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História Whispers in the dark - Capítulo 49


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Notas do Autor


Com vão? Ainda vivos?
Feliz aniversário para os maiores demônios desse jogos: nossos amados trigêmeos! Laito, Kanato e Ayato parabéns! Por mais que eu não seja fã de vocês, está aqui minha saudação.
Hoje um capítulo grande e com fortes emoções❤️ De verdade espero que gostem porque gostei bastante dessa capítulo e quero saber como será a recepção dele. A música do capítulo é de uma das minhas bandas favoritas Skillet, que tem o mesmo nome: “Monster”.
Espero que gostem!

Capítulo 49 - Monster


Fanfic / Fanfiction Whispers in the dark - Capítulo 49 - Monster

O meu lado secreto
Eu nunca deixarei você ver
Eu o mantenho preso, mas não consigo controlá-lo
Então fique longe de mim
A fera é horrenda
Eu sinto a raiva e eu não consigo aguentar isso

 

 

Desperto em um salto, verificando que estou na minha cama. Como vim parar aqui? Pelo o que me lembro, desmaiei no corredor dos quadros, após conversar com Beatrix. Tudo o que ela falou era sério? Bem, ela não me disse muito sobre aquela mulher que parece ser minha mãe, quem ela realmente era e como isso explica a minha conexão com os vampiros desta mansão. Esse mistério ainda é muito complexo, porém Beatrix afirmou que não estou longe da verdade — espero que ela tenha expressado a realidade.

Olho em volta e vejo que estou sozinha. Preferível seria que nenhum sanguessuga tivesse me visto e espero não ter sido carregada até aqui por ninguém — talvez eu tenha voltado para cá inconscientemente. Tomei um banho, vesti uma calça jeans agarrada e uma blusa regata qualquer, decidindo descer para comer algo, visto que já é quase hora do almoço, e acabo encontrando os irmãos Mukami reunidos.

—Bom dia, Neko-Chan! —Kou é o primeiro a notar a minha presença e o primeiro a me saudar.

—Bom dia, Kou-kun. —Respondo lidando com os diferentes olhares dos quatro.

—Dormiu bem… Azurah-san? —Pergunta Azusa.

Será que ele sabe? Pelo seu semblante e o sorriso sincero posso dizer que ele não sabe de nada. Respondo positivo ao esverdeado.

—Soube que tem problemas para dormir. —Comenta Kou brincando com sua pulseira.

—Sim, eu sofro com insônia. Mas não foi o caso hoje. —Falo aquilo na maior naturalidade, como se fosse realmente só “insônia” que eu sofro.

—Ruki também não dorme bem. —Diz Yuma recebendo um olhar furioso do mais velho.

—Você também tem insônia, Ruki-kun? —Questiono curiosa.

—Só não tenho sono. —Responde dando de ombros. Resposta típica de quem sofre insônia.

—Por falar nisso, você não teve mais pesadelos, hein Kou-kun? —Pergunto com um certo tom de preocupação.

—Ela sabe? —Indaga Ruki surpreso ao loiro.

—Não, foram só algumas noites, mas já passou. —Ele ignora o irmão e fala comigo com um sorriso que me tranquiliza.

—Bem, acho que isso é tudo. —Digo já seguindo o meu caminho até a cozinha.

—Por que não vem conosco, Kachiku? —Arregalo meus olhos, voltando-me para ele.

Essa proposta surpreendeu tanto a mim quanto seus irmãos.

—Você tem, certeza... Ruki-kun? —Questiona Azusa desconcertado.

—Vocês iriam convida-la de qualquer forma. —Diz inexpressivo, dando de ombros.

É impressão minha ou Ruki está mais... leve? Percebi isso desde nosso encontro na cozinha. Esse sanguessuga é enigmático, não consigo prevê-lo.

—Eba! —Comemora o ídolo. —Estamos indo fazer compras, Neko-Chan... Quer ir com a gente?

—Não tenho nada melhor para fazer. —Respondo indiferente, se bem que seria bom dar uma espairecida após o que descobri. —Para onde vocês vão?

—Ao mercado. —Quem me responde é Yuma. —Kou quer as coisas dele para o vongole e eu vou comprar mais fertilizantes.

—Vocês sempre fazem compras juntos? —Pergunto interessada.

—Geralmente, mas você deve imaginar que não é fácil sair com o Kou. —Ironiza o grandão.

—Ah Yuma-kun! Não tenho culpa que as garotas me adoram. —Reclama revoltado.

—Não falo por isso, seu idiota! —Rebate. —Você não pode ver uma vitrine que já quer entrar e comprar a loja. 

—Como é que é? Eu não... —Eles começam a discutir, porém parece alegre, o que me faz rir.

—Eles sempre discutem por coisas assim? —Questiono ao esverdeado.

—Sim. —Ele balança a cabeça em afirmativo. —Eles são, sempre assim… Enérgicos.

—Mattaku! —Exclama Ruki, passando a mão em seus cabelos. —Se vocês não pararem, não sairemos daqui nunca.

Os dois param na hora, fazendo caras emburradas, fazendo-me segurar novamente uma risada. O clima com eles é tão mais leve, mesmo com a presença de Ruki.

—A limusine está nos esperando. —Comenta o mais velho, pondo-se a caminhar até a saída.

