História What About Us: Brittana - Capítulo 10


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Categorias Glee
Personagens Brittany S. Pierce, Quinn Fabray, Santana Lopez
Tags Brittana, Brittany S Pierce, Glee, Lgbt, Romance, Santana Lopez
Visualizações 68
Palavras 5.045
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, LGBT, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura :]

Capítulo 10 - Capítulo 10


Eu entro no restaurante e a primeira coisa que eu vejo é alguém deitado do outro lado do bar. A porta está se fechando com um estrondo atrás de mim e eu de repente me sinto presa. A pessoa no balcão ergue a cabeça preguiçosamente e eu cintilo meu olhar para a mão onde ela segura uma garrafa de liquido transparente. A mulher tem cabelos curtos loiros e parece estar em seus trinta e poucos anos. Ela diz algo incoerente...

Eu giro lentamente a cabeça para a direita e olho para o resto do lugar. É exatamente como eu me lembro quando tive minha entrevista aqui na semana passada. O lugar é acolhedor.

Uma voz estridente é ouvida através do restaurante e eu volto a cabeça para o balcão onde a mulher ainda está deitada. Mas agora os pés dela estão no ar e eu acho que ela está cantando uma música. Embora eu não tenha certeza da música, é difícil distinguir as palavras ou a melodia.

 - Brittany! -  Uma porta se abre bem ao lado do bar e o Willian (o dono do restaurante) sai correndo com um avental preguiçosamente amarrado na cintura. Ele acena com a mão acima da cabeça e, apesar de estar bem escuro no restaurante, eu posso ver um sorriso muito grande em seu rosto.

 - Ei - eu digo timidamente enquanto me afasto da porta. Will estende a mão e eu avanço para cumprimentá-lo e quando ele solta eu tento secar minha mão sorrateiramente no seu jeans. Eu não sei se ele estava realmente soado ou se era outra coisa.

Eu realmente espero que seja apenas água.

Depois que Will apressadamente me apresenta a mulher que está deitada no balcão do bar, ele diz que ela vai me guiar e então eu posso ir até o quarto dos fundos pegar minhas roupas de trabalho.

A mulher, que Will apresentou como April, balança as pernas para fora do balcão e continua cantando aquela música que ela estava cantando mais cedo. Ela começa a se afastar de mim, eu decido segui-la, já que Will disse que ela iria me mostrar o lugar.

 - Okaay - April se arrasta e para diante de uma mesa.  - Eu estarei trabalhando como garçonete, como o Will provavelmente já avisou.

Eu tenho dificuldade em ouvir o que ela está dizendo, me concentro mais em garantir que ela não quebre nada com aquela garrafa, que agora está balançando perigosamente na sua mão perto de um vaso na mesa.

 - Ótimo -  eu digo enquanto April quase bate em torno de vinte taças de vinho em uma bandeja próxima e eu tiro a garrafa da mão dela, fingindo que eu quero um gole.

Há uma porta se abrindo atrás de mim novamente e quando eu me viro, uma menina asiática corre em minha direção.

 - April! -  ela grita e eu sutilmente coloco a garrafa sobre a mesa, me certificando que ela nunca a viu na minha mão.

 - TINA! -  April grita de volta, um pouco mais alto, e eu tenho que tapar os ouvidos para não ficar surda.

 - Você deve ser Brittany, oi! -  Tina diz enquanto pega a mão de April e a leva pelo restaurante em direção à porta perto do bar.

Eu não tenho tempo para responder antes delas irem embora e eu estou sozinha no restaurante.

 - Eu vou te ajudar, desculpe! -  De repente Tina está de volta, sem April, e ela está chegando mais perto de mim. Ela estica a mão para fora e eu a cumprimento. - Desculpe, é uma bagunça aqui de manhã. Bem-vinda! -  Tina diz e eu sorrio timidamente para ela.

Tina acaba por ser uma garota muito legal, e depois que ela mostra o lugar a mim, ela vai comigo para o quarto dos fundos. Ela ficou comigo o dia inteiro e quando os clientes começam a entrar, ela me deu conselhos sobre como ser uma garçonete incrível.

