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História Where's de Kitty? - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


E aí galerinha do miau!
Aqui é a tia Duda falando diretamente da puta que pariu em plena madruga. Isso mesmo, vim postar outra fanfic, essa vai ser curtinha igual flowers for you. Falando na bichinha, vou tentar atualizar ela ainda hoje, isso é, se eu conseguir betar o cap antes do sono bater. Enfim, Boa leitura!

Capítulo 1 - Cadê a fofura?


•••

Se um dia me dissessem que eu seria o maior fã dos filmes da Tinker Bell um dia, eu diria que essa pessoa estaria completamente pirada. 

Se me dissessem que meu pai ganharia uma fortuna numa raspadinha e me daria metade de sua fortuna com desculpa de que sou seu filho preferido — vale dizer que sou seu único filho —, eu diria que isso é coisa de novela. 

E se me dissessem que um dia eu seria salvo de valentões por um garoto de 1,60 em meus completos 23 anos de idade. Bom, eu não poderia contestar. 

“— Jimin!”

Quando eu tinha doze anos, eu pedi para meu pai — quem cuidava de mim na época já que minha mãe de tão ocupada, viajou para o Brasil e por lá ficou — um gatinho que havia visto uma vez em frente ao pet shop, dentro de uma caixinha de papelão escrita: Faça alguém feliz. 

Eram três gatinhos, um malhado em tons claros, um gato preto de olhos esmeraldas e um tão branquinho quantos os cabelos de minha avózinha. Que Deus a guarde. 

“— Aqui, Jimin!”

Contudo, ao pedir a bolinha de pelos ao meu pai, ele negou convicto com seu sotaque caipira e ainda adicionou: Se quer me matar, que não seja com pelos de gato! 

Meu pai tem alergia a pêlos, quando menor eu o dei um casaco de pele que encontrei em um brechó. Custou todas minhas economias, mas ao menos o manter ia aquecido no inverno frio de Daegu. Certo, isso foi uma péssima de uma ideia já que meu pai foi parar no hospital por uma crise alérgica. Mas vendo pelo lado bom, o casaco esquentou bastante a minha tia quando ela teve de passar a noite no hospital. No final não foi um dinheiro mal gasto. 

Eu saí de casa quando completei dezoito, fui para a capital após passar no vestibular e ganhar uma bolsa para estudar em uma boa Universidade em Seoul. Nunca fui um garoto mimado e mesmo quando tive que viver em um simples goshiwon não foi uma experiência traumatizante. Eu tinha meu sossego, meu próprio banheiro, minha cama e local de estudos. Fui um dos melhores alunos até poder finalmente me mudar para um apartamento maior, bom, ao menos ele era maior que meu antigo goshiwon. Agora eu tinha uma cozinha só pra mim, havia janela, e até mesmo uma pequena sala. 

Aigoo, só não me venha acompanhar quando eu estiver embaixo da água.”

Uma vez enquanto eu voltava da Universidade, a caminho do supermercado — para comprar ingredientes para um bom jantar —, fui em direção ao corredor de cup noodles. Coisa que e como um estudante de nutrição, eu não deveria fazer. Entretanto ao esticar minha mão em direção a prateleira, uma mão gordinha e pequerrucha esbarrou a minha e um garoto bochechudo de cabelos pretos e roupas estranhas, que mais pareciam trapos foi o que avistei. Ele esticava o corpo tentando alcançar o pote de cima que dizia conter pimenta no macarrão instantâneo, algo que me surpreendeu, como uma criatura tão fofa poderia gostar de algo tão ardido. Mas fofo ainda era a maneira que sua língua ficava para fora quando ele estava concentrado, mesmo que um de seus olhos estivessem com um tom mais avermelhado como quem tem um machucado. 

Algumas vozes tiraram sua concentração, e seu rosto assustado chamou minha atenção pois no segundo em que virei o rosto em direção às vozes descobri ser de um trio de garotos que vestiam-se da mesma maneira desleixada que o garotinho do macarrão instantâneo, ao tornar a olhar para o mesmo eu percebi que ele havia sumido de vez, e no chão atrás de minhas pernas, havia apenas um gatinho preto de olhos extremamente acinzentados. 

