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História While Listening to Cassette Tape - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Tape One: Nice to Meet You, Dear Listener


"Olá ouvinte! É uma honra ter você ouvindo minha gravação." A voz masculina vinda da fita me chamou a atenção. Sua voz soava como alguém alegre e isso me atraia. 

"Meu nome é Jung Hoseok, mas sou mais conhecido como Hoseok ou simplesmente Hobi. Me chame como quiser, sinta-se à vontade para me dar vários apelidos. Eu nem sei por onde começar, sinceramente. Err... Tá, eu já sei o que falar, só espera um pouco que eu vou buscar um copo d'água." 

Após isso, é possível ouvir um barulho de uma cadeira sendo arrastada no chão. Então esperei ele retornar de onde estava indo. 

Enquanto ele não voltava, aproveitei pra ir ao banheiro para fazer o famoso número um. 

Abaixo minha calça junto com a cueca e libero tudo que tinha que liberar. Depois, ouço a voz do rapaz, ele cantarolava uma música que eu desconhecia, mas que acredito que era uma música que veio da sua cabeça. 

Imediatamente, me limpo e visto as roupas de baixo e volto pro quarto. 

"Bom, começando de novo...Aham", limpou a garganta antes de falar. "Como eu disse no início, meu nome é Hoseok. Eu nasci em Gwanju mas moro em Seul e tenho 16 anos. Você deve estar se perguntando o motivo de eu estar gravando essas fitas não é mesmo?". Ele dá uma pausa na fala.

"Sim, eu quero logo que você fale pelo amor de Deus.", Eu implorei.

"Eu até poderia te dizer agora, mas vou deixar pra você saber quando ouvir a última fita mas nem pense em desligar essa e colocar a última, se não você não vai entender absolutamente nada." 

Filho da mãe! Quem ele pensa que é pra falar o que eu devo ou não devo fazer? 

Como ele disse, é melhor não ouvir, então vou esperar até o final. 

Hoseok continuou a falar e eu prestava atentamente a cada frase que saía de sua boca. 

"Sou um cara que, segundo o que algumas  pessoas dizem, é bem animado e alegre, mas não acredito tanto nisso, já que eu passo por uns problemas. Por muito tempo eu me questionava sobre minha vida e acredito que você também. Me perguntava toda vez se, desaparecer era a melhor opção, mas depois logo percebi que não importa o que aconteça, a vida continua, como um eco na floresta, como uma flecha no céu azul. Você entende de metáforas? Se sim, muito obrigado, você é bem inteligente." 

Esse Hoseok tinha um jeito engraçado de falar, isso até me tirava um sorriso no rosto. 

O quê que eu tô dizendo? 

"Temos muito o que aproveitar pois há coisas que ainda temos que fazer aqui na Terra antes de partir, como por exemplo, surfar. Surfar? Por que eu disse isso? Eu não sei, mas tá aí uma ideia que cairia bem." 

"Comer uma tijela de cereais enquanto sua casa está um verdadeiro caos, dirigir um kart, praticar um esporte que nunca tenha praticado como tênis, viajar pra fora do país...enfim, existe mais outras coisas que dá pra fazer pra se distrair. Seria ótimo, o que você acha disso querido ouvinte?". 

Eu balanço a cabeça em concordância, mesmo que ele não tenha visto minha aprovação do outro lado. 

"Por muitos anos, frequentei a igreja Católica e a Catequese e lá, aprendi que o suicídio é um pecado, que Deus decide a hora da morte de cada um. Mas, por quê? Nós passamos por momentos tão ruins aqui na Terra, nos sentimos um inútil, um fracasso de pessoa, desejamos morrer para deixar de ser um fardo aqui neste mundo e quando tiramos nossas vidas, ainda temos que pagar pelo castigo no sofrimento eterno no Inferno? Isso não faz sentido. Contanto que as nossas decisões não cause danos a outras pessoas, o que é um pouco provável de acontecer, já que as pessoas vivem o luto de perder alguém, cada um deveria ser capaz de escolher se deseja viver ou morrer. Você não acha?" 

O que acabara de falar fazia sentido e fiquei por 5 segundos pensando no que havia dito agora pouco. 

Depois eu ouço um barulho de uma porta sendo aberta e logo, ouço um barulho de algo caindo mas não sei o que exatamente poderia ser, portanto, Hoseok finaliza a gravação dizendo apenas "Preciso terminar por aqui. Boa noite querido ouvinte. E não esqueça de ouvir as outras fitas, por favor. Tchau, tchau e se cuida." 

E a primeira gravação acaba. A gravação não tinha durado nem três minutos. Acredito que esse tal de Hoseok tenha gravado a fita pela noite, já que se despediu com um "boa noite". 

"O que diabos eu acabei de ouvir?", eu me pergunto. Foram ditas palavras que eu sinceramente me deixou com um pouco de medo. Mas deixei pra lá, apenas tirei a fita cassete do Walkman,levantei da cama, peguei a caixa e guardei a fita junto com as outras. 