No final do meu dia de trabalho, eu sorrio, porque acho que vou gostar desse trabalho, afinal.

.......

Quando o relógio marca 21h eu saio do elevador em meu prédio e ando em direção à porta da frente. Eu me abaixo para pegar as chaves que estão no meu vaso de flores. Eu parei de guardá-las em minha bolsa, porque sempre perco minhas chaves quando estão lá.

Quando eu estou prestes a girar a maçaneta da porta, alguém sai do elevador e eu ouço risos, em seguida, os sapatos estão clicando contra o chão e eu me viro para ver quem é.

A primeira pessoa que eu vejo é uma garota de cabelos longos e escuros e óculos de sol cobrindo os olhos. Ela está usando um vestido curto com uma bolsa pendurada no braço. Seus dentes são brancos e seu sorriso é contagiante.

Eu devo admitir que ela é linda.

A menina então se volta para outra pessoa e quando eu encontro olhos castanhos quentes, meu coração palpita um pouco. Eu assisto as duas, e elas realmente parecem bem juntas. Eu não sei quem é a outra garota, mas decido, neste exato momento, que não gosto nenhum pouco dela.

Mas então Santana dá um passo em minha direção e seus lábios se transformam em um sorriso tímido e ela me olha de cima abaixo, antes de dizer:

 - Oi. -  E eu levanto a mão e aceno para ela.

Eu faço uma nota mental para parar de acenar para as pessoas que estão bem na minha frente. De repente, a garota ao lado de Santana tira os óculos de sol e eu vejo seus olhos pela primeira vez.

No entanto, ela não encontra o meu olhar.

Seus olhos caem pelo meu corpo, então eles voltam de novo, mas não antes de descansar um pouco em meu peito.

 - Wow -  a garota em um vestido diz, e seu sorriso só cresce.

Se eu levar seu olhar malicioso como um sinal, a garota provavelmente está em meu time, mas ela não está muito interessada em Santana no momento. Eu mentalmente agito meu pensamento quando ela dá um passo à frente.

- Essa é minha prima - Santana desajeitadamente apresenta a menina a mim. E eu fico feliz por estar certa de que a garota não está interessada em Santana. E então eu não sinto mais vontade de odiá-la.

 - Eu sou Sarah, a propósito -  ela estica a mão para fora e eu a cumprimento, mas ela não solta imediatamente. Eu sorrio desajeitadamente enquanto Sarah continua olhando para o meu rosto. Ela olha para os meus lábios e então Santana dá dois passos para frente.

 - Ótimo -  Santana diz e bate as mãos juntas. Eu tiro a mão do aperto de sua prima e Sarah apenas sorri brilhantemente.  - Nós provavelmente deveríamos voltar para dentro agora, Sarah, nós temos um filme para assistir!

Santana me dá um último sorriso antes de se virar e caminhar em direção à porta. Mas Sarah permanece em seu lugar bem na minha frente.

- Você gostaria de assistir ao filme conosco? - Sarah pergunta a mim. Eu rapidamente olho para o rosto dela e então olho para Santana, que está boquiaberta e engole seco enquanto Sarah me encoraja com seu sorriso torto.  - Vamos lá, vai ser divertido! Certo, San? -  Ela se vira para sua prima que acabou de abrir a porta e Santana força um sorriso de lábios apertados antes de responder com uma ‘claro’.

Sarah não me deixa responder, ela só pega minha mão e, antes que ela me arraste, eu tiro as chaves da fechadura da porta.

Sarah coloca uma mão na parte inferior das minhas costas e eu posso sentir o calor através de minha camisa de botão. Quando Santana segura a porta para mim, ela olha para baixo, para onde a mão de Sarah está descansando e ela ergue o rosto para cima. Sarah é muito alheia ao seu olhar, ou ela simplesmente não se importa, porque ela só continua me empurrando para frente até que eu esteja na cozinha de Santana.

- Sinta-se em casa - Ela diz ao indicar um dos bancos para eu me sentar e eu me pergunto se não é algo que Santana deveria dizer e não ela, porque ela nem mora aqui.

Mas eu me sento e não perco a cara feia no rosto de Santana quando Sarah se senta ao meu lado.

