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História Why so Blue? (Imagine Min Yoongi) - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Oi meus amores, tudo bem com vocês? Espero muuuuuito que sim :)
Hoje voltamos com um capítulo bem importante já que ele vai mostrar um pouco mais de como a cabecinha do Yoongi funciona e temos uma narração leve de uma crise de ansiedade ENTÃO ALERTA DE GATILHO PÓS NARRAÇÃO DA _____.
Espero que gostem!

Capítulo 8 - Gray.


Encarei Taehyung enquanto um silêncio desconfortável ocorria após os ex melhores amigos se cumprimentarem.

Me aproximei de Yoongi lentamente e então toquei seu ombro, ficando em sua frente, tentando fazer com que ele olhasse pra mim por alguns segundos, porém ele estava completamente estático encarando Hoseok.

— Yoon? — chamei e então toquei seu rosto com uma das mãos — Olha para mim.

Ele respirou fundo e então seus olhos nublados encontraram os meus.

— Quer que eu peça para eles irem embora? — perguntei preocupada.

Ele apenas balançou a cabeça negativamente e então voltou a olhar para o antigo amigo.

— Entrem — deu alguns passos para trás, possibilitando a entrada para sua casa.

Hoseok entrou primeiro, então Taehyung e eu de braços dados entramos logo em seguida, acompanhados pelo barulho da porta batendo após Yoongi empurrá-la sem muita vontade.

A casa estava organizada tirando por uma coberta pendurada no sofá, onde provavelmente o garoto havia dormido durante parte da tarde.

Dobrei a mesma e então usei a desculpa de que iria guardá-la para arrastar Taehyung de qualquer jeito para o quarto de Yoongi.

Eu queria poder ficar perto dele durante essa conversa mas sabia que não deveria.

Yoongi e Hoseok tinham pendências que apenas eles poderiam resolver.

Sem interferências.

Sem coadjuvantes.

Apenas os protagonistas de uma história interrompida.

[...]

Ver Hoseok depois de tantos meses não foi tão fácil quanto imaginei que seria.

Havia uma mágoa muito grande da minha parte.

A decepção e as expectativas frustradas sobre uma amizade que repentinamente se resumiu em nada.

Havia também a gratidão pelas ajudas, conselhos e pelas ligações em momentos de desespero.

Havia tristeza, havia raiva.

Havia dor, havia alegria.

Havia frustração mas também havia saudades.

O rosto que nunca tinha visto pessoalmente estava logo na minha frente e eu nem ao menos sabia como agir com o dono daquela face que me acolheu por tanto tempo através de uma tela de celular.

Hoseok levantou-se do sofá e caminhou até mim em silêncio apenas com um sorriso medíocre pintando seu rosto.

— Achei que nunca mais te veria de novo — falei o encarando.

O sorriso enfraqueceu, seu rosto ficou vermelho e então lágrimas escorreram dos olhos brilhantes.

— Eu não sabia como voltar — sussurrou.

— Por que se foi então?

— Eu tive tanto medo — soluçou em meio ao choro e então abaixou a cabeça, levando as mãos ao rosto — Tanto medo.

— Medo do que?

— Tive medo que fosse embora — suspirou — Tive medo que me deixasse.

— Por isso foi embora primeiro? — perguntei sentindo meus olhos marejarem.

Eu nunca havia me permitido chorar pelo fim da amizade com ele, mas vê-lo soluçar na minha frente era absurdamente difícil.

Não me permiti sofrer porque sabia que ele tinha escolhido se afastar, tinha escolhido deixar nossos momentos se perderem em meio à sua rede social desativada.

Ele escolheu ficar offline enquanto eu permaneci ausente, esperando que seu nome voltasse a aparecer como disponível.

Mas nunca voltou...

— Eu fui um covarde — olhou diretamente em meus olhos e chorou ainda mais ao ver minhas lágrimas começarem a escorrer — Fui egoísta, fui insensível, fui...

— Foi uma estratégia de autodefesa — falei, cruzando meus braços — Você fugiu do perigo, fugiu daquilo que poderia te afetar, só isso.

— Eu fui um péssimo amigo, Yoongi. E não permito que tenha dó da atitude idiota que tive.

— Não vou julgar sua atitude, acredito que teve motivos suficientes para fazer o que fez.

