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História Who are you, Alice? - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Demorei mais do que o planejado pra postar esse capítulo e acho que tudo que eu não escrevi no capítulo anterior eu escrevi nesse hashuahashua. A garota da capa nesse capítulo é a protagonista, eu acho que não tinha momento melhor pra mostrar ela do que agora.
Ah, nosso príncipe branco não aparece nesse capítulo e talvez nem no próximo, pelo menos não diretamente, mas esperem. Vai dá certo. Depois ele vai aparecer até enjoarem.

Espero que gostem e perdoem qualquer erro.

Capítulo 2 - In The Rabbit Hole


Fanfic / Fanfiction Who are you, Alice? - Capítulo 2 - In The Rabbit Hole

            Na Toca Do Coelho

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“A formiga me contou que o sapo era mau. O sapo me contou que o gato era mau. Mas, o gato me disse: Não, o coelho é o pior de todos eles.”Alice Mare

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- Lu... Você está me ouvindo? – O garoto reclamou e cruzou os braços encarando os olhos cinzas de fundo amarelado da garota.

- Hum? – Ela murmurou um som de espanto, mostrando que as desconfianças dele estavam corretas.

  Lucy suspirou. Ethan, seu melhor amigo não parara de “lhe render informações” – conhecido também como fofocar – e falar sobre qualquer outra besteira há mais de uma hora, no entanto a mente da garota estava longe. Divagando em conversas familiares antigas e nos seus pensamentos mais profundos.

  Voltou a mexer no canudo do seu milk-shake pensando nas horas de exercício que teria de gastar para queimar as calorias que ganharia. Apenas para agradar o crápula que era seu pai. As roupas ainda postas no corpo era o uniforme do colégio e a cafeteria ficava de frente com o mesmo. Bem... Era uma cafeteria bem popular devido ao excepcional sabor das bebidas e também das outras guloseimas servidas. A freguesia era enorme e dificilmente se conseguia uma mesa no lugar.

  Passou a mão por seus cabelos enrolados de cor castanho-escuro, colocando-os atrás da orelha. Um hábito que carregara por anos, desde sua infância, normalmente quando estava muito pensativa, nervosa, ou nesse caso, contrariada.

- Você realmente não estava prestando atenção em mim, certo? – Ethan a encarou com os profundos olhos negros e um sorriso de canto que estava debochando dela.

  Lucy revirou os olhos e fingiu um aborrecimento que nem ao menos conseguia sentir devido a preocupação que já estava impregnada em sua mente.

  Analisou o amigo. Os cabelos platinados descoloridos agora estavam raspados aos lados e a parte de cima permanecia intocada. Piercings em seu lábio inferior, nariz e sobrancelha. As varias tatuagens no corpo e o uniforme vestido desleixadamente... Não era bem a companhia que as pessoas diriam que uma garota como ela teria.

  Mas não. Lucy Black não era o tipo de pessoa que ligava para aparências e também poderia dizer que não tinha uma panelinha para si. Gostava de ler tanto quanto gostava de resenhas na casa dos amigos. Poderia beber um cappuccino no final da tarde, mas também um copão de vodca as 00:00. Apreciava tanto o silencio quanto o barulho da bagunça que o garoto a sua frente e suas duas outras melhores amigas – Emma e Meg – faziam quando se juntavam na casa de um dos três citados.

  Muito provavelmente – além do estilo de Ethan – seu pai não apreciava – pra não dizer odiava – sua amizade com o garoto pelo fato de o achar uma péssima influencia para a filha.

- Estou pensando sobre...

- Ainda sobre... Aquilo? – Ele perguntou receoso, pois sabia que aquele era um assunto que a perturbava a mais de um ano.

- É difícil não pensar, a data está chegando. – Era clara a preocupação na voz da menina.

  Ela tinha um casamento arranjado. Seu pai era um empresário reconhecido de Londres e apesar de aquele ato não ser mais tão comum, ele tinha seus meios. Principalmente se envolvia benefícios para si mesmo, o que era o caso.

