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História Which his side? - Capítulo 84


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Notas do Autor


E aqui vai mais um capítulo que continua exatamente de onde parou o anterior com a Ruby e o Ketch, além de vermos como que Dean e Bela vão lidar com a relação após o "eu te amo". Também terá muitas referências ao cinema, além da participação da nossa hacker ruiva favorita. O caso foi inspirado no ep 6x15 de The X Files. Enfim, espero que gostem. Boa leitura xoxo.

Capítulo 84 - California Dreamin'


Sioux Falls, South Dakota.

- Espero que o que você tem a dizer, valha a pena, porque você acabou de me fazer perder minha carona. — disse Ruby vendo o Impala se distanciar.

- O que você me diria se soubesse que não existe nenhum monstro na Grã-Bretanha e que a América também pode alcançar esse ideal? — questionou Ketch se levantando do chão e batendo a poeira do terno.

- Eu diria que você é um mentiroso... — disse Ruby abaixando a arma.

- Mas? — Ketch instiga.

- A Grã-Bretanha é pequena em comparação a América e isso me deixaria inclinada a acreditar, mas ainda assim eu precisaria de provas. — respondeu Ruby tirando o pente da arma e depois a devolvendo vazia para Ketch.

- Bem, nesse caso, tenho certeza de que você vai apreciar o que nós, Homens Britânicos de Letras, temos a te mostrar. — disse Ketch pegando a mala de Ruby e fazendo sinal para segui-lo.

Ruby não repreende a cortesia de Ketch até porque se ele tentasse qualquer coisa, a mala o atrapalharia para se defender.

- Nós Homens Britânicos de Letras passamos gerações unindo tecnologia e magia. — Ketch para em frente ao porta-malas de seu carro, um Mercedes-Benz C180 preto do ano de 2005, o que fez Ruby lembrar do carro da ladra. - Para deter essas aberrações que só deveriam existir dentro de um rodo de filme produzido para entretenimento cinematográfico. — disse Ketch desativando o alarme do carro e abrindo o porta-malas.

Ao ver todo aquele arsenal sofisticado, Ruby ficou sem palavras e quando Ketch explicou para o que cada coisa servia, Ruby só ficava ainda mais admirada. Era como se tivesse achado uma mina de ouro.

- Espera... — Ruby coloca uma espécie de arma que emitia um sonar de volta no porta-malas. - Eu confesso que estou vislumbrada com tudo isso, mas também eu aprendi que nem tudo o que reluz é ouro. Por isso, que tal pularmos o impressionismo e você ir ao que interessa. — sugeriu Ruby parecendo mais uma exigência.

- Claro. Eu não estou aqui apenas para encorajar um "sim" a causa dos... — Ruby interrompe Ketch e completa debochada:

- A causa dos Homens "Britânicos" de Letras. É... Eu já entendi. — Ruby pronunciou a palavra britânicos imitando o sotaque deles, tirando um riso de Ketch.

- Nós precisamos que você permaneça em anonimato, trabalhando conosco. Para garantir que tenhamos tempo o suficiente para resolvermos o problema da Marca de Caim do seu amigo, antes que ele vire um Cavaleiro do Inferno. Por isso, recomendo que deixe os Winchesters e Bela Talbot gastarem seu tempo e energia lhe procurando invés de tentarem enfrentar problemas maiores, o que inevitavelmente corromperia a alma de Dean Winchester, já que ele teria que recorrer ao uso da Primeira Lâmina. E você deve saber que aquela coisa não é nada saudável. — explicou Ketch com naturalidade.

- Em outras palavras, você está pedindo de forma educada que eu traia meus amigos e deixe eles me procurando feito idiotas, enquanto eu banco o Desmond Miles trabalhando com uma sociedade secreta em busca da maçã do Éden? — indagou Ruby horrorizada com tamanho absurdo.

- É exatamente isso, mas é por uma boa causa. — confirmou Ketch.

- Não. — rebateu Ruby pegando sua mala e lhe dando as costas.

- Não seja tola, Ruby. Essa é a melhor alternativa que temos. Sua amiga, Bela Talbot, ela tem servido mesmo sem ter conhecimento como uma distração irresistível neutralizando as tendências malignas da Marca. Dean perde mais tempo correndo atrás dela do que se focando em resolver os problemas catastróficos que causou. E isso é uma vantagem para nós. Para o mundo. Para o futuro. — argumentou Ketch com convicção.

- Você é totalmente insano! — exclamou Ruby indignada se virando para o britânico. - Você acha que vou deixar minha melhor amiga ser o rivotril de uma bomba atômica em potencial? E aliás, como sabe tanto sobre nós? Você anda nos espionando? — indagou Ruby desconfiada caminhando com passos firmes de volta para Ketch.

- Espionar é uma palavra hostil. Eu prefiro o termo "acompanhar". — disse Ketch dando um sorrisinho.

- É mesmo? E que termo você acha que... — Ruby puxa a karambit, Ketch tenta desarmá-la, mas Ruby é mais agil e pressiona a lâmina contra o pescoço dele, enquanto o prensa contra a lateral do carro. -... Descreveria isso?

- Tolerável pra você até que eu vacile. Inesperado, porém também muito excitante para mim. — disse Ketch galanteador erguendo as mãos em rendição.

- Apenas responda minha pergunta, antes que esqueça o que a palavra tolerável significa. — disse Ruby apertando a karambit no pescoço de Ketch, enquanto se questionava o por quê todo cara britânico tinha que ser metido a John Constantine.

- Está bem. — Ketch meneia a cabeça em concordância. - Eu vim para acompanhar seus amigos lidarem com a rusalka, então me autoconvidei a entrar na casa da xerife Mills, enquanto eles foram para o lago. E ao vasculhar o método de pesquisa dos Winchesters, o que achei antiquado, acabei me deparando com o notebook do Reverendo Holter. A propósito, você sabia que o religioso espiava você, Bela, os Winchesters e todos seus aliados e tinha até um dossiê? — revelou Ketch semicerrando os olhos de forma divertida e Ruby fica estática.

Lebanon, Kansas.

O caminho de retorno ao bunker estava extremamente silencioso, o que fez Sam começar a especular sobre o que poderia ter dado de errado entre Dean e Bela antes do café-da-manhã, já que a noite passada deles foi tão agitada que Sam se viu obrigado a dormir com fones de ouvido.

Dean liga o toca-fitas que começa a reproduzir a faixa St. Anger do Metallica. Ele olha para o retrovisor esperando alguma reação de Bela contra os "dinossauros do rock" como ela gostava de chamar, mas a única coisa que Bela faz é torcer no nariz encarando o celular.

Sam estranha assim como o irmão a ladra continuar em silêncio. Bela havia baixado CatMario apenas para evitar Dean e seu contato visual pelo retrovisor, principalmente depois dela se declarar pra ele involuntariamente, mas acabou que ela começou a levar o jogo à sério demais.

- Bela... — chamou Dean finalmente, mas antes que ele pudesse falar algo para quebrar o gelo, a ladra solta um "por que eu me odeio?". - O quê? — Dean faz uma careta.

Sam se vira para Bela e questiona meio receoso:

- Está tudo bem com você... Bela?

- Claro, por que não estaria? Eu só estou quase perdendo minha sanidade por causa desse maldito gato! — ironizou Bela com os olhos lacrimejando, ela estava quase chorando de raiva.

- Que gato? — perguntou Dean ajeitando o retrovisor para ver Bela melhor e talvez o possível gato.

- Cansei. — Bela bufa. - Tire esse... Esse... Apenas tira isso de perto de mim antes que eu abra a porta e me atire pra fora! — disse Bela estendendo a mão e entregando o seu celular para Sam, depois ela abaixa o vidro e respira fundo com os olhos fechados.

- Você estava jogando Super Mario com um gato? — perguntou Sam rindo desacreditado, mas Bela não responde. Ela estava irritada demais.

- Parece divertido. — comentou Dean achando graça por um jogo tirar Bela do sério.

- Ok, isso não está certo. Eu pulei no lugar certo. Deve ser um erro. — Sam comentou assim que morreu ao pular na plataforma e uma nuvem caiu sobre ele o matando. Ele tenta de novo e morre da mesma forma. - Desde quando nuvens matam? — disse Sam indignado.

- Como assim a nuvem matou você? Ela só não enfeita o cenário? — perguntou Dean confuso olhando de relance pro celular e Sam morre de novo.

- Você só pode estar brincando comigo! Esse jogo está todo errado. — disse Sam ignorando o irmão, já ficando com a testa enrrugada com aquele jogo maldito que o matava a todo instante e Bela ri com os surtos de Sam, principalmente quando ele questionou revoltado sobre qual era o problema daquele gato estúpido.

- Quer saber, eu não quero nem contato com essa coisa. — disse Dean vendo o irmão soltar um "merda!" e dar um soco na própria coxa.

- Agora é pessoal! — resmungou Sam com os ombros tensos totalmente focado no jogo, mas então morre de novo. - Quer morrer? Beleza. Vai lá e morre, gato idiota.

