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História Why Go? - Amor Doce - Capítulo 32


Escrita por:


Notas do Autor


Oiê!!!! Voltei e estava morrendo de saudade de vocês, pode até parecer bobagem, mas acabei criando um vículo com as leitoras mais ativas e sinto falta quando ficamos muito tempo sem "conversar"... Antes de ir para o capítulo, gostaria de agradecer muito quem me apoiou e me disse palavras tão carinhosas, vocês não sabem o quanto me ajudou e me incentivou a voltar!
Sobre o capítulo, era para ser maior e eu encerrar o flashback nele, mas senhoooor, como foi difícil, acho que o mais difícil que eu escrevi na vida, então eu resolvi dividir em dois rsrs, mas conversaremos mais sobre isso nas notas finais rsrs, boa leitura para vocês <3

Capítulo 32 - Bridge Over Troubled Water - Ponte Sobre Águas Turbulentas


Fanfic / Fanfiction Why Go? - Amor Doce - Capítulo 32 - Bridge Over Troubled Water - Ponte Sobre Águas Turbulentas

P.O.V. Castiel 

[Flashback On]

19 de Agosto de 1974

Eu estava na frente da escola pública primária do meu bairro, esperando a minha mãe chegar para me buscar e ignorando as provocação de um grupo de garotos da quarta série, embora eu tivesse 8 anos, recém completados, ainda cursava o primeiro ano, pois os anos de ensino residencial não tinham sido eficazes e eu reprovei dois anos e, apesar da pouca idade, eu me lembro claramente de cada detalhe daquele dia e de cada palavra proferida pelos meninos. Estávamos no início do ano letivo, mas a minha vida escolar já estava infernal, não passara um só dia sem que eu apanhasse, ou fosse ofendido pelas crianças da escola, “bastardo”, “garoto sem pai”, “sem teto”, “filho da desquitada”, “filho da sem moral” e outros xingamentos que, certamente, eles tinham aprendido com os seus pais. Eu não sabia quem era o meu pai biológico e, anos mais tarde, pouco antes de a minha mãe falecer, eu descobri que nem ela sabia, pois engravidou de mim após ser dopada e abusada por garotos da sua classe, durante sua formatura do oitavo ano do ensino fundamental; após saber disso, eu passei a ama-la e respeita-la ainda mais, por ter enfrentado o julgamento da sociedade e até os seus próprios julgamentos e traumas, para me colocar no mundo e para me criar com tanto amor, apesar da nossa vida difícil, não teve um momento se quer que ela tenha me tratado com rancor ou demonstrado arrependimento, pelo contrário, ela me tratava com tanto carinho, que eu nunca senti a falta de um pai, por isso, não entendia o que fazia ela permanecer com o meu padrasto, mesmo sendo tão maltratada.

Quando eu vi a Pickup Ford vermelha da minha se aproximar, senti um enorme alívio, a minha heroína finalmente chegara para me salvar e para me levar para o nosso lugar seguro. O veículo era presente da Florence, irmã da minha avó materna, que sempre nos ajudou bastante, conforme suas possibilidades e conforme o meu padrasto deixava; embora não tivesse habilitação, minha mãe dirigia muito bem e o veículo substituiu a barraca de camping, que, após minha mãe se divorciar do meu padrasto, foi a nossa casa por semanas; Florence chegou a nos convidar para morarmos com ela, mas por causa da reação contrária dos filhos da bondosa senhora, minha mãe não aceitou, ela, meu irmão e eu já tínhamos sido humilhados o bastante e ela prometeu que nunca mais nos submeteríamos a isso, por isso, minha tia avó passou a caminhonete do seu falecido marido para o nome da minha mãe e, por mais de dois anos, o carro foi o primeiro lar feliz que tivemos.

[…]

- Me desculpa pelo atraso, meu amor… A mamãe perdeu a noção das horas… - Minha mãe pediu carinhosa, assim que eu entrei no carro, eu estava preparado para esbravejar e dizer que eu não voltaria mais para aquela escola idiota, mas desisti assim que vi sua expressão abatida e as marcas em seu rosto, e só assenti com a cabeça. - Como foi a aula? Aprendeu bastante coisa? - Ela perguntou sorridente e eu respondi com um “uhun”.

- Cass, você também está triste? Alguém bateu em você também? - Meu irmão mais novo, que dividia o banco do passageiro comigo, questionou preocupado. - A mamãe ficou triste porque o papai bateu nela… - Viktor, no auge da inocência, aos seus 5 anos e meio de idade, contou chateado e depois tapou a boca com uma das mãos. - Ops, desculpa, mamãe, eu contei o segredo... - Ele pediu assustado, encarando a minha mãe, e ela soltou um risinho.

- Não tem problema, meu amor, sei que não foi de propósito… - Ela respondeu tranquila.

- Por que o Lloyd voltou? Nós vamos voltar a morar com ele, mamãe? - Perguntei temeroso.

