História When the Beauty touched the Beast - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias A Bela e a Fera
Personagens Bela (Belle), Fera
Tags Romance
Visualizações 2
Palavras 2.204
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Literatura Feminina, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - Capítulo 1


Garotas bonitas em contos de fadas são tão comuns quanto areia na praia. Princesas de pele branca e rosada, olhar romântico e, se contássemos os dois olhos brilhantes de cada donzela, teríamos uma galáxia inteira de estrelas cintilantes.​ Esse brilho ainda torna mais triste o fato de as mulheres reais raramente igualarem-se aos seus equivalentes fictícios. Elas têm dentes amarelados ou pele manchada. Têm a sombra de um bigode ou um nariz tão grande que um rato poderia esquiar por ele. E, mesmo as mulheres consideradas bonitas pela sociedade, são propensas a todas as doenças "a que a carne é sujeita", como disse Hamlet, há muito tempo, num lamento.

Em resumo, é rara a mulher que ofusca verdadeiramente o sol. Quanto mais toda essa história de dentes de pérola, voz de pássaros ao cantar e um rosto tão belo que os anjos chorariam de inveja.

Belle Daltry tinha todos esses atributos, exceto talvez a fala melodiosa. Apesar disso, a sua voz era perfeitamente agradável e já haviam lhe dito que o seu riso era como o toque de sinos dourados.

Mesmo sem olhar para o espelho, sabia que o seu cabelo e seus olhos brilhavam, e os seus dentes — bem, talvez não brilhassem, mas eram muito brancos. Era exatamente o tipo de mulher que conseguia levar um cavalariço a feitos heroicos ou um príncipe a atos menos intrépidos, como atravessar uma trilha cheia de espinheiros apenas para lhe dar um beijo. Porém, nada disso alterava um fato importante: desde o dia anterior, ela  não podia mais ser considerada casável.

A calamidade tinha a ver com a natureza dos beijos e com aquilo a que se fazia crer que os beijos levavam. Embora talvez seja mais exato falar da natureza dos príncipes.

O príncipe em causa era Augustus Frederick, duque de Sussex. Beijara Belle mais do que uma vez; de fato, beijara-a muitíssimas vezes e declarara veementemente o seu amor por ela, já para não falar numa noite em que atirara morangos à janela do seu quarto (o que tinha causado uma tremenda sujeira e enfurecido o jardineiro).

A única coisa que não fizera fora pedir sua mão em casamento.

— É uma pena eu não poder casar contigo — disse ele, desculpando-se, quando o escândalo se espalhou na noite anterior​ — Nós, os duques reais, sabes... não podemos fazer tudo quanto desejaríamos. O meu pai está um pouco transtornado com o assunto. Na realidade é um grande infortúnio. Deve ter falar do meu primeiro casamento; foi anulado porque Windsor decidiu que a Sophie não era suficientemente boa e ela é filha de um conde.

Belle não era filha de um conde; o pai era visconde e, ainda por cima, não se relacionava com pessoas influentes. Não que ela soubesse do primeiro casamento do príncipe. Todas as pessoas que a tinham visto namorar com ele nos últimos meses haviam-se esquecido, incompreensivelmente, de dizer que, ao que parecia, ele era propenso a cortejar as mulheres com as quais não podia — ou não devia — casar.

O príncipe fizera uma reverência brusca, virara-se e abandonara abruptamente o salão de baile, retirando-se para o Castelo de Windsor — ou para onde quer que as ratazanas fugiam quando o navio se afundava. Deixara Belle sozinha, apenas com a sua rígida dama de companhia e um salão de baile cheio de gente da alta sociedade, uma circunstância que a levou rapidamente a compreender que muitas donzelas de Londres estavam fervorosamente — se não alegremente — convencidas de que ela era uma leviana do primeiro grau.

Nos momentos seguintes à partida do príncipe, nem uma alma a olhou nos olhos; Belle deparou-se com um mar de costas viradas para ela. O som de risadinhas aristocráticas espalhou-se à sua volta como um grasnar de gansos a prepararem-se para voar. No entanto, claro, era ela que tinha de voar — para norte, para sul, não interessava, desde que fugisse da cena da sua desonra.

A injustiça era que ela não era nenhuma leviana. Bem, não o era mais do que qualquer menina deslumbrada com um príncipe. Tinha gostado de apanhar na sua armadilha o maior prêmio de todos, o príncipe louro e atraente. Mas nunca tivera verdadeira esperança de que ele casasse com ela. E, decerto, não teria feito nada sem antes ter um anel no dedo e a aprovação do rei. No entanto, considerara Augustus um amigo, o que ainda tornou mais doloroso o fato de ele não ter ido visitá-la na manhã seguinte à sua humilhação.