- Onde você conseguiu esse jogo maluco, amor? — questionou Dean com um sorriso torto por causa do ódio do irmão, enquanto fitava Bela pelo retrovisor.

- Eu apenas vi a lista de aplicativos mais baixados, ele estava no topo e achei que seria divertido, mas agora vejo que só é divertido quando outras pessoas estão jogando. — disse Bela apontando de relance para Sam.

- Vou matar todos vocês! — disse Sam pulando com o gato nos inimigos, mas assim que pegou o cogumelo, o gato cresceu espantosamente e afundou o chão do cenário, caindo no limbo e se matando. - Ah! Vai se ferrar! Tudo nessa droga de jogo mata. O chão mata, o tijolo mata, a nuvem mata, o poste mata, o cogumelo mata e o gato se mata.

Bela não aguenta e cai na gargalhada, Dean até tira o pé do acelerador pra rir ou eles iriam sofrer um acidente.

Depois de mais umas boas risadas às custas de Sam, eles chegam no bunker. Dean estaciona e Sam entrega o celular para Bela assim que saem do carro e diz:

- Toma esse gato maldito de volta!

Sam pega sua mochila e entra no bunker sem esperar pelo irmão, o deixando a sós com a ladra. Ele só queria distância do CatMario.

- Pronta pra conhecer sua suíte? — perguntou Dean descontraído pegando a mochila dele e a mala de Bela do porta-malas.

- Sim... — disse Bela sorrindo fraco, ela pega a mala pela alça e dá as costas apressada. Dean após fechar o porta-malas corre até Bela e diz todo gentil pegando na alça:

- Deixa que eu levo pra você.

- Nâo precisa. — disse Bela puxando a alça para si e Dean logo entende.

- Eu pensei que eu estava ficando paranóico, mas desde o café-da-manhã, você anda um pouco... Indiferente. — comentou Dean avaliando a ladra.

- Uhm. Engano seu. — mentiu Bela tentando seguir caminho, mas Dean fecha a passagem.

- Não parece. Acho que precisamos conversar sobre ontem. Sobre o que confessamos um para o outro. — disse Dean tentando encarar a ladra, mas ela fita o chão e diz:

- Eu não quero falar sobre isso.

- Eu entendo... — Bela o interrompe dizendo:

- Obrigada! — Ela tenta passar por ele outra vez, mas ele continua a falar impedindo sua passagem.

- Você sempre bancou o tipo que não se apega, que não mistura negócios com prazer, mas... — Bela interrompe Dean novamente e reclama:

- Meu Deus! Você tá falando sobre isso. — Dean tenta continuar, mas Bela o corta. - Agora não é a hora.

- Tá bom. — Dean abre os braços se dando por vencido. - Quer falar quando então?

- Nunca. — Bela agora olha nos olhos do loiro. - Nunca serve pra você? — rebateu Bela. - Agora posso passar? — Bela aponta pra porta.

Dean apenas cruza os braços como resposta.

- Está bem. — Bela bufa. - Vamos conversar, já que insiste... — concorda Bela à contragosto.

- Obrigado, amor. — agradeceu Dean um pouco irônico. - Agora pode me dizer o que realmente está acontecendo? Achei que tinhamos nos resolvido ontem, encerrado de uma vez por todas esse chove não molha, que não havia mais dúvidas.

- Dean, eu peço desculpas por ontem. — Bela espreme os lábios e tinha um olhar culpado. - Eu cometi um erro te dizendo aquelas três palavras durante o sexo. Não deveria ter tido, mas você me deixou tão "extasiada" que não raciocinei. Essa é a verdade. — justificou-se Bela.

- Nah... Você só pode estar brincando comigo né? — indagou Dean incrédulo.

- Não estou. — Bela disse e Dean piscou os olhos algumas vezes.

- Então sua explicação para o seu engano é que eu sou tão bom na cama que te fiz atingir o nirvana? — perguntou Dean debochado.

- É uma forma de ver as coisas... — admitiu Bela fazendo um beicinho e dando de ombros.

- Você é inacreditável! — disse Dean meneando a cabeça em negação, aquilo foi a desculpa mais esfarrapada que ele já ouviu.

- Tanto faz. — Bela disse com tédio. - Então, já encerramos?

- Não. Não encerramos, porque eu não acredito em você. — Dean aponta acusadoramente pra Bela que abre a boca para interrompê-lo, mas dessa vez, Dean a corta. - Você poderia ter retratado seu "pequeno engano" na hora... — Dean faz aspas com as mãos em total ironia. - Mas não... Você foi até o fim, porque você me queria.

- É... Eu queria e daí? Se eu fosse me apegar a todo cara com quem eu durmo, eu já teria virado um sutão com uma dezena de seja lá o que equivale a concubinas no masculino. — rebateu Bela sem paciência para dramas.

- Sério? Então quer dizer que você costuma dizer "eu te amo" pra todo mundo? — indagou Dean irritado, porque ele sabia que ela só estava tentando irritá-lo para acabar com a conversa.

- Não coloque palavras na minha boca. É você que está dizendo, não eu. — retrucou Bela numa tentativa de amenizar a situação.

- Exceto que isso foi o que você disse a mim antes de transarmos pela segunda vez, que aliás, você podia ter recusado já que você se "enganou" em se declarar, mas adivinha o que aconteceu? Você estava tão entusiasmada quanto eu... — Dean fecha os olhos com força por um segundo relembrando tudo. - Você queria mais e mais... — Bela engole seco quando Dean reduz o espaço entre eles dois. - E as marcas de suas unhas nas minhas costas são a prova disso. Agora amor, me diz o que devo concluir disso tudo?

- Que devemos moderar a partir de hoje no uísque escôces. — rebateu Bela com sarcasmo apenas para disfarçar seu nervosismo, mas Dean não gostou nada da resposta e ela reformula. - Ok, eu estava brincando sobre o uísque, mas falando sério, é evidente que eu e você temos uma sintonia, mas essa coisa de romance não é pra mim. Talvez seja pra você que adora drama... — Bela brinca e Dean fecha a cara. - Mas eu não fui feita pra isso. Não se encaixa na vida que levo, que preciso levar. E não tenho problema com isso.

- Você está enganada e eu vou te provar. — afirmou Dean determinado.

- Você ouviu alguma palavra do que eu disse? — questionou Bela tombando a cabeça de lado.

- Sim, ouvi, mas vou ignorar. E adivinha com quem eu aprendi isso? — disse Dean dando um sorrisinho pra Bela. Ele pega a mala dela e dá as costas.

- Filho da mãe... Ele usou minhas palavras contra mim. — resmungou Bela baixinho, porém ela sorri um tanto orgulhosa do loiro e depois o segue para dentro do bunker.

- Oi, Dean. — disse Charlie que estava sentada junto a mesa de mapas com Sam assim que viu o loiro.

- E aí, Charlie? O que é manda? — disse Dean empolgado, ele a abraça, mas antes que ela respondesse, Bela passa pela porta.

- Oi... — Charlie disse toda boba praticamente com os olhos brilhando. - Ela é quem eu penso que é? Quer dizer, eu sei quem ela é, porque eu vi a foto que vocês mandaram quando ela estava sumida, só que agora eu estou vendo ela e... — dizia Charlie desenfreada, mas Bela a interrompe e aconselha um tanto divertida:

- Acho que você deveria respirar um pouco.

- Concordo. — Charlie respira fundo e se recompõe. - Desculpa, eu só me deixei empolgar demais por conhecê-la.

- Nota-se. — sorriu Bela vendo a ruiva "guardar" os M&M's de Dean no bolso da jaqueta.

- Charlie, Bela Talbot. Bela, Charlie Bradbury. — disse Sam as apresentando e rapidamente Charlie abraçou a ladra que ficou meio sem jeito, enquanto se perguntava se todo mundo combinou de virar ursinhos carinhosos para transformá-la em cobaia de abraços deles.

- Você é ainda mais bonita pessoalmente. — elogiou Charlie animada. - E preciso comentar, que achei espetacular você e a Ruby trocarem de lugar em Albuquerque. Queria ter presenciado.

- Obrigada! Mas não foi nada demais. Fazer aquilo foi como tirar doce de criança. — disse Bela sorrindo vendo a cara nada feliz dos Winchesters.

- Eu imagino, você e a Ruby praticamente nem precisam se esforçar para... — dizia Charlie empolgada quando percebe Sam e Dean de cara amarrada. - Acho melhor, a gente falar do caso né? — desconversou Charlie nervosa.

- Também acho. — disse Dean indo até a mesa.

- Pois é. — concordou Sam no mesmo humor que o irmão.

- Como eu estava dizendo ao Sam, temos um caso em San Diego e precisamos ir rápido, antes que as vagas do condomínio sejam preenchidas.

- O que tem em San Diego? — questionou Dean cruzando os braços e Bela sopra um "acho que gostei dela" para o loiro. - Acho que acabo de ficar preocupado. — Dean soprou pra Bela que riu.

