História Meraki - Capítulo 2


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Categorias Neymar, Philippe Coutinho
Personagens Neymar, Philippe Coutinho
Tags Alisson, Coutinho, Firmino, Gabriel Jesus, Gay, Neymar, Neytinho, Philippe Coutinho, Thiago Silva
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Palavras 4.054
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Esporte, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ei gente, espero que gostem!!!
Recado 1: a história não vai seguir necessariamente os acontecimentos reais.
Recado 2: vamos ter outros casais
Recado 3: quase todo mundo aqui é LGBT, não gostou vai ver crepúsculo

Capítulo 2 - Dois


Os raios de sol incomodaram os olhos de Philippe, o moreno se espreguiçou colocando os braços para cima e esticando a perna, mas parou no meio do movimento ao perceber um peso sobre seu corpo. Neymar estava abraçando ele, com as pernas entrelaçadas uma nas outras de modo que não era possível distinguir qual era qual, o rosto dele enfiado entre a nuca e os cabelos de Coutinho, sentindo o cheiro que o menor emanava e com os braços em volta da cintura fina do homem já acordado. Um sorriso involuntário surgiu no rosto de Philippe quando percebeu que tinha dormido com Neymar, suas bochechas coram ao pensar em coisas inapropriadas com o mais velho. Balança a cabeça e tenta se desvencilhar dos braços fortes do camisa 10 da melhor forma possível que não o acorde. O moreno consegue, um pouco pelo fato do sono pesado do outro, e se encaminha ao banheiro para fazer suas higienes matinais aproveitando para tomar um banho morno e se preparar para um dia de treino intenso.

Quando termina e sai do banheiro vê a cena mais fofa de sua vida, Neymar esfregando os olhos por causa da luz forte do sol que inundava o quarto. O cabelo bagunçado e o rosto inchado só o deixavam mais adorável.

— Bom dia, flor do dia — Philippe fala sorridente enquanto procurava seus meiões dentre toda aquela bagunça que chamava de quarto.

— Bom dia. Eu acho. — Neymar nunca foi de ter o melhor humor matinal, mas era só dar um café da manhã bom o suficiente para restaurar sua energia que ele voltava ao normal.

— Anjo, se quiser tomar café com calma melhor se apressar. Tite pediu que encontrassemos ele no campo 3 às 8:30 e já são 7:20. — Coutinho diz de forma carinhosa enquanto observava o outro se levantar devagar da cama e ir em direção ao banheiro murmurando xingamentos a quem ele visse pela frente.

Depois que Neymar fica pronto os dois descem para a cafeteria conversando sobre bobagens e rindo.

 

O treino foi intenso, os jogadores voltaram com a camisa pingando, mas estavam felizes por terem a chance de representar o Brasil em um campeonato tão importante como aquele. Tite já tinha liberado todos para o vestiário para que tomassem um banho e descansar pelo resto do dia que teriam uma reunião mais a noite para discussão de esquema tático para o jogo da suíça.

Todos os chuveiros ocupados, o barulho de cantoria e conversas preenchia o local. Neymar e Philippe tomavam banho em chuveiros vizinhos enquanto conversavam sobre o primeiro jogo da copa que teriam.

— Mano, escutei que esses jogadores da Suíça, principalmente o camisa 11, são meio violentos. Acho melhor  você comprar rodinhas, para não cair enquanto corre — Coutinho disse olhando para o amigo enquanto tentava segurar a risada.

— Muito engraçado, Senhor Philippe  — Neymar fez uma careta para o outro, mas logo sua expressão se tornou tensa.

— O que foi, Ney?

— Não é só que  — A pausa deixava claro a confusão mental do garoto de apenas 26 que carregava uma pressão enorme nas costas  — Estão colocando tanta expectativa e responsabilidade do Brasil ganhar o hexa nas minhas costas que estou começando a ficar preocupado. Não só a mídia, mas também nas redes sociais. Eu acabei de voltar de uma recuperação de 3 meses, não sei se estou 100% ainda.

— Não fala isso, estamos contigo e você sabe disso. Caralho, nunca conheci alguém que jogue tanta bola quanto você. Seus dribles, sua velocidade… É bem impressionante, mas não se sinta obrigado a atender as expectativas dos outros por causa disso, você sabe do seu talento e sabe do que é capaz então joga o melhor que você puder que eu tenho certeza que vai ser mais que o suficiente. Se acalma, menino Ney!

