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História White Dragons - Capítulo 16


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Capítulo 16 - Vermelho e Violeta (2)


No Limbo, uma figura andava pelos corredores do palácio de mármore negro. Era um homem que aparentava ter 27 anos; seus cabelos eram lisos e longos, com vários fios caindo à frente de sua testa e olhos, e estes uma vez foram castanhos, mas agora eram de um tom rubro. O seu corpo era cercado por sombras, que formavam um longo manto escuro.

Ele parou de andar quando chegou à porta do laboratório de Morgana, as portas se abriram, e ele andou apressadamente, até chegar aonde Morgana estava. Ela estava parada, encarando um “tubo genético”. A estrutura era composta por um cilindro grande o suficiente para armazenar um corpo, contendo um liquido transparente; do chão, do teto e da parede atrás do cilindro, por entre o mármore, havia uma carne avermelhada que cercava o cilindro, tornando-o em algo meio orgânico, cortesia de um tipo de demônio que vivia entre o mármore do castelo. E dentro desse tudo estava o pedaço de um corpo, Lilith.

Aquela carne avermelhada passava pelo vidro, se conectando ao tronco de Lilith, e da mesma maneira, se conectava ao olho direito dela. E com o esquerdo, ela temerosamente encarou enquanto aquele homem se aproximava, até parar do lado de Morgana.

Dentro do laboratório, não muito de longe de onde Lilith estava, encima de uma bancada, havia um pedaço bem trabalho de metal, um elmo, a cabeça de Kaiser. E ainda numa outra bancada, estava Houldren, e ele relevava a presença daquele homem.


Thânatos – Novamente, Lilith, você foi derrotada...

Lilith – Sim, meu lorde...

Morgana – O que devo fazer com ela, meu lorde?

Thânatos – Acho que já está na hora de descarta-la, e encontrar outro ser que possa o Pecado da Luxuria...

Lilith – M-Meu lorde!... Me dê outra chance...

Thânatos – Lilith, eu relevei sua primeira falha anos atrás, mas dessa vez, sua falha me custou o Éter!

Lilith – Eu sei, mas... N-Nós ainda podemos ir atrás dela! Todos nós!...

Thânatos – Reunir os Pecados só atrairia uma atenção indesejada, e eu já arrisquei muito mandando vocês três... E eu ainda estou sob os efeitos do Destino...

Lilith – E-Então... E ele? – Ela apontou para Houldren – Ele não nos ajudou!...

Thânatos – Houldren é um caso à parte... Lilith, dentre os sete, você é a mais fraca, e isso é somente porque você desperdiça o pode da Luxuria... Então, por que eu deveria te deixar viva?

Lilith – E-Eu ainda posso ser útil, meu lorde! Eu só peço uma chance!...

Thânatos – ...Faça valer, porque será a última.... Mas antes disso...


As sombras em seu braço se moveram, até revelarem sua mão; da carne do tubo, veias surgiram, indo até a mão dele, absorvendo seu sangue. Dentro do tubo, outras veias surgiram, se ligando ao corpo de Lilith, e assim que aquele sangue entrou em contato com o seu, ela gritou em desespero, e esse som logo foi abafado quando a carne envolveu por completo o tubo.


Thânatos – Caso você sobreviva a isso...


Ele, então, andou lentamente até onde Houldren estava, parando à frente do garoto.


Hould – Então... Algum trabalho pra mim, chefe?

Thânatos – Conversaremos depois, Houldren...

Hould – Tudo bem... – Ele apenas assistiu aquele homem sair da sala, e após isso, ele se virou para Morgana – Acha que vou receber um aumento?

Morgana – Garoto tolo... – Ela, por sua vez, andava sem rumo, apenas folheando um livro, este que tinha como capa um rosto deformado expressando medo e angústia.

Hould – Então... No que você está trabalhando agora?

Morgana – Não te interessa...

Hould – Huh, vejo que esse é um problema de família... – Ele ficou minutos encarando Morgana, até que ela finalmente fechou o livro, e encaro o garoto nos olhos.

Morgana – Houldren, o que você quer?

Hould – Não sei... Eu estou entediado...

Morgana – Não há nada que tem que fazer em Draconis?

Hould – Talvez... Os velhos só vão se reunir no final do mês...