- Três casais recém-casados desapareceram desde a primavera e ninguém sabe o por quê. Simplesmente não há nada sobre eles ou para onde foram após se mudarem para o "California Dreamin' Community". — disse Charlie entregando a foto dos casais para Dean e Bela.

- Eu acho que deve ser algum tipo de culto tipo a Seita, o que explica o sumiço dos casais, pelo menos é o meu palpite inicial. — comentou Sam mostrando uma foto da comunidade.

- Superficial igual à toda Los Angeles. — disse Dean entediado olhando para as fotos.

- A Ruby é de Los Angeles, sabia? — comentou Sam.

- Então foi um erro no registro de nascimento porque a Ruby está mais pra nova iorquina nata do que um "anjinho da California". — rebateu Dean.

- E que torce para o Seahawks de Seattle e ama um chá inglês? É... A Ruby é um camaleão de nacionalidades. Talvez esse seja o charme dela. — acrescentou Bela sorrindo ao lembrar do jogo que ela assistiu com a amiga no estádio após o "Rubypoint" e do dia-a-dia no apartamento no Queens.

- Enfim, vou só pegar roupas limpas e nós vamos, Charlie. — disse Sam pegando a mochila e Charlie assente.

- Como assim? — perguntou Dean abrindo os braços. - Vocês vão me deixar no banco?

- Então... — Charlie se prepara pra explicar. - O lugar é bem protegido por uma rede de segurança, o que não é difícil de hackear...

- Tá. E por que você não hackeou? — questionou Dean.

- Porque a forma mais efetiva para evitar novas vítimas e ter acesso livre ao condomínio é a gente se infiltrando. — explicou Sam apontando para si e depois para Charlie.

- Por isso, eu só preciso de um Winchester. Para ser meu "marido" de mentirinha, apesar do casamento ser de verdade, já que não temos tempo para falsificar os documentos. Mas não se preocupe, Sam. — Charlie se vira para o moreno. - Assim que o caso se resolver, a gente vai no cartório anular o casamento para você não ter problemas com a Ruby.

Sam apenas ri com o comentário.

- O quê? Vocês vão casar de verdade? — indagou Dean fazendo uma careta e depois se vira para Sam. - Você vai casar de novo?

- O Sam já casou? Com quem? — perguntou Bela chocada.

- Com a Becky. E ela era maluquinha. — respondeu Dean olhando de relance pra ladra.

- É apenas para o caso. — justificou-se Sam. - E olhe o lado bom, pelo menos dessa vez, eu tenho ciência do que estou fazendo invés de ser enfeitiçado com uma porção do amor para ser coagido a dizer sim ao juíz.

- É... Olhando por esse lado... — Dean meneia a cabeça. - Ok, tudo bem, você tem minha benção para casar com a Charlie temporariamente. — Dean brinca fazendo o sinal da cruz como se abençoasse Sam. - E quem sabe o terceiro casamento, de preferência com a Ruby, venha por aí? Dizem que a terceira tentativa é a da sorte.

- Melhor irmos devagar por enquanto, deixar as coisas se acertarem primeiro. — Sam junta os papéis. - Enfim, te ligo assim que chegar lá. — disse Sam entregando os papéis à Charlie.

- Não. Você não vai, porque eu também vou pra San Diego. — protestou Dean.

- Dean, a Charlie só precisa de um de nós. E também não acho que a Bela vá querer participar de uma caçada para estragar outro sapato. — relembrou Sam um pouco zombador.

- Eu nunca quis, mas vocês não me dão escolha. Vocês me infernizam até eu ajudar a salvar um de vocês patetas. E o que eu ganho com isso? Nada! Nada além de sapatos estragados. — reclamou Bela com indignação.

- E uma consciência limpa. — acrescentou Dean de imediato sorrindo.

- E a nossa amizade. — disse Sam na mesma vibe que Dean.

- E o que supostamente eu deveria fazer com isso? — indagou Bela fazendo uma careta.

- Ela pode ir com a gente pra San Diego? — perguntou Charlie amando aquilo tudo e olhando para os Winchesters.

- Não! — exclamou Bela.

- Sim, ela vai. — disse Dean firme. - Até porque a melhor maneira de protegê-la da Abaddon e também cuidarmos um do outro... — Dean aponta para si e depois para Sam. -... É mantendo todo mundo por perto. E não acredito que você cogitou que seria uma boa ideia a gente se separar.

- Eu apenas achei que vocês iriam querer ficar a sós depois de ontem. — disse Sam alternando entre olhar para o irmão e a ladra. Bela fica corada porque tinha certeza de que ninguém tinha ouvido, já Charlie parece empolgada com o "b.o" que estava rolando ali.

- Achou errado. — rebateu Dean de imediato, depois ele vira pra Bela e desconversa. - E vai ser bom você nos acompanhar, para já ir pegando as manhas... — Bela interrompe Dean dizendo:

- Eu não vou a lugar nenhum. Apenas aceitei me aliar à vocês para trazer a Ruby de volta. Não vim virar caçadora e... — Bela olha Dean de alto à baixo. - Muito menos casar com você.

- Entendo. Bela Talbot não pode ajudar, porque é uma... — Dean finge uma tossida e solta um "covarde" para provocá-la.

- Eu sei o que você está fazendo e não vai funcionar. — rebateu Bela.

- Tudo bem. — Dean finge outra tossida e solta um "covarde" de novo.

- Você tem o quê? Cinco anos de idade? — indagou Bela.

- É uma forma de ver as coisas... — rebateu Dean debochado usando a frase que Bela lhe disse mais cedo e Bela respira fundo, aquilo já estava passando dos limites. - O fato é que eu não tenho medo de admitir o que sinto diferente de certas pessoas... E muito menos nego ajuda.

Sam escuta um barulho de pacote e ao olhar pro lado se depara com Charlie comendo o M&M's de Dean e questiona:

- De onde você tirou esses M&M's?

- Que M&M's? Não vejo nenhum M&M's aqui. — brincou Charlie jogando várias bolinhas de chocolate dentro da boca.

- Certo. Deixa eu te ajudar a sumir com as provas então. — disse Sam rindo pegando algumas bolinhas do pacote sem tirar os olhos da discussão de Dean e Bela.

- Eu não tenho que ouvir você e muito menos seus dramas. — disse Bela dando as costas, então Dean eleva o tom de voz para chamar a atenção:

- Eu tenho um desafio, isso se você não for COVARDE demais para recusar...

Bela se vira lentamente para Dean com um olhar assassino.

- Eu proponho que joguemos jokempo. Se eu ganhar, você vai ajudar no caso e brincar de casinha comigo em San Diego, se eu perder, eu te deixo em paz já que é o que você deseja né? Então, o que vai ser? — questionou Dean.

- Acaba com ele, Bela! — exclamou Charlie empolgada apenas para encorajar a ladra.

- Ei, você deveria estar torcendo pra mim sua vira-casaca! — disse Dean indignado olhando pra Charlie que solta um "desculpe", depois cochicha para Sam um "não deixa ela saber, mas eu estou torcendo pro Dean".

- Ah, psicologia reversa. — Sam relembra.

- Não. Eu não vou me submeter a isso. — disse Bela apontando com desdém para as mãos de Dean que já estavam posicionadas.

- Relaxe Bela, o Dean sempre perde no jokempo em todas as vezes que jogamos. É praticamente a "quarta" lei de Newton. — disse Sam bem humorado.

- É porque você rouba. — defendeu-se Dean meio bolado.

- Falou o mau perdedor. — zombou Sam.

- Então amor, última chance. Vai encarar ou não? — perguntou Dean impaciente à Bela ignorando a resposta dela dita anteriormente.

- Está bem... Quem sabe assim você para de me infernizar. — disse Bela se aproximando do loiro. Sam e Charlie até correram para mais perto.

- Jo-kem-po! — disse Dean sozinho e Bela rola os olhos entediada. Ao ver o resultado, ela sorri.

- Pedra esmaga tesoura. Parece que ganhei, Dean, querido. — disse Bela arrogante com o punho fechado batendo nos dois dedos de Dean.

- Eu disse que ele sempre perde. — comentou Sam rindo.

- Melhor de três. — Dean apela não aceitando o resultado, além de ignorar Sam. - A não ser que você esteja amarelando... — provocou Dean sorrindo torto.

- Eu vou adorar tirar esse sorrisinho de seu rosto. — rebateu Bela.

- E vamos de hat-trick da Bela. — comentou Charlie fingindo entusiasmo, mas já desesperançosa do loiro ganhar.

- Traidora. — resmungou Dean para Charlie antes da segunda rodada. - Jo-kem-po! — Dean disse e dessa vez, Bela arregalou os olhos com o resultado. - Tesoura corta papel, amorzinho. — Ele tesoureia a mão da ladra com os dois dedos.

- Isso não quer dizer nada. Ainda tem mais uma rodada. — desconversou Bela disfarçando seu receio, já Charlie e Sam continuavam a comer o chocolate totalmente apreensivos, mas sem comentar nada.

- Pode ir preparando os votos de casamento, amor, ou devo dizer, futura Sra. Winchester. — provocou Dean.

