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História When Love Comes True - Capítulo 7


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Notas do Autor


Prontoooo, agora as coisas ficaram mais interessantes, hehe! Mas não posso falar muito, estou proibida de falar! SHIU!
Boa leitura ❤

Capítulo 7 - Um inimigo, um jantar e um beijo


Fanfic / Fanfiction When Love Comes True - Capítulo 7 - Um inimigo, um jantar e um beijo

POV SAFIRAH

Acordei com um barulhinho de música no meu ouvido, e meu sono foi tão pesado que nem me lembro onde estava. Estava em uma cama com lenso vermelho, em formato de cisnei, olhei em volta e era um subterrâneo recheado em dourado, a luz da água refletia nas paredes, também era possível ouvir o som do lago movendo. Estava na casa de Erik, é claro... e a música que me acordou era um lindo macaquinho indiano, sentado em uma caixinha e batendo pratos.

- ...Erik? - perguntei, querendo ouvir uma resposta.

Nos primeiros segundos, continuou em silêncio, achei que ele talvez não estaria em casa, mas o silêncio foi quebrado quando ele apareceu ao meu lado na cama, vestido como o clássico Fantasma da Ópera, roupas todas negras, uma espada no cinto, capa negra e sua máscara branca, um ar de mistério.

- Bom dia, flor do dia! - disse ele, todo animado - Animada para os ensaios de hoje?

- Bom dia, Messieur Mistério. Animada não, diria cansada... mas fazer o que, a vida é assim, difícil, mas por isso nós alcançamos o sucesso.

- Esse é o espírito! - disse ele, dando tapinhas no meu ombro.

- Esse macaquinho é seu? - perguntei, apontando para o macaco de brinquedo.

- É sim... tenho ele a muito, muito tempo...

Ele encarou o macaquinho de música, deu um suspiro aparentemente de tristeza e fez uma expressão desanimada. Eu entendo quando as pessoas tem péssimas memórias, eu sempre tenho, e resolvi mudar de assunto ao invés de me intrometer.

- Que horas são?

- 8:30, é melhor se apressar - respondeu.

- Certo. Ah, belo visual, você fica muito bonito assim... muito mesmo - disse, suspirando de forma bem dramática.

- ...obrigado - ele deu um sorrisinho olhando pra baixo, estava realmente lisonjeado e tímido.

Voltamos aos palcos conversando sobre diversas coisas, rindo, às vezes ficando tristes por lembrar das injustiças do mundo, mas foi divertido do mesmo jeito. Ele é tão igual a mim, e ao mesmo tempo, tão diferente! Nós dois eramos marginalizados por sermos diferentes, sofremos horrores, lutamos muito pra nosso próprio bem ou pelo bem de quem amamos, e mesmo assim eramos vistos como monstros vagabundos... por que o mundo era assim? Eu me indentifico muito com Erik, e ele comigo, eu acredito...

Chegamos no palco, ele foi ao seu camarote me assistir, eu fui pro ensaio. É claro, eu não esqueci de entregar a carta aos diretores, me dirigi ao Sr. Enouard - que é muito mais compreensivo do que Bayard - e entreguei a carta, fingindo não saber de nada, não queria levantar suspeitas e fazer "O Fantasma" ser caçado novamente.

- Sr. Enouard, estava passando pelos corredores e vi uma carta no chão, é para vocês, senhores - disse, estendendo a carta.

- Obrigada, senhorita... - Enouard abriu a carta, e sua expressão ficou confusa quando terminou de ler a carta.

- O que está avendo, Enouard? - intrometeu-se Guillaume.

- ...esta carta é estranha. Achei que O Fantasma da Ópera estivesse morto. Bem, estando vivo ou não, não vai atrapalhar nosso espetáculo, ele só pede o favor de deixar o camarote 5 vazio, nada mais - concluiu o velho.

- Que história essa? Richard Enouard II, que besteiras está falando? O camarote 5 está aberto para qualquer pessoa usar! - protestou o outro diretor.

- Mas, senhor... - eu iria me pronunciar, mas Bayard me cortou.

