História What if it's real (REPOSTANDO) - Capítulo 10


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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Lilith "Lily" Page, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood
Tags Swanqueen
Visualizações 408
Palavras 4.244
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 10 - Capítulo dez.


 

 

Emma respirou fundo assim que saiu do quarto, fechou os olhos ao encosta-se na porta. Sua vontade era de voltar e beijar a Regina, mas existia uma voz dentro de si que pedia que fosse decente com a latina. Regina não era uma qualquer, não podia simplesmente usá-la para saciar os seus próprios desejos. Também tinha medo de ceder aos encantos da latina.

Estava confusa nesse misto de querer e cautela.

E outra coisa, ainda tinha a Lily. Droga! Essa confusão estava ficando irritante, não sabia o que queria... O seu coração pedia por Lily, a sua mente a condenava por esse querer. Já o seu corpo queria a Regina para o seu bem prazer.

Merda! Não queria se envolver em um drama, mas estava sendo protagonista de um. Odiava-se por estar dividida entre duas mulheres... Duas disponíveis, e ela não ficaria com nenhuma por n motivos diferentes. Que grande porcaria essa novela mexicana que sugaria a sua vida.

– O que você está fazendo? – Zelena perguntou curiosa ao sair do seu quarto e depara-se com a irmã no corredor.

– Estou pensando. – Emma abriu os olhos.

– Não, você estava de olhos fechados se xingando, isso é bem anormal. Se eu não tivesse certeza de sua insanidade mental, diria que você está louca.

Emma revirou os olhos, essa mania de sua irmã achar que ela não tinha um pingo de juízo, dando-se conta que Zelena era mais doida do que a própria.

– Agora não, Zel. – Pediu ao começar andar para o térreo.

– Não, espera! O que você tanto pensava? – Zelena a seguiu.

– Na minha frustração sexual que se tornou gritante desde que coloquei os pés nessa casa.

Zelena riu.

– Você é muito exagerada, parece que é até mexicana. Pensei que você era mais forte, maninha. Não está aguentando a pressão de ter uma gostosona ao seu lado e não fazer nada?

Emma respirou fundo, ignorando a sua irmã, sem nem ao menos olhar para trás.

– É isso não é? Sabia que vai piorar, né? Quando vocês forem dormir... Aposto que Regina é bem ousada com suas lingeries, já até imagino as camisolas transparentes... – A mais nova provocou.

– Pare com isso! – Emma virou-se, lançando um olhar fulminante para a sua irmã, mas o seu cérebro já montava as imagens. – Não quero pensar nessas coisas, também não quero ser acusada de assédio sexual ou qualquer coisa. Eu respeito a Regina, você deveria fazer o mesmo.

– Ei! – Zelena ergueu as mãos. – Eu não a desrespeitei só disse o que eu acho. Você não vai ser acusada de nada, sabe que ela tá doidinha por você também, né?

– Por isso também. – Emma voltou a andar. – Não quero criar falsas expectativas, nem para mim nem para ela.

– Desde quando você está pensando com o cérebro ao invés da vagina?

– Estou evitando problemas, e outra coisa, quero manter a relação de patroa e funcionária.

– É uma ótima fantasia sexual também. – Zelena informou com malícia.

– Jesus! Não dá para ter uma conversa minimamente civilizada com você.

Emma apressou os passos, aborrecida com a sua irmã que adorava alimentar os seus dilemas. Zelena a seguiu, falando algumas bobagens que a loira fazia questão de ignorar, mas logo a mais nova se calou ao encontrar a família reunida.

– Aí estão vocês. – David disse. – Venham cá, sentem-se conosco, vamos tomar um drinque antes do jantar.

Lily acompanhou os passos de Lexa com os olhos, August percebendo o olhar de cobiça de sua esposa para a sua irmã, passou o braço possessivamente na cintura dela. Lily não gostou, mas também não reclamou ou se afastou para não fazer casinho, estava especialmente bonita em um vestido justo, queria chamar atenção da ex.