Morgana – Então, por que você não vai ver sobre o que Lorde Thânatos quer falar?

Hould – Acho que sim, eu acabei de ver como é ruim irritar ele! Tchau!

Morgana – Só vá logo...

Hould – Tá bom, tá bom... Ah, se algo acontecer comigo, entregue meu último beijo pra Shadi!...


[...]


Narandia, Draconis

15/08/1760 (Terça) – 15:13


Drake estava sentado à frente do córrego, apenas encarando o fluxo da água, perdido em seus pensamentos, e dessa forma, ele não ouviu quando Rihana se aproximou.


Rih – Drake?...

Drake – Entendo... – Ele levantou, e alongou os braços.

Rih – Então... Por que estamos aqui?... Eu achei que faríamos algumas missões...

Drake – Depois. Vai melhor se nós quatro formos... Até porque, desse jeito, a Anya não vai me encher...

Rih – Certo... E o que eu vou aprender agora?

Drake – Vamos continuar no básico por enquanto... Mais especificamente, eu vou explicar sobre as outras três Forças Primordiais! Ou pelo menos, tudo que eu sei sobre elas...

Rih – Por que?...

Drake – Porque eu quero evitar outra visita dela por enquanto... – Ele se referia à Flaummien – Por isso, vamos começar logo!

Rih – C-Certo!

Drake – Por questões de “proximidade”, vou começar pelas Maldições... Da mesma forma que o Ethernano deriva do poder da Deusa da Luz, Lett, existe uma força sombria que deriva de Eodum, chamada de “Hellrium”, mas o termo mais comum é “Maldição” ...

Rih – Por que?...

Drake – Tecnicamente, qualquer um pode utilizar uma Maldição, mas isso normalmente custa algo, e por causa disso e de outros eventos, o ensino e a prática de Maldições se tornou algo como um tabu, ou, um crime; essa decisão foi tomada por Merlin pouco tempo após a Guerra... Apesar disso, sempre existiu uma grande exceção: demônios... Pelo que eu li anos atrás, esse raça sempre foi naturalmente capaz de controlar o Hellrium...

Rih – V-Você acha que... eu também?...

Drake – Talvez... Aquela outra “você” não poderia ser sua Maldição?

Rih – Acho que não... Ela existe comigo desde que eu me lembro...

Drake – Pode ser uma Maldição que foi implantada em você...

Rih – Talvez...

Drake – ...Passando pro próximo item! Junto com o Ethernano e o Hellrium, existe uma terceira parte que compõem esse “triângulo”, o Ki; ele é diferente dos outros dois, já que não é uma “magia” ... A melhor maneira de definir o Ki é como um ampliador de sentidos; ele altera os seus próprios sentidos, e até onde eu sei, ele pode influenciar os das outras pessoas...

Rih – E-eu poderia aprender a como manipular o Ki?

Drake – Talvez... Diferente do Ethernano, qualquer pessoa pode manipular o Ki, se ela treinar para isso...

Rih – Entendo...

Drake – ...Na guilda existem duas pessoas que sabem manipular o Ki, e eu mesmo já aprendi um pouco por meio deles... Talvez, quando a minha professora, retornar, ela possa te ensinar uma coisa ou outra...

Rih – Certo!

Drake – Bom... A última das Forças Primordiais, a mais exclusiva e desconhecida de todas é o “Tempo” ...

Rih – O... tempo?

Drake – Sim, todas as quatro Forças vêm de um deus especifico, e o Tempo, ou “Chronos”, é a Força que manipula o conceito do tempo! Do pouco que se sabe, só existem cinco seres que manipulam o Tempo, e esses são os Deuses do Tempo; Pandora, a Personificação do Tempo, e seus filhos; Aurora, a Deusa do Passado, Millian, a Deusa do Presente, Saga, a Deusa do Futuro, e Aeon, o Deus do Destino...

Rih – Entendo... E isso é tudo?

Drake – Sim... Ainda estamos no básico, mas acho que vou encurtar as coisas... Primeiro, libere o seu Ethernano...

Rih – Certo... – Rapidamente, uma aura dourada surgiu ao redor dela, e então, sumiu.

Drake – Agora... – Ele ergueu sua mão direita, e uma pequena chama surgiu – Vamos começar com o controle... Foque um pouco de Ethernano nas suas mãos...

