História What if it's real (REPOSTANDO) - Capítulo 5


Escrita por:

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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), David Nolan (Príncipe Encantado), Emma Swan, Lilith "Lily" Page, Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood
Tags Swanqueen
Visualizações 300
Palavras 4.654
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, LGBT, Orange, Romance e Novela, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Capítulo cinco.


Emma dirigia lentamente, olhando atentamente as numerações das casas, procurava a casa de Regina. Depois de um quilometro, finalmente a encontrou. Apesar de ser relativamente pequena, era uma casa de aspecto agradável. Buzinou, tinha a informado pelo whatsapp que estava se aproximando.

A porta da casa foi aberta e Regina surgiu com duas malas enormes que as deixou na calçada e voltou para dentro da casa. Emma saiu do carro, dando a volta, parando do lado das malas. De duas, uma: Ou Regina tinha muitas roupas, ou ela era exagerada.

Regina retornou com objetos que deixaram a loira bastante confusa: Um andador fechado e um carrinho de bebê que a latina arrastava até chegar próxima as malas, lançou um breve sorriso para Emma ao deixar os objetos escorados nas malas, voltando para dentro da casa.

Os neurônios de Emma estavam queimando tentando entender o óbvio, quando Regina retornou com uma criança em um braço e uma cadeirinha de viagem na outra mão, o choque foi instantâneo.

Regina tinha uma filha pequena.

Criança... Oh, meu Deus! Emma sentia terror de criança, nunca se dava bem com elas, sempre as achavam insuportáveis e intrometidas. O seu histórico com crianças não era bom, ficara traumatizada depois que o seu afilhado arrancou um sinal de carne de suas costas com a unha. Ela o desconsiderou como afilhado imediatamente e desde então, se mantém distante de qualquer criança do universo.

E aí, surge a Regina com uma criança, era aterrorizante!  

– O que isso aí? – Emma perguntou com o cenho franzido apontando para a menina.

Regina colocou a cadeirinha em cima das malas, e lançou um olhar torto para a outra.

– É uma criança. – Respondeu o óbvio, rolando os olhos para o alto. – Segure-a, por favor, preciso fechar a minha porta e conectar a cadeirinha no banco detrás do carro.

– Não... Eu não... – Antes mesmo de completar a frase, a criança foi colocada em seus braços.

Emma não sabia muito bem como segurar uma criança, então, a sustentou pelos braços gorduchos. O que foi uma péssima ideia, já que a menina ficou de frente para ela, cara a cara, as duas se encararam com desconfiança por um tempo. A loira olhava pra Marina como se ela fosse um ser de outro planeta, e Marina olhava pra Emma com curiosidade.

Tinha que admitir que a menina era linda... Branquinha como floco de neve, grandes olhos esverdeados e uma boquinha muito fofa e avermelhada. E as bochechas? Adoráveis. Os cabelos loiros tão lisinhos que a tiara com uma rosa estava quase deslizando. Ela era fofinha... Opa... Emma arregalou os olhos, travando quando a menina levantou os seus bracinhos gorduchos curtos e colocou as mãozinhas no rosto dela. Ela tinha aquele cheirinho bom, típico de bebê.

Emma mentalizou o seu rosto em busca de qualquer espinha ou sinal que pudesse ser arrancado, mas se lembrou que sua pele era impecável, fazia tratamento na Equilibrium. Para a sua surpresa, Marina começara a balbuciar palavras estranhas, abrindo um sorriso com apenas dois dentes superiores, derretendo uma parte do coração da loira.

– Ela gostou de você. – Regina disse com um sorriso ao terminar de fechar a porta da sua casa.  

A loira olhou desconfiada para Regina que apenas sorriu, e foi se ocupar em colocar a cadeirinha de viagem no banco traseiro do carro.

– Você vai demorar muito? – Emma perguntou preocupada, a menina começara a babar e ela acompanhava aqueles fios escorrendo pelo queixo da pequena, se arrepiando internamente, não queria ficar babada também.

– Não, só tenho que prender essa cadeira aqui... – Regina respondeu abafada com metade do corpo inclinado dentro do carro.

Emma estava dura, os olhos ainda fixos naqueles fios de baba que agora molhava o colo e a blusa branca que a Marina vestia.

