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História Whispers in the dark - Capítulo 38


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Notas do Autor


Revisando o capítulo anterior, percebi o quanto ele foi fraco e peço desculpas por isso, mas prometo que este será melhor: com putaria que vocês gostam, farpas e um final bem intenso.
Espero que gostem! No início do capítulo uma parte da musica “I’m gonna show you crazy” que é, para mim, a música perfeita para a Azurah, no geral da personagem.

Capítulo 38 - Getting crazy


Estou cansada de tentar ser normal
Estou sempre pensando demais
Estou me tornando louca
Então, e dai se eu for louca pra caralho
E não preciso do seu conserto rápido
Eu não quero as suas prescrições
Você diz que eu sou louca
E dai se eu for louca pra caralho?

Sim, eu vou te mostrar

 

 

Abro meus olhos lentamente, sentindo o quanto meu corpo está pesado e minha cabeça está doendo, tendo dificuldade para me lembrar do que aconteceu e onde estou. Levanto-me vagarosamente, lembrando do jantar com os Mukamis e da minha tremenda reação alérgica por conta das conchinhas, que deveriam ser moluscos — eu deveria saber que eu não tinha qualidade para comer algo como aquilo; sinto minha pele coçar um pouco enquanto tento me ajeitar.

 

—Neko-chan! —Ele exclama, puxando-me para um abraço bem apertado.

 

Ele estava sentado ao meu lado na cama e pareceu incrivelmente aliviado ao me ver acordada. Meus olhos negros correm pelo quarto e verifico que estamos sozinhos.

—Eu estou bem, Kou-kun. —Aviso soltando-me de seus braços.

—O mordomo disse que você teve... Uma reação alérgica incomum ao vongole. —Ele teve dificuldade de lembrar. —Parece que você não pode comer nenhum tipo de fruto do mar.

—Imaginei. —Digo cabisbaixa. Merda, eu preparei tudo e eu mesma estraguei tudo.

—Hey, não fica assim. —Ele segura o meu queixo. —Tudo está bem, eu só não vou poder te levar nunca para jantar vongole bianco. —Ele tenta brincar com a situação.

—Estraguei o jantar de vocês. 

—Bem, sim. Mas também nos unimos todos envolta de você, enquanto você ficava toda vermelha e inchada e Ruki fazia uma massagem cardíaca em você. —Ele continua a sorrir. —Está inchada até agora.

—Não brinca! —Berro me levantando às pressas e correndo até o meu espelho.

Observo meu rosto atentamente e vejo que não há nada de errado com ele, há pouquíssimas manchinhas vermelha no braço, somente isso.

—Ídolo maldito! Você está tirando sarro da minha cara. —Me viro já preparada para bater nele.

—Calminha, foi só uma brincadeira. —Diz desviando do meu tapa. —Mas você realmente ficou inchada, quase achei que fosse morrer.

—Já disse que não morro tão fácil. —Me jogo na cama, cansada e emburrada. Eu com certeza devo ter ficado horrível.

—O médico deu um soro em você e tudo ficou bem. —Kou conclui a sua história.

—Obrigada Kou. —Agradeço olhando sua figura de pé ao meu lado. —Agradeça aos seus irmãos também.

—Você não deveria me agradecer. —Diz abatido. —Meu desejo egoísta quase matou você. —Ele desvia o olhar, constrangido.

Me levanto e vou até ele, dessa vez sou eu quem segura o seu rosto, forçando seus olhos claros a se encontrarem com os meus escuros.

—Não foi sua culpa, não tinha como você saber. Nem eu mesma sabia. —Esclareço a fim de acalma-lo. —Agora eu estou bem e vocês fizeram as pazes. Acho que é isso que deveria importar.

—Eu acho que deveria recompensa-la por isso. —O loiro se dirige até os meus lábios, porém eu desvio, surpreendendo-o.

—Kou, eu quero que você faça isso, não como uma maneira de me “recompensar”, mas porque você quer fazer isso. —Seus olhos de brilho distinto se arregalam com minhas palavras. —Sempre me foi dito que eu deveria recompensar as pessoas quando elas fazem algo para mim e isso é algo que também disseram para você... Mas nós somos livres, Kou-kun. Livres para nos libertarmos desse dilema, dessa obrigação, por mais difícil que seja. Você deveria fazer as coisas que tem vontade, não ficar preso ao passado, ao que ensinaram para nos controlar.