—Vem, Neko-chan. —Kou me chama, agarrando a minha mão. —Vamos passear na minha loja favorita.

—Ah, mas não vai mesmo! —Exclama Yuma revoltado. —A gente não vai fazer as suas coisas, Kou.

—Né Ruki, podemos passar no shopping? —Indaga o loiro em seu tom manhoso.

—Não. —Responde seco, sem nem mesmo olhar para o ídolo.

—Ruki-kun é tão cruel... —Comenta fazendo biquinho. —Se a Neko-chan pedisse, você deixava.

Seus olhos frios voltam-se para aqueles brilhantes olhos claros, encarando-o com rancor.

—Vamos apenas ao mercado, Kou. —Sua fala é autoritária. —Isso já foi decidido.

—Azurah-san… você está, com fome? —Pergunta Azusa olhando-me com aqueles olhos opacos, mas imersos em gentileza.

—Bem, eu estava indo para a cozinha para comer... Já que eu acordo com fome. —Digo com leveza a ele. —Mas eu não sinto muita necessidade de...

—Paramos em algum lugar, se quiser. —Diz Ruki caminhando a nossa frente, abrindo as pesadas portas da entrada da mansão.

Uma limusine estava realmente nos esperando. Olho para céu, o qual está nublado, no entanto a chuva parece estar longe.

—Realmente não precisa. —Já estou acostumada a passar fome. —Sem falar que eu não estou com tanta...

—Nem pensar! —Exclama Yuma me interrompendo. —Se você desmaiar, eu não vou te carregar de novo.

—Isso já foi decidido, Neko-Chan. —Diz Kou firmemente. —Vamos almoçar juntos em algum lugar.

É inútil discutir, por isso acabo cedendo. Dentro da limusine, as conversas continuam animadas, por mais que Ruki ainda continue na dele, como se estivesse na defensiva, provavelmente desconfiado de mim, contudo não sei o que ele pode estar pensando. Lembro que temos uma “dívida”, ele ainda pode pedir o meu sangue e eu não quebro a palavra, pelo visto ele também não, só me restando o poder da dúvida sobre o que ele planeja com isto.

No mercado, cada um tem sua tarefa a fazer para acelerar nas compras e eu acabo ficando com Azusa, já os outros três ficam separados — eu sabia que eles não iriam me deixar por conta própria, no entanto estou feliz de passar um tempo com o esverdeado. Eu empurro o carrinho de compras enquanto o vampiro está com a lista de compras.

—Por que vocês vão comprar tanta coisa? —Pergunto observando a lista nas mãos do mais novo.

—Ruki… não quer, usar a comida… dos Sakamakis. —Responde apanhando alguns pacotes de macarrão.

—As coisas entre vocês estão tensas, não? —Refiro-me a rivalidade entre as famílias.

—Sempre… foram. —Aquilo não parece agradá-lo muito. —Ruki… só não quer, depender… deles.

—Ruki-kun parece diferente... —Comento, esperando que o esverdeado consiga cuspir algo que explique a mudança nas reações do Mukami mais velho.

—Diferente… como? —Indaga encarando-me confuso.

—Sei lá, ele não parece mais tão... rude. —Tenho que tomar cuidado com as palavras para não chatear Azusa.

—Hum... —O esverdeado fica pensativo. —Não sei... Ruki, parece distante… depois que, o familiar... apareceu.

Sim, o famoso familiar de Karlheinz que me presenteou com o bracelete. Lembro-me que assim que deixei a sala de estar, o familiar voltou-se para o Mukami. Contudo, a “mudança”, que eu digo, aconteceu antes.

—Não sei, só acho que sua relação comigo mudou. —Confesso empurrando o carrinho.

—Talvez, Ruki goste... de você. —Acabo rindo de suas palavras. —Ops! Não disse, nesse... sentido.

—Tudo bem, Azusa-kun. —Peço ainda rindo um pouco. —Só que não acho que Ruki-kun me veja da mesma maneira que você, ou Yuma ou Kou me veem.

—Ruki, só é... desconfiado. —Tenta defendê-lo.

—E por que ele seria? —Questiono chegando ao meu ponto.

—Ruki, não confia, nas pessoas... Principalmente, em... humanos. —Encara-me com um pesar.

—Mas ele já foi um humano, não? —Indago um pouco confusa. —Digo, vocês Mukamis já foram.

—É... complicado. —Desvia o olhar constrangido.

Será que tem haver com o que vejo dele nas minhas visões? Eu não vi o final da sua história como humano, nem porque nenhum deles aceitou tornar-se um sugador de sangue — isso para mim é inimaginável. No entanto, pelo o que vi, os humanos que não deveriam confiar nele: ele batia nos empregados, era autoritário, mimado, desrespeitador... Mas tem o seu pai enforcado, será por isso que ele não confia nos humanos?

—Yuma-kun me disse que ele era nobre... —O esverdeado confirma. —Diferente de vocês três. Então, como vocês se encontraram? Os pais de Ruki-kun o abandonaram?

Antes que Azusa pudesse me responder, abrindo a sua boca lentamente, sinto uma mão fria repousar sobre os meus ombros, o que me faz estremecer.

—Azusa, preciso que você vá ao açougue. —Pede o irmão mais velho.