– Não pode ser mais rápida? Ela está babando! – Emma avisou aterrorizada.

Regina levantou a cabeça e viu a cena, soltando um suspiro cansado em seguida. Estava mais que nítido que Emma não tinha nenhum tato com criança. Então, agilizou em prender a cadeirinha, e foi ao socorro da loira. Marina virou-se para a mãe e estendeu os braços para se pega. Com a filha nos braços, Regina foi até a bolsa com estampa de princesa, retirou uma fralda de pano de dentro e limpou a baba de sua filha.

– Pronto! Já limpei a baba, pode a segurar novamente? Preciso colocar as malas e as outras coisas dentro do porta-malas. – Regina voltou a se aproximar.

– Não! – Emma quase gritou, fazendo com que a latina apertasse os olhos para ela. – Eu coloco tudo lá, não se preocupe com nada.

Emma buscou a chave do seu carro, acionando o botão que liberou o porta-malas, rapidamente se ocupou em ajeitar as malas na bagagem espaçosa do carro, sob olhar surpreso da Regina.

 

(...)

 

Definitivamente, Emma não gostava de criança. Regina constatou uns minutos depois, o modo que a loira se firmou em cima dos seus saltos altíssimos na estrada de pedra, capaz dos saltos ficarem presos nos paralelepípedos e cair, só para evitar segurar novamente a Marina.

Era um contraste muito grande a presença de Emma no bairro humilde em que residia, alguns vizinhos esticavam os pescoços para observar melhor a cena. Regina não os julgavam, não era sempre que isso acontecia, aliás, quase nunca acontecia, nenhuma madame com carro importado com porte de princesa parava naquela rua, era algo a se admirar.

Emma vestia-se muito bem, os saltos altos davam uma elegância clássica a ela. Usava uma blusa de seda negra com uma jaqueta e short de cintura alta com estampa animal print, o que mais chamava atenção eram os sapatos azuis. Aquela mulher sabia como se vestir, além de que estava muito cheirosa. Não sabia qual era o perfume da loira, mas achava viciante.

Regina deu uma olhada na sua própria roupa, usava uma camisa branca de algodão com botões, calças jeans apertadas e tênis. Deveria ter se vestido melhor, não sabia o que esperar na casa dos pais de Emma, mas julgando pelo porte da loira, deveria ser alta classe. Deixou de se preocupar com sua roupa quando sentiu um puxão em seus cabelos.

– Não, meu amor, assim você vai deixar a mamãe careca! – Disse a sua filha, retirando as madeixas de cabelo da mão de Marina que fez um biquinho e tentou pegá-los novamente.

Achou melhor colocar a Marina em sua cadeirinha e distraí-la com algum brinquedinho. A pequena gritou em reclamação e agitou-se, não querendo ficar na cadeirinha, mas Regina conseguiu prendê-la e afastou em busca da bolsa da mais nova que deu mais gritos por ter ficado sozinha, mas assim que viu a mãe se aproximando, parou.

Regina entregou o mordedor para ela.

– Aqui, afie bem muito esses dentinhos para comer bem muita carne. – Regina beijou a testa da filha, em seguida, fechou a porta. – Precisa de ajuda? – Perguntou ao se aproximar de Emma.

– Não, praticamente já terminei, os prós de ter um carro grande com a mala espaçosa. – Emma comentou, arrumando o carrinho de bebê.

Emma estava inclinada no porta-malas, sua bunda não ficou longe dos olhos da latina. Empinada daquela forma era impossível não perceber aquela protuberância, definitivamente a bunda da loira era linda...Saliente.

– Pode pega?! – Emma pediu ainda inclinada no porta-malas.

– Posso? – Regina surpreendeu-se, mas a malícia saiu explicita em sua voz, parecia que a bunda da loira estava chamando as suas mãos.

– Sim, por favor.

Regina não se fez de rogada, esquecendo-se que estava na rua ao colocar as mãos na bunda de Emma, sentindo todos os músculos rígidos. Uau. Apertou bastante, deliciando com a maciez, era tão gostosa de apertar!

– Está bom aí? – Emma perguntou com a voz sarcástica, olhando-a pelo ombro.

