História Why you? - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Bellamy Blake, Clarke Griffin, Dra. Abigail "Abby" Griffin, Indra, Jasper Jordan, John Murphy, Lexa, Lincoln, Marcus Kane, Maya Vie, Octavia Blake, Personagens Originais, Raven Reyes
Tags Bellarke, Ramance, Revelaçoes
Visualizações 138
Palavras 3.399
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Hentai, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Nada a declarar, aproveitem esse quase 4K de palavras, sem pegação Bellarker, rs ou não

Quem sabe tenha um bônus até o final de semana ;)


Boa leitura e perdão pelos erros *--*

Capítulo 10 - Knockin on Heavens Door Pt. 1


Fanfic / Fanfiction Why you? - Capítulo 10 - Knockin on Heavens Door Pt. 1

Não importa quantas vezes eu acorde e dê de cara com Bellamy, todas elas irão vir acompanhadas de calafrios e sentimentos ocultos que estou me negando a pensar ultimamente. Já tinha desligado o despertador umas duas vezes, não dando importância para o horário nem paras as primeiras aulas do colégio que iria perder, queria ficar deitada e ter certeza de que meu hóspede acordaria, mesmo o vendo respirar pesado. Fecho os olhos puxando mais ar que o normal e me viro em busca de contato com meu próprio cobertor, aquele que esta cobrindo o outro ao meu lado.

- Nem acredito que dormimos juntos. – sorriu de forma maliciosa enquanto se espreguiçava. – A proposito você se mexe muito, além de roncar alto.

- Escuta aqui, eu só dormi aqui porque me pediu. Além do mais você parece uma criança, não faz nada direito.

- Então se ficou foi porque quis. – franziu a testa forçando uma careta.

Ele pareceu ignorar a última frase, lançando uma expressão indiferente, como de usual. Revirei os olhos e me levantei ouvindo o celular vibrar em algum canto secreto do quarto. Quando liguei vi inúmeras mensagens de Raven e Jasper, uma mínima parte de mim esperava ver algo de Octavia, mas sabia que ela nunca daria o braço a torcer primeiro. Eu realmente estava pensando em comprar um pré-pago, e mandar mensagens incentivando que ela fizesse as pazes com sua querida amiga, porém tinha quase certeza de que em menos de vinte e quatro horas, ela descobriria meu plano infalível e ficaria orgulhosa de mim, o que seria ótimo.

- Se eu não voltar pra casa hoje, compre orquídeas e um caixão preto. – me escorei na poltrona lendo mentalmente as mensagens que terminaram de destruir minha semana, não que ela tenha sido ruim, apenas péssima.

-Alguém morreu?

- Ainda não, e só por garantia fique na cama, não se esforce, um enterro duplo não é uma opção hoje.

 

                                                                                                      ✵

 

Além de mim, minha mãe, que por alguma razão aparecia espontaneamente na escola, e Jaha dividíamos a mesma sala, com a pequena diferença de que ambos falavam e eu apenas escutava de cabeça baixa.

-Clarke, o que anda acontecendo? Parece que uma onda de rebeldia vem tomando conta de você, de uma semana pra cá você parece outra adolescente. – uma onde de problemas que me arrastam levando todos a minha volta também, talvez a causa desse tsunami seja Beallmy.

- Eu só acordei atrasada porque estudei até tarde, prometo que não vai se repetir. – menti e sorri ouvindo a aprovação da voz que soava vitoriosa em minha mente, não costumava mentir, mas após aquela noite parece que ganhei uma permissão especial para quando fosse necessário, mas esqueceram de avisar que estavam inclusos, remorso e culpa.

Dividindo olhar entre meus livros e o rosto de Abby que exalava decepção, fui dando passos lentos em direção à porta de maneira sorrateira até escutar Thelonious limpando sua garganta.

- Sinto muito Clarke, mas acho necessário que fique de tarde e preencha seu horário adequadamente, se precisar Becca estará disponível para qualquer eventual dúvida, remarcaremos a prova e avisaremos vocês.

Espera um instante, a professora de história vai ficar de olho em mim a tarde toda? Quantos anos eles pensam que eu tenho? Tudo bem que eu dei motivos suficientes para gerar desconfiança... mas e que estória é essa de ‘‘vocês’’?