 - Nós estávamos indo assistir este filme, porque Santana nunca viu -  Sarah começa a explicar bem ao meu ouvido. Embora ela não esteja sussurrando, eu acho que ela quer que Santana ouça sua conversa também. Porque Sarah dá uma careta divertida para Santana. - que é totalmente louco, porque esse filme é incrível!

Eu vejo como Santana coloca um saco de papel em seu balcão e percebo o quão quieta ela está sendo. Ela estava rindo com Sarah quando elas saíram do elevador, mas agora ela está toda rígida e eu realmente não sei se é porquê eu estou aqui. Talvez ela não me queira aqui, talvez ela só quisesse assistir esse filme sozinha com sua prima e eu estou estragando a festa delas.

Mas Sarah não parece incomodada, especialmente quando ela coloca a mão no meu joelho e se inclina ainda mais perto do meu rosto.

 - O filme se chama 'The Breakfast Club', você viu? -  Ela pergunta.

- Santana! -  eu digo e ela se vira para olhar para mim com curiosidade.  - Você nunca viu esse filme? -  eu pergunto, como se fosse a pior coisa que ela não fez.

Os lábios de Santana se erguem e ela me dá um sorriso brincalhão e revira os olhos.  - Não - ela diz e eu balanço a cabeça, enquanto sorrio.

Mas então seu sorriso desaparece rapidamente e o olhar de brincadeira em seus olhos é substituído por um olhar de... decepção?

Então eu sigo a linha de sua visão e vejo que a mão de Sarah ainda está descansando em meu joelho.

E de repente eu percebo que talvez Santana me queira aqui com elas. Ela só não quer que Sarah esteja tão perto de mim. Talvez Santana quisesse a mão dela no meu joelho.

Bem, eu sei que Santana quer a mão no meu joelho, entre outros lugares do meu corpo. Ela me informou muitas vezes isso.

E eu levanto as sobrancelhas para ela, mas ela não responde ao meu olhar. Em vez disso, ela se vira para o balcão novamente e coloca seis garrafas de cerveja ao lado dela.

 - Você pode ir para a sala de estar enquanto eu preparo os lanches - Santana murmura e algo em sua voz parece desligado.

Eu não consigo pensar sobre isso, porque Sarah está puxando minha mão para a sala de estar de Santana e então de repente eu percebo que nunca estive aqui antes. Eu vi o corredor e talvez um pouco de sua cozinha, mas eu nunca estive no apartamento de Santana. Eu meio que quero ir para dentro do quarto e ver como é, mas eu resisto ao impulso.

Sarah pede para eu me sentar no canto do sofá e quando eu sento, ela se senta ao meu lado.

 - Você gosta de cerveja, certo? -  Ela pergunta e eu balanço a cabeça enquanto puxo meus lábios em um sorriso.

Ela sorri de volta e olha para meus lábios até que Santana entra na sala com três garrafas de cerveja e uma tigela de doces.

Santana não olha para nós duas, ela simplesmente coloca o que tem em suas mãos na mesa e depois caminha diretamente para a TV para colocar o filme. Eu sinto os olhos de Sarah do lado do meu rosto enquanto observo a maneira como a camiseta de Santana sobe quando ela estica o braço para alcança e ligar a TV, revelando sua pele macia. E então, de repente, minha respiração engata e eu coloco os lábios na boca e esqueço de como respirar, porque ela é minha fraqueza, junto com o espanhol.

Então Sarah está falando comigo e eu relutantemente mudo meu rosto para ela. Eu perdi o que ela disse, então eu peço para ela repetir.

Ela sorri para mim e diz:  - Eu disse: você gosta de doces?

E eu suspiro e balanço a cabeça para cima e para baixo enquanto ela oferece os doces que Santana colocou na mesa.

 - Obrigada - eu digo e então eu vejo Santana de pé e caminhando em direção ao sofá.

Santana se aproxima de mim e eu vejo no canto do meu olho como ela vem parar na frente de Sarah.

Eu olho para o rosto dela e sua mandíbula está apertando. Santana move a mão para o ar e ela acena na frente do rosto de Sarah antes de empurrar o pé na perna de Sarah.

