História Wicked Game - SEULRENE - Capítulo 13


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Notas do Autor


Boa tarde pessoal!!

To aqui com a continuação dessa treta toda.. espero que gostem dele e que estejam gostando da história no geral. E como estão com o repack da Taeyeon? Me apaixonei pelas 3 músicas novas. ♥

Aproveitem e beijos.

Mari.

Capítulo 13 - It's a Terrible Love


Joohyun.

 

Já era a quarta vez que eu sentia meu celular vibrar inquieto dentro do meu bolso tirando a minha atenção do trânsito caótico de Seul. Não precisava olhar o visor para saber quem era. Wendy me mandava mensagens a cada minuto tentando me convencer de que eu deveria ir ao hospital fazer um check up, afinal, não é todo mundo que acorda de um coma tão longo e não sente as sequelas disso, mas não estava nem um pouco preocupada. Eu me sentia bem e meu corpo parecia estar totalmente saudável, apenas tinha algumas perdas de memória rápidas, nada preocupante, mesmo assim Wendy continuava insistente em querer me acompanhar ao médico e até inventou de marcar uma consulta com uma psicóloga para ter certeza de que eu estava realmente bem.

 

Gostaria de saber de onde surgiu tanta preocupação e porque ela estava se comportando de maneira tão estranha e isolada esses dias. Fazia exatamente uma semana desde que dormimos juntas e desde aquele dia eu não a vi mais. Eu até tentava conversar com ela, mas Wendy simplesmente ignorou as minhas mensagens nos primeiros dias. Provavelmente porque pensava que eu a usei para me vingar de Seulgi, mas não foi bem isso o que eu queria. Mandei inúmeras mensagens me desculpando pelo o que eu fiz, pelo constrangimento que a fiz passar naquele dia e quando eu finalmente desisti de esperar por uma resposta Wendy me respondeu…, mas com um pedido para que eu fosse ao hospital o quanto antes. 

 

Eu não fazia idéia da onde ela tinha tirado essa preocupação toda comigo ao ponto de insistir tanto nisso que chegou a me fazer uma pequena chantagem dizendo que só voltaria a me ver se eu fosse a uma consulta com a tal da psicóloga Kim Seolhyun, o que eu obviamente recusei de imediato. Eu não era louca e me sentia perfeitamente bem. Não era necessário psicólogos ou médicos me examinando, loucos para encontrar novas doenças em mim. Se eu entrasse novamente naquele hospital, Yerim poderia me prender lá por bastante tempo.

 

O celular vibrou novamente e como eu estava parada com o carro em um sinal, tirei ele do bolso rapidamente para ver o que havia recebido. 

 

É sério, Joohyun. Se você não for vou ficar muito chateada com você.” - Mensagem recebida às 13:30.

Vai me ignorar? Vai ignorar a sua própria prima?”  - Mensagem recebida às 13:31.

 

Joohyun, você precisa fazer exames droga! Yerim exigiu que eu te levasse nem que fosse amarrada.” - Mensagem recebida às 13:33.

 

Você me cansa, parece até criança”. - Mensagem recebida às 13:34

 

Tá. Eu vou pensar no seu caso, ok? Agora pare de me mandar tantas mensagens, estou no trânsito. Quer que eu morra?” - Mensagem enviada às 13:40.

 

Vai pensar? Bem, já é um começo. Para onde está indo? Ah, já imagino… tome cuidado.”  - Mensagem recebida às 13:41.

 

E assim terminou a saga de mensagens de Son Seungwan. As vezes a odiava por me conhecer tão bem. Ela sabia para onde eu estava indo por mais que nem eu mesma soubesse direito. O sinal abriu e eu acelerei o carro pela estrada em direção ao único lugar que eu não deveria ir. O apartamento de Seulgi estava perto, faltavam apenas alguns poucos minutos até eu chegar lá. Minhas mãos começaram a soar em contato com o volante do carro, minha respiração estava ofegante por mais que eu tentasse me manter calma. Só de estar perto daquele lugar eu já me sentia caminhando para a morte. 

