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História What About Us? - Capítulo 1


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Notas do Autor


OI OI GALERE!

faz tempo que eu não faço uma fic com drama e romance no estilo do amor da minha vida vulgo for you, entao eu resolvi trazer essa q tava há tempos na minha mente!

n sei se vou fazer aesthetics, mas se vcs quiserem eu faço q

esse cap é realmente difude e eu já aviso q é melhor ler c um lencinho do lado q

espero que gostem!
boa leitura!
perdão por qualquer errinho! <3

Capítulo 1 - Um; machucados abertos.


Fanfic / Fanfiction What About Us? - Capítulo 1 - Um; machucados abertos.

Pa...pa! Pa...pa!

Um sorriso triste apossou-se dos lábios de Adrien enquanto aquele vídeo repetia diversas vezes na tela brilhante do smartphone. Suspiros saiam por seu peito, que subia e descia com pesar.

Completava três anos que Emilie não estava mais no mesmo plano que ele. Três anos que ele não era agraciado por suas doces risadinhas ou seus abraços caridosos. O último havia sido três anos antes e ele não conseguia sentir menos do que dor.

Desde o nascimento, Adrien sabia que Emilie não viveria muito. A pequena Agreste nascera com uma atrofia cardíaca, e mesmo sendo atendida pelos melhores e mais respeitados médicos da Europa, Emilie não sobreviveria. Era algo já previsto, sem muito o que remediar.

Além disso, a loirinha de olhos acastanhados – puxados da mãe, Kagami – nascera em uma época horrível. Adrien estava assumindo o lugar do pai, não tinha muito tempo para a família e o cansaço disputava todos os dias com seu espírito animado. Ir para o hospital nos primeiros meses de vida de Emilie – quando os médicos buscavam com perseverança um modo de salvá-la – era algo desgastante.

E com o passar dos meses, as brigas com Kagami eram constantes.

Ela não estava errada em cobrar-lhe a presença do modo que cobrava, e ele sabia disso. Não estava em época de viajar por causa de trabalho, tinham uma pequena guerreira em casa e Emilie precisava de atenção redobrada. Kagami já havia sido alertada que complicações viriam, e ela não estava preparada para arcar sozinha com aquilo.

Mas Adrien estava dividido. A mente estava pesada. Tudo estava pesado e confuso. Seu pai o cobrava do outro lado, culpando-o por ter arrumado uma responsabilidade ainda maior naquele momento que ele sempre soube que chegaria. Kagami queria-o por perto. Ele não soube dizer quando tudo colapsou, ou quando ele parou de ir em um horário considerado razoável para se chegar em casa.

Pagava uma enfermeira para ajudar Kagami e tinham uma equipe médica a disposição. Ajudava o pai como podia, não dormia direito e tentava ao máximo passar um tempo com Emilie quando conseguia.

Todavia, arrependia-se naqueles momentos  por não ter feito mais, por não ter se doado mais. As palavras duras de Kagami quando pediu o divórcio logo após o hospital ter declarado Emilie como morta após uma parada cardiorrespiratória ainda ecoavam em sua mente. Havia sido um péssimo pai, e nenhum dos mimos que dera a garota foi suficiente para mudar isso.

O pouco tempo de Emilie na Terra – seis anos e três meses, exatos – foi marcado por muito luxo, mas não por presença familiar. Kagami sempre tentava estar presente e a levava para onde ia, mas Adrien nem sempre podia. O tempo o deixava mais atarefado, as obrigações cresciam. Ele quase não conseguia ir em apresentações escolares da pequena Agreste na escolinha, e eram esporádicos os dias que ele a buscava na escola. Quando chegava estressado, seu rumo era o quarto.

E foi só após a partida da garota que Adrien percebeu tê-la tratado exatamente como seu pai o tratava. Isso o corroía como ácido, queimando-o por dentro. Ele não havia sido um bom pai como prometera a Kagami quando ela apareceu com o teste positivo no quarto. Não havia tratado a própria filha como deveria.

Poderia ter feito aqueles seis anos serem os melhores para ela, poderia ter tido mais memórias com ela, mas a maioria que tinha eram vídeos. Não estava em casa quando ela deu os primeiros passos, muito menos quando começou a falar. Quando completou um ano, mal pode participar da festa. Os primeiros meses de Emilie na escolinha foram marcados por inúmeros eventos que ele não presenciou, afinal, estava passando uma temporada em Londres a pedido de alguns investidores que gostavam de seu trabalho e Kagami não poderia abandonar Paris, estava sendo treinadora de uma jovem equipe de esgrimistas com enorme potencial.

