História Wicked Game - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Mitologia Grega, Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Dionísio, Hades, Hefesto, Hermes, Percy Jackson, Perséfone, Poseidon, Zeus
Tags Aredite, Bimmbinha, Percabeth, Posena
Visualizações 37
Palavras 3.787
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Josei, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Visual Novel
Avisos: Adultério, Álcool, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir culturas, crenças, tradições ou costumes.

Capítulo 5 - Endorfina


CIDADE DE PATRAS, GRÉCIA

Localizada no sudoeste da Grécia, a estimativa da área de Patras é de aproximadamente 125,4km². Foi o primeiro destino do quinteto, graças a sugestão de Ártemis de caçarem, ops,procurarem a deusa do amor em seus lugares preferidos.  Como ponto de partida, Atena sugeriu que fossem a Patras, visto que era onde Afrodite tinha o habito de passear, enquanto Ares seguia em alguma missão genocida.

—Não me recordava desse país ser tão quente. — resmungou a morena de cabelos longos, esfregando o rosto com a palma da mão, limpando pequenas gotas de suor que deslizavam de sua testa.

—É porque você está usando calça jeans e camisa cumprida. — bradou Apolo, tranquilamente, atrás da irmã gêmea. — Não estaria passando tanto calor se estivesse usando vestido, como Atena.

—Sei. — ela soluçou uma risada. — Perdoe-me irmão, se ao contrário da deusa da sabedoria não estou inclinada a sair mostrando minhas pernas por aí!

—Ei! — protestou Atena, mal-humorada — Não me envolva nisso. — a alertou.

—Certo, desculpe-me. — pediu Ártemis.

Seguiram viagem em completo silêncio, analisando meticulosamente o local as suas voltas. Patras era uma cidade linda, alegre e vibrante como boa parte das cidades da Grécia, com certo deslumbramento a gêmea do patrono solar observava alguns comerciantes simpáticos estendendo-lhe flores, sem perceber que atrás de si, o mesmo arqueava a sobrancelha encarando com certa intimação os homens que se aproximavam da mesma.

—Isso é inútil. — murmurou o ruivo, surgindo de uma das vielas da cidade, juntamente de Poseidon que deliciava-se com um espeto de carneiro. —Ela não está em lugar nenhum! — e dito isso, soltou um gemido de frustração. — Aquela maldita não está em canto nenhum. — tornou a repetir, cada vez mais e mais aborrecido.

Atrás dele, alguns comerciantes entreolharam-se, com raiva e ameaçavam a brigar, envoltos pela áurea genocida do deus da guerra... Foi quando Atena interveio.

—Vocês já a procuraram nas piscinas e nas fontes térmicas? — indagou.

—Sim. — afirmou, cerrando as mandíbulas.

—Ela não está nas águas. — exclamou Poseidon terminando de engolir um pedaço da carne. — Não há presença dela por perto, já podemos riscar Patras do nosso mapa.

—É verdade. — concordou Atena, adotando um semblante pensativo. — Também não consigo detectar Afrodite pelo cheiro. — franziu o cenho. — O que me leva a crer que, de fato, ela não sumiu por livre e espontânea vontade. — mordiscou o lábio, inconsciente de seu gesto nervoso.

—Então vamos riscar Patras do mapa. — Ártemis suspirou, passava de uma hora da tarde e eles estavam cada vez mais próximo das montanhas.   Tirou de dentro do bolso da sua calça jeans um pequeno mapa, desenhado a mão por ela, com os lugares indicados por Ares. Em seguida pegou a caneta preta, dentro do outro bolso e a usou para riscar a cidade, com um enorme x preto sobre ela. — Próxima parada; Paris.

[...]

Com o auxilio de Bela, Percy terminou de secar as louças, colocando os pratos, copos e talheres em suas respectivas gavetas. O dia estava nublado, o que os impossibilitava de sair de dentro de casa. O tempo estava fechado, com direito a trovoadas – indicio de que muito em breve, uma chuva daquelas iria cair – e Sally só deveria retornar do trabalho por volta das cinco horas da tarde. Enquanto terminavam de ajeitar a cozinha, Bela finalmente tomou coragem para perguntar o que estava martelando em sua cabeça há dias.

—Por que sua mãe atura aquele porco? — questionou,virando-se para encará-lo.  É claro que ele sabia precisamente a quem ela se referia.