E em um momento surpreendente, seu abraço me envolveu, com as lágrimas tocandos as costas de minha camiseta como gotas de dor que esperaram para encontrar um local para cair.

Um misto de sentimentos rodavam minha mente naquele instante.

Era a primeira vez que o via pessoalmente.

Era a primeira vez que via meu ex melhor amigo que se esforçava para sorrir para tentar fazer com que eu parasse de chorar nas madrugadas em que crises de ansiedade me deixavam sem ar, apenas com o celular em mãos, às vezes em silêncio enquanto tentava tirar as dores profundas do meu peito.

O olhar que tanto me acolheu agora me acolhia em seus braços.

— Eu não queria te ver morrer — confessou — Depois daquele ligação achei que você poderia tentar de novo e...

Suas mãos apertavam minhas costas e suas lamúrias se tornavam cada vez mais audíveis ao longo que as palavras por muito tempo guardadas finalmente eram libertas.

— Eu tive medo que não conseguisse impedir mais uma vez.

Hoseok se afastou por que teve medo que eu tentasse acabar com minha vida mais uma vez.

Ele odiava despedidas e teve medo que eu fosse o primeiro a dar adeus.

Por isso se foi sem ao menos dizer se voltava.

Eu esperei seu “olá” mas nem ao menos recebi um “tchau”.

— Não tem ideia do quanto doeu — sussurrei — Desejei que não tivesse me ajudado aquele dia...

— Não diga isso nunca mais — praticamente gritou e se afastou um pouco, segurando em meus ombros com as duas mãos — Você está vivo e eu agradeço todos os dias por aquela ligação. Eu agradeço pela sua vida todos os dias, Yoongi.

— Você me deixou sozinho — solucei, deixando as lágrimas acumuladas rolarem por meu rosto — Logo quando eu mais precisei de ajuda.

— Me perdoa, por favor — mais um abraço apertado e então o abracei de volta na mesma intensidade, finalmente largando o peso que carreguei em minhas costas todos esses meses.

 O peso da saudade.

— Eu fui covarde — suspirou — Não sabia lidar com a ideia de ter que conviver com o vazio, de não ter meu melhor amigo para conversar nas noites de insônia e achei que me afastar era a melhor opção, assim acostumaria com a saudades.

— Por que não me falou sobre como se sentia?

— Porque não tive coragem — sorriu fraco, dando alguns passos para trás — Não queria que achasse que o problema era você, até porque nunca foi e nunca será. Na minha cabeça era o correto a ser feito mas nunca pensei em como se sentiria com isso.

— Não, não pensou — concordei, sorrindo sem graça.

— Mas pensei várias vezes em voltar. Olhei seu nome naquela porcaria de aplicativo e pensei em mandar mensagens, digitei e apaguei centenas delas mas não achei que deveria fazer parte de sua vida novamente.

— Por que?

— Porque você merecia amigos melhores que eu — sorriu, enxugando as bochechas com as pontas dos dedos — E hoje vejo que encontrou alguém então não estava tão errado quanto à isso.

— Ela foi importante demais depois que você partiu — sorri fraco — Ela salvou o que restava de mim e acima disso, me fez querer salvar a minha própria vida.

— Rezei todos os dias para que encontrasse alguém que te ajudasse — disse de cabeça baixa — Que fosse corajoso e capaz de fazer por você o que eu nunca fiz.

Abaixei a cabeça e cruzei meus braços, respirando fundo para controlar o choro que enfraquecia naquele momento.

— Não queria que tivesse acabado desse jeito...

— Muito menos eu, Yoon — suspirou — Se eu tivesse a chance de voltar atrás teria te ligado e pedido perdão muito antes mas agora é tarde.

— O erro foi meu em ter colocado tanta expectativa em você — falei sério — Achei que teria sua companhia pelo resto da minha vida, achei que um dia nos encontrariamos pessoalmente e então tudo desabou na minha cabeça.

— Não tive maturidade para lidar com a sua doença — confessou — Nem a sensibilidade necessária para conviver com as instabilidades.

— A minha doença se tornou maior que a nossa amizade, Hoseok?

— Me perdoe por ter encarado as coisas dessa forma — mexeu no cabelo com a cabeça baixa e então me encarou — Quero te mostrar uma coisa que carrego comigo sempre...