Ele me encara de uma maneira diferente, antes de avançar até mim e selar nossos lábios, em um beijo ardente e completamente luxuoso. Sua língua gelada se aquece a medida que explora a minha boca quente, enquanto eu puxo seus cabelos macios para aprofundar ainda mais esse beijo.

—Eu te desejo, Azurah. Independente de qualquer dilema desse mundo maldito. —Diz com uma certa fúria direcionada ao seu passado.

—Não fala mais nada. —Meu dedo toca seus lábios já não tão frios. —Agora vamos fazer isso que eu sei que você quer faz tempo.

Puxo-o para um novo beijo cheio de desejo, entregando-nos a este caso de amor — penso até que demorei demais para ficar com ele. Conduzo-o até a cama, ao passo que Kou puxa a alça do meu vestido branco, o mesmo do jantar, para morder a base do meu pescoço, deixando-me levar por essa dor prazeirosa.

—Você é a melhor. Acho que vou enlouquecer com o seu sabor. —Diz após deliciar-se como o meu sangue.

Não digo nada, apenas empurro-o para baixo na cama, subindo em cima dele e puxando meu vestido para cima, ficando apenas de calcinha. O loiro me ajuda a tirar a sua blusa preta de manga cumprida, para que eu possa distribuir meus beijos doloridos e mordiscar sua pele branca e macia. Kou gira nossos corpos para ficar por cima e morder no vão entre os meus seios, fazendo um grito de prazer escapar da minha garganta, o que incita-o a ir ainda mais fundo na minha carne, preenchendo-me lentamente.

Minha respiração começa a ficar pesada demais, por isso ele para de me morder e volta a atacar meus lábios, transmitindo-me o gosto amargo do sangue. Sua mão fria vem massagear o interior das minhas coxas, enquanto uma das minhas segura os seus cabelos, bagunçando-os ainda mais, e a outra invadia a sua calça. Kou não segura um alto gemido, o qual eu obrigo a calar com mais um beijo sedento. Ele não resiste aos meus toques, mas mesmo assim tira a minha mão do seu membro para retirarmos o restante de nossas roupas, desta forma ele não hesita em me penetrar, com nós gemendo ao mesmo tempo. Prendo minhas pernas no meu tronco, permitindo que ele vá mais fundo a fim de me saciar e também para girar nossos corpos, fazendo-me ficar por cima. Rebolo com ele dentro de mim sem o menor pudor e suas mãos seguram meu quadril, incitando-me a continuar com aquele movimento, até que fiquemos completamente saciados.

Saio de cima dele, deitando na cama ao seu lado, com ambos ofegantes. Sinto-me fraca, não tinha tanto sangue assim para dar-lhe e ainda mais para transar com ele, porém eu não resisti.

—Uau, agora entendo porque os Sakamaki se matam por você. —Não posso deixar de rir com seu comentário.

Viro-me para encara-lo e ele apenas vira seu rosto, com seus olhos claros e os meus escuros encarando-se, a medida que o ídolo começa a fechá-los, entregando-se ao cansaço.

—Passei a noite toda cuidando de você, com medo de você piorar. —Explica-se com os olhos já fechados.

—Pode dormir, gatinho. —Digo dando um selinho em seus lábios. —Lá fora está apenas amanhecendo... —Olho para a janela e vejo que o dia está apenas começando.

Imagino uma paisagem muito bonita, um campo aberto e florido... O sonho com as mães Sakamakis. O que elas querem de mim? Elas me alertaram, contudo não explicaram muito bem com o que ou com quem eu deveria tomar cuidado. Ser direto e objetivo nessa família é algo muito difícil.

Retorno meu olhar para o ídolo e vejo que ele já pegou no sono. Levanto-me, visto uma nova roupa qualquer, ajeito minha aparência, faço tudo até que escuto meu estômago roncar, percebendo o quanto estou faminta. Deixo o quarto e sigo até a cozinha, mas ao colocar os pés na sala de estar encontro alguns dos sanguessugas.

—Mi lady, que bom que você está bem. —Diz Laito parecendo incrivelmente aliviado.

—Você realmente tem a tendência de quase morrer toda semana, né coxas grossas? —Provoca Ayato ao lado do seu irmão de chapéu.

