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História What's your number? - Capítulo 8


Escrita por: e goldnjk


Notas do Autor


como está sendo a quarentena de vocês? lavem as mãos coleguinhas e boa leitura.

Capítulo 8 - .a desilusão


18:40

A tarde havia passado em um piscar de olhos aquele dia. Depois de uma ligação cheia de broncas e xingamentos do meu hyung por eu ter contado que havia perdido a entrevista de emprego (a segunda que já tinha tentado), eu me deleitava na banheira com sais de banho aromatizados, que Hoseok tinha me providenciado, junto ao quarto de hotel. Passar uma tarde inteira naquele lugar tinha sido a atividade mais relaxante que já pratiquei em anos.

Com toda a preguiça do mundo, saí da banheira e me enrolei no roupão que estava posto sob a pia. Tinha que admitir que o tecido era meio áspero, mas pra' quem economiza até na folha dupla, aquilo era o paraíso.

Passei pelo grande espelho que ficava na penteadeira do quarto, notando o quão meu cabelo parecia estar mais hidratado.

O que usar produtos caros por um dia não podia fazer?

Pensei até em levar um ou outro na minha volta para casa, mas se as coisas dessem certos com Hoseok, eu não precisaria me preocupar em ter menos que um estoque.

Ah, a vida que as pessoas precipitadas levam...

Me tirando dos meus devaneios, o toque do meu celular quebrou o silêncio do quarto de hotel.

Vizinho insuportável

Era Jungkook me ligando.

Ora, você ainda está vivo?

— Por que não estaria? – questionei me jogando na cama de solteiro macia e cheirosa do lugar.

Você não voltou até agora, então as coisas tinham dado muito certo ou muito errado.

— Ah, mas deu tudo certo, Jungkook! Você não vai adivinhar.

Ele te convidou para festa chata e careta que vai ter no hotel mais chique de Seul e você passou a tarde toda aí?

— O Google alert é tão eficiente assim?

Na verdade, pra' quem diz que não precisa de redes sociais você atualizada bastante seu Instagram.

— É sempre bom guardar além da memória, mas enfim, Jungkook, ele é literalmente um amor, quando a gente chegou no hotel conversamos e foi incrível, sabe? Melhor que a conversa que a gente teve na biblioteca, daí ele reservou dois quartos separados e-

Sabia que voce tá’ parecendo um adolescente falando? Aliás ele não quis dividir o mesmo quarto que você, foi aquele terno que desanimou ele, não foi?

— Primeiro, você é o único aqui que se parece com um adolescente com essas camisetas temáticas e segundo, como eu disse ele é um amor e um cara legal, não iria ser tão apressado e terceiro aquele terno era sexy.

Jungkook iria dizer algo, mas eu tive que corta-lo, pois ouvi alguém bater na porta do quarto.

Ao abri-la me deparei com um senhor bem alto e magro, que possuía uma áurea ala mordomo da família Adams.

— Olá, o senhor Jung me pediu para lhe entregar este presente pessoalmente – disse e logo após me entregou uma caixa larga com um laço no topo.

Antes quer eu conseguisse agradecer ele virou de costas e saiu.

Por que eu tenho a impressão de ter ouvido a voz do Snape no outro lado da linha?

— Cara, você não vai acreditar! Ele acabou de me mandar um presente!

Jungkook ficou quieto.

Abri a caixa com toda delicadeza até chegar a parte do embrulho

Puta que me pariu, ele me deus uma terno Versace, Jungkook! Eu sinto que estou vivendo uma versão alternativa de Cinderela.

Cuidado, o terno pode virar uma camiseta temática à meia-noite.

Então a linha ficou muda.

Dei vários pulinhos me sentindo a pessoa mais especial de Seul.

Em um só dia eu tinha tido uma tarde simplesmente incrível e de bônus usaria um terno caro Versace que jamais poderia pensar em usar em vida.

O que poderia dar errado?

[...]

Às oito em ponto ele já estava me esperando no hall onde a “festa" já tinha começado. Sendo sincero, não saberia se era exatamente uma festa, a quantidade de gente bem velha e a música clássica não ajudava muito.

— Taehyung, você está maravilhoso, cara - disse Hoseok com um sorriso largo no rosto.