Rih – Mas, isso não vai contra aquilo de deixa- fluir?

Drake – Mais ou menos... Faça ele fluir, mas, com um maior foco nas suas mãos...

Rih – Certo... – Ela fechou os olhos, e após alguns minutos, uma fraca aura dourada surgiu ao redor de suas mãos – E agora?

Drake – Agora...


Ele jogou aquela chama na direção de Rihana, e ela levantou seus braços para se defender, com os fechados. Ela rapidamente sentiu algo quente próximo de si, e quando abriu seus olhos, aquele pequena chama estava parada à sua frente, e saindo daquela posição defensiva, o fogo seguiu o movimento de sua mão direita.


Drake – Vamos começar com isso...

Rih – ...Você precisava joga-la em mim?!

Drake – Eu queria testar algo... Até o final da aula, essa chama deve ficar acessa, sem baixar ou aumentar de intensidade, certo?

Rih – Certo!...

Drake – Bom... Agora, sobre o domínio elemental... Existem três maneiras de dominar um elemento, e a mais comum é pelo movimento do corpo, e essa forma se divide em três níveis: iniciante, intermediário e avançado...

Rih – E eu estaria no iniciante?

Drake – De certa forma... As outras duas maneiras são por meios de encantamentos, e círculos mágicos... E, nada impede de dois, ou todos os três serem usados em conjunto... Eu devo te mostrar exemplos desses dois?

Rih – A-Acho que sim...

Drake – Certo... Bom, antes disso, tanto os encantamentos quanto os círculos são para magos experientes, então, vai demorar até você possa aprender qualquer um dos dois...

Rih – Entendo...

Drake – Começando pelos encantamentos! Eles foram criados, ou descobertos, nos tempos da Guerra Santa, por um pesquisador chamado Tristan Waver, ou, como ele é conhecido atualmente, Wartros, o Deus da Água...

Rih – Então, os encantamentos foram criados pelo primeiro Cavaleiro da Água?

Drake – Sim, mas isso não é uma aula focada em história... Em essência, os encantamentos são “ordens” que nós damos pra natureza...

Rih – Como?...

Drake – A base principal de um encantamento é aumentar o poder de uma magia convertendo o Etherium do ambiente em Ethernano; por esse motivo, vários encantamentos são longos, mas magos experientes podem realiza-los com menos palavras... Um exemplo seriam as chamadas “Magias Divinas”, que obrigatoriamente começam com “pelas Leis da Natureza”, referenciando o fato da “ordem” dada à natureza...

Rih – Entendo... E por que são chamadas de “Magias Divinas”?

Drake – Elas foram criadas para se aproximarem do poder de um deus, mas isso é meio impossível, mas o nome foi mantido... Outra pergunta?

Rih – Não...

Drake – Certo... Agora, um exemplo prático de um encantamento! ⸢Queime⸥.


Ao redor do corpo de Drake, um anel de fogo surgiu, girando lentamente, e após ele estalar seus dedos, o mesmo sumiu.


Drake – Se possível, eu vou te ensinar alguns encantamentos depois...

Rih – Certo...

Drake – Agora, para os círculos.... Se os encantamentos são como a fala, então os círculos são como a escrita... Eles consistem em focar o Ethernano puro ou elemental, formando um “texto” que basicamente tem a mesma função que falar um encantamento, só que claro, sem a parte da fala...

Rih – Entendo...

Drake – Alguns encantamentos utilizam de círculos, e vice-versa, porém, os círculos estão diretamente ligados ao Ethernano do usuário, no caso, quanto mais Ethernano uma pessoa tiver, mais forte vai ser a magia do círculo... Poderia se dizer que um círculo serve pra “focar” os efeitos de uma magia... Agora, o exemplo...


Ele pôs os dois braços atrás de sua cintura, e fechou os olhos, após alguns segundos, um círculos simples de cor vermelha surgiu à frente do garoto, e rapidamente, o interior do círculos foi preenchido por ideogramas dracônicos, e logo após esse primeiro ser completamente desenhado, outros surgiram, circulando o corpo de Drake, após isso, os círculos brilharam, e um outro anel de fogo surgiu ao redor dele, e dessa vez, as chamas eram mais intensas, e como da primeira vez, elas sumira após um estalar de dedos. 


