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História Where My Demons Hide? - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Capa por @Honeymoon
Betagem por @Myung

Capítulo 1 - Capítulo Único


“Os piores demônios são aqueles que estão dentro da nossa mente.”

─Lorenzo H.

 

Where My Demons Hide

O chão estava escorregadio e o cheiro de ferro subia, queimando as narinas de Lee Hwitaek, que tremia dos pés à cabeça, sentindo o suor manchar sua camisa quando essa grudava em seu tronco. Seus cabelos estavam molhados, grudados em sua testa e nuca, enquanto seu pomo de Adão subia e descia cada vez que engolia em seco.

Como vim parar aqui?

O quarto vazio estava mal iluminado, mas tinha luz suficiente para que o rapaz visualizasse os nove corpos a sua frente, todos espalhados pelo chão, alimentando as poças vermelhas que cobriam o piso de madeira e manchavam os sapatos de Hui. Seus olhos dançavam de forma assustada, enquanto sua boca se abria em um grito, mas nenhum som se fez ouvir.

Que lugar é esse?

Os joelhos do rapaz finalmente cederam e o mesmo foi ao chão, em frente a todos eles. Percebeu então, finalmente, que suas mãos estavam acorrentadas, mas, mesmo assim, Hui tentou debilmente se arrastar até qualquer um dos jovens. Precisava tocá-los, saber se estavam vivos.

Como isso aconteceu com minha família?

Assim que as correntes, em seu limite, o puxaram para trás e ele desabou no chão sobre uma poça de sangue, o primeiro rosto que viu a sua frente era o de seu maknae: Wooseok, ainda tão jovem, estava de olhos abertos, a cabeça virada em um ângulo estranho, e a boca ainda entreaberta, pingando sangue.

Hui finalmente se deu conta do que estava acontecendo e se permitiu chorar copiosamente, vendo a cena que se desenrolava à sua frente. Era tão injusto, ele não havia sequer terminado a escola.

E-Estão todos mortos?

Ele levantou a cabeça, a procura de algum sinal de vida: Kino jazia sobre o corpo de Yuto, ambos com as pontas dos dedos ensanguentadas, também de olhos abertos.

Os outros não estavam muito diferentes dos primeiros, amontoados, jogados e quebrados, cheios de sangue em seus corpos e roupas.

E ele.

Finalmente alguém que não estava morto, percebeu Hui, espantado e aliviado.

O jovem loiro estava quase inconsciente, ainda tentando sobreviver, o mais velho constatou, chorando ainda mais ao ver o estado dele.

— Hyojong? — Hui conseguiu sussurrar, sentindo o alívio tomar seu corpo quando escutou sua própria voz percorrer o cômodo, mesmo que sua garganta ardesse ao fazê-lo — E'Dawn?

O mais novo se mexeu minimamente assim que ouviu seu nome, erguendo os olhos, marejados pelas lágrimas, para seu líder.

Ambos estavam presos em lados opostos da sala, frente a frente. E'Dawn tentou dizer algo, os lábios tremendo, mas assim que engasgou, no que parecia ser sangue, ele olhou o mais velho, desesperado, e começou a chorar, se arrastando com toda a força que ainda tinha, na direção de Hui, que estava no limite das correntes e não podia se mexer.

— E'Dawn — o mais velho disse, fungando, tentando controlar a vontade que tinha de chorar —, está tudo bem, nós vamos sair daqui, não chore, por favor…

Hui estava prestes a continuar dizendo para o mais novo se acalmar, mas um som de madeira rachando fez com que ambos ficassem quietos, com os olhos arregalados. O som ficava mais perto a cada segundo, e ambos passaram a tentar se arrastar mais em direção ao outro, mesmo que isso significasse que suas mãos teriam que ficam para trás.

O líder já sentia o punho arder, e sabia que se olhasse para ele, veria o sangue escorrer, mas ele ignorou a dor e continuou, sentindo que estava conseguindo escorregar lentamente na direção de seu Hyojong, que tentava desesperadamente fazer o mesmo.

