História Which Side Will Prevail - Capítulo 7


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Categorias Glee
Personagens Quinn Fabray, Rachel Berry
Tags Achele, Brittana, Faberry, Glee, Quinn Fabray, Rachel Berry, Santana Lopez
Visualizações 55
Palavras 3.780
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bom... por onde começar?
Primeiro eu queria pedir desculpas por desaparecer do nada, deixando vocês sem nenhuma explicação por literalmente anos. Eu realmente sinto muito!
Algumas coisas aconteceram comigo, coisas das quais eu não entrarei em detalhes, mas essas coisas me fizeram perder completamente a vontade de escrever, me fizeram perder a vontade de estar aqui.

A ideia de voltar para esse site está presa na minha mente já há algumas semanas e eu resolvi fazer uma tentativa. Eu ainda tenho os capítulos completos dessa história guardados e eu estava pensando em voltar a postá-la, mas eu não sei se vocês gostariam disso... vocês gostariam?

Eu estou postando um novo capitulo agora, então por favor, me digam se vocês gostariam de ler o restante da história

E mais uma vez, eu sinto muito por desaparecer.

Capítulo 7 - (Cap. 7) Capítulo 7


Rachel POV.

Aqui estou eu mais uma vez na rua e com frio.

Bom não é tanto frio assim, já que estou bem agasalhada, mas mesmo assim estava muito melhor dentro daquele quarto que a Quinnie me colocou.

Eu ainda não entendo direito o que aconteceu, eu estava dormindo há algum tempo e acho que estava tendo pesadelos com Karofsky, e acordei assustada ouvindo barulho de tiros.

Já estava acostumada a ouvir isso morando na rua, mas os tiros estavam tão perto que me fizeram levantar de cama. Assustada pelo pesadelo e pelos tiros, eu cheguei à janela meio ofegante para ver o que estava acontecendo. Vi algumas pessoas correndo e outras gritando, eu estava um pouco confusa, mas foi quando eu vi a policia chegando lá que eu me desesperei.

Não sei o que me deu, só sei que tive muito medo e em momento de desespero, de medo que eles me achassem e me levassem embora, eu saí correndo de lá e não parei de correr por muito tempo. Corri tanto que agora estou perdida, não sei como voltar para lá.

Sei que a Quinn vai ficar uma fera comigo quando chegar lá, ela falou tantas vezes que eu não podia sair do quarto. Me avisou tanto.

E eu não me lembro o nome do motel em que estávamos. Estou andando a um tempão procurando, mas acho que isso só esta fazendo eu me perder mais.

Que droga, justo agora que eu estava tão bem, tinha encontrado alguém para ficar comigo. Sei que ela não ia ficar de vez comigo, mas ela estava cuidando de mim, e sei que ela ia cumprir a promessa, ela ia arrumar alguém para ficar comigo.

(...)

Já está tão escuro, e agora está realmente muito frio, está nevando. Não consegui mais andar procurando, o vento e a neve me cansaram muito, estou deitada atrás de uma caçamba de lixo, bem escondida para ninguém me ver. Se alguém me vir aqui perdida e com essas roupas quentes vão me roubar com certeza e ainda me bater, e eu ainda estou machucada da última surra que levei. Tenho que ficar quietinha aqui mesmo.

Estou abraçada a um ursinho de pelúcia, um dos brinquedos que a Quinnie me deu. Sei que já estou grande para esse tipo de brinquedo, mas esse que eu estou segurando parece muito com um que meu pai de deu quando eu era pequenininha.

 Eu ainda o tinha quando ele morreu, mas no abrigo para onde me levaram, eles o tomaram de mim dizendo que lá nenhuma criança podia ter brinquedos.

Então aqui estou eu, dormindo na rua e no frio, abraçada a um ursinho e rezando para que meu anjo me salve outra vez.

(...)

Eu acabei dormindo, mas um barulho me fez acordar.

Estou ouvindo passos. Estou com medo. Tem mais de uma pessoa, então não é o meu anjo. Droga. Quem será que me achou aqui. A polícia? Ou pior ainda, algum ladrão ou pivete de rua querendo minhas roupas?