 - Mova-se - diz Santana. Sarah apenas lhe dá um olhar confuso e eu morde o lábio enquanto observa o rosto severo de Santana.  - Eu disse shoo, este é meu sofá e eu quero sentar aqui - Santana aponta para o espaço que Sarah está ocupando agora.

 - O que? -  Sarah bufa e ela olha para a prima com descrença escrita em todo o rosto.  - Você não pode sentar ali? -  Ela pergunta e aponta para o outro lado do sofá.

Eu coloco seus lábios em minha boca novamente e observo a cena que está acontecendo na minha frente.

 - Não, apenas se mexa - diz Santana, desta vez um pouco mais dura. Sarah visivelmente empurra para trás, mas depois de alguns segundos de intenso olhar, Sarah se move para o outro lado do sofá de três lugares e Santana senta-se rudemente no meio.

Eu mantenho meus lábios enfiados na boca para não deixar um riso sair, mas eu olho para o lado do rosto dela e Santana ainda parece realmente chateada.

Quando ela vira a cabeça e encontra meu olhar, a carranca de Santana se suaviza lentamente e ela morde o lábio, como se tivesse dificuldade em esconder o sorriso também. Suas bochechas começam a ficar vermelhas e ela abaixa a cabeça enquanto pega o controle remoto para começar a o filme.

 - Cale a boca - ela suspira ainda segurando o controle remoto com ambas as mãos e olhando para baixo em seu colo.

Eu bufo e deixo meus lábios formarem um enorme sorriso.  - Não disse nada - eu respondo em um sussurro e vejo as bochechas de Santana ficarem ainda mais vermelhas.

......

Santana sai no meio do filme, murmurando algo sobre um 'banheiro'. Ela ainda não colocou a mão na minha coxa, como da última vez que assistimos a um filme juntas, mas tudo bem, porque ela ainda estava superquente sendo brava com Sarah por estar tão perto de mim.

Sarah decide quebrar o silêncio, mesmo que o filme ainda esteja passando na TV.

 - Você quer outra? -  Ela pergunta enquanto aponta para a garrafa de cerveja vazia na minha frente na mesa de café. Eu sacudo a cabeça rapidamente, eu definitivamente não preciso de outra. Eu já se sinto tonta, mesmo que eu tenha tomado apenas uma.

 - Então, você é nova no prédio? -  Ela pergunta e eu sorrio para ela enquanto balanço a cabeça para cima e para baixo.

 - Sim, me mudei faz algumas semanas -  eu digo e ela sorri para mim.

Sarah então coloca a mão no espaço entre nossos corpos e de repente eu sinto que ela vai se aproximar de mim. De alguma forma, o jeito que os olhos dela estão se fixando em meus lábios e a maneira como o canto de sua boca está levemente inclinado para cima me faz pensar que ela quer me beijar.

E quando o corpo dela se aproxima de mim no sofá, eu tenho certeza de que minhas suspeitas estão certas. Minhas palmas das mãos estão começando a suar e eu olho para os olhos dela enquanto ela ainda está com o olhar fixo nos meus lábios.

Quando ela está tão perto de mim que eu posso sentir seu perfume e ver seus cílios tremerem, ela sussurra solenemente em meu ouvido.

 - Você é solteira, certo? -  Ela diz e eu só posso acenar com a cabeça, não sou capaz de confiar em minha voz, mesmo que eu prefira ter outra latina tão perto de mim, Sarah ainda é muito bonita. Meus olhos estão bem abertos e eu sinto minha boca seca. Ela realmente vai me beijar?

Eu vou deixar?

Então ela deixa as pontas dos dedos deslizarem pela linha da minha mandíbula e eu engulo o nó na minha garganta.

 - Você sabe... -  Sarah levanta o olhar e agora está olhando direto nos meus olhos.  - Quando Santana falou sobre sua vizinho bonita, eu não sabia que eu seria tão bonita...

E o meu peito de repente aperta e as palmas das mãos ficam mais suadas e o meu coração começa a bater forte no meu peito.

Ela falou sobre mim?

