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História When we were 18 noart adaptation - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Roi gente

Capítulo 2 - 01



We made a start, be it a false one, I know. Baby I, don’t want to feel alone. 


Dizem que quando o fim se aproxima, nós pensamos no início...

E isso não foi diferente comigo.

Ver que dezessete anos da sua vida se transformaram em nada, é simplesmente arrasador. Ver que não há nada que possa ser feito, nada que possa ser mudado, alterado; se ver de mãos atadas, enquanto toda a sua vida é posta de cabeça para baixo, é devastador.

O barulho da porta se fechando e as rodas de uma mala tocando o chão me despertaram de meus devaneios e me arrastaram para a realidade, mas eu não conseguia encarar. Desviei o olhar, lembrando de nossos momentos juntos, toda a nossa felicidade há pouco esquecida, nossos beijos, nossos toques... Que seriam apenas lembranças para mim a partir de agora. Lembranças dos momentos mais felizes, mais plenos, mais completos de toda a minha vida. Todos transformados em nada.

Um choro contido me fez olhar para cima, onde duas pessoas olhavam a cena com as expressões demonstrando um pouco de cada sentimento que era comum a qualquer pessoa naquele cômodo: tristeza, confusão, frustração, mágoa...

Meus filhos, o que resumia minha família agora, encaravam tudo aquilo juntos. Liam abraçava Bea de forma protetora, acolhedora, enquanto me olhava demonstrando que queria que eu estivesse naquele abraço também.

Num dado momento, cometi o erro de olhar para frente, olhando diretamente para quem eu evitei durante todo esse tempo. Ele me fitava de forma quase invasiva e eu olhava de volta, buscando em seus olhos, seus belos olhos, que tudo não passava de um erro, que seria apenas um sonho ruim, que eu acordaria a qualquer momento. Mas algo nele me arrastou novamente para a realidade. Tudo o que eu sempre sentia quando mirava seus olhos não existia mais. Todo o amor que um dia ali existiu se fora. Hesitante, ele apoiou-se na maçaneta, talvez buscando forças para deixar toda uma vida para trás, ou apenas eu. Com um suspiro pesado ele abriu a porta e se foi.

Também dizem que todo fim é um recomeço... E é nisso que eu estou me apoiando.

Algumas semanas antes

Muita coisa mudou nesses últimos dezessete anos.

Bem, eu envelheci, assim como todos a minha volta, eu sei. Mas quando você para pra pensar e vê que está à beira dos quarenta anos, percebe que a situação chegou num ponto importante, digamos que quase crítico. Não que eu tenha que me preocupar com isso no momento, afinal eu ainda tenho trinta e quatro e... É, isso não ajuda muito.

Enfim, meu filho mais velho, Liam, está com dezessete anos e é a cara do pai, como sempre foi, mas é incrível como a cada dia, cada ano, ele perde mais características minhas e ganha mais do pai. É como se ele fosse uma “pequena” miniatura do Noah. Pequena entre aspas, porque o menino já está do tamanho do pai e provavelmente ficará mais alto.

Ele é do time de futebol americano na escola, o quarterback do time, e namora uma das líderes de torcida, a Ally. Não vejo como a vida dele possa parecer mais como a de um adolescente de filme americano. Ele está se preparando para tentar uma bolsa de estudos numa boa faculdade, mesmo não sabendo ainda o que fará. Já Bea, minha caçula, está com dez anos e é uma CDF, a melhor aluna da turma.

Quando não está estudando, está agarrada com um livro, nadando – sim, ela faz natação desde novinha, compete em torneios e tudo – ou dançando balé. Eu deixei uma prateleira na sala separada para colocar as medalhas e troféus dos meus filhos talentosos. Vocês podem me chamar de mãe coruja, eu não ligo e até assumo.

Meu marido, Noah, está com trinta e cinco anos, tem um alto cargo na empresa do pai e praticamente vive para esse trabalho. Não que seja por vontade própria, mas é realmente necessário, é como se tudo dependesse dele, da presença ou das decisões dele. Nós estamos casados há dezessete anos e tudo se deu devido a um pequeno grande deslize no passado.

Setembro de 1993.

Eu estava sentada num canto recluso da escola, encarando o céu que estava ameaçando uma grande tempestade. Mas havia uma maior em minha cabeça. Eu não sabia o que fazer, não tinha a menor ideia de como contar para os meus pais, para o Noah ou para qualquer pessoa. Eu estava com medo da reação de todos ao meu redor, mas o medo não me ajudaria em nada. O medo só atrapalha quando você está diante do desconhecido. A realidade é que eu sou um dos culpados dessa situação e teria que enfrentar as consequências. Pelo menos eu não estava sozinha nisso.