Só mais um pouco…

Assim que o rosto de ambos estava a cinco centímetros de distância, Hui observou, com o coração apertado, quando uma sombra puxou a alavanca que controlava as cordas atrás de E'Dawn, o arrastando rapidamente para trás, sem delicadeza, o fazendo gritar de dor e frustração. Seu corpo foi erguido pelas correntes e pendurado próximo ao teto, onde o jovem se debatia, desesperado, gritando o nome de Hui a todo momento.

Hui!

Hui-hyung!

HUI!

Aquele mesmo Hui que estava ali, jogado no chão, chorando, soluçando sobre suas lágrimas, sua saliva, seu catarro, se sentindo impotente por não conseguir mais tirar forças para tentar se livrar das correntes.

Aquele mesmo Hui que fechou os olhos quando a sombra se aproximou das costas do mais novo, sem coragem de olhar o que aconteceria em seguida…

Por favor, salve ele. Por favor, me ajude. Por favor, salve-o. Eu o amo. Eu dou o que for preciso para que você o salve. Por favor, Deus, ou quem quer que esteja me ouvindo...

Assim que ele escutou o som de ossos quebrando, ele abriu os olhos, pulando da cama rapidamente, quase caindo no processo.

 

Hui passou os olhos pelo quarto tão conhecido na casa de sua mãe, e levou a mão direita ao pescoço, respirando fundo enquanto sentia o coração acelerado, e correu os dedos pelo anel que E'Dawn havia lhe dado, antes mesmo de debutarem.

Foi só um sonho.

Após um suspiro aliviado, Hwitaek voltou para a cama, se acalmando depois de perceber que era um pesadelo bobo e que seu querido Hyojong estava a salvo na casa de sua família, para férias merecidas, assim como ele próprio estava.

Ele permaneceu girando o anel em seu dedo, com os olhos fechados enquanto controlava seu coração e seus pensamentos.

— Então, me chamou por quê? — Hui abriu os olhos em um sopro, se assustando ao encontrar Hyojong à sua frente, com os braços cruzados, vestido em um terno preto, com a sobrancelha arqueada — É você que quer fazer o contrato?

O grito do mais velho se fez ouvir pela casa inteira enquanto o jovem a sua frente tapava os ouvidos, querendo fugir daquele lugar.

— Por que você está gritando? Foi você que me chamou!

— Hyojong, o-olha… eu não sei que brincadeira é essa mas- — a risada do outro fez com que Hui se interrompesse, vendo-o balançar a cabeça e se escorar na parede, voltando a cruzar os braços.

— Eu não sou seu querido Hyojong, ok? — ao receber um olhar confuso em resposta, o homem sussurrou e levou os dedos até as têmporas, encarando o rapaz assustado a sua frente com um sorriso de canto, revelando dentes desiguais e levemente pontudos — Eu apenas apareci para você na forma do que mais deseja.

— Do.. Do que eu mais desejo? O que significa isso?

— Significa que, quando chamou um demônio para te ajudar — ele andou até a cama e Hui pôde perceber que ele usava sapatos com um pequeno salto que fazia barulho no chão de madeira —, o demônio no caso sou eu, você desejou algo tão ardentemente que eu apareci nessa forma familiar para você.

— Mas eu não te chamei.

— Chamou sim.

— Eu não disse nad-

— Por favor, salve ele. Por favor, me ajude. Por favor, salve-o. Eu o amo. Eu dou o que for preciso para que você o salve. Por favor, Deus, ou quem quer que esteja me ouvindo. — O jovem demônio com a aparência de Hyojong pigarreou após fazer a imitação de Hui — Do lugar de onde eu venho, isso é um chamado.

— Mas eu quis diz-

— Você chamou quem quer que estivesse ouvindo. E, para o seu azar, eu estava.

— S-Sinto muito em ocupar seu tempo, mas eu não preciso de nada agora. — O líder do Pentagon engoliu em seco, girando rapidamente o anel de E'Dawn no dedo, sem sequer se dar conta.