Drake – Certo... – Ele encarou o fogo na mão de Rihana – Está mais fraca...

Rih – E-Está?... Eu não notei, desculpa!...

Drake – Sem problemas, só se concentre em deixa-la desse jeito então...

Rih – Certo!...

Drake – Muito bem, eu já falei sobre os encantamentos e sobre os círculos... Você quer que eu continue falando?

Rih – S-Sim!... Por favor...

Drake – Certo... Já que eu falei dos círculos e dos encantamentos, só resta a mais básica forma de manipulação elemental: O movimento do corpo!

Rih – E como isso funciona, especificamente?

Drake – Bom, como o Ethernano flui pelos nossos corpos, esse método foi criado na base de que ao realizar qualquer movimento, o Ethernano “copia” isso, e se estende pra fora do corpo... Após alguns anos de prática, os primeiros magos perceberam que cada um dos quatro elementos tinha uma “forma” especifica...

Rih – E como é o do fogo? – Ao ouvir essa frase, Drake se lembrou de algo.

“Anya – Como é controlar o fogo?”

Drake – ...Estranhamente, o fogo parece misturar as formas dos outros três elementos...

Rih – Como? Cada um não deveria ser único?

Drake – Bom, sim.... Mas, só é estranho!... Embora que todos os quatro elementos possuam algumas semelhanças em suas formas, o fogo é o que mais os mistura...

Rih – E quais são essas semelhanças?

Drake – Como a água, o fogo pode ser fluído e calmo; como o ar, ele pode ser caótico e agitado; e como a terra, ele pode ser potente e devastador... Também, lembre-se que o fogo pode ser ambos aconchegante e assustador...

Rih – Sim!

Drake – Certo... Os diferentes níveis que existem dentro desses movimentos são, basicamente, a redução do mesmo... Num nível iniciante, normalmente é necessário mover quase todo o seu corpo; no intermediário, isso é reduzido, mas não apagado; e no avançado, você consegue dominar um elemento apenas pelo pensamento...

Rih – ...Você acha que demoraria pra eu chegar no intermediário?

Drake – Bom, não... A questão é que você ainda vai aprender os outros três elementos...

Rih – Entendo... E agora?...

Drake – Agora... – Novamente, ele encarou o fogo que Rih carregava – Por enquanto, foque nesse fogo aí...

Rih – Só isso?

Drake – Lembre-se de que não é uma tarefa fácil!... – Ele se deitou de lado, usando o braço como travesseiro – Eu vou tirar um cochilo, e, se você sentir ou ouvir alguém se aproximando, me acorde e esconda suas cicatrizes...

Rih – C-Certo!... – Ela rapidamente notou que Drake já estava dormindo, e com cuidado, ela sentou em posição de lótus, encarando o fogo em sua mão – Ele disse que você está mais fraca, mas eu não sei dizer...


[...]


Apesar de tudo que tinha acontecido recentemente, Drake lembrava-se mais da luta contra Kaiser, sobre Yfrit, e ainda mais sobra aquela voz que ele tinha escutado ontem, que estranhamente parecia com a voz de sua mãe. Pensando nisso, ele logo adormeceu...

...

Era de tarde em Halwa’Nnann, e apesar de toda a movimentação que acontecia no “centro”, afastado desse lugar, nos fundos da casa de Hart’Vann Hamill, estava uma dragonessa que não se importava com aquela movimentação, ela só se importava com o garoto que dormia em seu colo.

Seus cabelos eram lisos e longos, de uma cor azul-cobalto, e pontas violetas, com alguns frios que caiam à frente de seu olho esquerdo, e estes eram de um azul claro, cristalino até, sua pele era alva, e seu corpo possuía leves atributos fartos, com um quadril evidente, e um busto tímido; e haviam, também, algumas escamas azuis expostas, localizadas em seus ombros, as laterais do pescoço, e nas orelhas, que nesse estado, ficavam pontiagudas.

Ela usava uma saia preta, com detalhes dourado nas laterais, que iam até pouco abaixo de seus joelhos. Usava uma túnica azul clara, com detalhes brancos, sem mangas que ficava presa no pescoço. Nos pés, estavam sandálias de tiras de couro bem-feitas, de cor escura, e que possuía um leve salto.