Fechei o objeto de papelão e o pus debaixo da cama para facilitar quando eu a pegasse de volta. 

Peguei o telefone para verificar o horário e era 7:58 da manhã. Pensei no que Hoseok tinha dito sobre se divertir experimentando coisas novas, por isso, me aproximei do guarda roupa e peguei uma vestimenta que fosse adequada para ir a uma praça. 

Esta é a minha primeira vez depois de 3 anos que eu vou para uma praça. Não visito o local desde quando eu tinha quatorze anos quando aconteceu a morte do meu pai. 

É estranho pensar que eu moro sozinho desde quando ainda era um pré adolescente, mas ninguém nunca notou que "um garotinho que ainda estava na fase da adolescência estava vivendo independentemente dentro de casa". 

O pessoal tá tipo foda-se pra mim. Quem ia ligar pra um moleque como eu? 

Deixo isso pra lá e procuro uma roupa que eu pudesse usar confortavelmente. 

Vesti uma camisa branca junto com uma calça moletom azul escura, coloquei uma gargantilha prateada,um relógio de pulso, brincos de argola pequenos e calcei um simples chinelo preto. Adentrei no banheiro para procurar uma colônia (que não usava faz um tempinho) e passei pelo pescoço, pulsos e em outras áreas do corpo. Escovei os dentes e depois penteei o cabelo que estava embaraçado. Logo que terminei de me arrumar, me olhei no espelho e fiquei surpreso comigo mesmo. 

Fazia tempo que eu não me arrumava assim por completo. Esbocei um pequeno sorriso e pude ver meu sorriso refletido no espelho do banheiro. 

Saí de lá, passei pelo meu quarto e estava em ordem (quase tudo pois meu quarto estava uma bagunça). Desci as escadas apressado, fui até à porta e saí de casa rumo a praça que eu ia antigamente. 

Vivi uma sensação diferente nesse dia, pois eu estava mais acostumado a sair de casa apenas pra ir à escola ou ir até a quadra jogar. Sair do meu lugar de apego para fazer algo que não sou acostumado a fazer me deu uma sensação de mudança. 

"Hobi hyung, muito obrigado pelo conselho." 

Parei no meio da rua e de repente fiquei paranóico com o que eu havia acabado de soltar. "O que foi o que eu acabei de dizer?" 


"Hobi hyung? Onde que eu tô com a cabeça pra chamar ele assim?Acho que tô ficando doido. Pelo menos ele nunca vai saber que eu chamei ele assim, né?", concluí e retomei a caminhada.

Depois de quase 40 minutos caminhando, finalmente cheguei a praça. Lembranças vêm à minha mente de quando costumava visitar o lugar com meu pai. Me lembro que costumava brincar com ele de pega-pega, esconde-esconde e basquete. Foi com ele que eu aprendi o esporte. Devo um muito obrigado pelo meu pai e amigo. 

"Será que ele ficaria feliz se soubesse que vim até aqui depois de anos?", perguntei a mim mesmo sem ter uma resposta.

Continuei andando até chegar em um banco próximo e me sentei.

Observava as folhas de outono caídas no chão com tons alaranjados, vermelhos e amarelos mas havia uma cor que chamava a atenção entre as cores quentes: uma cor verde clara. Me abaixei para ver do que se tratava e era um laço de fita jogado no chão. Peguei-a e reparei que nela estava escrito "esperança". 

"Será que perderam por aqui?", me questionei, mas dei de ombros, desse modo, amarrei no meu pulso esquerdo pra carregar comigo. 

Depois de quase duas horas fazendo vários nada além de caminhar, retornei pra casa exausto e só queria saber de deitar na minha cama.

Não é como se eu fosse praticar aquilo todos os dias, mas uma hora ou outra, iria repetir o que eu tinha feito. 

Me aproximei da porta de casa e nela tinha um post-it verde grudado, escrito "Hope Is Here" (esperança está aqui). 

Gelei após ver o bilhete e não acreditei quando vi que o papel que estava escrito "esperança" em inglês, era igual ao laço de fita que estava escrita da mesma forma que achei na praça. 

Deve ser apenas coincidência, afirmei e depois percebi que minhas mãos começavam a tremer, do nada.

Arranquei o post-it da porta e logo a abri correndo escada acima rumo ao banheiro. 

Tirei toda a minha roupa e quando já estava nu, imediatamente fiquei embaixo do chuveiro e o liguei, pensando no que eu havia feito horas atrás.

Nem eu mesmo estava acreditando, honestamente, quando eu ia imaginar que sairia para um passeio depois de anos? Foi um milagre.

Depois de terminar o banho, sai do banho e procurei uma roupa folgada para dormir, por mais que ainda fossem 10:38 da manhã. Não senti vontade de comer, só queria fechar os olhos e pronto.

Me joguei preguisosamente na cama, abracei o travesseiro e fechei os olhos.

"Quem é você Hobi?" 

Essa foi a única pergunta que fiz mentalmente e após isso, adormeci.





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