—Fazer o quê, as coisas perigosas são atraídas para mim. —Dou de ombros sentando no sofá.

—Senhorita, há algo que deseja? —Yuuki surge parecendo alegre em me ver.

—Yuuki, eu estou morta de fome. —Digo sorridente, por isso que sexo é a melhor coisa para curar os meus males.

—Vou preparar algo que a senhorita possa comer. —Ele faz uma breve reverência e se retira.

Corro rapidamente meus olhos pela sala. Laito e Ayato estão juntos conversando, Subaru está sentado de frente para janela, encarando o lado de fora, com as cores do amanhecer pintando o céu, e os Mukamis estão sentados à minha frente. 

—Azurah-san… estamos feliz, que nada, tenha acontecido… de pior. —Diz Azusa com seus olhos opacos transmitindo sempre um sentimento bom para mim.

—Você realmente sabe como dar um susto na gente. —Satiriza Yuma ao lado do esverdeado.

—Não é culpa minha! Eu nunca tinha comido mariscos antes para saber que eu tenho uma alergia mortal a eles. —Comento acompanhando o tom divertido do grandão.

—Onde está o Kou? —Pergunta Ruki com aquele seu semblante imutável.

—No quarto. —Respondo brevemente.

—Ele passou, o tempo todo… com você. —Diz Azusa, com aquele seu tom sempre pausadamente. —Estava, preocupado... Se culpando, pelo o que, aconteceu.

—Não é culpa de ninguém. —Esclareço ao mais novo. —Não havia porque dele se culpar.

—Acho que essa situação já foi completamente resolvida. —Diz Ruki querendo finalizar de vez aquela conversa. —Yuma, vá chamar o Kou. Temos uma reunião agora.

—Acho que isso não é uma boa ideia. —Falo assim que o castanho se levanta.

—Posso saber por quê? —Questiona o mais velho, encarando-me de maneira desconfiada. —Eu adiei nossa conversa para que ele ficasse com você, agora Kou irá assumir sua responsabilidade.

—Eu só estou dizendo que não é uma boa ideia. —Digo em minha defesa.

—Você não tem que achar nada, Kachiku. —Rebate com seus olhos azuis acinzentados transmitindo seu ódio crescente por mim.

Encaro-o com a mesma intensidade. Eles estava mais agradável no jantar.

—Vocês vão continuar discutindo mesmo? —Indaga Yuma olhando para nós dois.

—Só vamos até Kou para resolver isso logo. —Ruki bufa, ficando de pé. —Você disse que ele estava no quarto dele...

—Eu disse que ele estava no quarto, não disse que era o quarto dele. —Aviso abrindo um sorriso maroto.

Demorou um tempo até eles entenderem do que eu estava falando, os dois me encaram de uma maneira sinistra, enquanto eu não consigo segurar uma pequena gargalhada. Eu achei que eles fossem mais levadinhos, mas vejo que me enganei.

—Como é? —Indaga Ruki, controlando sua irritação.

—Kou está muito cansado, acho que vocês deveriam deixá-lo descansar um pouco. —Aconselho segurando a risada.

—Mi lady, você não fez o que eu penso que você fez. —Laito diz aquilo visivelmente irritado, intrometendo-se na nossa conversa.

—Aconteceu. —Dou de ombros. —Penso até que demorou demais. Com você, Laito-kun, precisei apenas de três semanas. —Respondo, encarando o rosto frustrado do vampiro de chapéu.

Sinto meu braço ser puxado para cima com uma força brutal, o que me faz reclamar, porém não tenho força para soltar do aperto forte do Mukami mais velho.

—Eu lhe avisei para ficar longe dos meus irmãos. —Ele está furioso.

—Eu disse que você não ia me dizer o que fazer. —Respondo determinada. —Além do mais, eu não fiz nada que ele não quisesse.

—Ruki, deixa isso pra lá. —Pede Yuma vendo a maneira como ele está me encarando e me segurando.

—Ruki-kun, não precisa se preocupar. —Digo provocativa. —Porque eu vou fazer questão de ter você na minha coleção. —Falo bem baixinho, como um sussurro.

Ele me empurra no sofá, fazendo-me rir. Com Reiji não tive chance, por isso não vou deixar esse escapar.

—Hey! O que está acontecendo? 