- Calada, cigana - se vira ao parceiro - Esse fantasma não passa de um vagabundo disfarçado que quer nos tomar vantagem, não permitirei o pedido dele nem se me matasse! Que bobagem!

- Bayard, olhe isso, é melhor não ignorar - Richard II põe o dedo indicador para facilitar a leitura do parceiro.

"Prezados diretores Enouard II e Bayard Guillaume

Eu exijo que o camarote 5 seja guardado pra mim, não só até a estreia de L'etoile de L'océan, mas sim até que minha vida e atividades nesse teatro se encerrem, o que demorará muito tempo, eu garanto. Se caso essa mensagem seja ignorada, um desastre acima de suas imaginações ocorrerá

Atenciosamente,

F. Ó"

- Um desastre? E o que esse fantasma vai fazer, derrubar o lustre e matar todos de novo? Ah, me poupe! - desprezou Guillaume.

- Perdão, mademoseille Safirah, acredito que ache Bayard um tanto... indelicado. Farei o possível para atender o pedido do autor da carta, "F.Ó", além disso, não é nada demais além de um pedido de camarote - ele se vira para os atores - Em seus lugares!

**

POV ERIK

Estava no meu camarote, sereno, assistindo Safirah a dançar e cantar. Até que um elemento em especial me chama atenção... uma bailarina empurra minha Safirah, que cai no chão de joelhos.

- Tropeçando em suas fezes, cigana? Cuidado! - a bailarina nojenta ri em desprezo.

Percebo que Richard olha com uma advertência à bailarina que empurrou minha Safirah, não tinha gostado nada da atitude. Resolveram esquecer o ocorrido e voltaram ao ensaio, mas quem não esqueceu daquilo fui eu... aquela bailarina já estava na minha lista de morte. Tirei minha atenção de Safirah e olhei àquela nojentinha, uma péssima atuação! A dança dela era forçada e sem emoção, não encorporava a leveza e paz que o papel proporcionava, enquanto minha Safirah já era uma fada por completo, e era a melhor de todas. Estava pensando nisso, até ser interrompido por uma voz familiar.

- Erik.

Virei-me e fitei a pessoa que me chamou - Antoinette? O que faz aqui?

- Só vim ver como você estava. Não falou comigo esses dias, fiquei preocupada!

- Estou bem, Ann. Estava distraído, fiz amizade com Safirah, e eu posso te comfirmar que estou sim apaixonado por ela... ela é maravilhosa. Melhor que tudo o que eu já vi!

- Esse era o mesmo pensamento que você tinha para Christine, não é?

- ...era, até ela me destruir daquele jeito. Não sofro mais por Christine, agora meu amor é Safirah, meu mundo é ela, devo toda a minha mente e coração à ela.

- Está certo, então... só não faça besteiras dessa vez - Giry se vira, já indo sair do quarto - Desculpa esse encômodo rápido, hoje à noite eu queria jantar com você novamente, mas dessa vez eu, você e Safirah. Meg estará na casa de uma amiga.

- Pode ser, mas você traz a comida, já fiz favores demais pra você - brinquei, virando-me ao palco novamente.

- Sabe, Safirah me falou de você, me disse que era muito cavalheiro e educado. Ela não te conheço por completo ainda - Antoinette gostava de me provocar, por Deus!

- Tchau, "mamãe"! - insisti, ouvindo uma risada dela e o fechar da porta.

A pequena visita de Madame Giry me fez perder o foco em guardar raiva por aquela bailarina, mas quando deu o intervalo, voltei a ter raiva da mesma, pois saí do camarote e me dirigi aos aposentos dos bastidores, colocando um pedaço de panqueca enrolado em um guardanapo perto ao lado da bolsa de Safirah, com um bilhetinho escrito "Bon appétit", ela reconheceria que era um presente meu. Mas foi bem na hora que ela pegou o doce, que a bendita bailarina a puxou pelos cabelos e a fez soltar o embrulho no chão.

- Acha que eu não te vi seduzindo e falando com o Conde ontem à noite, sua vagabunda? - ela puxou o cabelo da minha amada mais forte - Agora é sua vez de pa...

