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História We'll Be Together - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá queridas!

Apreciem o capítulo mega confuso! hahaha <3

Perdoem-me pelos erros, ainda não revisei corretamente!

PS: O título da história foi tirada de umas das músicas do Bob Marley. Eu amo esse cara pra caramba <3

Capítulo 3 - Stay... And Listen to Bob Marley With Me


Fanfic / Fanfiction We'll Be Together - Capítulo 3 - Stay... And Listen to Bob Marley With Me

 

11 de Agosto, 1986, Los Angeles CA, 09:00 A.M.

West Hollywood.

Sábado.

POV- Scarlett

A luz do sol invadia meu quarto com certa agressividade. Os raios luminosos atravessavam sem pudor o vidro fino da janela, abafando o cômodo num calor irritante.
         Sentia minha cabeça latejar e uma dor forte e instantânea tomar a mesma por completo, assim que ameacei levantar-me da cama. Meus olhos aos poucos procuravam se acostumar com a claridade repentina, e lentamente meu corpo começava a dar os primeiros e típicos sinais do extremo cansaço. Alguns flashs da noite passada passavam como raios em minha mente destorcida, e em resposta, apenas conseguia bufar de forma insatisfeita, repreendendo-me por ter feito tamanhas besteiras em uma só bebedeira. As constantes lembranças invadiam minha consciência, e junto delas, uma completa indignação e o total nojo.

 A repulsa em minha expressão facial era algo visível a qualquer par de olhos que me vissem deitada naquele colchão. Tudo ao meu redor parecia girar, e meu estômago revirou num enjoo forte e repentino, obrigando-me a levantar rapidamente e correr até o pequeno banheiro do quarto, ajoelhando-me apressadamente a beira da privada e então, colocando para fora toda aquela angústia que me inflava por dentro como um balão de gás hélio. A fraqueza tomou conta de minhas pernas, e toda minha força de vontade foi sugada de minha figura já deteriorada, deixando-me jogada as traças naquele chão gelado e surpreendentemente limpo, que me acudia como um colo de mãe. Meus olhos voltavam aos poucos a se fechar, e novamente o cansaço tomava de maneira fria todo meu ser.

- Achei que você nunca pisaria em um daqueles “lugares sujos e nojentos, quais somente jovens sem escrúpulos frequentavam” – Uma voz extremamente doce e bem conhecida por mim atingiu meus ouvidos como várias bombas atômicas. O peso da culpa finalmente havia decaído totalmente sobre meus ombros. Suspirei pesado, puxando o máximo de oxigênio que podia para dentro de meus pulmões, preparando-me para que enfim, encarasse a dor da verdade. – Você está se sentindo bem?

- Claro, estou vendo unicórnios, Elizabeth – Não pude evitar de debochar da loira, que apenas bufou irritada e revirou os olhos verdes, deixando em evidência sua falta de paciência para com a situação.

- Sempre ignorante, não é? Sabe Scarlett, você deveria ser mais sociável – apenas fechei meus olhos com aquela resposta. Era sempre a mesma coisa. “Seja mais sociável, Scarlett” “Faça isso” “Seja aquilo”. Essas merdas me irritavam profundamente. 

Convenhamos, eu não era a pessoa mais adorável do mundo.

- Minha cabeça está explodindo, podemos falar disso outra hora? – desconversei o assunto sem muito ânimo, apoiando-me sob minhas mãos e abaixando o tronco, evitando olhar para a loira que com certeza me fuzilava com os olhos.

- Na verdade, acho que você não tem tempo. – Assim que seu tom preocupado chegou até mim, senti todos os pelos da minha nuca se eriçarem. Eu conhecia o problema de longe. – O rapaz que te trouxe para casa ontem está aí, e por incrível que pareça, disse que não vai embora enquanto não tiver a garantia de que você está bem – arregalei os olhos em desespero, levantando-me com rapidez do chão, encarando Elizabeth que sorria feliz. – É o mínimo que você pode fazer. Ele é um rapaz muito adorável e gentil, não quebre o coração do pobre infeliz – Foi a última coisa que disse antes de sumir de meu campo de visão, fechando a porta com leveza e deixando-me sozinha. Bem, eu não tinha escolha.

 Elizabeth tinha razão, era o mínimo que eu poderia fazer.

Esfreguei os olhos com força e saí do banheiro, caminhando com pesar até a porta do quarto. Abri a madeira devagar, procurando o tal indivíduo de quem minha amiga falava. Corri com minha íris pelo amplo cômodo, parando enfim sobre uma figura loira sentada vergonhosamente em meu sofá. Senti os músculos de meu corpo relaxarem de forma instantânea, e duvidosa. Sua serenidade e preocupação eram nitidamente visíveis em seu rosto quase infantil. Os longos cabelos louros desciam por seus ombros de forma selvagem e desorganizada dando-lhe uma áurea especial. Percebia em seu modo de comportamento que estava um pouco... Nervoso, poderíamos dizer.

 Juntava as mãos rente ao corpo franzino, como se não quisesse encostar ou quebrar nada. Sua cabeça estava um pouco baixa, o que me impedia de ver sua face por completo. Aquela cena totalmente incomum me fez soltar um riso involuntário, levando-me a abrir a porta e sair, e então... Seus olhos subiram aos meus.

 

Aqueles olhos... Oh céus, aqueles lindos olhos!