– Você não imagina o quanto! – Regina respondeu com um sorriso débil, arriscando mais uma apertada naqueles montes.

– Que ótimo... – Emma arqueou a sobrancelha. – Eu não queria estragar o seu momento, mas, você poderia pegar a mala que está ao seu lado?

– Mala? – A latina despertou-se do momento ao se dar conta do constrangimento que estava passando ao olhar para o lado e ver uma mala pequena de grife no chão. – Oh, você estava me pedindo pra pegar essa mala? – Perguntou corada.

– Sim. – Emma respondeu com diversão. – Mas se quiser, pode continuar com que estava fazendo antes, não tenho do que reclamar.

– Eu... Não! – Regina ficara mais vermelha, retirou rapidamente as mãos da bunda da loira, afastando-se. Queria um buraco para se afundar! Pegou a mala e entregou para Emma. – Eu vou esperar no carro.

Regina praticamente correu para o carro, a frieza do ar-condicionado lhe pegou desprevenida, fazendo-a tremer suavemente com o choque térmico. Sua vontade era bater a cabeça no retrovisor até que um pouco de senso entrasse em seu cérebro. Que besteira foi aquela?

– Burra, burra, burra! – Resmungou dando várias tapinhas em sua testa. Infelizmente, isso não diminuía a vergonha que estava sentido.

– Mama! – Marina balbuciou depois de esfregar o mordedor nas gengivas, tentava colocá-lo todo na boca, mas pelo tamanho era missão impossível.

Isso distraiu Regina que riu da inocência de sua filha. Não demorou muito para que Emma entrasse no carro, depois de colocar o cinto de segurança, deu partida sem nenhuma palavra. O perfume invadiu o carro.

– Coloque o cinto de segurança, Regina. Ao não ser que você tenha o peito de aço. – Emma mandou com os olhos fixos na estrada.

Regina fez o que a outra mandara, percebeu que mesmo com toda a vergonha presente em seu ser, essa era a primeira vez que sentia-se aliviada e bem durante os dias que sucederam. Fazia dois dias que tinha entregado o cheque para o agiota, a questão fora resolvida, mas ela ainda sentia um leve pânico por tudo que acontecera. Felizmente, estava saindo de Natal, iria conhecer Recife – que sempre tivera vontade de ir, mas faltava-lhe dinheiro. Pensando com otimismo essa viagem viera a calhar, uma semana de férias era tudo que precisava para relaxar.

– São quatro horas de viagem, dependendo do trânsito. – Emma informou, olhando-a rapidamente. – Por que sua testa está tão vermelha?

– Por nada.

Emma deu de ombros, parou no sinal e retirou os sapatos, deixando os seus pés livres, era mais fácil para dirigir, sem contar que era mais confortável.

Não demorou muito para que o carro saísse de Parnamirim e Regina se desse conta que a aventura estava começando. Pedia fervorosamente para que nada saísse de errado e que nada nessa viagem a corrompesse...

 

(...)

 

Depois do incidente, Regina tinha sido invadida por um grande mau humor. Não falava absolutamente nada, ficava o tempo todo com os olhos fixos na janela do carro. Emma não a culpava, tinha sido um mico, mas também não precisava ficar daquele jeito, a situação já tinha passado mesmo. Bem, elas eram adultas, poderiam muito bem fingir que nada tinha acontecido. Estavam fazendo isso agora, o problema era que Emma sentia falta de ouvir a voz de Regina, mesmo que fosse estressada.

Pensou em um assunto para abordar com a latina. Na realidade, tinha muitos assuntos que precisavam ser abordados. Iriam se passar por namoradas e não se conheciam. Deveria criar ao menos um laço de amizade entre elas, ou de intimidade já que Regina foi bem sedenta ao pegar na bunda da loira. Até agora, Emma se questionava do porquê da latina ter feito aquilo, apesar que gostara muito de sentir as mãos pequenas e firmes em si com mensurado prazer. Imagino-a tocando em outras partes do seu corpo.

