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História What i've been wishin' for - Capítulo 40


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Notas do Autor


Oi oi gente, resolvi aparecer!!! :)

O capítulo de hoje tá cheio de confusão e militância, do jeito que eu gosto e vocês também né rsrs

Boa Leitura!

Capítulo 40 - Consciência Negra


Pov Sabina


– Ainda não acredito que vamos ao baile juntas. – Diarra diz empolgada. – Estou tão animada!

Estávamos em frente aos nossos armários, que são um ao lado do outro. Havíamos acabado de sair da aula de educação física e eu estava pegando meu material para a aula de literatura americana, vulgo a minha favorita. Acontece que desde que mudei completamente como pessoa, minhas únicas preocupações são as aulas e desde então minhas notas têm até aumentado.

– Você só fala disso desde que eu aceitei! – Digo franzindo a testa, enquanto continuava a tirar meu material do armário. – Não acha estranho irmos juntas?

– E porque seria? – Diarra me olha desapontada, esperando talvez que eu diga algo sobre o problema ser com ela. Mas não era.

– Não sei. Somos duas garotas Diarra! – Digo da forma mais sutil. – E mesmo que estejamos fazendo isso pra ajudar uma a outra, não te deixa triste saber que ninguém te convidou e você vai ter que ir com sua melhor amiga pra não ter que vir só?

– Eu não fico triste, porque estou indo com você! Se fosse qualquer outra pessoa eu me sentiria mal.

Diarra consegue ser a melhor pessoa nesse mundo, mesmo sem perceber.

– Isso é uma das coisas boas nisso, mas mesmo assim fico meio bolada por não termos sido convidadas. – Fecho o armário e a encaro. – Merecemos essa noite tanto quanto qualquer outra garota dessa escola. Não acho justo que a gente tenha que ir juntas só pra não ficarmos sem ir!

– Sabina, entenda uma coisa. Nenhuma de nós duas fomos convidadas porque ninguém dessa escola merece a gente! – Diarra diz convicta de que estava certa. – E pra mim não importa se estou indo sozinha ou com uma melhor amiga, eu só quero me dividir!

– Divertir! – A corrijo.

– O que?

– Só quero me divertir! – Digo reformulando a frase mais uma vez para que ela entenda.

– Viu só, até você admite. – Ela diz confiante.

– Não, eu só estava te corrigindo… – Dizia até que eu a encaro e ela está com aquela cara de quem acabou de pregar uma peça em alguém. A ficha caiu. – Você fez de propósito! – Digo surpresa e ela dá de ombros convencida.

– Você precisava dizer! – Ela sorri. – Você tem que acreditar que vai ser divertido e eu só queria ouvir de você que a ideia de irmos juntas não é ruim.

Parei para analisá-la melhor. Diarra parecia tão animada e eu sempre deixei claro que não tinha animação nenhuma para ir ao baile com ela. Ouvir isso agora fez com que eu me sentisse péssima. Ela só está tentando me ajudar, como sempre fez durante todos os nossos anos de amizade e eu simplesmente não liguei pra isso por me preocupar com o que poderiam achar se nos vissem juntas.

Sou uma péssima amiga.

– Promete pra mim que você vai se animar mais! – Ela me encara com um olhar de criança que espera promessa.

– Tá, eu prometo! – Digo revirando os olhos em circunstância. – Mas não vamos de vestido combinando, ok?

– Credo, que horror! – Ela diz me fazendo rir.

Estávamos tão distraídas na nossa própria conversa que nem percebemos o grupo de garotas que estava reunido nos olhando, com conversinhas e risadinhas. Apertei meus olhos pra elas, e sem aviso ou controle sobre meus pés, me afasto do armário e caminho até elas. Diarra me acompanha.

– Posso saber o motivo da graça? – Encaro elas com as mãos na cintura.

Mesmo eu perdendo o posto de maldade, continuo com a mesma postura intimidante de sempre. Já tá no sangue.

– Nada Sabina, não estamos rindo de você! – A garota loira diz e lança um risinho pra sua amiga ao lado. Lisa é o nome dela.

– Não? Eu vi muito bem vocês me olhando e rindo feito idiotas! – Franzi a testa e lhe encarei.

