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História We'll Be Together - Capítulo 5


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Notas do Autor


Olá minhas queridas !
Como vão?

Perdoem-me pelos erros, estou morrendo de sono, e ainda não corrigi corretamente!

Boa leitura!

Capítulo 5 - Eletrical.


Fanfic / Fanfiction We'll Be Together - Capítulo 5 - Eletrical.

21 de Agosto, 1986, Los Angeles, 13:00 P.M.

"HELL HOUSE"

- Você acha que eu deveria chamá-la para hoje á noite? – Steven caminhava de um lado para o outro na sala de estar, batendo as solas dos tênis velhos contra o assoalho de madeira já desgastado, levando as mãos até o emaranhado loiro, puxando alguns fios de seu couro cabeludo, ansioso e também confuso pela decisão que deveria ou não tomar. Sua pergunta era direcionada a Duff, que bebia uma lata de cerveja largado de qualquer maneira sobre o sofá descosturado e velho, ainda sonolento pela farra que havia presenciado madrugada passada.

- Eu não sei, Popcorn – A voz embargada e arrastada do mesmo, indicava que não estava em condições racionais de responder algo pelo menos coerente, ainda tendo um alto teor alcóolico correndo solto por suas veias. – Mas quem é essa garota de quem você tanto tem falado? Porra, não para de tagarelar sobre ela faz uma semana! Pelo menos já comeu? – Digerindo aquelas poucas palavras ditas pelo colega como ácido, Steven cessou os passos irritantes abruptamente, indignado com tal pergunta vinda de Duff. Porém o mesmo não tinha culpa alguma, afinal, nenhum dos garotos conheciam Scarlett.

Sua amável, Scarlett.

- Ei! Demonstre um pouco mais de respeito! – Apontava o dedo indicador para o rosto literalmente acabado do amigo, que mantinha os olhos fechados, descansando a vista distorcida pelo cansaço, e tampando superficialmente as olheiras profundas abaixo de suas íris verdes – Ela não é como as strippers que vocês, ou melhor, nós estamos acostumados. Cara, ela é tão diferente. Porra, aquela desgraçada é um tremendo anjo! – Não pôde continuar sua fala sobre Scarlett, pois o ronco pesado e agressivo de Duff ecoou por todo o pequeno cômodo, levando Steven a revirar os orbes azuis em desgosto, subindo as escadas para o segundo andar.

Naquela mesma noite, ocorreria um show da banda, e a vontade que tinha de a convidar, era algo que vinha o sufocando desde o início da semana, pois não sabia se Scarlett aceitaria o pedido de bom grado. Aquela era sua última chance de a chamar, a única hora que poderia, pelo menos, a avisar com certa antecedência. Caminhou temeroso então até o telefone de seu quarto, discando devagar o número já decorado por ele, setando-se lentamente sob a beirada do colchão duro. Não conseguia parar de mexer freneticamente as pernas e balançar os braços, amenizando em partes o nervosismo notório em que se encontrava por um inteiro. Bastou apenas três toques de chamada para que a voz suave e doce da morena, atingisse melodiosamente seus ouvidos, causando-lhe arrepios gostosos por toda a derme.

- Alô?

- Oi Scar! Sou eu, o Stee – a timidez transparecia em sua voz ligeiramente insegura, arrancando um sorrisinho bobo da mulher ao outro lado da linha, que segurava uma caneca de leite quente em mãos.

- Ah! Olá Steven! Como vai? – Ainda sorrindo, repousava o recipiente fumegante sobre uma das escrivaninhas, apoiando os ombros finos na parede branca ao lado do telefone, sentindo o coração acelerar ao ouvir sua voz fofa.

- Eu vou bem... Espero que esteja tudo nos conformes aí também, – riu baixo, passando os dedos compridos pelo material de plástico branco, procurando as palavras corretas para lhe fazer o convite. – Ei Scar... Eu sei que está bem em cima da hora, mas gostaria de lhe propor um pedido...