  Aconteceria após seu aniversário de 18 anos, que seria em período dali para nove meses. Poderia parecer longe, mas para ela passaria desesperadoramente rápido.

- Tente relaxar um pouco, temos algum tempo ainda para podermos pensar em uma solução no mínimo plausível. – Tentou acalma-la, inutilmente. Pegou sua xícara de porcelana decorada, servida com chá e levou até os lábios.

  Apesar da aparência agressiva, Ethan era um verdadeiro inglês e cavalheiro britânico. Gentil, carinhoso, compreensível e educado, sem falar que era um amante de chá e sempre estava disposto a sair para apreciar uma bela xícara.

- Sabe que não há nada que possamos fazer. É uma decisão dele e fim.

  Ao terminar a frase, um grande carro preto parou ao lado do café. Próximo a mesa em que ela estava. E ao abaixarem a janela Lucy percebeu a quem se tratava. A carranca mal-humorada do pai encarava propriamente o amigo que fingiu não notar, mas a garota percebia perfeitamente bem que aquilo o incomodava. Já a mãe e a irmã mais velha pareciam a ignorar como sempre costumavam fazer, porem de jeitos diferentes. A irmã tinha uma expressão de insatisfação e desgosto, com uma mistura de indiferença – as mesmas de seu pai – e a mãe permanecia com o mesmo semblante melancólico que carregava consigo desde que Lucy se lembrara por gente, desde quando tentava chamar sua atenção e era ignorada até os dias desse mesmo ano.

  Sua mãe nunca reproduziu uma palavra diretamente com ela. Eram atos que raramente aconteciam e quando ocorriam, nunca era olhada nos olhos.

  Ela se despediu apressadamente e desengonçadamente do amigo, sem querer deixar sua família na espera, pois sabia o que aconteceria caso o fizesse.

  Por um momento desejou uma vida diferente.

 

                                  ༒

 

  Seus braços abraçaram seu corpo, tentando aquece-lo da baixa temperatura do carro devido ao ar-condicionado. Já estava escuro e os olhos ardiam pelo sono enquanto estavam na estrada voltando para casa. A mesma ficava mais distante do centro e tinha que atravessar uma ponte para chegar.

  O caminho era sempre entediante e silencioso, pelo menos, normalmente. No entanto, dessa vez seu pai reclamara durante todo o caminho sobre o seu amigo.

- Que vergonha para nossa família... Andando com um garoto daquele nível. O que falarão de nós. – Ele resmungou a encarando pelo retrovisor.

  A mesma reação de desgosto, desaprovação e raivoso que sempre mostrava para ela como se fosse para deixar claro a ela que era indesejada naquela família.

- Lucy não tem noção papai, você deveria saber. Lembro-me de já ter lhe dito que ela será a degradação do nosso nome. – Quem falara era Erin Black, sua irmã mais velha.

  Lucy sentiu vontade de xinga-la mais do quê nunca naquele momento e descontou sua irritação nas próprias mãos maltratando as com as unhas enquanto fechava suas grandes mãos ásperas em punhos grosseiros.

  Não era a primeira vez que Erin falava aquelas coisas sobre ela, tinha momentos em que a mesma chegava até a chama-la de meretriz e em casos mais agressivos de puta e vagabunda, além de outras palavras de baixo calão existentes. O pai também participava das agressões verbais, no entanto, não somente delas como as físicas também.

  Era um castigo. Sempre acontecia quando Lucy fazia algo que o mesmo não gostava ou o desrespeitava. Ele gritava com ela, humilhava e em seguida fazia todos os tipos de agressões que eram possíveis. A mãe só olhava juntamente da filha mais velha, no entanto – como já dito antes – com semblantes diferentes: Erin olhava quase com admiração e satisfação – expressões essas que só apareciam nesses momentos – e a mãe com o mesmo olhar de esmorecimento.

