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História Who do you love? ( Fanfic Ten) ( WayV, NCT) - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Capítulo


Fanfic / Fanfiction Who do you love? ( Fanfic Ten) ( WayV, NCT) - Capítulo 14 - Capítulo

Sinto um cheiro diferente ao abrir os olhos. Os barulhos também são estranhos. Não tenho dúvida de onde estou. Sei que estou na casa de Ten. Mas... não estou em meu quarto. Olho para a parede. No quarto principal, ela é cinza clara. Essa aqui é amarela.

Amarela, como as paredes dos quartos do segundo andar. A cama onde estou deitada começa a se mexer, como se alguém estivesse se movendo. Fecho os olhos bem apertados. Deus, por favor. Não, não, não, não, diga que não estou na cama de alguém. Meu corpo todo treme. Abro os olhos devagar e viro a cabeça em ritmo bem lento. Quando vejo a porta, a cômoda e a TV na parede, imediatamente rolo da cama e caio no chão. Vou me arrastando até a parede e me levanto, ainda encostada nela. Não consigo abrir os olhos. Mal consigo ficar em pé de tão histérica.

Estou tremendo tanto que posso ouvir o barulho da minha respiração. Dou um grunhido a princípio, mas é só abrir os olhos e encarar Kevin naquela cama que começo a gritar. Mas rapidamente levo a mão à boca. Está escuro lá fora. Todos estão dormindo. Preciso ficar quieta. Há muito tempo isso não acontecia. Anos, provavelmente. Mas está acontecendo agora. Estou apavorada e não tenho a menor ideia de como vim parar aqui. Será que é porque estava pensando nele?

Não há qualquer padrão no sonambulismo, S/n. Não tem sentido. Nem tem a ver com intenção. Ouço as palavras do meu terapeuta, mas não quero nem começar a digeri-las. Preciso sair daqui. Anda logo, S/n. Ele acorda provavelmente por causa do meu grito.

— O que está fazendo aqui? Ah já sei, não aguentou ficar longe de mim. - ele sorrir.

Vou para o outro lado do quarto, o mais longe possível daquela cama e em direção à porta. As lágrimas correm pelo meu rosto ao abrir a maçaneta e sair correndo do quarto.

Então Xiaojun me segura e me obriga a parar.

— Ei! - diz, virando meu rosto em sua direção. Ele vê as minhas lágrimas e o terror em meus olhos. Quando me solta, saio correndo. Passo pelo corredor, desço as escadas e só paro ao bater a porta do quarto e voltar à minha cama.

Que porra é essa?

Aninhada por baixo das cobertas, fico encarando a porta. Meu pulso começa a latejar, então o seguro com a outra mão e trago até o peito.

A porta se abre, Xiaojun entra e depois a fecha. Está com uma camisa preta, com uma calça de pijama vermelha de flanela. Só vejo um borrão vermelho à medida que ele se aproxima. Logo ele está de joelhos, com a mão em meu braço, seus olhos procurando os meus.

— S/n, o que aconteceu?

— Desculpa - murmuro, enxugando as lágrimas. — Desculpa.

— Desculpar pelo quê?

Balanço a cabeça e me sento na cama. Vou ter que explicar a ele. Ele acabou de me flagrar no quarto do seu primo no meio da noite. Deve estar com a cabeça fervilhando de perguntas. Perguntas para as quais não tenho resposta, na verdade.

Xiaojun senta ao meu lado na cama, levantando uma das pernas para ficar de frente para mim. Coloca as mãos em meus ombros e abaixa a cabeça, me encarando com um olhar muito sério.

— O que aconteceu, S/n?

— Não sei - digo, me balançado para a frente e para trás. — Sou sonâmbula às vezes. Não acontecia há muito tempo, e acho que talvez... Não sei.

Minha voz soa histérica, que é exatamente como me sinto. Xiaojun percebe, porque segura forte meus braços e me traz mais para perto, tentando me acalmar. Não pergunta mais nada por alguns minutos. Acaricia minha cabeça para me consolar. Por mais que ter seu apoio seja maravilhoso, ainda me sinto culpada.

Não mereço.

Quando ele se afasta, posso praticamente ver a pergunta saindo de seus lábios.

— O que estava fazendo no quarto do Ten?

Balanço a cabeça.

— Não sei. Acordei lá. Fiquei assustada, gritei e...

Ele aperta bem minhas mãos.

— Você está bem?