— Eu consegui acertar um soco no olho dele. — Disse um dos garotos, esse utilizava roupas coloridas e tinha um pirulito entre os lábios. — Na próxima eu espero conseguir acertar muito mais que um olho. 

— Claro, na próxima você acerta dois olhos. — Disse o mais alto sorrindo contido levando o mais baixo dos três e mais contido também, gargalhar baixinho.

Não notei quanto tempo fiquei observando o trio, porém quando dei por mim um senhor baixo e de expressão fechada estava ao meu lado com um pedaço de cabo de vassoura e com ela batia no gatinho Negro tentando o expulsar de seu estabelecimento. Com os olhos arregalados eu segurei seu pulso impedindo que o senhor continuasse com sua maldade. 

— O que acha que está fazendo? — Questionei raivoso. 

— Desculpe senhor, não sabia que esse gato era seu. — Neguei com a cabeça para a desculpa do velho. Peguei o gatinho no colo acariciando seus pêlos macios e extremamente negros, tão negros quanto o céu lá fora. Seus olhos cruzaram com os meus e o gatinhos esfregou as orelhas em meu antebraço miando dengoso. Desviei minha atenção para o velho novamente com a expressão fechada em desgosto. 

— Ele não é meu gato, senhor. Mas isso não lhe dá o direito de bater em animais, isso é crime! — O dono da loja me olhou torto e voltou seu olhar para o gato que se encontrava em meus braços. Andei até a saída da loja e o coloquei do lado de fora, voltando apenas para pegar e pagar minhas compras, só então segui para casa. 

Durante o percurso até minha casa, senti uma presença atrás de mim. Mas foi quando passei em frente a um beco escuro que ouvi um miado alto e esganiçado, olhando para trás pude notar os olhos amarelados do mesmo gato que outrora esteve no supermercado e agora estava me seguindo. Eu iria me abaixar para acariciar sua pelagem negra, levá-lo para casa e alimentá-lo, mas não pude fazer pois no momento em que tentei me abaixar, mãos seguraram meus ombros, as sacolas caíram no chão e o ar me faltou nos pulmões quando uma mão tapou minha boca me levando para dentro do beco. 

Não me deixe morrer hoje, Deus. 

— Foi você quem mexeu com meu pai? — Perguntou um dos homens. Eu apertei meus olhos sentindo-os umedecer a medida em que sentia braços me imobilizarem. — Vou te deixar falar, mas se você gritar eu te quebro na porrada. Entendeu? — Balancei a cabeça diversas vezes concordando e mesmo sem querer eu deixei que um soluço saísse de minha garganta. 

— Olha, chefe. Ele já está chorando, isso tudo é medo, é? — Disse um deles, olhando pelo canto do olho eu pude notar que ele não era muito alto, na verdade ele era mais baixo que eu, porém tinha braços fortes que me imobilizaram assim como o outro homem ao meu lado que ao contrário do outro não tinha muitos músculos, apenas um tamanho anormal. Parecia um daqueles atores famosos, eu realmente me senti uma garotinha intimidada. Machista, eu sei.

— E-eu não sei quem é seu pai. — Finalmente consegui dizer depois de muito tremer nos braços dos dois homens. — Eu não sei quem s-são vocês. 

— Ha! Como somos mal educados! — Disse o tal “chefe”. — Nem nos apresentamos ao nosso querido alvo. 

Quando a lua atingiu certo ponto, e o garoto teve seu rosto iluminado eu pude notar quem era. Era o mesmo garoto que outrora conversava no supermercado com mais dois amigos. Eu tinha certeza que esses dois, eram os mesmos que me seguravam naquele momento.

— Sou Kim Seokjin, meu querido, mas você não precisará saber disso pois vai apanhar tanto que até mesmo seu nome esquecerá! — Ele riu de maneira sarcástica jogando os fios loiros para trás deixando a testa à mostra. — Nunca mais diga o que meu pai deve ou não fazer, ouviu bem?

O dono do supermercado. Pensei, foi como se uma luz se acendesse sobre minha cabeça. Mentalmente eu disse para mim o quanto eu era lerdo por não ter notado antes, e se meus braços fossem um pouquinho mais fortes eu poderia me soltar daqueles dois, derrubar o tal Seokjin e correr para longe. Mas isso não aconteceu, o que verdadeiramente aconteceu foi os garotos me sentando em uma cadeira velha, que descobri ser um banco de um carro que provavelmente deveria ter sido descartado ali.