- Diga o que quiser, mas saiba que eu vou ganhar. — rebateu Bela.

- Eu só digo uma coisa... De virada é mais gostoso. — retrucou Dean confiante.

Eles se preparam novamente, Charlie já roia as unhas e Sam nem piscava os olhos, Dean e Bela se sentiam no final de uma copa do mundo em uma disputa por penâltis.

- Jo-kem-po! — disse Dean novamente sozinho e o resultado deixou todos perplexos.

- Papel ganha de pedra. — disse Charlie olhando em choque para as mãos dos dois. Os olhares de Dean e Bela se encontram totalmente incrédulos e Dean grita eufórico erguendo os braços:

- EU GANHEI!!!

- Inacreditável... — disse Sam em choque.

- Isso não vai ficar assim, Sam. — disse Bela em tom ameaçador para o Winchester mais novo.

- O que eu fiz? — indagou Sam confuso, afinal, ela tinha que estar brava com Dean e não ele.

- Você disse que ele sempre perdia. — relembrou Bela, enquanto Dean dava soquinhos empolgado no ar comemorando.

- Mas ele sempre perde. Eu não sei o que houve. Estou tão surpreso quanto você. — justificou-se Sam.

- Sam, apenas... — Charlie faz sinal para Sam se calar. - Você já tá ferrado.

- Haha eu ganhei...! Achou que eu era moleza, docinho? Tá sentindo, amor? O gostinho saboroso da virada? — disse Dean à centímetros do rosto de Bela a provocando.

- Já acabou? — disse Bela entediada cruzando os braços.

- É, eu acabei. Eu finalizei você. E a sensação é incrível. — disse Dean fechando os olhos saboreando o momento. - É praticamente uma reparação histórica.

- Quer saber? Dane-se o resultado. Eu não vou casar com você em hípotese nenhuma. — disse Bela com todas as letras e depois se retira.

[...]

San Diego, California.

- Antes de registrar o casamento, preciso perguntar: Estão se casando por livre e espontânea vontade? Desejam sinceramente e mutuamente se casar?— perguntou a juíza do cartório estranhando Bela com a cara de funeral, enquanto Dean estava radiante. - O noivo aceita?

- Sim. — disse Dean sorridente.

- A noiva aceita? — perguntou a juíza abaixando os óculos.

- Por que não? — disse Bela entediada dando de ombros, Dean imediatamente se virou para a ladra com um olhar de repreensão, enquanto Charlie e Sam se controlavam para não rir.

- Por favor, responda apenas com sim ou não. — advertiu a juíza.

- Eu estou aqui. Isso não é suficiente? — indagou Bela como se tivesse sido ofensiva.

- Apenas responda a pergunta, amorzinho. — disse Dean apertando o braço de Bela de leve.

- Meu Deus! Eu preciso sair daqui. — cochichou Charlie com os olhos lacrimejando.

- Você não pode. Nós somos os próximos. — disse Sam colocando a mão no rosto e respirando fundo para se recompor.

- Minha jovem... — A juíza tira o óculos. - Você está sendo forçada a casar com esse homem? — perguntou a juíza desconfiada.

- Sim. — admitiu Bela fazendo todos arregalarem os olhos e rapidamente acrescenta debochada olhando para o loiro que estava quase infartando. - O amor que sentimos um pelo outro nos forçou a isso. — Bela roça carinhosamente seu nariz no nariz do loiro que sopra um "você me paga". - E respondendo sua pergunta, meritíssima. Sim, eu o aceito como meu "esposo".

A juíza bufa, recoloca os óculos e diz massageando a testa:

- Eu os declaro marido e mulher. Pode trocar as alianças.

Bela arfa ao ouvir a "sentença" e Dean puxa uma caixinha de veludo do bolso interno do terno com um sorriso vitorioso, ele estava amando ver Bela injuriada por ter perdido no jokempo. Ele abre a caixinha revelando as alianças que tinham 7 mm de largura, a de Dean tinha uma lista ao redor como um relevo, a de Bela também tinha isso, mas seguido com doze pedrinhas, além de uma pedra centralizada, o que fez um sorriso aprovador brotar nos lábios de Bela que observa o loiro colocar a aliança em seu dedo.

- Eu sabia que você iria gostar. — comentou Dean sorrindo para Bela.

A ladra não comenta nada, ela apenas pega a aliança de Dean para colocar no dedo do loiro antes que ele começasse a fantasiar até o nome dos filhos, porém ela repara que no interior da aliança tinha seu nome e Dean percebe sua surpresa.

- Na sua aliança tem o meu nome. — disse Dean com um sorriso maroto e Bela forçou um sorriso enquanto empurrou a aliança sem delicadeza no dedo do loiro que por um segundo, pensou que ela tentaria quebrar seu dedo.

Dean espreme os lábios para não expressar dor e Bela sorri satisfeita, então Dean em resposta puxou Bela e a beijou para que pudessem sair logo dali antes que a juíza acabassem lhes dando outra advertência.

A seguir, Dean e Bela foram até a mesa para assinar a papelada, enquanto a juíza realizava o casamento civil de Sam e Charlie.

- Então como vai querer que fique o seu nome de casada? — perguntou a digitadora à Bela, mas Dean é quem responde:

- Bela Talbot-Winchester com um hífen para caso, ela queira bordar nos lençóis.

- Ok. — A digitadora ri.

- Não! — Bela protesta. - Vai ser Bela Winchester-Talbot, vou meio que adotar o método dos russos na mudança de nome, mas invés de ceder meu sobrenome à ele. Eu irei adicionar o nome do meu esposo como o sobrenome do meio. Você entende? - A digitadora apenas meneia a cabeça sem tirar os olhos da tela do computador. - Eu preciso manter o "Bela Talbot" por causa dos negócios.

- Está bem. — disse a digitadora corrigindo, mas Dean protesta:

- De jeito nenhum! Vai ser Talbot-Winchester. Eu sou americano e vamos seguir a cultura daqui.

- Bem, eu não sou americana. Por isso, vai ser Winchester-Talbot. — rebateu Bela.

- E também não é russa. Então será Talbot-Winchester e ponto final. — retrucou Dean lançando um olhar duro pra Bela que se vira para a digitadora que observava a discussão dos dois e então a ladra questiona:

- É cedo demais para eu pedir o divórcio?

Denver, Colorado.

- Fico feliz que tenha reconsiderado e aceitado trabalhar conosco. — disse Ketch encostado na pilastra pronto para cronometrar o tempo de Ruby em um combate com um vampiro em um estacionamento fechado.

- Você sabe como fazer um bom marketing da empresa. — brincou Ruby girando o facão e depois o empunha como uma espada. Ela não confiava em Ketch, mas mordeu a isca apenas para investigá-lo.

- Será que hoje é meu aniversário? Não pensei que iria encontrar aqui mais uma esposa para meu ninho e o jantar vindo da Inglaterra... — disse o vampiro passando a língua entre os lábios de forma grotesca e depois mostrando as presas.

- Engraçado tenho a sensação de que ouvi você falar algo, mas isso seria impossível porque mortos não contam história. — debochou Ruby correndo em direção do vampiro sem deixá-lo rebater seu comentário e Ketch solta o cronômetro.

O vampiro tentou acertar um soco com a mão direita, mas Ruby passou para o lado esquerdo do vampiro de uma forma tão rápida que Ketch mal pode entender o que aconteceu.

- Acabei. — disse Ruby no mesmo instante que a cabeça do vampiro despencou do corpo que depois também tombou e Ketch rapidamente parou o cronômetro.

- Formidável. Oito segundos. Verdadeiramente é uma... — Ketch avalia loira de alto à baixo com admiração. - "Excelente" guerreira, Ruby. — elogiou Ketch quase suspirando.

- Obrigada, mas corte a babação. — debochou Ruby.

- Desculpe, é inevitável não apreciar quando vejo tamanha beleza e habilidade combinadas em uma pessoa só. Mas prometo conter minha empolgação, caso isso a incomode. — respondeu Ketch todo educado.

- Eu apreciaria isso. — sorriu Ruby. - Enfim, qual o próximo passo? Escalar Nanda Parbat e ser treinada pela filha de Ra's Al Ghul?

- Não será preciso. — Ketch ri acreditando que era uma piada da loira. - Acho que podemos pular para a parte que comemoramos seu êxito. Enfim... Aceita um drinque?

- Com certeza. — disse Ruby abrindo um sorriso travesso.

San Diego, California.

- Nada mal. — disse Bela avaliando os cômodos e a mobília após deixar a torta de boas-vindas dada por Irene sobre o balcão.

- É... Até que a casa é jeitosinha. — disse Dean deixando as malas no meio da sala e olhando ao redor.

- Já a vizinhança... — disse Bela indo até a janela e puxando a cortina discretamente para observar os vizinhos que agora estavam na casa de Sam e Charlie.

- São meio caretas? É, eu concordo. — Dean se põe atrás de Bela e coloca as mãos em sua cintura. - Mas que tal deixarmos os vizinhos pra lá e consumarmos nosso casamento?

