, você daria um excelente candidate, ao meu ver, Double Trouble.

 

- Assim como você, Gatinha. Ou eu estou delirando? - Catra cerrou o cenho minimamente, sentindo a ventania em seus cabelos, já denunciando que o inverno viria em breve - Diferente de você, Catra, eu não sou membro da Horda. Meu compromisso é com o dinheiro. Quem me pagar mais, leva. Sombria sabe disso.

 

- Vocês têm um pacto de fidelidade. Para quebrá-lo, precisa informá-la. Caso contrário, você já sabe.

 

- Sabe o que eu tenho também? Muito apreço por você, Catra. Seria uma pena se você fosse a traidora… Pois, sabe… O amor faz as pessoas delirarem e fazerem loucuras. E, no mundo em que vivemos, loucuras sem fundamento não nos levam muito longe, se você não for esperta, é claro. Temos bons exemplos disso por toda a Zona do Medo, você é gatuna e sabe disso. 

 

- Se tem algo podre que estraga qualquer coisa, Double Trouble, é a ganância exacerbada. Eu também tolero sua existência, e se for você, bom que tenha um plano muito astuto… 

 

- E quanto a você? Sombria já sabe que você está dormindo com o inimigo? - Liberou a fumaça pelas narinas, desafiadoramente - Sua garota, a loira… - Mirou dentro dos olhos heterocromáticos arregalados em desconfiança  - Se afaste dela, Catra. O quanto antes. - A voz soou um tanto séria para quem a soltava, arrepiando todos os pelos do corpo moreno da latina que, de alguma forma, sentiu muita certeza no que aquelas palavras diziam - Digamos que eu saiba quem ela é já faz um tempo e do perigo que ela representa. E digamos que talvez ela possa estar te usando para conseguir alguma coisa, ou talvez seja o contrário… As chances disso sair em vantagem é muito irrisória. Vale o preço se arriscar tanto por um par de pernas onde possa se deitar, Felina?

 

- Não viaja! Ela nunca faria isso comigo! - Ralhou nervosa - E nem eu com ela. 

 

- Como pode ter certeza… Se é apenas uma diversão irrelevante para você, como você mesma disse? - Tocou o rosto fino e sardento com a mão vaga, o dedão tingido de preto nas pontas, deslizando em um carinho pequeno na derme bronzeada - Seja lá o que estiver fazendo com ela, pare. Eu sei que coisas muito grandes estão vindo, Catra. E, como alguém que não pertence a Horda e nem aos Primeiros, andando por aí, se escuta muitas coisas… Vocês serão a ruína uma da outra. Ou cumpre sua missão ou cai fora. 

 

- Agradeço o aviso, mas eu sei me cuidar sozinha.

 

E decidida, a dona do olhar heterocromático desceu dali. Precisava respirar e processar, porque, no fundo, uma parte sua - a que usava a racionalidade para pensar -  concordava com Double Trouble em cada uma das preces ditas. Confiava em Adora e sabia que ela jamais a entregaria para o Prime… Ainda sim, havia outras coisas fora da proteção de Adora. Ela não era invencível, mesmo que, a sardenta acreditasse que fosse… E Catra, mediocremente, era ainda menos protegida. Estava embrenhada até os cabelos nisso. 

 

E quando a vida lhe trazia uma maré de felicidade… Vinha um tsunami de preocupações infernais. Esse era o karma de Cattleya Applesauce Hernandez.

 

- Droga… 

 

 

_ ♡ _


 

Adora estava na sacada, sorrindo docemente. Encarava o anel em seu dedo e com ele sentia um enorme festejo de suas emoções interiores. Sentia que seu peito explodiria em sentimentos felizes a qualquer momento. E era indescritível a sensação. 

