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História Where’s My Love - nosh - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


se vc não está bem psicologicamente, não leia. essa história conterá gatilhos.

cuide de vc :)

Capítulo 1 - Bye.



Flowers.

03/03/2020.

 

—O que ele disse? — Sina pergunta, em alemão. Ela tem os olhos fixos na lápide do nosso avô. Nada de lágrimas. A maquiagem simples que minha irmã sempre usa continua impecável. —O que ele disse antes de morrer, Josh? 

Nós dois somos os únicos aqui. O vovô era bom em afastar as pessoas. Não que isso importe agora. Que se foda se são duas pessoas ou vinte, ele já está morto mesmo. 

Deixo minha cabeça tombar para trás. O céu está cinza, carregado de nuvens pesadas prestes a chorar tudo que eu e Sina não vamos. 

Respiro fundo antes de respondê-la, também usando alemão. 

—Que eu não deveria estar lá. E que mesmo não perdoando o nosso pai por ter nos machucado, ele ainda o amava muito. 

Pelo canto do olho, vejo Sina revirar os olhos. 

—Ele também disse que não estava bravo por você ter parado de visitá-la no hospital — continuo. —Ele até achava que era melhor assim e que eu deveria ter seguido o exemplo. Mas ele sentiu sua falta. O vovô gostava de ver você, Sina, mesmo que a sua presença lá fosse tão fria quanto o nosso antigo lar, no Canadá. 

Nós dois ficamos em silêncio. 

Aposto que Sina está ponderando se deve ou não se arrepender de ter feito o que fez. Provavelmente ela vai escolher não se importar. O que está feito, está feito. E foram as escolhas dela que a pouparam de ver o vovô definhar dia após dia, mesmo que isso tenha me colocado na posição de espectador principal. As vezes nós tomamos algumas decisões egoístas. 

O vento gelado começa a ficar mais forte, balançando violentamente os galhos das grandes árvores que cercam o cemitério. Algumas folhas se soltam, dançando livres por todo o espaço até caírem na grama verde ou no lago. Sina e eu nos encolhemos ao mesmo tempo contra os casacos pretos, buscando um abraço quente do tecido grosso. 

—Isso é tudo? — ela volta a perguntar. 

Olho para a minha irmã, que agora mantém a atenção em mim. É como encarar um espelho. Olhos azuis nos olhos azuis. Os dois vazios. 

Nego com a cabeça. 

—Ele me disse que eu merecia viver — digo, mais baixo e trêmulo do que eu realmente gostaria. Engulo o maldito nó em minha garganta, porque lembrar disso ainda dói. —E que não importa quantas vezes eu tente, ele prometeu não me deixar morrer. 

Sina estala a língua no céu da boca, virando o corpo para a pedra cinza. A foto do vovô, a única decente que eu encontrei nas caixas escondidas no porão, sorri para ela.

—Besteira. O que um cadáver poderia fazer? 

Ignoro o comentário. 

—Depois disso ele virou para o lado, fechou os olhos e quando eu o chamei de novo, ele não me respondeu mais. Foi só isso. 

É inútil esperar que Sina me abrace e esfregue as minhas costas. Eu mesmo não vou fazer isso por ela. Nós dois nunca fomos esse tipo de irmãos e tudo bem, porque eu não preciso de nada disso para saber que ela me ama. 

—Você vem morar comigo agora — ela diz, com voz firme. —Até o fim do ano, pelo menos. Não importa o que a mamãe vai dizer, você vai ficar melhor comigo. Depois você decide se fica ou se volta para a Alemanha. 

Um trovão estoura no céu e logo em seguida uma chuva fraquinha começa. Pelo jeito, sei que não vai demorar muito para ficar mais forte. 

—Tudo bem — concordo. —A casa é nossa agora. Nós podemos vender ou alugar. Não importa, são só paredes — paredes que me abrigaram por mais de dois anos. —Vamos pegar as minhas coisas lá. 

—Josh?

—Oi.

—Espero que o velho cumpra a promessa — Sina diz, dando as costas para o túmulo, já começando a se afastar. —Não quero perder você também.


Notas Finais


obg por ter lido até aqui. peço perdão por qualquer erro e espero encontrar vc no próximo capítulo.


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