– Ah foda-se! – Lisa diz revirando os olhos. – Estamos achando o máximo essa cena de vocês duas combinando de irem juntas ao baile. O colégio inteiro já sabe desse mico de vocês!

– Porque mico? – Diarra perguntou ingênua.

– Ah tá brincando né? – Grace, a ruiva, cruzou os braços e encarou Diarra. – É patético o que vocês estão fazendo. Duas garotas indo ao baile juntas por não terem par, é humilhante e triste!

Todas riem após ouvirem o comentário dela. Diarra me olha e quando meu olhar encontra o seu, sinto uma onda de fúria me invadir. Eu também pensei como essas garotas, mas agora, ouvindo tudo isso, percebi o quão idiota era esse pensamento.

– Idai que vamos juntas? – Encaro elas. – Vamos nos divertir mais do que vocês e seus pares que só ligam mesmo pro sexo que vocês farão depois que saírem da escola! Se toquem, a companhia da minha melhor amiga é bem melhor que a de um cara qualquer que só quer me comer depois que a gente dançar uma ou duas músicas nesse baile estúpido!

Elas pareciam chocadas com o que acabei de falar. Umas ficaram caladas, outras baixaram as cabeças e Lisa simplesmente riu.

– Você mudou mesmo Sabina! – Ela diz com um sorriso provocador no rosto. – Quem diria que passaria a ser essa figura vergonhosa que é hoje. Uma perdedora depressiva que precisa se juntar com a amiga macaca pra não ficar de fora do baile!

– O que você disse? – Me aproximo dela com rapidez. O sangue já fervia no cérebro. Suas palavras martelavam no meu subconsciente.

– Que você é uma perdedora depressiva! – Ela me encarou debochada.

– Não. A parte que você falou da minha amiga! – Me aproximo ainda mais.

– A macaca? – Ela perguntou com desdém e isso foi a gota d'água pra mim.

Minha mão voou tão rápido que eu nem sei se foram segundos ou milésimos. Acertei seu rosto com um tapa estalado que fez barulho no corredor inteiro. Ela só não caiu porque se esbarrou na garota que estava atrás dela.

Lisa me olhou espantada, com a mão na bochecha. As amigas pareciam estar em choque.

– Você é podre Lisa. Você é a pior raça dessa escola e sabe bem que não é só eu que acho isso! Tenho pena de você e desse seu grupo de amigas imbecis, com o cérebro tão pequeno que é quase inexistente. Vocês são ignorantes e submissas que acham que todo mundo precisa de um macho pra se divertir… Eu só preciso da minha amiga. – Seguro a mão de Diarra. – Ninguém aqui é melhor que ninguém, entendeu? Sua patricinha mimada. Todos somos iguais e a cor de ninguém deveria influenciar na vida do outro. Você não ganha nada sendo uma babaca, assim como Diarra não perde nada ouvindo esse seu comentário racista. Ela reconhece o valor que tem e não se deixa levar por pessoas insignificantes como você e suas amiguinhas branquelas. E se alguém nesse corredor tem que ser chamado de animal, esse alguém é você. Sua rata desprezível, que vai perder tudo que tem a sua volta por achar que o mundo precisa de comentários de merda como os seus.

– Pega leve Sabina! – Grace diz e eu lhe encaro. Ela se afasta, assim como todas as outras.

Volto minha atenção para Lisa, que encarava o chão ainda com a mão na bochecha.

– Faz um favor ao mundo e nunca mais abre essa sua boca pra falar besteira! – Seguro em seu cabelo e puxo com força, fazendo ela me encarar. – E nunca mais dirija uma só palavra pra nenhuma de nós duas, entendeu?

Lisa concordou com um aceno de cabeça amedrontado. Ótimo, era isso mesmo que eu queria. Larguei seu cabelo e saí puxando Diarra pela mão. Deixamos elas pra trás e saímos da escola, rumo à algum lugar que não estivesse infestado de parasitas e vermes como elas.

– Não precisava fazer tudo isso Saby! – Diarra diz enquanto nos afastamos do prédio.

– Eu posso ter exagerado com o lance da intimidação, mas não me arrependo do que disse. – Digo com orgulho. – Ela precisava ouvir tudo aquilo!