Bela afasta as mãos de Dean rapidamente e se vira para ele.

- Ou eu posso consultar a tábua falante e resolver esse caso o quanto antes para anular esse casamento ridículo. — disse Bela espalmando a mão no peito de Dean e o empurrando para passar.

- Qual é, amor? Eu sei que no fundo, você está curtindo tudo isso. — Dean aponta ao redor. - A casa perfeita. A vizinhança bem sucedida. O marido com o suéter quente nos dois sentidos. — brincou Dean puxando a gola com calor.

- Tudo bem. Eu admito. Talvez eu esteja gostando um pouco... — disse Bela achando graça com Dean "lutando" contra a gola do suéter.

- Eu sabia! — disse Dean apontando empolgado pra ladra.

- Mas você só esqueceu de uma coisa na sua listinha. — alertou Bela mantendo um sorriso felino, decidindo tirar um pouco de onda com a cara do loiro.

- Que coisa? — perguntou Dean a fitando.

- Um amante. — disse Bela sem rodeios.

- O quê?

- Sabe como é... Precisamos apimentar o nosso casamento. — disse Bela com a cara mais sonsa do mundo.

- Precisamos nada! — protestou Dean enciumado, mas Bela prossegue.

- Aliás, achei o Carter um excelente candidato. Tem algo nele que me atrai... — Dean interrompe Bela dizendo:

- Com certeza é a conta bancária. Fora isso, ele não tem nada que possa te atrair.

- O que faz você pensar isso? — perguntou Bela continuando a provocá-lo.

- Simples. Porque ele não é eu. — disse Dean convencido apontando para si mesmo e Bela solta um "uau" sorrindo desacreditada com a arrogância do loiro.

Denver, Colorado.

- Então, Ruby... Onde você esteve? — perguntou Ketch dando o gole no uísque e depois apoiando o cotovelo no balcão da Nocturne, um clube de jazz.

- Acho que seria mais prático você perguntar onde eu não estive... — disse Ruby sorrindo simpática, enquanto mexia o coquetel com o canudo.

- Tudo bem. E onde você não esteve? — brincou Ketch se aproximando um pouco mais da loira.

- Eu sei que é seu trabalho me avaliar em primeira instância, mas não acho que você esteja interessado nas respostas nesse momento. — sussurrou Ruby para Ketch divertidamente como se contasse um segredo.

- E em sua opinião, no que eu estou interessado? — questionou Ketch captando os sinais da loira. Ela estava lhe dando mole.

- Na minha bebida. — disse Ruby empurrando seu copo para ele. Ketch sorri e Ruby o encoraja. - Vamos lá, prove.

Ketch obedece e dá um gole de degustação.

- O que achou? — perguntou Ruby o fitando atenciosamente.

- Doce, mas apimentado. O que é que tem aqui? — questionou Ketch aprovando o gosto.

- Vodka, polpa de morango, pimenta dedo de moça fatiado em pequenos pedaços e suco de cranberry. — disse Ruby pegando o copo de uísque de Ketch e dando um gole. - Suponho que seja irlândes, pelo gosto notável de mel torrado.

- Não sabia que era uma degustadora de bebidas, Ruby Bartlett. — comentou Ketch sorrindo de lado.

- Só quando quero impressionar... — rebateu Ruby encarando descaradamente a boca de Ketch.

- Então devo dizer que conseguiu com louvor. — afirmou Ketch.

- Discordo. Você ainda não está impressionado. — rebateu Ruby.

- Não? — indagou Ketch achando graça.

- Não, mas vai ficar. — Ruby reduz a distância entre eles e então captura os lábios do britânico em um beijo, lambendo o interior de sua boca sem nenhum pudor, aquilo não dura mais que um minuto, Ruby rompe o beijo e Ketch estava boquiaberto. - Agora sim, você está impressionado. — zombou Ruby.

[...]

Aos tropeços e aos beijos, eles andam pelo corredor até entrar no quarto que Ketch estava hospedado. Ketch retira agilmente o sobretudo com o colete e imprensa a loira na parede descendo os beijos pelo pescoço, enquanto sua mão percorreu o corpo dela até chegar em sua virilha fazendo Ruby inclinar morder os lábios com força a cada "estímulo".

- Confesso que quando eu soube... — Ketch faz um movimento rápido e brusco para tirar a jaqueta de Ruby. -... Que iria ser o responsável... — Ele desabotoa a camisa com pressa e Ruby o ajuda. - Por tentar instigá-la... — Agora ele ajuda Ruby a tirar a blusa. - A se aliar à nós. Eu pensei... — Ketch aprecia os peitos de Ruby e elogia. - Esplêndido.

- E eu pensando que você ia dizer algo do tipo "pensei que um iria acabar matando o outro"... — zombou Ruby.

- Eventualmente. — brincou Ketch tirando um riso da loira e depois voltam a se beijar.

Ruby o conduz para a cama, enquanto desafivela o cinto da calça de Ketch que estava muito ocupado apalpando a loira. Assim que as pernas dele sentem a lateral da cama, Ketch se senta e puxa a loira pelo quadril, agora beijando e lambendo o seu ventre dedicadamente e Ruby ri, mas não era sobre o que Ketch pensava.

Então quando Ketch parou para desabotoar a calça da loira e Ruby em um movimento rápido golpeou a jugular forte o suficiente para apagá-lo fazendo ele cair pro lado feito um saco de batatas.

- Desculpe CJ, mas Las Venturas ainda está bloqueada pra você. — zombou Ruby recuando para recolher sua blusa e sua jaqueta do chão e vesti-la.

A loira mexe na mala de Ketch pegando as algemas e prendendo ambos os pulsos dele na cama.

Depois ela pega uma maçã na geladeira para comer, enquanto copiava os arquivos do notebook dele para um pendrive antes de vazar dali.

San Diego, California.

- Querida? Usou atum inofensivo para os golfinhos? — perguntou Jerry à Irene, o que fez Dean, Bela, Sam e Charlie olharem para o casal.

- Sim, querido. — respondeu Irene mal erguendo o olhar e isso incomodou Bela, era como se ela estivesse em um jantar da Idade Média, já que a mulher nunca tinha vez de falar e quando falava, era com limite de palavras.

- Sempre usamos esse tipo de atum. — comentou Jerry como se fosse uma grande vitória.

- Golfinhos são adoráveis. — disse Sam se retendo apenas em comer a salada.

- Embora sejam bastante saborosos. — comentou Bela apenas para provocar. Sam e Charlie olham abismados para Bela, enquanto os Flanders estavam praticamente horrorizados, já Dean força uma risada sem graça, para disfarçar o humor ácido da ladra.

- E onde vocês se conheceram? — perguntou Jerry dando uma garfada a seguir.

- No trabalho. Eu fazia a manutenção dos farewall para Dick Roman e o Sam era meu supervisor... — disse Charlie tocando no antebraço de Sam que confirma relembrando do sucesso daquela missão de espionagem suicida contra o líder dos leviatãs:

- E foi aí que a mágica aconteceu.

- E vocês? — perguntou Irene curiosa olhando apenas para Bela, já que Jerry parecia monitorar até a quantidade de ar que a mulher deveria respirar.

- Nós... — Dean estava pronto para dizer, mas Bela o cortou e respondeu debochada:

- Eu perdi para ele no jokempo e a prenda era dizer "sim". — Bela ergue a mão e mexe os dedos para chamar a atenção à aliança. - Foi bem romântico.

Jerry e Irene pareciam chocados com a revelação, já Sam e Charlie nem respiraram para não rir.

- Eu sei, parece loucura, mas eu quis inovar. Tinha de ser um pedido inesquecível. Mal posso esperar para contar essa história aos nossos netos, amor. — disse Dean passando a mão em torno dos ombros da ladra fazendo um carinho.

- É mesmo? — Bela força um sorriso e depois dá um longo gole no vinho. Charlie fez o mesmo que Bela, já Sam repara nas esculturas na parede e questiona:

- Adorei a decoração daqui, Sr. Flanders. É ocidental?

- A maior parte é do Nepal e do Tibet. Vou lá duas vezes por ano, à negócios. — respondeu Jerry olhando para as esculturas.

- Sabe, hoje cedo quando questionei sobre os outros moradores que residiram na minha nova casa, eu acho que eles não se mudaram. — comentou Dean pegando o guardanapo para limpar a boca.

- Mesmo? — disse Jerry encarando o prato.

- É. — Dean nota o desconforto de Jerry. - Um casal sair de repente é normal, mas três saírem sem dar explicações ou deixar uma avaliação da casa, é no minímo esquisito. Mesmo que a casa seja perfeita.

- Talvez eles tenham sido assassinados, já vi filmes o suficiente para saber que mesmo um condomínio perfeito como esse tem seu lado obscuro. Me pergunto quem poderia ser considerado suspeito aqui... — alfinetou Bela sorrindo para Jerry, o que fez Dean alisar a coxa da ladra sutilmente como se desse um sinal para pegar leve.

