História Werewolves - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags 2seok, A/o/b, Hoseok!bottom, Jikook, Lobisomens, Omegaverse, Seokjin!bottom, Seokjin!top, Vmon, Yoongi!bottom, Yoongi!top, Yoonjin, Yoonseok
Visualizações 441
Palavras 3.875
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Seinen, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello~~






Boa Leitura ~~

Capítulo 7 - Just Seven


Kim Seokjin (Jin)

Suas mãos passeavam pelo meu corpo, tocando-me, acariciando-me e explorando-me como se eu fosse a melhor das novidades. Não havia nada melhor do que isso — ser desejado, cobiçado e visto como algo precioso, digno de cuidados e mimos. Ele segurou meu queixo, obrigando-me a olhá-lo diretamente enquanto ele me tocava daquela forma tão íntima e possessiva. Encarei seus olhos escuros, tão pretos, que pareciam me devorar pouco a pouco, tirando informações de minha mente, deixando-me confuso e desnorteado, mergulhando naquela imensidão negra. 

Ele era um desconhecido para mim, mas me beijou com uma fome imensa, fechando seus olhos, apreciando o gosto de minha boca e a sensação que eu lhe proporcionava naquele momento tão particular para nós. A sensação era tão intensa que trouxe lágrimas aos meus olhos. Quando ele nos soltou do beijo e abriu seus olhos, eles não estavam mais escuros, mas sim de um dourado flamejante. Eu não sabia o que aquilo significava, mas tinha medo de continuar encarando.

— Pare com isso... — ouvi a voz distante de Hoseok em algum lugar dentro de minha cabeça, protestando, choramingando.

Virei meu rosto para o lado, procurando-o, mas estava tão escuro ali. Deixei meu pescoço exposto e o rapaz de olhos dourados passou a mão de leve sobre minha pele, que se arrepiou com o toque gelado de seus dedos. Levou seus lábios até meu pescoço, a princípio mal me tocando, apenas farejando, sorvendo cada molécula de odor que eu exalava. Aquilo me extasiava, deixava meu corpo dormente e completamente entregue.

O que estava acontecendo comigo?

A pontinha de seu nariz roçou suavemente pela região e ele deixou um rastro de beijos desde a base de meu pescoço até o lóbulo de minha orelha. Soltei um suspiro arrastado e ele, ouvindo meu grunhido, separou os lábios finos e expôs os dentes pontiagudos que possuía, mordiscando minha pele fina.

Ouvi um longo gemido de prazer escapar dele quando suas presas afundaram na pele sensível de meu pescoço, fazendo-me sangrar e esquecer completamente. Aquilo doía tanto, mas me deixava exausto.

— Agora durma...  — ele sussurrou com seus lábios pintados de vermelho e seus olhos perdendo pouco a pouco aquela cor âmbar.

~~.~~.~~.~~.~~

O barulho alto e desesperado do relógio despertador me obrigou a acordar. Abri os olhos com desconforto, pois algo os pressionava com força. Tudo continuou escuro — óbvio. Me movimentei um pouco, resmungando, e senti algumas pontadas em minha fronte dolorida.

Por Deus, era como estar de ressaca.

— Que sonho estranho... — resmunguei para mim mesmo ainda sentindo a dor da mordida. Era tão real.

Retirei a máscara de dormir, que trajava, dos olhos e me estiquei no colchão, tentando forçar meu corpo travado a criar coragem de levantar e desligar aquele maldito som infernal que fazia questão de entrar dentro de minha cabeça e não sair até que estivesse completamente desperto. 

Sentei-me no colchão um tanto confuso e senti meus músculos doerem e formigarem. Olhei para o criado-mudo ao lado da cama e vi as horas em vermelho brilhando no aparelho digital, o qual ainda berrava. Já passava do meio dia.

Espreguicei-me, apanhando o relógio e desligando o som. Notei sem querer a discreta data impressa nele abaixo das horas. Eu poderia estar ficando louco, mas pelos meus cálculos, era como se tivesse dormido por três dias!

Passei os olhos apressado pelo meu quarto e tudo parecia normal demais, tão mais arrumado do que eu havia deixado — eu compreendi por meio daquela análise que Hoseok deveria ter limpado e ajeitado o cômodo para mim, ele fazia isso algumas vezes quando vinha me visitar. A questão era: quando foi isso? E por que eu não me lembrava de nada? 