- Espero que aprenda a lição e volte a ser uma aluna exemplar, se quiser almoçamos juntas e conversamos sobre seu comportamento de ultimamente mocinha. – pôs às mãos na cintura me lançando aquele olhar típico de “conversamos mais tarde”.

Assim que sai do cubículo e adentrei o corredor vi Finn do outro lado apoiado em um dos armários enquanto falava com Jasper e seus típicos óculos especiais. Caminhei até ambos que se viraram em minha direção e começaram a rir.

Que dia de merda.

- Tem alguma coisa grudada no meu dente ou o que? – lancei rápido vendo ambos fechando os lábios escondendo os dentes. Assim que eu gosto.

- Deveria ter aproveitado de primeira, a prova estava ridiculamente fácil, até mesmo eu que não estudei fui bem.

- Nossa, que legal. – respondi com desdém vendo Finn rir meio irônico, até ele?

- É parece que vamos penar para fazer a segunda chamada, estou aceitando ajuda princesa. – encarou os pés subindo os olhos contidamente.

- Perdeu o horário também? Porque essa é a única desculpa que eu ouvi na última semana. – Jasper cerrou os olhos na minha direção enquanto ajeitava a alça capenga da mochila.

- Meu carro deu problema a algumas quadras daqui, e acredito que não tenha sido ao acaso, sei lá. – mordi o lábio tentando fazer uma rápida interpretação na frase, o que não aconteceu. – Quando teria a chance de almoçar e passar à tarde com a vossa alteza?

- Está me convidando ou algo assim? – ergui as sobrancelhas e vi o garoto ao meu lado revirando os olhos.

Ok. Fui pega de surpresa, essa é a maneira mais adequada de respondê-lo, neutra sem quaisquer segundas intenções.

- Se eu responder, você aceita? – um leve rubor começava a querer dar as caras por ali, eu rapidamente apertei os braços contra o corpo, assimilando que Finn Collins queria almoçar comigo, e tinha encontrado uma maneira criativa de perguntar isso. E eu tinha gostado.

Juntar o útil ao agradável era uma opção extremamente agradável agora, concordei com a cabeça desviando o olhar das esferas castanhas do moreno, quase cobertas pelo cabelo liso.

- Estou sobrando aqui, vou procurar o Monty, ou fazer qualquer outra coisa que não seja estar aqui.

 

                                                                                                 ✵

 

Depois de deixar o corredor entrei em minha sala para a prazerosa aula de química, o que eu realmente gostava a não ser pelo fato de que Octavia havia abandonado a fiel parceria e deixado John Murphy ocupar a cadeira ao me lado, desperdiçando meu precioso oxigênio com tanta merda falada durante a aula, por sorte ele era bom em química, creio que só.

- Belo dia para perder uma prova. – ditou convencido enquanto mascava um chiclete qualquer.

- Belo dia para tomar conta da sua vida, não?

- Ui, essa doeu. Já sei porque você esta toda bravinha, o que aconteceu entre vocês duas, hum? Uma amizade tão bonita... – fingiu enxugar uma lágrima falsa, bem patético para falar a verdade.

- Se fosse da sua conta eu diria. – ofeguei cansada buscando meus cadernos na mochila.

- Olha um conselho de amigo, se for por causa do Collins, não vale a pena, ele não é o cara ideal para você. – se aproximou bruscamente como se me contasse algo importante e ultrassecreto, o que obviamente não era.

- Vamos esclarecer as coisas ok? Primeiro não somos amigos, segundo nunca me intrigaria com ninguém por causa de qualquer garoto, e terceira quem seria bom pra mim? Você? – ri nasalado rolando os olhos para direção oposta a dele.

- Claro que não somos amigos, somos mais, a química entre nos é tão grande que você nem faz ideia. – curvou os lábios numa espécie de sorriso torto. – Eu sou o homem que todas as garotas sonham.

Cai na risada ouvindo as babaquices de Murphy, calculando friamente o espaço oco presente em sua cabeça já que seu cérebro não poderia ser muito grande. Cocei a garganta disfarçando assim que o professor nos lançou um olhar curioso, logo se direcionando a cadeira ao lado.

- Gostaria de compartilhar seu pensamento sobre a aula com a classe Sr. Murphy? Tenho certeza de que é algo extremante coerente. – a sala virou um furdunço vendo a reação do garoto ao se levantar e caminhar até o quadro desenhando uma grande cadeia carbônica de maneira impecável. – Aprecio sua coragem e habilidade em mostrar seu conhecimento sobre o assunto, agora se sente e deixe sua parceira em paz.