Eu quero saber o que mais Santana disse. Ela disse que eu sou bonita. Talvez ela tenha dito mais coisas. Eu me pergunto se ela fala sobre todos os seus vizinhos com sua prima. Talvez ela tenha dito isso de passagem, como 'oh hey, eu tenho uma nova vizinha e ela é bonita'. Ou talvez ela tenha dito mais coisas sobre mim para Sarah. Talvez ela fale sobre mim com seus amigos. Tipo, Puck disse que ela tinha falado sobre mim, mas eu achava que ele estava apenas brincando. Talvez ela fale de mim?

Meu coração palpita de novo e eu sinto meus lábios curvados para cima, e Sarah deve ter interpretado isso como um agradecimento ao seu elogio, porque ela está inclinada para frente e eu só percebo que ela está se aproximando quando seu nariz roça minha bochecha e sua mão se move para a parte de trás do meu pescoço.

Algo está errado. Eu não sei se está na minha cabeça, ou se é Sarah, mas eu não estou sentindo nada. Eu não estou sentindo ela. Eu estou entorpecida ao seu toque e quando seus lábios roçam o lado da minha boca, eu estou prestes a puxar meu rosto para longe, mas então eu ouço algo colidindo com o chão a alguns metros de distância.

Eu rapidamente viro a cabeça para a fonte do som e Santana está no limiar entre a sala e a cozinha. Sua boca está abrindo e fechando lentamente e ela olha para mim e para Sarah e algo em seus olhos está fazendo eu engolir como se tivesse feito algo que eu deveria me sentir culpada, como se eu tivesse feito algo que faria Santana se sentir triste.

De repente, eu olho para o chão e vejo uma barra de chocolate ali. Então eu vejo Santana curvando-se para ela e ela a pega antes de dar alguns passos em direção ao sofá.

Desta vez Sarah não se queixa e apenas se arrasta para o outro lado do sofá, longe de mim.

Relutantemente, Santana se senta ao meu lado, mas desta vez ela deixa algum espaço entre nossos corpos e eu não estou sentada tão perto quanto antes.

Eu olho para o rosto dela e quero que ela encontre o meu olhar, mas ela nem sequer vira levemente a cabeça na minha direção. Em vez disso, ela olha diretamente para a frente na TV, mas é mais como se estivesse olhando pela tela, e não para ela.

Eu suspiro, mas não tento fazer com que ela olhe para mim por mais tempo. Eu estou recebendo totalmente o tratamento silencioso por algo que eu nem fiz. Ela não tem o direito de estar com raiva de mim agora, e ainda assim, ela está apertando sua mandíbula como se ela estivesse realmente brava.

.....

O filme está tocando a última música e os créditos estão rolando. Sarah quebra a tensão um pouco estranha, dizendo que ela provavelmente deveria ir para casa, está começando a ficar tarde. Eu olho para o relógio na parede de Santana e são 23:30.

Sarah se levanta e eu dou um pequeno sorriso quando ela olha para mim. Santana ainda está sentada ao meu lado com os braços cruzados, nem se incomodando em dizer alguma coisa para Sarah.

Eu assisto quando Sarah recolhe sua bolsa e sua jaqueta e, em seguida, ela caminha em minha direção e eu me levanto para apertar sua mão ou o que quer que seja. Eu acho que deveria dizer tchau a ela, de alguma forma.

Em vez disso, Sarah para na minha frente e se inclina para frente até que ela sussurra em meu ouvido.

 - Posso falar com você lá fora? - Ela pergunta e eu arregalo os olhos, percebendo que talvez não seja uma boa ideia ficar sozinha com ela. Mas eu digo ‘sim’ e a sigo pela porta.

Eu ando com ela e não me viro para ver o olhar no rosto de Santana. Sarah fecha a porta atrás de mim quando nós duas estamos no corredor.

Ela vem para ficar na minha frente e me dá um sorriso tímido. Eu o devolvo e então olho nos olhos castanhos dela. Eles não são do mesmo tom que os de Santana, mas ainda são castanhos.

Elas são bem parecidas. Bem, elas são primas, afinal.