Zelena sentou-se ao lado de Mary, já a Emma sentou-se em outro sofá, aceitou o conhaque do seu pai. David sentou-se ao lado da esposa.

– Como é bom ter a família reunida novamente, estava sentindo muita falta disso. – David disse, em seguida deu um beijo carinhoso na bochecha da Mary.

– Eu também. – Mary reforçou ao olhar para os seus filhos com amor. – Vocês são os maiores presentes que a vida me deu e me sinto completa por ter toda a família aqui.

– Mas sempre estivermos aqui, mãe. A ovelha desgarrada foi a Emma que partiu. – August provocou com um sorriso malvado.

– Fui atrás de construir o meu futuro. – Emma retrucou. – Mas isso não significa que não senti falta da minha família. Agora eu estou aqui e o passado estar bem enterrado.

– Isso mesmo. – David concordou. – Temos que nos focar no presente.

– Onde está a Regina? – Mary perguntou mudando de foco. – Não a vejo desde à tarde.

Lily torceu o nariz ao ter o nome de Regina pronunciado e Zelena adorou isso, já tinha simpatia pela latina, e agora sabendo que despertava a raiva de Lily, a sua simpatia aumentou consideravelmente.

– Ela está se arrumando, daqui a pouco desce. – Emma deu um gole de conhaque.

– Provavelmente, só aparecerá em outra encarnação. – Lily riu.

Emma lançou um olhar aborrecido para a ex, August apertou a cintura de sua esposa com a mão, Zelena imitou o gesto de vômito, Mary e David ignoraram o comentário da nora.

– Conte-me, minha filha, como anda os negócios? – David perguntou para dispensar o clima pesado.

A loira relaxou, esse assunto gostava de conversar. Iniciou uma conversa animada com os pais.

 

(...)

 

– Não entendo, você se diz bem sucedida, mas o seu negócio se limita apenas ao Rio Grande do Norte. – Alfinetou August com um sorriso de boneco assassino na cara.

Emma não abalou-se com o comentário, sabia que o seu irmão adorava uma competição, melhor dizendo, gostava de diminui-la. Então, manteve a expressão relaxada para não dar ênfase ao irmão.

– Nunca tinha pretensão de abrir uma filial. Gosto de manter a exclusividade da Equilibrium, de estar perto para monitorar o funcionamento. – Emma deu de ombros. – Prefiro manter algo que posso supervisionar. Não adianta expandir um negócio se não poderei controlá-lo. – Sorriu amavelmente e encarou o irmão. – Falando nisso, soube que sua agência de viagem do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e Paraná faliram. O que aconteceu? Negligência ou má gerência? Não suportou a crise? – A loira ficou ereta, franzido o cenho aparentando preocupação. – O que me leva a perguntar... O que está fazendo morando na casa dos nossos pais? O dinheiro não estar sendo mais suficiente para manter a sua própria mansão em Porto de Galinhas? Aliás, soube que estar à venda...

August a matou com o olhar. Os seus olhos estavam furiosos para o deleite de Emma, percebeu que a mão do seu irmão tremia levemente, o balançar do líquido no copo demonstrava claramente isso. Também percebera o desconforto de Lily.

– Para que falar de negócios, não é? – David interviu antes de tudo se transformar em confusão, já que o August estava muito vermelho.

– Exatamente. Vamos falar da preparação das bordas! – Mary animou-se.

Zelena entortou a boca.

– Para que mudar de assunto? Estava bem mais interessante a massacrada que Emma estava dando em cima do August.

– Zelena! – Mary passou um olhar feito para a filha mais nova que deu de ombros.  

– Não se mete na conversa, pirralha, você nem emprego tem! – August bufou de raiva.