Ele colocou a mão no bolso e então tirou um chaveiro que reconheci no mesmo momento.

Takashi Murakami é um artista que Hoseok gosta muito e lembro de tê-lo visto usando diversas roupas com estampas desse cara. Então em seu aniversário mandei por correio um chaveiro de uma flor colorida que ele curtia muito e ele até mesmo chorou quando viu pois não acreditou quando falei que mandaria um presente.

A flor já estava descascando um pouco e haviam alguns riscos na parte de trás mas era o mesmo chaveiro que ele tanto agradeceu.

— Carrego um pedaço da nossa história comigo — sorriu fraco — Sua amizade faz uma falta gigante na minha vida, Yoon.

Peguei o chaveiro de sua mão e encarei o objeto em silêncio.

— Senti sua falta — sussurrei.

— Eu não peço para que me aceite novamente como amigo porque acho que não mereço seu perdão e nem mereço uma pessoa tão boa como você na minha vida...

Com o chaveiro preso entre meus dedos, abracei Hoseok mais uma vez e sorri sinceramente pela primeira vez naquela tarde.

O peso da saudade, da dor, da raiva, da frustração, da tristeza e da decepção pareceram largar meu corpo enquanto meus braços o envolviam em um abraço de compreensão.

Eu entendia seus motivos.

Entendi seus erros e seus medos.

Eu entendia e o faria entender também.

— Então se perdoe primeiro — sussurrei em seu ouvido.

Hoseok não precisava do meu perdão.

Ele precisava se perdoar.

Ele havia errado em ir embora sem dizer adeus.

E eu estaria errando se deixasse meu orgulho vencer.

— Senti sua falta também — ele sussurrou e eu sorri.

Senti muito pelo fato dele não ter se despedido... Mas agora o adeus não seria mais necessário.

[...]

Taehyung e eu passamos mais de meia hora jogados no tapete do quarto do Yoongi, conversando sobre algumas coisas aleatórias e algumas vezes parando para ouvir quando algum dos dois falavam mais alto na sala.

— Você acha que eles se acertaram? — perguntei ao de cabelos vermelhos.

— Meu primo é muito emocionado — sorriu fraco — Certeza que ele se debulhou em lágrimas na frente do Yoongi e pediu desculpas até pros filhos dele que nem nasceram.

Ri fraco e fechei os olhos, deitando de barriga para cima e colocando os braços dobrados embaixo da cabeça.

— Yoongi não é muito de se expressar — suspirei — Ele tem essa coisa de ficar guardando a dor pra ele até o momento que perde o controle.

— Já fui assim também. Às vezes é porque não queremos ser um incômodo pras pessoas e outras vezes é porque achamos que ninguém se importa sinceramente.

— Não sei qual dessas é a visão dele mas queria muito que ele me contasse.

— Dá um tempinho pra ele. Yoongi é um cara silencioso mas posso ver que com você já está bem diferente do que via dele nas terapias em grupo. Ele confia muito em você e acredito que logo vai se abrir mais.

— Espero que sim — sorri — Conto os segundos para isso.

— Por que?

— Acho que ele precisa desabafar e queria que fizesse isso logo para que eu conseguisse entendê-lo melhor.

— Sei que acha que falar é a única forma de extravasar sentimentos, mas não é...

— Por que diz isso?

— Os momentos de silêncio em que ele está ao seu lado também são importantes porque nem sempre as palavras são necessárias. Apenas acolher, respeitar, entender e estar presente já é mais que suficiente.

— O jeito que você fala é muito bonito, Tae — abri os olhos e então me virei de lado, encarando o garoto que sorriu instantaneamente.

— Gosto de usar palavras — disse lentamente — Gosto de falar o que gostaria de ter ouvido algumas vezes.

— Acho lindo como mesmo lidando com seus próprios problemas você ainda tenta ser gentil e compreensivo com todo mundo.

— Nós precisamos de pessoas mais empáticas hoje em dia — virou-se de lado, ficando de frente para mim — Gosto que encontrem em mim o apoio que nunca tiveram, o conforto que nunca receberam, as palavras que precisam ouvir e gosto que se sintam compreendidas. Gosto que saibam que tem alguém em um cantinho do mundo que entende suas dores, que também já sentiu elas e que sabe que elas vão embora um dia.