Ela encarava o céu, assobiando de maneira que não acordasse e garoto, além de acariciar a cabeça do pequeno, que dormia pacificamente. O garoto, então, se mexeu, deitando de lado, e durante isso, aquela dragonessa o encarou em silêncio, e voltou a assobiar quando viu que o garoto continuava dormindo.

Após alguns minutos, de dentro da casa, ela ouviu o som leve som de metal contra metal, e de alguma coisa sendo arrastada no chão, esses sons, junto de passos, cessaram quando alguém parou, e abriu a porta que levava para a clareira dos fundos, e para onde aquela dragonessa estava.

Quem saiu da casa era um garoto, com cerca de seus nove anos, e mesmo com essa idade, ele era ligeiramente algo. Seus cabelos eram curtos, mas rebeldes, possuindo um tom de castanho-cobre e pontas prateadas. Seus olhos eram de um tom luminoso de dourado, mas seu rosto parecia inexpressivo. Sua pele era levemente esbranquiçada, e suas orelhas eram pontiagudas.

Ele usava uma simples camisa branca, que continha algumas manchas mais escuras, e um shorts preto. Na sua cintura, havia um cinto formado por três correntes, uma de cor prata, a outra dourada e a terceira era de um tom de bronze. Por fim, no seu pescoço estava um pingente que mostrava dois braços cruzados, um segurando um martelo, e o outro, uma espada.

Ele parou logo que abriu a porta, e encarou aquela dragonessa, que o olhava com certa irritação em sua face, e logo, ele percebeu o porquê, afinal, aquele garoto quase tinha acordado por causa dos barulhos do metal.


Kenny – Não sabia que você estava aqui, Alice...

Alice – E eu não ouvi você chegando!...

Kenny – Então, qual é a desculpa do peso-morto dessa vez?

Alice – Eu já pedi pra você não o chamar disso... Respondendo sua pergunta, ele queimou os braços...

Kenny – Sério? – Ele se aproximou, e viu as faixas nos braços do garoto – Mas, ele não estava bem até, o que, dois dias atrás?

Alice – De fato, a resistência ao fogo dele já está relativamente boa, mas ele inventou de criar explosões!... Os braços dele só não estão num estado mais grave por minha causa...

Kenny – Entendo...

Alice – Pensei que você soubesse disso.

Kenny – Não, ele nunca me diria isso, e o velho Vann também não falou nada...

Alice – Certo, e por que você veio, então? Alias, o que era aquele barulho?

Kenny – Me de um momento... – Ele voltou pra dentro da casa, com seus braços cobertos em escamas metálicas, e rapidamente, voltou carregando um cesto cheio de espadas – Isso responde suas perguntas?

Alice – Sim... Só não faça nenhum barulho, eu não quero que ele acorde...

Kenny – Certo... – E lentamente, ele colocou o cesto no chão, evitando o mínimo de barulho, pra surpresa de Alice – Eu pretendia continuar com as aulas de esgrima, mas o peso-morto ficou mais pesado...

Alice – Se ele acordar antes da noite, acho que você pode tentar dar as suas aulas...

Kenny – Você sabe que ele normalmente fica treinando até bem depois da noite...

Alice – Sim, e por isso, eu quero que ele fique assim pelo máximo de tempo possível... Ele precisa descansar...

Kenny – Isso também é mentira... Se ele estivesse acordado, você acha que ele não estaria lá, - ele apontou pro meio da clareira, aonde estavam alguns bonecos de treino – treinando até quase se matar?

Alice – Eu sei!... – Ela encarou o garoto, vendo o quão profundo ele estava em seu sono – Eu queria entender o porquê de ele fazer isso... Parece até que ele não vê seus próprios limites...

Kenny – E ele não vê mesmo... Esse idiota botou na própria cabeça que ele precisa ser o mais forte que existe, só pra tirar o velho Vann do exilio...

Alice – Mesmo se ele não passar na primeira vez, ele teria outras duas vezes pra tentar!... E também, o Conselho pode tirar o Hart do exilio...