  E toda aquela situação tinha deixado marcas muito maiores na garota do que as cicatrizes e lesões que escondia por trás das roupas e maquiagens. Lucy tinha pavor de gritos e barulhos altos, um tipo de trauma ridículo demais até para a própria garota, mas difícil de ser contido. Sempre que a mesma escuta, ou se encolhe ou sai correndo desgovernada sem direção enquanto chora.

  Mas já tinha se acostumado com a rotina. Estavam a criando para ser a esposa perfeita e obediente ao seu futuro marido. Coisa que a mesma não conseguia engolir de jeito algum, mas tinha que o fazer pois não possuía escolha.

  Evitou falar qualquer coisa, porque sabia o que aconteceria caso o fizesse. Observou a janela do carro com atenção notando a vegetação do lugar enquanto ouvia um barulho esquisito.

  Como se uma das portas do carro estivesse aberta.

- Estamos falando com você Lucy, está ouvindo ou preciso ser mais severo com você? – Sua voz soou ainda mais agressiva e virou-se para trás na intenção de encarar a garota.

  O olhar era muito mais grosseiro e áspero do que antes, o que fez ela tremer brevemente querendo desviar os olhos acinzentados dos olhos vinhos raivosos dele.

  E então nossa menina percebeu novamente algo que já estava em sua mente há algum tempo. Ela não possuía qualquer semelhança física com os pais.

  Kate, sua mãe, tinha longos cabelos loiros ondulados e lindos olhos azuis claros angelicais, sempre revestidos de tristeza, desamparo e arrependimentos, 38 anos. Anthony, o pai, tinha cabelos platinados bem penteados e olhos vinhos de cor duvidosa e uma aura gélida, sempre usando elegantes ternos de marca, 40 anos. Até mesmo Erin, sua irmã dois anos mais velha – tendo 19 anos – era completamente parecida com o pai. Tendo cabelos de comprimento longo na cor platinada, expressão gélida e comportamento doentio. A única coisa da mãe que tinha eram seus olhos tão azuis claros quanto os de Kate, mas ao invés de melancolia carregava uma maldade incomum.

  Enquanto Lucy possuía características desiguais demais para alguém que era filha deles.

- Querido, olha o caminhão! – A mãe quase gritou e foi a única vez em que a menina a vira mudar a expressão.

  O homem voltou-se para frente e um clarão iluminou seu rosto. Em um momento de desespero ele jogou o carro para o lado, mudando-o de faixa de um jeito tão bruto que todos dentro do carro gritaram em espanto. Estava desgovernado na pista que já estava lisa devido a chuva que dera algumas horas antes.

   Lucy agarrou-se fortemente a porta do carro com medo de um provável acidente. Maldito habito que tinha de não colocar o cinto de segurança! No entanto a porta abriu – provavelmente porque já estava mal fechada – e ela foi arremessada para fora do carro, a pista ficava à beira de um precipício.

  Ela gritou quase que enlouquecidamente e seus braços tentaram se agarrar em algo que nem existia por puro impulso. As costelas se chocaram contra pedregulhos e o pequeno corpo estava se chocando em varias galhas e arbustos na longa decida, arranhavam seu corpo quase descoberto e rostos. A bolsa já tinha se desenganchado de seu braço e agora ela caía sem se bater em nada e diretamente para o chão.

  Ela ainda gritava enquanto sentia náuseas pela queda. Não conseguia nem ao menos pensar coerentemente em qualquer coisa que fosse e fechou os olhos fortemente evitando assistir o resto que lhe restava de vida.

  Mas seu corpo se chocou contra algo úmido e frio. Doeu profundamente, ainda mais pela feridas e machucados já depositados em seu físico, no entanto aquela dor era a prova de que estava viva o que fez Lucy abrir os olhos e perceber que estava debaixo da água. Ela nadou para cima e conseguiu ver a borda, a qual tentou – inutilmente – alcançar. No entanto a correnteza estava forte e fazia questão de devolve-la para o fundo das águas, como se aquele fosse o lugar dela.