Augustus não foi o único. De fato, Belle ficou olhando pela janela da frente da sua residência, para melhor se convencer de que ninguém ia visitá-la.

Ninguém.

Nem uma alma.

Desde que fora apresentada à sociedade, uns meses atrás, a sua porta principal tinha sido o portão do Velocino de Ouro, ou Seja, da moça mais bela da cidade. Jovens cavalheiros subiam, a passo rápido ou sem pressa, aquele caminho, deixando cartões, flores e presentes de toda a espécie. Até o príncipe se humilhara fazendo quatro visitas matutinas, uma honra extraordinária. Mas agora... aquele caminho não passava de uma fila de pedras a brilharem ao sol.

— Eu não posso acreditar que isto surgiu do nada! — disse então o pai, de trás dela.

— Eu fui beijada por um príncipe — disse Belle friamente. — O que talvez não tivesse a menor importância se não tivéssemos sido vistos pela baronesa.

— Beijos, oras! Os beijos não são nada. O que eu quero saber é porque andam a dizer com toda a segurança que você estás grávida. Grávida de um bebê dele! — O visconde aproximou-se, juntou-se a ela e olhou também para a rua vazia.

— Duas razões. Nenhuma delas envolve um bebê, deve ficar contente por saber.

— E então?

— Comi um camarão estragado na festa de Lady Brimmer, na quinta- feira passada.

— E?

— Fez-me mal — respondeu Belle. — Nem sequer consegui chegar à sala privada das senhoras. Vomitei no vaso de uma laranjeira. — falou, estremecendo com a lembrança.

— Que descontrole de sua parte — comentou o visconde. Detestava processos corporais. — Presumo que isso foi considerado sinal de parto?

— De parto, não, pai, da condição que o antecede.

— Claro. Mas você se lembra de quando a Sra. Underfoot vomitou na sala do trono, por pouco não acertando em sua majestade o rei da Noruega? Isso não foi nenhum camarão, nem um bebê. Todas as pessoas sabiam que ela tinha bebido até cair. Podíamos fazer circular que você é alcoólica.

— E isso resolveria o meu problema? Duvido que muitos cavalheiros queiram casar com uma bêbada. De qualquer maneira, não foi só o camarão. Foi o meu vestido.

— Que tinha o seu vestido?

— Ontem à noite vesti um vestido de baile novo e, aparentemente, o modelo deu às pessoas razões para pensarem que eu estava grávida.

O pai a virou e analisou a barriga.

— A mim não me pareces diferente. Um pouco exposta nos ombros. Tens de mostrar tanto o busto?

— Se eu não quiser parecer uma beata — disse Bella com certa aspereza —, então, sim, preciso.

— Bem, esse é que é o problema — disse o visconde. — Raios, eu disse especificamente à sua dama de companhia que tinhas de parecer mais recatada do que qualquer outra pessoa naquele salão. Tenho de ser eu a fazer tudo? Ninguém é capaz de seguir instruções simples?

— O meu vestido de baile não era muito decotado — protestou Belle, mas o pai não estava a dar-lhe atenção.

— Eu tenho tentado, e como tenho tentado! Adiei a sua apresentação à sociedade, com a esperança de que a maturidade te desse compostura aos olhos da alta sociedade, dada a reputação da sua mãe. Mas para que serve a compostura se teus vestidos não refletem tal maturidade?

Belle respirou fundo.

— O caso nada tem que ver com decotes. O vestido que eu usei ontem à noite tem...

— O caso! — disse o pai, o tom de voz a subir. — Eu eduquei-te com os princípios mais rígidos...

— Eu quis dizer que o desastre foi causado pelo meu vestido. Tem dois saiotes, sabe, e...

— Quero vê-lo — declarou o pai. — Vai vesti-lo.

— Não posso vestir um vestido de baile a esta hora da manhã!

— Agora! E traz essa sua dama de companhia pra baixo também. Quero ouvir o que tem a dizer em sua defesa. Contratei-a especificamente para impedir este tipo de coisa. Ela assumiu um ar puritano tão grande que eu confiei nela!

Belle vestiu o seu vestido de baile. Fora desenhado para ficar justo sobre os seios. Mesmo abaixo, as saias eram repuxadas para trás, revelando uma encantadora renda belga. A saia, por sua vez, também era repuxada para trás, exibindo uma terceira camada, feita de seda branca. O desenho parecia deslumbrante no caderno da loja de Madame Desmartins. E, quando Belle o vestira na noite anterior, achara o efeito adorável.

Mas agora, enquanto a criada arranjava todas aquelas saias, os olhos de Belle dirigiram-se para a parte onde devia estar a cintura, mas não estava.