Olhou para a Regina pelo canto dos olhos, estava linda, com toda sua simplicidade conseguia ser muito sexy aos olhos de Emma. A loira desconfiava que não fosse apenas em seus olhos, qualquer pessoa com um pingo de consciência viraria a cabeça para olhar Regina. Será que ela tinha noção do quanto era bela? Os seus cabelos estavam presos em um coque mal feito,alguns fios soltos emoldurando o belo rosto. Emma quase pediu que ela soltasse os cabelos. Achava os cabelos da latina lindos, brilhosos, sempre com o ar selvagem que exalava o perfume de rosas... Cabelos assim deveriam ser sempre soltos.

Regina não usava maquiagem, sua beleza distinta não precisava de nenhum cosméticos.

A atenção da loira foi desviada quando um mordedor atravessou o espaço entre os bancos e atingiu o para-brisa, uma gargalhada alta preencheu o recinto. Emma se assustou até porque tinha esquecido completamente que tinha uma criança no carro.

Regina riu junto com a filha, alcançou o mordedor e virou-se para trás, os seus pequenos seios rasparam o braço de Emma que deu uma doida e fingiu que não estava sentindo a maciez deles em si.  

– O que eu já disse a você, hum? Nada de jogar as coisas, sua levada. – Regina entregou o mordedor para a filha.

Marina jogou novamente, assim aconteceu diversas vezes, suas gargalhadas profundas mostrando o quão aquilo a divertia, até que em um certo momento, a menina cansou da brincadeira e se contentou em chupar sua chupeta.

– Por que não me disse que tinha uma filha? – Emma questionou, estava só esperando a brincadeira acabar para fazer a pergunta.

Regina deu de ombros.

– Não achei que era relevante.

Emma bufou: – Como não achou relevante? – Gesticulou, intercalando o seu olhar da estrada para Regina. – Eu acho que deveria ter sido informada sobre uma criança, o contexto muda um pouco com isso.

– Muda em que? – Regina apertou os olhos. – Pelo o que eu saiba, vou continuar fingindo ser a sua namorada, a presença de Marina não muda esse fato.

– Muda o que os meus pais vão pensar, minha mãe vai surtar quando ver a menina, vai achar que o nosso relacionamento vai além de um simples namoro. – Emma lastimou, balançando a cabeça em negativo.

– E qual é o problema disso? Não era isso que você queria ao me contratar? Que eles achassem que tínhamos um relacionamento sério? Creio que isso vai ajudar muito você e não atrapalhar. – Regina rebateu sarcasticamente.

– Sim, mas, como vou justificar depois o nosso término? Conheço muito bem a minha mãe e ela vai querer comer o meu fígado quando eu anunciar o término depois. Vai me acusar de crueldade e desumanidade por abandoná-la com uma criança pequena. – Emma fez uma careta.

– Essa é a maior bobeira que já escutei em toda a minha vida. – Regina descartou.

– Não é bobeira! – Emma quase gritou o que assustou um pouco a Marina que estava quase cochilando, a menina choramingou um pouco.

– Dá pra falar mais baixo, animal? – Regina retrucou com a cara feia ao vira-se novamente, mas desta vez para acariciar o braço da filha em um breve consolo. – Ela se assusta fácil.

Emma ficou surpresa por ter sido chamada de “animal”, sua boca quase caiu para o queixo ao ouvir isto.

– Você é muito petulante! – Emma disse com a voz baixa e controlada. – Não pode me chamar de animal. Qual é a parte de me tratar apaixonadamente que conversamos dias anteriores, você não entendeu?

– Não estamos ainda na casa dos seus pais e você assustou a minha filha com a sua boca grande. – Regina endireitou-se, mantendo a sua expressão irritada. – Um pedido de desculpa é bem conveniente agora.

Emma não era uma mulher que pedia desculpa, isso a deixou nervosa e ainda mais irritada, se não tivesse com unhas de vidros pintadas de francesinhas nas mãos, provavelmente as roeriam, ainda cogitou a hipótese de puxar as cutículas, mas desistiu. Não pretendia se desculpar, olhou de relance para Regina e a latina lançava olhares furiosos. Droga, não podia chegar na casa dos seus pais com aquele clima pesado.

Engoliu o orgulho e soltou:

– Desculpe-me. – Saiu bastante forçado, mas era isso ou nada.

Regina balançou o dedo negativo, depois apontou para filha:

– Pra mim não. Pra ela.