 

Pela primeira vez, se permitiu pensar além de tudo o que viviam, de toda a maldade do mundo. Adora imaginava o futuro… Com ela. Imaginava como seria as outras comemorações, como estariam no próximo ano, quanto levaria para concluir seu plano e finalmente poder ser livre… Estava imersa em ansiedade e, inusitadamente, uma tão forte que não lhe causou ataques de pânico, pois era de fonte benevolente... 

 

Foi para dentro e se surpreendeu com a mensagem daquela que lhe invadia, sem avisar, os pensamentos muito frequentemente. Faziam alguns dias que estavam evitando um pouco conversarem ou se verem em demasia, pelo motivo de, segundo a morena, estarem levantando alguns questionamentos indesejáveis no lado sul e, para que não especulassem mais, era melhor segurar um pouco a onda. Pelo menos até Sombria abaixar a guarda e algum idiota dar com a língua nos dentes por medo de morrer e se comprometer.

 

Era cruel, disse a namorada, mesmo assim, sabia que a morena não se importava. 

 

Estavam em um breve recesso nas aulas devido aos feriados naquela época e, claro, os preparativos para a formatura. A loira se empolgava também para tal comemoração e, ansiava que, não muito depois disso, conseguisse seus objetivos. Muitos dos que com ela estudavam, pensavam em faculdade ou estabelecer a vida… Adora só pensava em como faria para vencer o seu suposto pai e todo o esquema que ele comandava. Pouco a pouco, reunia informações e, em conjunto com a mãe de sua melhor amiga, Glimmer, sentia-se confiante que conseguiria. 

 

Era arriscado, sabia. Mas se queria uma chance de ser normal outra vez com direito a viver da forma que queria, sem medo, sem armas, sem mortes e sem manipulação… Teria que se arriscar. Só ela poderia. Mesmo que duvidasse em alguns momentos de si própria. 


 

Catra 20:35

Quero te ver…

 

Adora 20:35

Hm… Já sentiu minha falta?

Também senti a sua, meu amor ♡

 

Catra 20:36

Sim, idiota.

Senti.

Posso ir pra sua casa?

 

Adora 20:36

Mas é claro que sim, quando quiser.

 

Catra 20:37

Ótimo, abre a porta.


 

Pensando por alguns segundos, a jovem loira raciocinou e finalmente desceu as escadas correndo apressada. Estava perto da porta quando viu o trinco se mexer freneticamente, já sabendo de quem se tratava. 

 

- Por que perguntou se podia vir se já estava aqui??? Não era mais fácil pedir para que abrisse a porta? 

 

- Porque eu esperava que você estivesse em casa e não naquela mansão dos horrores ou na indústria de pesadelos…

 

- Eu estive lá, meu amor, porém, bem mais cedo. Tinha… Algumas coisas para resolver. 

 

- Depois a gente fala disso, tem algo mais importante para ser tratado agora…

 

E avidamente a morena heterocromática avançou nos lábios rosados com lascívia. Estava queimando de desejo e saudades de sua amada e, estranhamente, depois de seu pequeno diálogo com Double Trouble, a sensação de medo da perda de Adora aumentou drasticamente. Após afastá-la para tomar mais ar, a loira pôde ver disfarçado naquele fulgor todo, a fragilidade da morena. Ela estava assustada. E por isso, a mais alta lhe abraçou fortemente, acalmando Catra com seu calor e sua paciência incomuns para alguém que lidava com tamanha pressão. 

 

- Tá tudo bem, Catra. - Sussurrou baixo, com o aperto em suas costas sutilmente aumentando. 


 

_ ♡ _


 

Os dias passaram mais rápido do que o esperado. As festividades se aproximavam e, ao mesmo tempo que se ouvia todos eufóricos sobre qual roupa usaria no baile de formatura ou quem seria seu par, duas garotas ali lidavam com problemas bem maiores. Catra estava ainda mais estranha do que Adora, segundo Glimmer e Bow, quem ficavam mais ao lado do casal. A morena mais calada que o habitual e um tanto mais alerta parecia estar paranoica sobre algo, só não dizia claramente o quê. Já Adora, fazia mistério sobre o quê a levava ler suas mensagens mais veloz que uma jovem apaixonada à espera de um simples sinal da pessoa amada. 