Como eu disse, eu sou um dos culpados, o Noah também tem sua parcela, afinal, ninguém faz isso sozinho. De repente algumas gotas começaram a cair e eu continuei sentada, não conseguia nem pensar em me levantar. Tantas coisas se passavam pela minha mente, que as mais simples se tornaram obsoletas. Num momento pensei ter ouvido meu nome ser chamado ao longe, mas ignorei, devia ser coisa da minha cabeça. Então a chuva começou a cair mais fortemente e encharcou toda a minha roupa. Mesmo sem vontade me levantei do gramado, decidida a procurar um local seco e voltar aos meus pensamentos. Mas ao me virar, encontrei Noah correndo em minha direção. Seu sorriso era tão lindo e acolhedor, que minha vontade era de correr para os seus braços e lá ficar eternamente. E foi isso que eu fiz.

Quando senti o seu perfume, era como se os meus problemas quase que desaparecessem, mas, na verdade, aquele cheiro só me fazia lembrar mais ainda deles. Prendi fortemente meus braços ao redor do seu pescoço por um momento e depois o soltei, com esse movimento, seu sorriso se apagou. Ele me olhou fixamente, como que procurando algo em meus olhos, meus marejados e vermelhos olhos.

- O que foi, Si? – ele disse, passando a mão pelo meu rosto e tirando alguns fios molhados que estavam presos nele.

- Nós temos um problema, Noah. Um enorme problema. – eu disse, tentando controlar minha voz.

- O que aconteceu? – ele perguntou mais uma vez, mas sua voz estava mais séria. – Me diz, por favor. – respirei fundo algumas vezes, antes de ter coragem o suficiente para falar.

- Eu estou grávida. – despejei de uma vez. Noah arregalou os olhos e eu conseguia ver o choque passando por eles. Ele me soltou por um momento e eu me senti desesperada. Eu não podia passar por tudo isso sozinha, eu precisava dele. Então ele me abraçou novamente e dessa vez mais forte. E eu senti que não estava sozinha.

Eu engravidei quando tinha dezessete anos e isso fez minha vida virar de cabeça para baixo. É claro que eu amo meu filho, mas eu sei que ele veio na hora errada. Não me arrependo, se eu pudesse voltar ao passado não teria feito nada diferente. Descobri que estava grávida na metade do segundo ano da escola e tive que estudar para ser aprovada em meio a enjoos e consultas médicas. E digo: não há nada pior que estudar matemática enquanto você tem vontade de colocar tudo para fora.

Eu consegui me formar no ano seguinte, foi difícil, mas eu consegui. Precisei da ajuda da minha mãe e da minha sogra, elas tomavam conta do Liam enquanto eu estava na escola. Não fui apenas eu que tive que fazer escolhas, Noah também. Ele estava no último ano e teve que recusar uma bolsa de estudos numa ótima faculdade para começar a trabalhar, além de ter que dizer adeus ao seu sonho de fazer música. Ele tinha uma banda na época da escola, eles tocavam muito mal, mas ele sempre cantou muito bem. Só que tudo isso ficou para trás. Seu pai lhe arrumou um cargo bem pequeno em sua empresa e o fez assumir toda a responsabilidade. Eu fui morar em sua casa e lá fiquei por alguns anos. Quando Liam nasceu, eu senti que todo o meu esforço valeu a pena, ele era perfeito, parecia que a minha felicidade estava completa, mas isso não durou por muito tempo. Não que eu tenha sido infeliz todos esses anos, muito pelo contrário, é que as coisas apenas mudaram. Noah passou a fazer faculdade de noite e só chegava em casa muito tarde. Foram quatro longos e difíceis anos.

Quando Liam tinha cinco anos, o avô do Noah morreu e como herança nos deixou a sua casa. Eu tinha vinte e dois anos e me vi com uma casa e uma família para cuidar. Foi complicado, mas nada que fosse impossível. Noah tinha sido promovido no trabalho e aos poucos nós conseguimos mobiliar e arrumar tudo ao nosso gosto. Pela primeira vez eu me sentia mesmo numa família, a minha família. Com o passar dos anos, Noah foi sendo promovido e quando Liam completou oito anos, eu descobri que estava grávida novamente. Dessa vez foi completamente diferente.