A nojentinha nem acabou de falar, e Safirah se virou dando um murro no ventre da agressora, fazendo-a soltá-la.

- Isso é só um aviso, se me tocar de novo, te murrarei mais forte. Você não faz a mínima ideia de com quem está se metendo, Marielle - ameaçou o meu Anjo, estava orgulhoso dela!

- Quem te deu o direito de me agredir, cigana imunda?

A nojentinha - Marielle - tentou socar o rosto do meu Anjo, mas esta desviou e deixou que a agressora batesse na parede. Não aguentei e puxei os cabelos da nojenta antes que pudesse pensar em virar-se, mas não queria me expor às pombinhas que chamam de bailarinas e soltei Marielle no chão, me escondendo novamente. Safirah pegou a bolsa e saiu dos aposentos, deixando as bailarinas rindo da situação de Marielle.

- Boa jogada, cigana - comentou a nojentinha, enquanto se levantava - Vai ter volta.

"Vai ter volta, querida, quando eu socar a sua cara de grilo" era a frase que paerava na minha cabeça... queria estrangular aquela maldita! O pior é que meu doce estava sujo no chão, e foi jogado no lixo por uma garota, mas por sorte tinha outro pedaço no camarote, mas tinha que correr pra que o intervalo não acabasse! Voei pro camarote e peguei Safirah de surpresa no corredor, dessa vez dando à ela o doce pessoalmente.

- Aqui, meu Anjo, um outro pedaço de panqueca! - falei entusiasmado, sem perceber na besteira que havia chamado a garota.

- Obrigada, Erik... "Seu Anjo"? - ela riu - Que intimidade é essa?

- Ah, desculpa, não queria que...

- Tudo bem, não te culpo por ser cavalheiro - ela se aproxima de mim, e quase tive um infarto cardíaco quando ela me beijou na bochecha - Obrigada.

Certo... minha bochecha ficou marcada com o batom dela, e sinceramente, eu amei aquilo... é a primeira pessoa que me beija na bochecha dessa forma, os beijinhos que Madame Giry me dava eram comparados aos de mãe, e eram bons, claro, mas conseguir um beijo de Safirah, ainda que simples, era como se meu coração explodisse de alegria e saísse pra fora do peito, com vontade de dançar e cantar. Isso me fez até esquecer um pouco da raiva por Marielle e focar mais na minha querida cigana. E todos esses pensamentos me faziam querer cada vez mais Safirah em meus braços, sendo minha, só minha, e eu, sendo dela...

**

POV SAFIRAH

Erik, Erik... ele e suas ações doces. A panqueca que ele me deu estava deliciosa, me fez esquecer um pouco a inimizade que eu tinha por Marielle. Juro, essa mulher era visivelmente louca e obcecada pelo Conde, e aposto que é por causa do dinheiro, ele nunca sequer olhou para Marielle nem ao menos falou com ela, então não faz nenhum sentindo ela estar "apaixonada" por ele a ponto de me desafiar, e mesmo se o Conde me querer, eu nunca seria dele. Não me dou simples assim para um homem só pelo fato dele me querer e ser rico, homens não são donos daquilo que veem. Idiotas...

No final do ensaio, tento correr o mais rápido possível ao meu camarim pra não enfrentar aquela cara-de-grilo novamente, e graças a Deus consegui, cheguei no meu camarim e estaria à espera de Erik. Como sempre, desenho enquanto tenhp tédio ou aguardo alguma coisa ou alguém, até que meu mais novo amigo chegou.

- Boa noite, mademoseille - ele estendeu o braço, como o noivo fazia à noiva no dia da cerimônia - Madame Giry nos convidou para um jantar hoje à noite. Aceita?

- Claro... aceito sim - deixei meu desenho virado pra que Erik não note, aceitei o braço dele e fomos através do espelho.

- Você falou de mim pra ela, não foi? - ele sorri, pra não dar-me impressão de que ele estava zangado - Ela devia estar com paciência zero pra te ouvir toda iludida por mim, ela me conhece muito bem...