As persianas encontravam-se fechadas, mas eu podia ver o sol alto e quente lá fora.

Impossível.

Eu tinha certeza que havia uma nevasca na noite anterior! Não havia?

Tentei forçar meu cérebro a me trazer as memórias dos últimos dias, mas nada me veio à mente. Era como uma lacuna no tempo. As únicas coisas de que me recordava era Jung Hoseok ter vindo — como sempre — trazer os suprimentos mensais, também me lembrava de Jimin e Jungkook, os dois meninos selvagem que se diziam um casal... Tinha mais algumas informações perdidas, porém eu não conseguia juntá-las adequadamente até que fizessem sentido para mim.

Um nome flutuava em minha mente perturbada e nebulosa, que era “Taehyung”, mas não tinha certeza de onde o escutara e nem o porquê. Também havia um lobo branco, mas eu não conseguia entender o que ele era para minha pessoa.

Então uma imagem de Namjoon ferido me veio à cabeça. Cheio de sangue e ganindo de dor...

Meu cachorro estava machucado?! 

Tinha a impressão de que ele estava perdido na nevasca e eu precisava procurá-lo urgentemente...

Tentei me levantar apressado e minha pressão imediatamente caiu. Minha visão escureceu e por um momento achei que fosse perder a consciência. Fiquei tonto e meus músculos fraquejaram, caindo sentado na cama novamente. Meu estômago doeu e porra, eu estava com fome! Sentia-me cansado e fraco, como se não comesse há dias. 

Quando estava prestes a me levantar novamente — desta vez com um pouco mais de calma —, vi Namjoon deitado confortavelmente ao pé da cama, dormindo e roncando tranquilo, todo enrolado no tapete felpudo graças ao frio. 

— Jin...? — ouvi a voz sonolenta de Hoseok e olhei para o meio da cama, vendo-o deitado ali todo enfiado no meio das cobertas, apenas com os olhos inchados para fora do pano grosso. — Tudo bem, hyung?

— Hoseok, eu... — o que ele ainda fazia aqui? Geralmente Jung ia embora no máximo em um ou dois dias. — Tive um sonho estranho...

— Sonho? — ele ronronou se espreguiçando. Sentou-se no colchão e veio até mim, que estava sentado na beira da cama. Me abraçou por trás e deu um beijo em minha bochecha dolorida. — Que tipo de sonho?

— Eu... — franziu o cenho, mas minha mente estava em branco. — Eu não me lembro mais do que era, mas tinha alguma coisa... Um cara, eu acho... 

Ele deu um risinho sem humor, levantando-se.

— Esqueça isso — falou sério. — Não deve ser nada importante, Jin, como você mesmo disse é apenas um sonho estranho, certo?

— É, mas me pareceu tão real e...

Ele me encarava nervoso, aguardando que eu continuasse. Parecia tentar disfarçar uma espécie de aflição, comprimindo os lábios fininhos em uma linha tênue. 

— Que dia é hoje? — inquiri. 

— Por que, Jin? — pigarreou desconfortável.

— É só que… você não vem sempre no começo do mês? Mas estamos no dia quatro e-

— Hyung, você não se lembra de nada? — ele me interrompeu, engolindo em seco.

— Não me lembro de quê? — hora, ele chegou exatamente onde eu queria mais rápido do que eu esperava. Por um segundo achei que ele estivesse evitando o assunto.

— Tá, vamos tentar organizar as ideias primeiro... — Jung resmungou incomodado, fitando o cachorro deitado no tapete e o animal, agora acordado, devolvia o olhar. Era como se conversassem com os olhos.

Deus, que estranho.

— Por que só não me fala o que está acontecendo? — reclamei desconfiado. Que porra estava acontecendo comigo? — Sinto como se houvesse um vazio dentro da minha cabeça. Eu entrei em coma, Hoseok?!

— Calma... — ele riu um pouco mais descontraído. — O que você lembra exatamente, Jin?

— Me lembro que você veio me trazer os suprimentos do mês, mas estava vindo uma tempestade de neve junto — contei com calma, tentando me localizar no espaço-tempo. — Me lembro que havia dois meninos selvagens, mas o nome deles, me fugiu à cabeça agora.