— Céus! — disse ela, um pouco sem ar. — Realmente pareço grávida. — Virou-se para o lado. — Veja só como fica estufado. E este pregueado todo, mesmo aqui em cima, sob os meus seios. Eu podia esconder dois bebês debaixo de todo este tecido.

A criada, Eliza, não se atreveu a dar opinião, mas a dama de companhia não mostrou tal reserva.

— Na minha opinião, não são tanto as saias, mas sim o peito — afirmou a Sra. Hutchins. A sua voz era levemente acusatória, como se Belle fosse responsável pelo tamanho de seus seios.

A dama de companhia tinha cara de gárgula, na ideia de Belle. Fazia lembrar uma igreja medieval com o seu fervor religioso pétreo. Por isso é que o visconde a tinha contratado, claro.

Belle virou as costas ao espelho. O vestido tinha realmente um decote fundo.

— A menina é excessivamente dotada — continuou a dama de companhia  — Tem muito volume em cima. Juntando isso à maneira como o vestido fica estufado, parece que está à espera de um feliz acontecimento.

— Não teria sido feliz — comentou Belle.

— Nas suas circunstâncias, não. — a Sra. Hutchins pigarreou. Ela pigarreava do modo mais irritante que Belle alguma vez ouvira. Significava, aprendera Belle nos últimos meses, que se preparava para dizer algo desagradável.

— Por que é que nós não percebemos? — exclamou Belle, cheia de frustração, interrompendo-a antes de ela poder lançar a sua crítica. — É tão injusto perder a minha reputação e, talvez até, a minha hipótese de casamento só porque o meu vestido tem demasiadas pregas e saias.

— As suas maneiras é que são repreensíveis — disse a Sra. Hutchins. — Devia ter aprendido com o exemplo da sua mãe que, se agir desse jeito espevitado, as pessoas irão tomá-la por uma mulher de má nota. Tentei dar-lhe orientações sobre decoro o melhor que pude ao longo dos últimos meses, mas não me deu ouvidos. Agora colhe o que semeou.

— Meu comportamento não tem nada a ver com este vestido e com o efeito que tem no meu corpo — declarou Belle.

Raramente se dava ao trabalho de se examinar de perto ao espelho. Se tivesse olhado com cuidado, se tivesse virado de lado...

— É o decote — disse Sra. Hutchins obstinadamente. — A menina parece uma vaca leiteira, se me perdoa a comparação.

Belle não se deu ao trabalho de perdoar, por isso ignorou-a. As pessoas deviam avisar do perigo. Uma senhora devia olhar-se sempre de lado ao vestir-se, se não podia vir a descobrir que Londres inteira acreditava que ela estava à espera de um bebê.

— Eu sei que não está grávida — continuou a Sra. Hutchins, parecendo relutante em admiti-lo. — Mas nunca acreditaria nisso, olhando para você agora. — Voltou a pigarrear.

— Se aceita um conselho, eu cobriria um pouco mais o seu colo. Não é decente. Eu bem tentei dizer-lhe várias vezes nos últimos dois meses que vivi nesta casa.

Belle contou até cinco e disse friamente:

— É o único peito que tenho, Sra. Hutchins, e os vestidos são todos assim. Não há nada de especial com o meu decote.

— Fará parecer uma fragata ligeira — observou ela.

— Como?

— Uma fragata ligeira. Uma mulher ligeira!

— A fragata não é um barco?

— Exatamente, do tipo que atraca em muitos portos.

— Creio que esta seja a primeira brincadeira que você faz comigo  — afirmou Belle. — E pensar que eu estava preocupada por a senhora poder não ter senso de humor.

Depois disto, os cantos da boca de Sra. Hutchins curvaram-se para baixo e ela recusou-se a dizer qualquer outra coisa. E recusou-se a acompanhar Belle à sala de estar.

— Não tenho responsabilidade alguma pelo que aconteceu com você — alegou ela. — É a vontade dos céus, e pode dizer ao seu pai que fui eu que o disse. Fiz meu melhor para transmitir princípios para você, mas foi tarde demais.

— Isso é bastante injusto — disse Belle. — Mesmo uma fragata ligeira devia ter a oportunidade de atracar em um porto antes de afundar.

A Sra. Hutchins arfou.

— Atreve-se a zombar. Não tem nenhuma ideia de decoro, nenhuma! Acho que todos sabemos onde reside a culpa disso.

— Na verdade, acho que tenho mais compreensão do que é decoro e o seu oposto do que a maioria. Afinal, Sra, Hutchins, fui eu, e não a senhora, que cresci perto da minha mãe.

— E está aí a raiz do seu problema — disse ela, com um sorriso sombrio​, apertou os lábios e saiu da sala.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...