- Do que está falando? Quer dizer que você não é cavalheiro e gentil? Então tive uma miragem...

- Eu sou, mas só com você e Meg, e antes eu era pra Christine, mas Madame Giry me conhece muito bem. Ela e eu temos intimidade, ela não se magoa com a minha arrogância e egoísmo.

- Então você é arrogante e egoísta? Bom saber... - digo, fazendo biquinho como uma criança.

- Não seja por isso, eu juro que no fundo sou uma pessoa... ou melhor, que não sou uma pessoa totalmente má.

- Sei. Precisamos conhecer as pessoas antes de julgá-las, não acha?

- Acho sim - ele assente, rindo um pouco, mas não de forma divertida, mas sim como se ele estivesse lembrando de coisas ruins e risse pra não chorar.

Chegamos na Casa do Lago, e pela minha surpresa, Madame Giry já estava assentada na mesa de jantar, só esperando pra que chegassemos.

- Olá, Safirah! Vejo que conquistou esse ranzinza mal-humorado - ela ri - Sentem-se.

- Obrigada, Madame Giry, é muita gentileza sua me convidar para um juntar - agradeço, puxando uma cadeira pra mim.

- Tenho gentileza em convida-la, já pro Erik, obrigo-o ou jogo um salto no nariz dele.

- Você é muito delicada, Antoinette... mais do que devia.

- Desculpe perguntar, mas... onde está Meg? - pergunto, percebendo que não havia uma cadeira pra minha amiga, descartando a opção de que estivesse no banheiro ou algo do tipo.

- Ela não pode vir, infelizmente... passou a noite na casa de uma colega. Mas ela apoia vocês dois... - responde a Madame, sorrindo maliciosamente, mas desvia o olhar para a comida.

- ...apoia, nós dois? - Erik fica confuso.

- Conversem com Meg, irão descubrir o que exatamente ela apoia.

Passamos a noite conversando, Antoinette Giry era muito mais divertida do que pensava! Além de ser uma ótima mãe e elegante, ela me revelou ser muito bondosa ao ajudar Erik em muitas dificuldades da vida, só fiquei curiosa pra saber mais sobre essas "dificuldades". Passou bastante tempo, e Giry se levantou da mesa pra se despedir de nós.

- Bem... preciso ir agora. O jantar foi ótimo, quero me encontrar mais com vocês dois. Preciso dar uma olhada na Meg também, deve estar fazendo aquelas besteiras de menina com a amiga, tem um grupo de adolescentes lá, só posso imaginar o tamanho da bagunça e das conversas impróprias... vejo-os em breve - Antoinette se vira, saindo da casa pelo caminho do corredor, evitando o lago.

- Adeus, Madame Giry! - me despeço, então viro minha atenção para Erik - Então, Sr. Destler, a sós de novo. Tem mais assunto, ou mordeu sua língua de tanto falar bobagens?

- Ela ainda está aqui, se eu não me engano... - responde, todo divertido.

Rimos com o comentário, e quando nos damos conta, acidentalmente juntamos nossas mãos. Olhei pra ele um tanto corada, e soltei sua mão pra evitar um constrangimento maior. Os olhos dele cor esmeralda olhando pra mim brilhavam, mas desviaram quando ele corou. Erik enche um copo de vinho e me oferece gentilmente, convencendo-me a aceitar.

- Sinceramente, você é a mulher mais corajosa que eu já conheci - disse ele, bebericando um pouco de vinho - E a mais louca.

- Loucura nem sempre é ruim, messieur - riu um pouco, amei o humor desse rapaz - Às vezes, um pouco de "insanidade" em frente aos julgamentos nos traz benefícios pra nossa sanidade. Louco, não?

- Sim, louco... Você sempre pensou do mesmo jeito, ou teve algum motivo na sua vida que a fez mudar? Só por curiosidade.

Meu sorriso desaparece, tentava o máximo não lembrar daquilo, mas com aquela pergunta que o Fantasma me fez, não pude resistir. Não o culpo, ele não tem ideia do que eu passei.... tento dar a resposta mais plausível para convencê-lo.