—Gabe? — hesitantemente ela balançou a cabeça em afirmação. Desde o episódio envolvendo a janela, o Ugliano se manteve afastado, o que não era necessariamente algo bom, já que ele continuava por perto. — Eu me faço essa pergunta todos os dias desde que me conheço por gente. — e suspirou pesadamente, em frustração incontida. —Ela disse que é para minha proteção.

—Sua proteção? — a loira repetiu. — Aquele cara é um imbecil, Percy. — ao dizer isso, largou o pano de prato e os garfos em cima da mesa, sentando-se na bancada da cozinha. — Agressivo, machista e um tremendo bêbado, além do mais ele deve gastar todo o dinheiro do salário da sua mãe com jogos. — arqueou a sobrancelha. — Acredito que temos conceitos diferentes sobre o significado de proteção. — afirmara, cruzando os braços.

Percy a observou; linda e radiante em cima da bancada, como se fosse uma espécie de divindade esquecida na terra, Bela emanava uma energia positivamente agradável, o que quebrava totalmente o clima que Gabe arrastava para dentro daquela casa. Era como se ela inspirasse o bom nas pessoas – nas que podiam ser inspiradas por ela, o que decididamente não era o caso de Gabriel Ugliano –.

—Mas ela gosta dele. — acrescentou, não levemente frustrado com esse fato. — Não tenho muitas alternativas, exceto suportá-lo.

Ela sorriu largamente, enquanto mexia no puxa-saco que tinha uma vaca sorridente.

—Você é um bom garoto e um bom filho, Sally é uma mulher de sorte.

Eles conversaram mais um pouco a respeito dos problemas familiares do garoto pelo resto do dia, aprisionados dentro do sobrado e com pouquíssimas opções de lazer, Percy resolveu aproveitar-se do fato de que o bêbado estava ausente para trazer algum entretenimento decente a loira, então subiu em seu quarto e pegou alguns dvd’s, retornando a sala em seguida e ligando o aparelho no exato momento em que a campainha da casa era tocada.  Revirando os olhos, gritou “entre” sobre o olhar repreensivo de Bela.

—Não deveria olhar antes de mandar a pessoa entrar? — questionou, curiosamente.

—É apenas Annabeth. — disse, parecendo entediado.

Os olhos azuis de Bela acompanharam os movimentos que a maçaneta fazia, girando para cima e para baixo antes de a porta abrir, revelando então, a morena de olhos claros.

—Vocês não vão acreditar, ‘ta a maior fumaça no centro da cidade, com direitos a trovões fortíssimos. — ela franziu o cenho. — Eu acho que um furacão se aproxima.

—Furacão? — Percy rolou os olhos, como se aquela idéia fosse demasiadamente ridícula para ser levada a sério.

—É, furacão. — retrucou Chase bufando, com a respiração irregular, fechando a porta atrás de si e dirigindo-se até onde a dupla se encontrava. — Enfim, o que vocês estão aprontando? — questionou curiosamente.

Depois de conectar o aparelho a tomada, e em seguida as entradas ao televisor, Percy abriu a ‘gaveta do mesmo, tirando de dentro da capa o cd de um dos seus filmes preferidos, colocando-o e então apertando o botão de play, enquanto tornava a procurar pelo controle.

—Nós vamos assistir a Fúria de Titãs. — ele fez uma pequena pausa, estudando o rosto de Chase minuciosamente. — E o que você veio fazer aqui?

—Novidades para Bela. — ela abriu o zíper da mochila e tirou de dentro  folhetos, estendendo-os para a loira que os pegou rapidamente. — Haverá uma exposição de artes daqui a alguns dias, como você gostou tanto daquele quadro da Mona lisa pensei que pudesse estar interessada.

—Isso é fantástico! — a outra bateu  palmas, entusiasmada. — Oh, puxa. Não sei nem o que dizer.

—Que tal Viva Las Vegas? — sugeriu Annabeth, sorridente. Essa frase, obviamente não passou despercebida por Percy.

—O que? — ele indagou, com um sorriso estúpido nos seus lábios. — A exposição de artes vai ser em Las Vegas? — perguntou, elevando-a voz um vigésimo, deixando o sofá em um pulo. Chase riu de sua empolgação.