- Não, filho, fique tranquilo… Nós nunca mais vamos morar com ele e ele nunca mais vai nos incomodar! - Minha mãe garantiu convicta. - Eu tive uma idéia, vamos fazer uma fogueira hoje à noite? Podemos comprar batatas e alguns marshmallows, se vocês prometerem dividi-los… - Ela sugeriu animada. 

- Mas não está frio… - Questionei confuso, geralmente, a fogueira era o recurso que minha mãe usava para nos proteger das noites geladas.

- Esse é um pequeno detalhe, que não impedirá os nossos planos! - Minha mãe respondeu sorridente e meu irmão e eu comemoramos animados.

Passamos em um supermercado e minha mãe comprou as batatas, o marshmallow e o que era necessário para acender a fogueira, juntando os poucos dólares que conseguia, faxinando um bordel, único lugar que aceitou dar trabalho para uma mulher divorciada e com dois filhos; anos depois, eu descobri que era esse o motivo para o meu padrasto, mesmo após o divórcio, ter batido nela algumas vezes, alegando que a minha mãe, que era muito julgada por trabalhar em um lugar tão mal visto pela sociedade, manchava o nome dele, o cara que a tratou como lixo por quase 7 anos, para depois largá-la na rua, sem nada e com duas crianças, para colocar sua amante na casa deles.

Naquela noite, minha mãe fez como o prometido e nos distraiu com uma fogueira, doces e muitas cantorias, como fez em muitas outras noites que passamos no nosso “lar”, uma parte descampada da floresta de Seattle, onde, segundo ela, poderíamos contemplar diariamente o pôr-do-sol mais bonito da cidade. No ano seguinte, as coisas melhoraram um pouco na escola, eu consegui passar em um exame de admissão, para pular para a série condizente com a minha idade e, apesar de continuar recebendo provocações diárias, eu fiz amizade com os gêmeos, Alexy e Armin, os quais eu só conhecia de vista, por morarmos no mesmo bairro, e eles me ensinaram a me defender e a não aceitar as provocações dos outros garotos calado. 

Em junho de 1976, após o meu avô paterno falecer, fomos morar com a minha avó, minha tia e minha prima, que tinha a mesma idade do meu irmão, antes disso, todo contato que tivemos com as três, foi às escondidas, já que o meu avô cortou contato com a filha, após ela ter “desonrado” a família, engravidando de mim, e proibia que a minha avó desse qualquer tipo de ajuda. As relações abusivas, submissas e violentas que as mulheres da minhas família tinham com seus parceiros, parecia uma maldição; minha avó e sua irmã passaram a vida à mercê das vontades e ordens dos seus violentos e autoritários maridos e nunca ousaram enfrentá-los, atitude que aprenderam com sua mãe, e só conseguiram ser elas mesmas, quando os mesmos faleceram, minha tia Xana, não teve muito tempo de conviver com o seu esposo, pois ele foi representar o nosso país na guerra do Vietnã, quando eles tinham menos de dois anos de casado, e morreu em batalha, deixando a jovem de 20 anos viúva, com uma filha de poucos meses para criar; desde então, minha tia foi morar com os pais, submetendo-se novamente às rígidas regras do meu avô.

Apesar de a minha avó ser muito conservadora e sempre questionar a criação que a minha mãe nos dava, fomos felizes morando com ela, mas isso durou menos do que gostaríamos e esperávamos; em setembro de 1980, pouco tempo depois de eu completar 14 anos, ela descobriu um câncer agressivo no fígado, que a matou em poucas semanas. Por mais frio que isso pareça, após a minha avó falecer, embora sentíssemos a falta dela, tivemos um lar mais feliz e livre, podíamos ouvir e fazer música à vontade e minha mãe incentivava os nossos dons e talentos, minha tia também aproveitou muito dessa nova liberdade passou a se relacionar com vários parceiros, deixando a filha um pouco de lado. Por uma mórbida coincidência genética, ou pelo abuso de analgésicos e antidepressivos, que é a teoria em que eu mais acredito, exatos 2 anos após a minha avó falecer, minha mãe foi diagnosticada com o mesmo câncer. Pela primeira vez na minha vida, eu me revoltei com Deus e com o mundo, até então, eu seguia os conselhos das minha mãe e tentava enxergar a parte boa das coisas e das pessoas e “ser feliz, independente de qualquer coisa”, conforme ela sempre repetia, mas tudo aquilo era injusto demais para eu aceitar. Minha mãe conheceu o pior que ser humano, foi subjugada, humilhada, julgada e abusada de todas as formas possíveis e, mesmo assim, nunca deixou de acreditar e de ajudar as pessoas, nunca a vi sendo grosseira, desrespeitosa, ou reclamando da vida, por isso, se existisse um deus, como ele tinha coragem de mandar tanto sofrimento, para alguém que só oferecia o bem? Será que, engravidar na adolescência, sem estar casada, ou ser uma mulher divorciada, era um crime tão grande assim? Não! Eu me recusava a acreditar nisso, eu sempre tive certeza de que a minha mãe era boa demais para o mundo, e não o contrário.