 

Já haviam se passado tantos dias desde que a vi que se pareciam décadas. Seus olhos vermelhos e tristes não saiam da minha cabeça e eu me perguntava porque era tão fraca quanto a ela. Seulgi me fazia fraca como a kryptonita faz com o Super Homem e aquilo chegava a ser irritante. Eu tentava me manter firme nas minhas palavras de que não tínhamos mais nada uma com a outra e que eu apenas a queria na minha cama, mais nada, mas eu sabia, lá no fundo eu sabia, que não era só isso. Por mais que eu sentisse raiva de Seulgi por ela ter ficado com Park, eu ainda me sentia presa a ela de um jeito inexplicável. Eu fazia de tudo para parecer forte, destemida e fria na sua frente, mas por trás eu me sentia corroendo por dentro, como se uma parte de mim quisesse ver Seulgi sofrer e implorar, literalmente, aos meus pés por perdão e um pouco de amor. E a minha outra parte apenas quisesse ver o seu sorriso e ser o motivo dele. Era disso o que eu mais sentia falta.

 

Essas duas partes brigavam entre si dentro de mim e eu não sabia o que fazer. Ficava tão confusa que minha cabeça doía e eu me sentia cansada, como se tivesse acabado de travar uma batalha. Não queria nem imaginar como Seulgi estaria agora. Ela não falou comigo por mensagem, nem apareceu na minha casa depois daquele ocorrido com Wendy e eu. De certa forma nem esperava por isso. Conheço bem a Kang e sei que ela não deve estar nada feliz comigo nesse momento. Não posso dizer que sou inocente, mas por algum motivo, não consigo me sentir culpada o suficiente.

 

Estacionei o carro em frente ao seu apartamento e quando entre no mesmo fui parada pelo porteiro que me impediu de pegar o elevador até o andar de Seulgi. Sua voz grave me despertou dos meus devaneios antes que a porta do elevador pudesse se fechar. O mesmo me avisava que Seulgi não estava em casa fazia dias e que eu não encontraria ninguém mais em seu apartamento agora. Onde ela poderia estar?  me perguntei silenciosamente. Eu não sabia, mas daria um jeito de descobrir. Não poderia estar muito longe e eu não conseguiria voltar para casa em paz sem que pelo menos a visse por alguns segundos. 

 

Agradeci ao senhor pela informação e caminhei de volta ao carro saindo do prédio um pouco apressada. Quando entrei no carro, acelerei o mesmo o mais rápido que a estrada e o fluxo de carros a minha frente me permitia. Se Seulgi não estava em casa, então poderia estar na empresa. Rumei o carro em direção ao local de trabalho da maior. Não me lembrava exatamente onde ficava a empresa e por isso tive que utilizar o GPS do carro para chegar ao local certo.  A viagem até lá demorou cerca de quarenta minutos. Eu queria ter chego mais rápido, mas com toda a certeza levaria uma multa se fizesse isso. 

 

Chegando à empresa de Seulgi, milhões de lembranças passaram em minha mente. Lembranças dos seus sorrisos, da sua felicidade estampada em seu rosto. Aquele fora o melhor e maior presente que seu pai poderia ter lhe dado antes de partir. Eu nunca a tinha visto tão feliz em trabalhar quanto naquela época. 

 

Adentrei o local rapidamente caminhando até a recepção onde alguns funcionários trabalhavam tranquilamente. Pedi que avisasse a Seulgi de que eu estava lá e queria conversar com ela, mas recebi a mesma resposta que o porteiro do seu prédio me deu antes.

 

A Senhorita Kang não vem até a empresa já faz alguns dias.”

 

Se Seulgi não estava em casa e nem na empresa, eu só poderia me preocupar. Não conseguia pensar em outro lugar que ela pudesse estar e os seus funcionários também pareciam estar na mesma situação que eu. Para todos a quem eu perguntava sempre recebia a mesma resposta e isso começou a me irritar. Foi então que me lembrei de Moonbyul. Se Seulgi sumiu, ela deve ser a única pessoa que sabe onde a mais alta se escondeu. Em pouco minutos tratei de perguntar não mais sobre Seulgi, mas agora, sobre Moonbyul que por sorte minha os funcionários sabiam bem onde esta se encontrava.