E durante aqueles seis anos, quanto mais ele tentava se aproximar, mais longe ele estava. Kagami não  conseguia lidar com aquilo. Não era pertinente quando namoravam, ambos eram ausentes pelos empregos sempre tão distintos, contudo as coisas mudavam quando se adicionava uma criança. Ela queria o apoio e a presença dele, queria ele ali junto com ela. Haviam jurado em um altar estar ali um pelo outro, certo?

Se perguntava em muitas noites o porquê de ele não estar ali, então, quando ela mais precisou.

— Senhor Agreste?

A voz baixa e reclusa da secretaria fê-lo desviar a atenção, bloqueando a tela do aparelho e fitando-a. Rose Lavillant era uma adorável jovem de vinte e quatro, com uma vitalidade incrível. Adrien invejava toda aquela vida que transbordava pela Lavillant.

— Sim? 

Sua voz – como já era de costume – soou monótona e um tanto vencida.

— Senhorita Tsurugi deseja vê-lo.

Adrien suspirou e deixou que ela entrasse. Mesmo que não fossem mais casados, sentiam uma consideração um pelo outro. Se conheciam há mais de dez anos, namoraram na adolescência, as famílias eram amigas. Não tinha como deixar de escanteio todos os incontáveis momentos que passaram juntos.

Kagami sentia o mesmo.

Não o amava como antes e sabia que não davam certo juntos. Tiveram provas suficientes durante o casamento, mas ele ainda era uma peça importante em sua vida e ela gostava da amizade que ele a oferecia. Quando pisou na saleta do escritório, seu olhar logo se recaiu nele e ela suspirou.

Não tinha coragem de dizer bom dia.

— Adrien.

Saudou-o com pouca animação. Adrien levantou-se para cumprimentá-la. Kagami aceitou o beijo que ele dera de modo terno em sua bochecha.

— Kagami. — Adrien encarou-a. — Achei que fosse passar o mês no Japão.

— Vim visitar Emilie. — Momentaneamente, Kagami pareceu abatida. Desviou o olhar e brincou com as mãos. —  São... três anos. Ela estaria com nove hoje...

Adrien suspirou pesado.

— A vida é uma merda as vezes.

Kagami riu sem vontade.

— Mamãe também irá e eu queria saber se gostaria de ir conosco. Vamos as quatro. Levaremos flores e passaremos alguns minutos no cemitério.

Adrien odiava Tomoe, principalmente porque a mulher vivia certa. Ele pensou em recusar, mas não tinha a mínima vontade de ir sozinho ou com outra pessoa que não o entendesse como Kagami entenderia.

Encarou-a e então suspirou.

— Eu te encontro lá.

[...]

Adrien saiu de seu carro as três e cinquenta. Segurava um buque de rosas brancas e um ursinho de pelúcia adorável. O terno preto caia como uma luva em seu corpo, e parecia menos abatido do que realmente estava. Caminhou com lentidão, de modo calmo, mesmo que estivesse deveras ansioso.

Teve que esperar poucos minutos antes que Kagami chegasse acompanhada da mãe. Tomoe Tsurugi mantinha-se séria, e era uma ironia para Adrien que – mesmo cega – a mulher sempre tivesse noção de tudo ao seu redor. Não precisou aproximar-se para notar sua presença.

A careta de desgosto também não demorou a se formar no rosto da mulher, que se soltou de Kagami e preferiu ser acompanhada do guarda-costas brutamonte que logo saiu do carro. A Tsurugi mais nova, no entanto, parou ao lado de Adrien. Carregava flores, assim como ele.

— Desculpe por mamãe, ela...

— Ela tem os motivos dela.

Adrien suspirou, assim como Kagami.

Ela sabia os motivos de Tomoe, e não concordava em parte, todavia, ela não a julgava. A situação era algo que não tinha como julgar, não quando ela não tinha noção de como reagiria. Adrien havia sido – sem dúvidas – um péssimo genro. Nunca havia feito os gostos de Tomoe, que achava a relação precoce. Viviam em um pequeno e indescritível pé de guerra, que se intensificou quando Kagami engravidou.

— Vamos. — Kagami murmurou. — Eu ainda vou pegar o voo hoje para o Japão. Mamãe não quer ficar mais do que o necessário aqui.

— Sua mãe anda continua sendo controladora.

Kagami olhou-o feio em uma repreenda.

— Fo ela quem me ajudou quando você não estava lá, não tem moral para falar dela, Agreste.

O loiro não respondeu. Não estava querendo brigar ou qualquer coisa do tipo. Estavam ali por Emilie, e ele sabia como ela gostaria de ver os pais ali, juntos e em harmonia.

Mesmo que somente por poucos momentos.