Um sorriso apareceu no rosto do camisa 10, mas a única coisa que conseguia pensar era como queria tomar os lábios de Philippe alí mesmo, no meio de todo mundo. Era incrível como aquele garoto lhe fazia bem de todas as maneiras, mas apenas sorriu verdadeiramente para o amigo e piscou rapidamente vendo as bochechas do outro corarem.

— Saindo dessa rasgação de seda, vamo jogar uma partidinha de Fifa antes da reunião do Tite?  — Neymar perguntou enquanto fechava o chuveiro e enrolou a toalha envolta da cintura e saia da cabine.

— Ah menino Ney  — Um sorriso sacana surgiu no rosto de Philippe que fazia o mesmo movimento para se retirar do seu banho  — Se prepare para perder.


 

A televisão exibia o jogo que os dois jogavam, cada um sentado de perna de índio encostados no sofá enquanto riam e cada besteira e tentavam atrapalhar um ao outro. O clima calmo era reconfortante já que estavam vivendo em constante pressão por causa da copa do mundo. Neymar e Philippe eram bem previsíveis, um escolheu o Real Madrid e o outro Barcelona. O camisa 10 se lembrava nitidamente quando sonhava em jogar em qualquer time profissional, nunca tinha passado pela cabeça dele que um dia seria um dos 3 jogadores mais caros do mundo e muito menos que estaria em um jogo oficial da Fifa porém hoje, estava jogando pelo seu país como camisa 10. Um sorriso apareceu em seu rosto involuntariamente enquanto lembrava de como lutou pra chegar onde chegou. Philippe percebeu que o amigo tinha parado de prestar atenção no jogo e o pausou, virou de frente para Neymar e tentou chamar atenção do mesmo para si.

— Ney? Acorda cara, no que está pensando?

Júnior pareceu finalmente acordar das lembranças que estavam rodando em sua mente. Se virou para encarar o homem sentado ao seu lado, que exibia um belo rosto confuso devido a sua viajada.

— Tava pensando em que? Viajou legal…

— Lembrando de quando eu sonhava em jogar profissionalmente  — o sorriso nostálgico apareceu novamente no rosto de Neymar — Para mim, naquela época, era o ápice que eu conseguiria. Jogar em qualquer time pra mim já estava bom. Mal sabia eu que Deus guardava muito mais pra mim.

— Verdade — Philippe sorriu  — Lembro como se fosse ontem eu recebendo a chamada dizendo que tinha sido convocado para o sub-17. Acho que foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Os dois passaram alguns minutos minutos apreciando as lembranças e sorrindo de como sentiam saudades daquela época. Outras lembranças também rodeavam a cabeça de cada um, mas preferiram manter para si todas aquelas memórias de quando podiam ter um ao outro sem muitas preocupações.

— Você lembra? — Neymar sussurrou sem olhar para seu amigo. As mãos já suavam e ele tentava a todo custo se distrair com qualquer outra coisa que não fosse o olhar do outro sobre si — Da gente? Do por do sol?

O coração de Philippe perde uma batida quando ouve as palavras do homem ao seu lado. Um arrepio passou pela sua espinha e não conseguiu pensar em nada por alguns segundos, as palavras e as lembranças rodando em sua cabeça o fazendo ficar um pouco tonto. Respirou fundo e fechou os olhos, depois de um tempo os abriu olhando diretamente para Neymar que mexia em seus dedos tentando dissipar o nervosismo. Um sorriso singelo apareceu no rosto de Philippe.

— Nunca esqueci. Na verdade, eu me lembro todos os dias daquela época.

O camisa 10 levanta os olhos encarando o rosto de Coutinho, o coração disparado batia no peito freneticamente de modo que só conseguia ouvir o som do próprio. Como queria passar as mãos no cabelo do outro, ainda se lembrava dá maciez que sentia nos dedos quando fazia carinho no cabelo do menor que muitas das vezes terminava dormindo.