- Não temos nenhum suspeito aqui. E pelo o que me consta, essa comunidade é o sonho californiano. — rebateu Jerry parecendo ofendido.

- Eu concordo com o Jerry. Essa comunidade é perfeita e sinceramente, não me incomoda o fato deles saírem da casa sem avaliar, o que importa é o que eu acho. E cá entre nós, esse é praticamente um paraíso na terra. — disse Sam bancando o bom vizinho.

- Concordo totalmente, querido. Quando entrei nesse lugar, foi praticamente amor à primeira vista. Me senti como uma estrela de Hollywood. — reforçou Charlie sorrindo, enquanto procurava discretamente com os olhos qualquer coisa tecnológica na casa para hackear, mas a única coisa que viu foi um telefone em que tinha que girar os números para discar.

- Realmente esse lugar tem uma vibração cinematográfica. Tudo esteticamente perfeito me faz lembrar de um filme... Como era o nome mesmo? — disse Bela batendo a ponta do dedo no queixo tentando se lembrar.

- O Grande Lebowski? — Dean citou e Bela negou balançando a cabeça.

- A Primeira Noite de Um Homem? Confesso que boa parte do condomínio é inspirado nesse filme. — comentou Irene empolgada abrindo um sorriso e Jerry apenas lançou um olhar para a esposa que se recatou.

- Lembrei! Mas você chegou perto, Sra. Flanders. — Bela sorri simpática, apesar de querer meter a faca na jugular do machista opressor do Jerry. - O filme é Uma Noite de Crime. O governo americano cria uma noite de anarquia para ajudar na manutenção da economia e na redução da criminalidade, a vizinha simpática do condomínio perfeito dá uma torta para a Mary e quando chega às 19h. A boa vizinha tenta expurgar à Mary. Espero que a torta que recebi hoje não seja um aviso. — brincou Bela.

- Garanto que a torta é apenas um ato de boas-vindas e não de expurgo. — justificou-se Irene.

Jerry respira fundo.

- Desculpem-me. Já esta passando da hora de levar Snoopy pra passear. — disse Irene nervosa se levantando da mesa no meio do jantar.

- Quer companhia? — perguntou Charlie limpando a boca rápido com o guardanapo e depois dá um beijinho desengonçado na bochecha de Sam, já que Irene fez o mesmo com o Jerry, mas sendo um selinho.

- Quero.

- Ótimo. Vou acompanhar vocês. — disse Bela se levantando da cadeira, porque ela já não suportava mais olhar para Jerry.

- Esqueceu de nada não? — perguntou Dean apontando para a própria boca esperando um beijinho de despedida. Bela sorri e se inclina para beijá-lo, mas antes que seus lábios possam tocar, Bela desvia o rosto e sussurra ao ouvido:

- Vai sonhando.

- Com você? Sempre. — rebateu Dean fazendo Bela revirar os olhos "entediada".

[...]

- Tudo bem, Sammy. Me mantenha informado se descobrir algo sobre as esculturas ou sobre o Jerry. — disse Dean vendo Bela passar com o roupão de seda para o banheiro. - E pode deixar, eu vou te contar como foi a noite de núpcias.

- O Sam tem algum palpite sobre a relação do sumiço dos casais e o fato de eu não conseguir utilizar a tábua falante? — questionou Bela fingindo não ter ouvido o comentário de Dean.

- Ele ainda sustenta a teoria de culto de lunáticos praticante de magia negra. Ainda mais depois de ver as esculturas da casa do Jerry e claro, depois de você o pressioná-lo mais que um promotor de justiça. — comentou Dean tirando o suéter e o jogando de qualquer jeito na cadeira e depois se joga na cama.

- Aquele porco machista tem sorte de eu não ter levado minha arma para o jantar e descarregado na cara dele. — comentou Bela enquanto escovava os dentes.

- Ainda revoltada sobre o por quê a Irene atura o Flanders? — indagou Dean procurando a melhor posição pra ficar na cama.

- Sim! Ela nunca ouviu falar de Frida Kahlo, Joana D'Arc, Coco Chanel, Evita Péron, Princesa Diana, Madonna ou Rihanna? — indagou Bela indignada saindo do banheiro com o roupão aberto revelando sua camisola também de seda, cor de vinho e Dean suspirou. - Ela age como se ainda vivéssemos nas primeiras civilizações onde se trocava uma mulher por um camelo.

- Não é a toa que às primeiras civilizações só viviam em conflitos, os caras eram burros o suficiente para trocar uma mulher por um camelo. — comentou Dean deixando Bela boquiaberta. - O que foi? Às vezes eu prestava atenção nos filmes que passavam nas aulas de história quando não eram chatos.

- Você é tão idiota... — comentou Bela achando graça.

- Certo. Agora tire esse roupão e vem pra cama curtir o seu marido, Sra. Bela Talbot-Winchester. — brincou Dean batendo a mão no colchão.

- Como quiser, tigre. — sorriu Bela tirando o roupão lentamente.

Dean tinha dito na brincadeira, mas ao ouvir seu apelido que a ladra gostava de chamar nos momentos íntimos, ele até se ajeitou na cama.

Bela sobe na cama de joelhos e se inclina sobre o loiro que ainda parecia descrente com a atitude da ladra.

Bela lhe dá um selinho demorado seguido de outros três breve, Dean mexe os lábios para transformar aquilo em um beijo, mas Bela recua o rosto sorrindo e quando Dean ia protestar, ela se sentou sobre o colo do loiro que abriu um sorriso safado e questiona:

- O que te fez mudar de ideia?

- Eu não mudei, mas estou disposta à mudar. — sussurrou Bela ao ouvido de Dean. - Por isso, eu te proponho um desafio. Se vencer, eu sou toda sua. — Bela dá uma mordiscada na orelha de Dean que já estava ficando excitado. - Se perder... — Dean interrompe Bela rebatendo confiante:

- Eu não vou perder.

Bela dá uma risadinha, mas Dean estava determinado e totalmente focado, por isso, não se abalou com aquela ironia.

- O que tenho que fazer? — perguntou Dean virando o rosto pra Bela que ergue o celular tocando uma vinheta retro que rapidamente Dean reconheceu para sua infelicidade.

- Quero que você complete a fase 9 pra mim. Eu não consigo passar desse maldito ponto. — disse Bela tocando a tela do celular repetidas vezes.

- Você quer que eu complete uma fase de CatMario pra gente... — disse Dean erguendo uma sobrancelha e olhando para baixo.

- Sim! Mas não é a fase toda, é só finalizá-la, porque já peguei dois checkpoints. — explicou Bela mostrando o celular para Dean que nem batia as pálpebras. - Eu sei que pode parecer um pouco absurdo, mas se conseguir garanto que farei valer a pena.

- Isso se eu não for internado no sanatório antes né? — ironizou Dean debochado.

Bela finge uma tossida e solta um "covarde" devolvendo as provocações que sofreu no bunker.

- Eu não sou covarde e já saquei que isso é apenas uma forma de você se vingar por ter perdido no jokempo. — acusou Dean.

- Talvez... Ou Dean Winchester é um... — Bela finge outra tossida e solta um "covarde" de novo.

- Quero ver você me chamar de covarde quando eu finalizar essa fase igual eu te finalizei no jokempo. — rebateu Dean tomando o celular das mãos da ladra para jogar.

- Se finalizar... — acrescentou Bela rindo, se lembrando que Charlie tentou e quase "comeu" o celular dela de tanto ódio.

[...]

- Como tá indo o progresso? — perguntou Bela desligando a TV após assistir dois filmes vendo que já era uma hora da madrugada.

- Eu estou quase lá. — mentiu Dean mal humorado.

Bela se move na cama e apoia a cabeça no ombro de Dean para ver aonde ele conseguiu chegar e logo franze a testa, se questionando se ele havia progredido, mas logo cai na gargalhada.

O pobre gato continuava a morrer entre a antepenúltima e penúltima giratória de fogo em um ciclo sem fim, que era o local exato onde Bela havia parado.

- Incrível! Você fez um grande progresso, realmente é um jogador profissional, acho que já posso começar a me despir. — zombou Bela mal se contendo de tanto rir.

- Dane-se! Eu vou completar essa droga só pra esfregar na sua cara! É só esse gato filho da puta parar de morrer! — resmungou Dean extremamente nervoso.

- Cuidado com a pressão arterial, querido. — debochou Bela massageando o peito de Dean que repete a frase dela imitando uma voz fininha de tanta raiva que ele sentia.

Os ponteiros do relógio indicavam que eram três horas da manhã e o celular de Bela alerta que o índice de bateria estava baixo e precisa de um carregador imediatamente.

- Bela, seu celular... — disse Dean esfregando os olhos cansado quando nota a ladra adormecida com a cabeça apoiada em seu ombro, o que o fez sorrir.

Dean larga o celular na mesinha de lado, ele estica o pé tomando cuidado para não acordá-la e consegue puxar o lençol para cobrir eles dois. Bela se mexe, mas para a surpresa de Dean, ela esfrega a bochecha em seu peito como se procurasse um apoio melhor.