Ai, estão chegando perto, estão muito perto.

Tem alguém circulando o latão de lixo.

É agora. Pensei fechando os olhos.

– Há, aí está você hein?!-. Ouvi uma voz falar comigo

Eu tremia de medo.

– Ow garotinha sabia que estamos te procurando a mais de 3 horas?!

Eu olhei para cima. Quem eram eles?

Era uma mulher bonita e alta que falava comigo.

– Eu a achei.

Ela falava para alguém, logo os outros passos que eu ouvia correram para perto de mim.

– Poxa, você dá trabalho hein pirralha?!

Falou um cara enorme, com um penteado estranho.

– Deixe-me examiná-la. – Um homem loiro falou. – Qual o seu nome?

– Rac... Rachel-. Gaguejei me encolhendo de forma instintiva.

– Certo Rachel, sente alguma dor? Está machucada?

– Não. Só com frio... e com medo. Quem são vocês?

O homem na minha frente agora ria.

– Não tenha medo, somos amigos da Quinn, viemos ajudá-la a te encontrar.

– A Quinnie está aqui?-. Eu me levantei logo, sorrindo animada em vê-la.

– “Quinnie”? – o homem enorme perguntou

– Eu disse que Quinn gostava dela-. A garota loira falou com um enorme sorriso.

– Ta você disse que ela gostava e isso já é quase impossível, mas agora, deixar que a criança a chame de “Quinnie” isso já é bizarro.

– Cale a boca Puck!-. Lhe deu um peteleco na cabeça, me fazendo segurar o riso – Eu me chamo Brittanny. Não tenha medo de nós. Vamos te levar até Quinn.

– Mas se são amigos dela por que ela não está com vocês?-. Perguntei meio desconfiada.

– Bom, digamos que eu sei que ela está muito zangada conosco, e se nós fossemos falar com ela sem você, ela iria... ficar mais zangada ainda. Então decidi que era melhor te achar primeiro para depois falar com ela.

– Sabe onde ela está?

– Acho que sim. Quer que te levemos até ela?

- Sim, por favor-. Sorri ansiosa.

– Então venha conosco pequenina. – um homem loiro falou e também abriu os braços para que eu subisse em seu colo.

Eles são bem legais.

A Brittany colocou um casaco por cima de mim e me deu um beijo na bochecha.

– Ela é linda, Judy vai ficar encantada com ela-.  O loiro que me segurava falou e sorrindo docemente para mim, me fazendo corar um pouquinho.

– E a Marley também-. O grandão riu e bagunçou de leve o meu cabelo.

Eles continuaram a falar algumas coisas, mas eu estava tão quentinha em baixo dos casacos que colocaram em cima de mim que eu acabei dormindo no colo do homem.

 

Quinn POV.

Não acredito que ainda não a encontrei. Já esta nevando forte. Ela deve estar com muito frio.

Quase todos os humanos já se recolheram por causa do frio. Sei que este tempo não é agradável para um humano, ainda mais uma criança ferida.

Estou ficando desesperada. Já olhei em vários lugares e até agora nada.

E essa neve que não para de cair, dificulta muito de eu sentir cheiro de humanos. É como se fosse uma cortina permanente de água que abafa os cheiros. Droga, tanto que eu me afastei do cheiro dela e o evitei, e agora tudo que eu quero é sentir aquele cheiro de novo para poder achá-la.

O que é isso? Estou ouvindo passos e... vozes.

Mas eu conheço essas vozes.

São eles! Finalmente eles chegaram.

Corri em direção a eles. Se eu tivesse um coração, com certeza agora ele estaria batendo a mil dentro do meu peito. Com minha família aqui com certeza vou encontrá-la muito mais rápido.

Então eu os avistei. Eram Russel, Brittany e Puck.

Assim que entrei em seu campo de visão, Russel me olhou e abriu um enorme sorriso para mim. Só nesse momento eu vi como sentia saudades deles.

Saltei para os braços dele.

– Pai! – me aconcheguei em seus braços soluçando alto.

– Calma filha.