— Caralho Philippe, não brinca desse jeito comigo. Já tá difícil sem ouvir você falando desse jeitinho comigo. — Neymar se aproximou mais um pouco de Coutinho, conseguia sentir o cheiro dele que ficou inebriado por alguns segundos. Philippe conseguia ver todos os tons de verde dos olhos do camisa 10, a barba que crescia  e que só o deixava mais sexy, as bochechas vermelhas e a boca rosa e tão chamativa que Coutinho não conseguia prestar atenção em outra coisa.

— Eu não sei se…

Neymar não queria ouvir nada que sairia em seguida da boca do menor, então apenas seguiu seus instintos e foi em direção aos lábios de Phelippe. O choque que percorreu o corpo dos dois foi eletrizante que logo juntaram seus corpos de modo que pudessem ficar o mais próximo possível. As mãos de Coutinho subiram para o pescoço de Neymar que puxou Philippe para seu colo, ansiavam tanto por aquilo que não eram capazes de ser racionais e pensarem direito se era aquilo que deveriam fazer, mas não queriam ter lidar com isso. Os dois tinham mulheres, os dois eram comprometidos e os dois trabalhavam em uma das áreas mais homofóbicas existentes no mercado de trabalho, porém todos esses problemas nem passaram pela cabeça dos dois, a única coisa que queriam era curtir um ao outro naquele momento de irracionalidade e desejo.

As bocas se separaram por causa da falta de ar, os dois ofegantes ainda com os corpos colados e os olhares se cruzando de forma intensa. O gosto ainda estava nos lábios de cada um e eles nunca estiveram tão felizes, os corações palpitantes dentro do peito indicavam o nervosismo e a ansiedade presente nos dois.

— Você não tem ideia de como eu queria fazer isso… — As palavras de Philippe saíram como um sussurro, talvez se não estivessem tão perto o outro não tivesse ouvido.

— Nego, eu… — A voz rouca de Neymar causou arrepios em Coutinho, ainda mais com ele dizendo aquele apelido que Philippe fingia que não gostava, mas passou todos aqueles anos ansiando por ouvir a voz do outro dizendo aquelas palavras. O moreno fechou os olhos antes de terminar de falar, dando uma pausa enquanto parecia pensar no que dizer.

— Não fala nada, por favor — Philippe colocou as mãos nas bochechas do maior fazendo carinho — Vamos só… Curtir agora, pelo menos enquanto podemos.

Neymar apenas assentiu com a cabeça juntando os lábios novamente de forma sedenta. Tudo isso provavelmente não acabaria bem, mas os dois não se importavam nem um pouco naquele momento.



 

Gabriel sabia que não era normal o que estava sentindo pelo seu colega de time. Pensar em um dos seus amigos quase o dia todo e lembrar dele em quase todas as situações passava longe de uma situação comum entre amigos que eram apenas isso. E era o que os dois eram, certo?

O camisa 9 se levanta da cama e se dirige a sacada do quarto do hotel. Passou as mãos nos cabelos e suspirou pesado, sua cabeça já estava começando a doer de tanto pensar naquele assunto. Precisava dar um jeito nessa história, não poderia arriscar todo seu sonho por uma loucura.

A porta abre e Gabriel se assusta com o barulho, não lembrava de ter dado a chave para alguns dos seus amigos então foi em direção a entrada. Quando chega, vê Roberto se sentando em frente a televisão e a ligando logo em seguida. A confusão era visível no rosto de Jesus.

— Cara, o que cê tá fazendo aqui uma hora dessas?

— Ah, tava entediado no meu quarto. Aí vim pra cá — Firmino pareceu notar a presença do outro alí, mas balançou os ombros como se não se importasse — Quer ver um filme comigo?

Gabriel pensou por alguns segundos e logo se sentou ao lado de Roberto que colocava na Netflix. Seu coração já deu uma acelerada apenas por estar perto do outro, mas tentou se controlar e pensar em qualquer outra coisa que não fosse o corpo de Firmino perto de si.

— Ação ou Comédia? — A voz do camisa 20 o fez acordar da discussão interna que estava tendo. Balançou a cabeça e dispersou aqueles pensamentos da sua mente pretendendo focar em apenas ver um filme com seu amigo que passava distraidamente pelos inúmeros títulos do catálogo da Netflix.

— Comédia, óbvio.