— Tudo bem — falou, mas seu cenho estava franzido e ele fazia uma careta de desgosto imenso. — Continue.

— Namjoon estava perdido na nevasca e eu queria procurá-lo, mas você me impediu e depois... — parei. Não havia nada depois, só um vazio.

— “Depois”? — ele me instigou.

Namjoon se levantou e subiu na cama — eu detestava quando ele fazia aquilo, seus pêlos grossos ficavam grudados nos cobertores — e se deitou perto de mim, com a cabeça apoiada em minhas pernas. Fiz carinho em suas orelhas e ele ganiu feliz.

— Depois não há nada. — Confessei estressado comigo mesmo.

— Certo — Jung puxou meu rosto pelo queixo e me encarou como se analisasse cada detalhe ali presente. — Aquele filho da puta realmente usou da hipnose em você — resmungou. — E deu certo, eu acho...

— Do que está falando? — perguntei estranhando aquela conversa sem sentido.

Ele deu de ombros e se levantou da cama. Olhei-o caminhando nu pelo quarto aquecido, indo até uma das cômodas, pegando nela um pente para ajeitar os cabelos escuros bagunçados.

— Nada, hyung — falou, se olhando no espelho. — Você provavelmente ainda vai se esquecer de mais algumas coisas, mas não se preocupe, no final, acho que será melhor.

— Que conversa é essa, Hoseok? — questionei completamente perdido.

— Jin, pode repetir o que se lembra? — pediu, vestindo suas roupas que estavam dobradas sobre uma poltrona de canto.

— Para quê? — rebati com um bico.

— Só repita.

— Me lembro que você veio trazer os suprimentos do mês e... — parei. Espere, havia mais coisas depois disso, por que elas haviam desaparecido de minha memória?! 

Olhei-o desesperado.

— Tudo bem, hyung, não precisa se assustar... — falou calmo. — Não sei até onde aquele alfa idiota usou daquela feitiçaria nojenta, mas não acho que vá esquecer necessariamente tudo, apenas as coisas relacionadas aos lobos.

— O quê-

— Provavelmente vai esquecer o que estamos conversando agora também.

— Ah...

Ok, eu acho que preciso procurar urgentemente um médico. Só podia estar alucinando!

— Bem... — Hoseok abriu as persianas e o sol forte entrou pelo vidro, iluminando o quarto escuro. — Vou aproveitar que o clima está bom agora e vou voltar para o mercado na cidade! — olhou em minha direção com um sorriso forçado. — Namjoon, cuido do Jin, ok?

O cachorro latiu em resposta, saindo de meu colo e correndo até o Jung, que lhe afagou a cabeça.

— Evite ir ver o Taehyung por enquanto, certo? — disse e o animal assentiu.

— Taehyung! — gritei, ficando em pé em um solavanco. Ambos me olharam assustados. — Esse nome...

— Que nome? — Hoseok me olhou confuso.

Ele estava jogando comigo, eu não era idiota. Eu já havia ouvido aquele nome antes!

— Esse... esse nome... esse... — de repente minha cabeça estava nublada de novo. Do que estávamos falando mesmo? — Esse...

— Jin, você está cansado, por que não dorme um pouco? — sugeriu e aquilo me pareceu uma ótima ideia.

Eu não me sentia cansado, mas sim estressado.

Hoseok se aproximou de mim e me deu um selar breve e reconfortante. Me senti um pouco melhor. Então me encarou nos olhos, os dele mudando levemente de cor, saindo do castanho para algo que lembrava o vermelho.

— Eu não costumo fazer isso, mas aquele idiota só apagou informações e esqueceu de colocar novas... — resmungou e me vi perdido naqueles orbes brilhantes. Eu já havia visto aquilo em algum lugar, mas não conseguia me lembrar onde. — Você foi procurar o Namjoon na nevasca há alguns dias e sofreu um acidente, se machucando feio, por isso desses arranhões no seu corpo.

Assenti, hipnotizado.

— Eu lhe ajudei, mas você estava com muita dor, por isso ficou algum tempo de cama, ok?

— Sim — concordei, sentando-me no colchão.

— Agora eu preciso ir — ele se dirigiu até a porta do quarto, parando para me olhar preocupado uma última vez. — Até o mês que vem, hyung.