Shiii — Disse o Kim — Vai doer um pouquinho, mas só um pouquinho, sim? Logo esse seu rostinho vai estar deformado.

— Não acredito que vocês vão gastar tempo deformando o rosto desse rapaz. — Meu coração deu um solavanco ao escutar uma voz diferente. Elevei o olhar para a entrada do beco e lá, sentado em cima da tampa de uma caçamba de lixo estava um garoto que não pude ver quem era por causa da escuridão do beco e da noite.

— Ora ora, se não é o tal gato negro. — Seokjin riu com escárnio e empinou o nariz. — Isso não tem nada a ver com você, gatinho, vai pra casa.

— Eu tenho uma dívida com esse rapaz, então larga ele ou vai se dar mau. — Dívida? Foi o que se passou em minha mente ao ouvir sua fala. Como ele poderia ter uma dívida comigo, se eu nunca me meti nessas coisas? — Larga ele.

— Quer ele? Então vem pegar, mas toma cuidado, gatinho, meus homens são como brasa! — Ditou o Kim, dessa vez foi a vez do tal gato negro rir. Seu riso era fofo, para falar a verdade, ele jogava a cabeça para trás quando o fazia e só quando ele fez isso e a luz o iluminou, eu pude perceber que seu rosto não me era estranho,  seus traços me lembrava alguém que eu talvez tivesse tombado pela rua. Mas um achismo não pode ser totalmente comprovado quando se trata de população. Era o que papai sempre me falava. 

— Seokjinie, — ele pulou da caçamba pousando no chão, leve como uma pena — onde estão seus homens?

Foi aí que notei, mãos não seguravam mais os meus ombros com aquele aperto que fazia doer e eu já tinha o coração relaxado na medida em que o garoto se aproximava tão leve quanto um gato. Ele parece um por completo para falar a verdade. O Kim olhou para trás assustado por não encontrar seus homens, seus olhos em momento algum focaram em mim e se eu não estivesse tão assustado quanto, poderia jurar tê-lo visto tremer e engolir em seco ao passo em que o tal gato negro se aproximava. 

— O que… — Foi tudo que saiu da boca do Kim ao olhar para trás e ver que os dois capangas já não estavam mais lá. — E-eu não preciso deles para derrotar você, gatinho. Já viu o seu tamanho? Você é tão pequeno quanto um amendoim. 

Um estalo foi ouvido, o gato negro olhou para baixo, e eu pude ver um sorriso nascer em seus lábios, tão discreto quanto o próprio. Deu dois passos para trás e se agachou cobrindo os olhos com as mãos. — Sentiu o peso de ser inútil, só agora?! — Então o gato negro levantou a cabeça e gargalhou segurando o balde em uma das mãos enquanto corria em nossa direção. 

— Meaw! — O mais baixo disse ao que cobriu a cabeça de Seokjin com um balde e o empurrou para trás fazendo-o cair em um monte de sacos de papéis descartados por  alguma empresa. O garoto riu mas logo voltou sua atenção para mim e segurou minha mão me puxando para fora do beco, parando apenas para pegar minhas sacolas no chão e voltar a correr. 

A correria só parou quando estávamos em frente a um pequeno barraco de madeira onde havia basicamente um futon no chão, um ventilador pequeno, um microondas em cima de um caixote de feira e bem ao lado dele uma pia. Torci o nariz e olhei para o garoto que colocava sobre a pequena pia uma sacola com um lamen apimentado. Eu sabia que o conhecia, era o baixinho adorável do supermercado.

— Você é o baixinho fofinho do supermercado! — Eu disse surpreso e ele torceu o nariz. 

— Quem você tá chamando de fofo, seu energúmeno?! 

Eu arregalei os olhos e abri a boca em espanto. Cadê  fofura, meu pai? Me perguntei, naquele momento, afinal, o que havia acontecido com o garoto baixinho e fofinho que não alcançava a prateleira do supermercado? 