Roberto selecionou Minha Mãe É Uma Peça, mas quando o filme estava para começar o celular do mesmo tocou, o moreno pegou o aparelho no bolso e viu quem estava tentando falar com ele. Sua feição se transformou em desagrado e ele rapidamente desligou o telefone sem atender. Gabriel não entendeu muito bem o que tinha acabado de acontecer, se virou para o amigo sem se importar com o filme passando na televisão na frente dos dois.

— Bobby, quem te ligou? Algo importante?

— Era só a Larissa, minha ex-mulher —  Um suspiro cansado escapou por entre os lábios do mais velho que passou as mãos nos olhos e se virou novamente para a televisão fingindo prestar atenção no que acontecia no filme quando, na verdade, era a última coisa que se passava pela sua cabeça.

— Vai me explicar essa história ou vai esperar a gente ganhar o hexa para isso? — A voz de Gabriel demonstrava o tamanho da curiosidade do mais novo. Como assim algo tão importante como aquilo não foi contado a ele? Ele e Firmino não eram tipo melhores amigos na seleção?

Roberto pegou o controle e pausou o filme, passou a mão pelos cabelos novamente demonstrando o nervosismo que o consumia e logo depois se virou para seu colega de time.

— Quando eu e Larissa fizemos quatro anos de casados eu fui vendido para os Hoffenheim — A voz de Firmino tinha se tornado um pouco mais séria e Gabriel, a cada minuto que passava, ficava mais nervoso com o andamento daquela história — Lá eu descobri algumas coisas sobre mim e mais ou menos um ano depois disse que queria o divórcio porque não conseguiríamos nunca sermos felizes juntos. Larissa não aceitou nem um pouco bem e se recusou a assinar os papéis até alguns anos atrás, apesar de não moramos juntos desde que falei que queria me separar. Mas ela ainda me liga sem nenhum motivo aparente, só pra encher meu saco ou qualquer coisa do tipo. Ela ainda não superou completamente, mas ainda assim sinto um carinho enorme por ela.

A cabeça de Gabriel já tinha começado a rodar novamente. Aquela história parecia tão surreal, mas ao mesmo tempo uma felicidade enchia seu peito, por mais que tentasse se enganar dizendo que era porque agora seu amigo estava mais feliz, mas sabia muito bem que não se tratava disso.

— O que você descobriu sobre si?

Jesus conseguiu ver Roberto segurar a respiração por alguns segundos antes de soltá-la. Era visível que o outro estava apreensivo com a revelação que estava prestes a fazer. Remexeu seus dedos entre as mãos e passou a mão no cabelo. Gabriel já estava começando a ficar impaciente com todo aquele mistério.

— Fala logo, cara. Não pode ser tão ruim assim.

— Gabriel, eu sou gay.

Os olhos de Jesus se arregalam demonstrando total surpresa pela revelação do mais velho. Ele realmente não esperava por isso. Novamente a chama de felicidade se acendeu dentro de seu peito, mas ele não conseguiu encontrar uma desculpa boa o suficiente para justificar aquela sensação, então resolveu apenas fingir que não estava acontecendo.

— Mas, você tem certeza?

— Que gosto de caras? — Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto, como se lembrasse de situações anteriores bastante agradáveis — Sim, tenho certeza. Talvez até demais.

Gabriel então olhou para frente, não necessariamente para a televisão que permanecia ligada no filme que não interessava a nenhum dos dois no momento. Uns minutos se passaram e os dois permaneciam em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos.

— Foi por isso que você resolveu acabar com tudo? — A voz de Gabriel rompeu a quietude do quarto, exceto pelo filme.

— Não acha um motivo bom o suficiente? — Roberto indagou, com uma expressão de curiosidade um pouco de deboche. Jesus respirou fundo antes de responder, odiava quando o mais velho olhava desse modo para ele.

— Só estou tentando entender — Gabriel resmungou sem olhar nos olhos do outro. Por alguns segundos permaneceu olhando para os cantos do quarto, mas uma pergunta martelava em sua cabeça desde a revelação do outro sobre sua orientação sexual.

— Como você descobriu? Quero dizer, sobre ser gay e tudo mais…

Roberto pareceu pensar por alguns segundos tentando achar onde tudo tinha começado. Realmente, se perguntava como não tinha percebido antes quando a realidade estava nítida na sua cara, bem embaixo do seu nariz.