 

- Então… Tem alguma coisa acontecendo, gente? Vocês estão estranhas. - A jovem de cabelos curtos tentava começar o diálogo - Vocês brigaram ou…

 

- Não é nada disso, Brilhante. -  A mulher de olhos heterocromáticos deu partida, não dando espaço para réplica da outra - E não insiste, são problemas pessoais. 

 

- Eu estou apreensiva com a Gentech, Cintilante. Umas papeladas chatas, só isso…

 

- É, estamos também nervosas com o resultado das notas. Minha madrasta me mataria se eu reprovasse e desperdiçasse mais ainda o dinheiro dela.

 

- Ah jura, Catra??? - Ergueu a sobrancelha duvidosa - Se vocês dizem… - A menina rosada de olhos brilhantes abocanhou o bolo de morango que devorava e, ainda desconfiada, decidiu se manter em silêncio, observando o - até então somente para ambos envolvidos, namorado - jovem moreno que auxiliava Perfuma e Scorpia, bem como as outras pessoas do comitê de organização, a darem o toque final aos preparativos do baile. 

 

[...]


 

Catra POV

 

Estava andando ligeiramente por aquela viela muito conhecida. Em meus ouvidos, podia ouvir Bea Miller começar a cantar 'Feel Something'. Era apropriado, eu diria. Havia crescido ali, naquele local sujo e infestado de ratos e gatos de rua. Era, de certa forma, familiar para mim. Nunca imaginei que minha formatura seria em uma escola tão pomposa que precisasse pensar em roupas de gala e sapatos de combinando. Para ser sincera, eu nem acreditava que terminaria a escola. Jurava que, quando chegasse ao terceiro ano, eu faria como Lonnie e teria aquela conversa com a diretora ou diretor do nosso antigo colégio… A Catra de alguns anos atrás tinha uma perspectiva muito diferente desta que passa por esses becos. Nunca fui inocente, mas… De certa forma, era ingênua. Meu futuro naquela época era, na visão de meu eu menor, sabotar meus resultados, aprender os ofícios para ser uma das seguranças de Sombria... Quando me permitia sonhar mais alto, achava que seria maior que a velhota… Ou, se tudo desse errado, seria uma prostituta qualquer, mula de drogas, talvez. Essa última opção eu realmente temia, no passado. Agora, meu maior medo era realmente perder… A vida, Adora, o que eu tenho no momento. Era fácil pra mim naquela época ter medo de coisas comuns para uma menina criada numa gangue de rua, sem muita atenção e discernimento… Eu não conhecia mais nada fora aquilo. No entanto, agora eu conheço. E assusta pra caralho quando penso nas hipóteses para o meu futuro. 

 

Começando com minhas escolhas. Há alguns meses eu só queria subir de patente dentro da Horda e, tudo foi por água abaixo pouco a pouco quando deixei-me levar por aquele oceano chamado Adora. Como sou muito sortuda, não poderia me apaixonar por nenhuma das opções menos perigosas e proibidas disponíveis… Tinha que ser o braço direito do nosso maior inimigo. E ainda mais, me afeiçoei à Entrapta, Scorpia… Que eu deveria ter dedurado enquanto a merda ainda não fedesse tanto. 

 

Mas eu não o fiz. Fui fraca. Deixei minhas emoções falarem mais alto que minha razão, o que não era algo muito comum e, nesse momento, me sinto com uma corda no pescoço… O destino sendo o pé que empurra a cadeira ou não, ponderando se deixaria enforcar-me até o ar esvair de meus pulmões e a luz não brilhar mais em meus olhos distintos. Me preocupo também com Adora. Ela está arriscando muito sua vida para acabar com essa criminalidade toda, refazer a história dela… Limpar essa sujeira toda e restaurar o legado que lhe foi passado.

