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História When we were 18 noart adaptation - Capítulo 3


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Capítulo 3 - 02


Domingo

Dia se reunir a família em volta da mesa, fazer uma bela refeição e após o almoço, passar o restante da tarde juntos, certo? Bem, não tecnicamente. Pelo menos não na minha família.

Eu estava aqui enfurnada na cozinha, lavando a louça do almoço, terminando de arrumar as bagunças e limpando toda a sujeira que foi feita. Já Noah está, praticamente, morto lá no sofá. Da mesma forma que ele caiu depois do almoço, ele está até agora. Bea está no quarto, provavelmente na internet ou lendo algum livro, como sempre. Já Liam correu para o quarto para se arrumar, porque ia sair com a Ally.

A tarde que eu deveria passar com a minha família, eu estou passando dentro da minha cozinha, mas pelo menos são alguns momentos de paz e silêncio. Eu posso colocar as coisas da escola e dos meus alunos em ordem, começar a preparar as provas e as próximas aulas.

Eu nunca imaginei que acabaria dando aula para crianças, quando eu comecei a imaginar que um dia poderia fazer uma faculdade de artes plásticas, eu me imaginava como uma futura artista renomada. Mas como eu poderia me focar numa possível carreira brilhante, tendo um filho pequeno para criar? Até mesmo completar a faculdade já foi um sufoco.

Eu tive que contar com a ajuda dos meus pais e dos meus sogros, só com eles tomando conta do Liam que eu podia me concentrar direito nos estudos. Porque eu tentei deixá-lo com uma babá, mas depois que eu o encontrei com diversas marcas vermelhas pelo corpo, eu nem quis imaginar o que ela poderia ter feito com ele, eu apenas a demiti na hora. Depois que me formei, consegui um emprego numa escola aqui perto de casa e logo matriculei Liam nela, assim eu poderia ficar tranquila e sempre de olho no meu filho. E isso já faz doze anos.

Separei uma série de pincéis, alguns potes de tintas e até mesmo alguns desenhos já prontos. Anotei as próximas atividades no diário de classe, corrigi os trabalhos e planejei as provas. Tudo isso em apenas uma hora. Quando arrumava meus papéis, eu ouvi os passos de alguém na escada e me levantei, quando cheguei à entrada, Liam já estava quase na porta.

- Você não ia se despedir? – perguntei, cruzando os braços.

- Eu já volto. – ele falou, abrindo a porta.

- Mesmo assim, você deveria ter ido até a cozinha, me dado um beijo e ter dado tchau.

- Mãe... – ele fez uma careta, ainda segurando a maçaneta.

- Liam... – imitei seu tom de voz e ele rolou os olhos. Ele andou a passos duros até onde eu estava e, muito a contra gosto, me deu um beijo rápido na bochecha. – Não sei pra que tanto drama, nem tem ninguém olhando você dando um beijo na sua mãe.

- Tá. – ele disse voltando para a porta.

- Aonde vai?

- Sair com a Ally, por quê? – ele perguntou, virando seu corpo em minha direção.

- Nada, só curiosidade de mãe. – sorri de lado, enquanto ele balançava cabeça negativamente. – Vai com Deus e mande um beijo para Ally.

- Tudo bem, tchau. – ele disse, nem me dando tempo para responder antes de fechar a porta. Segui até a janela ao lado e o observei até sair do meu campo de vista. O som do celular do Noah chamou a minha atenção e o tirou de seu sono quase profundo. Voltei para a cozinha para terminar de arrumar minhas coisas. Minutos depois Noah apareceu com cara de sono e perguntou:

- Liam saiu? – ele disse, coçando os olhos e bagunçando ainda mais o cabelo.

- Aham, foi encontrar a Ally.

- Me conte uma novidade. – ele murmurou, enquanto abria a geladeira. – Me ligaram agora e eu tenho que ir na empresa, estão precisando da aprovação do orçamento de uma campanha que tem que ser apresentada amanhã de manhã, não devo demorar.

- Mas hoje é domingo, Noah. Não vão respeitar nem o seu final de semana? – falei, voltando a apoiar minha pasta na mesa e olhei para ele.

- Eles precisam de mim lá, Sina. – bufei, ignorando seu olhar no meu.

- Como se ninguém precisasse de você aqui. – murmurei, caminhando até o andar de cima, para guardar o que eu havia feito antes para as aulas do dia seguinte. Ele me seguiu e sentou-se na cama.