– Me ajude pai, eu não consigo achá-la. Por favor, me ajudem. - Eu chorava alto.

Russel me segurou em seus braços e me afastou para olhar em meus olhos.

– O que aconteceu com você minha filha? – ele me olhava atordoado com minha mudança. Eu nunca antes chorei na frente deles e embora eu os amasse muito e sempre os ouvia me chamando de filha eu nunca fui capaz de chamá-lo de pai como fazia agora.

– Russel, ela ama a garota. Brittanny estava certa. Ela quer ser a mãe dela. A ama como um filha-. Puck disse

– Oh minha criança! – ele me abraçava apertado. – Estou muito feliz que finalmente algo tenha despertado você para um sentimento humano.

– Mas eu a perdi pai! Não consigo encontrá-la.

– Calma Quinn. Brittanny teve uma visão dela e nós já a encontramos. – Puck falou.

– Mas então por que ela não está com vocês?

– Por que eu tive uma visão, vi que você se descontrolaria assim na frente dela e a assustaria. Olhe seus olhos, estão vermelhos outra vez, você nem percebeu que está sem lente.

– Droga, é verdade. Espere, tenho um par aqui no bolso.

Coloquei as lentes e tentei me acalmar. Eles me guiaram até onde Santana, Judy e Marley nos esperavam. Foram me contando como descobriram tudo e como encontraram Rachel. Meu coração se apertou ao saber que ela estava deitada na rua e com frio. Eu já imaginava isso, mas ter essa certeza me deixou muito triste.

Tudo isso só serviu para confirmar o que eu já sabia, eu não podia cuidar dela. E com essa certeza, eu me senti muito mal.

Comecei a sentir o cheiro de Rachel, estava fraco, mas estava lá. Tomei a frente deles e comecei a andar rápido. Quando o cheiro se intensificou, eu sabia que estava próxima. Mas justo na hora em que eu daria os últimos passos para alcançá-la as mãos de Santana me seguraram.

– Quinn, pare.

Eu a olhei atordoada.

– O que foi Santana? – perguntou Russel.

– A sede de Quinn é enorme. Ela não vai conseguir. Vai atacá-la.

– Eu não vou! – respondi com raiva e rosnando.

– Não minta para mim minha irmã. Eu sinto tudo que você sente esqueceu?

– Mas eu consigo Santana.

Ela me olhava desconfiada.

– É sério. Eu consigo mesmo. Tudo bem que não por muito tempo, mas eu posso ficar perto dela por alguns minutos. Afinal, ela ainda esta viva não é?!

Falei essa última parte triste. Não por ela estar viva e sim por saber que eu era a maior ameaça a ela. O que era irônico já que eu a procurava, com medo de que algo acontecesse a ela.

– Calma Quinn, eu não quis dizer que você queria matá-la. Apenas senti a sua sede.

– Tudo bem, eu te entendo, mas, por favor, eu preciso vê-la. Preciso ver que esta bem.

– Tudo bem, vamos em frente Santana. – Russel falou.

Assim que dobramos uma esquina eu vi vindo de encontro a nós, Judy, Brittanny e Marley com Rachel no colo.

Nesse momento eu não me segurei mais, corri até elas e a peguei em meus braços. Ouvi um murmúrio de Marley protestando, mas não liguei. Eu tinha que senti-la em meus braços, precisava disso.

Ela estava dormindo profundamente. Mas por um momento despertou.

– Quinnie. Que bom que me achou. – um bocejo. – eu estava com saudades e com medo. – passou os braços ao redor do meu pescoço, se aconchegando mais em meu colo e soltou outro bocejo. – você vai me levar para casa agora?

E então ela voltou a dormir.

– Pode dormir Rachel. Está tudo bem agora.

Eu a embalava em meus braços.

Então a criatura que eu mais reclamei e amaldiçoei nas últimas horas, ficou em minha frente.

– Então? Ainda preciso fugir de você por uma década? – ela falava de cabeça baixa, mas eu podia ouvir a diversão em sua voz.

– Não loirinha. Você conseguiu a única coisa que faria eu te perdoar. Trazê-la de volta para mim.