 

Agradeci a todos e voltei para o carro com rapidez. Dei a partida e lá estava eu novamente rumando para outro lugar a procura da mesma pessoa. Me perguntava por que estava fazendo isso, estava mais do que na cara que Seulgi não queria me ver, dado ao fato dela não estar em casa e nem na sua própria empresa. Seulgi estava me evitando, mesmo sabendo que eu não deveria insistir em vê-la, meu coração batia desesperado dentro do meu peito pedindo para que eu fosse, para que eu a visse pelo menos um pouco, para que eu ouvisse sua voz e ele finalmente pudesse se aquietar dentro de mim. 

 

Não demorou muito para chegar ao meu destino. Moonbyul morava perto da empresa, isso facilitava que ela estivesse lá em poucos minutos se fosse necessário. Sai do carro e corri até a entrada de sua grande casa que era guardada por dois homens vestidos em ternos pretos grossos e óculos escuros. Assim que me viram, os homens me barraram impedindo a minha passagem para dentro da casa. Eu já estava estressada o suficiente, já sabia que ouviria um sermão de Moonbyul e sabia que ouviria horrores de Seulgi então eu realmente não queria ouvir nada daqueles caras. 

 

Os homens pediram que eu me identificasse para que a dona da residência liberasse a minha entrada. Sabia que se dissesse o meu nome Moonbyul nunca me deixaria entrar então o que eu diria? Pensei um pouco antes de responder e finalmente lhes dei um nome que talvez me desse o privilégio de entrar naquela fortaleza que ela chamava de casa. O mais alto dos homens falou o meu nome fictício em seu rádio e logo depois eu ouvi a voz de Moonbyul sair da pequena caixa preta com a liberação para que eu entrasse em sua casa.

 

Entrei rapidamente na casa passando pelos homens e sendo recebida primeiro por uma das empregadas sorridentes de Moonbyul. Logo estaria frente a frente com ela e a mesma veria que eu não sou a irmã de Seulgi como eu havia dito aos seus seguranças. Aquilo me causaria grandes problemas e mais sermões do que eu gostaria de ouvir hoje, mas eu não consegui pensar em nada que me fizesse entrar além dessa mentira. Até pensei em me identificar como Kim Yongsun, mas aqueles homens provavelmente já conheciam a garota e eu estaria em maus lençóis do mesmo jeito.

 

Adentrei a sala de estar e encontrei Yongsun, Moonbyul e Seulgi sentadas a mesa com um grande banquete servido entre elas. Seus olhares questionadores se fixaram em mim e eu engoli em seco quando vi Seulgi. Sua aparência estava horrível, como se ela estivesse doente a alguns dias. Ela tinha olheiras, estava sem maquiagem e tinha um coque desleixado acima da cabeça. Eu não consegui me mexer diante daquilo. Moonbyul se levantou bruscamente e veio caminhando até mim a passos largos e pesados. Eu já sabia o que estava por vir.

 

— O que diabos está fazendo aqui, Bae? - Gritou quando seu corpo estava perto o bastante do meu. Yongsun vinha atrás dela e Seulgi continuava sentada no mesmo lugar, mas seus olhos nunca saíram de mim.

 

— Quero falar com a Seulgi. - Afirme. Moonbyul e sua namorada pareciam não ter gostado muito como eu já imaginava.

 

— Não vai falar com ela, você já fez o bastante. Não vou deixar que a destrua de novo com suas propostas ridículas e sua tendência a usar todos ao seu redor. - Aquelas palavras doeram. Se Moonbyul pensava tudo aquilo sobre mim, não quero imaginar o que se passava na cabeça de Seulgi. 

 

— Eu só quero conversar. Explicar o que aconteceu. - Eu tentei argumentar, mas não deveria ter dito isso, na verdade, eu não vim para explicar nada. Eu só queria vê-la, o que eu tinha feito não tinha explicação. — Por favor, só me deixem falar com ela. - Pedi novamente.