- Eu.... mudei um pouco, nos últimos 9 anos. Era muito ingênua, mas acabei aprendendo a crueldade do mundo da pior forma. Desde então, eu passei a ser mais independente e realista - respondi.

- É... entendo muito bem - ele suspiro triste, parecia realmente entender o que eu queria dizer, o que me preocupou muito.

- Bem... messieur Erik, posso saber mais sobre essa máscara? Se não puder, nenhum problema, eu só...

- Te explico - ele responde, lacônico, ainda cabisbaixo. Aquela máscara com certeza guardava um segredo sombrio por trás, e eu já imaginava o que - Eu... aliás, minha mãe, nunca gostou de mim. Na verdade, ela me odiava, ela me batia e me trancava frequentemente, me proibia de sair de casa, malmente me alimentava, e me xingava dos piores nomes. Quando eu tinha 7 anos, ela me vendeu para um grupo de... - ele engole à seco, parecia com medo de prosseguir.

- ...um grupo de...? - eu insisto.

- Ciganos. Um grupo de ciganos - ele percebe minha expressão desapontada, passei a sentir vergonha de mim mesma, pois algumas pessoas más do meu povo haviam o maltratado, e isso poderia ter afetado o ponto de vista de Erik - Eles tinha um circo de horrores. Lá, eu era a atração principal, "O Filho do Diabo". Meu número era ser espancado, torturado e humilhado na frente dos visitantes, que jogavam imundices em mim, riam, zombavam... até que um dia, consegui me livrar do cigano que me batia, e fugi com a ajuda de Madame Giry.

Fiquei pasma, sem palavras. Que ser cruel seria capaz de fazer aquelas atrocidades com meu querido amigo?!

- ...por que?! Por que eles fizeram isso? - ele percebeu o desespero e indignação na minha voz.

- Por causa do... meu rosto. Eu uso essa máscara para esconder algo horrível na outra parte do meu rosto.

- Uma deformidade, eu aposto. Mas como é possível? Você é maravilhosamente lindo, gentil, bondoso... você é... muito mais que um amigo pra mim - fico corada como uma cereija de tanta vergonha de falar aquilo: eu sabia que sentia algo por aquele homem, só não admitia a mim mesma.

- Sim, é... uma deformidade de nascença. E não sou tão gentil assim, mademoseille. Já matei pessoas... claro, eram pessoas que me ameaçaram ou ameaçaram pessoas que eu amava, não eram pessoas boas, mas isso cabe para que me chamem de monstro - ele desvia o olhar para a vela acesa, parecia constrangido ou inseguro - Eu sou... mais que um amigo pra ti?

Suspiro, tinha que fazer isso... coloco minha mão no rosto dele - Sim, muito mais que um amigo.

Ele sorri e põe a mão sobre minha bochecha, aproximando-se de mim. Por um momento entro em pânico, embora não demonstrando, mas o rosto dele, o toque dele em minha bochecha, o cheiro dele, acalmaram minha alma... e eu só me entreguei. Um beijo terno e demorado, as carícias dele pelo meu rosto e pelo meu braço, eu abracei suas costas e aprofundei o beijo. Nossas línguas se encontraram e dançaram juntas, uma sensação que eu nunca tinha sentido antes... foi tão bom. Quando nos separamos, ele ainda mantinha os olhos fechados, e deslizou suas mãos do meu corpo até a coxa dele, ele parecia feliz, como se nunca tivesse sentido aquilo antes.

- Perdoe-me, Safirah... eu fui... não... não tive respeito por você. Me perdoe, não tive controle, eu só... - ele parecia envergonhado, embora feliz, por achar ter desrespeitado uma mulher, mas não podia deixa-lo desse jeito. Botei meu dedo entre os lábios dele e o interrompi.

- Shh... eu gostei - digo, sorrindo levemente e ainda corada - Gostei muito.

Fito-o profundamente, e o beijo de novo, mas dessa vez foi apenas um encostar de lábios. Deito a cabeça no peito dele e fecho meus olhos, abraçando-o, e ele repete o aperto. Agora podia comfirmar: estava apaixonada por Erik, ainda mais agora que "sabia" sobre seu segredo do rosto, o que me incentivava ainda mais a abraça-lo, ele precisava seriamente de ajuda. Suspiro enquanto tentava relaxar, e pela primeira vez na vida, tive coragem de contar a alguém sobre "aquilo".