— N-ninguém! — O respondi assustado e o vi encher um copo de plástico com água de um galão e logo depois por no microondas pressionando alguns botões. Em seguida ele se jogou no futon no chão. Eu dei uma olhada em volta notando mais alguns itens ali como uma tevê velha de caixa. — Desculpa perguntar, mas onde estamos? 

O garoto franziu o nariz e revirou os olhos estalando a língua no céu da boca. — Você é burro? — Perguntou. 

— O que? — Soltei, mas recebi outro revirar de olhos. 

— Você é burro e surdo? — Ele tornou a perguntar se jogando para trás caindo no futon. — Estamos na minha casa, dã! 

Aquele tom irritante estava me dando nos nervos, o garoto que tinha aparência de um adolescente na casa dos dezesseis anos, deveria estar me tratando com educação que se trata alguém mais velho, invés disso ele me tratava como se tivéssemos a mesma idade. Foi com esse pensamento que soltei sem pensar: 

— Seus pais não lhe deram educação?! 

— Sei lá, fugi do orfanato quando tinha doze anos. — Balançou os ombros — Por que? Na certa você está me achando com cara de criança, não é? 

— E na certa você é um molequinho cheio de hormônios! — Rebati me aproximando devagarinho, movido pela força da raiva que estava sentindo no momento. 

— Eu tenho vinte e três anos! 

— E eu também! — Gritei de volta — Espera, o que? 

Felizmente o microondas apitou nos tirando daquela onda desastrosa onde eu tinha a boca entreaberta tentando meu máximo para compreender que aquela criaturinha fofa bem na minha frente jogado no futon barato e meio desgastado tinha a mesma idade que eu. Como pode? 

Ele levantou preguiçosamente bagunçando os cabelos jogando para longe o cachecol em seu pescoço sequer se importando se o sujaria ou não. Retirou a água quente do microondas e abriu o pote de macarrão instantâneo picante, derramou a água quente dentro e pôs os temperos depois de mexer tudo com muito cuidado com seus cheokgara. 

— Está com fome? — Questionou o mais baixo. — E a propósito, meu nome é Jimin. Park Jimin. 

— K-Kim Taehyung… — Eu o disse e mordi o lábio o observando se mover para lá e pra cá.

— Bom… eu não tenho comida pra dois e nem sei se você gosta de lamen picante. Mas, você quer jantar comigo? 

— Jantar? — Questionei. — De comer? Tipo, comida?

— Óbvio que é de comer, o que mais eu estaria falando? — Tenho certeza que minhas bochechas estavam rubras naquele momento pois eu sentia a quentura e numa tentativa de esconder minha vergonha eu tapei as bochechas com as mãos. — Ah… entendi. Você é um safado, e eu ainda te trouxe para minha casa, pervertido! 

— Não sou um pervertido! — Tentei me defender ganhando de brinde um simples levantar de sobrancelhas. — É sério.

— Ah é? Então diz pra mim a que tipo de jantar você se referia. — Revirei os olhos e estiquei o mindinho para cima. — O que…

— Eu, Kim Taehyung, juro que não sou um pervertido e que só estou aqui porque estou com medo. — Jimin destampou o pote balançando a cabeça em sinal de negação. 

— Acha que vou acreditar em um juramento bobo como esse? — Ele torceu o nariz e revirou os olhos.

— B-bom, você salvou minha pele e se eu te pagar um jantar? — Questionei na tentativa de me livrar daquela vergonha sem igual. E mais uma vez o gatinho agiu revirando os olhos e negou com a cabeça.

— Sem tempo para flertes, seu pervetido.

— Não sou um pervertido! E não estou flertando com você! — Gritei enraivecido, aquele garoto estava me dando nos nervos com esse sarcasmo todo — Obrigado por me salvar, mas já estou de saída, seu grosso!

Saí daquela casa com muita raiva e com as minhas compras em mãos. Eu resmungava feito velho rabugento, dizendo coisas sem sentido, xingando aquele garoto de todas as maneiras possíveis e de nomes inexistentes. Quem me visse chamaria-me de louco ou no mínimo sem parafusos pelo tanto que eu falava de baboseiras. 

— Meaw!