Mas, obviamente, o demônio a sua frente percebeu. Enquanto passava a mão pelos cabelos loiros levemente bagunçados, ele se aproximou mais, se curvando sobre a cama e, consequentemente, sobre Hwitaek.

— Não é assim que as coisas funcionam, meu jovem. — e Hui constatou, espantado, que os olhos que antes eram como os de seu companheiro de grupo, agora haviam se tornado vermelho sangue, sem pupilas, apenas o fogo crepitando em suas orbes — Eu vim aqui para obter um contrato, e eu obterei esse contrato.

— Mas não tem nada que eu possa pedir…  — o sorriso de canto do demônio se tornou maior e o mesmo subiu na cama, se ajoelhando na mesma, ainda mais curvado sobre o corpo de Hui, que se encolhia a cada mais proximidade.

— Todos querem algo que um demônio pode oferecer. — ele passou a língua pelos lábios afiados, a furando em alguns pontos e pingando sangue negro em Hui, que engoliu em seco.

— Eu não.

— Tudo bem. — O outro deu de ombros, erguendo a sobrancelha — Mas seus companheiros têm. O que será que Hongseok pediria caso eu fosse para o quarto dele? Será que Jinho teria um pedido mais interessante?

— Você não se atreveria a ir sem ser chamado…

— Ora — ele deu um risinho ferino, que lembrava unhas raspando em uma lousa —, mas eu fui chamado. Por você.

— Eu não…

— Qual você acha que tem a alma mais saborosa? — Hui arregalou os olhos  — Yan Ha, Yeo One… ou talvez E'Dawn?

O demônio de olhos vermelhos fez menção de levantar, sorrindo, mas Hui o segurou pela gravata com força, fazendo sua forma tremeluzir levemente, e o rapaz observou quando, por uma fração de segundo, ele não se parecia mais com Hyojong, e havia se tornado algo parecido com um humano com a pele a cor da noite, manchada por marcas vermelhas, e asas de morcego.

Mas, após piscar, lá estava seu E'Dawn novamente.

— O que pensa que está fazendo? — o sussurro áspero do demônio fez os pêlos de Hui se eriçarem, mas ele não o largou, pelo contrário, o apertou com mais força.

— Você não vai atrás deles. De nenhum deles.

— Ora, ora… temos aqui um líder sentimental.

— Eu não estou brincando.

— Eu não vou fazer nada de errado. — O loiro ergueu as mãos em rendição e sorriu.

Era um sorriso limpo e claro, como se fosse do verdadeiro dono daquele rosto, e que fez Hui se distrair por um momento.

— Está apaixonado pelo companheiro de time, pobre Hwitaek. — o deboche na voz do outro era claro, o que trouxe o rapaz a realidade novamente, e fez com que ele trincasse o maxilar, aborrecido — Não fique assim, isso acontece o tempo todo na minha profissão.

— Eu não estou apaixonado por ele.

— Não precisa ter medo de admitir aqui — ele deu de ombros para Hui —, afinal, eu não sou realmente ele.

— Eu não tenho o que admitir.

— Sabe que pode me pedir para tê-lo com você, não sabe?  — o corpo do demônio desceu, quase se colando ao de Hwitaek, enquanto seus lábios se aproximavam da orelha do rapaz, para sussurrar — Eu posso fazê-lo te amar. Posso fazê-lo vir até sua cama, ou se declarar para você.

— E-Eu não…

— Eu posso fazer com que você sinta o toque dele — dito isso, o falso Hyojong subiu a mão macia lentamente, parando-a na base do pescoço de Hui e o fazendo fechar os olhos para sentir melhor —, como você nunca sentiu antes.

Ele será meu.

— Ele será seu. — era possível ouvir o demônio rir baixo quando depositou um beijo curto no pescoço do rapaz a sua frente, que respirava com dificuldade.

Ele irá me desejar.

— Ele irá te desejar.

E eu só tenho que pedir.

— E eu só preciso que você peça… e aí teremos um contrato.

Não há nada que valha mais do que o amor dele.

— Exatamente, eu só preciso da sua alma, e Hyojong será seu.