Um pouco chocado com o aparecimento repentino daqueles olhos azuis acinzentados, o menor assente e parte em direção ao açougue que não estava tão longe de onde estávamos. Assim que ele desaparece da vista, virando o corredor, sinto o sanguessuga puxar meu braço com extrema violência. Merda, ele ouviu!

—Por que está tão interessada em mim, Kachiku? —Questiona forçando-me a olhar àqueles olhos nebulosos.

—Que falta de educação ouvir a conversa dos outros, Ruki-kun. —Digo provocativa, recebendo, em resposta, um aperto ainda mais forte em meu braço. —Ai! Está me machucando. —Tento empurra-lo, mas não tenho forças contra ele.

—Eu estou tentando ser legal com você... —Justifica enfurecidamente. —Então não teste a minha paciência.

—Por que isso agora? —Indago curiosa. —Seus irmãos convenceram você ou é por outra coisa?

Encaro firmemente seus olhos, no entanto ele é, sem dúvidas, muito fechado, porque não consigo ver absolutamente nada, se está mentindo ou falando a verdade... É tudo muito nublado.

—Não somos inimigos. —Ele diz, porém não estou tão certa disto. —Não precisamos nos atacar sempre, prefiro que meus irmãos não achem que eu te odeio, quando apenas te desprezo.

—Me despreza? —Dou uma risada provocativa. —Reiji-san me despreza, você... —Droga, é difícil dominar quando o vejo tão impassível. —Não sei. O que tanto esconde?

Ele me puxa contra ele, envolvendo-me em seus braços, sem que eu consiga me livrar dele. Vejo uma mulher com duas crianças passando pelo corredor. Então foi isso, ele queria disfarçar que estava me ameaçando em um lugar público.

—É melhor ficar quietinha, se não quiser que as coisas piorem para você, Kachiku. —Ameaça-me em um tom sério.

—Se você tentar alguma coisa... Eu grito. —Não me deixo amedrontar. —Vou gritar tão alto que você está abusando de mim que a polícia vai te levar para a cadeia.

Ele me puxa ainda mais para ele, afundando a minha cabeça em seu peito, apertando-me com mais força, o que é sufocante. Posso sentir o cheiro que emana dele, parece eucalipto — doce e amargo ao mesmo tempo.

—Por que não tenta, Kachiku? —Merda, não posso ver seu rosto, porém, somente pelo seu tom, sei o quão sério ele está falando.

—Me solta. —Peço, empurrando-o.

Ruki me libera, deixando-me respirar livremente, enquanto o meu rosto queima em ódio. Posso ver a fúria também naquele tom metálico.

—Não faça mais perguntas indiscretas, Kachiku. —Ordena, segurando o meu queixo. —Pode se arrepender da resposta.

Ele agarra meu braço novamente, desta vez sem muita força, para caminharmos juntos. Eu consigo puxa-lo de volta, dizendo que posso andar sozinha, entretanto ele não saiu do meu lado enquanto terminávamos as compras.

O Mukami ficou assim porque perguntei sobre o seu passado? Bem, de uma forma ou de outra, eu vou acabar descobrindo mesmo, só queria poupar a dor das visões, todavia não há outro modo.

Nos reencontramos no caixa e Azusa puxou Ruki até um canto, pedido desculpas pelo ocorrido, porém, tratando-se do seu irmão mais novo, ele disse que não era nada, só que deixou claro que não queria voltar a tratar sobre aquilo. Também voltei-me ao esverdeado, para dizer que fui indelicada com minhas dúvidas, contudo, diferente do mais velho, ele foi gentil e concordou que Ruki é alguém complexo e difícil.

Kou convenceu o mais velho a comermos fast food e escolheu uma lanchonete para comermos, onde cada um pediu um lanche, no entanto o clima voltou a ficar tenso, porque eu e Ruki não olhávamos um na cara do outro.

—Você, vai comer... tudo, isso? —Pergunta Azusa olhando para o meu lanche que era do mesmo tamanho que do Yuma.

—Eu estou morta de fome. —Respondo dando uma mordida no meu hambúrguer. 

—Gosto que você não tem frescura para comer. —Comenta Yuma piscando para mim e devorando o seu.

—Eles têm um molho de camarão tão bom. —Diz Kou extasiado e falando de boca cheia. —Eu te daria um pedaço, Neko-Chan... Mas você não pode.

Confirmo, lembrando o terror que foi aquela reação alérgica aos mariscos, o que quer dizer que não posso comer nenhum fruto-do-mar.

—Eles também, tem um, molho de pimenta... muito bom. —Azusa adora pimenta, ele colocou tanto em seu lanche que acho que teria indigestão só de provar.

—Azusa sempre tão Azusa. —Diz o ídolo divertindo-se.

—Oi, Ruki... Você está bem? —Pergunta Yuma ao irmão mais velho.

Nos voltamos ao Mukami de cabelos negros, o qual parece tão pálido, o que é demasiado estranho, visto que ele é um vampiro.

—Não me sinto muito bem. —Ele se levanta. —Vou ao banheiro e já volto. —Deu as costas para nós e saiu tranquilamente.

—Por que Ruki está nervoso? —Indaga Kou após terminar de engolir o seu pedaço.

—Não sei, foi tão de repente. —Responde Yuma confuso.