—Não em Las Vegaaas — a morena pusera-se a explicar. — A exposição vai ser em Los Angeles, mas — dera de ombros — Estamos prestes a entrar de férias da escola  e meu pai foi realmente generoso com a mesada esse mês então...

Completamente empolgado com aquela notícia, Percy inclinou-se, abraçando Annabeth por uma fração de segundos antes de depositar um beijo demorado em sua bochecha, fazendo com que a Chase enrubescesse e arregalasse os olhos, ao lado deles Afrodite sorriu satisfeita, estalando os dedos.

—Eu sabia! — acusou a deusa desmemoriada, tombando a cabeça para trás, implodindo em uma risada que poderia perfeitamente ser uma canção entoada pelas ninfas. — Pura tensão sexual entre vocês dois. — declarou, balançando a cabeça afirmativamente.

Os adolescentes separaram-se bruscamente. Percy, tão ou mais embaraçado que a própria Chase levantou-se do sofá, levando as mãos até os cabelos negros.

—O que? — fungou uma risadinha nervosa. — Não existe tensão nenhuma aqui! — gritou exasperado.

—É — concordou Annabeth, embora os pelos eriçados em seu corpo dissessem o contrário — Não sei da onde você tirou, Bela. Por acaso enlouqueceu?

—Ah, fala sério. — ela riu divertida, jogando os cabelos perfeitamente lisos e dourados de um lado para o outro. — Vocês dois possuem sentimentos fortes e mútuos um pelo o outro e uma carga sexual muito pesada. — dito isso, cruzou as pernas.

—O único sentimento forte e mútuo que compartilhamos é o de ódio! — bufou a morena levantando-se do sofá.

—Exatamente. — Percy estalou os dedos. — É apenas ódio, somente o mais abrasador e forte dos ódios.  — mas, considerando que suas bochechas estavam tão vermelhas quanto um tomate, Bela percebeu que havia cutucado o lugar certo.

—Algumas pessoas acreditam que o ódio e o amor são coisas opostas. — ela começou, com um tom de voz sábio demais para alguém que aparentava; na cabeça de Percy e Annabeth, pelo menos, menos de dezoito anos — Eu o vejo mais como um afrodisíaco para sexo. — finalizou, esboçando um sorrisinho divertido.

Annabeth desviou sua atenção para uma das paredes, enquanto ao seu lado, um tremulo e soado Percy tinha um  ataque nervoso em seu olho esquerdo, que não parava de piscar.

VENEZA – ITÁLIA

Percorreram muitos quilômetros, deslocando-se de um país para outro, inteiramente focados, descobrindo que eram apenas tentativas vãs. Ela não estava em lugar nenhum, o que só contribuía para que o ânimo entre os deuses se intensificasse de uma maneira perigosamente passional.

Poseidon olhou por cima das montanhas, para as águas do mar que escorriam com fluidez natural e aparentemente imutável, fez um movimento com as mãos, criando uma enorme mão d’água antes de desmanchá-la em meio ás ondas.  Era quinze para as onze horas da noite, mesmo assim Veneza continuava acesa em alguns pontos. A cidade era quase tão linda quanto era séculos atrás, entretanto com o avanço da tecnologia, os humanos conseguiam incrementar formas de torná-la ainda mais atraente.  Os olhos, densamente azuis observaram as ondas movendo-se uma por cima da outra em ritmo constante e quebrável.

—Essa cidade é quase tão linda quanto a minha Atenas. — a voz da sobrinha o fizera revirar os olhos.

—Se você diz.

Atena nunca se espantava com a capacidade daquele macho em ser grosseiro, mas, pela primeira vez em décadas o deus dos mares parecia alheio demais para dar-se ao trabalho de iniciar uma guerra verbal. Á passos sistematicamente apressados, ela juntou-se a ele, parando cautelosamente há alguns metros de distância.

—Não que eu me importe com você — começou, cruzando os braços acima do peito, sentindo a brisa acariciar os seus cabelos castanhos. — Mas devo admitir que estou com medo, Poseidon, está calado desde que chegamos aqui.  Silêncio não combina com você. — disparou, com um tom de escárnio em sua voz que não passou despercebido pelo tio.

Entretanto, ela estava certa, ele estava mesmo substancialmente mais quieto que o normal.

—Estou tendo o que vocês chamam de pressentimento ruim — ele replicou, em um tom de voz mais brando do que ela poderia esperar.

—Esse pressentimento está relacionado à deusa do amor?