Kou vem descendo as escadas e está com seus olhos brilhantes vidrados em mim e no seu irmão mais velho, parecendo desconfiado. Ele passa a mão em seus fios loiros e ajeita suas vestimentas, parecendo confuso sobre o que está acontecendo.

—Eu que deveria te perguntar isso, Kou. —Diz o de cabelos negros bem furioso.

O ídolo olha para Ruki, depois olha para mim, depois para o irmão de novo, até sacar o que está acontecendo, o que o faz rir também.

—É sobre isso...? Aconteceu. —Ele responde o mesmo que eu.

—Se você fosse mais responsável... —O loiro já o interrompe.

—Deixa disso, Ruki. —Kou não dá muita bola para ele. —Você não disse que tinha algo de importante para falar para nós.

Agora são os olhos azuis acinzentados que transitam entre o segundo irmão e eu, segurando firmemente para não dizer mais nada e não piorar a situação.

—Vamos conversar em outro lugar. —Ele toma a dianteira e deixa a sala de estar rapidamente.

Seus irmãos o acompanham, com Azusa lançando um último olhar para mim, sorrindo, e Kou dá uma rápida piscadela.

 

Levanto e vou até a cozinha, onde Yuuki prepara uma omelete para mim, o cheiro na cozinha está maravilhoso.

—Sente-se melhor? —Perguntou servindo-me.

—Com essa comida, não tenho como não ficar. —Digo já colocando um pedação na boca, o que faz o mordomo rir.

—Refiro-me a sua anafilaxia. —Encaro-o confusa. —A sua reação alérgica.

—Bem, acho que estou. Nada de ruim parece ter acontecido. —Dou de ombros.

—Fico feliz em ouvir isso. —Ele sorri sinceramente e eu o acompanho.

Rapidamente uma sensação estranha preenche o meu peito e sinto que estou sendo observada, viro meu rosto bruscamente para trás, em direção a porta, mas não vejo ninguém.

—Há algo lhe incomodando, senhorita? —Questiona Yuuki percebendo a minha expressão de desconfiança.

—Nada. —Respondo voltando a focar no meu prato.

Acabo ficando ali já para o almoço, com o mordomo tentando inutilmente me ensinar a cozinhar, eu até tento, contudo fracasso terrivelmente, provando que eu não nasci para cozinhar, somente se quisesse destruir a cozinha. Foi agradável a companhia de Yuuki, afastando de mim a imagem daquelas três mulheres e isso de “destino”. Ele deixa a cozinha e eu fico lavando a louça, sinto que tenho que fazer algo de útil, no entanto essa estranha sensação de estar sendo observada volta a mim, só que não há ninguém aqui.

Terminando a louça, respiro fundo e tento controlar essa sensação de perigo, porém eu estava certa e alguém puxa meu braço com extrema violência, o que me faz gemer de dor e me obriga a olhar para o agressor.

—Se divertiu bastante com o Kou?

 

—Subaru-kun, me solta. Está me machucando. —Peço tentando inutilmente me livrar das suas garras.

 

—Por que você ficou com ele, hã? —Indaga furioso, com um olhar sanguinário.

—No que isso te interessa? —Encaro ferozmente os seus olhos vermelho-sangue. —Não tenho culpa se vocês dois se odeiam.

—Eu te proíbo de ficar com ele. —Diz autoritariamente, obrigando-me a rir de maneira provocativa.

—Como é que é? Quem você pensa que é para me proibir de algo?

O albino não hesita em me tacar contra a parede e pressionar o meu corpo para que eu não fuja dele, contudo não planejo fazer isso, não planejo ficar com medo de nenhum sanguessuga.

—Eu disse para você parar com seus joguinhos manipuladores.

—Espera! Você acha que eu fiquei com o Kou por sua causa? —Sou obrigada a rir novamente. —Por favor Subaru-kun, não seja egocêntrico. Eu fiquei com o ídolo porque eu quis, simples assim. Da mesma maneira que quis ficar com você ou com outro dos seus irmãos.

Isso parece irritá-lo e muito, o albino não sabe realmente lidar comigo ou com seus sentimentos, por mais que eu o ache irresistível, jamais deixarei ser controlada. Seu rosto se aproxima do meu, fazendo minha respiração acelerar assim como o meu batimento cardíaco.