Eu já tinha vinte e cinco anos, sabia o que esperar e o que fazer. Com o novo membro na família, Noah teve que trabalhar mais e passou a ficar pouco tempo em casa. Tudo na vida são escolhas e ele queria que tivéssemos uma vida tranquila, então se esforçava o quanto podia.

Quando nasceu, Beatrice me trouxe algumas responsabilidades que eu tinha deixado para trás. Da primeira vez que fui mãe, eu era muito jovem, não tinha noção das coisas, precisei de muita ajuda dos meus pais e sogros. Nos primeiros banhos e as primeiras cólicas de Liam, eu tinha minha mãe e minha sogra para me ajudarem. Elas pareciam ter mais medo que algo acontecesse do que eu. Então alguns tipos de “trabalho” elas pegavam para si. Eu ficava com a amamentação e com as fraldas. Desde então, Noah passou a acumular mais funções no trabalho e é como eu já disse, parece que tudo depende dele naquele lugar.

Liam sempre reclamou da ausência de Noah, da sua não participação das festas da escola, nos jogos, nas reuniões de família e etc. Sempre foi muito complicado para ele, que tentava impedir que Bea se sentisse da mesma forma. Por mais que eles briguem, eu vejo em Liam uma preocupação com Bea que me encanta. Sempre que Noah estava fora da cidade e Bea tinha alguma apresentação ou prova de natação, Liam ia de vontade própria e ficava ansioso o dia inteiro, por mais que não demonstrasse interesse em qualquer coisa relacionada a Bea quando ela estava por perto.

- Vamos, mãe! – ouvi Bea gritando do andar de baixo. Coloquei o outro brinco e segui para as escadas.

- Calma, já estou indo.

- Vamos nos atrasar! – ela quase quicava na porta, mantendo-a aberta para que eu passasse.

- Você precisa guardar essa energia para a piscina.

- Pra piscina eu tenho de sobra. – ela disse rindo e em seguida correu para entrar no táxi que nos esperava.

Saímos rapidamente do veículo, afinal Bea estava mesmo atrasada. Corremos até a piscina coberta e paramos perto dos diversos alunos. Ajudei a tirar a roupa, deixando-a apenas de maiô, ajeitei a touca em sua cabeça e coloquei seus óculos pendurados em seu pescoço. Ela exalava energia, era quase contagiante. Ela daria o seu melhor, como sempre, e se fosse como das outras vezes, ela traria para casa mais uma medalha.

- Boa sorte, minha filha. – dei um sorriso e um beijo na ponta do seu nariz. E saí da área destinada aos atletas, já que a professora de educação física me lançava olhares nada amistosos.

Olhei para o celular, procurando algum sinal. Disquei rapidamente os números do telefone do Noah e esperei que ele atendesse.

- Oi, meu amor. - ele disse ao atender.

- Você ainda está longe? Já vai começar.

- Não, acabei de entrar na rua da escola.

- Ah, tudo bem então. – desliguei o telefone. Segundos depois Liam chegou acompanhado de sua namorada.

- A prova dela já aconteceu? – ele perguntou, sentando ao meu lado.

- Ainda não, mas eu acho que é a próxima.

- Cadê meu pai?

- Ele falou que estava chegando. – eu disse olhando para a entrada. Minutos depois ele entrou quase correndo, afrouxando o nó da gravata enquanto subia as escadas.

- Perdi? – ele disse, meio sem ar. Segurei o riso ao olhar em seu rosto. Ele estava meio corado e o cabelo bem bagunçado. Me aproximei, tentando colocar alguns fios no lugar.

- Não, dessa vez você conseguiu chegar antes. Só para variar um pouco. – sorri, dando-lhe um beijo rápido. Liam murmurou algo como ‘eca’ e Ally riu.

- Como se você não fizesse isso ou algo pior. – Noah disse, fazendo com Ally corasse e Liam o olhasse feio. Eu ri baixinho, dando um leve tapa no braço.

- Não deixe os meninos envergonhados.

- Mas para que um pai serve, senão para deixar o filho com vergonha na frente da namorada? – ele perguntou e eu rolei os olhos.

- Olhem, é a prova da Bea agora. – Liam disse alto, chamando nossa atenção. Noah se levantou e começou a bater palmas freneticamente, fazendo nosso filho e sua namorada rirem alto ao nosso lado. Bea, ao contrário do irmão, não se incomodou nem um pouco com o momento de loucura do pai. Ela sorriu e acenava com a mesma intensidade, estampando um largo sorriso no rosto.