  O corpo falhou e os braços balançaram descompassadamente sem direção correta. Água entrava por suas narinas fazendo-as arder e a garota se engasgar. O afogamento era claro agora e ela estava até mesmo começando a aceitar a ideia. Uma enorme paz encheu seu ser e ela apenas fechou novamente seus olhos em um tempo curto de alguns minutos.

  Já não sentia mais a morte.

 

                            ༒

 

  A visão parecia borrada quando abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi a mão ao lado do rosto. Apoiou-a no chão juntamente com a outra para pegar impulso e sentar-se percebendo que estava finalmente na beirada do rio. A bolsa também estava ali e Lucy imaginou que provavelmente tanto ela própria quanto o objeto foram levados até a margem pela própria correnteza.

  Ela suspirou e sem reconhecer onde estava, parecia algum tipo de floresta, bem fechada devido a aparente falta de luz que estava no lugar. Ela levantou-se do chão. Quase cambaleando para os lados sentindo uma fraqueza arrebatadora em seu corpo e então pegou sua bolsa pegando o celular de dentro, colocou-a no ombro novamente e a tentou ligar o celular.

  Por sorte – já que não encontrou uma lógica para aquilo – seu celular ainda prestava perfeitamente bem, no entanto, não tinha sinal. Ela bateu o pé na terra e começou a caminhar no lugar, adentrando ainda mais a mata. Tinha de tudo, desde as arvores maiores para menores, arbustos, insetos, mosquitos, ruídos estranhos e grandes rochas distribuídas desalinhadamente pelo lugar. Mas não tinha nenhum sinal no celular ainda, o que a tinha aborrecido. Sentou-se em uma das rochas agarrando os cabelos molhados descontando neles sua frustração. Seu único plano de achar uma saída tinha falhado.

- Tisc... – Um som de insatisfação soou pelo ouvido dela, o que a fez levantar a cabeça e olhar em volta.

  E ela viu um coelho. Um majestoso coelho de pelagem extremamente branca e vibrantes olhos vermelhos. E a coisa que mais a chamou atenção foram as vestes. Vestes de época. Vestes demais para um coelho, principalmente para um coelho da floresta. E por algum motivo aquele coelho tinha uma expressão que demonstrava irritação. Super estranho.

- Merda, estou atrasado para aquela droga! – Ele resmungou, alto demais. Rude e grosseiro. Palavras quase baixas demais enquanto analisava um enorme relógio de bolso parecendo descontente.

  Um coelho que fala – palavrões e tudo – usando roupas de época e um relógio de bolso. Sem falar nos negros sapatos ilustrado nas patas traseiras. Lucy coçou a cabeça e começou a massageá-la, achando que na queda tivesse a batido forte demais ou então estava louquinha da cabeça.

  Ele virou na direção dela e um fofo olhar de espanto tomou conta do rostinho peludo, mas logo foi substituído pela mesma expressão aborrecida de antes.

- Droga...  Essa humana tola e idiota me viu. – Em um murmúrio ele falou e logo começou a se afastar, correndo.

  “Ele estava falando mal de mim?” – Ela pensou, sentindo uma raiva incontrolável.

  Ela levantou da pedra e começou a correr atrás dele. Nem quis mais saber se aquilo era uma ilusão da sua mente abatida ou não. Não poderia deixar que a ofendessem daquela forma, mesmo que quem o fizera fosse um coelho falante com roupas antigas e vitorianas. Ah, ela caparia ele.

  Mas era obvio que o mesmo era bem mais rápido que ela. Podia ser pequeno, mas as patinhas tinham uma potência de outro mundo. Lucy já estava se cansando de correr atrás da sua ilusão aborrecida.