– Realmente, não tenho. Ainda por que estou focando no meu estudo, e infelizmente, o período do meu curso ainda não permite os estágios, mas tenha certeza que serei a primeira da turma a arranjar um estágio remunerado porque sou muito boa no que faço. Não chegarei aos meus 36 anos, falida e ainda por cima morando na casa dos meus pais. Aposte nisso. – Zelena piscou.

August ficou mais furioso do que já estava. Mary soltou um suspiro e olhou para a sua bebida, iria começar... Em menos de dois segundos, todos falavam ao mesmo tempo em uma discussão sem sentido, tanto que mal dava para entender o que diziam. Os quatros: Lily, Zelena, August e Emma batiam boca. Um gritava mais alto que o outro.

Mary olhou para o David em busca de ajuda. Ele revirou os olhos, nada tinha mudado. Os filhos agiam como crianças. Não iria interceder por nenhum mesmo recebendo olhares fulminantes da esposa. Eles deviam se entender por conta própria.

– Boa noite. – Uma voz intrusa cumprimentou fazendo com que todos se calassem.

Regina estava de pé, bem próxima, muito sem graça por ter interrompido aquela confusão. Ficou mais sem graça ainda quando todos a olharam, foi impossível não ficar ruborizada, principalmente com o olhar que recebeu de Emma.

Maravilhosa! Foi a palavra que surgiu na mente de Emma, era assim que a latina estava... Usava um vestido branco um pouco a cima dos joelhos, plissado na cintura que valorizava o seu busto. O decote era singelo, mas lindo de se olhar... Uma boa parte de suas coxas torneadas estavam a mostra, e a saliência de suas nádegas emoldurada tentadoramente o tecido.

– Desculpe-me interromper. – Regina desculpou-se sem graça.

– Não meu amor, você não interrompeu nada. – Emma colocou o seu copo em cima do centro antes de levanta-se e indo em direção da latina.

Todos observaram a cena... Lily estava com os olhos inflamados de raiva, não podia acreditar que sua amada estava tão encantada por outra mulher, especialmente daquele nível que tinha um péssimo gosto e ainda por cima era brega. Já o August olhava atônito para Regina; O que a latina estava fazendo na sua casa? E ainda por cima com a Emma?

Emma se aproximou de Regina e a recebeu com um selinho nos lábios, segurando a mão da latina, deslizou os lábios até a bochecha da mesma, depositando outro beijo. Regina suspirou, sentindo o seu estômago enchendo-se de borboletas e sua mente entorpecida por isto.

– Você está muito bonita. – Emma murmurou, era a verdade, não tinha fingimento nisso. Na realidade, não existia mais nenhum fingimento, estava entorpecida assim como a Regina, queria muito beijá-la mais.

– Obrigada. – Regina sorriu.

– Tenho que concordar com a minha filha, está muito bonita, Regina. – Mary disse com um sorriso, chamando atenção das duas.

Lily revirou os olhos, odiava aquela versão de “amo à todos” de sua sogra, parecia mais uma falsa. Sabia que Mary não gostava dela, apenas a aturava e era educada por conta do August, isso aumentava um pouco mais a sua inveja da intrusa.

– Obrigada Mary. – Regina respondeu com o sorriso aumentando, virando-se para a mãe de Emma.

Emma virou-se também, mas manteve a sua mão na da latina.

– Quero apresentar o meu irmão, August e sua esposa, Lily. – Emma não queria direcionar a palavra para eles, mas a etiqueta exigia isso. Sabia também que Lily já tinha falado com a Regina mais cedo, mas elas não foram apresentadas oficialmente.

Regina olhou para a Lily que sorriu falsamente, porém, os olhos estavam a fuzilando. A latina não se incomodou, não iria se estressar mais com a Lily, se ela viesse para cima, iria também. Depois desviou o olhar para o August, ficando surpresa ao constatar quem era e ainda por cima por saber que ele era casado, empalideceu, mas disfarçou bem.