 

— Não. Saia da minha casa, Bae. E por favor, nunca mais vol.… - A voz de Moonbyul morreu em sua garganta antes que ela terminasse a frase e outra voz um pouco mais alta e rouca se fez presente preenchendo a sala com tensão. 

 

— Deixe que ela fale…

 

Ouvi a voz rouca de Seulgi preencher a grande sala. Agora ela estava mais próxima, meu coração havia chego a garganta. Não conseguia dizer uma palavra, mas eu acho que ela sabe que eu quase não dormi desde o dia em que ela se foi. Seu corpo sempre manteve o meu dentro dele. Foi inevitável o meu corpo reagir as suas palavras com um arrepio. Sua voz e o seu corpo estavam tão próximos que eu podia sentir seu cheiro embriagante.

 

— Deixe que ela fale o que quer comigo e depois disso eu não pretendo mais ver o seu rosto… nunca mais. 

 

Quando ouvi aquilo meu coração errou uma batida e eu me arrependi amargamente de ter vindo vê-la. Como eu imaginava, Seulgi estava com raiva de mim e não parecia ter intenções nenhumas de me perdoar mesmo que eu não tenha vindo para pedir nada. Na verdade, eu nem sei pra que diabos eu vim até aqui. Merda!

 

Abaixei a minha cabeça sem saber o que falar nem como lidar com a situação. Não sabia se deveria falar ou ir embora da casa de Moonbyul de uma vez. Não queria causar mais problemas e não queria magoar Seulgi mais do que eu já tinha a magoado. Eu estava tão confusa.

 

—Vamos, diga Joohyun. O que quer comigo? - Ela perguntou e eu não tinha uma resposta coerente.

 

— E-Eu vim saber se estava tudo bem com você. - Foi a única coisa que consegui pensar na hora e me arrependi disso assim que ela começou a rir da minha cara. Sentia meu coração se comprimir cada vez mais dentro do meu peito ao longo que sua risada ficava cada vez mais alta e debochada do que o de costume.

 

— Agora você está preocupada comigo? Me poupe disso. Você veio para saber do que mais te interessa em mim, a sua proposta, não é? - Ela sorriu, mas eu sabia que aquele sorriso era apenas um disfarce. Ela estava triste.

 

— Não, eu não vim para isso. Eu só queria fal… - Ela me interrompeu antes que eu pudesse terminar. Moonbyul a olhava com um sorriso satisfeito no rosto seguido por Yongsun e eu só conseguia me sentir pequena diante delas. Precisava sair dali, mas não conseguia mexer minhas pernas. O que estava acontecendo? Porque eu não parava de olhar para ela e desejar desesperadamente ver seu sorriso.

 

— Eu não quero saber, não aceito a sua proposta. Pode ficar com Wendy se ela quiser ser apenas o seu brinquedinho. Tudo bem para mim, mas eu não serei. - Falou se virando de costas para mim, caminhando de volta ao seu lugar na mesa. Moonbyul a seguiu sem mais palavras e com um sorriso estampado em seu rosto. Yongsun apenas se aproximou de mim me aconselhando que fosse embora.

 

Mas como eu iria embora? Como eu iria embora depois de ver com os meus próprios olhos o que eu causei a ela? Eu não conseguia me mexer e a vontade de abraçar o seu corpo e pedir inúmeras vezes por perdão era tão grande que me fazia sentir dor. Eu queria chorar, gritar e pedir que aquilo acabasse de uma vez. Pedir que ela me tratasse como antes mesmo que eu não merecesse nenhum tipo de carinho depois de ter feito o que eu fiz. Se antes eu não me sentia culpada, agora eu só queria que Seulgi me desse o seu perdão. Isso era a coisa mais preciosa que eu poderia ter dela. 

 

Seulgi.

 

Já fazia um tempo desde a minha pequena visita a casa de Joohyun. Eu queria poder dizer que já tinha superado aquele incidente inesperado, que não estava sofrendo nenhum pouco pelo o que eu tinha visto, mas não podia. Joohyun me machucou de verdade, me fez sentir inútil e burra por ter esperanças de que ela não usaria pessoas para me magoar. Ela não brincou quando disse que me faria pagar por ter me relacionado com Park Sooyoung. Eu estava pagando caríssimo e com certeza ainda pagaria mais. 