—Isso sempre acontece? —Questiono tão confusa quanto eles. Isso foi inesperado.

—Só quando ele está sobrecarregado. —Comenta Kou abalado. —Ele fica tão nervoso que fica até meio que doente.

Desvio o olhar para a cadeira vazia ao meu lado. Sei como é, você chega a um estresse tão grande que fica doente — eu tinha tanto isso que, às vezes, deixava Sensei furioso, porque eu não conseguia praticar, fazendo-me sentir uma completa inútil, no entanto não havia nada que eu pudesse fazer, pois tais pensamentos apenas me deixavam mais estressada e ansiosa.

—Por que acham que ele está estressado? —Pergunto tentando não soar preocupada ou que me importo, porque longe disso.

—Não sei, tem a carta do familiar... —Kou ia dizer, mas acaba levando uma cotovelada nas costelas do esverdeado.

—Ruki, vai ficar… bravo. —Alerta Azusa sério.

—Desculpa, eu não queria parecer inconveniente de novo. —Peço sem graça.

Droga, vai ser difícil descobrir algo sobre ele.

—Ruki é muito fechado, nem pra gente ele conta o que está acontecendo. —Explica o grandão.

—Ele não, quer nos, preocupar... Por isso, acaba aguentando, tudo sozinho. —Eu entendo o que é isso, também sou imensamente fechada.

Porra, por que eu fico pensando que nós somos parecidos? Eu não sou pretensiosa como ele.

—Por que está tão interessada no Ruki, Neko-Chan? —Indaga Kou com uma expressão maliciosa.

Meus olhos negros arregalam-se com a acusação do loiro e percebo que os três me encaram curiosos.

—Por nada. —Dou de ombros. —Só não quero que as coisas fiquem tensas entre nós dois.

Ruki retorna e parece normal, como se nada tivesse acontecido e os seus irmãos preferiram não tocar mais no assunto. O que você tanto esconde, Ruki Mukami?

 

Retornamos a mansão mais para o meio da tarde — com poucos raios de luz escapando das nuvens escuras —, com uma aura bem divertida, mesmo que o mais velho ainda continuasse distante, porém não pareceu deixar-se abater por nenhum mal-estar e também pareceu tentar esconder um certo rancor direcionado a mim após minhas questões indesejadas. Kou e eu ríamos a frente dos outros três quando damos de cara com o menor dos Sakamakis.

—Onde esteve, Azurah-san? —Questiona Kanato, encarando-me de uma maneira duvidosa.

—Sai com os Mukamis. —Respondo como se fosse óbvio, porém o roxeado ainda continua confuso.

—Achei que Reiji tinha dito que você não podia sair...

—Como assim? —Indago furiosa. 

—Reiji-kun acha que você não pode sair, pois é perigoso. —Explica Kou brincando com sua pulseira. —Mas desde que você estava com a gente, não tem problema.

—Esse quatro-olhos surtou de vez. —Comento cerrando os punhos. —Quem ele pensa que é para decidir isso sem mim!?

—Por que já está gritando, coxas grossas? —Ayato surge com uma expressão bem mal humorada.

—Onde está esse filho da mãe? —Pergunto ao Kanato enquanto tento conter a minha raiva.

—Não sei. Teddy também não viu.

Ótimo, vou ter que ir atrás dele. Quando eu botar as mãos nele...

—Não precisa, ficar nervosa… Azurah-san. —Pede Azusa, com seus olhos opacos encarando fixamente os meus punhos que tremem.

—Eu só vou me acalmar quando encontrar esse imbecil! —Exclamo furiosa.

—Que porra está acontecendo aqui? —Indaga Subaru com aquela sua raiva característica. —Eu estava dormindo antes de vocês chegarem!

—Reiji saiu. —Quem me responde é o loiro, que está jogado no sofá. Ele nem sequer abre os olhos.

—Saiu para onde? —Questiono com muita raiva. —Quer dizer que ele pode ir aonde quiser que não tem problema, mas quando sou eu...

—Neko-Chan... —Kou me chama, segurando meus ombros. —Você está ficando muito nervosa, seu cheiro já está contaminado toda a sala. 

—Não que seja um problema, é claro. —Comenta Ayato em um canto, sorrindo.

—Não sei porque Reiji está tão hesitante com você. —Diz Kanato encarando-me de uma maneira enigmática, quase sem piscar.

—Ele está com medo por causa daquele Velho. —Responde Subaru com ódio. —Tsh! Você usa o presente dele.

O albino desce as escadas, com seus olhos sanguíneos focados no meu pulso, mais especificamente no bracelete de seu pai.

—Não me importa o que esse sanguessuga pensa! Eu não vou obedecê-lo! —Exclamo decidida.

—Neko-chan, respira comigo... —Insiste o ídolo pressionando meus ombros levemente, ao passo que olho profundamente para seu tom azul claro. —Se acalma.

—O corpo dela até treme de ódio... Não é bonito, Teddy? —Kanato dá um risinho psicótico.

—Acho que você odeia mais o nerd do que eu. —Diz Ayato em um riso sádico.

—Está se, machucando... —Comenta Azusa segurando o meu punho fechado.

Quando abro-o, revelo as marcas vermelhas das minhas unhas cravando na minha palma cheia de cicatrizes que a tornam áspera —mais um pouco e eu conseguiria rasgar a minha pele.