– É, mas isso só vai atrair medo delas e não respeito!

– Diarra, pessoas como você não conseguem serem duras o bastante, e é fofo, não interferem por achar que é o certo. Mas pessoas como eu, bombas relógios, simplesmente explodem quando alguma injustiça desse tipo acontece!

– Tudo bem Saby, eu não ligo pra isso!

– Eu não gosto de ver as pessoas te julgarem e serem preconceituosas com você por uma coisa tão normal que é a sua diferença de cor de pele, você é a pessoa mais linda e incrível desse mundo, e ninguém tem o direito de negar!

– Eu nunca pensei que um dia ouviria você dizer isso de mim! – Ela sorri. – Sempre fui só o seu capacho.

– Os tempos mudaram. Eu não sou mais a Sabina idiota e materialista de antes. Agora eu dou mais valor às pessoas a minha volta, e você é uma delas. Merece ser colocada em um trono!

Diarra sorri orgulhosa do que ouviu e isso fez meu coração voltar a se alegrar. Somos amigas a tanto tempo, mas só agora parei pra lhe dar valor. Ela merece o mundo por ser tão ingênua e pura de maldade, e eu a ajudarei sempre que possível da mesma forma que ela me ajuda a me tornar uma pessoa melhor a cada dia.

Afinal, é assim que as melhores amigas fazem e sempre tem que fazer. Elas ajudam uma a outra.


Pov Bailey

– E como anda o futebol Bailey? – O Sr. Loukamaa pergunta assim que é servido o jantar.

Não teve nada que me manteve mais nervoso essa semana do que esse jantar. A ideia de comer com a família de Joalin não era assim uma das piores e mais assustadoras, afinal eu trabalho com eles então não haveria aquele típico problema de não saber como reagir, mas quando se trata de jantar familiar, os assuntos devem ser escolhidos meticulosamente para não causar um mal estar entre os envolvidos e eu estava tão nervoso de puxar um assunto errado que preferi ficar calado desde que cheguei. Tudo que falei foi "oi", "tudo bem" ou "Sim".

O Sr. Loukamaa deve ter percebido isso e por várias vezes tentou puxar assuntos aleatórios.

– Ah, estou bem satisfeito com meu avanço. Acho que consegui evoluir bastante desde quando comecei a me aventurar nesse mundo das bolas! – Comento e ele ri um pouco.

– Já vi você jogando, é realmente fantástica a sua habilidade no campo.

– Jan adoraria aprender a jogar como você! – Johanna diz. – Ele passa horas dizendo pra Joalin o quão bom você é.

– Eu sei. – Digo rindo. – Joalin sempre conta as histórias que ele lhe diz. Se quiserem eu posso ensinar algumas coisas pra ele.

– Ele vai adorar! – Joalin diz e me olha sorrindo.

O sorriso dela é tão lindo que quase me perco na conversa. Eu queria tanto beijá-la agora.

– Futebol não é tão difícil, leva tempo pra você ser um craque de verdade, mas no geral é só chutar a bola que você já está jogando! – Digo e todos parecem rir com o comentário.

A verdade é que quando se trata de falar sobre futebol ou a maneira como jogo, sempre tenho medo de parecer arrogante, por isso escolho muito bem as palavras e os argumentos que uso. Não quero causar essa impressão.

– Pensa em seguir carreira Bailey? – O Sr. Loukamaa pergunta dando mais uma garfada na sua almôndega.

– Não. Na verdade eu uso o futebol como apenas um hobbie. – Digo antes de beber um pouco do suco servido. – Pretendo seguir carreira em psicologia.

– Que interessante! – Johanna diz mantendo um sorrisinho amigável no rosto.

– O Bailey é bom com conselhos. Ele sabe como conversar e resolver problemas! – Joalin sorri pros pais e logo depois pra mim.

Segurei sua mão por debaixo da mesa.

– E como tá o relacionamento de vocês? – O Sr. Loukamaa me encara, apoiando os cotovelos na mesa.

Pude sentir, pela primeira vez naquela noite,

aquele olhar julgador que os pais sempre lançam para os genros. Não minto que nesse momento eu gelei um pouco. Não por não saber o que dizer, mas por estar com medo de que tudo que planejei pra mim e pra Joalin não seja o suficiente para agradar ele.