Emma engoliu a seco e olhou para a menina pelo retrovisor. Marina tinha uma expressão sonolenta ainda com a chupeta na boca e agarrada na sua fralda de pano, uma imagem fofa.

– Desculpa bebê, não irei mais assustá-la. – Emma tentou soar carinhosa, mas ainda tinha um bloqueio em si.

Marina a olhou pelo retrovisor por uns segundos até que os seus olhos apertassem mais quase se fechando de sono.

– Boa menina. – Regina implicou.

– Onde está o pai dessa menina?

– Por aí.

– Por aí? – Emma franziu o cenho. – Essa não é a resposta que eu quero, ficaremos uma semana juntas, a primeira coisa que a minha família vai questionar é sobre a paternidade de sua filha. Ela saiu de você mesmo?

– Não, a cegonha que me trouxe de meia-noite. – Regina revirou os olhos em malcriação. – Claro que ela saiu de mim, que espécie de pergunta é essa?

– Por que você não responde uma pergunta direito? – Emma a olhou com a cara fechada. – Quem é o pai dela?

– Eu não sei. Fiquei com ele em uma balada, fora apenas uns minutos. – Regina explodiu, mantendo a voz baixa, mas irritada. – Sem sentimento nem nada, apenas sexo casual. Não sei o seu nome, muito menos aonde mora, não sei de nada além do tamanho do seu pênis. – Olhou para loira com deboche. – Satisfeita agora?

Emma ficou pensativa, manteve os pensamentos neutros. Não julgava a Regina por ter um momento em uma balada até porque muitas pessoas faziam isso e isso não influenciava nem dizia sobre o caráter de alguém. Cada um fazia o que bem entendesse com o seu corpo, não era da sua conta. Isso apenas lhe deixou curiosa.

– Você não é lésbica?

Regina riu.

– Não gosto de rotulações. – Suspirou, relaxando no banco de couro. – Mas sim, sou lésbica. Apenas, sei lá... Aconteceu. Uma dessas loucuras da vida que não pretendo fazer novamente, apesar de ter me rendido a melhor coisa da minha vida que é a minha filha. Terminou o interrogatório?

– Você está muito nervosinha, Regina, estamos conversando normalmente, não precisa ficar na defensiva comigo, eu só quero saber um pouco mais sobre você, pare de me atacar!

Que mulher geniosa! Pensou Emma. Tinha que ter escolhido uma mulher mais maleável para se fingir de sua companheira, mas deu-se conta que não seria tão engraçado ou instigador assim.

Regina ficou um tempo calada, pensativa, estava realmente na defensiva com a Emma. O que acontecia era que ela tinha medo de se abrir demais e cair nos encantos da mais velha, e olha que a loira não fez menção de absolutamente nada, mas isso não impedia da latina ficar receosa.

– Sou filha única, minha mãe morreu quando eu tinha cinco anos, de infarto, ela não era muito fã de uma vida saudável. Sou natural de Cuba, como você já sabe, não tenho família aqui. – Ocultou o seu pai problemático, não por vergonha, mas por Tony ser mais um problema do que família de fato. – Não tenho curso superior, mas pretendo. Quero fazer administração, o meu sonho é abrir a minha própria clínica de designer de sobrancelhas. A minha comida favorita é qualquer coisa que tenha banana, sou a louca por bananas. – Elas sorriram. – Odeio beterraba.

Emma estava surpresa, não esperava que Regina mudasse rapidamente, mas gostou de saber de todas essas informações, era sinal que poderia manter um diálogo com a latina sem muitas farpas.

– Também não gosto de beterraba, tenho trauma. Quando era pequena tive uma anemia muito forte e minha mãe me obrigava comer beterraba o tempo todo. – Emma fez uma careta desgostosa.

– Já temos uma coisa em comum.

Elas sorriram cumplices uma para a outra.

– Não sou filha única... Sou a filha do meio, meu irmão mais velho é o August. – A voz de Emma ficou um tanto indiferente ao falar o nome do irmão e suas mãos apertaram firmes o volante, isso não passou despercebido por Regina. – Minha irmã mais nova, é a Zelena.

– Quantos anos ela tem?

– Vinte anos de pura maldade. – Emma riu.

– Maldade? – Regina não entendeu.

– É, você vai entender quando a conhecê-la. Ela é ótima, só que é uma espécie de mamãe urso, sabe?