— Tchau, Hobi — falei me ajeitando na cama e voltando a dormir para que, dessa vez, quando acordasse novamente minha memória estivesse não só perdida, como também completamente alterada.

Jung Hoseok (J-Hope)

— Você não deve usar de feitiçaria nele, seu alfa idiota! — reclamei pela milésima vez naquela tarde, não deixando que Yoongi se aproximasse de Seokjin. — Já disse que isso não fará bem nem a você e muito menos a ele!

— Como você é teimoso, ômega chato! — ele rebateu, rosnando para mim. Eu apenas o copiei, mostrando meus dentes, o que o fez se irritar ainda mais.

Sabia estar sendo desrespeitoso, afinal ele era um alfa lúpus puro, enquanto eu não passava de um ômega mestiço, mas bem, ele queria botar aquelas mãozinhas fedorentas no meu hyung e eu não iria deixar assim tão facilmente.

Ele se aproximou em um solavanco e eu o chutei, tentando afastá-lo.

— Eu já disse que não! — resmunguei, empurrando-o com a ponta dos pés.

Yoongi agarrou meu calcanhar e me puxou com força me desgrudando do corpo inconsciente de Seokjin. Ele era um alfa e, bem, como todo alfa era um tanto bruto e não mediu esforços para me arrastar pela cabana até que eu estivesse bem longe de Jin. Eu me debatia e gritava durante todo o percurso, mas isso não o impediu de me jogar em um canto qualquer e rosnar para mim usando sua voz de alfa.

— Cale a boca e fique quieto! — ordenou e eu me contive ao máximo para não me encolher trêmulo.

Sim, a autoridade que ele impunha como alfa lúpus surtia efeito sobre meu ser, isso era óbvio, mas eu lutava com meu lobo interior para não obedecê-lo com o rabinho entre as pernas, como qualquer ômega idiota faria. Ele ficava ainda mais irritado com minha resistência, mas eu não estava disposto a baixar a guarda assim tão simplesmente.

— Você não deve, escute o que estou te falando! — resmunguei, derrubando-o no chão e subindo sobre ele para segurá-lo.

Yoongi me empurrou para o lado com força — o que doeu — e rosnou alto, deixando um som quase animalesco lhe escapar a garganta e desta vez eu não pude me segurar. Abracei meu próprio corpo, sentindo um calafrio forte e imponente me tomar, tirando todas as minhas forças e encharcando por completo o meu íntimo.

Meu cheiro adocicado se aflorou e consequentemente o dele também.

Ficamos um tempo nos encarando em silêncio, ofegantes e completamente acalentados por nossos instintos e odores.

— E-eu não preciso lhe dar ouvidos, você não passa de um ômega mestiço! — falou nervoso, como o verdadeiro idiotia alfa que era.

Eu não respondi. Não tinha mais forças para tanto.

Era patético como meu corpo se rendia tão fácil perante o comando dele naquele momento, mas eu sabia muito bem o motivo. A lua encontrava-se próxima e junto com ela a transformação daquele alfa. Eu sentia que o Min estava mudando pouco a pouco seu comportamento e seu cheiro. Os lobos não eram como os humanos, mesmo que parecessem com um durante o dia, quando o sol ia embora e a escuridão tomava conta daquelas terras frias, eles se tornavam outros seres: mais fortes, mais selvagens, mais imponderáveis.

Eu não passava de um mestiço, era verdade, mas, assim como os lobos puros, quando entardecia meu corpo mudava. Eu não me transformava como Min Yoongi, mas meus instintos de ômega se afloraram e eu me tornava cada vez mais submisso e desesperado. Eu estava no cio, eu sabia, e com a noite minha líbido sexual tomava conta de minha mente.

Em breve a única coisa que iria conseguir pensar era o quanto eu queria um pênis enfiado dentro de mim.

Yoongi tomou Seokjin nos braços e o fez olhá-lo. Eu queria impedi-lo, mas não conseguia, ainda estava trêmulo, ainda sentia o poder que ele exercia sobre mim. Filho da puta!

— Você irá se esquecer, Kim Seokjin, irá se esquecer de absolutamente tudo que sabe sobre os lobos — falou usando daquela língua maldita entoada anos atrás pelas bruxas.