— Assim elas sabem que não estão sozinhas — completei.

— E eu sei que também não estou — sorriu.

Ouvimos um barulho na porta e então nos viramos em direção à ela.

— Já estão liberados do castigo — Yoongi enfiou a cabeça por uma pequena fresta da porta e eu logo notei um sorriso fraco em meio ao rosto avermelhado.

Yoongi definitivamente tinha chorado e eu só esperava que fosse por um bom motivo.

Levantamos do chão e então caminhamos em direção à ele.

— Você está bem? — perguntei segurando em sua mão.

Ele balançou a cabeça positivamente e então entrelaçou nossos dedos.

— Não precisa se preocupar tanto comigo — sorriu.

— Eu sempre me preocupo — falei apoiando a cabeça em seu ombro.

Andamos até a sala e logo vimos Hoseok com o rosto igualmente vermelho e inchado porém seu sorriso era bem mais sincero do que os que vimos durante o almoço de mais cedo.

Ele parecia feliz mesmo que seu rosto demonstrasse que ele chorou, e muito.

— Vocês fizeram as pazes? — Taehyung perguntou encarando o primo.

— Acho que sim — Hoseok respondeu meio incerto.

— Sim, nós fizemos — disse o de cabelos azuis com convicção.

— Que ótimo! — falei empolgada.

— Ótimo mesmo — Tae concordou animado — Precisamos comemorar!

— Vamos com calma — o garoto de cabelos escuros disse encarando o primo — Não vamos forçar a barra.

— Um jantar — propus — Pela volta da amizade de vocês...

Olhei para Yoongi praticamente perguntando pelo olhar se ele concordava com a ideia e ele sorriu no mesmo segundo.

— O que acha, Hope? — perguntou observando o ex amigo, ou será que não era mais ex? Poderia considerá-los amigos novamente?

— Você que sabe, cara.

— Que tal amanhã? — Tae perguntou.

— Ah, amanhã não vou poder — respondi.

— Por que? — o garoto ao meu lado perguntou.

— Esqueci de te avisar — sorri fraco — Vou sair com Jungkook e Jimin amanhã.

— Ah, ele vai junto...

— Tem problema para você? — perguntei ao estranhar sua reação.

— Claro que não — sorriu — Você precisa aproveitar seus amigos.

Sorri e então olhei para Taehyung.

— Sábado — sugeri — O que acham?

— Por mim está ótimo — o ruivo disse animado — Primo?

— Claro, perfeito! — Hoseok sorriu fraco e então se aproximou da porta — Acho que deveríamos deixar o Yoon em paz por hoje então.

— Ah — Tae o encarou — Tudo bem... Acho que vamos indo então.

— Serão bem vindos quando quiserem voltar — Yoongi comentou enquanto acompanhávamos os meninos até a porta.

— Obrigado, Yoon — o moreno disse com um sorriso enorme e parecia sinceramente alegre com as palavras do amigo.

— Até logo, Hope! — sorriu enquanto o amigo e seu primo se afastavam da casa.

— Tchau Tata — acenei empolgada — Tchau Hobi, foi um prazer te conhecer!

— O prazer foi meu — ele disse me encarando rapidamente — Cuida dele...

— Sempre — sorri olhando para Yoongi que logo me deu um beijo na testa.

Os meninos saíram pelo portão e então o abracei pela cintura.

— Como foi? — perguntei.

— Nada de mais.

— Quer conversar?

— Não precisa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, por que?

— Tem algo errado — falei me soltando dele — Você não costuma me responder desse jeito.

— Que jeito?

— Curto, ríspido...

— Acho que foram muitas emoções, só isso.

— Fiz algo de errado?

— Já falei que não precisa se preocupar tanto.

— Mas é claro que eu me preocupo ainda mais quando você muda comigo do nada.

— Não aconteceu nada, tá bem? — ele disse segurando em meu rosto com as duas mãos.

— Não minta pra mim.

— Não estou mentindo — sorriu fraco — Só preciso ficar sozinho.

— Vou te deixar quietinho então — dei um beijo em sua bochecha — Me liga se quiser conversar, tá bom?

— Farei isso...

Ele me soltou e então entrou em casa sem falar absolutamente mais nada.