Do outro lado da sala vi Octavia encarando a situação com um pequeno sorriso, quando virou para mim ela continuou sorrindo e isso de alguma maneira esquentou meu coração recriando a esperança de reatar os laços com minha amiga. Deveria agradecer Murphy pela palhaçada que atraiu sua atenção, mas tinha certeza de que seu ego não precisava ouvir isso.

 

                                                                                               ✵

 

O restaurante estava vazio e a comida fresca, um fenômeno que só acontecia uma vez a cada 365 dias. Finn segurava um prato composto apenas de carbo-hidratos e carne mal passada, já eu fiquei na salada e grelhados, mantendo uma aparecia saudável diferente daquela que acaba com um pote de sorvete em meia hora no máximo.

- Vai comer só isso? Não acha que suas células precisam de bastante energia para entender história? – sorriu largo devorando mais um pedaço de carne.

- Definitivamente, mas creio que Becca terá piedade conosco.

- É o que eu tenho esperado o ano todo, tudo o que ela fala é grego, eu não entendo. – bufou meio tenso.

Para mim não era grego, mas tedioso ouvir e ler sobre o passado, não que fosse menos importante que as outras matérias, mas só não conseguia assimilar bem. O livro de história era um ótimo companheiro para as noites frias e vazias de sábado à noite, me acalentando e recebendo uma enorme quantidade de bocejos e saliva.

- Confesso que minhas noites com Hitler e Stalin foram super agradáveis. – ele ri se encostando à cadeira.

- Enfim, vamos para de falar sobre isso, afinal vamos ter a tarde toda para debater sobre liberalismo e neoliberalismo.

Concordei e começamos a falar sobre livros, série e filmes, e um algumas informações pessoais, procurei omiti a maior parte que não tinha necessidade de ser dito, nunca gostei de me expor, mesmo que sinta que possa confiar totalmente nele mantenho um pé atrás. Descobri que ele morava razoavelmente perto da minha casa, e que adorava sorvete de chocolate, um bom começo. Seu gosto musical era excelente, mesmo que um pouco afastado do meu, e o mais interessante, Finn tinha formado numa banda, mas desistiu devido à faculdade. Isso me fez lembrar o velho violão que tenho guardado no quartinho de casa, nunca mais toquei depois que meu pai morreu, ele me despertava varias memorias boas que não poderiam ser revividas.

 A hora do almoço se estendeu por mais vinte minutos, depois mais vinte, com direito a risadas altas e fones compartilhados. Quando notamos a hora estávamos vários minutos atrasados, seria ótimo perder mais alguma tarde na escola essa semana.

 

                                                                                            ✵

 

O corredor novamente mal iluminado me trazia uma sensação de paz, sem todo aquele amontoado de adolescentes cheirando a hormônios e perfumes caros, a noite era quieta e silenciosa tudo o que eu mais gostava. Finn havia ido embora há algum tempo me deixando com Becca e seu pequeno questionários como revisão para prova, sem data até então. As paredes estavam lotadas de cartazes, todos com seus respectivos propostos, desde festas até recompensa por um “brinco de bijuteria com grande valor sentimental”.  

Incrível como algo que só aconteceria no próximo mês, já ocupava grande espaço no mural e armários. O Grande Baile de Mascaras Anual, onde a entrada era permitida se estiver a caráter com a bela mascara cobrindo sua identidade, um tanto quando instigante, quem sabe se eu finalmente mudasse de ideia fosse esse ano. Uma voz grossa e alta me tirou do pensamento, vindo à direção em que eu estava, corri e me escondi atrás de algumas caixas espalhadas pelo beco da direita que dava acesso a ala oeste. Assim que vi Kane, suspeitei na hora, havia um tempo que matutava sobre as conversas secretas com pessoas desconhecidas no escritório da antiga casa. Paranoia ou não, ouviria a conversa, por mais errado que fosse, e tiraria minhas conclusões. Limpar sua ficha, ou suja-la ainda mais Marcus Kane?

 

- Não quero que cause problemas pra você, nem pra mim. – riu alto.

 

- Relaxa está tudo aqui, ninguém vai desconfiar de nada, quero que seja algo grandioso.

 

- Será para nossas carteiras. Já marcou a entrega? Não quero que eles pensem que não cumprimos com o trato. – Kane concordou batendo em umas das caixas a minha frente, me curvei, ficando praticamente invisível.