  De repente ele sumiu diante de seus olhos como se tivesse entrado em algum lugar. Ela corria rápido também, e seus pés apressados não pararam a tempo suficiente, pois ela novamente sentiu seu corpo cair.

  O físico dela rolava no ar no período da sua enorme – outra – queda. E olhando para o topo ela pode perceber um buraco que remetia um pouco de luz. Estava na toca do coelho? Tocas de coelhos deveriam serem tão fundas e largas assim?

  Ela fechou os olhos, sentindo novamente náuseas e dessa vez uma forte sensação de desmaio. Parecia não ter fim e a mesma não fazia a menor ideia de como voltaria para cima. Algumas vezes, quando tinha coragem para abrir os seus olhos, ela percebia alguns objetos grudados nas "paredes". Em sua maioria, relógios e xícaras de chá. Mas também tinha chapéus, mesas, vestidos, cadeiras e até mesmo animais, o que deixava a garota cada vez mais aterrorizada com a situação em que estava.

  E, como se os Deuses atendessem ao seu pedido, ela já poderia avistar o chão, mas com certeza não tinha gostado nem um pouco de como o alcançaria. Afundou o rosto nas duas palmas esperando atingir a superfície dura, no entanto seu corpo parou no ar antes do ocorrido, os cabelos enrolados flutuavam. Suspirou em alívio.

  Porem a comemoração levou pouco tempo, pois logo voltou a cair de uma altura de dois metros e caiu de cara no chão com bastante força.

  Ela permaneceu deitada no chão por um tempo, sentindo a dor que se alastrava por seu corpo já maltratado devido ao acidente de antes e quando sentiu que já estava mais firme para levantar novamente, o fez, pegando a bolsa que parecia sempre fazer companhia para si.

  Percebeu estar debaixo de uma enorme arvore que ficava no topo de um morrinho e, um pouquinho mais ao longe tinha um conjunto de casas e não só isso, tinha um imenso castelo também. O lugar era completamente rural, tendo apenas uma simples estrada feita de pedras grandes e grossas e muitas plantas. No entanto, apesar de todas essas coisas que já eram estranhas, o que mais não lhe fazia sentido era que na floresta em que estava após o acidente era noite, e agora... O sol raiava tão forte que paresia ser 07:00 da manhã.

  Se sentia perdida e em seus pensamentos se perguntava incansavelmente onde estava. Limpou o uniforme, que já não estava mais em suas melhores condições e começou a andar em direção ao conjunto de casa, na expectativa de conseguir alguma informação.

  Ao entrar completamente no lugar e o observar bem, ela pôde perceber – ou pelo menos imaginar – que estava em algum tipo de aldeia. As casas eram feitas com madeiras, o teto de algumas com palhas. Havia algo parecido com uma feira com várias barracas e cada uma delas vendiam seus respectivos produtos. Frutas, verduras, pães, grãos, flores, vestidos, objetos decorativos... Produtos que pareciam chamar a atenção das mulheres que naquela manhã faziam suas compras. Inclusive, as mesmas possuíam o mesmo tipo de vestimenta que o coelho. Roupas antigas e vitorianas.

  Todavia os homens pareciam – também usando o mesmo tipo de roupa e outros até mesmo com armaduras – mais interessados em comprar armas. Não armas de fogo, mas sim machados, arcos e flechas, lanças, bestas, facão e até mesmo espadas. Alguns deles inclusive, estavam em uma área mais aberta, lutando e testando seus novos utensílios que a garota apenas tinha visto em seus livros de história. Algumas pessoas até cercavam o lugar para apreciar e se deleitar com a cena.

  Lucy também não pode deixar de olhar em como as pessoas a encaravam. Especialmente as mulheres. Era invasivo, cheio de julgamentos e completamente acusatório, o que a fez começar a abaixar a saia devido ao fato de estar se sentindo desconfortável demais. A saia nem ao menos era curta, ficando quase na altura dos joelhos, mas devido ao fato de os vestidos daquelas que a encaravam serem longos ate os pés, talvez fosse curto demais para o lugar.