– Estamos apenas saindo! – Joalin diz disfarçando o próprio constrangimento.

– Como assim? – Ele me encara novamente.

– Eles estão apenas se conhecendo melhor! – Johanna diz, tentando fazer com que o que ela disse seja algo natural.

– Pareciam se conhecer bem ontem quando peguei vocês se beijando no parque. – Ele diz, me fazendo engasgar.

– Pai! – Joalin o repreende.

– Que foi? – Ele perguntou desentendido. Os dois Loukamaa mais velhos se encararam.

– Vou buscar a sobremesa! – Joalin disse, levantando.

– Mas nem terminamos o jantar!

– Não importa, vou adiantar as coisas! – Ela diz o encarando como quem julga alguém por ter feito algo de errado.

– Quer ajuda? – Johanna perguntou, mas a loira apenas seguiu pra cozinha sem deixar resposta.

Depois disso ficou um silêncio constrangedor. Eu iria agradecer aos deuses se Jan e Jihanna estivessem aqui. Eles certamente estariam nos distraindo da situação que acabou de acontecer. Mas agora que estou a sós com os dois, posso finalmente entrar no assunto que me interessa e foi o motivo maior para que eu aceitasse o convite de vir jantar com eles.

Eu preciso fazer isso agora ou talvez não faça a tempo.

– Aproveitando que Joalin não está aqui, eu gostaria de fazer uma pergunta à vocês. – Digo com um pouco de insegurança.

Eu estava ficando um pouco nervoso por motivos óbvios:

(1) Joalin poderia voltar e atrapalhar a conversa

(2) Eles poderiam não aceitar o que eu vou pedir.

– Pode falar Bailey! – Johanna diz, tomando um gole de sua água.

– Bem, como já foi dito aqui, Joalin e eu estamos apenas saindo, o que na nossa língua adolescente significa que estamos "só ficando"!

– Isso é ruim? – O Sr. Loukamaa me encarou de olhos cerrados.

– Absolutamente não. É uma forma bastante eficaz de não apressar as coisas e se arrepender depois…

–Vá direto ao ponto garoto! – Ele diz me poupando de dar mais explicações.

– O que estou tentando dizer é que tenho planos pra mim e pra sua filha, e agora que já passamos muito tempo juntos e se conhecendo melhor, eu estou pronto para dar o próximo passo no nosso relacionamento. – Eu dizia e acompanhava cada reação deles. O Sr. Loukamaa me olhou como se esperasse que eu continuasse, então o fiz. – Tudo que eu mais quero é ver a Joalin feliz, e pretendo ser a pessoa que vai realizar isso na vida dela. Sua filha é linda e tem um coração extremamente gentil e bondoso, isso é ainda mais atraente do que a aparência. Eu sinto que com ela eu estou completo e que estou fazendo a coisa certa me colocando na vida dela, porque sim, eu me acho bom pra ela, talvez não o bastante mas o suficiente pra completar ela também!

Suspirei e então dei uma pequena pausa antes de continuar.

– Quero pedir a sua filha em namoro, e antes disso gostaria de pedir a benção de vocês.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, apenas me olhando. Eu já começava a suar só de imaginar eles negando o meu pedido. Quando me dei conta os dois estavam rindo, como se eu tivesse acabado de contar-lhes uma piada.

– Você está pedindo nossa benção? – Ele perguntou ainda rindo. – Meu rapaz, você nem precisava! Já aceitamos a relação de vocês a muito tempo.

– É sério?! – Pergunto com um misto de surpresa e alívio.

– Claro Bailey. – Johanna segura minha mão. – Você é o garoto mais educado, gentil e carinhoso que nós já conhecemos. Não vejo pessoa melhor para nossa filha do que você!

– Não tenho dúvidas de que você vai fazer nossa filha feliz. – Ele diz, e fico grato de ouvir isso. Não contenho o sorriso enorme que brota em meu rosto. – Saiba que apoiamos vocês, e independente da decisão dela quanto ao pedido, você tem sim nossa benção.