— AAH!!!!!!!!! — Gritei ao ouvir um miado alto, em seguida alguma coisa se mexeu atrás de uma moita de um prédio bonito e de lá pulou fora um gatinho preto de olhos acinzentados. — É-é você, me deu um belo de um susto, gatinho.

Fiquei cerca de três minutos acariciando os pelos brilhantes daquele gatinho, eram tão brilhosos que sequer parecia que era um gatinho de rua. Ainda assim o peguei em meus braços com certa dificuldade graças a todas aquelas sacolas e o voltei a caminhar em direção ao meu apartamento, já se passava das dez e as ruas estavam muito desertas mesmo que não seja normal Seoul deserta. 

Ao abrir a porta de casa o gatinho pulou de meu colo se espreguiçando antes de passar a andar por toda a sala. Subiu no meu tapete onde afiou as garras e deitou-se quietinho. Fui até a cozinha deixar minhas compras para em seguida adentrar o banheiro onde tomei um bom banho. Havia planejado estudar um pouco enquanto esperava meu rámen ficar pronto, coisa que eu obviamente não fiz pois ao chegar na minúscula sala dei de cara com ele.

— Bela casa. — Disse Jimin deitado preguiçosamente em meu sofá.

— Certo, não surtarei, só explica como…

— Entrei aqui? Você quem colocou o gatinho para dentro — e foi aí que notei, o gatinho havia sumido. 

— Meu gatinho… ele, ele sumiu! — virei a cabeça para todos os lados e chamei pelo gato diversas vezes mas ele sequer respondia. Até que Jimin levantou e andou em minha direção daquela maneira que só ele sabia fazer, calmo e leve.

Foi uma surpresa para mim quando o senti puxar a gola de meu pijama aproximando nossos rostos do maneira que seus lábios deslizaram pela minha bochecha até chegar em meu ouvido para dizer:

— O seu gatinho está na sua frente, e seu gatinho precisa de alguma roupa — só então notei duas coisas interessantes e assustadoras. Jimin estava pelado; um pouco acima de seu bumbum havia um rabinho assim como havia orelhas fofas de gato em sua cabeça. Naquele momento eu já não sabia se estava com medo ou encantado com a forma que aquela criatura ficava ainda mais fofo com aquelas pelúcias em cima da cabeça. — Aigoo, está frio.

— V-v-você é um...MUTANTE?!?!?! — Gritei sem mais nem menos e como o esperado eu recebi um revirar de olhos.

— A forma certa de se referir a mim é como híbrido e se te serve de consolo, eu ainda estou pelado e com frio! — Eu abaixei a cabeça encarando o torso desnudo do garoto. Péssimo ato, levei um belo de um tapa na cara naquele momento. — Para de olhar!

— Ai! Por que você está pelado, afinal? — Questionei irritado.

— Porque quando viro gato as minhas roupas ficam do mesmo tamanho ainda, seu burro! — Bati na minha testa revirando os olhos. Então segurei em sua mão o puxando até o banheiro do goshiwon.

— Toma u-um banho. Tem toalhas na porta embaixo da pia e eu vou arrumar uma muda de roupas para você, minhas roupas devem caber já que você é bem avantaj- AI! — tomei mais um tapa no rosto. Bem feito, quem manda elogiar em horas indevidas, né Taehyung? 

Me impressionei ao olhar o seu rosto e perceber enfim que ele estava coradinho, tão mais fofo do que da primeira vez que o vi no super mercado. Talvez a aparência não seja tão enganadora assim e o pequenino gatinho Park seja realmente um ser fofo.

— Seu pervertido! — Disse ele e sem que eu pudesse dizer algo a respeito, isto é, pedir desculpas pelo atrevimento, ele me bateu a porta na cara e me deixou plantado ali. 

Uau, o gatinho é extremamente arisco, sexy.

— Arg! Pare de pensar esse tipo de coisa! — Ele resmungou e eu ri, mas foi de nervoso. Jimin parecia ter lido meus pensamentos. 

— V-vou pegar roupas para você. — caminhando apressado até o quartinho onde eu dormia, quase caí diversas vezes de tanto tropeçar. Culpava a ansiedade e o rubor nas minhas bochechas por isso. 

Após escolher as menores roupas do meu guarda roupas para que coubesse no Park, deixei-as em frente a porta do banheiro para que ele as pegasse após o banho. Fui até a cozinha tentado a fazer algo para que pudéssemos jantar antes de dormir. 