 

O garoto sorriu. Um sorriso sincero e... Aliviado? Oh sim! Aliviado.

Sem ao menos me dar conta, retribuí com alegria, fitando com cuidado cada parte de seu belo e paradisíaco rosto. Suas feições lembravam a de uma criança. Parecia tão inocente e puro que pude sentir minhas energias serem estranhamente renovadas. Sua pele branquinha entrava em contraste com o loiro quase dourado de seus cabelos, realçando os azuis cristais de suas íris.

Numa situação normal, mandaria o cara embora e provavelmente nunca mais o veria na vida. Mas... Sinceramente? Eu tinha certeza de que não havia dormido com ele. Por isso, apenas continuei sorrindo, ainda presa a sua imensurável beleza.

Sua inocência me prendia, e talvez isso fosse preocupante.

- É.... Foi você quem me trouxe para casa? – cruzei os braços timidamente, cobrindo sutilmente a área de meus seios e tombando um pouco a cabeça para o lado, observando o loirinho coçar os cabelos de maneira nervosa, tirando seus olhos dos meus. Concordou positivamente com a cabeça e novamente se encolheu. Ele era tão arisco! – Não precisa sentir vergonha, cara... Obrigada, de todas as formas. – Sorri amiga, e então novamente voltou sua atenção em minha direção, sorrindo tímido. – Como é seu nome?

- Steven, Steven Adler.

- Então, Steven... – um sorriso sapeca tomou conta de meus lábios e de lance fitei Elizabeth, que observava tudo com uma expressão assustada estampando o rosto magro. – O que acha de comer algo e se limpar? Assim você pode me explicar o que houve e talvez me faça acumular novas lembranças humilhantes para minha extensa coleção de burradas. – O loiro acabou por rir e acenar com a cabeça. Sua timidez me incomodava, afinal, eu era atirada até demais.

- Seria ótimo – sorriu novamente, evidenciando seus dentes branquinhos e alinhados, relaxando os músculos até então tensos no  pequeno sofá, ficando mais confortável.

Virei-me para Eliza, apontando a porta discretamente com meus olhos. Não a queria ali, afinal, não era sempre que tinha um loirinho bonitinho ao meu dispor. A mulher apenas revirou os olhos e bufou, agarrando a bolsa com força e saindo pela porta sem ao menos se despedir. Aquilo conseguiu acabar com meu raro bom humor matinal. Aquela mulherzinha sempre foi possessiva e desconfiada, e eu não tinha um pingo sequer de paciência para seus ataques sem sentido.

 Caminhei até a cozinha lentamente, ainda sentindo o cansaço em meu corpo, retirando uma das xícaras do armário velho e virando-me novamente para Steven, que brincava com os próprios dedos, como se fossem aviãozinhos. Sorri sem que ele percebesse. 

Realmente, havia algo diferente nesse rapaz.

 

POV- Autora.

O tempo havia praticamente voado. Num piscar de olhos os dois jovens já se viam no horário de almoço, porém aquele mero detalhe não parecia um problema, pois ambos se encontravam numa conversa animada sobre a noite passada, nem percebendo que o clima havia se fechado. Sem que se dessem conta, o dia ensolarado de Los Angeles dava aos poucos espaço para grandes nuvens escuras e carregadas, indicando que uma tempestade se aproximava de maneira feroz. As xícaras de café gelado eram uma mera decoração em suas mãos. Os dois corpos sentados sobre o sofá de couro macio tagarelavam sobre um assunto qualquer, até que um alto trovão poder ser ouvido nos céus. Os olhos de Steven se arregalaram e Scarlett olhou assustada pelo vidro atrás de si, avistando as nuvens negras sobre a cidade.

- Bom... Acho que já está na hora de ir – Ouviu o loiro dizer com calma, ainda fitando a escuridão que se aproximava de forma veloz. – Obrigado por tudo, Scarlett, acho que já abusei muito de sua bondade – levantou-se com cautela, porém foi impedido pelas mãos gélidas da morena em volta de seu pulso fino, enviando curtos arrepios de choque pelo corpo quente de Steven.

- Nem pense nisso. Está o maior temporal lá fora e você vai se molhar – repreendia-o somente com o olhar, fazendo o mesmo sentir uma sensação esquisita... Algo como uma baixa voz o incentivando a ficar. – Fique Steven. Fique e ouça Bob Marley comigo. – sorriu singela, ansiando pela resposta do rapaz. Mas antes que o mesmo pudesse abrir a boca, pingos fortes e grossos atingiram a janela, respondendo por ele.

- Bom... Acho que não tenho escolha, certo? – deu de ombros de maneira descontraída e se sentou novamente, acomodando-se no estofado já quente pelo tempo de permanência nele. Conforme a intensidade da chuva aumentava, Scarlett caminhou até a antiga vitrola de seu pai, pegando um de seus vinis preferidos daquele que todos os dias acalmava seus delicados ouvidos. Não demorou para que a voz doce a aveludada de Bob encobrisse o som desnecessário da chuva e No Woman, No Cry tomasse posse de seus ouvidos. Acabaram por sorrir e cantarolar junto a música, deixando a vibe dos setenta os acomodar de forma única.

 

Algo brotava ali, e qualquer um em sã consciência poderia ver isso. Seus olhos azuis haviam se conectado no primeiro olhar.
  Naquele sujo balcão do Rainbow.

 

 

 

 

 



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