– E-eu fico muito grato por tudo isso. – Digo feliz o bastante para me emocionar ao ponto de ter lágrimas se formando em meus olhos. – Vou fazer de tudo pra que ela seja a garota mais feliz desse mundo, eu juro!

Vejo pelos olhares deles de que sim, eu consegui conquistá-los também. Isso pra mim é outra vitória. Nada me alegrou mais essa noite do que saber que os dois me apoiam e estão satisfeitos com os meus planos com Joalin. Posso dizer com certeza que estou realizado.

– Credo mãe, você não tinha colocado a cobertura. – Joalin volta da cozinha com uma travessa de mousse na mão. – Levei um tempo pra colocar tudo antes de trazer!

Ela voltou a sentar do meu lado e nos encarou por um tempo até perceber que algo estava diferente entre nós.

– Tá tudo bem? – Ela perguntou confusa. Johanna riu.

– Tá sim! – Digo sorrindo antes de lhe deixar um beijo na bochecha. O Sr. Loukamaa nos olhva sorrindo.

– Ok, isso está estranho. – Ela diz nos arrancando mais risadas.

Depois disso tive a conclusão de que finalmente encontrei meu destino como homem, naquela família. Eles me ajudaram, mesmo sem intenção, a ser uma pessoa melhor, embora quase nada tenha mudado na minha personalidade. Mas a minha maior conquista alí com certeza tem nome e sobrenome.

É Joalin Loukamaa que me faz rir, sorrir e principalmente amar. Estou pronto pra ela e pra viver meu futuro com ela.


Pov Sabina

– Sentem-se por favor! – O diretor nos aponta os assentos à frente, assim que entramos em sua sala.

Diarra e eu fomos chamadas pelo megafone, durante a terceira aula, à comparecer na diretoria. Acho que pelas circunstâncias de ter sido chamada junto com ela, já imagino sobre o que exatamente se trata essa visita.

– O que eu fiz diretor? – Diarra perguntou sentando-se na cadeira ao meu lado.

Agora de frente pra ele, o encarei tentando ler através de sua feição se ele iria nos castigar ou não pela confusão no corredor, mesmo que até agora ele não tenha citado o motivo pra ter nos chamado aqui. Mas eu tinha certeza que era por isso.

– Bem, eu chamei vocês aqui porque recebi uma denuncia anônima sobre uma episódio de agressão ontem no corredor!

Eureca! Eu sabia que esse era o motivo de recebermos um convite pra sua sala.

– As denúncias constam agressões verbais e físicas, por parte das duas ontem!

– Quê? – Pergunto me descolando das costas da cadeira e sentando na ponta, quase ficando de pé. – Mas somente eu que botei as mãos naquela imbecil! A Diarra não teve nada a ver com isso!

– Então você admite? – Ele me encara.

– É claro que eu admito. Não me arrependo de ter ensinado boas maneiras para aquela quadrúpede ignorante!

– Sabina, se controle. – Ele me repreende. – Por mais que esteja confiante das suas ações trate de se portar adequadamente diante de mim! Esse tipo de atitude é desrespeitosa!

– Se quer falar de desrespeito, porque o senhor não chama Lisa e a sua trupe de gazelas pra conversar sobre chamar a Diarra de macaca?! – Cruzo os braços e lhe encarei séria. – Acho que não existe desrespeito maior do que ofender outra pessoa por causa da sua cor de pele!

– Eu estou ciente disso. E é por isso que eu as chamei aqui! – Ele diz de forma calma, o que me deixa confusa. – Minha sobrinha, Hazel, estava no corredor na hora em que tudo aconteceu. Ela foi rápida em gravar sem que vocês percebessem, e me mostrou logo que vocês se afastaram da cena!

– Fofoqueira. – Digo baixinho, os dois provavelmente me ouviram porque me encararam com expressões sérias. – Tá, desculpa. Pode continuar!

– Recebi a denúncia, que provavelmente tenha vindo da senhorita Lisa, mas eu as chamei aqui não por esta causa, mas porque quero que vocês prestem queixa contra a discriminação vindas dela contra você! – Ele encerra de dizer e olha para Diarra com uma cara de quem se lamenta.