—É possível — fizera uma pequena pausa, cruzando ele próprio os seus braços acima do peito.  Os músculos, protuberantes e bem delineados ficaram a amostra por baixo da curta camiseta de mangas que ele vestia, e ela pensou ter visto algumas veias. Aqueles braços eram braços de alguém que estava habituado a entrar em campo de batalha e a ganhar; fosse na água ou na terra, ele era feroz, impiedoso, cruel. Como, aparentemente, todos os deuses deveriam ser.

É claro que ela não partilhava daquele pensamento, embora fosse ríspida com seus inimigos, tinha astucia o suficiente para agir com justiça.  Não desnecessariamente, ela era a deusa da sabedoria e das estratégias em batalhas. Descruzou os braços, relaxando sua postura, colocando ambas as mãos na parte detrás da bermuda jeans que vestia.

—Vou deixá-lo em paz, Aquaman. Seja o que for que esteja o perturbando, está começando a me deixar em pânico. — ralhou com divertimento e então se afastou dele.

Sem mais conseguir conter a sua ansiedade, Poseidon retirou a camiseta e jogou-se, do alto, para o mar.  Nadando em uma velocidade sobrenatural, mergulhou até alcançar o fundo das águas, assustando algumas criaturas marinhas que por ali passavam e rapidamente abriram espaço para que ele passasse. Ás vezes ser deus passava longe de ser uma benção – todos aqueles sentidos, aquela intuição leviana... – ele preferia ser ignorante em certos momentos, como um simples mortal.  Em questão de minutos ele chegou ao seu palácio, notando que o mesmo se encontrava em perfeito silêncio.  Não avistara nenhuma nereida até então, o que fizera com que seus instintos se aguçassem ainda mais.  Assumindo a forma de um peixe, deslocou-se, sem ser visto, até a sala principal do palácio. Não havia ninguém; e isso passava bem longe de confortá-lo, em um ímpeto, nadou em direção aos corredores do andar superior, onde ficava a sua suíte.

Sons desconexos eram emitidos do outro lado da porta, sem abrir espaços para duvidas quanto ao óbvio: eram gemidos e gritos de prazer.  Aquilo foi o ápice para o moreno de olhos azuis, que sem se conter, passou por baixo da porta a tempo de ver, com os próprios olhos, a verdadeira razão para que Anfitrite o quisesse longe do fundo do mar pelos próximos dias.

—ANFITRITE! — rugiu, fazendo com que a rainha gritasse histericamente caindo do lado oposto a de seu amante. Os olhos azuis da loira arregalaram e ela adotou colorações impossíveis de distinguir precisamente, o esposo ergueu a mão, atraindo o seu tridente para si.

—Poseidon. — murmurou, incrédula e apreensiva, com os olhos arregalados. Os olhos do rei voltaram-se para o tritão que estava em uma posição ligeiramente comprometedora, e claro, perdera o fôlego no momento exato em que o irmão de Zeus voltara-se para si.  — Você voltou cedo.

—Não é hora para citar o óbvio. — vociferou, trincando os dentes, brincando com o tridente em suas mãos. A falsa calmaria era apenas um sinal para que a loira se mantivesse quieta.

Que tipo de deus seria ele se a deixasse sair ilesa?

Do monte Olimpo, desceram trovões furiosos sobre a terra e alcançando o mar – ele não deu importância à interferência de Zeus, afinal, aquele assunto decididamente não lhe dizia respeito. –

—Como se atreve a me trair com um dos meus próprios guardas em minha cama, sua criatura desprezível?! — ele apontou o tridente em sua direção.

[...]

Olhando pela janela, Ares observou o momento exato em que relâmpagos e trovões desceram furiosamente em direção aos mares. Com o cenho franzido em desdém, ele soltou a cabeça, ensangüentada, cujas pupilas dilatadas transmitiam o horror que o homem sentiu, poucos segundos antes de ter sua cabeça decapitada, arrancada com uma facilidade sobrenatural ou talvez diabólica de seu corpo.  Ares jogou a cabeça do homem pela janela, virando-se, com os dedos cobertos de sangue e vestígios dos miolos do cérebro do morto, para o deus loiro que bebia tranquilamente um Martini, sentado na cadeira do bar.

—Zeus está furioso. — comentou o ruivo, limpando os dedos em sua blusa regata branca, maculando-a com o sangue daquele imbecil.  — Parece que ele e Poseidon estão se preparando para outra batalha.