—Você quer me enlouquecer... —Diz com uma proximidade perigosa.

—Você que me deixa louca. —Não entendo como as coisas com Subaru sempre fluem fora do meu controle.

Nenhum de nós hesita quando a distância é encerrada por um beijo totalmente incontrolável, fazendo-me perceber que eu não parei de desejá-lo desde a nossa noite juntos. Eu vou enlouquecer com esses sanguessugas! Não me importo com isso quando puxo-o ainda mais para mim, beijando com ainda mais luxúria, não diminuindo o ritmo ao agarrar a minha cintura para elevar-me. Quase não segurei um grito ao sentir suas presas em meu pescoço, levando-me a esse mundo pecaminoso.

Ele morde uma, duas, três vezes... Procurando deixar sua marca na minha pele, o que me surpreende, visto que as de Kou deveriam estar lá ainda, mas se estão, Subaru não liga ou isso apenas incita-o a me morder ainda mais, enquanto deixo me levar, ficando ainda mais saciada. O albino me solta um pouco, totalmente ofegante ao me morder como um louco, ao passo que eu sinto levemente a dor de suas mordidas; seus lábios vermelhos, manchados com o meu sangue, apenas despertam o meu pior lado, o qual puxa-o novamente para um novo beijo arrebatador. Eu quero senti-lo, junto com todos os outros, não importa se vai ser doce ou amargo.

 

—Subaru!

A voz desse maldito faz com que nos separássemos na hora.

—Então é aí que você estava... Se alimentando da coxas grossas.

Não dá nem para disfarçar, eu estou sangrando, nossas roupas estão todas desarrumadas e estamos descabelados. Que merda! Sempre tem alguém para atrapalhar. Também, ninguém manda querer ficar com o garoto na cozinha numa casa onde moram outros nove seres.

—O que quer, Ayato? —Indaga Subaru furioso, mas levemente constrangido por ter sido pego no ato comigo.

—Hoje você está, né coxas grossas? —Direciona para mim aqueles seus brilhantes olhos verdes. —Primeiro o ídolo, agora Subaru... Não tem espaço para ore-sama, não?

—Se você está querendo insinuar que eu sou fácil, deveria olhar para alguma garota que quis ficar com o seu pinto pequeno. —Seu rosto ficou do tom de seus cabelos.

—Tá nervosa porque eu estraguei o seu esquema, hum? —Questiona querendo me provocar, todo revoltadinho.

—Chega!

Subaru soca a parede, rachando-a, o que levemente me assusta.

—Por que está aqui, Ayato? —Questiona ao mais velho tentando controlar seus nervos.

—Reiji queria falar com você. —Diz ainda me secando. —Mas ele não te achou porque você estava completamente ocupado com essa vadia aí.

“Vadia é a sua mãe, seu desgraçado.” Cerro meus punhos, controlando para não virar o soco nesse sanguessuga.

—Não enche, Ayato! —Exclama Subaru furioso. Ele se ajeita e começa a deixar a cozinha.

—Então, coxas grossas... Deixa o pirralho para trás e eu te mostrarei o poder de ore-sama. —Ele tenta caminhar até mim de maneira a me seduzir.

Não hesito em meter uma joelhada no meio das suas pernas, o que o faz gemer de dor da hora.

—Pirralho é você, seu estúpido! —Digo irritada. —Você que não sabe o meu poder para acabar com a sua raça.

Empurro-o e passo na frente de Subaru, partindo até meu quarto. Nossos olhos, preto e vermelho, trocam um olhar significativo, antes de cada um seguir o seu caminho.

 

Assim que chego ao meu quarto, sinto meu celular vibrar na minha calça, imagino que seja Lia. Eu já a avisei que quem encontrei naquele dia era Kou e que nós apenas conversamos, disse que ele não sabia nada sobre o fato dela ser a caçadora que eles estão procurando. No entanto, ao abrir a mensagem, fico chocada com o que leio.

 

“Como vai, garota misteriosa?”

“Gostou do presente que eu lhe deixei?”

Ele está escrevendo agora.

“Acho que não, porque senão você não daria ele a caçadora.”

“Quem é você?”

“Você não se lembra de mim, garota misteriosa? 

Sou seu aliado. L.M.”

Não. Quem é realmente você?”