- Claro, Loiro! Estou toda ouvidos – sentiu então a espinha gelar por completo e o corpo de imediato se eriçar. Os batimentos cardíacos aceleraram e os olhos azuis brilharam intensamente. 

Oh, como amava sua companhia!

- Hoje á noite vai rolar um show da banda... No Troubador, conhece? – Steven podia sentir as palmas das mãos suarem totalmente frias, e sua tensão muscular enrijecer conforme o silêncio matador pairava na linha telefônica.

- Troubador? Conheço de nome, mas nunca estive lá realmente. – Continha o cenho franzido em curiosidade, já imaginando a pergunta que lhe faria, e tentando formular uma resposta agradável. Não gostava daquele tipo de lugar, sentia-se deslocada e mal. Tinha total consciência da má fama que aqueles estabelecimentos carregavam consigo, e havia prometido a si mesma, que não pisaria num daqueles novamente.

- Bom... Pensei que se não fosse um incômodo, talvez você pudesse aparecer por lá, sabe? Gostaria de te ver... – Scarlett percebia que o convite proposto por ele não carregava um pingo de maldade, refletindo que não seria uma má ideia ver Steven novamente. Era incrível a maneira que simplesmente não conseguia negar nada vinda dele.

- Parece ótimo Stee... Pode ser que eu dê uma passada por lá mais tarde... A que horas começa? – Enrolou o cabo encaracolado do telefone nos dedos branquelos, sorrindo travessa e também, feliz. Imaginando a cara que o loiro tinha naquele momento.

- Tudo bem! Iniciamos as 21:00, espero te ver! Até mais, Scar!

- Até mais, Stee! – Colocando o objeto de volta ao gancho, a morena andava feliz até seu quarto, já pensando na roupa que usaria naquela noite.

Steven saiu pulando do cômodo pequeno, passando pelo amigo de cabelos cacheados que estava caído no corredor, ignorando por completo sua existência, tamanha era sua felicidade momentânea.

 

[...]

TROUBADOUR.

21:30.

Sentada desconfortavelmente sobre uma das cadeiras rúticas no bar do clube, Scarlett rodava seus olhos azuis por todo o salão lotado, encarando as várias pessoas presentes ali, impressionando-se de certa maneira com o número razoavelmente alto de público pagante. Seus lábios milimetricamente pintados em um vermelho vivo, sugavam com luxúria o canudinho preto do copo mediano que segurava em uma das mãos, ingerindo aos poucos o líquido ardente e incrivelmente saboroso que o Barman local havia lhe preparado minutos mais cedo.

Em prol do calor abafante que fazia naquela noite, continha os cabelos acastanhados e longos presos firmemente num coque certeiro, deixando que alguns fios soltos pelas laterais modelassem seu rosto fino e angelical.

- Com licença, rapaz... Mas você poderia me informar se ainda irá demorar para a banda entrar? Se não me engano, eles estão atrasados por pelo menos quarenta minutos. – Chamou a atenção do atendente que havia se aproximado, checando o relógio de pulso delicado, conforme cada segundo de atraso se passava.

- Aconselho que a senhorita olhe para o palco, os garotos já estão lá. – O tom brincalhão do jovem arrancou um sorriso tímido de Scarlett, que agora, tinha uma visão perfeita do tablado grande de madeira, podendo ver os cinco rapazes arrumando os últimos detalhes para a apresentação. Seu estômago revirou num embrulho assim que avistou Steven sentado atrás da grande bateria, rodando as baquetas claras entre os dedos com agilidade, sorrindo como nunca. 

Seu modo sonhador havia a conquistado.

Os primeiros acordes musicais soaram pelo ambiente lotado, arrepiando de imediato os braços de Scarlett.