- Não vamos começar com isso de novo, certo? – ele perguntou, erguendo as sobrancelhas.

- Não, não vamos, já entendi que o seu trabalho é a coisa mais importante. – falei, abrindo o armário e pegando algumas peças de roupa para ele. – E até porque não adiantaria, como sempre.

- Eu vou tirar umas férias e nós vamos...

- E nós vamos fazer uma bela viagem em família. – completei sua frase, rolando os olhos. – Já perdi as contas de quantas vezes escutei isso nos últimos dezessete anos.

- Mas dessa vez eu estou falando sério. – ele disse, pegando minhas mãos e dando um beijo em cada uma.

- Você sempre está falando sério, me conte uma novidade. – sorri duramente, repetindo o que ele havia dito. Soltei minhas mãos e caminhei até uma pequena escada que levava ao sótão, onde era o meu pequeno atelier. Abri bem as cortinas, deixando a luz do sol entrar e iluminar bastante o ambiente. Puxei um pedaço de tecido preto que cobria a tela que repousava sobre o cavalete. Encarei o emaranhado confuso de tintas completamente frustrada, fazia semanas que eu não conseguia pintar nada que julgasse decente. A única coisa que fazia era despejar toda minha raiva contida naquele pedaço de tecido branco, resultado: uma rebelião de cores que os críticos julgariam uma péssima releitura de Pollock. Tudo bem que eu não pensava dessa forma e jamais faria algo como o Pollock, porque não me julgo capaz disso. O problema era o trabalho que eu tinha depois para salvar aquela tela, afinal eu não podia desperdiçar o dinheiro que havia gastado nela. Suspirei, começando a preparar a tinta branca para cobrir tudo, mas antes passei uma pequena espátula por toda a extensão para retirar o excesso que ficava acumulado. Com um pincel grande, passei uma camada de tinta branca bem grossa, vendo todas as cores sumirem pouco a pouco. Uma irônica analogia à minha vida. Sorri friamente, deixando a tinta de lado para esperar o que já tinha pintado secar. Pus as mãos na cintura e observei todo o ambiente, eram telas e mais telas espalhadas por todos os lados, retratos dos meus filhos e do Noah, algumas paisagens, algumas coisas meio abstratas, mas nada que eu julgasse bom o bastante para mostrar para alguém. Por isso que tudo que eu já fiz em minha vida como artista plástica frustrada ficava preso aqui.

Março de 1992.

Era o meu primeiro dia na aula de artes plásticas no ensino médio. Estava esperando por esse desde quando eu cheguei nessa escola. Era o único momento em que eu me sentia bem, quando eu estava desenhando, pintando ou fazendo qualquer coisa desse tipo. Eu sabia que era algo meu, que tinha, sei lá, nascido comigo. Ou melhor, que eu tinha nascido para fazer. O professor, o Sr. Hazel, nos levou para o lado de fora, perto de um conjunto de árvores baixas e nos colocou ali sentados, bem de frente para o prédio que a escola ocupava e então pediu que desenhássemos o que estávamos vendo. Seria simples se não fosse por um pequeno detalhe. Tinha um menino cobrindo quase que por completo meu campo de visão.

Seus cabelos, meio compridos, cobriam uma parte dos olhos, de forma que ele precisava ficar passando a mão para tirá-los do caminho quase que a todo minuto. Com os raios do sol se refletindo nos fios e o sorriso extremamente perfeito que ele mantinha nos lábios, eu fiquei absurdamente encantada, fazendo com que passasse a desenhá-lo quase que inconscientemente. Os traços foram surgindo um após o outro e, de tanto que eu havia observado-o, não precisava mais levantar os olhos para absorver mais algum detalhe, estava tudo gravado em minha mente: o fato do lábio inferior ser um pouco mais cheio que o superior, a ponta do seu nariz que era levemente arrebitada, o ângulo perfeito formado pelas linhas do seu rosto e até mesmo as pequenas sardas que ficavam a mostra na parte descoberta pelo casaco. A única coisa que faltava era os seus olhos. Depois de algum tempo, vi uma sombra se formar a minha frente e levantei os olhos. Sr. Hazel olhava atentamente para o bloco de folhas apoiado em minhas pernas com uma expressão confusa. Mordi os lábios e esperei que ele falasse alguma coisa.

