História What If I Told You A Story - Shirbert - Capítulo 3


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Categorias Anne with an "E" (Anne)
Personagens Anne Shirley Cuthbert, Billy Andrews, Diana Barry, Gilbert Blythe, Marilla Cuthbert, Matthew Cuthbert, Personagens Originais
Tags Anne, Anne With An E, Drama, Gilbert Blythe, Romance
Visualizações 109
Palavras 3.412
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


GENTE MUITO OBRIGADA! Ver os comentários e favoritos de vocês é muito gostoso, porque sei que vocês estão gostando. E por isso, vim trazer mais um capítulo e esse é um dos meus favoritos até agora. Espero que gostem e boa leitura *-*

Capítulo 3 - Metamorfoses


- Posso entrar? – Marilla abriu a porta com delicadeza, colocando a cabeça entre o vão.

Anne estava em frente ao espelho, fazendo suas duas tranças. Ela havia crescido nos últimos meses e seu corpo começava a tomar forma; sutis para terceiros, evidentes para que Marilla Cuthbert se preocupasse com as roupas da menina. Era fato que não possuíam recursos para terem um guarda roupa diversificado e elegante, mas tinham criatividade o suficiente para fazer algo único e prático.

- Anne, veja bem... – ela sentou-se na cama da garota, hesitante por tocar no assunto. Definitivamente não era fácil ter filhos. – Quando fiz esse vestido, você tinha apenas treze anos e, olhe... É natural que esteja crescendo, afinal está ficando mais velha e em breve vai ser uma mulher... O corpo, sabe... O corpo sofre mudanças e...

A ruiva controlava para não rir diante o nervosismo da mais velha. Ela entendia perfeitamente onde a mulher queria chegar; já observara que seu corpo estava mudando e que suas roupas não estavam se adequando perfeitamente a ele.

- Marilla, sei onde quer chegar. – ela pegou na mão de sua mãe adotiva, de maneira a tranquilizá-la. – O vestido está meio curto, mas nada que algumas anáguas velhas não escondam. Não precisa se preocupar com isso.

A mais velha soltou um suspiro de alivio. Anne estava crescendo e amadurecendo em relação a certos temas, o que facilitava o trabalho de Marilla. Ela pediu para que a garota esperasse e saiu do quarto, voltando com um embrulho em mãos. Pôs no colo da mais nova, que abriu curiosa. Três vestidos se revelaram; em tons pastéis, eram para situações diferentes: festa, frio e dia a dia. O último era um tom de verde claro, com a cintura demarcada e uma saia com babados.

- Oh, obrigada infinitamente, Marilla. – os olhos da garota se encheram de lágrimas, e ela abraçou a mulher. – Não deveriam ter gasto tanto dinheiro comigo. Estes vestidos são maravilhosos! Devem ter sido uma fortuna.

- Se engana neste ponto, Anne. – Marilla a contradisse, com um sorriso no rosto. – Uma vez, uma certa ruiva me disse que a imaginação era o maior poder de uma pessoa. Com criatividade e ajuda da Sra. Lynde, incrementamos alguns vestidos que estavam guardados em casa, de quando tinha a sua idade.

Elas estavam de mãos dadas, se admirando. A Cuthbert mais velha observou a mais nova, observando cada sarda salpicada no rosto dela.

- Está se tornando uma bela mulher. – fez um carinho da bochecha da garota. – Precisa de algo a altura. Agora vista-se e vá tomar café, se não se atrasará para o primeiro dia de aula.

Marilla levantou-se e, quando estava saindo, fitou novamente a ruiva.

- As tranças são sua marca, mas talvez devesse tentar algo diferente. – e pôs uma fita um tom mais escuro que o vestido sobre a cama.

Anne ficou sozinha, admirada pelo presente inesperado. Ela se trocou rapidamente e se colocou novamente na frente do espelho. O vestido contrastava elegantemente com os cabelos ruivos, deixando-a parecida com alguém da mais rica família de Avonlea. Pelo canto dos olhos, observou a fita sobre a cama, pensando em algo para fazer no cabelo.

Marilla tinha razão; as tranças eram a marca da garota e, por mais que estivesse crescendo, não queria deixar certas lembranças. Desfez a maria-chiquinha e penteou o cabelo, jogando-o para trás. Com bastante agilidade, fez uma trança que Cole havia ensinado algumas estações atrás. Na ponta, amarrou a fita verde, que se destacava em meio aos fios ruivos.

Uma nova Anne estava nascendo.