—Vamos para o seu quarto...

—Quem te deu essa permissão, ídolo? —Indaga Shu abrindo finalmente seus olhos da imensidão azul, focando-se com raiva e possessão direcionado a Kou e a mim.

—Acho que não é você quem decide, Shu-kun. —Kou insinua provocativo.

—Eu posso, levá-la... —A voz baixa de Azusa é cortada.

—Shu tem razão! —Exclama Subaru com violência. —Essa é a nossa casa.

—Como sempre tão aristocrático, Subaru-kun. —Comenta Kou com rancor. —Claramente Neko-chan prefere ficar comigo, que temos muito mais coisas em comum do que alguém como você.

—Você não me provoque! —Berra o albino, avançando contra o rival.

—Vamos Subaru-kun! —Kou não hesita. —Sei que faz tempo que você está se segurando para começar uma briga comigo.

—Chega! Ninguém vai brigar aqui. —Digo entrando no meio dos dois, porém eles continuam a se encarar mortalmente.

—Vamos embora! —Diz Yuma me puxando para tirar no meio dos dois, pois iria acabar sobrando para mim.

—Nem pensar. —Shu levantou-se, encarando eu e o castanho mortalmente. —Não vou deixar ela com você.

—Eu não sou... —Minha fala é interrompida.

—Hã!? Quem é você para decidir isso, Neet? —Ele fica furioso com a posição autoritária do loiro. —Se você gosta dessa mulher, não é um problema meu.

—Yuma, tira ela daqui, que eu e Subaru-kun temos contas a acertar. —Diz sem nem mesmo olhar para o irmão, focado apenas no albino, vermelho de raiva.

Ouvimos uma risada provocativa do alto da escada, fazendo com que eu aproveite isso para separar-me do grandão, afastando-me antes dos meus olhos negros olharem de quem vinha aquela voz. Assusto-me ao ver aquela figura de cabelos castanhos-avermelhados bagunçados, sem sua fedora, uma blusa de botões branca folgada e um imenso sorriso presunçoso em seus lábios, o que me surpreende, de fato, são suas mãos enfaixadas.

 

 

—Eu acordo e dou de cara com essa cena... —Seu tom é provocativo, com uma pitada de um humor negro. —Bitch-chan sendo disputada. Do jeitinho que você gosta, não?

Esse pervertido acabou de acordar e já aparece para me dar nos nervos. Minha expressão é de um ódio completo.

—Sabe, eu senti um delicioso aroma no ar e pensei... “Hum, mi lady não tem cheiro. Eu a matei, não?” —Ele expõe seus pensamentos. —Mas as mãos doem e o cheiro é muito bom... Então só pode ser de alguém que é uma grande vadia.

—Laito, é melhor você ir. —Aconselha Shu, percebendo o meu olhar obscuro.

—E perder a diversão? —Ele não tem medo do perigo. —Fufu~ O que mais você esconde, bitch-chan? —Seus brilhantes olhos verdes estão fixos em mim. 

—Eu achei que o psicopata da família era Kanato, mas quando olho para você... —Digo cheia de rancor. —Perde o controle tão fácil quando percebe que não pode me ter.

Sua expressão de provocação transformasse numa cheia de ódio, teletransportando-se bem diante dos meus olhos. Isso claramente acabaria assim, desde que eu sobrevivi — mais uma vez.

—Eu não ligo para o velho, ele diz que não podemos te matar... Mas sabe o que eu acho? —Seus olhos demoníacos passeando por mim. —Que por trás de todo esse misterioso interesse, você é apenas uma vadia que foi comprada por ele.

 

“Já parou para pesar que talvez seu Sensei tenha te vendido?” A garotinha de onze anos chora. “Você gostava dele, não?” Jay ri do meu desespero. “Mas agora sou eu quem vai cuidar de você, bela Azurah.”

 

Eu seguro o pescoço de Laito, surpreendendo-o enquanto separo seus pés do chão. Posso ver o terror em seus olhos esverdeados, o que me excita e faz com que eu sorria sadicamente. 

—Por que não olha nos olhos da vadia que vai te matar? 

—Azurah! —Eles me chamam, mas minha mente vagueia por um terreno sombrio.

—Saiam! —Berro, espanando meu braço livre.

Sinto meu peito queimar e uma luz surge da minha mão esquerda, a qual parece ser bem eficiente para afastar todos os sanguessugas, mandando-os para longe, ao passo que meu olhar fervente está focado no pervertido que começa a sufocar.

 

Eu sinto isso lá no fundo
Está logo debaixo da pele
Eu devo confessar que eu me sinto como um monstro

 

—Com um estralo, eu quebro o seu pescoço e não há ressurreição para você, sanguessuga. —Lembro-me do que li sobre matar vampiros.  —Achou mesmo que se livraria de mim porque eu não lhe agrado?

Viro meu braço e taco-o no chão, com extrema violência, o que o faz gritar de dor. Monto em cima dele, como fazíamos na sua cama, mas desta vez será a última.

—Eu lhe dei a chance de acabar isso da melhor maneira possível... 

—E,eu não tenho medo de você... Bitch-chan. —Diz com dificuldade.

—Oh, mas deveria. —Ameaço com rancor, espremendo novamente sua garganta.