  Erin já a tinha chamado várias vezes de meretriz e de outras coisas que remetessem à prostituição, mas aquela era a primeira vez que se sentia verdadeiramente como uma.

  Respirou fundo, tentando se recompor e se aproximou de uma das mulheres que estavam comprando pães.

- Com licença senhora, perdoe-me pela intromissão, mas poderia me informar que lugar é esse? – Perguntou, do modo mais gentil e respeitosos que poderia fazer.

  Mas a mulher ainda assim a encarou com desdém no olhar.

-  Você tem algum problema? Algo impedindo o seu raciocínio? Estamos na aldeia do reino de Acárdia. Como você pode não saber disso? Esse é o maior reino de todo esse mundo. Agora se me permite, pararei de falar com uma garota como você... Uma vagabunda. – Com completa arrogância ela falou, encarando as roupas de Lucy com uma feição de nojo e voltou a fazer suas compras, ignorando mais uma vez a garota.

  Lucy ficou abismada com o comportamento daquela mulher, tão mesquinha e preconceituosa com algo tão pequeno.

  “Talvez ignorância seja a marca dessa região.” – Ela pensou

  Bufou aborrecida e tirou do bolso do suéter vermelho sangue com o símbolo da escola o seu celular, mas ainda permanecia sem sinal. O guardou novamente no mesmo lugar, fechando as mãos em punhos.

  Mas logo ela parou com aquela birra, ao reparar em sua própria aparência. Por pura coincidência – ou não – estava diante de uma barraca de espelhos, onde, inclusive, um enorme estava na frente da mesma, mas não estava refletindo sua imagem. Ou pelo menos não a imagem que era pra ser. Tateou os cabelos e o rosto, ambos diferentes de antes. Principalmente os cabelos que antes eram enrolados e em um tom de castanho escuro, e agora não passavam de um cabelo levemente ondulado e loiro, a única coisa de sua antiga aparência que permaneciam nela eram os olhos cinzas de fundo amarelado. Aquilo já estava irreal demais. Ainda mais do que antes.

- Está perdida, pequena Alice? – Alguém perguntou, com uma voz brincalhona, risível, debochada e masculina. Ela se virou para trás apenas para comprovar que seu pensamento era correto.

  Ele era razoavelmente alto, e tinha cabelos roxos repicados e completamente bagunçados. Olhos amarelados e as pupilas como as de um felino, além do fato de ter orelhas e rabos de um gato, roupas completamente diferentes dos outros e um sorriso bizarro demais para qualquer pessoa normal.

  Mas ele não era normal, obvio.

- Hum... Acho que cometeu um erro senhor. Meu nome é Lucy, não Alice. – Ela explicou, sorrindo amigavelmente, tentando convencer pelo menos uma pessoa a ter vontade de ajuda-la.

  Ele permaneceu sorrindo e arqueou uma sobrancelha.

- Ora..., mas você entrou na toca do coelho e caiu aqui, não foi? Exatamente como a Alice faria.

- Quem é você? – Ela perguntou desconfiada pois aquele homem parecia incrivelmente com uma criatura ardilosa.

- Me chamam de Cheshire, mas também me chamam de gato risonho. – Ele fez uma breve reverencia.

- Como em Alice No País Das Maravilhas... – Lucy falou quase que no automático, quase como se tivesse lido um plot de um de seus livros de mistério.

  O sorriso dele aumentou de um jeito sinistro e impossível para qualquer pessoa normal.

- Que coincidência, não achas? - ele inclinou a cabeça para o lado.