 

Ouvi a voz de Lila, a cozinheira fiel se Moonbyul me chamar da porta do quarto para o jantar. Apenas deu um aceno com um sorriso fraco e voltei a fechar os olhos ainda em cima da cama. Lila saiu em seguida fechando a porta do quarto logo depois. Eu sabia que se demorasse muito Moonbyul ou Solar viriam me buscar, mas eu não queria sair daquele quarto. Ainda não tinha forças nem vontade de ver ou falar com alguém, mesmo que essas pessoas fossem minhas melhores amigas. Depois do que vi na casa de Joohyun eu me encontrei em um estado deplorável de tristeza e dor. Tive um ataque de choro que durou dias e noites. Nem eu mesma sabia que poderia ter algo parecido. 

 

Isso deixou Moonbyul preocupada. Ela não queria me deixar em casa sozinha de jeito nenhum. Acho que pensava que eu poderia machucar a mim mesma se ficasse longe do seu olhar cuidadoso devido a minha adolescência meio problemática com esse tipo de coisa. Sendo assim, Byul me trouxe para que eu passasse alguns dias na sua casa sendo cuidada por ela e Solar. Ficando aqui eu não seria incomodada por Wendy, Joy ou Joohyun e assim eu podia também me ausentar um pouco do meu trabalho mais uma vez.

 

Moonbyul era quase um anjo. Ela me protegia tanto e só o que eu lhe dava em troca era mais trabalho e trabalho. Eu odiava ter que deixar todas as minhas responsabilidades da empresa em suas costas. O trabalho de vice-diretora já era exaustivo o bastante. Queria poder ter forças para ir trabalhar e superar a dor que eu estou sentindo, mas eu não tinha. Eu me sentia um nada, sentia que meu corpo podia se desintegrar, desaparecer completamente a qualquer momento e isso não me assustava. Eu esperava que algo ruim acontecesse e eu simplesmente deixasse de existir. Que idiota, não? Penso em morrer apenas porque Joohyun dormiu com Wendy. 

 

Já era de se esperar, Seulgi. Joohyun te avisou que vocês não tinham mais nada uma com a outra e sua proposta foi apenas para te usar sem compromisso algum. Ela deixou isso bem claro. Eu sabia que ela usaria outras para se divertir e me atingir. Sabia que ela só queria me ver mal para se sentir vingada por mim e Joy, mas porque Wendy? Porque fui ter esperanças de que aquilo fosse só um blefe dela?

 

Wendy sempre me dizia que um dia eu iria falhar, que um dia eu destruiria o amor que Joohyun cultivava por mim e enfim Wendy a teria para ela. Eu achava que aquilo era apenas um sonho dela. Sabia que nunca poderia machucar Joohyun. Pelo menos não de propósito como ela está fazendo comigo. Bem, acho que no fim Wendy estava certa, ou pelo menos um pouco certa. Eu magoei Joohyun e Wendy finalmente conseguiu o que tanto queria. Teve uma noite de amor com a pessoa que é apaixonada a anos.

 

Não conseguia entender porque Joohyun tinha tanto ódio de mim, porque ela me odiava assim? Eu a amava tanto… tanto que não conseguia tirá-la da cabeça mesmo com o que ela fez comigo. Eu só conseguia pensar nela todo o tempo e me perguntar onde errei para sofrer tanto por amor. Há alguns anos Joohyun e eu éramos uma só e agora só o que ela faz é me empurrar para longe. Eu não sei o que fazer para parar de sofrer desse jeito. Eu a quero tanto…, mas eu a odeio. Odeio o que ela me fez sentir, a dor, a decepção, a mágoa. Eu a odeio e a amo de todo o meu coração.