— Acho que eu tinha acabado de virar titular do Fluminense — Firmino pausa sua história conferindo as informações — É, isso mesmo. Depois de virar titular, eu e Larissa tínhamos acabado de fazer 4 anos de casamento e eu estava completamente feliz com meu relacionamento. Foi quando eu conheci o Henrique, ele era médico estagiário do Fluminense e nós nos tornamos amigos muitos próximos em um período curtíssimo de tempo, o pessoal deu uma estranhada mas ninguém realmente se importou porque o Henrique também era amigo deles fazia bastante tempo.

Gabriel parecia prestar atenção a cada palavra dita do mais velho, sua cabeça assimilava toda aquela informação, mas não parecia estar sendo capaz de formar uma conclusão sobre aquilo que estava escutando.

— O que aconteceu foi que, com o tempo nossa amizade foi ficando muito íntima. Íntima demais para os padrões de amizades masculinas, eu comecei a estranhar, mas resolvi fingir que não era nada, que não passava de coisa da minha cabeça. Porém, em uma noite que ficamos presos no vestiário por causa de uma tempestade ele me beijou, de primeira eu assustei muito, mas comecei a perceber que um simples beijo daquele homem tinha me causado mais sensações que qualquer beijo que eu tenha recebido da Larissa. Foi alí que eu soube. O final é bem ruim, acho que você não precisa saber, vai acabar com a história de amor.

Jesus ainda não conseguia formular uma palavra sequer, sua cabeça rodava e se sentia tonto. De toda aquela história tinha se identificado com grande parte dela e agora estava mais assustado do que nunca. Como assim, aos 21 anos, tendo certeza da sua heterossexualidade, Gabriel se vê atraído por um cara? Talvez não fosse tão hetero quanto pensava.

— Por que todas essas perguntas, Gabe?

— Acho que talvez… Eu possa… Ser… — Jesus não precisou terminar de falar para Roberto entender sobre o que aquilo se tratava. Conhecia toda aquela confusão de longe, tinha passado por aquilo anos atrás e não tinha sido uma sensação muito agradável.

— O que você sente perto desse cara? — Firmino exibia uma tranquilidade incrível, que querendo ou não acalmou um pouco o menino de 21 anos que parecia estar entrando em um sério conflito interno e Roberto faria o que tivesse ao seu alcance para ajudá-lo.

— Eu penso nele. Muito. Na maior parte do meu dia ele está no meu pensamento. Acho ele lindo, mas lindo mesmo, mais bonito que qualquer outra pessoa que eu já tenha visto. Ele me deixa com o coração acelerado e minha respiração descontrolada só de sorrir para mim. — As palavras saíram da boca de Gabriel de uma vez só, sem que o garoto conseguisse as controlar. Estava guardando aquilo dentro de si a tanto tempo que depois que terminou de falar sentiu um peso sendo retirado de suas costas.

Roberto pareceu estar absorvendo as palavras de Jesus. Seus olhos distantes mostravam que ele pensava na melhor forma de lidar com a situação. Respirou fundo e sorriu para Gabriel tentando, mesmo que de forma falha, acalmá-lo um pouco.

— Gabe. Talvez você tenha sim atração por um cara, acho que está meio óbvio que é bem provável essa possibilidade — Firmino não sabia como dizer as próximas palavras, aquilo definitivamente não seria fácil para o garoto, mas tinha certeza que resolveria seu problema — Mas eu sei como te ajudar a resolver essa dúvida.

Gabriel ficou confuso por alguns segundos. Não estava entendendo o que Roberto estava querendo dizer com aquelas palavras. O amigo começou a se aproximar de Jesus, o coração desse acelerava a cada momento que a distância deles diminuía. Sentiu o cheiro de sabão de Firmino, provavelmente tinha tomado um banho antes de invadir o quarto do artilheiro.