 

Ah, Adora… Eu nunca me imaginaria ao lado de alguém como ela. Especialmente pela loira ser quase uma mulher biônica. Aprendi muitas coisas com ela, coisas que a maioria ali naquelas ruas sequer terão chance de saber algum dia. Era muita insanidade.

 

 Acho que Adora me fez aprender a sentir, a ser algo de verdade, não só um saco de carne descartável com algumas funcionalidades… E eu não sei se isso é bom ou ruim… Porque quando formos descobertas… Bem, essa é a parte que eu não gosto de pensar muito.

 

Uma voz na minha cabeça dizia que estávamos ferradas em todas ou quase todas as hipóteses. Tanto de um lado, quanto do outro.

 

A corda se fechava cada vez mais e mais nas nossas gargantas e, eu sentia que tudo era minha culpa. Se eu tivesse cumprido meu dever, se não tivesse fraquejado… 

 

Não que eu me arrependesse. Não. Eu amava Adora, mais que a mim mesma algumas vezes… 

 

E por isso, aquelas ideias se passavam por minha mente, horas semelhante a loucura, horas aparentando ser um lampejo de juízo… 

 

Eu era covarde. E quis correr ao refletir sobre tudo isso. Sobre esse caos, sobre as verdades que me foram reveladas, sobre tudo.

 

Afinal, eu era uma pessoa. Mais do que nunca, eu sentia tudo.


 

_ ♡ _


 

Adora POV

 

Ela estava realmente estranha. O baile seria em apenas dois dias e, Catra parecia muito séria para alguém que vivia com aquele sorriso implicante no rosto. Desde o evento em minha casa, aqueles olhos assustados não mudaram muito. Minha namorada ainda parecia apreensiva e, eu sabia que não era pelo baile. 

 

- Catra… Aconteceu alguma coisa? - Tentei, pela milésima vez enquanto experimentávamos nossas roupas para a comemoração - Sabe que pode me dizer qualquer coisa, não sabe?

 

- Não é nada, Adora. - Sorriu minimamente - Não precisa se preocupar, são só… Coisas da minha cabeça. - Andou até o espelho e virou-se em minha direção - Mas então, como eu estou? Pode falar, sou a mulher mais gata que você já viu ou não? 

 

- É sim, meu amor. - Sorri calmamente, internamente pensativa sobre minha morena perfeita e exausta - Você fica linda de terno. E essa cor é excelente para seu tom de pele.

 

- Assim como aquele vestido vermelho que está enrolando para experimentar ficaria em você, princesa. - Mesmo que, agora, Catra tivesse um sorriso malandro em seus lindos lábios avermelhados, eu podia ver além daquela casca morena e aparentemente blindada aos olhos desatentos. E iria descobrir o que a incomodava muito em breve. 

 

Contudo, por hora, decidi apenas deixá-la tranquila e confortável, afastando temporariamente toda aquela tensão esquisita num momento de lazer bobo. 


 

_ ♡ _

 

 

Etheria High, 20:00.

 

Todos os amigos já se reuniam no grande salão formado no ginásio da escola que, de tão decorado quanto estava, parecia mesmo um salão de festas. Perfuma se orgulhava bastante do trabalho que realizou ali e, junto à namorada alta, choravam de alegria ao ver o resultado de seu trabalho duro. Glimmer em seu curto vestido lilás rodado e cintilante,  estava acompanhada de Bow, que trajava uma veste um tanto peculiar, que exibia seu abdômen e ainda sim, parecia um terno. O jovem era criativo, isso era inegável. Aguardavam o casal que ainda estava dentro do carro da loira no estacionamento, ansiosas. 

 

- Pronta para enfim receber seu diploma, ó grandiosa gatinha nerd? - A mão pálida tocou a amorenada coberta por uma luva de couro vazada, contendo a tremedeira de Catra com facilidade. 