- Você acha que ela vai ganhar? – Noah me perguntou.

- Bem, eu espero que sim. Ela tem treinado tanto ultimamente...

- Vamos lá, Bea! – ele gritou ao meu lado e eu olhei assustada – O que foi? Eu preciso compensar as outras vezes que eu não pude vir.

Por mais que fosse difícil para as crianças, eu sabia que também era difícil para o Noah. Ele não queria perder as coisas de propósito. Tenho certeza que se ele pudesse escolher, ele teria passado cada momento importante da vida dos nossos filhos ao lado deles. Eu lembro de como ele ficava quando chegava do trabalho e via um deles fazendo algo diferente, algo que aprendeu enquanto ele não estava em casa.

Janeiro de 1995.

Eu ouvi a porta bater e em seguida o rosto cansado de Noah surgir em meu campo de visão. Sorri calorosamente para ele, segurando Liam em meus braços. Noah ia se aproximar, mas eu neguei com a cabeça. Ele me olhou confuso.

- Fique onde está, seu filho quer lhe mostrar uma coisa. – coloquei Liam sentado no chão, com cuidado – Mostre para o papai o que você aprendeu hoje. – Noah franziu a testa, estranhando a situação. Liam apoiou-se na mesa de centro, ficando de pé sozinho. Noah arregalou os olhos, já se movendo em direção ao filho, mas o adverti em silêncio, para que ele deixasse Liam continuar. Ainda incerto do que fazer, ele colocou um dos pés à frente e perdeu o equilíbrio, caindo sentado no chão novamente. Noah ia ajudar, mas eu fiz mais um sinal para que ele deixasse Liam sozinho. Ele levantou mais uma vez e agora ele estava mais firme em seus movimentos. Mesmo com pouco equilíbrio e tropeçando pelo caminho, Liam andou até o seu pai e se apoiou em suas pernas, para não cair mais uma vez. Noah o pegou no colo e o abraçou forte, seus olhos brilhavam de uma forma que parecia que ele estava a ponto de chorar.

- Ele tá crescendo muito rápido. – eu disse, tentando não me emocionar também.

- E eu tô perdendo tudo. – Noah respondeu, meio cabisbaixo – É mais provável ele falar vovó ou vovô antes de papai.

- Não fica assim, eu tenho certeza que ele vai falar papai. – eu me aproximei, passando o braço ao redor de sua cintura.

Bea parecia mais motivada ao pular na piscina, talvez fosse a presença do pai na arquibancada. Noah dificilmente conseguia ir e quando ia, não chegava a tempo. Ver seu pai gritando e pulando deve ter lhe dado força extra para passar facilmente as adversárias na piscina. Em poucas braçadas, ela já tinha conseguido ultrapassar todas as competidoras e tinha passado em primeiro na virada. Nos vinte e cinco metros restantes ninguém foi páreo para ela, que chegou com muitos segundos de distância da segunda colocada. Assim que ela bateu na borda da piscina, Noah deu um pulo e começou a aplaudir e gritar seu nome. Algumas mães estranharam e alguns pais começaram a rir da reação exagerada do meu marido, que pouco se importou. Aquele era um momento de pai e filha, ninguém entenderia.

- E aqui está a minha campeã! – Noah exaltou ao ver Bea. Ela correu ao seu encontro e ele a abraçou, acabando todo molhado.

- Não sabia que você viria, pai. – ela disse, abraçando-o fortemente.

- Eu gosto de fazer surpresas, mas também não gosto de alimentar falsas esperanças. Só Deus saberia se eu ia mesmo conseguir sair no horário certo do trabalho.

- Mas isso não importa, o que realmente vale é que você tá aqui.

- Já que temos uma vencedora aqui, acho que devemos comemorar. – eu disse.

- Talvez devêssemos comemorar a presença do meu pai também, quem sabe quando ele estará aqui de novo? – Liam disse e Noah riu.

- Não se faça de durão, meu filho. Aposto que uma taça enorme de sorvete de chocolate fará o seu humor melhorar.

- Talvez... – ele riu também.

- Então é isso, sorvete de chocolate para todos. – eu disse e seguimos para o carro.

- Eu posso pedir de morango? – Bea perguntou.

- Não, pirralha. – Liam respondeu.

- Eu não sou pirralha! – ela retrucou. Pelo visto teríamos uma longa tarde em família... Como eu senti falta disso.


Notas Finais


Aí tô animada pra postar maiss


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