 

Assim que ambos apertaram as mãos e saíram em direções opostas, suspirei alto sentindo meu coração disparar e as pecas do grande quebra cabeça fazer sentido, ou não. Puxei a chave do carro e fui em direção a qualquer caixa, na expectativa de abri-la e relevar o, contudo oculto. Com toda certeza posso afirmar que minha segunda opção seria em alguma área da policia investigativa. Pronta para rasgar o papelão a porta de trás se abre bruscamente  revelando uma mulher alto e de cabelos longos e meio loiros, nunca havia visto na escola, e não aparentava ser aula, nem tão velha a ponto de ser considerada professora. Ajoelhei-me e fingir pegar a chave do Jipe, vendo a passar e se encostar-se à parede do corredor. Merda.

 

                                                                                                  ✵

 

Cafeína. Precisava de bastante cafeína na véspera da maldita prova de historia, Bellamy me olhava de um jeito estranho como se risse mentalmente da minha situação, não o culpo, meu estado era de dar pena. Precisava de nota, não me sentia segura estudando o conteúdo, e para piorar cairia conteúdo dobrado. E, isso só podia resultar em um fato trágico. Recuperação.

 

- Faz bastante tempo que você esta ai, é algum tipo de trabalho longo ou você é bem estudiosa? – jogou a cabeça para o lado enquanto se erguia no sofá.

 

- Prova.

 

- Hum... – juntou os lábios até formarem uma linha, típica de tédio. – Podemos ver um filme mais tarde, quem sabe você relaxa.

 

Subi os olhos rapidamente, essa era a primeira vez que ele falava algo do tipo, desde a tarde aleatória de TV, quase nunca nos sentávamos juntos para fazer nada, ou eu estava ocupada demais com os estudos ou só não tínhamos a oportunidade adequada, que por sinal poderia ser muito bem aproveitada para um questionário geral sobre sua vida e mais um pouco. Bem, mas esse não era o momento, precisava focar em escrever um resumo digno de ser lido e relido, um milhão de vezes se necessário.

 

- Tá... - murmurei rápido de mais antes de perceber que havia aceitado, mas qual era meu problema?

Foquei no notebook e continuei a digitar mais e mais, enquanto respondia a algumas dúvidas fáceis de Finn, que desde aquela tarde havia me stalkeado de maneira nada discreta. O grupo dos inseparáveis amigos estava a todo vapor, um ponto pela ironia, Raven, Jasper e Monty discutiam sobre coisas geeks, no grupo, entretanto O. não mostrava qualquer interesse em interagir.

Vê-los despreocupados, usando emojis engraçados e falando sobre os filmes em cartaz, me deixava com uma tremenda inveja, raiva e ao mesmo tempo triste. Inveja de não estar livre para sair e tomar sorvete, raiva de ter perdido uma prova fácil e ter que estudar duplicado, e triste por sentir tudo isso ao mesmo tempo.

Deveria jogar a culpa em Bellamy por quase morrer na noite anterior? Ou simplesmente me culpar por telo trazido para cá?

É incrível como sempre precisamos encontrar um culpado para tudo de ruim que acontece em nossas vidas. Ok, talvez bem lá no fundo eu procurasse em Marcus a culpa pelo acidente de meu pai e a mudança de comportamento de minha mãe. Coisas acontecem sem explicação e eu deveria entender isso.

- A não... – grunhi em desanimo ao perceber que tinha apagado o arquivo. – O que eu fiz?

E essa é a hora perfeita de culpar Bellamy por invadir meus pensamentos e tirar o verdadeiro foco do estudo.

- Posso ajudar em algo? – sussurrou bem próximo a minha orelha, odeio quando fazem isso.

- Não sei, mas se conseguir reviver um arquivo agradeço. – berrei internamente me jogando no encosto da cadeira, enquanto o maior puxava o aparelho para si. Quase tinha me esquecido da formação dele em computação.

- Vamos ver.

Não sei por que, mas aquela cena permaneceria na minha cabeça por alguns meses, talvez até anos quem sabe. Gostaria de sair correndo e pegar uma câmera só para registra-lo.

Blake esparramado na cadeira, com uma blusa extremamente apertada mordendo os lábios e digitando de forma sexy, talvez não fosse sexy, mas a maneira como ele fazia tornava aquilo sensual.

- Clarke?