– Está querendo dizer que mesmo a Sabina tendo realmente agredido essa garota, o senhor só nos chamou aqui para que eu preste queixa contra ela? – Diarra parecia confusa, e eu não a julgo, também estava.

Se o diretor realmente viu com os próprios olhos a cena do tapa que eu dei naquela vaca, então eu já deveria estar sendo expulsa. É óbvio que era de se chocar que ele só quisesse nossa queixa.

– Sabina ainda receberá uma punição pelo que fez. – Ele me encara e depois volta sua atenção para Diarra. – Mas você, minha garota, não fez nada contra aquelas meninas e vejo que na sua posição, atitudes já deveriam ter sido tomadas. O preconceito e o racismo são coisas que eu pretendo abolir desta escola, nenhum aluno meu merece passar por isso. Essas garotas lhe disseram coisas horríveis, não só ontem mas durante toda a sua vida. – Diarra baixa a cabeça e posso notar pela sua cara que era verdade o que ele falava. – Você só é tímida e ingênua demais para demonstrar indignação por essas ações. Preciso dar alguns ensinamentos a essas garotas, mas eu não posso puni-las se você não entrar com uma queixa!

Diarra suspirou fundo. Parecia lutar mentalmente se precisava mesmo fazer isso ou se estaria sendo má se quisesse de verdade fazer isso. Ela pensou por muito tempo, mordendo o lábio em nervosismo. Estava no seu próprio mundo, dentro de sua bolha confortável e nenhum pouco contaminada pela maldade do mundo.

Segurei sua mão e sorri assim que ela me olhou. Um brilho de confiança pareceu se iluminar dentro de si.

– Eu estaria sendo muito má com elas se fizesse essa queixa? – Ela encara o diretor que dá um sorrisinho.

– Absolutamente não! – Ele pega alguns papéis na gaveta e os põe sobre a mesa. – Essas garotas que foram más com você, e é certo que paguem por isso!

– Então eu faço! – Ela diz confiante.

– Essa é minha garota! – Digo orgulhosa e lhe abraço.

Diarra pega o papel e o encara antes de assinar. Ela dá um suspiro e encara o diretor.

– Eu tenho orgulho do que sou, e não tenho vergonha ou fico magoada com o que dizem sobre mim, porque eu sei o meu valor no mundo e reconheço o meu caráter como pessoa. Minha origem não permite que eu seja igual à esses ignorantes e é por isso que eu fecho os olhos pro racismo que me cerca e vivo a minha vida com o amor dos meus pais, dos meus amigos e das pessoas que realmente se importam comigo. Essas sim, são as pessoas que eu escuto e ligo. Eu não sou ingênua diretor, eu só reconheço quem são as verdadeiras pessoas que eu deveria me importar! A opinião dos demais é algo meramente descartável pra mim.

– Eu entendo querida. – Ele diz com um sorriso orgulhoso no rosto.

O mesmo sorriso que eu usava agora, a encarando com tanta bravura e amor próprio. Duas coisas que eu nunca tive, mas com Diarra do meu lado, eu sabia que iria aprender a ter.

– Você vai mesmo assinar?! – Perguntei e ela parou de nos olhar e deu atenção ao papel novamente.

Ela concordou com a cabeça.

– Essas lambisgoias vão ter o que merecem! – Ela diz e tanto eu quanto o diretor rimos.

De repente a atmosfera do local mudou. Foi tão rápido que eu até estranhei, embora estivesse gostando.

– Ótimo, duas semanas de suspensão e estão fora do campeonato nacional das líderes de torcida! – Ele diz enquanto vê a assinatura de Diarra na folha. – Elas vão repensar muito sobre a próxima vez que serão racistas com alguém na minha escola.

– Obrigado por isso diretor! – Ela sorri tímida.

– Não acredito que vou ficar duas semanas sem olhar pra cara daquelas cobras! – Digo sorrindo. – Tô tão feliz que nem fico preocupada com o que será minha punição!

– Que bom que lembrou! – Ele une as duas mãos sobre a mesa e me encara. – Uma semana de auxílio à biblioteca, e… – Ele complementa assim que me vê comemorando. –…Terá detenção com a professora Yonta três vezes por semana, durante 1 mês!