– Olá, é um prazer conhecer vocês. – Regina cumprimentou como se nunca os tivessem vistos na vida.

– Igualmente. – August que respondeu a olhando fixamente.

Emma se incomodou com aquele olhar, não entendeu porque o August estava olhando daquele jeito para Regina, mas não gostou. Será que ele queria roubar a latina para ele também? Surpreendeu-se com o sentimento de posse e ciúme. O que estava acontecendo com ela? Não era assim. Mas a ideia de August com a Regina fazia o seu sangue ferver em uma raiva crua.

– Vamos jantar? – Propôs David alheio a qualquer situação.

– Ótima ideia! – Mary concordou.

E todos foram para a mesa.

 

(...)

 

Na mesa estava um clima meio estranho que Mary e David tentavam dispersar com os seus comentários sobre a borda, mas ninguém parecia muito interessado em embarcar na conversa.

Zelena estava calada, apenas observando... Ela adorava observar para depois sair comentando ou até mesmo soltar um pouquinho de veneno. Lily estava mais preocupada em lançar olhares calientes para Emma, o que estava irritando bastante a Regina. August continuava encarando a Regina, o que deixava a Emma louca.

O que ele tanto estava olhando para a Regina? Ela estava com o rosto sujo ou algo parecido? Ou seu irmão realmente tinha adquirido uma paixonite crônica pela latina? O que não seria difícil, dando-se conta que Regina era linda e que August sempre quis tudo que era seu. Emma estava tão absolvida com esses pensamentos que nem dava atenção para a Lily.

August não conseguia tirar os olhos de Regina porque se lembrava de uma noite há dois anos atrás que a conheceu em Natal, em uma boate bastante movimentada. Ainda não estava acreditando em como o mundo era pequeno e imprevisível demais. Quem diria que um dia iria estar novamente de frente com a latina? E Deus sabia muito bem que ele não queria que isso acontecesse, não depois de tudo.

Já a Regina evitava olhar para o August e concentrava-se em sua salada. O destino era uma droga! Se soubesse que aquele era o irmão de Emma, nunca teria aceitado essa proposta. Não gostava de surpresas porque quase todas eram desagradáveis, como essa. Tinha que manter a aparência e evitar o máximo levantar suspeitas.

– Vocês estão juntas á muito tempo? – Perguntou Lily sem conseguir aguentar a curiosidade, recebeu um olhar do marido que ignorou.

Tinha chegado á hora das perguntas...

– Cinco meses. – Respondeu Emma, virando-se para a ex com um olhar de aviso, sabia muito bem que Lily estava louca para soltar um pouco do seu veneno.

– Mesmo? – August perguntou surpreso.

– Sim. – Emma confirmou, internamente não queria que ele dirigisse a palavra.

– Como se conheceram? – Lily continuou.

– Na Equilibrium. – Emma deu uma rápida olhada para Regina.

– Só isso? Sem nenhuma história? Ah, não seja tímidas. – Lily deu um sorriso falso, olhando para todos na mesa. – Conte-nos, amamos uma história de amor, não é mesmo?

– Com toda certeza. – Mary sorriu sem perceber as intenções da nora.

– Você conta ou eu conto, amor? – Emma olhou para a Regina, seu tom de voz era amável, mas o olhar sério.

– Eu prefiro que você conte. – Regina sorriu para Emma, preferia porque não tinha nenhuma estória na cabeça para contar e era péssima inventando uma.