- Erik... você me contou sobre seu passaso e seu segredo por trás da máscara. Agora, é hora de eu contar o meu - aperto-o mais forte, como o único e quente abrigo em um inverno congelante - Eu tinha 14 anos. Era jovem, ingênua, bobinha. Eu confiava demais nas pessoas, e isso me custou algo caríssimo. Eu conheci um garoto, morava em uma mansão, e seus pais eram muito educados... não me recordo do nome dele, mas sei que ele era famoso entre os nobres. Ele era adorável, tinha 17 anos, muito gentil, educado e engraçado. Um dia, quando os pais dele estavam fora, ele me convidou a ir na casa dele sozinha, sem avisar minha mãe, e eu, como a tonta que era, aceitei. A primeira coisa que ele fez ao chegarmos foi me dar um murro na nuca, fazendo-me desmaiar. Eu acordei acho que uns 10 minutos depois, a cabeça doendo, e eu estava nua, amarrada em uma cama em um quarto escuro. O garoto entrou no quarto onde eu estava poucos minutos depois de eu acordar, e pouco se importou pelo fato de eu estar morrendo de frio, meu corpo estava amarelo de tanto frio. Eu implorei pra ele me soltar e explicar o que estava acontecendo, mas ele simplesmente teve uma crise de riso quando perguntei... e me estuprou. Várias vezes. Ele me socava quando eu pedia pra parar, fiquei lá três dias, vomitando de tanto frio por estar nua, minha vagina sangrava muito, meu corpo cheio de hematomas... até que eu fui achada. Pela minha mãe e pela polícia. A partir daí, não me lembro de mais nada... minha mãe me disse que eu fiquei inconsciente por 2 meses, não em coma, mas não reconhecia nada e ninguém. Quando tomei consciência, fiquei 2 anos tendo surtos de pânico e pesadelos daqueles dias, daquela dor que senti, do frio e da doença, e só foi no terceiro ano após o estupro que me recuperei por completo. Ainda detesto lembrar daquilo... e à partir dali, nunca mais confiei em pessoas do mesmo jeito.

Ele ficou em silêncio por alguns minutos, e eu entendia o porquê. Até que comecei a estranhar a falta de resposta dele e levantei minha cabeça, fitando-o: ele estava de queixo caído, com lágrimas nos olhos, pálido.

- I-i-isso... v-você... passou TUDO ISSO... s-sozinha?! Conseguiu ser uma pessoa boa... mesmo depois d-disso? - ao me ver assentindo, ele muda a expressão de perplexidade para indignação - QUEM É ESSE DESGRAÇADO?! ELE FOI PRESO, NÃO FOI?!

- Não. Ninguém sabe quem me estuprou, e ninguém acreditaria em mim... sou uma "mera cigana suja". Minha mãe é pertubada até hoje, louca pra descobrir quem foi o responsável... mas não. Ele não foi preso. Ele despareceu depois daquilo, ele e a família dele. Mas não foi preso.

- Maldito mundo. MALDITO MUNDO! Será que não há compaixão no mundo?!

- Algumas pessoas têm compaixão. Mas sempre acreditei em um mundo melhor... mesmo que ele piore a cada dia.

- Você é um anjo, Safirah. Um anjo...

- Não... sou uma pessoa, Erik. Assim como você - eu levanto um pouco e beijo o queixo de Erik - E nós nos completamos. Eu te amo, Erik...

- Também te amo, meu doce Anjo da Musica - respondeu ele.

Me aconchego em seu peito e ali adormeço, nos braços quentes daquele maravilhoso homem.

~ Continua...

Notas Finais


HMMM.... GOSTARAM??!
Trauma esse da Safi, hein... bom que o Fantasmaravilindo está lá pra ela, e ela pra ele.
Vejo vcs no próximo capítulo, e... é isso, tchau 💞


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