Começamos a andar de volta para o motel. Assim que chegamos, eu a depositei na cama e a cobri com grossos cobertores. Em um minuto ela já estava ressonando tranquila. Nem acredito que finalmente ela estava aqui sã e salva.

– Agora me conte Quinn, como aconteceu tudo isso? – Brittanny me perguntou.

– Antes me responda uma coisa Britt, como foi que você não me viu aqui desesperada há seis dias atrás?

– Sinto muito por isso Quinn. – ela começou de cabeça baixa. – mas eu tive uma visão sua matando um humano, e você sabe como eu odeio ver você assim, e como nos seus olhos tinha um brilho diferente, eu via que você estava com muita sede eu conclui que você mataria outros, então eu evitei te ver. Passei todos esses dias evitando pensar em você. Só mesmo quando vi você vagando desesperada pelas ruas de Nova York é que eu passei a te procurar, daí a entender tudo foi um pulo. Tratei de chamar os outros e corremos para cá.

– Tudo bem, acho que posso te entender.

– Mas agora você é que vai falar – começou Puck. – que história é essa de “Quinnie”?

Ele ria descaradamente. Tentei não me importar, afinal eu já havia deixado Rachel me chamar assim, então não tinha por que brigar por isso. Então dei de ombros e comecei a explicar.

– Não é nada demais, é apenas a maneira que ela gosta de me chamar.

– Não é nada de mais? – ele perguntou – Isso vindo da vampira mais feroz e selvagem que eu conheço. Chega ser bizarro ver alguém te colocando um apelido carinhoso.

– Isso é um exagero Puck, vocês me chamam de mana e eu nunca falei nada.

– Sim, mas também nunca retribuiu esse ato. – agora ele parecia triste. – Nós sempre te amamos Quinn, e você nunca nos deu essa liberdade, sempre demonstramos nosso amor por você e você nunca demonstrou mais que alguns sorrisos para nós. – eu nunca tinha visto Puck tão sério desde que eu o conheço. Na verdade duvido que alguém tenha visto. – Você tem que entender o porquê de estarmos tão confusos.

– Me desculpem por isso.

– Pelo que exatamente você esta se desculpando minha filha? – Judy perguntou.

– Por tudo mãe. – ela levou um susto quando a chamei assim. Levou à mão a boca e abafou o choro que começou. – por nunca demonstrar a gratidão que sinto por vocês terem me ajudado na hora que eu mais precisei, por terem me acolhido em sua família, e principalmente por nunca ter conseguido demonstrar meu amor por vocês. Pois eu sempre amei vocês eu juro, eu só não sabia expressar. E... e ainda não sei direito. Eu estou tão confusa mãe...

Joguei-me em seus braços e chorei compulsivamente.

– Oh minha criança se acalme, todos nós sabemos que você nos amava. Santana sempre sentiu isso e nunca nos deixou duvidar dos seus sentimentos, apenas não estamos acostumados a você demonstrar isso. Foi isso que nos fez ficar muito preocupados, Brittanny viu você abraçada a essa humana, viu você rindo com ela. Isso confundiu a todos nós. Mesmo ela sabendo o quanto você gosta dela, não a fez ficar menos preocupada.

Agora foi a vez de Marley vir me abraçar.

– Minha irmã, você não tem o que se desculpar. Não é culpa sua ser do jeito que você é. Você não teve a mesma sorte que nós. Você foi transformada por um monstro, um ser que apenas tinha sede de poder, nunca teve ninguém para te ensinar a se controlar, ninguém para te amar. Por isso você ficou desse jeito. Nós todos entendemos perfeitamente o quanto é difícil para você mudar. Afinal, foram mais de 100 anos vagando sozinha e sendo desse jeito. Sabemos que você não vai mudar de uma hora para outra.

– Obrigada Marley.

– Agora me conte, como seu caminho e a dessa humana se cruzaram? – meu pai perguntou.

Eu contei a eles detalhadamente tudo que aconteceu, desde o primeiro minuto em que eu senti o cheiro de Rachel. Eles ouviram atentamente.