– Pois bem... – Emma limpou a boca com o guardanapo de tecido para ganhar tempo, todos na mesa a olhavam com expectativa. Ignorou o olhar de sua irmã que tinha um bem grande “se fodeu, otária”, pigarreou. – Eu estava em meu escritório quando fui chamada pela gerente por causa de uma cliente que estava bastante furiosa porque a designer de sobrancelhas ainda não tinha chegado... – Ela e Regina trocaram olhares. – Foi algo bastante estressante porque a cliente estava fazendo um escândalo, o que me deixou deveras irritada... Até que uma loira toda afobada entrou, pedindo mil e uma desculpa pelo seu atraso. – A loira olhou a latina dentro dos olhos. – Assim que os meus olhos depararam-se com esses incríveis olhos achocolatados, eu soube que o meu coração estava nas mãos da mulher mais linda que eu já tinha visto em toda a minha vida. Foi amor à primeira vista. – Para enfatizar o seu discurso, Emma segurou na mão de Regina que estava emocionada mesmo que uma grande parte de si soubesse que era mentira, não impediu que o seu coração amolecesse mais um pouco.

Mary suspirou, até mesmo a Zelena que mesmo sabendo do contexto das duas, suspirou, porque pressentia que tinha um fundo de verdade naquilo tudo, mesmo que a sua irmã não percebesse. David sorriu pela felicidade da filha. Os únicos incrédulos era o Chis e Lily.

– Um momento... – Lily falou estragando o momento, não aceitava aquele clima de amor. Todos a olharam. – Então, que dizer que Regina é sua empregada?

Regina puxou a sua mão da de Emma com a desculpa de beber mais um pouco vinho, fora o August, ninguém gostou do comentário da Lily.

– Sim. Sou funcionária de Emma. – A latina respondeu calmamente antes que Emma o fizesse, não tinha vergonha de sua profissão. – Como ela disse, sou designer de sobrancelhas.

Lily deu um sorriso de escárnio.

– Ou seja: uma subordinada.

Regina sentiu vontade de jogar vinho na cara de Lily.

– Eu não a tenho como uma subordinada, a tenho como a mulher da minha vida. – Emma interviu com o olhar sério.

– Regina, por favor, você poderia arrumar as minhas sobrancelhas para a borda? – Mary falou, olhando diretamente para a latina. – Eu acho as suas sobrancelhas incríveis, quero as minhas iguais!

– E da minha também, por favorzinho. – Zelena animou-se.

– Até eu vou querer! Como cirurgião plástico eu sou muito vaidoso. – David sorriu, movimentando as suas sobrancelhas.

Regina sorriu para os três, e Emma ficou aliviada pelo rumo da conversa, mas não deixou de enviar um olhar reprovador para Lily.

– Pode deixar que cuidarei das sobrancelhas de vocês como se fossem da realeza.

– Obrigada, querida. – Mary sorriu feliz. – E Marina? Onde está?

– Dormindo desde à tarde, acredita? A viagem a deixou muito cansada. – Regina comentou.

– Quem é Marina? – Lily perguntou.

– Filha de Regina. – Respondeu Mary.

August engasgou no momento, chamando a atenção de todos. Ele parecia que iria morrer, Lily levantou-se e deu umas tapinhas nas costas do marido que parecia piorar, já estava ficando em tons roxeados. David levantou-se e correu para ajudá-lo.

– Levante-se. – David ordenou.

– Ih, é agora que ele morre de vez. – Zelena cochichou para Emma.

– Zelena! – Mary reclamou.

– E temos essa sorte? – Emma cochichou de volta, trocando risos com a irmã.

– Emma! – Foi a Regina que reclamou, pois, ficou preocupada.

August levantou-se sendo abraçado pelo David na altura da cintura, o mais velho apertou o filho algumas vezes até que a responsável pelo engasgo: uma azeitona, que voou bem para o meio da mesa. A coloração do August foi normalizando.

– Perdi a fome. – Zelena disse com nojo.

Lily voltou a se sentar, August e David fizeram o mesmo.

– Você tem uma filha de quantos anos? – Lily perguntou com interesse, sabia da aversão de Emma por crianças.

– Um ano e dois meses. – Regina respondeu contragosto, não queria dividir nenhuma informação de sua filha com aquela cobra.

August quase bebeu uma jarra de água, era muita informação para digerir.