***

Uma estranha movimentação chamou a atenção de Gilbert assim que chegou à escola. O grupo de meninos estava reunido do lado de fora do local, perto da bicicleta motorizada da Srta. Stacy. Curioso, ele se aproximou dos amigos, que conversavam sem parar.

- O que está acontecendo? – perguntou, se infiltrando no círculo.

- Billy está abismado com o que viu. – Moody fez graça, apontando para o loiro boquiaberto. – Não queremos ser estraga-prazeres; tire suas próprias conclusões, Blythe. Tenho certeza que ficará sem palavras.

- Do jeito que todos se encontram, suponho que tenham visto um fantasma. – supôs, o que desencadeou risos por parte dos rapazes.

- Se é um fantasma, é um dos mais belos que já vimos. – Moody deu de ombros.

Gilbert estranhou a fala do colega. Moody pouco mudara nos últimos meses; exceto que estava mais falante e até participava das aulas. Ele entrou na escola assim como o amigo indicara, meio receoso. Pôs seu chapéu e seu casaco no armário, logo na entrada, e ao olhar diretamente para onde as aulas aconteciam, ficou em choque.

Se antes seu coração acelerava, agora ele estava saindo pela boca! Assim como os garotos, as meninas estavam em um círculo, rindo e conversando. No centro, uma delas girava com os braços para cima e ria, enquanto agradecia as demais colegas. Gilbert a encarava, hipnotizado. Lentamente, foi se aproximando da colega de classe, sem acreditar no que seus olhos lhe revelavam.

A garota de vestido verde claro foi parando aos poucos quando as amigas cessaram a conversa, e parou exatamente em frente ao rapaz que a encarava, cada vez mais próximo. Anne ajeitou sua trança e engoliu em seco, não conseguindo desviar os olhos do menino.

- Gilbert. – quando ela falava o nome dele, saia como um suspiro.

- Anne. – ele sempre enfatizava o “e” no final, como a mesma fazia quando se apresentava para alguém.

As pessoas em torno deles desapareceram. Ninguém ousava falar uma palavra sequer. Era como se Gilbert e Anne fossem atores e os demais, a plateia. Nem mesmo os meninos, que antes conversavam incessantemente, se atreveram a dizer algo quando entraram na escola. No centro, a ruiva e o moreno se encaravam, sem falar nada. Era o azul mergulhado no marrom e vice-versa.

- Muito bem, pessoal, tomem seus lugares. – Srta. Stacy apareceu, dispersando os alunos. Com certa relutância, o casal quebrou o olhar e se sentaram. – Acordei com algumas ideias diferentes para pormos em prática as teorias. Mas como tenho que corrigir alguns testes, conto para vocês no final da aula. Leitura e síntese; da página 43 até a 70.

Os alunos protestaram, mas confiavam tanto na metodologia da professora que logo iniciaram as atividades. A mulher corrigia as atividades de um projeto extensivo feitas durante as férias; a ideia dela era estender esse projeto para o resto do ano e oferecer para o maior número de pessoas analfabetas e semianalfabetas da região aulas gratuitas.

Discretamente, Ruby passou um bilhete que havia recebido de Billy para Josie Pye. A loira sorriu quando leu o conteúdo e concordou, piscando para o colega. Ruby assistiu a interação com certo receio: mesmo sendo amiga de Josie, sabia que a menina não era a melhor pessoa do mundo e, sempre que se juntava com Andrews, acontecia algum problema.

Mas Ruby não estava interessada em saber o que acontecia, e voltou a atenção para a atividade. De relance, viu que os colegas de classe por vezes largavam o lápis sobre a carteira e massageavam as mãos; Srta. Stacy sabia ser rígida quando necessário. E ao ver que os alunos já estavam cansados, chamou a atenção deles e se posicionou em frente à mesa.

- Podem continuar a síntese em casa. – a mulher sorriu. – Durante as férias, fiquei pensando em maneiras que fariam vocês terem um aprendizado mais dinâmico; por mais que nossas aulas não sejam em métodos convencionais, sei quão entediante pode ser me escutar explicar as coisas. Por isso, nesse semestre, vocês trabalharão a criatividade e, principalmente, trabalhar em grupo.

Os jovens a encararam com expressões confusas. Como assim terão que estudar em grupos?

- Não precisam me olhar desse jeito, eu vou explicar. – ela puxou a cadeira e sentou-se. – A turma vai ser dividida em trios e quartetos, misturando meninas e meninos. Cada grupo terá que se reunir algumas vezes fora da escola e criar uma história, de dez a doze páginas. O tema vai ser livre, desde que respeitem a ética exercida aqui.