—Tsc. — levemente embriagado, Apolo soluçou.  Atena e Ártemis estavam trabalhando sobre as estatísticas que poderiam ajudá-las a ir diretamente até Afrodite. Ou, ao menos, foi exatamente o que sua irmã gêmea lhe dissera. —Só espero não ter de limpar nada, porra, é minha folga. — resmungou, estalando o pescoço.

Ares arqueou a sobrancelha, enquanto lhe arremessava uma cadeira, objeto de que Apolo desviou facilmente.

—Não estamos de folga, seu filho de uma meretriz, estamos procurando a minha mulher. E daqui eu só saio quando encontrá-la. — avisou, em tom ameaçador.

—E eu estou com você — ele soluçou outra vez, lançando um olhar inquisidor a garrafa de vodca em sua mão. — Acho fascinante o seu empenho em querer encontrar a deusa, talvez você não seja tão desprezível quanto pensávamos — o louro jogou a garrafa para o outro lado do bar e inclinou-se, pegando a segunda garrafa da prateleira de cima. “Tequila” parecia um nome muito mais atraente do que o da vodca vagabunda e mãe dos soluços que ele havia experimentado agora pouco.

—Esse lugar é perfeito para mim. — o ruivo andou em direção ao irmão, chutando dois corpos estirados no chão, fazendo com que os mesmos voasse metros de distância,caindo frente a porta de entrada. O Senhor de Esparta puxou uma cadeira frente ao deus das artes, agarrando a primeira garrafa de cerveja que encontrou. — É caótico, sem leis, há guerras para todos os lados e há armas do caralho. Nunca vi nada parecido, embora não precise fazer uso de nenhuma delas — gesticulou com os ombros, gabando-se de suas habilidades. — Assim que encontrar Afrodite, irei convencê-la a não retornar para seu templo.

—Dificilmente ela concordaria com isso. — Apolo estudou o rosto do outro atentamente, ponderando com cuidado sobre as suas próximas palavras. — Ela ama ser bajulada por aquelas ninfas, e tocar o coração dos mortais não é muito difícil, basta erguer aquele lindo dedo longo dela e voilá.

Ares assentiu, mas seu olhar denunciava que ele não estava exatamente refletindo sobre as palavras do sol.

—Já descemos a Veneza, algumas vezes antes. — pegou a garrafa do que descobriu ser saquê, e tirou a tampa, atirando-a contra a parede, onde provocou uma rachadura perceptível. — Transamos loucamente em um museu, em frente a uma estatua sua.

—Isso é muito lisonjeador. — ele engoliu o vomito que ameaçava subir por sua garganta, não que a idéia de ver Afrodite nua frente a uma versão sua de pedra fosse devastadora, entretanto com a adição de Ares tudo se tornava cruelmente repulsivo. —Com tantas estátuas, até mesmo a de Hefestos para vocês emporcalharem... Por que tinha de ser justamente a minha? — inquiriu, mais do que suficientemente ofendido.

Ele dera de ombros.

—A sua ficava em um canto afastado, e as demais em uma parte onde tinha gente demais, criança demais...

Apolo estreitou os olhos, inspirando fundo.

—Discrição nunca foi o forte de vocês, não é mesmo? — e pusera-se a gargalhar, lembrando-se do ocorrido envolvendo ele, a amante e o marido dela. — Bons tempos!

—E onde diabos estão Atena e Ártemis? — questionou o ruivo, ignorando plenamente a provocação do outro.

—Elas foram... Fazer algo que eu esqueci completamente. — meneou a cabeça em reprovação. — Talvez devêssemos ir atrás delas.

—Ou talvez não. — Ares sorriu. — Tive uma idéia melhor, irmão, vamos deixar que as garotas se divirtam essa noite.

GRÉCIA ANTIGA

[HÁ MUITOS ANOS ANTES]

Ele acabava de vencer mais uma batalha contra Pérsia, estava com tesão acumulado dos dias em que fora castigado pelo seu maior rival – aquilo só podia ser obra de Hefesto – afinal, manter-se longe de Afrodite era pior do que ter seus membros dilacerados.  Seu corpo estava coberto por cruéis hematomas, e o cheiro de sangue estava impregnado a sua pele, mesclado ao suor que escorria de sua face, havia trilhado um longo caminho de retorno a Esparta, e só desejava gozar de uma boa noite de sono, e talvez de uma boa trepada se tivesse sorte.  Ao abrir as cortinas que separava seus aposentos dos seus soldados, ele fora agraciado com uma deliciosa surpresa.