– Poxa, poderia me matar logo!

– Ajudando sua amiga ou não, agressão ainda é algo muito sério para não ser punido com devida seriedade. – Ele diz. Reviro os olhos, o que faz Diarra rir. – Enquanto a você querida, tenho uma proposta que talvez seja do seu agrado!

Olhei para Diarra e ela me olhou com a mesma expressão de dúvida que eu lhe passava.

– O que é?

– O clube de fotografia, de modelagem com argila e o de Celibato foram extintos por corte de verbas na escola, o que nos têm ajudado bastante, mas diante de todos esses eventos eu estou com uma proposta de um clube novo que eu mesmo investirei e manterei caso a verba da escola caia novamente. Gostaria de saber se você tem interesse de liderá-lo!

– Tá, mas que clube é esse? – Diarra perguntou.

– Consciência negra! – Ele diz e vejo Diarra sorrir. – Queremos mais representatividade de culturas e raças na escola. Uma boa iniciativa é fazer com que jovens como você se unam para lutar contra o racismo nas escolas. Qualquer pessoa poderá entrar, desde que esteja disposta a ajudar o próximo como se fosse a si mesmo. Mas para isso precisamos de alguém com confiança e um coração bom o bastante para liderar o clube com responsabilidade e de maneira pacífica. E não vejo pessoa mais indicada para isso do que você!

– Eu? Liderar um clube? – Ela parecia confusa e perdida. Como se estivesse com vontade de aceitar mas ainda assim com medo de não dar conta das responsabilidades.

– Você consegue! – Seguro sua mão.

– Eu posso ter um co-capitão?

– Você quer dizer, um vice líder?

– Isso, um vice líder! – Ela mesmo se corrige e o observa com esperança no olhar.

– Claro que sim! Tem alguém que você gostaria de indicar?

– Sim! Minha melhor amiga, Sabina! – Ela diz animada com a ideia e me olha sorrindo.

– Eu?

– Ela?

O diretor e eu perguntamos aos mesmo tempo.

Fiquei surpresa com isso. Não esperava que ela me convidasse para participar de algo que só dizia respeito aos seus iguais.

– Sim. Exatamente o que vocês ouviram. Eu aceito encarar e liderar esse clube, mas só se minha amiga estiver comigo nessa. – Ele aperta minha mão, que ainda estava segurada à dela. – Por favor Saby. Participa disso comigo?!

Eu ainda parecia surpresa com o convite, mas ao mesmo tempo estava feliz de ela ter lembrado de mim e estava confiante em me chamar para ajudá-la numa causa tão importante dessas. Eu sabia a resposta que ela queria, era exatamente a que eu também queria dar.

– Vai ser uma honra! – Digo sorrindo e nos abraçamos.

– Ótimo, declaro aqui então que está aberto o clube de conscientização negra de South High! Estou ansioso para ver os seus projetos!

– Pode apostar que nós também estamos!

Ter vindo à essa sala não foi tão ruim quanto eu achei que fosse. Antes eu pensava que o diretor fosse nos dar um sermão e ser injusto como sempre foi, mas ele não agiu como esperado e me surpreendeu fazendo enfim uma boa ação pra essa escola. Diarra, e todos os outros alunos negros desta escola, merecem respeito, e fico feliz que finalmente terão um grupo para apoiá-los e ajudarão Diarra à lutar para que tenham seus direitos.

 Seus direitos como aluna, e principalmente, seus direitos como ser humano.


Notas Finais


E então, o que acharam?

Fico muito feliz de ter achado um enredo tão bom pra encerrar a história da Lady Di. De fato uma causa muito importante pra ela e acho que foi o toque certo pra fazer ela amadurecer ainda mais :)

Lembrando que a fic tá na reta final.
Só mais 3 capítulos (que já estão escritos), então preparem o psicólogo porque tem muitos personagens encerrando suas histórias ao longo desses próximos capítulos...

~~E não esqueçam de favorita a fic. O combinado ainda tá de pé, ok? 500 favoritos até o final da história, acredito que vocês vão me ajudar nisso 🙏🏻💙

Sem muito mais o que dizer, encerro as notas aqui.
Bjão e até o próximo!!!!


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