– Acho que sim. – Regina mordeu o lábio inferior, não entendia os termos até porque não tinha irmãos. – Isso significa que ela é super protetora? – Perguntou e a loira confirmou com a cabeça. – Hum... E como são os nomes dos meus sogros? – Brincou.

– Mary e David.

Regina gostou dos nomes. Lembrou-se que quando estava grávida e soube que era menina por um breve momento considerou o nome Mary, mas mudou rapidamente quando assistiu uma novela mexicana que uma das protagonistas era Marina. Ela amou o nome, a forma que era pronunciado e também o significado.

O clima ficou descontraída no carro, Emma começou a falar de sua família para a Regina que escutava tudo com muita atenção e até fazia alguns comentários ou perguntas. Em um dado momento, elas estavam rindo, a sintonia das duas era muito boa, boa até demais...

 

(...)

 

Regina estava encantada com o sorriso de Emma, passaram-se duas horas que estavam na estrada e a loira tinha sorrido muito, deixando a latina numa espécie de torpor. Elas conversaram bastante, compartilhando algumas informações que seria importante para a convivência durante a semana.

Nem perceberam o tempo passar, apenas quando os estômagos passaram a reclamar de fome que se deram conta que era mais de meio-dia. Marina continuava dormindo, no meio da viagem, Regina tinha dado o travesseiro favorito da menina que repousava a cabecinha sobre ele, um perfeitinho anjinho.

Estavam saindo do limite do Rio Grande do Norte para entrar na Paraíba quando sentiram um odor não muito agradável invadir o carro. As duas se entreolharam, mas apenas Emma que torceu o nariz.

– Eu sei que temos necessidades, mas você podia segurar um pouquinho. – Emma retrucou.

Regina a olhou como se não tivesse acreditando no que tinha escutado. Sinceramente, essa mulher parecia que testava a sua paciência quando bem queria. Vontade de socar o rosto bonito de Emma não lhe faltou.

– Tá de palhaçada? – Perguntou irritada. – Esse cheiro significa que temos que parar porque a fralda de Marina está cheia.

– Mesmo? – Emma arregalou os olhos e riu. – Eu pensei que você tinha soltado o pum.

– Francamente, eu tenho educação. Você não sabe mesmo de criança, ein? – Regina falou com exasperação.

– Não, o meu contato com crianças é quase nulo.

– Percebe-se. Alegre-se, você terá uma semana para aprender a arte de lidar com uma criança. – A latina sorriu ao terminar de falar.

Emma estremeceu com a possibilidade de ter que ficar muito tempo com a menina, não que ela fosse irritante, ao contrário, até agora Marina não tinha feito nada demais, além de incensar o carro.

– Eu vou parar no próximo restaurante, assim você a troca e aproveitamos para almoçar, tudo bem?

Regina concordou com a cabeça, o seu estômago quase rasgou de felicidade ao escutar isso. O que tinha colocado de lanche na bolsa era apenas as coisas de Marina: suquinhos e papinhas.

Emma parou o carro no estacionamento do restaurante, não era chique, mas era aconchegante. Para Regina estava ótimo, mas tinha dúvidas sobre o que a outra pensava do recinto. A latina retirou o cinto, saiu do carro e abriu a porta traseira do carro, se preocupando em soltar a Marina da cadeirinha diretamente para os seus braços. A menina ainda dormia, deitou a cabecinha dela em seu ombro, esticou-se um pouco para pegar a bolsa de passeio, pelo o que sentia do peso da fralda em seu braço, realmente estava bem cheia.

Encontrou com a Emma parada na frente do carro.

– Você vai para o banheiro e eu vou olhar o cardápio, certo?

Depois de ter trocado a Marina, voltou para o restaurante. Marina já estava acordada e reclamava de fome, encontrou com a Emma sentada numa mesa tomando água tônica com bastante gelo e limão.

– Não sabia o que queria, então, pedi uma jarra de suco de laranja natural, sem açúcar pra você e a bebê. Algum problema?

Regina sorriu, ficou feliz pela loira também ter pensado em sua filha.

– Não, eu acho ótimo. – Respondeu ainda sorrindo, recebendo um olhar significativo de Emma.