Me afastei do local com aquela reação me incomodando.

Ele nunca falou comigo daquele jeito.

Será que eu fiz algo errado e ele não quer me contar?

Então me lembrei do quadro.

Não tinha nada errado comigo mas com quem eu iria ver amanhã.

Jeon Jungkook era a causa de seu silêncio.

[...]

No dia seguinte após a aula, Jimin e eu iríamos buscar Jungkook em casa para só então decidirmos onde iríamos passar o resto do dia.

Assim que entramos em seu carro, Minnie me encarou.

— Você está suspirando pelos cantos o dia todo — falou enquanto se arrumava no banco — O que aconteceu?

— Yoongi está estranho comigo.

— Estranho como?

— Ele não fala comigo desde ontem — contei — Nem ao menos saiu da sala para me ver no intervalo hoje.

— Eita — colocou o cinto — Você fez merda?

— Não — bufei — Acho que não é comigo o problema.

— Como assim?

— Acho que é por causa do Jungkook.

— E por que acha isso?

— Yoongi disse que Jungkook é perfeito para mim, elogiou um monte ele e disse que não entendia o que eu fazia ao lado de um “rabisco” como ele sendo que eu poderia ter um cara como Jungkook — comentei relembrando a explicação sobre sua pintura — Acho que ele se sentiu ameaçado de alguma forma.

— Entendo — sorriu fraco — É difícil não se comparar à alguém que achamos superior à nós... Eu mesmo me comparo com o Jungkook várias vezes.

— Sério Minnie? Você nunca me falou sobre isso.

— Qual de nós dois você acha que é elogiado nas reuniões de família? — riu fraco — Jungkook é o orgulho da família, é bonito, elegante, mundialmente famoso... E eu? Sou corno.

— Ai Jimin, me perdoa — falei dando risada da comparação — Não é como se sua maior característica fosse ser corno.

— Claro que é — riu junto — Meu chifre é maior do que a fama dele mas não é algo que eu me orgulhe muito em falar.

— Não é pra tanto...

— Ela ficou com a porra do time de basquete inteiro — praticamente berrou — Se eu não tivesse descoberto antes sabe lá com quantos outros  caras ela ia ficar.

— Talvez não...

— Não seja simpática, ______ — riu fraco — Ela teria ficado com o time de futebol, de golfe, de vôlei, de beisebol, com os nerds do xadrez e até com os velhos que jogam damas na pracinha.

Ri fraco.

— Agora falando sério — disse começando a acelerar — É normal que ele se sinta inseguro ainda mais com um adversário de alto nível.

— Eles não são adversários.

— Ah — sorriu — Pro Jungkook eles são sim.

— Por que?

— Porque ele vai fazer de tudo pra que vocês voltem a namorar — batucou no volante — E nesse caso, ele acha que o Yoongi é sim um adversário e dos bons.

— Ele tem que parar de querer ganhar em tudo...

— Jungkook não sabe perder — falou sorrindo sem graça — Assim como na época em que ele praticava taekwondo...

Jungkook machucou muitos de seus colegas de treino porque ele preferia apelar do que se deixar vencer.

Ele não soube e nunca saberia perder.

[...]

Jungkook insistiu que deveríamos ir para o “nosso” lugarzinho de infância.

O maldito bosque onde tudo aconteceu.

Onde o primeiro beijo aconteceu e o desenrolar de nosso curto relacionamento ocorreu por várias tardes e noites.

A antiga casa de Jungkook ainda continuava exatamente igual, os novos compradores não mudaram nem mesmo a pintura ou as plantas que cresciam no jardim.

Depois de descermos do carro, agarrei no braço de Jimin como um coala pois não queria ficar perto de Jeon por muito tempo já que não queria que ele tocasse naquele assunto mais uma vez.

 Não sei por quanto tempo conseguiria adiar essa conversa mas me esforçaria o máximo para que demorasse bastante.

— Lembra daqueles morangos? — Jungkook apontou para uma pequena plantação que ficava ao lado do muro de sua casa — Você disse que eram os melhores do mundo.

— E eram mesmo — sorri — Principalmente quando a sua mãe fazia aquela torta incrível com eles.

— Nossa, a torta dela é sensacional — Jimin disse passando a língua em seus lábios.

— Faz tanto tempo que eu não como — comentei.

