História Wicked Game - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Luto


O padre falava alguma coisa sobre como devemos valorizar cada segundo das nossas vidas, dizer as pessoas que amamos o quanto elas são importantes para nós. Eu tentava manter o olhar firme, mas as lágrimas insistiam em se derramar silenciosas pelo meu rosto. Eu tinha sido a menina sonhadora de meu pai, desde muito jovem. Por isso me deixou viajar pelo mundo, me deixou ir longe e não se importou quando eu disse que me recusaria a me casar. Eu ia sentir falta dele. Iria sentir falta de ouvi-lo dizer o quanto sempre fui parecida com minha mãe e como eu tinha muito mais pulso do que muitos homens que ele conhecera. Encarei meu dedos enluvados e mordisquei o lábio inferior com força na esperança de me concentrar em outra dor que não a do coração.

Robert não se movia ao meu lado, parecia congelado em outro tempo. Estava apenas de corpo presente, eu iria sim sentir falta de meu pai por que sempre fui sua menininha, mas Rob esteve morando com ele durante todos estes anos enquanto eu estava viajando e estudando. Ele iria sentir muito mais falta dele do que eu. Segurei sua mão e ele finalmente pareceu voltar para a terra me encarando, eu deveria mais uma vez voltar a ser a irmã forte e determinada: - Vamos ficar bem. – Sussurrei e ele confirmou com um aceno leve de cabeça, sorrimos não de felicidade, mas por que sabíamos que tínhamos um ao outro para se manter em equilíbrio.

Todo o ritual fúnebre demorou mais do que eu realmente gostaria que tivesse demorado. Mas, quando enfim terminou, Robert me dissera que alguns dos amigos dele e de nosso pai queriam me dar os pêsames, como se eu quisesse conversar com mais alguém! Tudo de que precisava era um banho relaxante e horas de choro na minha cama, mas apenas concordei educadamente e segui meu irmão caçula até um grupo de homens e duas mulheres.
- Maninha, estes são os Shelby! Foram grandes amigos nosso nos últimos dias de nosso pai. – Encarei os quatro homens e depois as duas mulheres que expressavam compaixão pela nossa perda.
- Ah claro! Meu pai citou por alto algo sobre vocês em nossas cartas. – Minha garganta se trancou levemente ao me lembrar das coisas reconfortantes que nosso pai sempre me escrevia.
- Estes são: Thomas, Arthur, John e Finn. Está é minha irmã, Sara William. – Apresentou primeiro os homens, não tive tempo nem cabeça para analisar a aparência de nenhum deles.
- É um prazer. – Estendi a mão para cada um que apertou com certa delicadeza.
- O prazer é todo nosso senhorita William! – Um deles falou educadamente se direcionando para as duas mulheres: - Estas são minha tia Polly e Ada nossa irmã caçula. – Apontou por fim para a mulher mais jovem.
- É um prazer conhecê-las. – Apertei suas mãos

- Gostaríamos de dar-lhe nossos pêsames. Sentimos muito pela perda de seu pai! – A mais velha falou carinhosamente, sorri em agradecimento por que não estava em condições de falar-lhe nada.
- Eles é que compraram metade da fábrica. – Rob me sussurrou rapidamente, concordei apenas. De repente um menininho pequeno e sapeca entrou na nossa roda correndo e se agarrou sorridente ao meu casaco, tão logo um dos homens o segurou pelo braço chamando a sua atenção, pelo modo como falava com a criança deveria ser seu filho.
- Comporte-se Charles! Não perturbe a senhorita William.
- Óh não se preocupe senhor Shelby! – Pronunciei-me agachando-me na frente da criança para ficar da sua altura: - Eu costumo gostar das crianças. Olá, pequeno rapazinho? – Cumprimentei a criança que sorriu para mim, todos inclusive meu irmão nos encaravam.
- Está se divertindo? – Perguntei e ele inocentemente me respondeu: - Sim. – Sorri pela primeira vez desde que voltei a Londres, sorri de verdade.
- Que bom... já provou os doces daqui? São os melhores.
- É verdade. Eu gostei de um de chocolate colorido. – Falou eufórico ao menos alguém se divertia naquele lugar terrível.
- E ele era bom?
- Muuuuuitão. – Falou, o homem que julguei ser seu pai pareceu apreensivo, talvez com medo de que a pobre criança dissesse inocentemente algo que me ferisse. Mal sabia ele que nada mais me feriria hoje.
- Então acho que vou provar, mais tarde! Quer que eu guarde alguns para você? – Ele olhou para o tal Thomas que julguei ser seu pai e sorriu envergonhado de dizer que sim.
- Posso pedir para Robert levar até sua casa, isso se seu pai permitir. – Ele encarou novamente Thomas que acenou como se autorizasse indiretamente.
- Eu iria gostar muito senhorita. – Alarguei meu sorriso.
- Pois então, Robert mande separar alguns dos doces coloridos e amanhã leve para o meu novo amigo... como se chama? – Continuei a conversa com a criança.
- Charles Shelby, senhorita.
- Charles? É um belo nome. O meu é Sara William. – Ele riu fofinho.

- Foi um prazer conhecê-lo, pequeno Charles. – Passei de leve a o dedo no nariz dele que de imediato saltou no meu pescoço me apertando com carinho. Devolvi o pequeno abraço infantil, as crianças tem um jeito mágico de nos tornar mais felizes e isso era um fato. Me coloquei de pé um pouco menos chorosa, dei uma piscadela para o pequenino e voltei-me aos Shelby adultos.
- Perdoe-me por meu filho. – O tal Thomas pediu parecendo um pouco envergonhado, lhe sorri amistosamente antes de rebater: - Não se desculpe. Seu filho é um doce!
- Espero que possa nos visitar e ficar a par dos negócios de sua família conosco, senhorita William! – A mais velha pareceu interromper o momento atencioso entre nós, respirei profundamente cansada só de ter que imaginar tudo que teria que me colocar a par, segurei no braço de Rob e falei tentando soar o mais educada possível: - Com certeza pretendo visitá-los e me atualizar sobre os negócios da família, mas confesso que por hora estou exausta e acho que preciso me retirar para descansar, se não se importarem, é claro!
- De forma alguma! – O homem de espesso bigode respondeu.
- Robert? Podemos ir para casa?
- Claro minha irmã! Senhores, senhoras... se me derem licença irei levar minha irmã para casa. Nos vemos em breve!
- Até mais Robert! – John dissera ainda. Finalmente estávamos livres, eu poderia enfim me debulhar em lágrimas na segurança de meu quarto.



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