Gostaria de concordar, mas é impossível. Como vou dormir nesta casa depois disso?

Já perdi a conta de quantas vezes acordei em lugares aleatórios. Acontecia com tanta frequência que, durante um período, tive três fechaduras na porta do quarto. Já estou acostumada a acordar em quartos estranhos. Mas por que, de todos os quartos desta casa, eu tinha que ir parar no de Ten... Kevin?

— Foi por isso que pediu uma fechadura para a porta? Para te impedir de sair? Concordo com a cabeça. Por algum motivo, ele ri da resposta.

— Meu Deus. Pensei que era por que estava com medo de mim, ou dele.

Ainda bem que ele está encontrando algo para rir nesse momento, porque eu não consigo.

— Ei, ei - diz, delicadamente, levantando meu queixo para que eu o olhe. — Você está bem. Está tudo bem. Sonambulismo é uma coisa inofensiva.

Balanço a cabeça em discordância.

— Não é não, Xiaojun - respondo, ainda segurando o pulso contra meu peito.

— Já acordei fora de casa, já liguei fornos e fogões enquanto dormia. Já até... - Suspiro antes de falar. — Já quebrei a mão dormindo e só senti ao acordar na manhã seguinte.

Sinto uma carga de adrenalina pelo corpo: o que acabou de acontecer agora vai para essa lista de coisas perturbadoras que já fiz durante o sono. Mesmo inconsciente, subi a escada e deitei na cama. Se sou capaz de fazer algo tão bizarro, o que mais poderia fazer? Abri a fechadura dormindo ou simplesmente tinha me esquecido de trancar? Não lembro. Saio de baixo das cobertas e vou até o armário. Pego minha mala e algumas camisas que estão penduradas.

— Tenho que ir embora. Xiaojun não diz nada, então continuo fazendo a mala. Estou no banheiro recolhendo meus itens de higiene quando ele aparece na porta.

— Está indo embora? Concordo com a cabeça.

— Acordei no quarto dele. Mesmo com uma fechadura na porta. E se acontecer de novo? - pergunto e abro o armário do banheiro para pegar minha gilete. — Devia ter contado a você sobre isso antes mesmo da primeira noite que passei aqui.

Xiaojun tira a gilete da minha mão e põe a nécessaire de volta na bancada. Então me puxa para perto, com as mãos em minha cabeça, pousando-a em seu peito.

— Você é sonâmbula, S/n - atesta, dando um beijo no topo da minha cabeça. — É sonâmbula. Não tem nada demais nisso.

Não tem nada demais nisso? Dou uma risada, ainda encostada em seu peito.

— Adoraria que minha mãe também pensasse assim.

Quando Xiaojun se afasta, seus olhos parecem preocupados. Mas será que está preocupado comigo ou por minha causa? Voltamos ao quarto, ele acena para que eu me sente na cama e começa a colocar as camisas da mala de volta nos cabides.

— Quer falar sobre isso? — pergunta.

— De qual parte exatamente?

— Por que sua mãe achava que era algo importante.

Não quero falar sobre isso. Xiaojun deve ter percebido que minha expressão mudou. Ele para no meio do caminho ao pegar uma camisa. Coloca de volta na mala e vem se sentar na cama.

— Não quero parecer duro — diz Xiaojun, me olhando firme — Se você está tão preocupada com o que é capaz de fazer, começa a me deixar preocupado também. Por que tem tanto medo de si mesma?

Uma pequena parte de mim quer se defender, mas não tem como. Não posso dizer que sou inofensiva porque não tenho certeza disso. Não posso dizer quebnunca mais vou ter um ataque de sonambulismo. Acabou de acontecer, há vinte minutos. A única coisa que poderia alegar em minha defesa é que não sou tão horrível quanto a situação do seu primo. Mas nem disso tenho mais certeza. Não sou horrível ainda, mas não confio em mim mesma o suficiente para dizer que não serei no futuro. Baixo os olhos e engulo em seco, pronta para contar tudo a ele. Meu pulso começa a latejar novamente. Quando o encaro, passo a mão pela cicatriz na palma.

— Não senti nada em meu pulso no momento em que aconteceu. Acordei numa manhã quando eu tinha 10 anos. Assim que abri os olhos senti uma dor horrível que ia do pulso até o ombro. Foi como se algo tivesse explodido dentro da minha cabeça. Comecei a gritar, doía muito. Minha mãe correu para o quarto e, embora estivesse sentindo a pior dor da minha vida, naquele momento só pensei que a porta do quarto estava destrancada. Eu tinha certeza de que tinha trancado à noite.