Dormir… essa palavra ficava ecoando em minha mente. Como eu dormiria com um — não tão — estranho em minha casa? E se ele acabasse por me atacar ou algo parecido? Eu pensava.

Apesar de ter me salvado, Jimin era arisco e gostava de mostrar as garrinhas, literalmente. Eu ainda não sabia se podia confiar naquele baixinho raivoso e completamente metido a corajoso. Jimin parecia especialista nos anos que viveu por si só, ainda mais sendo meio gato, o quanto ele deve ter sofrido quanto a isso deve de alguma forma tê-lo amadurecido. E foi então que pensei no quanto ele pode ter passado por coisas ruins.

— Taehyungie… — a vozinha baixinha de Jimin ecoou pela cozinha, tão fofo que nem parecia ele. Virei então em direção a porta e droga, não pude evitar sorrir. — O que foi, seu bastardo?

— Seokjin tinha razão, — eu disse sem medo do perigo, verdade seja dita, quando se está diante de tal fofura é meio difícil sentir medo de Jimin — você é pequeno como um amendoim.

Ele mostrou os dentinhos afiadinhos e soltou um muxoxo cruzando os braços. Mas o que eu podia fazer se ele estava parecendo um daqueles personagens de animes shoujo vestido em minhas roupas que apesar de não serem de meu tamanho, pareciam ficar bem maior nele. Principalmente a calça moletom preta que arrastava no chão. 

— Cale a boca, seu bastardo! — Disse ele e mais uma vez tentei segurar o riso, falhando severamente. — Aish, pare de sorrir dessa maneira ridícula, me dá calafrios.

— Não faça essa carinha de bravo, só fica ainda mais fofo, gatinho. — Caí na gargalhada sem conseguir me conter.

— Eu vou te arranhar. — Jimin me ameaçou mostrando as garras que cresceram uns centímetros a mais ao que ele levantou a mão irritadinho. Eu parei de rir engolindo em seco.

— T-tudo bem, me desculpa. — Mesmo rezando para que a vontade de rir passasse. Jimin tinha os braços cruzados e as sobrancelhas franzidas na sua típica cara de gatinho rabugento. — Por que está me olhando com essa carinha de ódio?

— Me fez abandonar meu rámen, sabia? Cadê meu agradecimento?! 

Eu então me pus a pensar. Não havia problema algum em cozinhar para o gatinho malandrinho, apenas não sabia o que fazer exatamente. Então algo brilhou em minha mente. Mas é claro!

— Você gosta de comida apimentada não é mesmo? — O menino-meio-gato virou o rosto com aquele bico enorme nos lábios gorduchos e assentiu devagarzinho. — Ótimo, liga a tevê vou pra cozinha.

— Você não manda em mim, energúmeno!

— Certo, certo. — Respondi revirando os olhos. 

Peguei os ingredientes e utensílios que iria precisar para fazer um dos melhores, mais gostosos e mais picantes pratos que conheço e que aprendi a fazer na casa de minha tia. O Bibim Guksu! Dá até saudades da casa da titia Jeongyeon e de seu Bibim Guksu.

Enquanto eu fazia a famosa mistura de kimchi, alho, pasta de pimenta, açúcar e óleo de gergelim eu podia ouvir as reclamações baixinhas de Jimin. "Esse energúmeno babaca acha que pode mandar em mim!", dizia ele e eu só fazia rir baixinho na cozinha.

Mas a surpresa maior veio quando eu estava cozinhando o macarrão. Havia acabado de mexer o macarrão para que não grudasse, aproveitando também para desligar o fogo do ovo cozido, esse que eu levei para a pia no intuito de esperar o mesmo esfriar para descascar. Quando me virei para pegar o pepino em cima da mesa percebi a presença daquela criaturinha segurando o pepino nas mãos e quase tive um treco de tanto susto.

— Esse troço é estranho. — Ele disse fazendo careta e eu revirei os olhos arrancando o pepino de suas mãos. 

— Esse "troço" é nutritivo. — Respondi-lhe. Péssima idéia, péssima idéia mesmo.