Como foi com todos os problemas que ela já tinha enfrentado, o câncer não abateu a valente Julie Ann Carpenter, ela submeteu-se, com muita disposição e positividade, aos tratamentos disponíveis na época e se agarrou na esperança de cura, não só por ela, mas, principalmente, por mim, pelo meu irmão e pela minha prima, que estava sob sua responsabilidade, após minha tia ir embora com um namorado e deixar a filha com a irmã doente. Quando ela me contou sobre a doença e eu vi sua ânsia de cura, eu sugeri de fazermos uma lista, com as coisas que ela deixou de fazer por causa do pai e do marido, como forma de incentivá-la; infelizmente, os efeitos da quimioterapia e da abstinência medicamentosa, causada pela falta dos remédios que a minha mãe tomou por anos, principalmente para se livrar da dor física e psicológica dos anos de abuso que ela sofreu com o meu padrasto, nos impediram de aproveitar plenamente, mas conseguimos cumprir cada item da lista: ela pintou os cabelos, embora os tenha perdido em poucas semanas, por causa da quimioterapia; passamos um dia na praia e ela usou roupa de banho; ela tirou sua sonhada carteira de motorista e pôde parar de dirigir clandestinamente; livrou-se das suas roupas antiquadas e renovou seu guarda-roupas, com estampas alegres e modelos que não cobriam todo o seu corpo; leu dezenas de livros, que não estavam relacionado a bíblia; saiu para dançar, nos levou no cinema; dançamos juntos na chuva e brincamos de pular em poças de água, todas as vezes que a sua saúde permitiu e, por fim, aprendeu a andar de bicicleta. Foram coisas simples, mas que trouxeram a felicidade e a liberdade que o meu irmão, minha prima, eu e, principalmente, a minha mãe, nunca tivemos, primeiro por proibição dos outros, depois por inibição nossa.

[…]

12 de agosto de 1984

- Me desculpe por isso… - Minha mãe pediu triste.

- Isso o que? - Questionei confuso.

- Por fazer você comemorar os seus 18 anos, em um hospital, tendo que me ver vomitar a cada 5 minutos… - Ela respondeu chateada.

- Não se incomode com isso, se eu comemorasse com uma festa, ou litros de bebidas, como os rapazes da minha idade costumam fazer, eu provavelmente me esqueceria, mas esse momento sempre ficará vivo na minha memória… Minha mãe está viva, do meu lado e dando mais um passo no caminho da cura, eu não poderia desejar outra coisa! - Afirmei tranquilo e beijei sua mão gelada e arroxeada, que antes eu segurava.

- Você é tão doce, filho… - Ela comentou sorrindo. - Um ser tão especial quanto você, não merecia perder tudo o que perdeu, por minha causa… - Minha mãe completou melancólica.

- Para de bobagem, mãe… Você não me fez perder nada! - Afirmei convicto.

- Você sabe que isso não é verdade… Eu fiz você perder sua infância, te obrigando a conviver com o Lloyd por tantos anos, te impedi de conhecer o seu avô, fiz você perder o contato com suas avó, tia e prima por anos, fiz você perder a sua adolescência para cuidar de mim e até a chance de estudar, eu tirei de você… - Ela desabafou chorosa.

- Quando foi que você ficou tão exagerada e dramática, Julie Ann? - Perguntei divertidamente, na tentativa de animá-la mais. - Se alguém perdeu algo com o seu casamento, com certeza foi você! Eu sei que você aceitou tudo o que aquele homem te submeteu, pensando em mim e no Viktor e, se eu não conheci o meu avô e nós fomos impedidos de ter contato com a nossa família, a culpa foi toda dele, que era um machista babaca e arbitrário… E, se “cuidar” de você, é te fazer companhia e aproveitar da liberdade que finalmente estamos tendo, que ótimo que perdi a minha adolescência para isso! - A consolei com firmeza, para deixar bem claro que eu não a culpava por nada. - Agora, sobre a escola, eu não preciso nem falar nada, né?! Eu odiava aquele lugar, você só foi uma desculpa! - Completei forçando um tom despreocupado e ela riu.

Embora eu tivesse dito apenas o que eu realmente sentia, na parte da escola eu tinha mentido um pouco, eu realmente odiava frequentar aquele inferno, mas não pretendia largar os estudos, pois sabia que mais conhecimento poderia me ajudar a mudar a condição financeira da nossa família, mas, assim que a minha mãe começou com uma segunda fase de quimioterapias, após o câncer voltar mais agressivo, eu resolvi sair da escola, para poder acompanhá-la em seus tratamentos e me dedicar a empregos de meio-período, para sustentar a nossa família, pois o único dinheiro que tínhamos, era uma pouca quantia mensal que a minha tia enviava. 