– E agora Quinnie? – Puck não evitava falar esse apelido sem rir. – o que você pretende fazer com ela?

– Você vai ficar com ele filha?- Russel perguntou

– Não posso pai. – todos nessa hora abaixaram as cabeças, mas se olharam como se já esperassem por isso. – acredite, eu queria muito, mas não posso.

– Mas Quinn você esta sendo tão forte, quem sabe com o tempo? – Marley tentou.

– Não da Marley. A sede beira o insuportável. E isso é só uma parte da história. Vocês mesmo viram, céus eu não sei cuidar de uma criança. No primeiro dia que ela ficou sobre meus cuidados, eu a perdi. Eu, uma vampira de quase 200 anos perdi uma humana de apenas oito anos.

– Mas Quinnie – Russel falou rindo. – estou gostando muito de te chamar assim. - ele ainda ria. – Ok falando sério. Filha, até mesmo pais humanos erram com as crianças tendo eles anos de prática. Cometer erros é normal Quinn. Você vai aprender a cuidar dela.

– Não dá pai. Eu não posso mesmo. Ela parece ter se apegado muito a mim. Vejo como ela fica triste por eu me afastar bruscamente dela às vezes. Ficar com ela seria machucá-la muitas vezes.

– E se você contar a verdade a ela? – Santana começou – você mesmo disse que ela não teve medo dos seus olhos vermelhos.

Eu rolei os olhos.

– Não temer cor de olhos é uma coisa Santana. Saber que você está do lado de um vampiro é outra. Ela ficaria apavorada, sem contar que ficaria traumatizada para o resto da vida.

– Então eu não sei o que você vai fazer. – ela falou bufando.

– Simples, eu vou deixar ela com vocês.

– Conosco? – Marley falou quase gritando pelo susto, mas já se via um sorriso se formando em seu rosto.

– Sim, sei que vocês serão capazes de cuidar muito bem dela até que ela fique completamente curada. Então vocês podem achar um lugar para ela. Um lar adotivo ou então uma instituição confiável, pois ela diz que já sofreu maus tratos em outro abrigo.

– Mas e você? Vai simplesmente abandoná-la?

– Eu não sei. Ela diz que quer que eu vá visitá-la. E eu quero muito, mas não sei se isso daria certo. Não sei se vou poder me controlar sempre.

– Calma Quinn. Você não tem que decidir isso agora. Ainda tem uns dias para pensar. – Puck falou me abraçando.

– Isso mesmo, agora vamos tratar de arrumar tudo para levá-la para nossa casa.

Brittanny se levantou e pegou o telefone já reservando nossas passagens para viajarmos no dia seguinte. Obviamente eu iria em um voo separado, pois se nem em um carro eu conseguia ficar com ela, imagine por horas em um avião.

(...)

Já havia se passado uma semana desde que Rachel tinha vindo para casa dos Fabray’s.

Ela ficou muito a vontade com todos eles. Apegou-se a todos. Com os medicamentos que Russel passou para ela e com a super alimentação que Judy a fazia comer, ela rapidamente aumentou de peso. As marcas em suas costas já quase haviam sumido.

Ela se revelou uma menina muito dócil e peralta. Puck e ela aprontavam mil juntos. Desde pregar peças, até mesmo traquinagens de quebrar vidraças com estilingues. (claro que Puck levou uma baita bronca de mim e Marley por dar um estilingue a uma criança pequena). Mas a verdade é que ela se sentia em casa aqui. E me partia o coração saber que isso não poderia ser para sempre.

Afinal o fim se aproximava e rápido. Russel já havia conseguido uma família para ela. Era uma enfermeira com quem Russel trabalhava, ela queria muito ter filhos, mas era estéril. Todos nós havíamos conversado e concordado que essa era a melhor opção.

Apenas pedimos mais um tempo para conversar com Rachel a fazê-la aceitar essa ideia. Concordamos que em um mês a levaríamos para ela e ela aceitou de bom grado que todos nós poderíamos sempre ir visitá-la.