— Obrigado, você também está incrível.

E ele realmente estava, se bem que ele parecia um garçom com a gravata borboleta, mas tirando aquilo, ele estava incrível. O cabelo escuro perfeitamente alinhado e o relógio mais caro que um mês meu de aluguel no pulso só reforçaram essa ideia.

Começamos a caminhar lado a lado quando percebi que meu celular tocava a música tema de “Call me by your name” no meu bolso.

Vizinho insuportável.

— Desculpa, esqueci de deixar no silencioso – me expliquei e rejeitei a chamada.

— Oh, tudo bem.

— Vamos?

*

— Taehyung, não acredito que o Senador americano Philips e esposa dele falaram com gente por mais de 15 minutos, eu estou tão nervoso, seu inglês é ótimo, sabia? – disse Hoseok tentando tomar fôlego.

O cara levava aquilo tão a sério que eu não soube se pedia ajuda para alguém quando o Senador nos cumprimentou e Hoseok começou a soar frio.

— Pois é, né.

— Você estudou ciências sociais, políticas?

— Marketing, o que é basicamente convencer as pessoas que você tem total conhecimento no assunto.

Nós dois rimos.

— Nós fazemos um time ótimo, Taehyung.

— Eu sei!

— Eu estou falando sério, se unirmos nossas ideias, seu carisma, é do topo e além! – ele tinha fala e olhar tão compenetrados em mim que foi impossível não franzir o cenho incomodado — Inclusive você continua com aquilo de ser gay?

— O que?...

— Olha, Taehyung – ele começou a sussurrar — Quem vai tomar tudo novamente vão ser os conservadores, eu tive que fazer uns sacrifícios, mas tenho certeza nós dois passamos por essa fase meio tumultuosa, certo?

A Coreia do Sul depois de anos e um novo governo não conservador conseguiu mudar bastante, desde a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, até permitir por lei que pessoas transgêneros pudessem mudar seu nome no cartório, mas sempre existia algumas pessoas querendo mudar essa realidade quase utópica... Algumas pessoas como Hoseok.

Não estando disposto a ter toda uma discussão com Hoseok, tirei meu terno, a chave do meu quarto do meu bolso, entreguei nas mãos dele e dei dois tapinhas no seu ombro.

— Isso não é pra mim e eu tenho certeza que não pra’ você.

Ele parecia bem confuso, me observando sair do hall até a saída do grandioso Hotel Omní.

A volta para casa seria longa.

23:15

Com as mãos nos bolsos e a cabeça cheia, adentrei meu condomínio, sem estar psicologicamente preparado para subir aquelas escadas. Ainda no primeiro degrau me deparei com o Senhor Akira do 4D e seu bonsai. Os dois pareciam que iriam sair para um passeio.

— Boa noite, senhor Akira, meio tarde para sair, não?

— Cuida da sua vida, punk.

Desde que eu tinha descolorido meu cabelo e pintado de loiro, o adorável senhor Akira começou a me chamar de punk pra’ baixo.

— Tenham um bom passeio romântico - disse e recebi um olhar irritado em troca.

Com este belo diálogo de motivação, subi as escadas o mais lento possível, o que era o mais rápido que eu conseguia. Meu Uber tinha cancelado a viagem e eu tive que voltar a pé até mais próximo de onde eu morava, porque decidi que estava cansado demais para continuar andando, então tive que pedir outro Uber, que para minha sorte, não me deu um bolo.

Chegando até meu destino final, abri minha porta esperando encontrar ela aberta, já que Jungkook me disse que estava por lá, o que eu não esperava era encontrar tudo escuro.

— Espera, Tae, não liga nada ainda – a voz de Jungkook ecoou de algum lugar na escuridão, mas foi prontamente ignorada por mim, que liguei a luz de ficava sob a porta — Peraí, fecha os olhos... E... Pode abrir.

Na verdade eu não tinha fechado meus olhos, o que não adiantaria de muita coisa, já que meu apartamento todo estava um completo breu, isso até eu ver um foco de luz sob a uma prateleira da sala. Era o cenário de esculturas em um casamento que eu tinha feito semanas atrás, pensando em dar como um presente extra de casamento para Jin. Ele estava adornado de luzes brancas, como se estivessem em um palco, ouvi Jungkook apertar um botão ou algo assim, e em outra prateleira estava outro cenário de esculturas, mas dessa vez com personagens no metrô. E assim foi feito com todos os meus cenários que ficaram rodeados de focos de luz por todo apartamento.