- Bem, eu pedi que você desenhasse o que estava vendo e não um rapaz. – ele sorriu de lado e se agachou ao meu lado.

- Esse é o problema, ele está exatamente na minha frente, é a única coisa que eu consigo ver. – murmurei, colocando uma mecha do meu cabelo que estava solta atrás da orelha.

- É verdade. – ele respondeu, enquanto olhava para frente e tomava conhecimento do meu campo de visão. – De qualquer forma, é um belo desenho, parabéns.

- Obrigada. – falei, abaixando o rosto, provavelmente todo vermelho. Ele se levantou e retornou o seu caminho por entre os outros alunos, vendo o que cada um estava fazendo.

Voltei minha atenção novamente ao desenho, tratando agora de melhorar cada detalhe. Não bastando minha mania de perfeição, era quase que um problema de orgulho não fazer aquele desenho da melhor maneira que eu pudesse. Além de querer impressionar o professor, eu queria retratar aquele rosto perfeitamente.

- Que bom que finalmente se juntou a nós, Noah. – ouvi o professor dizer, mas não dei atenção. Levantei meu olhar mais uma vez para verificar se havia deixado algum detalhe passar, mas ele não estava mais ali. Suspirei, encarando o que eu havia feito. Estava bom pelo menos. Vi uma sombra se formar em minha frente e estendi o papel para que o professor pegasse e assim ele fez, só que a voz que eu ouvi em seguida não era a que eu espera. Era grossa e ao mesmo tempo aveludada, perfeita para os ouvidos.

- Por que você me desenhou? – o menino perguntou, enquanto me olhava intensamente. Pela primeira vez eu pude ver seus olhos e fiquei quase que paralisada. Era de um verde tão profundo, que eu quase me perdi. Acho que esqueci como se fala também, porque ele ficou lá de pé a minha frente durante alguns longos segundos, antes de se abaixar e deixar seus olhos na altura dos meus. Mordi os lábios, tentando pensar em algo inteligente para falar, mas não pensei em nada.

- O professor pediu para que eu desenhasse o que estivesse vendo e, bem, você estava na minha frente, cobrindo toda a vista. – falei baixo, vendo que ele ergueu as sobrancelhas, como se tivesse entendido.

- Bom, acho justo eu te desenhar também. – ele disse, sorrindo de lado. – Só não garanto que vai ficar assim tão... bom. – ele tornou a olhar o desenho, só que mais de perto dessa vez. – Você é realmente boa.

- Obrigada. – respondi, levantando de vez a cabeça e encarando aqueles olhos maravilhosamente verdes.

- Meu nome é Noah. – ele estendeu uma mão.

- Sina. - ele sorriu mais abertamente, fazendo com que meu coração começasse a bater mais rápido.

Peguei uma pequena caixa que estava na última prateleira da pequena cômoda de madeira escura que estava recostada perto da janela, abri com cuidado e retirei de lá duas folhas de papel meio amareladas. Uma tinha o desenho que eu havia feito dele no primeiro dia que eu havia lhe visto, toda aquela perfeição em pessoa que tinha me conquistado, e a outra continha o desenho que ele havia feito de mim. Para ser sincera, ficou horrível e não parecia comigo de qualquer maneira, mas só de ver seu olhar compenetrado e até mesmo uma gotinha de suor brotar em sua testa, devido ao esforço que ele fazia, eu achei que deveria guardar. Sei lá, talvez tivesse sido uma coisa boba de menina, mas, de alguma forma, aquelas folhas tinham se salvado até hoje e elas eram a prova viva de como tudo havia mudado.

Nada era tão fácil e simples como esses desenhos parecem agora. É tudo tão duro, pesado e difícil. Respirei fundo, deixando um sorriso fraco surgir. Ouvi uma batida na porta e em seguida Noah entrou no cômodo, franzindo o nariz pelo cheiro forte de tinta. Ele sorriu, mas eu não imitei seu gesto, me mantendo séria. Recoloquei as folhas na caixa e tampei a mesma.

- Estou indo. – ele disse, pulando para evitar pisar em algo que estava no caminho. – Nossa, faz tempo que eu não vejo nada novo que você fez.

- Como se você tivesse tempo para isso, não é, querido? – murmurei, voltando a pegar a tinta. Com uma careta, ele se aproximou parando bem na minha frente e sorrindo.

- Não faz assim, você sabe que eu tenho todo o tempo do mundo quando é algo relacionado a você ou as crianças.