Os estudantes vibraram, já combinando com os colegas que tinham mais afeição. Srta. Stacy esperou a afobação da novidade passar para continuar explicando.

- O principal objetivo é aprender a conciliar as ideias de todos os integrantes do grupo e formarem um trabalho interessante, criativo e coerente. E para o desafio ser mais complexo, quem vai determinar os grupos sou eu. – a professora não conteve a gargalhada ao ver o descontentamento dos alunos. Ela já havia observado que a turma ainda possuía muitos pensamentos arcaicos e queria quebrá-los aos poucos. – Muito bem, se levantem, empurrem as carteiras para trás e formem duas filas. Meninas na frente, rapazes atrás.

Como ordenado, eles logo arrumaram a sala. Anne ajudou Diana a empurrar a mesa para trás e elas se posicionaram uma ao lado da outra, esperando que caíssem no mesmo grupo.

- Ok, vamos começar a formar os quartetos primeiro. – a mulher estava animada. – Quando eu chamar o nome de vocês, venham até a frente e esperem eu terminar de chamar as pessoas. Quem já tiver os grupos completos estão liberados.

Seria bondade dizer que os jovens estavam nervosos. A ansiedade reinavam em cada um de maneira que sentiam as mãos suando e os corações batiam descompassadamente. No fundo, esperavam ter pelo menos um amigo em comum.

- Moody Spurgeon. – o garoto congelou ao escutar seu nome, mas caminhou calmamente, ficando de frente para os demais. – Ruby Gillis, Diana Barry e Josie Pye.

Os quatro se reuniram, escreveram o nome deles em uma folha e partiram. Os meninos riram ao perceber que Moody era o único integrante masculino do primeiro grupo, mas Srta. Stacy os repreendeu com o olhar, e eles se calaram. Ela continuou a chamar os alunos, e à medida que os grupos eram formados, a sala ficava vazia.

- Tillie Boulter, Billy Andrews, Gilbert Blythe e... – a mulher analisou a turma. – Anne Shirley-Cuthbert.

A ruiva arregalou os olhos ao ouvir o nome. Em sua cabeça, milhares de possibilidades seriam desastrosas, mas não tanto quanto aquela. Não sabia o que seria mais tortuoso: passar mais tempo com Blythe e ter que assumir para si mesma seus sentimentos pelo garoto ou fingir gostar da presença de Andrews e aturar as ofensas que o mesmo enviaria à ela. “Ao menos tenho Tillie para me ajudar”. Ela sorriu quando a amiga tocou-lhe o ombro e foram assinar a lista. Quando estava para pegar suas coisas, a professora lhe chamou.

- Está muito bonita, Anne. Gostei do novo visual. Parece mais confiante. – a garota sorriu. Ser reconhecida por sua inspiração profissional e pessoal deixou-a nas nuvens.

Rapidamente recolheu seus pertences e saiu com o grupo, já se preparando para as reclamações de Andrews.

- É o seguinte: quanto mais rápido fizermos essas atividades, menos tempo tenho que aturar vocês e a vira-lata de orfanato. Não é só porque mudou os trapos que vestia que parece aceitável. – ele fechou a cara pra Anne, a analisando de cima a baixo. – Podemos nos reunir amanhã em algum lugar, menos na minha casa. Não quero esse tipo de gente visitando meus aposentos. – Billy foi embora, empurrando o ombro de Gilbert, que estava pronto para meter um soco caso ele abrisse a boca para falar mais.

- Não ligue para Billy. Você está linda. – Tillie abraçou a amiga. – Nos vemos amanhã. Tchau Anne, tchau Gilbert.

Os dois ficaram em frente à escola, se encarando.

- Anne.

- Gilbert.

- Já observou que sempre nos cumprimentamos dizendo apenas o nome um do outro? – o garoto comentou, rindo. Ambos olharam para baixo, tentando desviar o olhar. – Billy é um idiota; só sai asneiras daquela boca.

- Já me acostumei ao jeito grosseiro e imaturo de Billy Andrews. Suas ofensas não tem efeito algum sobre mim. – a ruiva disse confiante, encarando o colega. – O que achou desse trabalho?

- Tive sorte de ter caído no mesmo grupo que uma certa ruiva. Reza a lenda que é a menina mais criativa de Avonlea. – ele sorriu ao vê-la ruborizar. – Mas confesso que ter Billy Andrews não me agrada. Vai ser um desafio e tanto.

Anne teve que concordar. Aturar o loiro seria complicado, mas ela teria Tillie e, aparentemente, Gilbert para ajudarem-na.