Uma corrente elétrica envolveu todo seu corpo, que até aquele momento estava praticamente adormecido. Acendendo o mais profundo de seu íntimo, tocando de maneira selvagem, a sua alma. Os pelos de sua perna eriçavam constantemente por debaixo do jeans lavado que vestia, e os olhos cristalinos como água cintilavam ao ver a performance magnífica daqueles garotos tão jovens.

Eles eram bons. Eram bons de verdade.

Porém nenhum deles brilhava mais do que ele.

Ninguém brilhava mais do que Steven.

Seus movimentos animados e enérgicos na bateria eram capazes de distribuir eletricidade para um cidade inteira, e seu sorriso... Ah, seu sorriso era capaz de conquistar qualquer um que o visse.

Involuntariamente, deixou que a atmosfera envolvente lhe invadisse aos poucos, permitindo que seus movimentos, até então, contidos, criassem vida, numa espécie de dança, levantando-se devagar do banco duro, movendo-se e misturando-se por entre os corpos suados, que assim como o seu, estavam dançantes e extasiados.

Steven passara a primeira música inteira procurando-a como um verdadeiro louco. Seus orbes voaram por todos os rostos possivelmente visíveis aos seus olhos, no entanto não encontrou aquela figura que ansiosamente esperava ver.

Foi então que suas íris azuis repousaram sobre a primeira fileira de pessoas na beirada do palco. E lá estava.

Seus quadris avantajados, mexiam conforme o ritmo agressivo da guitarra soava das caixas de som, e seus braços estavam erguidos para o alto, expondo a barriga alva por trás do tecido florido de sua blusa regata. Seus olhos permaneciam fechados e sua feição era de perfeito deleite. Podia jurar que aquela imagem vinha diretamente dos céus, e de um segundo para o outro, só havia Scarlett ali. Todas aquelas pessoas altas de bebidas e outras substâncias haviam simplesmente sumido, desaparecido. E somente a garota de cabelos presos e castanhos existia naquele exato momento; Steven vibrou. Passou tanto tempo admirando a beleza extravagante de Scarlett, que nem sequer  deu-se conta de que havia errado pelo menos cinco vezes a mesma música, e agora tinha Duff ao seu lado, tentando de alguma maneira chamar sua atenção, que estava totalmente voltada ao corpo e rosto daquele ser tão monumental.

Foi quando a morena abriu devagar suas imensidões azuis claras, fixando seus olhares como uma grande trovoada. Um choque certeiro. 

Estremeceram em perfeita sincronia.

Uma corrente de tensão invisível os envolveu, resultando em mais um erro vindo da parte de Steven, que agora havia se dado conta da burrada feita, voltando sua atenção para o instrumento, mas não sem antes lançar uma piscadinha marota para Scarlett, o que fez com que os outro quatro rapazes no palco, virassem seus olhares para a garota, entendendo então o motivo dos erros notórios do baterista.

Podia sentir sua pele formigar. Formigar por onde seus olhos celestes passaram.

A respiração ofegante indicava que não aguentava mais curtir uma noite de farra decente, e as bochechas coradas pelo agito davam-lhe o ar nítido de exaustão. Ainda que seu estado físico implorasse por algum descanso, seus pés não conseguiam sair do lugar. Estava presa ao chão, como se alguém tivesse passado cola na sola de seus coturnos, incapacitando-a de se mover para fora da multidão sufocante.

Queria ficar e admirar. Queria ficar e dar segurança a Steven.

Parando por um breve momento e analisando sua situação, concluía quase que de imediato: Naqueles últimos dias, todos os seus pensamentos giravam em torno do garoto de cabelos dourados, e tudo que constituía sua personalidade. Algo nele a enjaulava como uma fera. Impedindo-a de sair das grades que eram seus olhos e da cela que eram seus braços afetuosos. Aquela última semana, fora uma das melhores de sua vida. Passara quase todos os dias conversando com Steven e saindo para diversos lugares com o mesmo. Nunca dera tantas risadas sinceras em toda sua vida.