 - Eu só queria perguntar a você -  sussurra Sarah e eu abaixo a cabeça para olhar para ela. Ela sorri antes de continuar.  - Eu gostaria de... -  ela para e então ela balança a cabeça e eu ergo a sobrancelha como se dissesse para ela continuar.  - Você iria a um encontro comigo?

E minha boca se abre e eu fecho os olhos por dois segundos antes de abri-los novamente. Mas Sarah ainda está lá, uma garota que eu conheci a apenas três horas, me convidando para um encontro.

E eu olho em seus olhos castanhos e oh, como eu gostaria que eles fossem aquele outro tom de marrom. E como eu desejo que seus cílios fossem mais longos e mais grossos, e que seu sorriso me deixasse louca da melhor maneira. E como suas covinhas poderiam fazer meu estômago vibrar com borboletas. E eu desejo que o toque de sua pele em minha pele faça todo o meu corpo formigar.

E merda, como eu queria que fossem os lábios de Santana que tivessem acabado de formar essas palavras. Eu faria qualquer coisa para ouvir essas palavras sendo proferidas da boca de Santana. Qualquer coisa.

Mas não é Santana, Santana nunca diria algo assim. Ela não namora ninguém. Pelo menos não mais.

Não, esta é a Sarah. Sua prima. A prima de Santana está me convidando para sair e a única coisa que eu posso fazer é um som estranho na minha garganta e lentamente balançar a cabeça para cima e para baixo, porque foda-se.

Se Santana não quer namorar comigo, eu posso ir a um encontro com sua prima. Isso é o mais próximo que eu poderei namorar Santana.

E Sarah está sorrindo de orelha a orelha e ela pergunta ‘Sério?’ e eu diz ‘sim, claro’ e então ela me abraça e coloca um pequeno beijo na minha bochecha esquerda.

 - Me dê o seu número, eu vou te mandar uma mensagem marcando a hora e lugar - ela diz e seu sorriso só cresce quando eu digo meu número a ela.

Quando ela termina, ela me dá mais um beijo na bochecha e eu gostaria que ela parasse de fazer isso, porque é o tipo de coisa de Santana.

 - Vejo você então - diz Sarah antes de desaparecer dentro do elevador, e as portas se fecham.

Eu respiro três vezes antes de voltar para o apartamento de Santana.

Ela está na cozinha e eu me sento em um dos bancos enquanto ela faz um sanduíche.

Ela não olhou para mim ainda, mas eu não estava esperando por isso, então eu não estou decepcionada. Ela está colocando pedaços de queijo em seu sanduíche e quando um cai no chão, eu estou rapidamente em pé para pegá-lo para ela.

Eu seguro o pedaço de queijo na frente de meu rosto e ela não tem outra escolha senão olhar em meus olhos quando ela pega o queijo de meus dedos.

 - Sua prima meio que me convidou para sair - eu digo quando seus dedos roçam um pouco o meu.

Seus olhos piscam duas vezes para o meu rosto antes de jogar o queijo na pia. Ela lentamente desloca o olhar por todo o meu rosto e eu me sinto quente sob seu olhar.

 - O que você quer dizer com 'meio que'? -  Ela pergunta e meus olhos se arregalam levemente, porque ela está sendo realmente mal-humorada hoje.  - O que você disse? Você disse sim? -  Ela olha para mim com os olhos arregalados e ela está perfurando seu olhar através do meu rosto e está olhando para mim como se ela não pudesse acreditar no que está acontecendo agora.

Eu olho nos olhos dela e ela está examinando meu rosto freneticamente, como se realmente quisesse saber o que eu disse, mas ao mesmo tempo temendo a resposta.

 - Você não vai sair com ela, vai? -  Ela bufa como se essa ideia fosse a coisa mais louca que já ouviu. Santana zomba e cruza os braços.

Eu meio que balanço a cabeça lentamente e seu queixo cai.

Eu estou bem perto dela e nós duas estamos descansando um quadril contra o balcão, encarando uma a outra.

 - O que? -  Santana murmura, nem mesmo pronunciando a palavra com firmeza.

Eu abaixo a cabeça e encolho os ombros.

 - Você está com ciúmes? -  eu pergunto devagar enquanto olho para o seu olhar revoltado.

Santana zomba novamente e aperta os braços sobre o peito.