 

Eu só quero deixar de me sentir tão inútil. Eu preciso me reerguer e voltar a aprender a viver sem ter Joohyun como o meu único motivo para viver. Ela não merece isso, não depois de ter me provado que o seu objetivo é apenas me destruir por dentro. Depois do que eu vi, algo em mim mudou. Eu ainda a amava, mas uma raiva inexplicável cresceu dentro de mim. Eu não merecia tudo isso, não mereço ser tratada como uma qualquer, como alguém que pode ser descartada assim que Joohyun se cansar de brincar. Eu não traí Joohyun enquanto ela estava no hospital e mesmo que tivesse feito isso, aquilo não poderia ser considerado traição. Ela estava em coma por 2 anos e eu a esperei por um bom tempo. Estava pagando por algo que não merecia. 

 

Joohyun só conseguia enxergar os meus “erros” esquecendo de todas as coisas boas que eu fiz por ela enquanto estava desacordada. Sua própria família havia desistido dela, mas eu continuei firme na minha decisão de espera-la. Se Joohyun está acordada hoje, viva e bem é por minha causa. Se eu não tivesse desistido, talvez ela ainda estivesse na mesma situação de coma, presa em uma cama. De certa forma a minha desistência a trouxe de volta a vida e eu não vou me sentir mais culpada por nada.

 

— Seulgi, você não vai comer de novo? - Ouvi a voz de Moonbyul que se encontrava encostada na porta do quarto. Ela caminhou a passos lentos até a cama em que eu estava e cruzou os braços esperando por uma resposta.

 

— Não estou com fome. - Falei já sabendo que aquilo não seria suficiente para ela.

 

— Você precisa comer e precisa esquecer Joohyun.  - Respondeu sentando-se na cama ao meu lado.

 

Suspirei e me arrastei até ela, colocando minha cabeça em seu colo pedindo por um pouco de carinho que ela atendeu prontamente. Moonbyul tinha razão. Se Joohyun continuar agindo com tanta infantilidade me fazendo pagar por algo tão banal, então nossa relação deve acabar o quanto antes. Não posso ficar sofrendo por alguém que coloca uma vingança tola acima dos próprios sentimentos, acima de mim.

 

Mesmo que doesse, mesmo que meus dias não fossem mais os mesmos cheios de sorrisos e risadas como a dois anos atrás, eu me afastaria dela. Não posso amar alguém que me faz tanto mal.

 

Depois de receber carinho da minha melhor amiga e me sentir um pouco melhor, finalmente me levantei da cama e caminhei com ela até a sala de estar onde o jantar já estava na mesa colocado de maneira impecável. Solar também estava lá e me cumprimentou com um sorriso assim que os seus olhos se encontraram com os meus. Eu estava tentando superar a dor, por mim e por elas que já fizeram e fazem tanto por mim.

 

Não demorou muito até as suas se servirem e começarem um novo assunto sobre a empresa e os investimentos. Moonbyul contava as novidades que eu tinha perdido enquanto me afundava em minha própria tristeza trancada em seu quarto de hóspedes. Elas estavam animadas em me dizer que mais um investidor havia fechado negócio conosco. Tentei parecer tão feliz quanto elas, mas o meu sorriso não foi convincente o bastante para Moonbyul que voltou a ficar triste novamente.

 

Nesse momento Lila apareceu na sala chamando por Moonbyul. Parecia que alguém estava tentando entrar na casa. Byul quase que imediatamente nos pediu licença e seguiu a mulher pelos corredores da casa. O silêncio entre mim e Solar começava a ficar desconfortável quando Moonbyul voltou com um sorriso nos lábios anunciando que ninguém mais, ninguém menos que minha irmã estava na frente de casa querendo falar comigo. Fiquei um pouco abismada, admito. Porque ela estaria aqui e como ela me achou? Porque teria voltado do exterior sem me avisar? Eu não sabia, mas estava preocupada. Poderia ter acontecido algo grave com ela no exterior, algo que eu não sabia.