— S-Só minha alma… — o sussurro saiu entrecortado pelos beijos que o demônio depositava em seu pescoço e, mesmo ele sabendo que não era seu amado ali, ele não podia deixar de pensar que, em breve, seria.

— E então, Hui-hyung?

Ouvir a voz de E'Dawn chamá-lo daquela forma era a perdição para o líder, que fechou os olhos e assentiu:

— Eu quero. Quero fazer o contrato.

Os lábios alheios se abriram em um sorriso, ainda na pele quente de Hui, e o demônio se deixou relaxar o corpo, o colando no corpo do rapaz abaixo de si, o segurando pelo pescoço com delicadeza.

— Presumo então que eu deva lhe dizer como funciona.

Hui apenas assentiu mais uma vez, abrindo os olhos para encarar duas bolas de fogo, vermelhas como o inferno, lhe encarando:

— Você faz o pedido, e eu selarei o acordo provando um pouco de sua alma, que eu virei buscar daqui a algum tempo.

— P-Provar minha alma? — as unhas afiadas e longas se apertaram no pescoço de Hui, marcando-o levemente, mas sem arrancar sangue. Ainda.

— Um simples e puro beijo. Apenas isso é o necessário para selar o contrato.

Hwitaek suspirou aliviado e sorriu de canto. Era apenas um beijo, em um demônio que possuía o rosto de Hyojong. Era um preço pequeno a pagar.

— E-Então só será preciso isso para você me deixar e ele me amar? — o demônio assentiu, o rosto impassível, se afastando lentamente de Hui e se prostrando de pé ao lado da cama, estalando os ossos do pescoço — Então eu peço.

O homem à sua frente fez uma pequena reverência, sorrindo de canto:

— Faça as honras.

— Eu desejo que Kim Hyo Jong me ame como eu o amo.

Assim que as palavras foram proferidas, o sorriso do demônio se intensificou e ele estalou os dedos, e Hui pode sentir, espantado, enquanto sombras negras o rondavam e o prendiam pelas mãos e pés, o pressionando no lugar, para que não se mexesse.

Ele olhou para o demônio a sua frente e este apenas deu de ombros:

— Medida de segurança.

— V-Você não falou nada sobre essa medida de segurança. — em resposta ele recebeu apenas um par de orbes revirando e uma risada anasalada.

— Não se preocupe. Não vai demorar muito.

O falso Hyojong folgou a gravata preta e se curvou novamente sobre o corpo de Hui, agora paralisado pelas sombras e pelo medo, e lhe dirigiu um sorriso, tentando acalmá-lo.

E deu certo, pois Hui fechou os olhos lentamente, como se estivesse embriagado demais para continuar acordado enquanto o demônio se aproximava mais e mais de seus lábios.

— Voltarei em cinco anos para buscar o resto de sua alma.

Isso pareceu despertar o rapaz, como em um sonho em que se acorda com a sensação de cair. Ele virou o rosto, para se afastar do beijo que se seguiria, e começou a se debater.

— Cinco anos? Você não falou que seria tão rápido!

— Não tinha motivos para que eu falasse. Pelo menos não até você desejar em voz alta… — O loiro fez um biquinho, quase inocente, e segurou o rosto de Hui com força, o virando para si, se aproximando para beijá-lo.

— E-Eu não posso!

— Tarde demais, Hui. — e o rapaz de cabelos castanho-claros sentiu os lábios roçarem nos daquele que dizia ser um demônio, e sentiu uma lágrima solitária cair por seu olho direito enquanto ele fechava os olhos e impulsionava a cabeça para frente, dando uma cabeçada no rosto que estava bem próximo ao seu.

O demônio cambaleou para fora da cama, segurando o nariz que agora pingava um icor de cor negra e levemente coagulada, e olhou para Hui, os olhos furiosos o fuzilando de longe antes que ele passasse a mão direita pelo rosto, manchando-o ainda mais, e arrancasse a gravata bem alinhada:

— Eu fui legal com você, Hwitaek. Mas parece que, infelizmente, terei que fazer isso do pior jeito.