Caminharam juntos pelo local aberto, dotado por uma grama curta e todas as lapides bem distribuídas. A aparência era de um grandioso jardim, nada com túmulos grandes ou mausoléus exagerados. Passava uma certa paz aqueles que ali descansavam, sem exageros. O tumulo da pequena Agreste-Tsurugi ficava perto do tumulo de outros parentes, disposto com uma lapide bem feita e com uma foto de Emilie com um terno sorriso de menina.

Adrien soltou um sorriso triste. Sentia falta – todos os dias – daquele sorriso encantador, e se arrependia ainda mais por não a ter dado o tanto de atenção que poderia ter dado.

— Ela era linda. — Tomoe murmurou quando eles se aproximaram. Apoiava-se em sua guia, parecendo reflexiva. — No espirito principalmente. Uma pena que não tenha tido tempo ‘pra viver tudo o que queria.

Kagami concordou ao ficar ao lado da mãe. Adrien deixou as flores sobre o tumulo coberto pela grama e com pequenas flores nascendo. Deixou o ursinho perto da lapide e se levantou.

Doía.

— Deve ser um alivio ‘pra você, Adrien.

A voz da mulher fê-lo olhá-la.

— Como?

— Um alivio, você nunca quis essa família. Vivia no trabalho e mal ligava para minha neta. É um alivio não ter com o que se preocupar, não é?

— Não. — Adrien murmurou, tentando conter-se. Não era lugar nem hora para falar certas coisas para Tomoe. — Eu amava minha filha e Kagami.

— Claro, Adrien. — Tomoe continuou imóvel. — Você amava ao ponto de sequer tirar tempo ‘pra ela. Ótimo jeito de amar...

— Mãe...

— Deixe-a, Kagami. — Adrien encarou ambas as Tsurugi. — Deixe que ela fale. Ela já deve ter guardado tempo suficiente ao ponto de não respeitar o tumulo da neta.

— Emilie entende, estou dizendo o que Kagami nunca teve coragem. Você nunca as amou, Adrien! Você só amava sua arrogância! Nunca foi homem suficiente ‘pra assumir sua família, só quis crescer e passar a imprensa que era o homem perfeito, com a família perfeita e o emprego perfeito! — A mulher virou-se, pronta para sair andando com a ajuda do guarda-costas. — No fim, você é um nada, Adrien. Seu emprego não vale nada, porque o que você ganhou com ele? Nada, você só perdeu o que tinha. — Parou momentaneamente. — No fundo, você é igual ao seu pai.

Adrien mordiscou o próprio lábio com força, sentindo-se irritado, mas ainda mais chateado. O tom de Tomoe não era raivoso, era sincero e decepcionado.

Kagami foi a única que ficou ali após a mãe se afastar.

— Você pensava isso?

Adrien indagou-a. Kagami ajeitou o sobretudo que cobria seu vestido e desviou o olhar para o horizonte.

— Vamos esquecer o passado, Adrien.

— Me responda!

Ela o encarou.

— Eu achei muita coisa, tanto que casei com você, te dei uma filha. — Ela suspirou. — Você sabe que eu nunca fui uma entusiasta para crianças, foi você quem sempre desejou uma filha. Achei que você fosse capaz de... cuidar de uma família comigo, mas não é algo que você conseguiu. Não te culpo pelas responsabilidades que você aceitou, mas eu te culpo por não ter tentado o suficiente.

Ela segurou-lhe o rosto e sorriu triste.

— Eu amei você e ainda te amo, mas não como antes. Não depois de tudo. Eu fui contra tudo e todos por você, mesmo que você nunca tenha me cobrado isso. Você foi minha primeira paixão, mas... não dá mais. Eu sempre vou te ter na minha mente, como um amigo, mas... apenas isso. — Kagami o abraçou. — Não podemos mudar o passado Adrien, mas podemos mudar o futuro. Espero que sempre se lembre disso.

Adrien retribuiu o abraço, deixando que as lagrimas que segurava caíssem.

— Perdão... — Ciciou. — Eu não... eu não sabia que tudo isso aconteceria... eu queria tanto voltar atrás...

— Eu também... — Kagami sorriu. — Mas infelizmente não podemos. — Ela fechou os olhos e respirou fundo. — Eu preciso ir agora.

— Certo... — Ele se despediu com outro abraço apertado antes de dá-la um beijo na bochecha. — Obrigado...

— Obrigada eu por vir e não... surtar com minha mãe.

Adrien riu baixinho antes de despedir-se dela. Observou-a andar com as mãos no bolso do sobretudo, sem realmente olhar para trás.

E então se viu sozinho.


Notas Finais


;-----------;

to chorando fds

espero que tenham gostado!
obrigada por lerem!
comentários sempre bem vindos!
beijão! <3


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