—Se você não pode aguentar a verdade, jamais vai aceitar quem é... —Laito não desiste, mesmo que eu o sufoque. Ele não tem medo da morte. —Você é uma vadia, independente ou não da sua força.

O ódio me consome, tomando conta dos meus sentidos e da minha mente, onde as minhas vozes só dizem: “mate-o... mate-o!” — Elas já disseram isso para mim antes, no entanto desta vez está em alto e bom som na minha mente transtornada. Junto meus punhos e bato com força contra o seu tórax, repetidas vezes, causando feridas que mancham sua camiseta branca com seu sangue, assim como minhas mãos e chegam a espirrar no meu rosto. 

 

Eu odeio o que me tornei
O pesadelo apenas começou
Eu devo confessar que eu me sinto como um monstro

 

Vocês querem que eu o mate? Então eu vou matar, vou matar ele e todo o resto... Eu já fiz isso antes e posso fazer de novo. “Assassina!” — gritam para mim, mas eu não me importo. Vocês me destruíram primeiro, eu sou o monstro que a sociedade criou e depois abandonou.

Quando sinto que vou conseguir, eles chegam para me segurar. Yuma e Ruki, que são os Mukamis mais fortes, me detém, segurando meus braços, enquanto os Sakamakis se juntam ao redor do irmão, sangrando muito.

—Azurah-san... —Azusa me chama quase que dor.

Me debato, tentando me livrar dos dois, mas não consigo, porque sinto que até os meus demônios me abandonam.

—O que...? —Azusa não consegue dizer, parece amedrontado.

Consigo forças para empurrar os dois irmãos, percebendo como está difícil respirar. Laito abre os olhos brilhantes vagarosamente, gemendo de dor e em estado de terror, acho que fraturei suas costelas e eu sei, melhor do que ninguém, como é essa dor.

—Eu não sei quantas vezes já disse isso, mas era melhor vocês terem medo de mim... Posso ser seu pior pesadelo só por diversão. —Digo com todo o meu sadismo.

Estou suja novamente de sangue, muito mais do que quando ataquei Kanato. Desta vez, parece que uma nova força veio habitar em mim — será que tem haver com o poder que Beatrix citou? O sangue Laito escorre pelo meu braço, é frio, quase um refresco para a minha pele que arde nas chamas do ódio.

—Acho que o de Reiji ficará guardado para amanhã. —Sorrio maldosamente.

O sangue começa a pingar no chão, por isso levanto minha mão para lamber o sangue que escorre — o gosto metálico é nojento, mas é prazeiroso.

—Essa foi a noite mais prazeirosa que você poderia me dar, Laito-kun. —Olho profundamente em seus olhos trêmulos.

A porta é aberta, indicando que o sanguessuga que faltava chegou. Não vou ter a menor paciência para lidar com Reiji, por isso aproveito o momento para sair dali e ir direto para o banheiro para me livrar do cheiro de Laito. Tranco-me lá dentro e vou até a pia para me lavar, quando deparo-me com uma imagem que me assusta: meus olhos estão claros, com um brilho dourado que é assustador — os olhos de um demônio.

 

Eu mantenho meu lado secreto
Escondido atrás de chaves e cadeados
Eu o mantenho preso, mas não consigo controla-lo
Porque se eu deixar ele sair
Ele vai me despedaçar, me derrubar
Por que ninguém vem e me salva disso? Faça isso acabar

 

O grito de dor de Lola, antes de: “Eu sabia que o diabo morava em você.”

Pego a saboneteira e taco contra o espelho, quebrando-o e fazendo a minha imagem ficar fragmentada, refletindo o meu interior. Pisco e vejo que meus olhos são negros, obscuros e furiosos como deveriam ser. Puxo meus cabelos negros, sujando-os de sangue, ao passo que tenho que segurar o meu grito de dor e raiva — por que essas coisas têm que acontecer comigo? No final, eu realmente sou o monstro e eu me orgulho disso lá no fundo, porque nenhum deles é pior do que eu.

Sinto meu estômago se embrulhar e arrasto-me até a privada para vomitar, sentindo o nojento gosto do sangue vampírico retornando. Ligo o chuveiro e tomo um banho gelado, entrando com roupa e tudo, deixando a água me limpar e remover todos os resquícios do que aconteceu do meu corpo. No entanto, mesmo após meu banho, ainda sinto-me suja.

Retorno ao meu quarto, com um olhar vazio e começo a trocar de roupa, vestindo um vestido tubinho preto, porque eu vou dar o fora desta mansão — por um dia ou dois. Era melhor eles terem medo de mim, pois nem mesmo eu sei o que esperar de mim mesma.

De repente, um forte raio. Merda, se eu quiser sair, tem que ser agora. Mais um e, com a luz do relâmpago, posso ver uma figura surgir na varanda — uma que eu já conheço bem.

—O que quer de mim? —Indago furiosa. —Já não sofro o suficiente para você?

A loira não responde, apenas estende a mão para mim. O som do trovão.

—Você não quer sair daqui? —Pergunta começando a flutuar, com uma expressão vazia.

Penso que isso poderia me assustar, mas nada me assusta depois da imagem demoníaca que vi no espelho. Caminho até a falecida noiva, com meu olhar obscuro aceitando aquele destino cruel. Isso significa que vou morrer? Não sei, mas poderia ser.