- Aham. – me limitei a responder. – Você não está atrasado?

- Provavelmente. – Noah curvou-se para me dar um leve beijo nos lábios. – Até mais tarde.

- Até. – falei, virando-me novamente para a tela.

- Te amo. – ele murmurou já perto da porta e saiu pela mesma, antes mesmo de ouvir minha resposta.

- Aham. – tornei a responder, agora para mim mesma, enquanto pegava um vidro de tinta num tom vermelho vivo que estava a minha frente e jogando praticamente tudo na tela que tinha acabado de “salvar”. Suspirei, fechando os olhos fortemente. Peguei a tela e joguei num canto, para que ela fosse descartada depois. Não queria ter que me forçar para salvar mais nada. Não agora.

- Mãe? – ouvi a voz da Bea se aproximando e consegui colocar um sorriso no rosto.

- Aqui em cima. – gritei e em seguida ouvi seus passos ecoando escada acima.

- Cadê todo mundo? – ela perguntou, abrindo completamente a porta.

- Seu irmão foi encontrar com a Ally e seu pai foi trabalhar.

- Trabalhar? Mas hoje é domingo. - ela reclamou, se aproximando e encostando-se à janela.

- E desde quando seu pai tem dia certo para trabalhar? – perguntei retoricamente e ela deu de ombros.

- E o que a gente vai fazer? – Bea fez uma careta, mexendo aleatoriamente nos potes de tinta em cima da bancada.

- Não sei, você tem alguma ideia? – perguntei, colocando a caixa, que eu mexia antes, no lugar.

- Não sei. – ela repetiu, brincando com um pincel. – Bem que você podia deixar eu te desenhar. – Bea sorriu de lado, com uma cara travessa.

- Estou à sua disposição. – levantei os braços, num sinal de rendição. – Onde você quer que eu fique? – perguntei, enquanto ela corria pelo lugar a procura de materiais.

- Pode sentar ai. – ela apontou para o banco perto da janela. – E não se mova.

- Ok, senhorita. – respondi, fazendo o que ela havia falado. Bea puxou uma cadeira alta, que estava escondida num canto. Pegou a prancheta para apoiar, algumas folhas e vários tipos diferentes de lápis, que ela encarou de forma confusa por algum tempo. Levantei e fui até lá ajudar.

- Quanto mais duro for o grafite, mais forte e firme será o traço. Você pode fazer a base com esse mais duro. – peguei um lápis que marcava um H na lateral. – E depois fazer os detalhes com esse. – peguei outro que marcava um B. – Eu já te falei isso na escola, não foi?

- Sim, mas eu sempre esqueço. – ela deu de ombros. – Agora fique quieta. – ela pediu, fazendo uma expressão séria. Formando uma espécie de quadrado com as mãos e fechando um dos olhos, ela me encarou bem concentrada, fazendo com que uma pequena ruga se formasse entre seus olhos.

- O que você está fazendo? – perguntei, reprimindo um sorriso.

- Não sei, vi um filme. – ela sorriu de volta. E então se focou no desenho. Mantive-me na posição até que eu me cansasse e ela parasse de pedir para que eu não me mexesse. Bea revezava seus olhares entre eu e o papel, onde ela riscava quase que enlouquecidamente e apagava com a mesma intensidade. Algumas vezes ela bufava, amassando o papel com raiva e jogando o mesmo no chão. E depois começava tudo novamente.

- Estou me sentindo o Leonardo Di Caprio naquele filme. – ela murmurou, me acordando de um quase cochilo. Ela estava quieta há muito tempo, o que me levou a crer que tinha, finalmente, gostado do que estava fazendo.

- Que filme? – perguntei, me ajeitando na cadeira, enquanto buscava na memória algum filme onde esse ator fazia o papel de algum artista ou apenas desenhava. – Titanic?

- Aham, mas você não está pelada como a outra atriz. – ela respondeu rindo alto e eu a acompanhei.

- Mas, Bea, esse filme não é da sua época. – comentei, estranhado o fato de ela mencionar um filme um pouco antigo.

- Mãe, estava no cinema outro dia, em 3D. – ela disse daquela forma quase superior de sempre. Ela sempre parecia muito mais velha do que realmente era. E isso me assusta um pouco. Queria que ela fosse uma criança, agisse como uma criança.

- E você tinha idade para ver esse filme, Bea? – perguntei e ela mordeu o lábio inferior, olhando para o outro lado.