“Essa é uma pergunta muito difícil.

Creio que não está preparada ainda.”

Merda, ele não vai colaborar comigo.

“Vamos fazer o seguinte.”

“Recupere o colar com a caçadora, ele é seu, não deveria tê-lo entregue.”

“Por que ele se parece com a minha medalhinha?”

“Isso é algo que você terá que descobrir, Azurah.”

“Mas não se preocupe, você não está distante de uma respostas.”

“Apenas fique atenta aos seus passos a partir de agora, 

pois alguém pode descobrir sobre você.”

“Quem?”

“Eu diria para você tomar cuidado com o mais velho dos Mukamis

e os dois filhos de Beatrix.”

“Eles podem ser uma ameaça à você, mesmo que eu ache que 

você domina bem a situação.”

“Como você sabe disso tudo?”

“Apenas sei, minha cara.”

“Fique esperta, mas não se preocupe, pois você me tem como aliado.”

“Como conseguiu o meu número?”

“Não importa. O importante é você recuperar o colar.”

“Conversaremos agora a partir de mensagens, 

sem mais a caçadora como nossa intermediária.”

“Posso contar com seu silêncio, Azurah?”

 

Penso um pouco antes de confirmar que “Sim”, porém não obtive mais resposta dessa pessoa misteriosa. Isso está ficando cada vez mais estranho. Será que é sobre ele que as mães Sakamakis queriam me alertar? Bem, eu não posso viver somente com base nelas, porque elas de verdade só se importam com os filhos, eu que me lasque. Essa pessoa já tinha me dito sobre os Sakamakis, mas como sabe também sobre os Mukamis? Ou sobre eu ter dado o colar a Lia? Ele quer a tirar de jogo, trocando mensagens somente comigo. Talvez seja melhor assim, por causa de nossa busca naquela noite, ela quase foi pega por Kou. Eles têm razão, isso é algo meu, tenho que resolver sozinha, sem envolver mais ninguém. Vou seguir o conselho dessa pessoa e ficar de olho nos três sanguessugas mais velhos, Reiji é até mais fácil de contornar, contudo terei que me preparar contra Shu e Ruki.

Ligo para a caçadora e ela demora, mas acaba me atendendo.

“Aconteceu algumas coisa?” — Pergunta ela do outro lado da linha preocupada.

—Você ainda está com aquele colar que achamos? —Pergunto sentando na penteadeira.

Nossa, essas marcas estão horríveis!

“Sim. Por que quer saber?”

—Preciso dele. —Sou direta. —Acho que prefiro guarda-lo comigo, caso eu me lembro de algo relacionada isso.

“Tudo bem.” Ela não parece convencida, mas não parece querer discutir sobre isso. “Mas não poderei entregá-lo amanhã. Tenho reunião com a Igreja.”

—Não tem problema. —Finjo que isto não me irritou. Contudo não há muito que eu possa fazer, a não ser esperar pacientemente.

 

—//—

 

Ouço o estalo do chicote. “Por que?” me pergunto. Isso me assusta. O som está distante, como se estivesse em outro cômodo, contudo, mesmo assim, parece uma dor, parece que sou eu quem está sendo atingida, por isso levo minhas mãos às costas, percebendo que as cicatrizes continuam lá, intactas. Alguém está apanhando, mas quem? Eu quero saber, acho que por simpatia ou coisa parecida, ou mesmo por curiosidade. 

Tudo está escuro, é difícil saber o que vai a frente, apenas o estalo do chicote é o que ouço. De repente, uma porta aparece e o estalo fica mais alto, informando que vem detrás desta porta, por isso acabo hesitando por um momento, com o coração batendo acelerado. Eu quero mesmo saber o que há por trás dessa porta? Pode ser a memória de um dos sanguessugas, como também uma minha... Este tipo de desconfiança acaba comigo.

Respiro fundo, encho-me de coragem e abro-a lentamente. Estou em uma sala, de uma casa provavelmente muito grande e chique, com a lareira acesa. Então eu vejo uma garota, com roupas de empregada doméstica, que parecia estar sendo açoitada, o que me faz levar a mão à boca para abafar o grito de desespero. Ela era bem diferente de mim, loira de olhos claros piedosos, mas o garoto ao seu lado, o qual segurava o chicote, com uns doze anos, parecia muito claro e evidente de quem se tratava.