— Poderíamos fazer algum dia desses, não é? — Jeon perguntou empolgado — A receita está lá na sua casa, não está?

— Verdade — Jimin respondeu — Acho que seria bom relembrar o gostinho da infância.

— E quem vai fazer o recheio? — perguntei.

— Você ué — o mais alto respondeu sorridente — É a que cozinha melhor.

— Mas eu não sou muito boa com doces...

— Mas vai se sair bem — disse tocando levemente meu braço — Você é perfeita em tudo o que faz.

Ok, eu peguei a intenção dessa frase.

E agora?

— Pois é — sorri sem graça, me agarrando mais ainda ao braço de Jimin.

— Arranca ele e pega de presente pra você — o menor sussurrou e eu ri.

— Me desculpa — afrouxei um pouco o aperto — Não sei como reagir.

— Deslocar meu ombro não vai te ajudar.

— Já parei.

Andamos um pouco até umas balanças que haviam no final do bosque e Jimin saiu correndo até elas.

— Jeon, me empurra aqui — gritou.

— Você não é mais tão leve, hyung — riu fraco — Não vai mais levantar tanto.

— Não tô pedindo sua opinião sobre meu peso, seu inútil — sorriu — Tô pedindo pra você me empurrar nessa porcaria.

Jungkook acelerou os passos enquanto eu caminhava lentamente até eles.

— Me chamou de gordo mas eu continuo indo alto — Jimin disse risonho com os pézinhos balançando no ar.

— Mas está bem mais difícil de te empurrar — o outro retrucou.

— Não é você que é o gostoso? O tesudo? Dono da força? Crossfiteiro?

— Cala a boca ou eu te empurro dessa merda — o mais alto fechou a cara enquanto seu meio irmão ria incessantemente.

Deitei na grama fofa de forma com que ficasse logo em frente às balanças, vendo o sorriso divertido do menor e a expressão tediosa de Kook enquanto esperava para empurrá-lo novamente.

Era legal ver os meninos como antigamente mas algo parecia diferente.

Talvez fosse Jungkook ou talvez fosse eu mesma.

Talvez fosse nós, em geral.

Eu não me sentia mais tão confortável ao seu lado apesar de amar sua companhia.

Na verdade me sentia confrontada de algum jeito.

Algo em seu olhar não me transmitia o mesmo de antes.

Bom, era óbvio que isso aconteceria afinal não éramos mais as mesmas crianças de alguns anos atrás. Pelo contrário, agora éramos adultos e nossos pensamentos eram completamente diferentes.

Mas nunca me acostumaria com o olhar feroz de Jungkook em minha direção, nem com suas investidas e seus comentários lotados de segundas intenções.

Era simplesmente estranho.

Jimin pulou da balança e então deitou-se ao meu lado, encarando o céu levemente acinzentado que nos cobria.

— Está pensando nele? — perguntou.

— Estou tentando não pensar — confessei.

— Por que?

— Porque senão vou querer ir atrás dele — sorri fraco.

— Você está apaixonada por ele, não é?

— Talvez — suspirei — Não tenho certeza.

— Você ficou esperando que mudasse algo entre vocês depois do beijo...

— Beijo? — Jungkook falou logo deitando ao meu lado também.

O encarei em silêncio e ele sorriu irônico.

— Você beijou aquele cara?

Bufei, revirando meus olhos.

— Ele não fez nada depois disso? Não falou alguma coisa? Não quis te beijar de novo?

— Não — respondi desanimada.

— Caras como ele não tem muita atitude — Jeon disse sorrindo fraco — Não são bons para mulheres como você.

— Mulheres como eu?

— Que sabem o que querem, que se impõem, que demonstram o que sentem...

— E como você sabe que eu sou assim?

— Eu sei a mulher que deixei pra trás — sorriu — Por isso que estou tentando conquistá-la de novo.

— Você não acha que deveria parar com isso?

— Com o que?

— Com essa mania de tentar reviver um relacionamento que morreu há muito tempo, Jeon.

— Eu nunca desisti de nós, _____.

— Pois deveria.

— Esse clima horroroso me deu vontade de ir no banheiro — Jimin falou enquanto se sentava — Já volto.

— Não me deixa aqui — sussurrei segurando em seu braço.