— Não faça isso... — eu tentei implorar, mas a única coisa que saiu de minha garganta foi um chiado incompreensível do qual Min ignorou completamente.

Ele se abaixou e beijou os lábios de Seokjin, saboreando-os como um animal comendo carne após meses de abstinência. Lobos não sabiam o significado de um beijo, mas naquele momento Yoongi não pareceu inexperiente. Claro, ele estava deixando que seu lado humano se apagasse e que o alfa dentro de si o dominasse pouco a pouco, fazendo aquilo que seus verdadeiros instintos desejavam, que era devorar Seokjin — não necessariamente sua carne, mas sim suas memórias, fazendo-o se esquecer completamente de qualquer contato que teve com os lobos.

Isso incluía o próprio Min Yoongi e também Jung Hoseok.

— Você irá se esquecer — repetiu com a voz rouca e embargada. Ele estava completamente perdido dentro de si naquele momento.

— Hey, alfa... — tentei chamá-lo, sentindo o cheiro dele ficar ainda mais forte.

Yoongi abriu a boca bufando pesadamente e dela seus dentes pontiagudos despontaram. Ele os enfiou na carne do ombro de Seokjin, quem deu um ganido alto de dor.

Hoseok sabia o que aquilo significava. Ele estava selando o feitiço, bebendo do sangue de um humano. Aquilo era perigoso e completamente proibido. Uma vez que um lobo experimentava o gosto, o sabor de um homem ele poderia se perder, tornar-se um estripador, como eram chamados as bestas comedoras de gente. 

Carne humana era como uma droga que poderia viciar e levar o animal a loucura e perdição — e também a morte, já que ela poderia adoecer um lobo facilmente.

— Agora durma... — ele cochichou e Jin deixou um longo suspiro escapar antes de perder a consciência, exausto.

— V-você não deveria ter feito isso... — falei um pouco assustado. Era a primeira vez que via algo tão intenso.

Ele me olhou imparcial. Era como um animal selvagem preso no corpo de um humano, com o raciocínio diminuído e o instinto prevalecendo sobre os demais sentidos. 

Yoongi não falou mais nada e eu não me atrevi a abordá-lo.

Conforme as horas iam se estendendo, seus olhos tornavam-se mais e mais selvagens e quando a lua subiu aos céus eu soube que ele não iria mais se conter.

Ele deixou Seokjin e veio até mim. Eu estava com medo dele e me afastei, arrastando-me pelo chão até que minhas costas tombassem com as paredes da cabana. Min me agarrou pelo pulso e me obrigou a levantar. Minhas pernas fraquejaram, mas isso não importou, ele me prensou contra a parede e se aproximou, exalando aquele cheiro forte e amadeirado de alfa que fazia meu interior se umedecer. Por um momento achei que ele iria me possuir ali mesmo.

— Vá embora daqui... — grasnou com um tom de voz sofrido que adentrou meus tímpanos rasgando. — Suma da minha frente e leve Seokjin com você...

Eu assenti, completamente absorto em seu cheiro, desejando-o.

Ele me soltou devagar e se afastou alguns passos. Mesmo trêmulo corri até onde Jin estava, tentando pegá-lo no colo com dificuldade, afinal seu corpo era maior e mais pesado que o meu. 

Escutei, de repente, Yoongi urrar de dor e seu corpo soltou alguns estalos altos, modificando-se, esticando-se aos poucos. Ele caiu de quatro no chão, sem forças, os ossos quebravam e se recolocavam em novos lugares, os pelos esbranquiçados cresciam rápido por sua pele pálida, a fuça se alargava, se fazendo protrusa naquele rosto agora deformado pelo sofrimento. Os dentes despontavam de sua mandíbula caída e seus olhos perdiam a sanidade, tornando-se completamente negros.

E foi em meio aquelas lamúrias e gritos de desespero que vi pela primeira vez a transformação de um licantropo.

Ele sentia tanta dor que quando enfim havia acabado sua mutação, ficou alguns minutos ali, deitado no chão, ofegante e exausto, se recuperando dos espasmos musculares que seu corpo dava.

Quando me movi com Jin em meus braços, o Kim soltou um gemido de dor e reprovação, atraindo a atenção do lobo.

— Precisamos ir embora, hyung — cochichei um pouco assustado.