 - Não, por que eu ficaria com ciúmes? -  Ela diz e sua voz treme no meio da frase e eu assisto seu rosto enquanto ela está olhando de volta para mim. Então ela encolhe os ombros e olha para longe.  - Eu simplesmente não entendo o que é tão legal sobre ela... Ela não é tão bonita assim. -  Santana levanta os braços sobre a cabeça com seu rosto enfurecido.

 - Santana - eu ri e ela olha para mim interrogativamente.  - Sua prima é bonita - eu digo e seu rosto só fica mais amargo e ela cruza os braços novamente.  - Talvez não tão bonita como você, mas ainda assim é bonita.

Há um pequeno sorriso em seus lábios por alguns segundos, mas seu rosto se torna enfurecido novamente.

De repente, eu sinto a necessidade de esclarecer alguma coisa. Então eu encontro seu olhar novamente.

 - Se você tivesse me convidado para sair, eu teria dito sim também - Eu digo e Santana fica quieta rapidamente.  - Mas você não quer um encontro, você não quer namorar, então...

Sua mandíbula se fecha e parece que ela quer dizer alguma coisa, mas então ela morde o lábio superior e engole. Algo passa por trás de seus olhos e então ela me dá um sorriso de boca fechada.

 - Sim, você está certa.

Eu suspiro porque algo em meu coração estava esperando que ela tivesse dito algo como: 'não, Britt, eu quero sair com você. Vamos sair agora mesmo e então podemos voltar aqui e podemos fazer amor a noite inteira e então podemos acordar juntas no dia seguinte e abraçar o dia todo. E então eu posso falar espanhol para você e nós podemos fazer sexo quente no chuveiro e vamos gemer o nome uma da outra até que ambas adormeçam na banheira e então podemos construir um forte na minha sala e morar lá e então podemos nos casar, ter filhos e um cachorro e comprar uma casa e...

Eu balanço a cabeça, porque não... Essa é Santana, e Santana não namora. Ela não quer ir a um encontro ou se casar.

Então eu balanço minha cabeça para cima e para baixo.

 - Sim, quero dizer, eu não quero que você seja minha namorada ou o que quer seja... -  ela diz de repente e encontra meu olhar com uma nova intensidade. Eu arregalo os olhos um pouco e respiro fundo com a palavra ‘namorada’ e mais desapontada com a palavra ‘não’. Esse foi o completo oposto do que eu queria ouvir. Mas eu dou um sorriso forçado e balanço a cabeça algumas vezes, de novo.  - Eu não sou esse tipo de garota. E já que você não quer apenas dormir comigo, eu acho que é melhor se nós tentarmos ser apenas amigas. -  Santana move os olhos para o chão antes de engolir seco e depois olha para mim novamente.  - Então, sem mais beijos nas bochechas. Não mais quase beijando no chão perto do seu sofá e sem beijo durante as compras... -  ela continua e parece que algo está me esfaqueando no peito, mas eu me seguro e continuo balançando a cabeça e pisco os olhos para evitar que lágrimas salgadas escapem. Eu não gostaria de chorar, nem tenho um bom motivo para chorar.

Eu ainda estou de pé perto dela e seus olhos castanhos estão em mim, mas eu continuo segurando o olhar dela. Eu coloco os lábios na boca e seco as mãos no jeans. Por alguma razão, eu me sinto realmente nervosa ou ansiosa, e penso que, se abrir a boca, direi algo estúpido.

 - E agora, você vai a um encontro com minha prima, então... eu acho que é o melhor.

Eu sinto o meu peito apertar e eu abro a boca para dizer algo de volta para ela, mas eu nem sei o que dizer.

Mas então eu endireito as costas e intensifico o contato visual.

 - Sim - eu começo e minha voz soa um pouco rouca e eu limpo minha garganta antes de continuar. - Queremos coisas diferentes, e tudo bem. Vamos ter que ficar apenas como amigas - eu digo e o olhar de Santana não vacila.

No entanto, ela enfia os lábios na boca e embaralha os pés no chão.

 - Sim -  ela diz e assim nós nos despedimos sem mais beijos na bochecha, apenas com um aceno de mão.



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