- O que? – neguei com a cabeça desviando o olhar rapidamente.

- Seu resumo de história está bem aqui. – moveu os lábios para um sorriso, mas se conteve virando a tela em minha direção. – E era para isso que ficou estudando o dia todo? História?

- Vamos dizer que não tenho muita afinidade com o passado, nem em juntar fatos que resultam no presente. Entendeu?

- Totalmente. Digamos que meu passado me condena. – até que enfim vamos falar sobre isso. – E condena outros também, por isso amo a historia. Ela define quem você é, e o que fez para estar aqui agora.

- O que você fez para estar assim agora? – joguei verde esperando uma resposta que explicasse toda a situação.

- Ai que está, não seu trata somente do que você fez, e sim das circunstâncias que lhe levaram a determinado ato. Pense que a história é um grande quebra cabeça e você precisa juntar todas as peças para formar algo concreto.

Se eu dissesse que mesmo com aquela resposta vaga eu comecei a prestar atenção no que ele falava, além de brotar certo interesse pela matéria, coisa que minha professora em quase um ano não chegou nem perto. Se Bellamy Blake continuasse a me dar aulas, ele poderia ficar o quanto quisesse, cozinharia pra ele todos os dias se precisasse. Nota garantida comida na mesa.

 

                                                                                                       ✵

 

- Parece que eu não fui a única a fazer compras. – vi o garoto correndo afim de pegar o elevador, e ele não vinha sozinho, várias sacolas o acompanhavam.

- É, pois é, já que se esqueceu de mim, tive que me virar sozinho. – juntou os lábios enquanto olhava de canto para mim e minha feição nada amigável. – E você comprou o que aí?

- Comida.

- Legal, vai cozinhar pra mim? – cutucou meu ombro risonho.

- Pretendia. – respondi seca, evitando contato físico e visual. Não é possível que ele pense que é normal ele sair e fazer compras, como se morasse com uma amiga de longa data.

Assim que o elevador chegou ao andar fui saindo enquanto as portas se abriam, larguei as sacolas no chão e me joguei no sofá. Ele me devia muitas explicações, se não quisesse me dar, procurasse outro lugar para ficar.

- Eu fiz algo errado? – ri irônica enquanto massageava as têmporas.

- Sério Bellamy? Ou seja, lá qual seja seu verdadeiro nome.

- Do que está falando? Ei Clarke, eu nunca mentiria pra você. – se sentou ao meu lado e jogou o cabelo para trás, lindo e irritante.

Espera, o que? Lindo?

- Mentir e omitir são coisas bem próximas, além do que só nos “conhecemos” há duas semanas. – respirei fundo tentando manter a calma e o tom de voz. - Olha acho melhor você sair daqui, não sei com o que anda metido, onde consegue dinheiro, nem o que fez para acabar naquela situação. Te dei varias chances pra você falar sobre aquela noite e até te ajudar se possível, mas parece que não confia em mim, ou não fala porque tem medo de como eu veja você depois. Só estou avisando se a policia vier aqui, vou negar tudo e ainda por cima contarei que um estranho estava me ameaçando.

- Essa foi a declaração de despejo mais longa que já ouvi. – murmurou enquanto olhava Bob rolar no meio do tapete, gastei ar atoa aparentemente. – Clarke, alguma vez eu disse que você não poderia fazer perguntas, ou neguei alguma?

- Se respostas vagas forem sua maneira de negar, sim.

­­O garoto se levantou rapidamente indo em direção à porta. Afinal ele iria mesmo embora?

 O barulho alto confirmou minha suspeita. Não tinha certeza se foi uma decisão sensata, quem sabe agora minha vida voltaria a ser o que era antes. Sem emoção, sem graça, sem Bellamy.

Torci o lábio escutando os ponteiros do relógio, que há tempos, duas semanas, não parava para escutar. O apartamento ficou vazio e frio de repente, como se toda a alma daquele lugar fosse aquele maldito garoto que agora provavelmente descia as escadas. Me vi totalmente dependente de um garoto que mal conhecia, e isso me assustava. Em todos os meus dezesseis anos, nunca me apeguei tão rápido.

 

                                                                                                     ✵

 

Toc toc...

 


Notas Finais


ODEIO ONOMATOPEIA MAS FOI NECESSÁRIO

Clarke fazendo suas declarações... FLARKE QUASE ACONTECENDO
Quem sera a garota da escola?


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