  E então Lucy sentiu uma mão quente tocar-lhe o ombro, fazendo-a virar em espanto. Era uma mulher, ela tinha longos cabelos platinados ondulados que estavam presos em um penteado bonito – duas mechas laterais presas atrás e o resto do cabelo solto - e olhos em um azul turquesa brilhante. Uma expressão suave marcava o seu rosto delicado e seus olhos mostravam um interesse evidente. Aparentava ter por volta de 30 anos. Usava um vestido simples na cor bege com mangas bufantes, um colete de couro marrom claro com algumas amarras e uma cordinha que segurava um saquinho onde a mesma aparentava guardar dinheiro, tinha alguns babados e devido ao comprimento longo do vestido fora impossível ver quais sapatos usava. Possuía sacolas nos braços que pelo que deu para Lucy perceber, guardava, frutas, verduras, pães e flores.

  A menina olhou para trás, mas o garoto já tinha desaparecido.

- Você está bem? – A voz feminina parecia querer chamar sua atenção e Lucy a olhou novamente.

  A mulher a encarava silenciosamente, mas de um jeito tão firme que parecia lhe exigir uma resposta. Lhe obrigar a dar uma resposta.

- Ah... Eu estou bem sim. Obrigada. – Falou com uma falsa animação.

  A mulher pareceu desconfiada.

- Moro aqui há anos, mas nunca a vi nesse lugar. De que reino você veio? – A garota inclinou seu rosto franzindo a testa e a mulher ao notar acabou fazendo o mesmo. – Você não sabe? – Ela negou com a cabeça. Lucy veio de Londres, mas não achou que ela consideraria isso como sendo um reino. – Será que perdeu a memória?

  Lucy pensou, considerando a ideia de algum jeito absurdo, afinal, não saberia explicar como chegou ali, não sem pelo menos a considerarem uma completa maluca.

  Ela se aproximou da menina, com seus olhos ainda transbordando interesse. Lucy deu um passo para trás um pouco hesitante e desconfiada do movimento repentino daquela estranha. E quando a mesma chegou o mais próximo que poderia da garota, ela sentiu seu dedo indicador levantar seu queixo delicadamente, todavia com força e firmeza. Seus olhos azuis analisaram o rosto modificado da garota de um jeito quase indecifrável para a mesma.

- Você é especialmente bonita... – Sua voz se tornou baixa. Seu interesse em Lucy era claramente obvio e ela não fazia nada para esconder isso. – Venha comigo, e eu te darei roupas nova, uma moradia, cama e comida... Farei de ti minha filha e lhe apresentarei a todos dessa forma...Você só vai precisar me fazer um favor.

  Ela se apavorou com a mudança drástica de comportamento da mulher em uma pequena escala de tempo. Pensou na proposta, estava perdida em um lugar do qual nem ao menos tinha conhecimento, sem comida, sem uma cama para dormir, um teto para cobrir sua cabeça e sem proteção. Prontamente aceitou a oferta. O favor que teria de fazer no momento não importava.

- Ótimo. – Estendeu a mão para a garota que a segurou sem hesitar. – Qual o seu nome meu anjo? Consegue se lembrar dele? O sobrenome não me interessa, afinal, te darei o meu.

  Lucy afirmou com a cabeça. Lhe daria um nome, mas de alguma forma as coisas estavam estranhas demais para si. Aquela mulher era estranha demais inclusive. E seu nome era importante para si demais para que pudesse simplesmente dá-lo a alguém, seus problemas de confiança nas pessoas, devido a convivência com o seu pai não a permitia ser completamente sincera. Mas Lucy não estava mais em casa, podia ser quem quiser, a aparência tinha mudado também. Tudo estava diferente, e o nome também seria.

- Meu nome é Alice.

 


Notas Finais


Eu já tinha esse capítulo, mas como eu disse, no caderno. Até tinha mudado ele quando passei ano passado pro computador, mas então o refiz, todo o inicio está completamente diferente e a parte que está mais ou menos igual é quando ela cai na toca, mas mesmo assim está diferente, sem falar que minha escrita mudou muito desde o ano passado.


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