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História When The Sea Was Godless And Free - Capítulo 3


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Capítulo 3 - O Ataque no Canal de São Jorge


Kara ainda tentava compreender os gritos acima. A portinhola foi aberta bruscamente e um homem desce as escadas dizendo palavras incompreensíveis e com grande mancha vermelha nas roupas. Atordoado, ele senta e tenta estancar o sangue. Ele ainda não havia percebido a presença de Kara que assistia sem reação e respiração presa. Ele geme com o toque, mais continua a emitir o mesmo som, as mesmas palavras. Algo como uma oração. E para.

Após alguns segundos, ela se levanta e se aproxima lentamente do homem de olhar vazio; ele havia morrido. Kara olha novamente para a pequena porta aberta e para o morto, percebe uma pequena adaga no cós, ela se esforça para alcançá-la e cortar os duros cordões de cânhamo nos pulsos. Kara com as mãos livres acomodou o homem no chão e, calma, fechou os olhos dele; foi primeira vez que alguém morria em sua frente.

Finalmente, ela subiu para o convés principal. A névoa espessa e os poucos lampiões acesos não eram de bom auxílio para a visão. Os marinheiros lutavam contra um ataque de outro navio, os ganchos presos nas amuradas, a entrada constante de outros ladrões e o audível tilintar dos metais entre eles. A assustadora senhora de antes estava com a espada em punho contra dois outros homens.

Havia uma espada no chão, Kara tomou para si e segurou desajeitada. Afinal, era somente atacar com a ponta afiada, mas quem atacar e o mais importante como fugir?

A flecha veio do alto do mastro e atingiu a senhora ao lado, ela deu alguns passos para trás com o impacto e a lâmina de outra espada foi ao encontro dela, que ainda conseguiu defender o primeiro golpe, mas sua arma foi lançada longe. Assim, o homem preparou-se para o segundo ataque mas Kara o surpreende e impede. Ele impõe grande força sobre Kara, quando ela acredita estar próxima ao seu limite. Um grande homem negro aparece para ajudá-la.

"Afaste-a daqui, agora!" ele gritou, e sua espada afundou-se no peito do outro pirata.

A senhora sentada no chão, murmurava maldições na tentativa de retirar com dificuldade a flecha que atravessava seu flanco. Kara se aproxima dela. "Não!" ela diz, mas o alarde não atinge a outra mulher. Kara busca as mãos aferradas na flecha para impedir qualquer movimento. Quando a senhora levanta o olhar, Kara a encontra perdendo consciência e os mesmos olhos caídos que antes observou no homem do depósito.

"Vamos." Outro jovem diz e se posiciona para carregar a senhora, até a cabine do capitão.

 

Eles entram no cômodo, guiando-a para a pequena cama. A senhora acomoda-se com dificuldade, as sobrancelhas franzidas e respiração curta. Visivelmente desconfortável, ela olha para Kara, ainda com os resquícios da raiva anterior, mas os grandes olhos de cores claras, agora opacos.

"Eu preciso que você a vire de lado" Kara diz para o jovem estático com o olhar fixo na porta, "Ei!" ela grita para retirá-lo do transe. Ele olha e corre ao seu auxílio. "Vire-a de lado." ela pede novamente.

"Perdão, é que..." ele diz com olhar inquieto. "Eu nunca tinha visto algo ou...ou ela assim," e gesticula sobre a mulher, mas cumpre seu pedido. Kara quebra a cauda e retira o resto da flecha com cuidado. A senhora emite um gemido de dor.

"Por que não é um flecha qualquer," ela diz, aproxima a ponta ao nariz, e nota os resquícios do líquido âmbar no tecido da camisa. "Estava envenada."

Ela conhecia o odor, a planta foi de comum venda nos mercados dos portos, mas a igreja baniu a venda, pois em uma quantidade concentrada causava alucinações, aumento do batimento cardíaco, e por fim, a morte. Ela rasga com as mãos a gola da camisa da mulher expondo o ferimento abaixo da clavícula, do tamanho de uma moeda. Ela retira a adaga do cinto da senhora e entrega para o jovem.

"Esquente a ponta." ela pede, mas recebe um olhar em choque como resposta.

"Por quê? O que você vai fazer com ela!?" ele pergunta agitado, segurando a adaga com cuidado.

"Fechar o fe–" O negro surge novamente à porta, a movimentação no convés havia diminuído e o jovem corre para juntar-se a ele e há uma breve conversa entre eles.

"Winn, faça o que ele pede." ordena para o jovem. "E você," ele diz seco para Kara, "se ela não sobreviver, eu te mato." Mais uma tranquila ameaça de morte para Kara em tão curto espaço de tempo.

Kara pisca algumas vezes, olha para a mulher na cama e respira fundo. Ela se aproxima dos homens e estende a mão para o jovem. Winn, o nome dele. "A adaga, por favor?" Os homens se entreolham e o negro assente para Winn que entrega a pequena faca em sua mão.

Ela a leva para o candeeiro mais próximo, esquenta a ponta e chega perto da cama, "Isso vai doer um pouco." Ela diz com pesar para a mulher e o metal alaranjado entra em contato com o ferimento. Kara sente as fortes mãos da mulher em seus punhos e o olhar feroz dela amaldiçoando todas a suas futuras gerações, mas logo se fecham. Kara volta sua atenção para os homens, "E...como está o suprimento de ervas de vocês?" ela pergunta para as faces confusas.

 

Fora daquela cabine, ainda era noite e as velas aqueciam o ar. Kara olhava em volta da cabine: o pequeno armário e baú abertos, a escrivaninha ocupada por papéis, tecidos sujos de sangue, cantil e uma bacia de cobre. Winn dormia encolhido em algum canto do quarto, vigiá-la era a missão e James havia desaparecido com suas ameaças.

Kara pensou na manhã daquele dia e suas decisões que a levaram direto para alto-mar numa cabine de navio, cativa e observando o sono da mulher que ameaçou sua vida, momentos antes. Ela estava na cadeira próxima à cama da senhora de respiração pesada, a capitã do navio, os lençóis cobriam-lhe os seios, expondo a pequena faixa de tecido que protegia a pasta verde sobre a ferida profunda. Eram as possibilidades da situação: fazer cataplasmas, secar o constante suor da mulher e esperar o navio aportar em alguma terra seca. Ela aperta os braços em volta do peito, controlando o pequeno arrepio no corpo que seria medo, sensação incomum para Kara, mas o som que vinha do estômago era bastante familiar.

"Donal," a capitã sussurra, e alcança a mão de Kara, "onde está minha pequena Grace?" Com os cabelos pretos colados na face pelo suor e a grande sombra cinza ao redor dos olhos despertos, a capitã durante alguns minutos resmungava vários nomes e promessas. mas logo retornava ao sono.

Seria uma longa noite, Kara sabia.



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