Kenny – Vamos por partes... Se ele for derrotado, ele só treinaria ainda mais... Se agora ele já é imprudente e inconsequente, uma derrota seria o caminho mais rápido pra ele fazer alguma loucura pra ficar mais forte!... E também, se o Conselho decidisse tirar o velho Vann do exilio, o peso-morto aí não ia ficar quieto, afinal, ele se culpa pelo pai estar exilado...

Alice – Eu sei, mas... Ele é só uma criança... Ele deveria estar com ambos os pais, em algum lugar longe daqui...

Kenny – Pra nós mestiços, isso é bem impossível...

Drake – Eu não acho...


Ambos Kenny e Alice finalmente perceberam que ele estava acordado. Drake levantou, ainda meio sonolento, coçando sua nuca.


Alice – Há quanto tempo você estava acordado?...

Drake – Desde a parte que eu deveria estar com ambos os meus pais...

Kenny – Você disse que não era tão impossível, como?

Drake – Passando pelo Ritual!... Claro, eu já vou ter dez anos, ou seja, o final da minha infância, mas eu não acho que é um problema! Daí, eu vou poder ficar com a minha mãe, lá no reino aonde ela mora!

Kenny – E pra isso, você precisa passar pelo Ritual...

Drake – Eu vou conseguir! Eu já consigo manipular o fogo muito bem, e as suas aulas estão finalmente mostrando algum resultado! – Ele, então, notou o cesto com as espadas – Vejo que vamos continuar com elas!

Alice – Não! Com seus braços desse jeito, você precisa descansar!

Drake – Eu posso lutar!

Kenny – Só me diga como, peso-morto!

Drake – Com a minha cauda! – E após segundos, a mesma surgiu.

Kenny – Você mal consegue segurar uma espada dessa com as duas mãos, e agora, você vem com isso daí?

Drake – Bom, seguindo a mesma lógica que os meus braços, eu só preciso fortalecer a minha cauda, certo?

Kenny – Você faz isso parecer tão simples... Eu sei que tem uma utilidade, mas por que usar a sua cauda pra isso?

Drake – Porque eu não posso usar meus braços, obviamente!

Kenny – Então, você está dizendo que, numa situação real de combate, aonde os seus braços estivessem incapacitados, você usaria sua cauda?

Drake – Sim! – Ele falou como se fosse obvio.

Kenny – E se você também não puder usar a sua cauda?

Drake – Chutes!

Kenny – E se o mesmo acontecer com suas pernas?

Drake – Huh, sem braços, pernas e a cauda... – O brilho de seus olhos sumiu, assim como o sorriso em seu rosto – Eu já vou ter morrido então...

Alice – ...Drake...

Kenny – Certo, peso-morto, vamos ver o quão bem essa sua teoria funciona... – Rapidamente, o brilho voltou aos olhos do garoto.

Drake – Vamos mesmo?

Kenny – Com uma condição! Se você soltar a espada, eu só vou voltar a te treinar quando os seus braços estiverem recuperados!...

Drake – Certo, mas eu não vou ser derrotado tão facilmente!

Kenny – Vamos ver...

Alice – Já que não tem outro jeito... Não exagerem, principalmente você, Drake!

Drake – Eu sei, eu sei!...


[...]


Era tarde, o sol já estava quase pondo. Rihana continuava lá, com aquela chama em suas mãos, ela ainda estava sentada, só que agora, Drake apoiava sua cabeça em seu colo; Rihana tinha feito aquilo para que, mesmo que minimamente, o garoto dormisse em algo confortável.

Inconscientemente, ela acariciava os cabelos do garoto, parecia haver algo de pacifico naquilo. Após alguns minutos, Drake acordou, ele levantou coçando sua nuca, e bocejou, antes de deitar-se novamente, ainda meio sonolento e com os olhos meio abertos.


Rih – Boa tarde...

Drake – Rih?... – Ele finalmente percebeu aonde estava, e levantou-se rapidamente – E-Eu... Há quanto tempo eu estava... Desse jeito?...

Rih – Acho que umas... Três horas, talvez? – Ela levantou com cuidado, mantendo o fogo estável – Por que?

Drake – Eu queria ter cochilado, e não dormido pro três horas... – Então, ele encarou aquela chama – Vejo que ela não diminuiu de intensidade...

Rih – Sim, mas eu ainda não consigo dizer o quão intensa ela está...