– Como se sente em relação a isso, Emma? – Lily provocou, olhando diretamente para loira.

– Sinto-me muito contente, Marina é um amor de criança e reforça o meu pensamento de iniciar uma família. – Emma respondeu calmamente. – Dar um passo a mais na relação.

Lily não estava acreditando! O que tinha acontecido com a Emma que se relacionou uns anos atrás?

– Quem diria, as pessoas mudam realmente. – Lily deu um gole de vinho. – Se alguém me contasse que você estava se relacionando com uma subordinada que além do mais tem uma filha nas costas, eu não acreditaria.  

Mary e David se entreolharam, desgostosos com a atitude da nora. Emma respirou fundo, sem acreditar na audácia da ex. August ainda estava preso na informação que Regina tinha uma filha, e Zelena assistia com interesse.

– Você fala “subordinada”, como o fato deu trabalhar para a Emma fosse ofensivo, eu ao menos trabalho, tenho a minha fonte de renda e me sustento pelo o meu suor. – Regina rebateu com a voz tão doce como mel. – Ao contrário de você que é uma perua que vive nas costas do marido sem bater um prego numa cocada. Abra a boca pra falar da minha vida e de mim quando a sua vida for algum exemplo, coisa que pelo jeito, nunca vai ser.

Todos ficaram surpresos com a resposta de Regina porque não esperavam, o clima que antes estava ameno, tornou-se extremamente tenso. A única coisa ouvida foi a gargalhada estrondosa de Zelena...

 

(...)

 

O jantar tinha se encerrado muito antes do imaginado. Mary e David saíram para desfrutar a noite, Lily tinha sumido, mas pela maneira que estava soltando fogos pelas ventas, deveria estar no quarto ou em qualquer lugar para amenizar o seu mau humor. Zelena foi para sala de cinema. Emma para o quarto, suas costas estavam doloridas e precisava descansá-las. E Regina foi preparar uma mamadeira para Marina que ainda estava dormindo, mas sabia que a filha acordaria com fome. A empregada quis ajudá-la, mas a latina a dispensou com educação, não queria causar nenhum incômodo.

Fez o mingau de sua filha, colocou na mamadeira e depois lavou o que sujou. Estava muita cansada, emocionalmente. E se todos os dias que permanecesse nessa casa fosse assim? Não era uma pessoa paciente, iria explodir com a Lily e não iria demorar muito.

Pegou a mamadeira que já estava morna e quase morreu do coração ao se virar, deparando-se com o August que estava bem atrás dela com os olhos frios e um corpo de uísque na mão. A latina olhou para os lados, não queria ficar sozinha com ele, mas infelizmente, não tinha ninguém.

– O que você está fazendo aqui? – August perguntou baixo com a voz trêmula. – Descobriu onde eu morava, seduziu a tonta da minha irmã e veio infernizar a minha vida?

Regina franziu o cenho.

– Óbvio que não! Eu nem sabia que Emma era a sua irmã e muito menos tenho a pretensão de infernizar a sua vida, o que aconteceu foi uma surpresa do destino.

– Eu não queria nunca mais vê-la. – August pontuou.

– Muito menos eu. – Regina retrucou.

– E essa menina? A tal da Marina?

– O que tem a minha filha? Não a coloque no meio dessa história, ela é apenas minha filha, apenas minha. – Regina esbravejou na defensiva.

– Quem é o pai dessa criança? – August ignorou o estado dela.

Regina olhou para o August, não tinha nenhum sentimento para com ele. Bem negativo e muito menos positivo, era um ninguém para ela.

– Você sabe muito bem quem é o pai. – Respondeu friamente.

August deu uma risada quase histérica, depois esmurrou com força o balcão, jogando o copo que estava na sua mão contra a parede que espatifou-se, Regina se assustou com o descontrole dele e tentou dar um passo para trás, mas ele foi mais rápido em segurá-la pelas mandíbulas. Ela arfou de dor quando os dedos magros apertaram os ossos de suas mandíbulas, fazendo-a abrir a boca.