Quando a sessão de quimioterapia acabou, levei a minha mãe de volta para casa, em nossa velha e amada pickup; ao chegar, fui surpreendido com uma pequena comemoração supresa, preparada pelo meu irmão, pela minha prima, pelos meus dois melhores amigos e pela minha tia-avó, que custeava, escondida dos filhos, o tratamento da minha mãe. Eu fiquei muito grato com a surpresa, que foi um respiro para a nossa família e reforçou ainda mais a nossa união, mas fiquei ainda mais satisfeito por ver que a atitude animou a minha mãe, que apesar de bastante abatida por causa da quimioterapia, estava muito feliz. Tia Florence ficou por pouco tempo, esperou apenas eu cortar o bolo e foi embora, pois, talvez por herdarem o comportamento do pai, seus filhos não gostavam que ela tivesse contato com a nossa “desonrada” família, mas minha mãe, Chani, Viktor, os gêmeos e eu, comemoramos até tarde da noite, com muita música e conversa. Minha mãe passou todo o tempo deitada no sofá da sala, mas isso não podou sua animação, Armin e eu cuidamos da som, ele e eu tocávamos violão e eu cantava, as músicas escolhidas por Alexy, Chani e Viktor, enquanto os três dançavam animados.

[…]

- Meus queridos, eu quero aproveitar esse momento, para compartilhar uma decisão que eu tomei… - Minha mãe falou com um sorriso leve, minutos após os gêmeos irem embora. - Durante a quimio de hoje ,eu refleti muito e decidi que eu não quero continuar assim, não quero continuar perdendo os meus últimos dias, nesse tratamento que só me faz mal… - Ela contou tranquila.

- Você precisa disso para se curar! - Afirmei sério.

- Filho, nós sabemos que essa cura não existe, os médicos deixaram isso bem claro quando a doença voltou… O tratamento apenas está esticando a minha vida, mas a que preço? Já vai fazer dois anos que eu iniciei esse tratamento e eu não aguento mais os efeitos colaterais… Qual é o sentido de sobreviver, sabe se lá por quanto tempo, se eu não posso VIVER? Eu quero viver os meus últimos dias aproveitando cada segundo ao lado de vocês três… Quero conseguir andar de bicicleta de novo… Acampar… Ir à praia… Dirigir… Quero que o meu cabelo volte a crescer… -  Minha mãe argumentava mantendo um tom sereno e um sorriso leve, mas seus olhos estampavam a sua tristeza, nós três a escutávamos em silêncio, todos chorosos, sem querer ouvir e admitir que a doença dela era incurável.

- Você vai poder fazer tudo isso, quando o câncer for embora! - Viktor afirmou com a voz embargada.

- Filho, isso não vai acontecer, o câncer não vai embora! - Ela rebateu séria, porém sem perder a doçura.

- Cala a boca! - Viktor ordenou gritando e nós o encaramos assustados, diferente de mim, ele tinha herdado o temperamento tranquilo e a doçura da nossa mãe. - Você não vai morrer, eu não vou admitir isso… Eu juro que, se você desistir, eu nunca vou te perdoar… - Meu irmão completou transtornado e saiu de casa.

- Tia, não considere as coisas que o Viktor falou, ele só está chateado… - Chani pediu preocupada, enquanto acariciava as costas da minha mãe.

- Eu sei, meu amor, conheço bem a criança sensível que eu gerei… - Minha mãe respondeu tranquila e soltou um risinho.

- Eu vou atrás dele… - Falei desanimado e minha mãe assentiu com a cabeça.

Encontrei o meu irmão sentado na calçada, prestes a acender um cigarro de maconha, eu sentei ao lado dele, assoprei o isqueiro, para interromper o fogo, e dei um tapa moderado em sua cabeça.

- Onde você conseguiu essa porcaria, moleque? - Questionei irritado, enquanto pegava a droga da mão dele.

- Que eu saiba, você não é o meu pai! - Viktor rebateu emburrado.

- Sorte a sua, se eu fosse aquele imbecil, você provavelmente estaria com a cara estourada! - Afirmei sarcasticamente, enquanto amassava o cigarro com raiva.

- Me desculpa, eu sei que estou agindo feito um babaca. - Meu irmão admitiu desanimado, soltou um suspiro pesado, abraçou os joelhos e escondeu a cabeça entre eles.

- Eu sei que está difícil, mas temos que aguentar pela mamãe… Você é a alegria da casa, se desanimar, nós três também desanimaremos! - O consolei enquanto acariciava suas costas. - Coloque-se no lugar dela, imagine-se vivendo meses e mais meses submetido a um tratamento, que tira toda a sua vitalidade e que você sabe que não vai funcionar… Imagine-se tendo que assistir os seus últimos dias passarem, sem poder fazer o que você gosta e que demorou tanto para ter a liberdade de fazer… Nem cantar ela consegue mais… - Argumentei sério e dei uma pausa para conter o embargo na voz. - Está muito difícil para nós, eu também não consigo imaginar como vai ser quando ela partir, mas não podemos ser egoístas e tirarmos a liberdade da mamãe escolher, como todos fizeram com ela a vida inteira… - Completei chateado,

- Você tem razão, agora que ela pode voar, estou tentando ferir as asas dela, para que ela fique ao meu lado por mais tempo… - Viktor confessou desolado.