Assim que tomo a sua mão gelada de fantasma, sinto que somos teletransportadas para o meio da floresta próxima da mansão. Yui afasta-se de mim, encarando-me fixamente, ao passo que uma forte chuva começa a cair. Por que ela me trouxe aqui? O que ela quer?

—O que está acontecendo? —Pergunto com a água já atrapalhando a minha visão.

—Eu sinto muito... —Ela lamenta infeliz. —Mas eu tenho que fazer isso, Azurah.

Um tiro e ele atravessa Yui. Mais dois a atinge, manchando o seu moletom rosa e fazendo-a gemer de dor, enquanto a vida parte de seus olhos rosados. Eu berro. Ela já não estava morta? A loira deita sobre a grama molhada, tentando conter os três ferimentos de bala no seu abdômen. Ajoelho-me ao seu lado sem saber o que fazer — estou presenciando o momento da sua morte?

—Fuja... Azurah... —Pede ela com dificuldade.

De repente, passos apressados vem até nós. Sem entender porquê, escondo-me atrás de uma árvore, ainda observando o corpo inerte da falecida noiva. Uma figura conhecida por mim surge por entre as sombras, com uma expressão aterrorizada e de tristeza.

—Yui! —Ele ajoelha-se ao seu lado, exatamente como fiz anteriormente. —Não, não... Por que você? Não! —Berra com muita dor.

Subaru... Foi você quem encontrou o corpo da Yui? Por isso quer tanto me proteger, de certa forma? Não quer que o mesmo aconteça comigo, no entanto outra pergunta fica: quem mandou matar Yui Komori? O tal Lorde disse que ela sabia demais... Demais sobre o quê? Ela não era a Eva escolhida? Por que estou envolvida nisto?

Alguém me agarra, enquanto estou concentrada demais na visão do albino chorando a morte da noiva. Eu tento gritar, mas esta pessoa tampa a minha boca enquanto me arrasta. Contudo, eu sei lutar e seu aperto não é forte como dos sanguessugas... Dou uma cotovelada em suas costelas e consigo me libertar. Viro-me para encarar o meu agressor e assusto-me com o que vejo, com minhas pernas chegando a fraquejar.

—Sentiu falta de mim... Prostituta imunda? —Seu sorriso é aterrorizante.

—J,Jay... —Minha voz falha ao citar seu nome.

Não, não tem como ele estar aqui.

—Achou mesmo que eu te deixaria ir sem antes lhe dar uma última punição? —Escuto o estralo do chicote e posso ver que este está bem em suas mãos.

Meu corpo inteiro treme e eu começo a dar passos para trás, completamente amedrontada. Eu posso lutar desta vez, contudo o medo ainda é maior.

—Olha como você ainda reage a mim... —Comenta ao ver o terror em meus olhos negros. —Não é lindo?

—Por favor... Não chegue perto de mim! —Peço ainda dando pequenos passos para trás.

Isso é um delírio, Azurah... Você está delirando!

—Por que não vamos brincar no lago, Azurah? —Não, eu não quero. —Eu sei que você quer isso... Afogar suas mágoas.

Mesmo apavorada, eu ainda tenho forças para correr, todavia dou poucos passos quando vejo uma garotinha, de uns cinco anos, com um vestido de babados branco e os cabelos negros trançados. Seu sorriso assustador brilha na escuridão da tempestade.

—Vem brincar comigo... —Ela pede passeando pelas sombras. —Eu só quero brincar com alguém... Por que ninguém quer brincar comigo?

Um raio cai ali perto, no entanto o que me assusta é ver aquela linda garotinha idêntica à mim, mas sim as mãos sujas de sangue, na verdade seu corpo inteiro estava manchado com aquele tom escarlate.

—Eu só queria brincar... —Diz com os olhos negros chorosos olhando para mim. —Sensei! Sensei, cadê você? Por que você está me deixando? —Ela começa a chorar de desespero. —Não me deixe, Sensei... Eu não quero ficar sozinha.

—Você não está sozinha, Azurah. —Jay surge novamente atrás de mim, o que me faz gritar. —Você tem medo de você mesma, Azurah?

—Brinca comigo... —Insiste a garotinha.

Tento tampar os meus ouvidos, balanceado a cabeça. Não, eu não quero brincar... Eu não aguento mais brincarem comigo. Procuro desesperadamente por Yui, no entanto ela simplesmente desapareceu após ser baleada. O que ela planeja me trazendo até o meio desta floresta? Disse que precisa fazer...  Fazer o quê? Me aterrorizar? Me enlouquecer?

—Você vai morrer, Azurah. —Diz a minha pequena eu. —Eu quero morrer... É tão escuro debaixo da escada.

—Por que não vamos para lá juntos? —Propõe Jay sorrindo maldosamente para mim.

—Não! —Berro pondo-me a correr, enquanto fico cada vez mais ensopada e com a visão embasada.

 

Está se escondendo no escuro
Seus dentes são lâminas afiadas
Não há saída pra mim
Ele quer minha alma, quer meu coração

 

Eu só quero fugir... Alguém para me salvar. Eu só queira ser salva dos meus próprios demônios.