- Não, mas o pai da Dianna foi com a gente como responsável, ai eles deixaram e, mãe, como esse filme é triste. – ela mudou bruscamente o assunto. – Até agora não entendi porque o Jack morre, tinha espaço para os dois naquela porta.

- Também acho, filha. – comentei, entrando em seu jogo. – E sempre me perguntarei isso.

- Acho que eu terminei. – ela anunciou, pulando da cadeira e correndo até onde eu estava. Ela abraçou a prancheta e me estudou com cautela. – Você não vai rir? Porque não está bom como nenhum desses seus. – ela apontou para um mural que tinha ao lado da janela, onde eu pendurava alguns rabiscos aleatórios que eu fazia, inclusive diversos desenhos que eu havia feito dela.

- É claro que eu não vou rir. – respondi, pegando as folhas de sua mão. É claro que não estava perfeito, mas para uma criança de sua idade estava ótimo. Ela poderia trabalhar mais nas proporções, mas isso é algo que se aprende treinando. Levantei o olhar e vi que ela roía as unhas, esperando que eu falasse alguma coisa. – Está muito melhor que os meus, merece até um lugar de destaque aqui. – falei, levantando e tirando todos os meus desenhos do mural e colocando apenas o dela bem no centro.

- Depois eu te ensino como fazer então. – ela murmurou, convencida, e eu a puxei para um abraço.

- Com fome? – perguntei, ela passou a mão na barriga e fez uma careta.

- Definitivamente com fome.

Olhei para o relógio na mesa de cabeceira do meu lado da cama e ele marcava: 22:47. Suspirei, tirando os sapatos e deitando-me suavemente. Bea estava na cama e Liam havia chegado há alguns minutos, respeitando seu toque de recolher, e agora estava no quarto ouvindo música, como sempre. Meus olhos estavam pesados e eu não estava fazendo nenhum esforço para mantê-los abertos. Há tempos eu não me preocupava mais em esperar o Noah chegar para dormir, vi que eu apenas perdia horas de sono e um pouco de paciência também.

Estiquei um dos braços e desliguei o único abajur que iluminava o cômodo. Pareceu que passou apenas alguns minutos, mas quando eu acordei um pouco alarmada por sentir alguém me abraçando e claridade incomodar meus olhos. Olhei para o mesmo relógio e agora ele marcava: 00:55. Virei meu rosto e encontrei o do Noah bem próximo ao meu, com um sorriso culpado no rosto.

- Eu sei que demorei. – ele sussurrou, me puxando para mais perto.

- Isso não me surpreende mais, Noah. – respondi, cruzando os braços na altura do peito e encarando o teto.

- Estou errando demais com você, meu bem. – ele confessou, deitando seu corpo de lado, fazendo com que seus lábios ficassem perigosamente perto do meu ouvido. – E eu me sinto muito mal com isso. – disse, depositando um beijo na curva do meu pescoço em seguida. – Muito mal. – outro beijo. Fechei os olhos, tentando me controlar. Ele sabia exatamente como me fazer esquecer tudo. Não importava o tamanho da raiva que eu estava sentindo dele, bastava poucos segundos e alguns beijos e pronto, eu não lembrava mais nada.

- Eu deveria fazer você pagar por todos esses erros. – murmurei, mantendo meus braços cruzados, mas voltando meu olhar a ele.

- Eu também acho que deveria. – Noah disse, elevando um pouco seu corpo para que seus lábios ficassem agora perto dos meus. Ele se aproximou lentamente, deixando-os a poucos centímetros de distância. Seus olhos encontraram os meus e um pequeno sorriso surgiu no meu rosto. Ele sabia que era o sinal que precisava. Deixou que seu corpo caísse e nos juntou num beijo calmo. Descruzei os braços e pus uma de minhas mãos em seu rosto, trazendo para mais perto, intensificando o beijo.

- Me desculpe. – ele sussurrou em meu ouvido, enquanto apertava minha cintura com vontade.

- É claro que eu desculpo. – respondi, colocando minhas mãos em seu cabelo e puxando alguns fios. – Eu sempre desculpo, não é mesmo? – ele se afastou um pouco, olhando fundo nos meus olhos.

- Eu te amo. – disse, antes de esticar o braço e apagar o abajur, deixando a escuridão dominar todo o quarto.


Notas Finais


Vou postar maiss


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