- Eu também pensei que eu queria ela ao meu lado, a qualquer custo, mas, após ver como ela tem ficado mal, quero apenas que ela tenha qualidade de vida, mesmo que essa vida seja absurdamente curta… - Desabafei triste e segurei a mão do meu irmão. - Vamos respeitar a vontade dela e tornar cada um dos dias que lhe resta, os mais felizes possível! - Afirmei confiante e ele assentiu sorrindo.

Meu irmão e eu voltamos para dentro de casa e ele foi imediatamente para os braços da minha mãe, enquanto se desculpava emocionado, eu disfarcei, fingindo que queria ir no banheiro, e descartei o cigarro dele. Nós quatro passamos mais algum tempo juntos, eu fiquei tocando violão e Viktor cantando as músicas que a nossa mãe pedia, enquanto ela e Chani nos ouviam animadas. Após ajudarmos nossa mãe ir para o quarto e a acomodarmos em sua cama, eu chamei o meu irmão para uma conversa séria e reforcei que eu não queria que ele voltasse a usar qualquer tipo de entorpecente e que era com as drogas “leves”, como a maconha, que muitos se perdiam para coisas mais pesadas e fatais, ele prometeu não voltar a usar, mas já estava mais envolvidos com elas do que eu imaginava.

Depois de parar com a quimioterapia, a disposição da minha mãe voltou por alguns meses e conseguimos fazer as coisas que ela almejava, mesmo com o câncer ceifando sua vida, dia após dia. O primeiro passeio que ela escolheu, foi andar de bicicleta em seu local favorito, o qual nos serviu de casa por anos, como ela ainda estava bastante debilitada, não conseguiu pedalar e eu tive que fazer isso por nós dois, mesmo assim, ela, eu, minha prima e meu irmão, conseguimos nos divertir bastante e terminamos o dia observando o pôr-do-sol e depois as estrelas; repetimos o programa por várias vezes ao longo dos meses, era o favorito da minha mãe e acabou tornando-se também o nosso.

15 de dezembro de 1984

- Tia, não é melhor voltarmos? Está esfriando bastante e a senhora não parece bem… - Chani questionou preocupada, estávamos na nossa “colina secreta”, em volta de uma fogueira, que servia para nos aquecer e para derreter os nossos marshmallows, enquanto revisávamos no violão e na cantoria.

- Eu quero ficar mais um pouco, a noite está especialmente linda hoje, com esse céu forrado de estrelas… - Minha mãe respondeu em tom tranquilo, enquanto encarava o céu sorrindo. - Toca a música, da mamãe, Cassy?! - Ela me pediu com um sorriso doce.

Eu assenti com a cabeça e comecei tocar “Bridge Over Troubled Water”, minha mãe voltou a encarar o céu e cantou, com sua voz doce e melodiosa, que muitas vezes foi o bálsamo de cura para os momentos tempestuosos da minha infância, sua música favorita. 

“Quando estiveres cansada

Sentindo-se pequena

Quando as lágrimas surgirem em teus olhos

Eu as enxugarei

 

Estarei ao teu lado

Quando os tempos ficarem difíceis

E os amigos desaparecerem

Como uma ponte sobre águas turbulentas

Eu me estenderei

Como uma ponte sobre águas turbulentas

Eu me estenderei

 

Quando você estiver para baixo

Quando você estiver na rua

Quando o anoitecer for dolorido

Eu te consolarei

 

Estarei ao teu lado

Quando a escuridão chegar

E o sofrimento te rondar

Como uma ponte sobre águas turvas

Eu me estenderei

Como uma ponte sobre águas turbulentas

Eu me estenderei

 

Veleja, garota prateada

Vá velejando

Chegou a sua hora de brilhar

Todos os teus sonhos estão a caminho

 

Veja como brilham

Se você precisar de um amigo

Estarei navegando contigo

Como uma ponte sobre águas turvas

Eu acalmarei tua mente

Como uma ponte sobre águas turbulentas

Acalmarei tua mente”

Eu tentava não me emocionar com a cena, para passar segurança para ela, mas era impossível não ficar comovido, mesmo com a voz fraca e falha em alguns trechos, por causa do seu debilitado estado de saúde, o canto da minha mãe ecoava pela colina, enquanto Chani, Viktor, eu e as estrelas, a ouvíamos admirados. Eu já tinha ouvido aquela mesma canção e até a cantado, várias vezes antes, mas eu nunca tinha parado para reparar na beleza e na intensidade das letras. Era muito difícil admitir para mim mesmo, mas eu sabia que minha mãe estava sentindo que a hora de partir estava próxima e que aquela era sua maneira de dizer que, de algum lugar, ela sempre olharia por nós. 