Ele a abraça sutilmente e adormece, mas com meia-hora de sono, ele acorda ouvindo um grito de socorro que parecia do tal Carter.

Dean se desvincula de Bela praguejando contra o ricaço metido à Casanova que Bela havia "simpatizado", pega a arma que estava na gaveta da mesinha ao lado, calça o sapato o mais rápido possível e sai para socorrê-lo.

Ele fecha a porta atrás de si e chama destravando a arma:

- Carter!

Dean vê o arbusto se mexer e corre para lá, vendo algo que ele não sabia descrever na hora, pois a criatura o atacou verozmente.

[...]

Bela aperta os olhos com a luz do sol iluminando seu rosto. Ela puxa o travesseiro e então percebe que estava sozinha na cama.

- Dean? — chamou Bela imaginando que ele estava no banheiro, mas não obteve resposta e então seu celular dá o último bip antes de descarregar totalmente.

Bela fica desconfiada, a casa estava silenciosa demais. Ela empurra o lençol e se levanta da cama com o celular na mão.

- Pelo menos podia ter conectado com o carregador. — resmungou Bela deixando o celular sobre uma mesinha carregando e depois vai para o banheiro fazer a higiene maginal após se certificar que Dean não estava lá tomando banho ou fazendo sabe lá o quê.

Depois que Bela vestiu uma roupa pra diária, ela desceu as escadas para tomar café-da-manhã torcendo para que Dean tivesse feito panquecas como em Missouri, mas ao chegar na cozinha, tudo estava intocado, assim como o sofá da sala, indicando que ele não dormiu ali para pagar de bom moço.

- Tudo bem, tenho certeza que o Sam e a Charlie estão tomando café-da-manhã. — comentou Bela pegando a cópia das chaves dela e saindo da casa.

Ela anda dois metros e vê o sol refletindo algo na grama perto do arbusto. Sem pensar duas vezes a ladra vai verificar e logo, seus olhos arregalam, era a arma de Dean, além da grama parecer funda. Rapidamente ela se abaixa para recolher a arma e analisar a grama que parecia cobrir uma toca gigante, quando uma voz ecoa atrás dela:

- Sra. Winchester, o que faz xeretando no quintal do Carter?

- Aprendendo técnicas de jardinagem. — mentiu Bela se erguendo e escondendo a arma nas costas assim que se virou.

- Então treine no seu quintal! Onde está o seu marido que não... — questionou Jerry nada amigável o que só confirmou as suspeitas de Bela que o interrompe respondendo áspera:

- Tem certeza disso? Porque vai que eu encontre o corpo de um dos casais desaparecidos... E quanto ao Dean, ele não te diz respeito, afinal, a esposa dele sou eu. Não você.

- Escuta aqui. Eu aturei seus insultos no jantar em respeito à presença dos demais convidados. — Jerry agarra o braço de Bela com força. - Mas agora eu não vou aturar que a paz desse condomínio seja importunada por uma vadia que não sabe qual é seu devido lugar.

- E quanto à você? Você sabe qual é o seu lugar, Sr. Flanders? — questionou Bela sacando a arma de Dean de imediato apontando para o rosto de Jerry que recua assustado com as mãos erguidas dizendo:

- Sra. Winchester, não há necessidade para isso. Por favor, abaixe a arma.

- Concordo totalmente. Por isso, vou deixar você se retratar por me ofender usando um termo pejorativo invés de atirar no seu saco e fazê-lo ter mais uma coisa em comum com o Hitler, além da ignorância. — rebateu Bela.

- Retratar? Só porque seu marido é um palerma que não tem punho para... — dizia Jerry todo machão, quando Bela sem receio atira entre o espaço das pernas do síndico que se urinou todo com o susto.

- O hidrante fica no final da rua, Flanders. — zombou Bela fazendo sinal com a arma para ele circular.

- I-Isso não vai ficar assim. — ameaçou Jerry.

Sam e Charlie saíram da casa apressados para verificar o barulho do tiro e se deparam com Bela segurando a arma de Dean e o síndico correndo feito o diabo fugindo da cruz.

- Bela, o que aconteceu? — indagou Sam abrindo os braços.

- Dean desapareceu e tem uma coisa que você precisa ver. — disse Bela tentando não parecer preocupada e depois olha para a grama de Carter.

[...]

Sam estava na sala conversando com Jerry, tentando distraí-lo, enquanto Charlie estava na cozinha com Irene lavando louça e jogando conversa fiada fora.

- Irene, cá entre nós, você sabe o que aconteceu com os outros moradores? — perguntou Charlie assim que Irene parecia mais confortável longe da opressão do marido.

- Não. — respondeu Irene imediatamente lavando o prato já limpo com ainda mais força.

- Eu não estou acusando você. Só estou preocupado com meu cunhado Dean. Acredito que algo aconteceu com ele. — confessou Charlie tocando o ombro de Irene amigavelmente e ela solta o prato que cai no chão quebrando.

- Irene, o que está acontecendo aí? — gritou Jerry da sala.

- Falha minha, Sr. Flanders! — gritou Charlie. - Eu quebrei um prato sem querer. Não se preocupe, mais tarde eu trago um conjunto novo.

- Sem problemas. — respondeu Jerry falsamente.

- Você precisa ir embora. Todos vocês. — disse Irene baixinho olhando em direção a sala. - Antes que seja tarde. Antes que a Coisa os pegue.

- Do que você está falando? — questionou Charlie olhando fundo nos olhos de Irene para demonstrar que podia confiar nela.

- Seu cunhado está morto, a esposa dele é a próxima vítima. Assim como foi com todos os outros. — revelou Irene, mas antes que Charlie perguntasse o por quê, Jerry se levanta do sofá e vê a louça na pia.

- Irene, pare de me envergonhar com sua procrastinação. Você não aprendeu nada com a visita que tem dado uma aula de como ser uma esposa exemplar? — advertiu Jerry apontando para Charlie que continuava a secar a louça.

- Desculpe Jerry, não vai mais se repetir. — disse Irene abaixando a cabeça e voltando a lavar a louça.

Enquanto isso, Bela havia passado a tarde toda batendo frustradamente de porta em porta como se fosse uma escoteira vendendo biscoito na tentativa de conseguir alguma informação sobre o sumiço de Dean.

- Por que diabos eu fui aceitar jogar jokempo com aquele idiota? E pior, aceitar o "melhor de três"? Eu deveria fazer que nem a Ruby. Jogar uma moeda no ar e sumir. — resmungou Bela preocupada retornando para casa a fim de esperar Sam e Charlie com alguma novidade.

Ao chegar na porta, ela vê marca de pegadas de lama na entrada e ao olhar para o primeiro andar, ela vê a luz do quarto acesa.

- Dean? — indagou Bela um tanto aliviada correndo para dentro da casa.

Ela segue as pegadas pela escada até o quarto, ao abrir a porta, sua feição muda.

- Carter? O que aconteceu com você? — questionou Bela ao ver o ricaço todo machucado.

- Desculpa entrar assim, mas você está em perigo a Coisa pegou seu marido e está vindo pra cá. Para pegar você. — explicou Carter puxando Bela para dentro e trancando a porta em seguida.

- Que coisa? Do que você está falando? E onde está o Dean? — perguntou Bela ainda mais preocupada com o loiro, quando escutam um estrondo na porta da frente.

- A Coisa pega todos os que não seguem os padrões conservadores impostos pelo Jerry. — disse Carter empurrando a cômoda pra frente da porta. - Eu tentei avisá-los, mas a Coisa me alcançou antes. Eu só não morri, porque seu marido chegou à tempo.

- E onde o Dean está, Carter? — questionou Bela ansiosa. Carter fica em silêncio. - Me responda! — Bela exige.

- Eu sinto muito. — disse Carter com pesar e Bela se recusa a acreditar, a Coisa golpeia a porta do quarto. - Você precisa se esconder agora.

- Não! Nós precisamos da ajuda do Sam. Ele e o Dean são caçadores de coisas sobrenaturais. Ele sabe o que fazer. — argumentou Bela em vão, enquanto era conduzida contra à vontade para o armário.

- Isso vai servir. — disse Carter sentindo a arma no cós da parte detrás da calça de Bela e a pegando antes de empurrar a ladra para dentro do armário e puxar um gaveteiro para proteger a porta do móvel.

- Carter, me deixa sair! — resmungou Bela.

- Você vai ficar bem, Bela. Apenas não faça barulho. — disse Carter com as mãos tremendo apontando a arma para a porta quando vem a baixo.

Bela escuta os disparos e tenta ver o que esta acontecendo, mas só escuta o som do pente vazio seguido pelos gritos agonizantes de Carter e o grunhido do monstro.

Alguns minutos antes...

Sam e Charlie que faziam tocaia em frente a casa dos Flanders evê Jerry sair para jogar o lixo usando uma camisa polo invés do suéter e então Sam nota a tatuagem no braço.

- Filho da mãe! — resmungou Sam vendo com o binóculos.