Roberto pegou na mão de Gabriel e se levantou puxando o amigo para lhe acompanhar até outro cômodo. Foram parar na cozinha, Firmino colocou Jesus contra a pia e o garoto automaticamente repousou suas mãos ao seu lado, dando um suporte que ele desconfiava que suas pernas não seriam capazes. Ele via seu amigo se aproximando a cada momento, começou sentindo o cheiro dele, depois começou a notar os tons dos olhos amendoados do maior, logo em seguida sentiu o hálito fresco batendo contra seu rosto se misturando com o seu próprio e Gabriel duvidava que fosse capaz de ter qualquer reação. Roberto se aproximou mais um pouco, colocou as mãos na cintura fina do mais novo e passou seu nariz pela extensão da bochecha fazendo Jesus soltar toda a respiração pela boca em uma tentativa falha de controlar todas as sensações que estava sentindo.

— Você é tão bonito… — A voz de Firmino saiu rouca e grave, parecia cheia de desejos escondidos por trás do que dizia — E não tem nem ideia do quanto, acho que isso só o deixa ainda mais bonito.

Gabriel não aguentava mais, estava desesperado para tocar os lábios do amigo, esse desejo corroía seu ser fazia algum tempo e alí, com ele tão perto de si, não foi capaz de se segurar e pensar duas vezes antes de tomar uma atitude. Rapidamente subiu suas mãos para o pescoço do maior e puxou a boca do outro de encontro com a sua, colando seus corpos da melhor forma que conseguia. Seu corpo e sua boca ansiavam por qualquer toque por parte de Roberto. Os dois ofegavam intensamente e juntavam seus corpos de maneira desesperada, os dois sedentos pelas sensações que causavam um no outro. Os pelos do corpo de Gabriel se arrepiaram quando Firmino passou as unhas curtas em sua nuca, em contrapartida Jesus puxava os cabelos do outro o fazendo respirar cada vez mais forte tentando conter os fracos gemidos que insistiam em fugir da sua boca.

Se separaram depois de um tempo, não sabiam se ficaram ali minutos ou horas, mas suas bocas vermelhas denunciavam o ocorrido. Os dois ofegavam e ainda metiam seus corpos grudados. As testas coladas e o coração acelerado eram as únicas coisas que sentiam. Nunca tinham sentido sensações como aquelas, o corpo inteiro estava em chamas e as mentes bagunçadas pelo cheiro um do outro e do gosto do beijo na boca.

Percebem a situação que estão quando ouvem uma leve batida na porta, Roberto se separa devagar de Gabriel dando um selinho rápido que o garoto não consegue nem desviar, caminha vagarosamente para a porta que se encontrava ao lado de onde estavam, Firmino pisca para Jesus que sente suas bochechas se esquentarem. O camisa 20 abre a porta e esboça um sorriso, dá um toque de mão na pessoa do outro lado deixando claro que era alguém da seleção.

— Ué Fir, o que cê tá fazendo aqui uma hora dessas? — A voz de Alisson chega até os ouvidos de Gabriel que parece finalmente acordar do transe que estava pôs beijar seu melhor amigo. Ele se desencostou e vai em direção a porta cumprimentar o goleiro.

— Eu que te pergunto Alissinho — Roberto devolve a pergunta enquanto passa pela porta indo em direção ao seu quarto, por um segundo os olhares dos dois que a uns minutos atrás estavam aos beijos na cozinha do quarto que se encontram e os dois se arrepiam.

— Gabe, depois a gente termina a conversa. Vejo vocês mais tarde — Firmino fala novamente sem dar a chance do goleiro sequer responder. O homem sai pela porta dando tchau aos amigos que assistem ele entrar pela porta do quarto.

Alisson se vira para Gabriel que ainda olhava fixamente para a porta tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer.

— Cara, eu preciso muito conversar com alguém

Jesus indicou que o amigo deveria entrar. Os dois se sentam no sofá e o goleiro aparenta um nervosismo enquanto brinca com as unhas recém cortadas.

— Fala logo, mano. Odeio ficar curioso.

Alisson respira fundo tomando coragem de dizer o que tinha acontecido minutos atrás. Ainda sentia tudo em seu corpo, as sensações e emoções caminhavam pelas extremidades do seu corpo causando arrepios. Levantou os olhos para o dono do quarto e finalmente pareceu que tinha tomado coragem para dizer.

— É sobre mim e Thiago. Ele quase me beijou e eu não faço ideia do que fazer.

 


Notas Finais


Espero que tenham se divertido!!!
Falem casais que vocês querem ver aqui.


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