É, realmente algo nele a cativava. E com ele, acontecia a mesma coisa.

Foi quando nem percebera o tempo praticamente voar. Uma hora havia passado  em praticamente um minuto.

Observando os meninos deixarem o palco pela lateral, logo esbarrou depressa pelos corpos movimentados da pista de dança, esperançosa para o alcançar e enfim poder lhe abraçar forte, dizendo-o o quanto aquilo foi imensamente incrível. Seus coturnos grosseiros chocavam-se contra o assoalho amadeirado, abrindo espaço entre as pessoas tumultuadas e seguindo rumo aos banheiros. 

Logicamente estava perdida, olhando para todos os lados, procurando-o em meio aos mais variados estilos de cabelos e roupas ali presentes. Andava pelos mesmos corredores milhares de vezes, olhando em cada porta e canto possível, e em algumas maiorias, deparando-se com cenas quais preferia esquecer.

- Procurando por alguém? – Um sorriso rico formou-se elegantemente em seus lábios, virando-se para trás, fitando finalmente aqueles emaranhados escaldantes como o sol. Não conseguindo conter a felicidade, passou os braços em torno do pescoço molhado por suor de Steven, afundando a face na curvinha quente de sua clavícula, sentindo seu perfume cítrico, misturado a nicotina. 

As pontas de seus cabelos longos e louros acariciavam de leve as maçãs rosadas de seu rosto, fazendo cócegas gostosas por sua pele já um pouco úmida. Steven a agarrou, tirando-a momentaneamente do chão,  rodopiando seu corpo miúdo pelo ar, arrancando ainda mais risos de Scarlett.

O rapaz sentia-se inebriado por seu perfume extremamente marcante e forte, querendo sentir aquele cheiro delicioso pelo resto da noite. E seus cabelos? Ah! Seus cabelos cheiravam á lavanda e diferentes tipos de doces comestíveis. Céus, como podia ser tão cheirosa?

Colocando-a novamente sobre a superfície do solo, prendia as mãos firmes sob a curva sinuosa de sua cintura, mantendo-os próximos um do outro.

Seu hálito quente batia de contra os lábios vermelhos de Scarlett, embebedando todos os seus sentidos, e cativando-a ainda mais por seus olhos marítimos. Foi então, que naquele momento, se dera conta, de que nunca repara em Steven, realmente.

Nunca havia reparado no contorno carnudo de seus lábios rosados por natureza, nem na curvinha pequenina de seu nariz delicado. Nunca havia reparado em suas orelhas perfeitamente proporcionais ao restante de seu rosto, nem ao menos em seu maxilar cerrado e fino.

E naquele momento pôde sentir todas as emoções que faltavam em seus encontros amigares. Pôde sentir algo diferente.

Corações acelerados. Respirações minimamente ofegantes. Olhos fixos um no outro. Corpos perigosamente próximos.

Percebendo todos os seus alertas avisarem, Steven deixou que seus instintos o impulsionassem. Aproximou o rosto devagar, sem desviar suas pupilas das dela. Scarlett sentiu cada extremidade de seu corpo enfraquecer conforme o espaço entre eles diminuía, e todos seus pelos eriçarem conforme sua respiração se misturava a dela. Scar podia sentir os batimentos cardíacos bombearem fortes em ambos os ouvidos, algo do tipo várias bolhas efervescentes, estourando em seus tímpanos como várias bombas silenciosas. Por um momento pensou seriamente em recuar, mas aquele estúpido pensamento a deixou, assim que o rapaz tocou suave por detrás de seu pescoço, dando o tão esperado, passo final.

Não podia impedir que aquilo acontecesse, pois ela queria tanto quanto ele.

Deixou-se então ser guiada por suas mãos habilidosas, fechando os olhos com tranquilidade ansiando pelo o que viria a seguir.


Notas Finais


<3


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