 

Nós ouvimos passos vindo em direção a sala e eu me preparei para ver a minha irmã que eu não via a tempos, mas quando os passos pararam na entrada do lugar o meu sorriso morreu em meus lábios. Não era ela que estava aqui, era Joohyun. De todas as pessoas que eu não queria ver hoje, ela era a primeira da lista. Ver Joohyun me causou um sentimento de desconforto. Toda vez que a olhava a cena dela com Wendy passava diante de meus olhos como um filme de terror.

 

Moonbyul estava irritada. Andou até Joohyun e exigiu que ela se retirasse, mas a mesma continuava dizendo que queria falar comigo e parecia que não sairia dali até ter o que queria. Me perguntava porque diabos ela estava aqui. Ah, sim… A proposta. Afinal era só isso que importava para ela, não é mesmo? Meus olhos se fixaram nela e só o que eu conseguia sentir era raiva por ela só pensar nisso. Joohyun não queria saber como eu estava, não queria me pedir perdão ou desculpas pelo que fez, ela só se importava com a droga da proposta. 

 

— Deixe que ela fale. - Eu disse me aproximando dela. Sentia meus olhos lacrimejando, mas eu fazia o possível para não me desfazer em lágrimas na sua frente. Já chorei demais por você, Joohyun. Não quero chorar mais. — Deixe que ela fale o que quer comigo e depois disso eu não pretendo mais ver seu rosto… nunca mais. - Moonbyul me olhava com orgulho. Eu estava finalmente enfrentando Joohyun e impedindo que ela me usasse como usou Wendy.

 

Joohyun tentava inventar motivos para me convencer que o motivo de estar aqui hoje era outro totalmente diferente da sua proposta, mas eu não conseguia acreditar em nenhuma palavra que saia da sua boca. Agora ela faria de tudo para me convencer a aceitar aquela droga de proposta, faria tudo para que eu cedesse a ela, mas isso não aconteceria. Não mais.

 

— Eu não quero saber, não aceito a sua proposta. Pode ficar com Wendy se ela quiser ser apenas o seu brinquedinho. Tudo bem para mim, mas eu não serei. - Encerrei a conversa e voltei ao meu lugar de início na mesa. 

 

Estava cansada de discutir, cansada de me importar com alguém que só queria me destruir e me usar o tempo todo. Joohyun me amava, mas preferia negar seu amor e dar lugar a raiva. Se é isso o que ela quer, então que assim seja.

 

Moonbyul me seguiu de volta para a mesa e logo em seguida Solar fez o mesmo deixando Joohyun em pé no mesmo lugar sem mais palavras. O silêncio estava pesado entre nós. Eu tentava comer nem que fosse um pouco mas o meu apetite tinha desaparecido. Só queria que ela saísse dali mas ela continuava parada olhando para os próprios pés sem saber o que dizer. Eu estava a ponto de gritar com ela e mandar que fosse embora de uma vez, não tinha nada para ela fazer aqui, mas Joohyun foi mais rápida do que eu, ela se aproximou de mim tão rápido que eu não tive tempo de reagir ao seu movimento brusco. Solar se levantou de sua cadeira pronta para tirar a mais baixa de perto de mim, temendo o que ela faria comigo tão próxima.

 

Bae Joohyun se ajoelhou ao lado da minha cadeira, apoiando seu peso em seus pequenos joelhos, suas mãos deslizaram na minha coxa até minhas mãos que descansavam em cima da mesma. Seus olhos vermelhos, prestes a transbordarem me olhavam de um jeito tão penetrante que me fez ficar paralisada esperando pelo seu próximo ato.

 

Uma lágrima solitária desceu dos seus olhos e suas mãos grudaram nas minhas feito cola, entrelaçando meus dedos nos dela. Suas íris castanhas contrastando com o vermelho de seus olhos, ela estava chorando, mas aqueles olhos nunca deixaram os meus.

 

— Me perdoe, por favor… Eu não consigo deixar de te amar. - Ela sussurrou, me deixando sem palavras. 

 


Notas Finais


Deixem um feedback pra saber o que acham disso tudo. E ai, Joohyun merece ser perdoada?

Ah gente, vou deixar meu Twitter aqui caso queiram falar comigo mais facilmente. https://twitter.com/mari_iceberg Me sigam!

Mari.


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