 

- Eu esperava que fosse diferente esse momento, mas já que vou ter que comer purpurina e me misturar com um bando de princesas… - Sorriu debochando da loira ao lado, beijando-a em seguida, um tanto demoradamente e carinhosamente, tocando as testas ao terminarem - E quando foi que você começou a ser a que acalma a ansiedade e não a que tem crises de pânico, Adora?

 

- Hey! - Exclamou falsamente indignada - Aprendi muitas coisas com uma excelente professora da Horda… 

 

- Amanhã já seremos oficialmente livres dessa história de escola… Não aguento mais fingir que sou normal e que o mundo não está caindo sobre nós. 

 

- Eu acho que sentirei saudades… Gostava das Princesas do Poder e de ser animadora! E das meninas da esgrima, da aula de natação e também das...

 

- Adora. - Encarou sarcástica a jovem loira de olhos azuis oceânicos.

 

- Desculpe, hehe. - Coçou a nuca, corando levemente - Eu digo, bem… Sentirei falta de ser um pouco mais… 

 

- Normal?

 

- Sim. Eu fiz amigos aqui e claro vou ainda manter contato com eles de tempos em tempos… Mas cautelosamente. A organização vai estar mais atenta quanto a mim, já que em breve terei que assumir a presidência permanente e supostamente passá-la para o nome daquele desgraçado… Seguir o plano dele, até a hora exata em que Prime irá cair… Bem, isso tem que ocorrer antes da minha ascensão. 

 

- Então, princesa… - Abriu a porta do veículo sem quebrar o contato com a namorada - Vamos curtir nossa última noite nessa droga de colégio… 

 

E a festança que se seguiu foi exatamente o que a morena esperava. Jovens dançando para todos os lados em seus vestidos pomposos e bem elaborados, alguns com pares, outros como Gélida discutindo e arranjando encrenca, outros se atracando pelos cantos mais escuros e os que planejavam uma viagem de despedida animadamente mais ao meio. O comitê de professores cafonamente se sacudiam mais a frente, com os pais de alguns alunos. Adora fazia comparação momentaneamente à festa que tinha ido com a menor há algum tempo atrás, se lembrando da paz do terraço vazio e da multidão caótica no interior da residência. Também lembrava da morbidez dos jantares que ia em nome da máfia que, o que tinha em luxo, faltava em vivacidade. 

 

Eram três realidades totalmente divergentes. 

 

Segurava a taça com o ponche vermelho sangue dentro, rodopiando-o enquanto notava, já com um pouco de saudades, todos os corpos espalhados ali no amplo local. Sentiu um suave deslizar de mãos de suas costas para sua cintura e finalmente, tomando o objeto de cristal de suas mãos, com um sorriso provocativo. 

 

- Hey, Adora. - Ergueu a sobrancelha esquerda, fitando os lábios rosados acima de si - Se importa? 

 

- Se você me tirar pra dançar, não, Applesauce. - Devolveu a implicância no mesmo tom - Antes que comecem os discursos. 

 

- Poderia ter batizado essas bebidas… Ia ser hilário, todo mundo muito doidão nas fotos! 

 

- Acho que alguns já estavam bêbados antes de vir para o baile, Catra. 

 

- Eu estou bêbada por seu perfume… - Aproximou-se do corpo pálido envolto do vestido esvoaçante e no tom quase perfeito ao da bebida - Esse cheirinho de rosas… - Bebeu todo o líquido remanescente e, lentamente diminuindo o espaço entre a pele alva e seus lábios macios - Você tá uma gracinha nesse vestido, Adora.

 

- Estou? - Recebeu um murmúrio arrastado em resposta, mordendo a própria boca em contentamento.