E, dito isso, estalou os dedos novamente, e as sombras que o prendiam se transformaram em correntes de metal, geladas e duras, como em seu pesadelo.

O rapaz sentiu a boca secar e o coração acelerar, enquanto via o demônio tirar o paletó do terno, erguendo as mangas da camisa, e revelando as cicatrizes grotescas que ali viviam. Não era nada parecida com a pele lisa de seu amado.

— Eu tentei fazer um acordo com você mas-

— E-Eu não pedi nada disso. Você disse que faria ele me amar!

— Oh — ele sorriu de canto, se aproximando da cama novamente, com o nariz ainda pingando —, e ele vai te amar. Por exatos cinco anos, antes que eu venha te buscar e ele esqueça que você já existiu.

— P-Por favor…  — Hui implorou, a voz falhando quando as lágrimas invadiram seus olhos.

— Por favor? — a risada alta e cortante se fez ouvir quando o demônio segurou a gola da camisa do jovem e a rasgou no meio, as unhas afiadas rasgando a pele de Hui pelo caminho, o fazendo gritar de dor — Já está doendo? Eu nem fiz nada ainda.

O rapaz tremia e suava frio, se encolhendo enquanto o demônio se curvava sobre seu corpo e segurava seu rosto com força, cravando as unhas em suas bochechas e fazendo pequenas feridas em formatos de meia-lua irregulares.

Lágrimas caíram dos olhos de Hui quando os lábios alheios se aproximaram novamente, e ele sentiu o beijo o arrebatar, selvagem e sem espaço para recusas.

Não era bom, pelo contrário. Mas sentir a textura da boca que deveria ser de Hyojong era algo que ele ainda não podia lidar. A língua alheia pediu passagem e ele não teve opção senão atender ao pedido.

E se arrependeu no mesmo momento.

Ele expeliu um grito, vindo do fundo de sua garganta, e se contorceu na cama, querendo se livrar daquela dor. Era como se, no momento em que abriu a boca, algo começou a ser sugado de seu interior por aquele demônio, puxado como se alguém tentasse arrancar seu coração com as mãos.

Era agoniante, e a dor era insuportável.

Assim que os puxões suavizaram, Hui pensou que fosse desmaiar pela dor, mas ainda conseguia ver, mesmo que embaçado, quando o demônio se ergueu diante dele, os lábios pingando icor negro, e sorriu, arfante:

— Eu nunca provei uma alma tão pura quanto essa… — ele riu novamente, segurando Hui pelos cabelos e o puxando para perto — Você é um daqueles não é?

E o rapaz se surpreendeu por ainda conseguir falar quando respondeu:

— Eu não sei do que está falando…

— Você é um daqueles que tem a alma dividida com outro ser.

— E-Eu não sei o que é isso… — Hwitaek sussurrou, os olhos pesados, querendo apenas se fecharem, depois de fazer força para se manter acordado durante o que ocorrera um minuto antes.

— Você é o que chamam de Alma Gêmea. E sua metade está por aí, e deve ser tão pura quanto a sua… — O demônio passou a língua pelos lábios, saboreando novamente o gosto da alma de Hui.

— Eu não sei do que está falando…

Irritado com a falta de resposta do jovem, o demônio puxou seus cabelos com mais força e o afundou na cama, o maxilar trincado, enquanto cravava as unhas da mão livre no abdômen do rapaz, que gritou em resposta:

— É impossível que ainda não tenha achado. — ele inspirou o pescoço de Hui sem delicadeza, e o apertou em seguida, fazendo o garoto se debater enquanto sufocava — Você cheira como se estivesse completo, e sua aura brilha como se estivesse completa.

— E-Eu…

— Você já o encontrou. Não minta para mim! — os dedos finos e ossudos apertavam ainda mais o pescoço do rapaz, que tentava inutilmente se debater — Vamos fazer o seguinte então: eu termino de sugar a sua maldita alma pura e depois faço o mesmo com os seus outros amiguinhos, até encontrar a outra metade.