Era Afrodite, usando uma máscara feita de porcelana; estava deitada de bruços, dando a ele uma visão suculenta de suas pernas alvas e do desenho de suas nádegas, cobertas pela longa cabeleireira dourada. Por baixo da máscara, os olhos densamente azuis brilhavam em divertimento, ao vê-lo da forma em que mais lhe apetecia: másculo, viril, assim como todos os soldados com ferimentos pareciam ser aos seus olhos. Entretanto, o ruivo de olhos verdes tinha uma beleza que se sobrepunha as demais, era um deus enquanto os outros meros mortais, afinal.

Ele aproximou-se dela, que instantaneamente virou-se para encará-lo. Após retirar a mascara que revelava a face de um anjo – por vezes mais malicioso e temperamental –  o ruivo a tomou nos lábios em um beijo sôfrego, repleto de saudade, luxuria e amoroso. Ela sequer esperou que ele tirasse sua armadura, adiantando-se nessa tarefa enquanto ele deitava-se lentamente sobre o corpo perfeitamente esculpido e irreal de Afrodite.

Amaram-se várias e várias vezes naquela noite, preenchendo o vasto manto breu que alastrava-se sobre todos, erguendo no alto a lua de Ártemis, como única testemunha daquele ato devastadoramente sedutor e impudico.  Os gemidos delicados transformam-se em urros quase tão desesperados quanto os dos seus inimigos, que pereciam no campo de batalha suplicando por suas vidas insignificantes. Ares ia fundo dentro dela, arranhando suas coxas, marcando-as com suas mãos ásperas e vermelhas, vendo-a erguer o corpo para que ele pudesse abocanhar as aureolas de seus seios intumescidos, ora dando atenção ao direito, ora beijando o esquerdo, assim passaram a madrugada inteira, explorando cada canto de prazer que habitava em seus corpos perfeitos. Por fim ele desmanchou-se dentro dela, em um jorro quente e forte de gozo que saciaria qualquer mortal.

Qualquer mortal. Entretanto, ela não era uma e sim uma divindade, logo estava pronta para mais uma dose e em uma reviravolta inesperada, ela o empurrava para cama, sentando-se sobre si e seu membro duro, cavalgando como se estivesse em um cavalo.

—Eu senti...Muito...Ohh!  — gemia enlouquecida, jogando a cabeça para frente e para trás, rebolando com um deleite impalpável. — Eu senti muito a sua falta. — e o beijou com fome, fome de Ares e de tudo o que eles compartilhavam em segredo.

—O sentimento é recíproco. — afirmou, segurando em sua cintura, ditando o ritmo de suas reboladas, levando ambos ao delírio cósmico de um orgasmo  forte. Os dentes chocaram-se, dentro de suas bocas enquanto afoitamente se beijavam, colocando ambas as línguas numa disputa erógena pelo controle da situação. As mãos dele subiram gradualmente até alcançar os seus seios fartos novamente,apertando-os com força. 

Mais um pouco, pensou, mais um pouco e logo chegaria lá novamente. Forçou o corpo de Afrodite inclinar-se sobre o seu, para que suas mãos explorassem as nádegas empinadas de sua amante.

—Oh...Oh.... Oh...

Ares meneou a cabeça, afastando aquela tórrida lembrança para longe. Decididamente não era a hora mais adequada para uma maldita ereção, pensou, furioso socando o balcão com ódio. Apolo, que cochilava ao seu lado, sobressaltou-se.

—Que porra. — resmungou, envaidecido. —Pelo Tártaro! Você enlouqueceu seu demente? — indagou, levantando-se da cadeira. — Eu estava prestes a dormir.

—Estou pouco me fodendo para isso. — Ares jogou a cadeira longe. — Preciso liberar esse excesso de endorfina acumulado e só tem um jeito de fazer isso.

Com o cenho franzido, Apolo deixou seus olhos recaírem novamente sobre os corpos estirados pelo que provavelmente deveria ser um bar.

—Chacina?

—Não, Las Vegas.


Notas Finais


*Eles passaram pela França, Líbia e então Veneza.*


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