Me aproximei maravilhado, mas com uma expressão de derrota que insistia em estampar meu rosto. Jungkook fez o mesmo.

— O que acha? A fiação tá’ meio ruim, então quando eu liguei isso a luz do banheiro provavelmente queimou, mas valeu a pena, né?

— Você é inacreditável – ri baixo — Está tudo... incrível...

— Acho que a luz é perfeita, sabe? Realçou os detalhes, tipo o dente de ouro do Louie – apontou para um dos mini personagens no mini canário do metrô — Eu dei o nome Louie pra’ ele, inclusive... Você parecia tão deprimido no seu telefone, então achei uma boa fazer isso... Aquele cara era um babaca, tão babaca que não vamos falar dele, vamos comer pizza.

Jungkook foi correndo até a cozinha, acendeu a luz e revelou uma garrafa de vinho e duas caixas de pizza no balcão.

— Se você concordar, é claro.

— Tem um monstro na minha barriga que precisa ser alimentado - eu ressaltei.

Corri até o balcão e agarrei dois pedaços enormes se pizza, vendo Jungkook procurar por algo com a garrafa de vinho nas mãos.

— Você consegue se passar por gentil, sabia? E se estiver procurando o Saca Rolhas, tá’ na terceira gaveta a esquerda.

— Valeu e eu só escolho “me passar" por gentil pra’... certos tipos de pessoas.

— Oh, então eu deveria me sentir honrado?

— Não sei – disse com um sorriso presunçoso, enquanto enchia dois copos com vinho.

— Mas obrigado de verdade, só você tá' conseguindo melhorar meu humor ultimamente.

— Você pode me agradecer de outra forma depois.

— E voltamos a programação normal.

Nos dois rimos alto. Jungkook me guiou pelo pulso até o sofá, sentou comigo e me ofereceu um copo de vinho. No primeiro gole foi impossível não fazer uma careta com o gosto amargo demais.

— Que vinho horrível, Jungkook!

— Eu disse pra’ mim mesmo que iria deixar sua chatice de lado, então vou ignorar isso – disse tomando um gole e fazendo uma careta igual a minha — Caralho, isso aqui tá’ ruim mesmo.

Deixei o copo de vinho no chão e apoiei minhas pernas no colo de Jungkook.

— Por que as coisas dão sempre errados pra’ mim? – suspirei alto

— Porque você vive correndo atrás das coisas erradas?

— Tem como maneirar na sinceridade?

— É que, cara, você deveria ser você mesmo, sabe? Não viver do que os outros te digam que certo e errado, e eu sei muito bem como isso soa clichê, mas é sério, Tae, viver desse jeito não funciona pra’ ninguém.

— E por onde você acha que eu deveria começar?

— Tá’ vendo? É disso que eu tô’ falando, não vou dizer o que você deve fazer, é mais sobre como você interpretar tudo isso e fazer suas próprias decisões.

— Tá’ bom senhor, Coach, ajudou bastante.

Ele riu soprado.

— Aí, que droga.

— Que foi?

— Vou ter que ir sozinho no casamento do meu irmão... – disse quase em um muxuxo.

— Eu vou com você, se é isso que estiver sugerindo.

— Tá’ covencidinho demais pro meu gosto – disse jogando uma azeitona em seu rosto — Mas é sério?

Não era uma péssima ideia afinal.

Ele concordou com a cabeça.

— Mas é um anjo mesmo – ironizei, tentando alcançar suas bochechas para apertar.

— Ainda está afim de sair hoje? – me questionou, se esquivando do meu aperto.

— Depende, pra’ onde vamos?

Ele tirou minhas pernas das suas coxas e estendeu a mão para mim.

— Um lugar legal, confia.— De todas as decisões que já tomei hoje, essa por alguma razão me parece a menos idiota.


Notas Finais


eu fiz o hobi ser um ex gay republicano 😭😭😭
me veio a dúvida aqui será se posto no wtpp?
lave as mãos e tchau


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