— Hy-Hyoj-

— Você ainda se preocupa com seu jovem amado, é isso? — ele riu — Você continua querendo que ele te ame depois de tudo isso? Você está morrendo, seu inútil! COMO PODE SE PREOCUPAR COM ALGUÉM QUE NEM LHE AMA?

— E-Eu…

— Não gaste ar desnecessário para dizer o quanto o ama. Diga suas últimas palavras antes que eu mate você, seus amigos, e seu precioso amado.

— Talvez ele morra — uma voz raivosa fez-se ouvir no quarto quando Hui estava quase desacordado —, mas não vai ser hoje!

No momento seguinte um taco de beisebol de metal atingiu a lateral da cabeça do demônio, que caiu da cama e foi obrigado a soltar Hui, que respirou fundo, buscando o ar novamente.

— Quem ous- ora, ora — o demônio riu e estalou os ossos do pescoço novamente, o sangue negro escorrendo da lateral de sua cabeça quanto ele libertou Hui das correntes e o puxou pelos cabelos, o ajoelhando no chão, na frente do rapaz loiro a sua frente —, se não é o jovem E'Dawn.

A visão de Hui estava meio turva, mas ele conseguiu sorrir ao ver justo ele a sua frente. Era uma visão linda: os cabelos loiros desarrumados, a camiseta azul clara.

Um belo jeito de encarar a morte.

Mas isso durou pouco tempo.

— Quer contar pra ele, Hui? — O demônio agora se parecia menos com Hyojong, com sua boca retorcida em um sorriso macabro e os dentes afiados no rosto de olhos vermelhos — Contar o porquê de eu estar aqui?

— Eu não quero saber. — ele segurava o taco com força, e tinha no rosto uma expressão de fúria.

O cabelo de Hui foi puxado com mais força e ele grunhiu de dor.

— Conte para ele como chamou um demônio no seu quarto para pedir pelo amor de um homem.

— E-E'Dawn, eu sinto m-

— Você não me deve desculpas, hyung. —  rapaz parecia maior do que realmente era, com os olhos ferinos e a boca em uma linha reta — Solte ele agora ou eu juro que vou trancafiar você no fundo do inferno como fiz com os outros desgraçados da sua raça.

Um grunhido selvagem escapou da garganta do demônio, e o mesmo jogou Hui de lado, deixando o garoto jogado no chão a tentar se levantar. O rosto dele estava tremendo de ódio e ele se aproximou um passo de Hyojong.

— Você é um daqueles caçadorezinhos de merda! — ele cuspiu as palavras e o loiro a sua frente permaneceu sem reação, pronto para atacar.

— Se sabe disso, também sabe que não deveria ter vindo aqui.

— E o que vai fazer com um taco? — o verdadeiro E'Dawn sorriu de canto e inclinou a cabeça.

— Eu nunca disse que estava só com esse taco.

Ele se abaixou e puxou o tapete com força, derrubando o demônio sobre um símbolo pintado a tinta branca no chão do quarto.

Um símbolo chave de Salomão.

— Você acreditou que, sendo um caçador, eu ia deixar a casa dos meus amigos desprotegida?

O demônio rugiu com fúria e tentou avançar sobre o rapaz, mas se viu incapaz de sair do círculo.

— Você devia ter ido embora quando te dei a chance.

E ele sorriu, tirando de dentro da roupa uma adaga benzida e a cravando no peito do demônio, que gritou enquanto queimava, se debatendo com força. Hyojong se aproximou e o segurou pelo pescoço, sussurrando em seu ouvido, sabendo que Hui, que ainda estava semi-inconsciente no canto do quarto, não escutaria:

— Sabe a outra metade que você estava procurando? Pois é, sou eu.

E o atirou no chão antes que ele entrasse em combustão e sumisse em poeira negra.

Assim que isso aconteceu, E'Dawn se aproximou de Hui e o levantou, levando-o até a cama e o deitando nesta, indo pegar o kit de primeiros socorros e um copo de água.

Assim que voltou ao quarto, Hui já estava completamente consciente, mas tremia e parecia desnorteado, o olhando com surpresa e confusão.