- O que foi? — perguntou Charlie puxando o binóculos para ver. - Puta merda! Como que vamos detê-lo? Não podemos... — Charlie ainda falava quando Sam sai do carro alugado e caminha em direção a Jerry.

- Sr. Flanders! — chamou Sam com o tom de voz firme e Charlie correu atrás.

- Sam Winchester? O que faz na rua à esta hora? Sua mulher não deveria estar preparando a cama? — indagou Jerry apontando pra Charlie, quando Sam sem paciência acertou um belo gancho de direita como resposta.

- O que você fez com meu irmão? — questionou Sam segurando a gola da camisa de Jerry que ficou suja do sangue que escorria do nariz.

- Seu lunático! Tire suas mãos de... — dizia Jerry quando Sam socou o estômago dele com força fazendo Jerry cuspir um pouco de bile e reforça impaciente:

- Eu te fiz uma pergunta.

- Eu não sei do que você está falando. — mentiu Jerry na cara dura. - E se não me soltar eu vou gritar e alguém vai chamar a polícia.

- Nós somos a lei, imbecil! — disse Charlie mostrando o distintivo falso do FBI.

- E do que estão me acusando? De ser um bom síndico? — debochou Jerry.

- De tatuar uma tulpa no braço e matar os outros moradores e para quê? Para criar o "paraíso misógino"? — indagou Sam apontando para a tatuagem.

- Era só o que me faltava mais um ignorante que não sabe qual o papel de um homem na sociedade! — disse Jerry revoltado.

- O único ignorante aqui é você que... — Charlie interrompe Sam e comenta preocupada ao ouvir o som de tiros:

- Sam, você ouviu isso? Parece vir da casa da Bela.

- Você vem conosco. — disse Sam o algemando debaixo dos protestos de Jerry.

Sam, Charlie e Jerry vão até a casa da ladra e vêem a sombra de uma criatura segurando a ladra pelo pescoço.

- Charlie, fica de olho nele! — ordenou Sam os deixando e indo socorrer Bela que se debatia.

Sam sobe as escadas correndo e gritando para Bela aguentar firme, ao entrar no quarto, ele quase escorrega no aglomerado de sangue e carne que outrora era Carter, parecia a cena do corredor de sangue do filme O Iluminado. Ele olha pra criatura e indaga abismado:

- O monstro do armário?

Logo Sam abre fogo contra aquela coisa que parecia não sofrer nenhum dano, então Bela começa a revirar os olhos começando a perder a consciência e Sam larga a arma e faz o impensado para salvar a ladra. Ele corre até o monstro e se joga contra ele fazendo os dois voarem pela janela, rolarem sobre o telhado e por fim, caírem da grama.

Sam fica atordoado sentindo o corpo todo dolorido, já o monstro se levanta devagar.

- O monstro do armário? — questionou Charlie em choque e Jerry aproveita a distração e toma a arma dela que tenta reagir, mas Jerry adverte:

- Quietinha vadia ou eu... — A arma voa pro meio da rua junto com o dedo indicador de Jerry que grita ao ver o sangue jorrar.

Charlie olha para a janela e vê Bela segurando sua 9mm com silenciador e depois dando às costas apressada.

- Toma isso também, cretino! — disse Charlie chutando o saco de Jerry que cai de joelhos no chão xingando antes de ir ajudar Sam que rastejava de costas para se afastar do monstro e então outro tiro é disparado.

Charlie olha para porta no momento exato que Bela chegou com a mão massageando o pescoço, mas não foi ela que atirou.

- Irene, sua idiota, o que você pensa que está fazendo? — gritou Jerry irritado pressionando o ferimento no abdômen.

- Expurgando você, seu filho da puta! — disse Irene rangendo os dentes e descarregando o pente no marido.

Com a morte de Jerry, o "monstro do armário" automaticamente virou apenas um montão de terra aos pés de Sam que fica sem palavras.

- Desculpe pelo transtorno, Jerry sempre foi cabeça dura, mas agora ele não causará mais problemas. Se me dão licença, vou assistir o programa da Oprah. — disse Irene largando a arma e se retirando.

- Ele vai ficar bem? — questionou Sam vendo Irene se distanciar.

- Ela já está bem. — corrigiu Bela ajudando Sam a se levantar junto com Charlie que questiona:

- E quanto ao Dean? Ainda precisamos... — A tampa do bueiro é arrastada pro lado e Charlie parou de falar ao ver Dean sair de costas para eles.

- Aquele monte de merda ambulante vai ver só por me fazer andar por túneis feito o Pernalonga. — resmungou Dean chacoalhando o cabelo para tirar a terra. Ele se vira para trás e vê Sam, Charlie e Bela o encarando. - Pessoal! Vocês não vão acreditar...

- Deixe-me adivinhar, o monstro do armário atacou você? — perguntou Bela debochada cruzando os braços.

- Como você sabe? — questionou Dean surpreso.

- Porque esse é o monstro do armário ou pelo menos era. — Charlie aponta para o montão de terra. - E aquele, era o "cientista" que o criou. — disse Charlie apontando para o corpo de Jerry que só agora Dean percebeu.

- Jerry tatuou um símbolo da tulpa no braço para controlar o condomínio tipo o caso do Mordechai Murdoch, as esculturas eram apenas totem de proteção e... — Bela interrompe Sam e completa:

- Irene o expurgou igual em Uma Noite de Crime. Eu sabia que aquela torta era um aviso.

- É, não vou sentir falta do cara não. — comentou Dean dando de ombros. - E uma pergunta importante antes que eu esqueça: Quem de vocês roubou meus M&M's?

Lebanon, Kansas.

Depois de certificarem que Irene iria ficar bem, além de irem para o cartório anular o casamento apenas de Sam e Charlie, porque Dean se recusou a ceder o divórcio à Bela. Sam, Dean e Bela caem na estrada, já Charlie decidiu ficar em San Diego para participar da Comic Con.

- Dean, você acha que o Cas conseguiu alguma pista do Metatron? — questionou Sam para quebrar aquele silêncio imposto pelo irmão e pela ladra que era praticamente uma Guerra Fria.

- Talvez. — disse Dean totalmente desinteressado focado apenas na estrada.

- Bem, ele já deveria ter ligado... — Dean interrompe Sam e rebate de imediato:

- Ele vai ligar.

Sam aceita que Dean não quer conversa, então se cala por alguns minutos e depois tenta puxar conversa com Bela.

- Bela, eu tenho um resumo feito pela Charlie sobre a realidade alternativa da DC Comics que você e a Ruby estavam, daí eu queria saber se você quer analisar comigo a parte da Ruby para ver se achamos algo que possa nos ajudar a trazê-la de volta. — perguntou Sam apoiando o braço no encosto do banco e olhando para Bela que encarava a janela.

- Por que não? Não é por isso que estou aqui? Para "única e exclusivamente" trazer a Ruby de volta. — alfinetou Bela com ironia olhando de relance para o retrovisor vendo Dean amarrar a cara e ligar o toca-fitas no volume alto que reproduz a faixa Always do Bon Jovi em resposta. Uma vez que a ladra assim como Ruby detestava Bon Jovi.

Bela rola os olhos entediada com as notas estendidas do Bon Jovi cantando o coro que beirava à desespero e Sam apenas meneia a cabeça rindo da situação, pelo menos Dean não tinha começado a cantar.

Para alívio de Bela, o bunker não estava longe, mas Dean deu a volta no quarteirão com o Impala só pra garantir que a ladra ouvisse até o último segundo da música do grupo de hard rock.

Assim que o carro estacionou, Bela saiu tão apressada que nem ligou de pegar a mala e muito menos reparou que tinha uma moto BMW G 310 GS estacionada. Ela só queria um pouco de silêncio. Bela sobe a escadinha da entrada do bunker, abre a porta e congela ao se deparar com quem menos esperava.

- Oi, Bells. — disse Ruby abrindo um sorriso gracioso após se virar para a ladra que mal conseguia acreditar no que seus olhos estavam vendo.


Notas Finais


Curiosidades:

-Talia Al Ghul realmente treinou a Ruby, no tempo que a loira estava sumida da Terra que se passa a fic. E isso explica o comportamento da Ruby (principalmente em relação à Ketch) e a maneira de lutar terem mudado.
-O caso foi meio que uma mistura do episódio 1x17 de SPN e 6x15 de TXF.
-Always de Bon Jovi é uma declaração de amor principalmente no coro e Dean decidiu colocar essa música invés dos dinossauros do rock apenas para mandar aquela indireta com missil teleguiado pra Bela.
-A moto pertence a Ruby.
-Ketch só soube do envolvimento de Dean e Bela quando invadiu a casa da Xerife Mills e verificou o notebook do Reverendo Holter, além do histórico de chamadas do celular de Dean que sabemos que tem umas 467324683 chamadas só pra Bela. Kkkkkkk
-E SIM, BELA PERDEU NO JOKEMPO. ELA NÃO PERDEU DE PROPÓSITO. ELA PERDEU PORQUE FOI AZARADA MESMO. kkkkk

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