Quando terminou de cantar, minha mãe limpou discretamente algumas lágrimas e todos nós fizemos o mesmo, um tentando esconder a tristeza do outro… Se tinha algo que reforçava que nós quatro éramos todos da mesma família, era a nossa dificuldade de expor as nossas fraquezas, embora falhássemos constantemente em nossas tentativas de esconder o que sentíamos. 

- Por que a senhora gosta tanto dessa música? - Chani questionou pensativa.

- Porque toda vez que eu a ouço, sinto que Deus está falando comigo e me pedindo para ser forte, pois ele está ao meu lado… - Ela respondeu com a voz embargada.

- Está do seu lado fazendo o que? Ferrando com a sua vida? Em que Deus te ajudou? Quando ele foi bom ou justo com você? O que você fez de tão errado para ele te castigar tanto? Você nunca fez mal para ninguém… Nem mesmo odiar quem te fez mal, você consegue! - Questionei irritado e lutando para segurar o choro, já sem conseguir mais segurar o que há tempos me sufocava.

- Eu não acredito nesse deus vingativo e manipulador que as pessoas veneram, filho… Eu acredito em um ser superior, que nos dá o apoio que precisamos, quando tudo parece perdido… O nome, o sexo, a aparência, eu não sei, mas eu tenho certeza que ele existe! Os nossos infortúnios, são causados pelas nossas escolhas, ou pela interferência de pessoas ruins e deus é aquela força que encontramos no fundo do nosso ser, quando a situação parece perdida… - Ela argumentou convicta, mas sem alterar seu tom tranquilo. - Quando eu ouvi essa música pela primeira vez, você tinha quatro anos e o Viktor não tinha completado 2, o Lloyd tinha viajado, eu nem sei para que, e nos deixou trancados em casa por dias, quase sem comida… Eu estava desesperançada, pensando em um jeito de fugir, para poder entrega-los para alguém que pudesse cuidar melhor de vocês dois e dar um lar de verdade, pois eu, claramente, não estava conseguindo fazer isso, eu liguei o rádio para distrair vocês, que não paravam de repetir que estavam com fome, e aí anunciaram o lançamento da nova canção de "Simon & Garfunkel”, meus cantores favoritos, e cada palavra dita na letra, foi como um incentivo para mim e para vocês também, que ficaram tão calmos com a melodia, que pararam de pedir comida e adormeceram, não conseguimos comer naquela noite, mas a música trouxe paz para nós três e, enquanto eu observava vocês dormirem, cada um em uma perna minha, eu me senti uma idiota, por achar que vocês estariam melhores longe de mim e que eu conseguiria viver sem vocês, nada disso mudou de fato a situação que vivíamos com o Lloyd, mas me trouxe forças para enfrentá-lo e dizer que ele nunca mais deixaria os meus filhos passarem fome de novo e, por mais que eu tenha continuado naquela relação infeliz e violenta, até por ele não aceitar que eu saísse, o alimento nunca mais faltou e eu tive certeza que a minha força vinha de vocês dois, seres especiais que foram enviados para trazer luz a minha vida! Eu era uma menina quando engravidei de do Cassy, tinha 15 anos e não sabia nada da vida, por escolhas humanas, eu perdi os sonhos, a inocência, a família, mas ganhei você, que eu amei desde quando soube que estava sendo gerado; pouco tempo depois, eu acabei conhecendo o Lloyd e eu achei que a minha sorte e tinha mudado e que eu tinha encontrado um homem bom, que me aceitou tendo um filho de outro e que seria um pai para ele, porém, como vocês bem sabem, não foi assim e as escolhas ruins dele, afetaram muito as nossas vidas, mas dessa relação nasceu o Viktor, o segundo ser que eu amei quando nem formado era… A traição do Lloyd devolveu as rédeas da minha vida e, pela primeira vez em muito tempo, pude ser dona das minhas escolhas… A morte do meu pai me trouxe muita tristeza, ainda mais por ele ter partido sem me perdoar, mas me devolveu a minha família, assim como a da minha mãe devolveu a minha liberdade e a minha doença, que foi consequência do meu uso excessivo de medicamentos, por escolha minha, reforçou ainda mais essa minha vontade de ser livre e me incentivou a fazer o que eu não fazia por falta de coragem… A minha irmã ter ido embora e abandonado a filha comigo, quando eu mais precisava de ajuda, foi muito difícil para todos nós, mas isso fez com que eu me aproximasse ainda mais da minha sobrinha e ganhasse uma filha de coração…Vocês percebem? Quase todas as coisas ruins que aconteceram na minha vida, não foram trazidas por deus, foram consequências das escolhas das pessoas, mas conseguir ter foça para enfrentar a tempestade e para ver o lado bom nisso tudo, vem de deus! - Minha mãe argumentava tranquila, às vezes pausando para puxar o fôlego, ou para conter o embargo na voz, enquanto a escutávamos comovidos. - Eu não estou tirando a culpa de todas as pessoas que me causaram mal, eu tenho certeza que elas arcarão com o peso de suas escolhas, mas, se eu tivesse que passar por tudo de novo, para ter a nossa família, do jeitinho que eu tenho hoje, eu com certeza passaria feliz! - Ela completou em tom afetuoso e deu um beijo no rosto de cada um de nós.