— Não foi um sonho, hyung. — Hyojong respondeu a pergunta antes mesmo de seu líder fazê-la e estendeu o copo de água para ele, se sentando na cama e abrindo a caixa de primeiros socorros enquanto ele bebia — O que estava pensando?

— O quê? — O rapaz colocou o copo na mesinha de cabeceira e encarou o loiro a sua frente, que untava os panos e separava as gaze e os esparadrapos com concentração.

— O que diabos estava pensando para chamar um demônio? Se eu não tivesse vindo fazer uma visita surpresa você estaria morto.

Hyojong estava de cabeça baixa, sem encará-lo, enquanto limpava os ferimentos que Hui tinha no abdômen e na base do pescoço.

— Desculpe…

— Eu não gosto de agir como se fosse mais velho, hyung, e você sabe. Mas o que pensou que aconteceria ao chamar um demônio? — ele sussurrava, levemente nervoso — O que pensou que seria de nós quando isso acontecesse? Eu devia ter deixado você se ferrar e protegido apenas os outros.

— E-Eu…

— Você não pode fazer isso conosco! Como acha que eu ficaria se morresse? ou Wooseok? Ou Shinwoo? — ele colocava os curativos sem cuidado algum, mas de forma precisa — Tudo isso por conta de um idiota que você queria que o amasse! Ele valia isso aqui? Ele não lhe retribui pelo fato de você ser um garoto?

— V-Você não viu quem era?

— Não. — ele resmungou — O demônio tem a forma do seu maior desejo, então pra mim ele apareceria em uma forma diferente da sua.

Hui corou, a compreensão o atingindo de maneira forte. Hyojong não sabia que era ele.

— Você devia ter mais coragem, Hui-hyung. Se firmasse o contrato, esse amor não seria verdadeiro. — ele continuava falando, enquanto fechava a caixinha e a colocava na mesinha onde estava o copo de Hui — Você devia me falar coisas assim! Eu achei que n-

E E'Dawn não conseguiu terminar sua frase, pois sua boca foi coberta com os lábios de Hui, que se aproximaram timidamente, iniciando um beijo calmo e lento, fazendo com que ambos fechassem os olhos, apenas para sentí-lo.

Assim que o beijo se intensificou e Hui levou suas mãos ao pescoço de E'Dawn, enquanto o loiro o abraçava pela cintura, ele sussurrou, sem se afastar dos lábios alheios:

—  Era você Hyojong… —  o mais velho percebeu que o loiro tentou parar o beijo, mas ele apenas o segurou ali, com os lábios colados, e sussurrou mais uma vez —  O demônio apareceu porque eu achei que você estivesse em perigo. Era você que eu desejava e amava.

Não foi preciso mais palavras.

E'Dawn subiu as mãos pelas costas de Hwitaek, tirando o que restava da blusa rasgada no corpo dele, ainda o beijando. O beijo agora era intenso e urgente, e eles apenas se afastaram quando o jovem de cabelos castanhos, com as mãos trêmulas, ergueu a blusa de Hyojong, a jogando em qualquer lugar depois disso.

Era assim que ele imaginava o toque de E'Dawn. Exatamente assim.

As correntes elétricas corriam pelo corpo de ambos enquanto iam se livrando de todo o pano que os impedia de se sentirem, como se estivessem em abstinência de drogas, como se precisassem daquilo com a sua vida, como se fosse a primeira e última vez que estariam juntos. Como se eles estivessem corrido o deserto inteiro para conseguir chegar até esse momento.

Hui levou as mãos às costas de E'Dawn, sentindo uma fina cicatriz que seguia a linha de sua coluna, e sorriu internamente. O jovem rapper sempre fora menor que o líder, mesmo que não tivessem tanta diferença de idade: os braços, pernas e tronco de Hyojong sempre foram mais finos e menores, mas aqui e ali, Hwitaek conseguia sentir as linhas definidas que traçavam seu corpo, entregando uma força que ele não sabia que seu dongsaeng tinha.

Em compensação, o corpo de Hui era alto, definido e forte, com costas largas, nas quais as mãos de E'Dawn se perdiam nos toques. Era algo que nenhum dos dois poderia imaginar ali. Daquele modo.