Paro de encarar minhas mãos e olho para Xiaojun.

— Não me lembrava do que havia acontecido. Mas meu lençol estava coberto de sangue. E também o travesseiro, o cobertor, eu mesma. Tinha terra nos meus pés, como se eu tivesse ido ao jardim durante a noite. Não me lembrava nem de ter saído do quarto. A gente tinha câmeras de monitoramento na frente da casa e em alguns quartos. Mas antes de checar as fitas, minha mãe me levou ao hospital. O corte na minha mão precisava de pontos, e tive que fazer um raio-X do pulso. Quando voltamos para casa, pegamos a gravação do jardim e nos sentamos no sofá para assistir.

Pego um copo d’água no criado-mudo para minimizar a secura da garganta. Antes de continuar, Jeremy põe a mão em meu joelho, acariciando minha pele com o polegar. Olho para ele ao terminar a história.

— Às três da manhã, o vídeo mostra que estou andando lá fora, na varanda.

Subo no gradil fino da varanda e fico lá. Foi isso que fiz primeiro. Simplesmente fiquei lá. Durante uma hora, Xiaojun. A gente assistiu ao vídeo inteiro, esperando para ver se tinha algum problema na gravação, porque é impossível alguém manter o equilíbrio por tanto tempo. Não parecia nada natural. Eu não me movia nem falava. De repente... eu pulei. Devo ter machucado o pulso na queda, mas na gravação não tive nenhuma reação. Apoiei as mãos no chão para levantar e andei de volta para os degraus. Dá para ver o sangue pingando ao longo da varanda, mas eu não tinha qualquer expressão. Andei para o quarto e voltei a dormir.

Olho nos olhos dele.

— Não tenho nenhuma lembrança disso. Como posso causar tanta dor a mim mesma e não perceber? Como posso ficar em cima de uma grade por uma hora sem me desequilibrar? Aquele vídeo me assustou ainda mais que o machucado.

Ele me abraça novamente. Estou tão agradecida que o aperto com força.

— Minha mãe me mandou para uma avaliação psiquiátrica de duas semanas depois disso - conto, apoiada em seu peito. — Quando voltei para casa, ela

havia se mudado para um quarto mais longe com o meu irmão e instalou três fechaduras pelo lado de dentro. Minha própria mãe tinha medo de mim.

Xiaojun afunda o rosto em meus cabelos e dá um longo suspiro.

— Sinto muito que isso tenha acontecido a você.

Fecho os olhos bem forte.

— E sinto muito que sua mãe não tenha lidado bem com a situação. Deve ter sido difícil para você.

Ele é exatamente do que preciso esta noite. Sua voz é calma e carinhosa, seus braços me protegem, sua presença me conforta. Não quero que me solte. Não quero lembrar que acordei no quarto de Kevin. Não quero pensar sobre quão pouco confiável minha mente é quando estou dormindo.

— Podemos conversar mais sobre isso amanhã - diz ele, me soltando. — Vou tentar pensar em um jeito de deixar você mais confortável. Por enquanto, só tenta dormir um pouco, tá?

Ele segura minha mão com força e depois vai em direção à porta. Entro em pânico com a ideia de ficar sozinha aqui. Ou de voltar a dormir.

— O que faço pelo resto da noite? Tranco a porta?

Xiaojun olha para o despertador. São quatro e cinquenta. Ele encara o relógio por um momento e volta para a cama.

— Deita - sugere, levantando as cobertas.

Eu me deito na cama e ele se aninha atrás de mim. Seus braços me envolvem, e fico com a cabeça embaixo de seu queixo.

— São quase cinco horas e eu não vou voltar a dormir. Mas posso ficar aqui até você cair no sono.

Ele não está se esfregando em mim nem me acariciando. Seu braço está completamente parado, como se ele quisesse deixar claro o que exatamente estamos fazendo na cama. Mas ainda que ele esteja claramente desconfortável, fico feliz com o esforço que faz para me confortar. Tento fechar os olhos e dormir, mas só vejo a imagem de Kevin.

Já passa das seis quando ele acha que dormi. Move o braço e seus dedos acariciam meu cabelo por um momento. É muito rápido. É rápido também o beijo que ele dá na minha cabeça. Mas aquilo fica comigo por muito tempo depois de ele sair do quarto e fechar a porta.



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