— Agora além de querer arrancar meu braço também quer me ver mijar? Tá dando uma passada nos limites né? — riu fraco.

— Eu já vi seu pau antes, Jimin — retruquei séria enquanto me sentava.

— Como isso aconteceu? — Jungkook perguntou surpreso.

— Fiscal de nudes — Jimin respondeu sinceramente e eu ri baixo.

— Ele não precisava dessa informação — falei dando um tapa em seu braço.

— Não, definitivamente não — o maior disse tampando os olhos com um dos braços — E eu definitivamente não quero imaginar meu meio irmão mandando nudes pra minha ex.

— Provavelmente já é tarde demais — Minnie se levantou — Eu vou lá naquela moita e você trate de ficar sentadinha aí...

— Mas Jiminnie...

— Fica — disse quase como se desse ordens para um cachorro e eu suspirei contrariada, voltando a deitar ao lado de Jungkook.

Jimin se afastou e eu fechei os olhos, tentando evitar encará-lo enquanto meu abençoado melhor amigo não voltasse.

— Para de fugir de mim como se eu fosse um monstro — resmungou.

— Não estou agindo como se fosse um monstro.

— Sim, você está.

— Eu só não sei como agir...

— Normal ué — riu fraco — Nós ainda somos amigos do mesmo jeito.

— Mas você não parece querer manter desse jeito.

— Não, não quero mesmo.

— E quer que eu aja naturalmente como? Sendo que eu sei das suas intenções.

— Eu sou apaixonado por você, ______ — confessou — E não sei agir como se não sentisse nada.

Respirei fundo pela confissão repentina e então virei meu rosto em sua direção.

— Você está afim daquele cara, não é? O moleque do cabelo azul...

— Ele é mais velho que você, Jeon... Você que é o moleque.

— Você tá afim dele e não adianta mudar de assunto — falou sério, virando o rosto em minha direção também.

— Talvez eu esteja, Jeon.

— Vocês se beijaram — riu fraco — É claro que você está.

— Acho que ele não pensa assim...

Jungkook selou nossos lábios rapidamente e então se afastou.

— Jeon, eu...

— Relaxa, isso morre aqui — sorriu fraco — Eu só senti que deveria aproveitar a oportunidade.

O beijo de Jungkook me tirou um pouco de órbita, não posso negar.

Mesmo que tenha sido um leve toque de lábios, tinha sabor de infância, o gosto adocicado do nosso primeiro beijo.

Era como se eu tivesse revivido aquele dia, os toques delicados em minhas costas e o gosto dos morangos que roubamos naquela porcaria de plantação.

Por alguns segundos revivi aquilo que disse que havia morrido:

Nós.

Mas quando voltei à mim só vinha o garoto de cabelos azuis na minha mente.

O beijo embaixo da macieira, as pinturas, os sorrisos e a pele pálida que se tornava corada quando o tocava mesmo sem intenções.

Como eu poderia pensar nele mesmo numa situação como essa?

Você sempre dá um jeitinho de voltar para a minha mente, Yoongi...

Talvez porque você seja dono dela agora.

[...]

A casa estava silenciosa naquela tarde.

Nem Holly queria latir.

Talvez porque também sentisse sua falta.

Suspirei enquanto pegava um maço de cigarros que havia escondido na cozinha para momentos em que a abstinência se tornasse incontrolável, afinal, seis anos de vício não eram tão fáceis de superar.

Acendi um e me sentei sobre o banco do piano abandonado em minha sala, tentando tocar algumas notas sem muita vontade com apenas uma mão.

Ri fraco ao notar que tocava uma versão melancólica de Creep do Radiohead.

E era engraçado porque a letra traduzia exatamente o que eu sentia naquele instante.

Quando você esteve aqui

Não conseguia te olhar nos olhos

Você é como um anjo

Sua pele me faz chorar

 

Você flutua como uma pena

Em um mundo tão belo

Eu queria ser especial

Você é especial pra caralho

 

Mas eu sou uma aberração

Eu sou um esquisitão

Que diabos estou fazendo aqui?

Eu não pertenço a este lugar

 

Eu não ligo se isso machuca

Eu quero ter o controle

Eu quero um corpo perfeito

Eu quero uma alma perfeita

Me sentia mal quando notava que estava fazendo isso de novo.