 

E, como almejado, a jovem teve seu corpo embalado pela menor, que ao ritmo da música lenta a comandava de um lado a outro, vez ou outra sussurrando em seus ouvidos algo que a desconcentrasse, apenas para ver de perto sorriso tão bonito. E, nesse momento, a morena quis guardar na memória cada traço da face de Adora. Levar consigo aquela obra de arte em carne e osso em seu psicológico era algo incrível. E, ao passar a mão no bolso, suspirou ao lembrar que não estava com seu celular em mãos para registrar absolutamente cada detalhe da namorada.

 

- Droga, esqueci meu celular no seu carro. Queria gravar esse momento. - Rodopiou as orbes heterocromáticas e a loira viu o rosto sardento se iluminar com alguma ideia - Me empresta a chave. Vou lá e já volto.

 

- Não demore, tá bem?

 

- Não vou. Se não voltar em 5 minutos, talvez eu tenha sido capturada pelo seu pai louco que finalmente descobriu a gente, hahahaha!

 

E com a brincadeira de cunho duvidoso, a morena se afastou, deixando uma Adora sorrindo de nervoso no canto do salão, vendo a amiga de cabelos coloridos lhe acenar eufórica sobre alguma coisa. Relaxou a respiração e decidiu ir até a mais baixa, dando-lhe atenção, como desejava. 

 

Estava muito tensa devido ao que a namorada tinha dito e, o fato não passou despercebido por ambos os amigos que, se entreolharam e tentaram descontrair o par de olhos safira até que Catra retornasse.


 

_ ♡ _


 

Cantarolando tranquilamente 'She Drives Me Crazy' como Fine Young Cannibals agitavam bem alto no ginásio, a morena revirava o carro por completo; após a boa bagunça feita, encontrou o que queria, levando o celular para o bolso da roupa e, antes que pudesse sair dali, sentiu o frio lhe percorrer a espinha, ao perceber que, desatenta, foi rendida por alguém. Mil e uma formas de morrer lhe passaram na mente em uma fração de segundos.

 

- Se você gritar, eu te esfaqueio. - A voz masculina iniciou baixa, quase um sussurro ao pé dos ouvidos cobertos pelos selvagens cabelos longos.

 

- O que você quer? 

 

- Ainda não me decidi. Fecha a porta, quietinha. - A morena quase imóvel acatou o pedido e guardou a chave no bolso da blusa calmamente, já imaginando que aquilo não seria um roubo pela demora em ser rendida com as mãos para trás - Isso, Applesauce. Amarrem essa vaca direito. - Ordenou aos demais, o que portava a arma branca nas costas da jovem.

 

Notando com mais atenção a familiaridade daquele som, a morena se virou, confirmando suas suspeitas. Era Tyler. O grande covardão de Etheria High e assediador de jovens garotas e sua trupe de imbecis. O rapaz não tinha dado as caras na formatura até então por estar suspenso até mesmo das aulas, em partes, por culpa da morena que, cansada da babaquice masculina, pediu a Entrapta que recolhesse fotos comprometedoras do rapaz e seus amigos, importunando outras alunas, em especial, sua namorada. De qualquer forma, ele não iria concluir nada ali no colegial, pois, fora o esporte, não era bom em absolutamente mais nada.

 

- Olha só quem deu as caras… - O sorriso debochado da morena se ergueu, mesmo que estivesse na desvantagem total no momento - Eu pensei que riquinhos não entravam de penetra, mariconas. 

 

- E eu não sabia que as vadias do lado Sul vagavam entre as princesas do lado Norte, vagabunda. - Viu o rosto da morena desmoronar em cascata e fechar-se como um nevoeiro pela madrugada - Pensei que as cadelas da Horda só ficassem nos puteiros de lá.

 

- O que você disse? - Catra estremeceu por alguns segundos, sem querer demonstrar tal deslize. Pensou ter ouvido mal, apesar de ter entendido cada palavra.

 

- Ah… Você achou que seu segredinho sujo não ia ser descoberto por ninguém, Gatinha? 

 

- A gente sabe quem você é, Felina. - Outro jovem alto e forte respondeu, soltando o ar de seus pulmões e vendo a fumaça pelo frio se formar.