– Você contou a Emma sobre isso? – August perguntou perto demais, perigoso demais, dava para sentir o hálito embriagado. – Responda! – Gritou.

– Não. – Regina respondeu com dificuldade, seus olhos enchendo-se de lágrimas por conta da dor.

Ele a analisou bem, depois de uns segundos que foram anos para a Regina, a soltou. Ela esfregou as bochechas doloridas.

– Se você contar alguma coisa a Emma ou alguém, eu juro que você vai se arrepender pelo resto da sua vida, ouviu bem?

– Sim!

Regina não esperou mais, passou por August e correu para o quarto. O seu coração estava batendo aceleradamente. Todo o seu corpo tremia e ela tentava se controlar. Principalmente a sua respiração ofegante. Antes de entrar no quarto, parou, respirou fundo diversas vezes tentando não surtar com o que tinha acontecido. Limpou as lágrimas e pediu um pouco de clareza aos anjos. Abriu a porta e deparou-se com Emma sentada na cama com os olhos fixos na Marina.

– Ela acordou? – Regina perguntou ao fechar a porta e se aproximar, odiando-se por sua voz soar tão trêmula e fraca.

Emma a olhou.

– Não, ainda está dormindo... O que aconteceu com o seu rosto? – A loira se levantou e tocou suavemente as bochechas de Regina.

Regina mordeu o lábio inferior, obrigando-se a se manter firme, não podia desabar na frente de Emma sem levantar suspeitas. Engoliu o choro.

– Não sei, acho que algum bichinho mordeu, sei lá. Ás vezes fico assim, do nada.

Emma a olhou por uns segundos, como se tivesse a estudando, depois abriu a mão e acariciou os cabelos sedosos de Regina, amava a textura, o corte, a franjinha e até mesmo o perfume que eles exalavam. A latina estremeceu com o toque, não desviou os olhos um minuto dos esverdeados.

– Quero me desculpar por hoje mais cedo, eu não deveria ter agido daquele jeito incoerente, não vai mais acontecer. – Emma pediu baixinho sem parar de acariciar os cabelos da loira. – E também quero pedi desculpa pela Lily, foi extremamente desagradável o que aconteceu hoje no jantar.

Era a primeira vez que Emma pedia desculpa por boa vontade, como era a primeira vez que ela a tocava com carinho sem ter ninguém por perto para fingir. Como poderia ficar chateada diante de uns olhos tão verdes e pidões daquele jeito?

– Tudo bem. – Regina murmurou na bola mágica que era estar encantada por Emma.

– Você não foi paga para isso. – Emma suspirou. – Prometo que amanhã será um dia bem melhor, ok?

Droga. Emma tinha estragado todo o encanto novamente ao citar pagamento. Mas, não podia culpar a loira, ela estava apenas lidando com a realidade: Elas não tinham um relacionamento, era apenas uma farsa.

Regina apenas balançou a cabeça em positivo.

– Prometo também que não irei mais tocá-la sem a minha família por perto. Foi indevido o meu comportamento e eu não quero constrangê-la ou colocá-la em uma situação desagradável. – Emma fez uma pausa. – Já que vamos conviver nesses dias, podemos ser amigas, não é?

Regina não gostou, mas o que poderia dizer? Que queria que fossem mais que amigas? Que fizessem sexo? Que tentassem um relacionamento de verdade e saíssem do faz de conta? Por Deus! Fazia apenas um dia que estava “convivendo” com a Emma e já sonhava com algo mais, isso era loucura.

– Claro.

Emma deu um sorriso, depositou um beijo rápido e suave na testa de Regina e foi para o banheiro. Enquanto, a latina foi cuidar de Marina...

 


 


Notas Finais


Perdoem-me os erros.


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