Eu aproveitava meu pouco tempo com ela de várias formas, mas a que ela mais gostava era dos nossos passeios pela floresta próxima a casa. Eu ia com ela quase todos os dias, mas sempre pedia para um dos meus irmãos nos acompanharem escondidos para o caso de algum deslize de minha parte.

Eles sempre diziam que era bobagem, mas sempre nos acompanharam.

Eu sumia por horas, não aguentava ficar muito tempo próximo a ela, o máximo que eu havia aprendido ficar com ela eram 3 horas e mesmo assim ao ar livre. Depois disso eu precisava caçar por algum tempo e depois ficava a observando de dentro da floresta, meus irmãos sabendo disso, procuravam brincar com ela na varanda de forma que eu pudesse vê-la claramente.

Decidimos que amanhã contaríamos a ela sobre o que decidimos, afinal, ela iria mesmo precisar de algum tempo para se acostumar com a ideia, mas para amenizar o impacto da noticia decidimos fazer uma festinha para ela hoje.

Para fazer ela se acostumar com outras pessoas que não somente nós, Russel chamou alguns funcionários do hospital em que trabalha e também algumas crianças que moravam próximo a nossa casa. Era difícil para eu suportar mais cheiro de humanos estando próxima a Rachel, mas eu sabia que isso era importante para ela, por isso aceitei essa ideia de bom grado.

A casa estava cheia. Tinha pelo menos uns 20 adultos e mais de 15 crianças. Rachel corria de um lado a outro brincando com as crianças. Ela estava eufórica, tanto pelos inúmeros presentes que ganhou (na maioria nossos mesmo) quanto pelo fato de estar brincando com outras crianças.

Dava gosto ver como se ela esbaldava em brincadeiras e traquinagens. Brittanny arrumou a casa como se fosse haver um mega evento ali, coisas de Brittanny. Tinha de tudo, bufê, e animadores infantis e até mesmo um mini zoológico foi contratado, e eu não perdi a oportunidade de fazer uma piada dizendo que o zoo era só uma desculpa para eles fazerem um lanchinho no meio da festa.

A tarde estava muito agradável, eu tinha que confessar. Até mesmo eu conversava animadamente com outras pessoas. Mas em certo momento foi muito para mim, eu precisei me isolar um pouco. Não apenas pelo sangue, mas também por tanto socializar com humanos. Entrei no escritório de Russel seguida de Santana e Marley. Todos nos olhamos e começamos a rir.

– Acho que todos nós tivemos a mesma ideia e na mesma hora. – Brincou Santana.

Ficamos conversando um pouco e então tudo aconteceu rápido demais.

Ouvimos as vozes de Puck e Brittanny.

– Brittanny o que você está vendo?

– Não da tempo de explicar Puck, corra e pegue a Rachel. Faça-a parar de brincar agora. – ela quase gritou o que me assustou. Eu me levantei e já estava me dirigindo a porta quando tudo aconteceu ao mesmo tempo.

Antes que eu chegasse à porta, a mesma se abre e entra uma Brittanny apavorada.

– Quinn vá embora. Vá para algum lugar e leve Marley e Santana com você!

Mas enquanto ela falava essas palavras eu ouvi Puck gritar:

– Rachel, não sobe na árvore, você vai cair.

Antes mesmo de Puck terminar a frase, ouviu-se o baque do corpo de Rachel no chão e o pior, o cheiro do sangue dela me atingiu em cheio. Com certeza ela havia se machucado muito, pois o cheiro que chegava até mim era insuportável, muito pior do que no dia em que eu a encontrei sendo surrada.

Minha garganta queimava como nunca antes. Meus olhos na hora derreteram a lente que eu usava revelando os vermelhos olhos do monstro que vivia em mim, eu rosnava ansiando pelo sangue dela e eu ouvi um eco do meu rosnar, olhei para o lado, era Santana, ela sentia a minha sede e como resposta disso estava tão sedenta quanto eu. Eu não conseguia encontrar forças para me parar e muito menos para parar Santana.

O que eu mais temia aconteceu. O monstro em mim acordou para matar o ser que eu mais amo.

 



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