 

- É… Nós te vimos lá, bebê. E a sua dona gostosa também. 

 

- Do que você tá falando, seu desgraçado?! - Alterada, ralhou a jovem menor que todos ali, estressada com toda a situação. 

 

- Hahaha, parece que a gatinha está começando a ficar do jeitinho que a gente gosta… - Um dos quatro adolescentes ali alisou os cabelos ondulados com vagareza, insinuando através do gesto o que queria fazer com a mais baixa - Bem exaltada… Mostrando as garrinhas.

 

- TIRA A MÃO DE MIM, SEU..! - Remexeu-se bruscamente, sem sucesso em se soltar das amarras em seus pulsos.

 

- Shiiii… Shiii… Fica quietinha, se você gritar de novo, eu vou ter que te calar. - Sentindo a pressão do objeto metálico pontiagudo em sua barriga ofegante, a morena se conteve - Não parece muito ofensiva agora, né, putinha? Não é isso que você é, uma putinha da Horda? - Aproximou-se do rosto sardento o bastante para que seu hálito a base de nicotina e sabe-se mais o quê lhe sufocasse - Um belo dia, após ter sido banido dos jogos e depois das aulas por nada menos que sua culpa… Eu decidi ir no lado Sul comprar um bom material, sabe? Você sabe, afinal, lá naquela sarjeta é seu habitat natural, não é? - Gargalhou em escárnio - E aí, eu vi uma coisa peculiar. Achei que era a onda que já estava batendo forte…

 

- É, mas aí eu também tava vendo… Então ficamos um pouco mais para assistir o show e ver até onde iria.

 

- Sim… Encostadinhas, como a gente, assim, até mais perto, eu diria… - Desceu a arma cortante até o cós da calça social vinho e subiu para o pescoço moreno exposto - A gostosa da Adora Grayskull aos amassos com advinhe quem? Você!

 

- Nós estamos namorando faz tempo, seu idiota! Isso não é nenhuma novidade pra ninguém mais. 

 

- Então você chama isso de namoro?! Eu não vi mais que uma vagabunda rica e sua putinha vira-lata, Catra. - Debochou - Quando vi a Grayskull andando por aí com você, achei um desperdício, se quer saber. Duas gostosas dessas… Porém, já era de se esperar. Ela não dava pra nenhum de nós que éramos pedigree como ela e você, sempre pareceu diferente… Estranha. Igual esses seus olhos, já imaginava que fosse alguma anormal. - Fixou o olhar no fundo dos olhos heterocromáticos - Quando aquele drogado disse que você era da mesma laia que ele, realmente fiquei chocado. Não por você, pela vadia da Grayskull. 

 

- Coitadas das que tiveram esse desprazer imenso de ficar com um porco imundo como você e não ouse falar dela assim, seu desgraçado covarde!

 

- Você faz parte de uma gangue e ela, da elite. Tenho que dizer, você deve ser muito boa com essa boquinha linda pra ter conseguido aquele filé de primeira, né, sapatão? E eu tava doido pra sentir do que ela é capaz também. Além de me vingar pelo que você me fez desde que veio se misturar com a gente, Gata Pulguenta. Então pensei, porque não fazer as duas coisas e matar dois coelhos numa só cajadada? 

 

- Seu papai riquinho ficaria deslumbrado com a merda de filho medíocre que ele tem, não é? - Agora a morena quem tinha o sarcasmo consigo, junto à adrenalina - Seu covarde de merda! Não teve capacidade para me falar isso desamarrada por quê? Tava com medinho da gatinha aqui te arranhar? - Cuspiu na cara do homem à frente -  Se você fizer alguma coisa comigo, você tá morto! Seu bosta!

 

- Já chega, sua puta. 