- Esse seu deus vai ter que se esforçar muito, para me fazer enxergar o lado bom de perder você! - Viktor afirmou choroso e minha mãe soltou um risinho.

- Quem disse que você vai me perder? Nós só não conviveremos da mesma forma, mais sabemos bem que a morte não é o fim, temos uma prova viva disso! - Minha mãe argumentou convicta e deu uma piscadinha para mim.

Ficamos mais um tempo observando as estrelas e fomos embora, apesar de estar muito fraca e cansada, minha mãe quis ir dirigindo, pois era uma das coisas que ela mais gostava de fazer, e Viktor, Chani e eu nos esprememos no banco do passageiro. Quando chegamos, minha mãe tomou um banho, com a ajuda da minha prima, e foi deitar; antes de dormirmos, nós três nos reunimos em volta da cama dela, para nos certificarmos de que ela estava bem e, embora ela afirmasse que sim, seu estado só piorava e isso nos desesperou.

[…]

- Não fiquem tão angustiados, eu só estou cansada, amanhã acordarei bem melhor! - Minha mãe afirmou tranquila. - Se eu estiver errada e essa for a minha última noite, eu quero que vocês três me prometam que continuarão unidos e seguindo no caminho do bem; que nunca serão o mal na vida de alguém e nem se submeterão as vontades de pessoas ruins… Lutem por vocês, por suas escolhas e para serem felizes! Chani, eu partirei tranquila, sabendo que estou deixando uma garota forte e decidida, que não será facilmente enganada e subjugada, nunca se esqueça que você é fantástica e nem deixe que um homem, ou a sociedade, te convença do contrário! Viktor, minha estrelinha inquieta, não deixe que toda essa confusão que você guarda aí dentro, apague o seu lindo brilho e nem que a sua alegria morra comigo, o mundo precisa desse seu jeito único de ser! Jamais se envergonhe de quem você é e lute por uma sociedade justa, em que você possa sair de mãos dadas com o seu namorado, como o seu irmão pode sair com a namorada dele… - Minha mãe pediu carinhosa, sem conter a emoção e com a voz cada vez mais fraca.

- Nem namorada eu tenho… - Resmunguei revirando os olhos, na intenção de interromper todo aquele discurso, eu não queria aceitar que aquilo era uma despedida.

- Mas quando tiver uma, eu quero que você me prometa que nunca a fará sofrer, como o seu padrasto fez comigo, nunca trate mulher alguma, como ele me tratou… Alias, eu quero que os três me prometam isso, se for para trair, mentir e machucar, física ou emocionalmente, não comecem um relacionamento! - Ela pediu séria e nós assentimos com a cabeça. - Eu sei que eu nem precisaria pedir isso, pois estou falando com as três pessoas mais gentis e bondosas desse mundo… Mesmo esse meu filho rabugento, que tenta esconder toda essa imensa doçura, nessa cara invocada! - Minha mãe me encarou com um sorriso divertido. - Você não precisa se fazer de forte o tempo inteiro, filho, as pessoas merecem e precisam conhecer toda a bondade você guarda aí dentro! Eu pensei em te pedir para cuidar do seu irmão e da sua prima, mas eu tenho certeza que você fará isso, então eu só peço que, por favor, você lembre de cuidar de si mesmo… - Ela completou sem conseguir conter o choro, assim como nós, que nos desfazíamos em lágrimas.

- Parem com tanto choro, não estou me despedindo, estou apenas fazendo o que deveríamos fazer todos os dias, não irmos dormir com coisas importantes para falar, pois a vida é uma caixinha de surpresas e tudo pode mudar em segundos! - Minha mãe afirmou com um sorriso tranquilo.

Nós três ficamos mais um pouco com ela, até ela adormecer, a Chani foi dormir no quarto dela e meu irmão e eu no nosso. Eu tentava me convencer de que a minha mãe só estava emotiva e que ela amanheceria melhor, como tinha garantido, mas eu sabia que aquela era a sua última noite, um aperto enorme no peito e as sombras que eu tinha visto em volta dela, confirmavam isso. Sem conseguir dormir, eu “fugi” para o quarto dela, como fazia quando era criança e o meu padrasto não estava.

- Também perdeu o sono? - Minha mãe perguntou sorrindo, ela estava acordada, iluminada pela luz do abajur e lendo um livro de contos do Edgar Alan Poe.