— Parece seu pau. — Ele disse com sua típica cara de quem não quer nada. Eu não disse? Péssima idéia!

— V-você nunca o viu para dizer essas coisas!!

— Mas podia ver.

— Claro que não!

— Mas ué, não era você o pervertido de antes? Aliás, tudo que você tem, eu tenho. — Eu podia sentir minhas bochechas arderem.

Não do meu tamanho. — E o queixo do bichano caiu. Um segundo de silêncio bastou para que sua gargalhada reverberasse pela cozinha.

— Então você é bem dotado, Taehyungie?

— Cala a boca! — Eu resmungava, mas de nada adiantava. Jimin continuava a rir e eu só pude me esconder virando para o fogão para desligar o fogo do macarrão. Quem me der apagar o fogo das minhas bochechas também. 

Escorri o macarrão e o coloquei em uma panela acrescentando o molho que havia feito antes. Cortei o pepino em pequenos fios e descasquei o ovo. Enfim só me faltava montar as porções. 

— O que cozinhou? — Questionou e eu lhe indiquei a cadeira da mesa enquanto retirava as luvas e ia em direção ao armário pegar as tigelas.

— Você vai gostar.

— Não foi isso que perguntei. — Dei de ombros para sua fala. — Ai para quê esse suspense?!

— Para de ser chato e pega o soju. — Eu dizia com as mãos ocupadas com agora os Cheokgara's. Mesmo que com raiva, Jimin marchou até o soju e o pegou colocando sobre a mesa. Então pousei dois copinhos na mesa. — Então, — apontei para a tigela montadinha com aquele macarrão picante, com peninos e sementes de gergelim por cima e por fim o ovo cozido, — sirva-se, vossa alteza.

— Tem cheirinho bom… — Disse após fungar todo fofinho com aquele narizinho redondinho. 

— Come um pouquinho, acho que vai gostar. — Respondi e ele assentiu pegando o talher logo em seguida, pegou um porção e assouprou um pouco antes de provar ainda receoso. Após mastigar um pouco seus olhinhos se fecharam e ele soltou um gemidinho satisfatório. — Gostoso né?

— Muito! E é tão picante e tem aquele macarrão macio é tão… — foi aí que me surpreendi ainda mais. Jimin corou, ficou vermelhinho mesmo! — v-você cozinha bem…

— Fiz cursinho básico de culinária e também sou aluno de nutrição! — Eu sorri coçando a nuca.

— P-pode fazer pra mim de novo amanhã? Antes de eu ir embora… juro que só peço isso! — Ergui uma sobrancelha estranhando sua atitude. Ainda assim eu assenti o vendo voltar a devorar o conteúdo da tigela. 

— Jimin… — Suspirei ao pensar nessa alternativa, me parecia tão triste. — Como consegue dinheiro para se alimentar?

— Ajudo algumas pessoas, então elas me dão gorjeta. — Jimin ergueu seus ombros como se não se importasse com aquela vida.

— E quando não te dão gorjeta?

— Fico com fome.

Meu peito doeu. Ele era só um garoto — mesmo que com vinte e três anos, — que se fazia de durão, mas sempre ajudava as pessoas. Quando não recebia um adorno, passava fome e talvez até mesmo frio. Se metia em encrenca, tinha aquela carinha inocente de criança, mas no fundo era alguém esperto e que já sofreu muito para saber o que significa sobrevivência. 

Foi aí que comecei a entender bem mais Park Jimin.

— Vou te fazer pratos diferentes amanhã. — Disse-lhe atraindo sua atenção após um silêncio matador. — Vou te dar uma cama quentinha, até roupas que lhe aqueçam bem mais que seus trapos.

— O que?

— Jimin não vá embora.

— Do que está falando? — Ele parecia cada vez mais confuso então não enrolei mais e falei aquilo que tanto estava intalado em minha garganta.

Jimin, por favor, fique comigo.


Notas Finais


Nas tags tem minha própria tag, se clicarem em "Perrywinkle" serão levados para todos meus trabalhos. Ou podem entrar em meu perfil. Quer ler jikook papais? Tem. Quer vmin gostosin? Tem também. Quer Taehyung pauzudo e Jimin gatinho arisco? Tem também.
É isso, beijo na bunda!


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