Eram beijos que incendiavam o peito de ambos, eram toques que entorpeciam os sentidos. Hyojong subiu os dedos delicadamente pela pele machucada de Hui e chegou na base do pescoço, sentindo-se orgulhoso ao ver que causava arrepios no mais velho.

E'Dawn pausou os beijos apenas para trilhar com sua boca o caminho pela bochecha de Hwitaek, passando por seu lóbulo da orelha e trilhando seu maxilar enquanto deitava o maior delicadamente, ficando por cima do mesmo e continuando a trilha de beijos ao descer com os lábios por seu pescoço e ombros.

Os músculos de Hui respondiam a cada beijo de Hyojong pelo corpo do rapaz, assim como seus pêlos eriçados e sua boca entreaberta entregavam que ele pedia por mais.

Assim que a boca de E'Dawn chegou ao meio das pernas de Hwitaek e, carinhosamente, seus lábios chegaram a sua ereção, as costas do líder se arquearam em resposta, e o mesmo levou a mão direita aos cabelos do mais novo, segurando-os com delicadeza.

Para Hyojong, o gosto de Hui era suave, quase doce, mas nada enjoativo, o que fazia-o querer mais e mais daquele sabor em si, mas logo sentiu a mão do mais velho em seu pescoço, o trazendo para cima, para beijá-lo, enquanto o segurava pela cintura, colando os corpos.

Ambos giraram, deixando Hwitaek por cima e E'Dawn por baixo, e logo o líder levou os lábios até seu pescoço, o fazendo fechar os olhos, enquanto lentamente passava a mão direita por seu corpo e começava a estimulá-lo, com delicadeza, ouvindo o primeiro som rouco escapar da garganta do mais novo em resposta.

Ambos se sentiam, se provavam, se tocavam, de maneira que sempre sonharam, mas nunca imaginaram antes ser possível, e quando E'Dawn adentrou o corpo de Hui, segurando seu quadril com nada mais do que carinho, e o beijando nos ombros, enquanto sentia todo o corpo do líder se comprimir em resposta e ele engolir em seco um grunhido que subia por sua garganta, ele se lembrou de entrar na sala e ver apavorado, enquanto um demônio, que tinha o rosto de Hui, estava tentando matar o verdadeiro.

O seu verdadeiro Hwitaek.

No momento em que ele entrou no quarto ele soube que a outra metade de sua alma estava com aquele rapaz, e, naquele momento em que ele beijava as costas de Hui a cada estocada, sussurrando em seu ouvido e relaxando-o, ele sabia que era só o começo.

Assim que Hui abriu os olhos e foi invadido com a luz do Sol, ele colocou a mão em frente ao rosto, inspirando profundamente e expirando em seguida. Ele se espreguiçou e sentiu seu corpo dolorido, parando no ato.

Ele se lembrava de um sonho onde ele havia acordado de um pesadelo e havia um demônio com o rosto de E'Dawn em seu quarto. Ele se lembrava de toda aquela noite maluca que não passava de uma produção de sua mente fértil.

Um sonho que, internamente, ele desejava ser real.

Hui suspirou e passou as mãos pelo rosto, virando o corpo para a direita, pronto para sair da cama.

E congelou no lugar, os cantos da boca tremendo, tentando segurar um sorriso que queria surgir ali.

Ao seu lado, com as costas desnudas e os cabelos loiros cobrindo o rosto, estava ele, adormecido, com a expressão calma. Isso fez com que Hui desse uma risada curta, acordando E'Dawn, que tirou os cabelos do rosto e sorriu para ele, sussurrando:

— Bom dia.

E'Dawn já era meu.

— Bom dia, Hyojong.

Eu apenas nunca soube disso.

— Dormiu bem?

E agora ele está aqui, na minha cama.

— Nunca dormi melhor.

E eu nunca mais teria um pesadelo.

 


Notas Finais


Essa é uma fanfic antiga ok? Eu shippo o casal perfeito E'Dawn (agora só Dawn) e Hyuna <3
Espero que tenham gostado


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