Drake – Mas, você conseguiu evitar que ela se apagasse, certo?

Rih – Sim! Qual vai ser o próximo passo?

Drake – O próximo passo... – Ele estalou os dedos, e aquela chama momentaneamente subiu aos céus, antes de sumir – Na próxima aula, vamos continuar nesse ponto, você vai aprender a como bloquear o controle dos outros sobre o seu elemento...

Rih – Certo!

Drake – Agora, vamos, eu preciso comer algo...


[...]


Fora do Plano Terreno, num “lugar” afastado dentro do Plano Celestial, duas entidades observavam o fluxo linear do tempo no Plano Terreno. À frente dos dois estava uma esfera de cristal que projetava uma imagem do passado.


“Drake – Naudyn!! Aeon!! Eu vou fazer essa aposta! E é bom que vocês possam cobri-la!...” – Um dos dois moveu dois dedos pra esquerda, e aquela projeção voltou alguns segundos no tempo – “Aeon!! Eu vou fazer essa aposta! E é bom que vocês possam cobri-la!”

Aeon – Realmente, ele é alguém único... Eu consigo ver porque você o sugeriu...

Naudyn – Isso ainda não é nada! Eu sei que ele vai evoluir ainda!

Aeon – Continue pensando assim...

Naudyn – Eu sei que as coisas nem sempre são boas, Aeon.... Mas, por que você me chamou?

Aeon – Ah sim! Ela deve chegar à qual- Eles ouviram os sons de passos – Huh, alguns minutos antes?... – Após alguns minutos, uma terceira pessoa apareceu ali, Flaummien – Então, Flaum, que velhas notícias você me traz?

Flaum – Se você já sabe, eu realmente preciso falar?

Aeon – Claro! Meu convidado aqui – Ele apontou para Naudyn – Não sabe disso ainda!

Naudyn – O que?

Flaum – Eu conversei com eles, e Erthranos foi o único que me deu uma resposta! Ele já escolheu três pessoas que podem ser o Cavaleiro da Terra!...

Naudyn – Tão cedo?

Flaum – Você sabe como ele é...

Naudyn – Sim...

Aeon – Três pessoas... – Ele ficou pensativo por alguns minutos - Ah, entendo, entendo! Huh, são opções bem... extravagantes, eu diria, não parece combinar com o Erthranos...

Flaum – Mas, qual deles é o certo?

Aeon – Não existe um certo, apenas aquele que eu escolher!... – Ele estendeu uma de suas mãos, e acima dela, quatro dados de vinte faces surgiram – É, vai ser isso!... Agora, qu-

Flaum – Que os dados do Destino rolem nesse tabuleiro! – Ela disse aquilo com um leve tom de deboche.

Aeon – Ei! Eu sou o único que fala isso por aqui, beleza?

Flaum – Você sempre fala isso, e eu nunca entendi o porquê...

Aeon – Porque é o que eu estou fazendo! Eu estou literalmente jogando os dados do “Destino”, no caso, eu, no tabuleiro do mundo! – Ele segurou os dados fortemente – Agora... Que os-

Flaum – DADOS ROLEM PELO TABULEIRO!!

Aeon – Você quer parar com isso??

Flaum – O que? – Ela levou seu indicador até seus lábios – O que eu fiz?

Aeon – Pare de estragar o meu negócio!... É por causa disso que eu não gosto que vocês venham aqui... – Ele finalmente jogou os dados, sem nenhuma emoção – Vocês sempre estragam o meu rolar de dados do Destino...

Flaum – Bom, você precisa sempre dizer que vai fazer isso? Não é cansativo, ou enjoativo?

Aeon– Não, afinal, só eu sei o que vai acontecer a seguir...


Notas Finais


Bom, mais um capítulo!

Depois daquela luta, finalmente foi mostrado o que aconteceu com os Pecados, e ainda mais, o que vai acontecer com a Lilith?

Diálogos expositivos com o professor Hamill! E também, um flashback com ele criança! E o Kenny também!

Um encontro entre os deuses, e aparentemente, o Cavaleiro da Terra vai aparecer, só não posso dizer quando...

(é, isso vai ser o meu bordão!)
Para o próximo capítulo, que os dados do destino rolem sobre esse tabuleiro!


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