 

E farto da arrogância feminina ali, o mais alto dos quatro homens segurou nos cabelos macios em tons de chocolate e puxou a latina consigo, grosseiramente. Catra gemia de dor pelo couro cabeludo judiado e sentia as cordas nos pulsos lhe machucarem com o atrito, causando-lhe queimaduras vermelhas. Olhava de um lado a outro sem ver ninguém e começava a sentir-se realmente em apuros, notando que os homens à levavam para a floresta que contornava a instituição de ensino. Não era possível que em sua última noite ali, seria daquela forma. 

 

Em nenhuma das hipóteses que tinha pensado para o futuro, incluía momento tão degradante. Só teve uma reação automática já pré configurada em seu subconsciente. 

 

- ADORA!!! - Gritou o mais alto que conseguiu - SOCORRO! ADORAAAAAA!!!

 

- Vai! GRITA! IMPLORA! Sua princesa não vai vir te buscar… Estamos longe demais. Nós vamos nos divertir muito ainda, gracinha… - Catra podia sentir a boca quente do jovem alterado próximo à sua, fechando os olhos com violência, bem como a própria boca, em total asco - E sabe o que mais, sua vaca? Não vai dar nada pra mim, porque diferente dessa gentalha do lado sul, como você, eu sou alguém! É a impunidade que o dinheiro compra, Gatinha. Aqui dentro você pode ter achado que era alguma coisa, Catra, mas você não é nada mais do que um bichinho de estimação de uma riquinha mimada e, quando ela se cansar desse corpinho usado, ela vai te abandonar! Não se ilude, bebê. 

 

A cada palavra do homem próximo à si, mais a latina o achava desprezível e asqueroso, somente lamentando por ter sido pega de surpresa e pela visível desvantagem. Cerrava os olhos apreensiva e tensa imaginando a possível cena que viria e como aquilo era humilhante. Não era assim que imaginava o fim de sua noite, sendo apreendida de forma tão vil e covarde, sendo forçada a ouvir tanta baboseira machista e o pior que estaria por vir… Se, por algum milagre, sobrevivesse… Com a mínima hipótese do horror que seria aquele ato, preferiria a morte. 

 

Assim não lidaria com as memórias horrendas e traumatizantes… Bem, já tinha traumas demais. Não precisava passar por mais aquela brutalidade.

 

E naquele momento, sentiu-se fraca e impotente. Não queria chorar na frente daqueles desgraçados, contudo, foi inevitável. Pensou em Adora e o que ela tinha lhe mostrado até ali, pensou em como a amava e em como ela tinha sido essencial para seu bem estar até ali. Em como era incrível, em como a fez sentir-se viva e, em certos pontos, esperançosa e feliz…

 

Chorava de ódio se despedindo da loira mentalmente, pois, realmente não esperava que ninguém a ouvisse com música tão alta no interior do colégio e sabia que não teria ninguém aos arredores...

 

Estava sozinha e sofrendo.

 

Mais uma vez.

 

Por que a vida tinha que ser sempre assim consigo? Era flagelação demais. 

 

E fechando os olhos em seu flashback pessoal, sentia fisicamente o aperto nas madeixas e empurrões, já sem forças para se debater enquanto era arrastada para sabe-se lá onde por aquele ser asqueroso e deturpado...


Notas Finais


AI GENTE QUE ÓDIO EU TÔ DESSES FDP!!! A CATRA NÃO TEM UM DIA DE SOSSEGO!

O PROXIMO CAPÍTULO VAI SER UMA SATISFAÇÃO PESSOAL PARA MUITAS PESSOAS!

O próximo já está pronto e só falta revisar! Huhuhuhu

Quem quiser ler minha outra Catradora baseada nos anos 50/60 e muito fofinha e soft: https://www.spiritfanfiction.com/historia/cherry-liquor-22479634

OBRIGADA POR TODOS OS COMENTÁRIOS E FAVORITOS! VOCÊS SÃO DEMAIS! 🌹♥️🌈

Beijos e até a próxima! 💋🍒


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