O animal de pelagem tão branca quanto a neve me encarou por um longo tempo com aquelas imensas esferas escuras, as quais refletiam a minha imagem, e eu percebi que ele ainda me reconhecia. Ficou em pé com dificuldade e caminhou até nós, cheirando a mão de Seokjin, a lambendo antes de se afastar novamente, mantendo certa distância. Ele aguardava que fossemos embora. 

E assim o fiz, me enrolei em algumas pelagens — junto com Seokjin — e carreguei meu hyung até a base de tratamento, limpei o lugar e tentei arrumar de forma que ele não percebesse que algo sobrenatural havia ocorrido ali. Cuidei de seus ferimentos e quando Namjoon voltou sem Taehyung eu também cuidei dele. 

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Mesmo não querendo permitir que o Min fizesse à cabeça de Seokjin inicialmente, agora eu percebia que ele estava certo, aquilo seria melhor para o próprio Jin e também para os lobos. Se descobrissem que um humano possuía qualquer informação que fosse sobre a existência deles, provavelmente o matariam.

Eu sabia que a feitiçaria havia sido proibida entre os lobos há muito tempo — e por uma boa causa, diga-se de passagem — e ver um deles usando foi uma verdadeira surpresa. Yoongi era rebelde e inconsequente, mal sabia ele o quanto estava se arriscando fazendo aquilo.

Meu conhecimento era relativamente amplo sobre o assunto, uma vez que minha mãe foi uma loba como ele. Ela usou demais da magia negra e acabou se tornando nada mais que um animal selvagem, sem qualquer discernimento, apenas uma fera sem memórias que habitava as florestas de pinheiro e caçava durante a noite para se alimentar.

Eu fui criado por meu pai e tios, os quais me proibiram de encontrá-la. Eu era um mestiço, um ômega, mas não podia tomar a forma de um lobo — não que eu reclamasse, pois via o quanto doía.

Meu progenitor era um caçador e se envolveu com a loba inicialmente sem saber de suas verdadeiras origens. Quando eu nasci ela já estava beirando a loucura, mas ainda lhe restava um pouco de sanidade para me encontrar às escondidas.

A feitiçaria fazia isso com os lobos, deixava-os doentes e fracos, cada vez mais e mais instintivos, violentos, como verdadeiros animais. Eles perdiam o juízo, suas lembranças e também a capacidade de sentir algo que não o ódio e a fome. Sim, eles tinham muita fome e poderiam comer até mesmo seus iguais se fosse para se satisfazerem.

Logo a habilidade de se tornarem humanos também era perdida, ficando presos eternamente no corpo de um cão selvagem.

Antes que a mente de minha mãe se perdesse por completo, ela me ensinou um pouco de magia. Como eu era um mestiço ela acreditava fielmente que aquilo não me faria o mesmo mal que causava aos lobos.

Eu sabia muito da teoria, mas pouco da prática. Conseguia usar um pouco de hipnose e também era capaz de controlar o meu cio de forma que não parecesse mais do que uma simples febre.

Aquilo, até o momento, não me gerou qualquer dano físico ou mental, mas também não costumava usar da feitiçaria a toda hora, pois havia visto o que minha mãe se tornara e não desejava aquilo a ninguém.

Eu não adverti Min Yoongi sobre os riscos naquele momento. Eu deveria ter lhe contado, mas ele não me daria ouvidos, pelo menos, não naquela hora.

Uma lástima.

Enquanto estive na base ele não nos procurou, mas eu sabia que ele viria, estava só esperando que eu fosse embora. Eu sentia o quanto aquele lobo se afeiçoara por Seokjin, mas também sabia que aquilo era perigoso demais para meu hyung e até mesmo para Yoongi.

Entrei na camionete e olhei para meu próprio reflexo cansado no retrovisor. Não adiantava me martirizar por aquilo para sempre. Dei partida várias e várias vezes, mas o carro demorou a aquecer e enfim deixar que os motores roncassem alto, dando sinal de vida.

Acelerei e enquanto dirigia de volta para casa só rezava para que Seokjin ficasse bem e que Yoongi tivesse um pouco de responsabilidade e não se aproximasse dele.


Notas Finais


Comentem =D



Capitulo Betado por @Bioluminescenci (Squad on Edits)


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