– Pedi frango a cubana e uma poção de verduras como acompanhamento, não sei muito bem a alimentação de Marina, mas achei meio saudável.

Uau, a forma mais fácil para chegar no coração de uma mulher que é mãe, é se preocupando e cuidando do seu filho. Emma estava fazendo as duas coisas, mesmo sem perceber. De início, achou que a loira não tinha gostado de Marina, mas vê-la se preocupando com a alimentação de sua pequena, causava um aquecimento no peito de Regina que foi impossível conter o suspiro prolongado, também não conseguiu evitar que o sorriso se formasse em seus lábios.

– Perfeito.

Emma a olhou... Os olhos esverdeados encontraram com os achocolatados. Sustentaram o olhar sem ao menos piscar, os seus olhos diziam tantas coisas, principalmente o quão estavam encantadas uma com a outra, por motivos distintos, mas de algum modo confirmava o que sentiram no primeiro dia que se falaram: Tensão e querer. Tão gritante e explicito que mandava arrepios para os seus corpos e fazia com que o mundo ao redor se tornasse insignificante.

Porém, o momento foi distraída quando a Marina pegou um garfo e atirou longe, por reflexo, Regina segurou a mão da filha antes que ela arremessasse outra coisa.

– Não! – Disse séria para a filha.

Marina fez uma carinha de choro pela reclamação, mas não chorou. O garçom que caminhava por ali recolheu garfo, recebendo um obrigado murmurado da parte de Regina.

– Ela vai ser uma grande jogadora de beisebol, adora arremessar as coisas. – Emma brincou.

– Tenho que ficar sempre de olho nela, o meu celular quase foi parar na UTI depois de uma arremessada certeira contra a parede na semana passada. – Regina contou, ajeitando a tiara na cabeça da filha.

Emma ficou as observando, elas eram parecidas em alguns detalhes. Com exceção dos olhos, e da cor da pele, e claro, o excesso de bochechas de Marina.

– Por isso que não quero ter filhos, não teria paciência para criá-los.

Foi a vez de Regina a observar.

– É por isso que nunca se casou ou pensou em construir uma família?

Emma segurou o copo, mexendo o gelo e limão que mergulhavam na água tônica, por um breve momento o seu olhar ficou perdido no liquido transparente, a latina achou que ela não iria responder mais quando os seus olhos se encontraram.

– Pensei em me casar apenas uma vez, ela era muito especial para mim e me fez desejar ter tudo o que eu nunca quis antes. – Os olhos verdes escureceram-se por segundos. – Mas não deu muito certo, a vida tinha um plano bem diferente para nós, e hoje... Estou aqui, pagando a minha funcionária para se passar por minha namorada. – Deu de ombros. – Mas está valendo a pena.

Regina não sabia se ficava lisonjeada ou ofendida pelo último comentário, mas decidiu relevar. Não tinha porque ficar tão geniosa com a Emma. O problema era que a loira tinha algo que a fazia explodir com uma única palavra... Qualquer coisa, a chama da raiva se acendia dentro de Regina. Sabia que não podia ser rude com a Emma, principalmente na frente da família da mesma. Apesar de estar prestando serviço para a loira, tinha um quê de gratidão, se não fosse por Emma não teria conseguido pagar a dívida do seu pai, e Deus a livrasse pensar o que poderia ter acontecido com ela ou com a sua filha se não tivesse feito o pagamento.

Alguns clientes olhavam em direção da mesa delas, a maioria caminhoneiros que se admiravam pelas duas belezas distintas e ofuscantes, até sorriam em busca de um flerte bem sucedido, mas não tiveram sucesso, de nenhuma das duas. Elas estavam mais interessadas em se observar.

Marina batia as mãozinhas na mesa, falando a sua língua que ninguém entendia. Não demorou muito para o almoço ser servido. Elas almoçaram tranquilamente, demorou mais um pouco porque foi preciso que Regina alimentasse a Marina, depois do almoço, voltaram para o carro e caíram na estrada novamente, estavam cada vez mais próximas de Recife e as expectativas estava altas.

Se elas soubessem o mínimo que iriam acontecer, talvez, dessem a volta no carro e voltassem para Natal, ou não...

 


Notas Finais


Perdoem-me os erros.


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