- Qual é a graça que você vê nesses livros mórbidos? - Questionei emburrado, enquanto deitava ao lado dela, ela riu e colocou o livro na mesinha de cabeceira.

- Esse romantismo sombrio faz a minha vida parecer um conto-de-fadas… - Ela respondeu divertidamente, enquanto me acomodava em seu braço.

- Um conto de fadas em que a “mocinha” morre no final? Não me parece um bom livro! - Ironizei insatisfeito.

- O que importa é o meio, não o final! - Minha mãe rebateu convicta.

- O meio também foi péssimo! - Resmunguei chateado.

- Não é verdade, filho… Apesar de tudo, eu consegui ter uma boa vida e fiz tudo o que tive vontade! Não posso reclamar, eu consegui superar as expectativas dos médicos e até vivi tempo o suficiente para ver o meu filho mais velho tornar-se um adulto… Eu poderia pedir mais da vida? - Ela argumentou tranquila e eu fiquei em silêncio. - Ficar com você, foi a minha melhor escolha… Espero que para você essa escolha também tenha valido a pena e que você me perdoe por te deixar tão cedo. - Minha mãe falou com a voz embargada e deu um beijo demorado na minha testa, fazendo com que suas lágrimas molhassem o meu rosto.

- Eu nunca te culpei por nada, nem mesmo por isso, e nunca vou admitir que alguém volte a te culpar por qualquer coisa… Não vá embora achando que você teve qualquer responsabilidade pelo o que aconteceu no passado e que fez com que você engravidasse de mim… - A consolei com firmeza, lutando contra o choro.

- Você sabe como eu engravidei? - Ela perguntou surpresa.

- A tia Florence me contou, mas não para manchar a sua imagem, apenas para me mostrar que você é ainda mais especial do que eu imaginava! - Contei orgulhoso. - Eu te amo muito, mãe, obrigada ter me amado tanto, mesmo tendo motivos para me odiar… - Completei emotivo, me agarrando a cintura dela.

- Não diga bobagens, minha criança tola… Não existe um só motivo para que eu te odeie! Esqueça qualquer história que te contaram, eu te gerei sozinha, eu nunca pensei de outra forma! - Minha mãe afirmou em tom sereno, enquanto minhas lágrimas escorriam incontrolavelmente. - Não chore mais, meu bebê, tudo vai ficar bem… A mamãe vai cantar para você… -

Minha mãe ficou cantarolando, cada vez mais fraca e ofegante, até sua voz não sair mais e eu pedir para ela descansar, quando ela fechou os olhos e eu vi as sombras brancas no local, eu sabia que ela tinha partido, mas tentei me enganar e, por mais mórbido que isso seja, me convenci de que ela estava apenas dormindo e adormeci em seu colo, pela última vez. Na manhã seguinte, eu abracei a realidade e aceitei que, na noite do dia 15 de dezembro de 1984, Julie Ann Carpender, a mulher mais corajosa e bondosa que eu já conheci, teve sua vida ceifada por um maldito câncer de fígado, aos 34 anos de idade, deixando dois filhos e uma sobrinha, com um vazio imenso no peito, impossível de preencher, e uma revolta imensa, impossível de sanar, mas muitos ensinamentos, que certamente tornaram-nos pessoas melhores.

Durante o funeral, quase vazio, preparado por sua amada tia avó, eu cantei pela última vez, a música que a minha mãe tanto amava e, a cada palavra, eu reforçava ainda mais tudo o que ela tinha sido para mim. Nos piores momentos, quando tudo parecia perdido, ela foi a minha “ponte sobre águas turbulentas”, aquela jovem e amável mãe, foi a única responsável para que não nos afogássemos nas enchentes intermináveis que alagavam as nossas vidas e, até o fim, suas últimas palavras e gestos, foram para nos confortar… Eu não podia aceitar aquele fim! Não queria acreditar que, dali em diante, eu teria que enfrentar as “águas turbulentas”, sem a “ponte” que sempre me manteve seguro.


Notas Finais


*Reforçando o que falei em outro capítulo, "Xana", embora em algumas regiões do Brasil tenha um significado meio estranho rsrs, nos EUA é um nome comum e a pronúncia é algo como Kzena...
*Como imagino a mãe do Cass cantando a música do capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=6ptU2zg0M2Y
*Como imagino ele cantando no funeral: https://www.youtube.com/watch?v=lWudyCY_2Ts
*Versão original (amoooo): https://www.youtube.com/watch?v=4G-YQA_bsOU
Nossa, gente, sério, demorei mais de uma semana pra escrever isso, pq toda hora eu chorava, acho que tenho problemas com mães/pais doentes, nunca mais coloco isso em histórias kkkkk... Enfim, o próximo capítulo será a continuação da vida do Cass, pq não dei conta de terminar nesse rsrs
Espero que tinham gostado e prometo voltar em breve com o próximo!


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