Quando estava criando uma dependência emocional mais uma vez, mesmo sabendo que ela poderia ir embora à qualquer momento.

Mas não era por querer.

Porra, eu juro que não era por querer.

Eu não quis que ela me ajudasse tanto, não quis que ela me fizesse gostar tanto da sua companhia, não queria nada além de dormir até que ela aparecesse como um tornado em minha vida.

E agora não queria que ela fosse embora também.

Eu sei que eles são amigos mas cara, ele é muito melhor que eu. E se ela nunca mais voltar?

Que merda, por que minha cabeça faz isso comigo?

Por que tudo vira uma porra de tortura psicológica?

Por que eu não posso enxergar apenas a amizade deles? Por que tudo tem que ser muito maior na minha mente?

Era inevitável pensar em quantas vantagens ele teria contra mim.

A beleza.

A fama.

O dinheiro.

A facilidade em lidar com seus próprios problemas.

E o principal de todos...

Ele não tem um psicológico podre igual ao meu.

Ele poderia sair com ela em público sem correr o risco de ter uma crise de ansiedade.

Ela não precisaria lidar com instabilidades e sempre seria recebido com uma merda de sorriso.

Ela não precisaria se preocupar se ele seria internado por ser completamente fodido da cabeça.

— Eu preciso parar de pensar nisso — afirmei, levantando para ir até a cozinha.

Eu sabia que não era certo me comparar com ele ou ficar imaginando se eles estariam se beijando naquele mesmo instante.

Mas caralho, por que eu não consigo parar? Eu quero parar!

Eu preciso parar...

Decidi passar um café para tentar me distrair com algo mas é TÃO difícil fugir dos seus próprios pensamentos.

Passei as mãos pelos cabelos e então respirei fundo como Seokjin tinha mandado. Controle da respiração, fuga mental, autocontrole...

Não era como se eu quisesse sentir aquilo mas era como se minha mente criasse uma porcaria de Jogos Mortais na minha cabeça.

Eu imaginava ela indo embora, imaginava a minha casa voltando a ficar vazia, Min Holly deitando ao meu lado na cama enquanto eu virava garrafas e mais garrafas de vinho barato.

Uma droga de tortura mental.

— Eu não posso voltar a ficar assim — sussurrei, talvez fazendo com que a parte boa de meu cérebro captasse a mensagem — Não vou voltar a ficar assim!

O café passou e eu peguei uma xícara dele ainda sem adoçar, assim teria algo amargo naquela casa além do meu próprio humor.

Sentei em minha cama e encarei a janela escancarada.

Eu sabia exatamente o que estava acontecendo.

Afinal, aconteceu mais vezes do que eu podia imaginar.

O choro escorreu em meu rosto e então tudo começou a perder a cor em minha mente.

Era como se tudo se tornasse preto e branco novamente naqueles instantes.

Minhas mãos tremiam.

Meu coração palpitava.

A falta de ar tomava conta mais uma vez.

A ansiedade não me deixava respirar.

Ela não me deixava viver.

— Por que? Eu nem queria pensar nisso — sussurrei com o pouco ar que havia em meus pulmões — Por que eu tenho que pensar no que me machuca?

Era medo.

Medo de que mais uma pessoa me deixasse para trás.

E eu não poderia mais tomar remédios naquele momento porque a cafeína não era uma boa companhia pra eles, então simplesmente me deitei enquanto chorava sem ao menos querer apenas porque não conseguia controlar as lágrimas.

Apenas por causa daquela maldita sensação ruim no meu peito.

Eu sabia que ela não iria me deixar mas ao mesmo tempo era como se outro lado dissesse repetidamente:

“E se deixar?”

Respirei fundo, tentando diminuir o aperto em meu peito e então com os dedos ainda trêmulos peguei o celular em meu bolso e escrevi uma mensagem para ela.

Sinto sua falta...

Os dias são mais cinzas quando você não está aqui.


Notas Finais


Como eu sempre prometi que não romantizaria a situação do Yoongi, senti que precisava narrar as coisas pelo seu ponto de vista e também em momentos delicados como esse.
Quem aí quer ser fiscal de nudes do Jimin também hein? Candidates?
O próximo capítulo não vai ser tão triste, prometo!

Espero que tenham gostado..
Amo vocês <3

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