 

—Ruki-sama! —Implora a jovem. —Me perdoe.

 

Um ódio ardente percorre as minhas veias.

—Você é repugnante. Todos vocês dessa mansão são. —Ele diz aquilo cheio de arrogância, de uma forma até pior do que ele é hoje. —Vocês só estão aqui e vivem porque é do nosso desejo, vocês comem e tem um lugar para ficar porque nós damos a vocês. O verdadeiro comportamento de um gado.

Bem, isso é claramente algo que ele diria hoje. Mesmo assim é terrível, como alguém pode pensar assim, tão egoisticamente.

—Ruki-sama, isso não acontecerá novamente. E-eu prometo. —Ela nem sequer consegue o encarar, está tremendo de medo e também de dor.

Eu sei o que ela está sentido, porque eu já estive nessa posição, mas, muitas vezes, eu era ousada demais e olhava nos olhos do meu agressor, o que só piorava a minha situação, porém é algo que não consigo evitar, sinto essa necessidade de olhar nos olhos das pessoas — eles são a porta para todos os segredos mais sombrios que escondemos.

—Não quero ouvir suas desculpas inúteis! —Exclama deferindo outra chicotada na garota.

Eu estou assustada, porque estou convivendo com essa espécie de monstro e sem nem saber.

Quando ele tenta atacar novamente a garota, eu tento impedi-lo, fazendo com que a ponta do chicote entre em contato com a palma da minha mão, abrindo as profundas cicatrizes que há nela. Eu berro de dor, enquanto a cor escarlate mancha a minha mão branca e áspera. Os olhos azuis acinzentados do garoto me encaram cheios de ódio e rancor, com a verdadeira expressão de um monstro.

—Por que está aqui? —Pergunta ele bem nervoso. —Eu não preciso de você, saia da minha cabeça.

Sua voz me fazia confundir se era o garotinho quem o dizia ou o próprio Ruki Mukami. Isso me assusta, porque estou sentindo os seus sentimentos e eles não são deste garotinho nobre e arrogante, são sentimentos de luto, abandono, revolta e submissão. Não entendo, meu peito queima e o som dos corvos está por todo o lado, fazendo-me levar as mãos aos ouvidos para abafar esse canto insuportável.

De repente, não há mais nenhum garotinho na minha frente com um chicote e também não estou mais naquela sala, estou em um jardim, onde o mato está alto e tudo parece morto e pobre. Em uma árvore, sobre os galhos secos e retorcidos, há diversos corvos entorno do que parece ser um corpo pendurado sob a forca. Que tipo de visão é essa? Por que tudo está tão confuso?

Sinto uma presença atrás de mim e viro para encarar o mesmo pequeno Ruki, todo ensanguentado e esfarrapado, como se tivesse apanhado muito. Seus olhos estão vazios, sem uma única luz de esperança enquanto ele olha para aquele corpo inerte. Eu vejo a semelhança, aquele homem é seu pai e ele havia se matado. 

Antes que eu pudesse voltar meu olhar negro para o garotinho, eu escuto os tiros. Meu ventre queima e eu sinto que uma dessas balas acertou no mesmo lugar do passado, o que me faz quase desfalecer ali mesmo, em um outro cenário com um belíssimo céu azul. Há mais tiros e crianças correndo, mas tudo fica distante enquanto eu apenas pressiono o ferimento para estancar o sangue, o qual não dói tanto quanto doeu no passado, pois são apenas memórias. 

 

Eu vou apagando aos poucos e acordo lentamente, toda dolorida na cama cor de rosa da mansão. Que sonho mais maluco foi esse? Encaro a minha mão que arde e vejo que está sangrando, exatamente no local onde o pequeno Ruki havia acertado o chicote, contudo o meu ventre não doía, apenas a ferida na mão permanecia. 

Eles definitivamente vão me enlouquecer!


Notas Finais


A visão de Azurah sobre o Ruki foi baseado nos flashbacks do Mukami no jogo More,Blood (diferente dos outros, esse eu adaptei um pouco mais ao meu modo).
No próximo, Azurah terá que lidar com mais de um vampiro descontrolado ao mesmo tempo... Será que ela consegue?
Comentem o que acharam e eu volto em breve com mais um capítulo. Bjus vampirinhos loucos😘🖤


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