- Se não se importar... Posso lhe acompanhar até Green Gables? – a garota consentiu. Eles caminharam lado a lado, em silêncio, depois de uma breve discussão cuja Gilbert venceu, e agora o rapaz carregava os livros da colega.

As folhas alaranjadas guiando o caminho marcavam o início do Outono. Anne se distraia olhando para as folhas de pinheiro, característicos da Ilha do Príncipe Eduardo.

- Esqueci de te falar! – Anne falou de supetão, assustando o rapaz. – O livro é maravilhoso! A forma como Júlio Verne descreve a aventura e todos os momentos em que eles encontravam novos desafios... Fico me perguntando se aquilo é, de fato, ficção.

- Quem sabe, quando visitar a Islândia, possa tentar descobrir e depois me contar suas experiências. – ele parou para admirá-la. Anne Shirley-Cuthbert era um ser apaixonante, e contagiava a todos. – Me espere um momento.

Gilbert caminhou até um arbusto e arrancou a única flor que sobrevivera. De tom amarelado, retornou onde a ruiva lhe observava, intrigada. Pediu licença e ajeitou a flor no cabelo dela, apoiada na orelha.

- Não pude deixar de notar a mudança. Está muito bonita. – disse, fitando-a. – Digo, não que eu não te achasse bonita antes, é só que...

Ela riu quando ele começou a gaguejar, pegando a flor de seus cabelos e analisando.

- Obrigada. – ela voltou a olhar para o rosto do rapaz, que estava com as bochechas vermelhas. – E agradeço pela flor. Muito cavalheiro de sua parte. – Anne tocou o braço de Gilbert, e um arrepio percorreu seu corpo. Começava a aceitar que o rapaz tinha certo efeito sobre ela, mas seria tão forte assim?

Retomaram o caminho instantes depois, não tardando a chegar em Green Gables. Gilbert entregou os pertences da garota e despediu-se, não sem antes olhar para trás. Anne abriu o portão e observou o moreno sumir entre as árvores de Avonlea, suspirando.

- O amor juvenil é tão lindo. – a garota se assustou ao ouvir Jerry, que imitava a voz da menina. – Eu, Anne Shirley-Cuthbert, estou perdidamente apaixonada por Gilbert Blythe. Oh, aqueles cabelos castanhos, os olhos... Seus braços musculosos em volta de mim, me protegendo, enquanto faz juras de amor.

O francês começou a rir ao ver Anne extremamente irritada. Ela batia o pé esquerdo no chão, e seu rosto estava totalmente vermelho, até as orelhas. A garota começou a desferir alguns tapas no rapaz, que se defendia em meio à gargalhadas.

- Já parei. – ele ainda estava rindo.

- Você é insolentemente irritante, Jerry Baynard. – Anne lhe deu mais um tapa e saiu pisando forte, rumo a casa grande.

O francês assistiu à cena achando graça, balançando a cabeça. Ele adorava provocá-la; eram como irmãos. Sabia que a amiga tinha sentimentos em relação à Gilbert, e esperava, de coração, que o rapaz não a desapontasse. Anne era frágil; deixava transparecer sua vulnerabilidade com facilidade. Não suportaria vê-la sofrer. Como um irmão protetor, estava determinado em conversar com Blythe sobre as intenções com Anne.

***

Matthew parou em frente à loja de vestidos de Avonlea. Retirou o chapéu da cabeça e ajeitou o cabelo, conferindo também se não estava com mau hálito. Ajustando a roupa no corpo, respirou fundo e, tomando postura, entrou no estabelecimento, ouvindo o sino soar pelo local.

- Oh, Matthew. – Jeannie, dona da boutique, passou a mão no cabelo para ajeitar alguns fios inexistentes. – Que surpresa agradável. O que o traz? – ela estendeu a mão, onde o Cuthbert depositou um beijo.

- O aniversário de uma ruivinha. – ele se sentou, aceitando a xícara de chá oferecida pela mulher. – Anne vai fazer quinze anos em alguns dias, e Marilla e eu tivemos a ideia de fazer uma pequena comemoração, já que é uma idade tão marcante.

- Ela está se tornando uma bela mulher. – Jeannie depositou as mãos sobre o vestido. Ao ver o descontentamento do homem com o assunto, um sorriso acolhedor lhe tomou o rosto. – Você se saiu bem até agora como pai. Vai saber lidar com essa nova fase.

Se encararam por um breve momento, desviando o olhar em seguida. Era incrível que, mesmo com o passar dos anos, o sentimento entre os dois ainda existia. Matthew queria ter coragem de falar tudo o que ficou guardado em seu coração por tanto tempo, mas a vergonha não deixava.