“Aqui.” Escuto uma voz apontando para mim uma clareira na floresta. É a voz da Yui, está distante, mas é gentil e quente. Não hesito em segui-la, querendo apenas fugir disto. Sigo por entre as árvores e o mato alto até que posso ver uma luz no final do trajeto, todavia, ao chegar até lá, vejo apenas a forte tempestade cair e destruição. Não há salvação para mim.

—Azurah... Azurah...

Posso ouvir essa voz me chamando ao longe, misturada ao barulho da tempestade, contudo não sei se é real — não sei mais o que é paranoia e o que é realidade, após tudo o que vi. Estou ficando louca, eu sei. 

Eu a vi morrer... Yui, por que você queria me mostrar aquilo? Por que estou em frente à essa mansão que me é totalmente desconhecida e que está em ruínas? Houve um incêndio aqui... Fogo, de novo não! Chego a tremer, não apenas pelo frio de estar completamente encharcada, mas porque tenho medo. Ninguém pode me salvar e o mesmo que aconteceu com Yui vai acontecer comigo — eu vou morrer, mas somente quando estiver à beira da loucura. Esse é o castigo por meus pecados? Essa água que cai dos céus jamais será suficiente para lavar o meu corpo sujo. É tudo minha culpa, porque eu sou um monstro. Tento afastar essa ideia, fazer parecer que sou uma mulher fria e inalcançável, só que eu não sou assim... Sou tão fraca, tão vulnerável e muito, muito covarde. Quero morrer para fugir desse mundo doloroso.

 

Ninguém pode me ouvir gritar.
Talvez isso seja apenas um sonho
Ou talvez isso esteja dentro de mim
Pare esse monstro!

 

—Azurah! —Por que ele de novo? —Achei você!

Sinto que vou desmaiar, mas ele me segura rapidamente, impedindo-me de cair, pressionando meu corpo contra o dele — ambos frios nesse momento —, era como se ele me segurasse a fim de me manter em pé, para que eu ainda aguentasse firme mesmo nesta tempestade. Meus olhos estão vazios, perdidos, e os seus encharcados em algum sentimento que me parece muito distante.

—Você consegue me ouvir? —Ele me pergunta, segurando o meu rosto delicadamente para obrigar-me a olhar para ele, contudo minha mente está muito distante. —O que está fazendo? Por que está aqui? Deixou os outros preocupados...

O que os sanguessugas querem mais de mim? Além de sugar o meu sangue, eles também querem sugar a minha alma? Meu peito dói, mas eu já deveria estar acostumada com isso.

—Ruki... —Chamo-o, olhando àqueles petrificantes olhos azuis acinzentados.

Por que ele está me olhando assim? Parece preocupado. Eu achei que ele me odiasse, então porque parece se importar...? Acho que estou me iludindo novamente, contudo ele parece ser a única rocha sólida para me apoiar neste momento. Novamente estávamos nós dois, encharcados pela chuva como no nosso encontro no cemitério — eu em seu braços, perdida em seu olhar.

—Por que... você? —É a única coisa que consigo dizer em meio a minha confusão mental.

—O que há com você, Kachiku? —Continua a me perguntar, de certa forma desesperado. —Você não pode achar que consegue lidar com tudo sozinha. —Ele fala para mim algo que também serve para ele.

—E,eu estou com medo… Ruki-kun. —Digo expondo-me demais com meu olhar trêmulo. Por conta da grossa chuva, ele não pode perceber que uma lágrima rolou dos meus olhos.

Ele me segura com mais força, como para mostrar que está ali, para me fazer aguentar de pé, mesmo quando sinto tudo desmoronar. Ruki pode ver além do que quero transmitir, ele pode ver o quanto estou amedrontada, e pior, solitária… desesperada. A chuva não para de cair, molhando-nos completamente, o que sem dúvida me deixará doente. Seus olhos acinzentados tentam me transmitir algo, contudo seu mundo é demasiado fechado para que possa alcançá-lo, desta forma, a maneira que ele encontra para transmitir sua visão é selando nossos lábios.

Ruki agarra minha cintura, puxando-me mais para ele, enquanto uma das minhas mãos escapam do seu aperto para segurarem seu rosto, a medida que este beijo torna-se mais feroz. Por que ele sempre me deixa confusa? Nunca sei muito bem como reagir perto dele ou o que esperar dele. Nosso beijo é bastante molhado por conta da chuva, porém o mais importante é que eu consigo senti-lo, fazendo meu coração se aquecer um pouco, ao passo que minhas forças vão desistindo de mim.

Eu não quero desistir, ainda quero continuar lutando, no entanto isso dói demais. Me perco em seu beijo até que nos separamos e voltamos a nos encarar, ambos imensamente confusos sobre o que acabara de acontecer, mas permanecendo com nossos lábios muito próximos.

—…Obrigada. —É tudo o que digo antes de desmaiar em seus braços, um pouco mais relaxada.

 

 


Notas Finais


Muitos acontecimentos intensos! Gostaria de agradecer a @starofnight que deu a ideia de relembrar a cena do cemitério entre Ruki e Azurah.
Comentem o que acharam, ansiosa pela reação geral. Uma informação IMPORTANTE: eu vou finalizar a história daqui dez capítulos e vou postar uma segunda temporada após a verdade ser revelada, por isso fiquem ligados😉
Bjus vampirinhos monstruosos😘😘 Voltamos em breve com mais um!


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