- Mas em que posso ajudar? Talvez levar algum dos nossos vestidos? – Jeannie caminhou até uma arara onde tinha alguns vestidos prontos. – Lembro que Anne gostava de mangas bufantes, tenho uns no acervo e...

- Não, não é isso... Anne ganhou alguns vestidos recentemente e, de qualquer forma, não teríamos dinheiro. – o homem declinou da ajuda.

Jeannie olhou para o Cuthbert, franzindo a testa. Se ele não estava a procura de vestido, o que estava fazendo ali?

- Ah, Anne sempre foi muito grata com quem lhe recebeu bem. Tenho certeza que ela ficaria feliz em te ver em uma data especial. – Matthew contou, como se lesse os pensamentos da mulher. – Mas ela não pode saber. É surpresa.

Ele passou os dados da festa que preparava. Mesmo relutando, era difícil não ser mergulhado naquela maré de sentimentos que ainda viviam nele. Por que amar era tão complicado?

***

- Tenho certeza que Anne vai adorar nosso presente. – Diana estendeu o pano em que bordava, admirando o resultado. Já fazia alguns meses em que ela e Ruby trabalhavam no presente de quinze anos da amiga. Queriam que tudo saísse perfeito.

Ruby deixou a cesta que decorava sobre a mesa, analisando o trabalho da morena. Diana levava mais jeito com bordados que ela, e o resultado estava digno das lojas de grife de Londres, que outrora vira em algumas revistas.

- Diana, quanto tempo você acha que Anne e Gilbert vão demorar para assumir o amor que eles sentem um pelo outro? – ela apoia o queixo sobre a mão, pensativa. – Em breve teremos quinze anos e o mais perto que chegamos de romance foi um beijo que você deu em Moody.

- Ruby, fale baixo! – a morena deu um tapa de leve na amiga, repreendendo-a. – Por que está tão interessada nisso? Achei que Gilbert Blythe tinha ficado em seu passado.

- Eu só preciso de um romance para observar; enquanto Timothy não estiver na escola, não posso me afeiçoar da presença dele. – a menina se jogou na poltrona, frustrada.

A filha dos Barrys observa a loira e ri. Ruby Gillis poderia ser tão dramática quando se envolvia em assuntos do coração. Talvez estivesse andando demais com Anne.

- Bem, sabe tanto quanto eu que Anne e Gilbert são orgulhosos e talvez demorem a admitir algo. Mas, pela minha intuição, a festa surpresa será um divisor de águas. – comenta, sabiamente. – Quando os Tenner frequentarão a escola?

- Mamãe disse que a Sra. Tenner falou algo entre duas semanas. Vocês precisam conhecê-los! Timothy é um verdadeiro príncipe e Teresa, a irmã gêmea, é muito educada. – Ruby se aproximou da amiga, e abaixando o tom de voz, perguntou. – Diana, alguma vez você se apaixonou?

A morena fitou assustada os olhos azuis de Ruby e desviou o olhar para a parede da sala. Era uma das únicas garotas de sua idade que tinha beijado, mas aquele beijo não tivera tanto efeito sobre ela. Gostava de Moody, mas apenas como amigo; e sabia que o rapaz sentia-se da mesma maneira em relação à ela. A verdade é que a sábia, gentil e educada Diana Barry jamais havia parado para pensar sobre o assunto. Preferia se preocupar com isso quando, de fato, acontecesse.

Mas a pergunta de Ruby a pegou desprevenida, e a única coisa que se passou em sua cabeça foi o sorriso galanteador que Jerry Baynard lhe enviava toda vez que ia a Green Gables. O francês era um garoto simples, de família humilde, mas era bastante atencioso e educado. E isso bastava para ela; por mais que seus pais sempre lhe dissessem que, um dia, ela casaria com alguém muito influente na sociedade. Diana não queria ser tão ligada às coisas materiais; queria apenas encontrar alguém que a amasse e respeitasse. E sempre que tentava se convencer disso, o nome de Jerry circundava seus pensamentos.

- Não, nunca me apaixonei. – disse convicta, encarando novamente a amiga. Mas seu coração teimava em completar a sentença: “Mas talvez esteja me apaixonando”.


Notas Finais


Será que vocês me dizem o que acharam?
Ah, antes disso, queria saber se: vocês querem que eu poste mais rápido os capítulos que já tenho pronto (até o 5), mas ai demoraria a partir disso, porque ainda tô escrevendo o 6º ou demoro para postar os capítulos prontos, mas o intervalo de tempo de capítulos será menor. Vocês decidem. Nos vemos em breve e um BeiJuuh <3


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