História Wicked Game - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Mulheres Inteligentes


Fanfic / Fanfiction Wicked Game - Capítulo 2 - Mulheres Inteligentes

Os dias que se seguiram foram necessários para me recuperar da tenra perda que sofremos. Nosso pai era um bom homem, um entusiasta que estava sempre disposto a nos fazer sorrir, alguém com o pensamento a frente de seu tempo... seguir em frente após sua perda, seria o mesmo que aprender a conviver sem os olhos ou algum outro membro importante do nosso corpo. Extremamente difícil.

Mas, como uma boa William eu comecei a dar os primeiros passos para continuarmos nossa caminhada agora sem ele por perto. Robert passava a maior parte do tempo com os Shelby agora que tínhamos uma espécie de parceria com eles, uma parceria um tanto quanto estranha confesso. Ainda me inteiraria sobre todos os termos e o que ganhávamos com isso, mas por hora contentava-me a organizar a papelada do escritório de meu pai. Fiz questão de remexer em tudo, em busca de documentos que fossem ainda úteis e o que não mais nos serviria.

No meio da documentação encontrei estranhas notas assinadas por nosso pai, notas com valores altíssimos e quantidades de cargas exorbitantes até mesmo para uma fábrica de peças como a de nosso pai. Números e mais números, notas e mais notas que vinha em nome de nosso pai e agora no nome de Rob, todas endereçadas a lugares diversos da Inglaterra e assinadas por um contador diferente do nosso habitual. Vasculhei todos os documentos no escritório e haviam mais notas estranhas como aquela, documentos assinados pelo tal Thomas Shelby. Em uma das notas havia um endereço de para onde iria a carga recebida por meu falecido pai e meu irmão guardei aquela nota, precisava ver com meus próprios olhos o que de fato estava acontecendo.

Depois da limpeza do escritório fui pessoalmente guardar em meu quarto o documento que encontrei. Descia as escadas quando a porta se abriu revelando Robert e dois dos Shelby, aqueles que identifiquei sendo como Thomas e John.
- Rob? – Dirigi-me a ele curiosa, pois o almoço já estava na mesa.
- Maninha! Espero que não se importe, convidei Thomas e John para almoçar aqui...
- Ah claro que não! – Sorri para ambos que me encaravam silenciosos. – Vou pedir a Josefina que coloque mais dois pratos! – Passei por ambos dirigindo-me até a cozinha onde Jose trabalhava ardentemente em pratos saborosos, pelo pouco que notei estes tais Shelby eram de fato bem íntimos de meu irmão.

Na mesa os dois irmãos retiraram as boinas e sentaram-se elegantemente, como manda o figurino. Era natural como o tal Thomas detinha a liderança dos outros, sua presença transpirava liderança e eu notara isso de imediato.
- Mas, me diga senhor Shelby... que tipo de negócios vocês tem? – Decidi dissipar um pouco o estranho clima que se formava, seus olhos miraram os meus com suavidade.
- Cavalos.
- Cavalos? – Indaguei.
- Sim, cavalos de corrida para ser mais preciso. – Só agora na luz clara e com mais atenção do que cansaço consegui analisar suas feições rústicas que contrastavam charmosamente com seu olhar calmo, uma calmaria quase perturbadora.
- Mas, também temos fábricas de peças automobilísticas.
- Hum! Interessante. – Apenas acrescentei me concentrando em meu prato desta vez.

- Robert disse que a senhorita estudou na África e também esteve nos Estados Unidos estudando artes? – O mais jovem perguntou demonstrando empolgação em sua voz.
- Bom, sim! Estive na África, estudando um pouco da história e cultura local. Foi imensamente gratificante, acredito que, toda pessoa viva deveria ir até estes locais extremos. Conhecer as culturas nos enriquece. – Rebati sendo observada por ambos com atenção.
- Com certeza. Faz bem sairmos das nossas bolhas. – O jovem John concordou voltando a comer. Robert que possuía um péssimo hábito de enaltecer-me nos momentos inoportunos disse: - Sara esteve estudando piano com os melhores pianistas americanos. Ela poderia nos presentear com uma bela canção após o almoço.
- Por favor Rob! Não creio que os senhores Shelby tenham tempo para bobeiras como piano, devem ter que tratar de coisas mais sérias.
- Na verdade, adoraríamos ouvi-la tocar, senhorita William! – Disse Thomas fitando-me nos olhos.
- É verdade! Adoraríamos. – Seu irmão concordou.
- Pois bem! Tocarei então. – Concordei fingindo ânimo.

Após a sobremesa, nos sentamos na sala de estar e eu reabri o velho piano que nosso pai havia comprado para que eu pudesse praticar. Os irmãos Shelby sentaram-se com um copo de uísque cada um, Rob os acompanhava com seu copo.
- Toque uma bela canção irlandesa, Sara! – Robert pediu, claramente era por que os Shelby pertenciam originalmente à uma família de ciganos irlandeses. Sabia disso por que já tinha diversas vezes estudado sobre as famílias inglesas e seus sobrenomes me evidenciavam isso.

Toquei.

- E então Tommy? O que achou? – Robert dirigiu-se ao mais velho com certa intimidade.
- Muito bom! Maravilhoso, a senhorita tem de fato um dom. – Acrescentou.
- Muito obrigado senhor Shelby.
- Posso praticamente compará-la à um anjo senhorita William! – Galanteou o mais jovem, lhe sorri educada agradecendo.
- Eu disse, minha amada irmã é talento e intelecto puro! – Robert gaveou-se.
- Vá com calma Robert! Devo alertá-los de que não sou tudo isso que meu irmão diz, ele costuma aumentar um pouco na esperança de que algum pobre rapaz inocente acredite e queira se casar comigo, me tirando de sua aba... – Todos riram e o mais jovem tentou novamente um galanteio: - Pois deve saber, senhorita William que se não houver um único homem que queira casar-se com a senhorita. Há algo de errado com todos os homens, eu lhe garanto... – Lhe sorri indiferente, mas educada. Seu irmão manteve-se inexpressivo, quase como uma pedra.
- Acho que precisamos ir! Temos algumas coisas para resolver na rua morgue. – Thomas se adiantou parecendo impaciente.
- Tão cedo? – Indaguei.
- Infelizmente sim. Muito obrigado pelo excelente almoço e pela bela canção! – Acenou apenas antes de serem acompanhados por Robert até a saída.

***

Thomas e John Shelby despediram-se de Robert indo a pé pela rua até alcançar seu veículo.
- É uma bela mulher aquela irmãzinha do Robert, não acha? – John falou enquanto acendia mais um cigarro.
- É talentosa. – Thomas apenas acrescentou com desinteresse.
- Vai me dizer que não a achou atraente? Por Deus! Quase a pedi em casamento. – John riu com escárnio, o irmão apenas sorriu minimamente. Thomas tinha a cabeça em outro lugar em outras coisas, problemas, dinheiro e inimizades perigosas, menos em mulheres.
- Não era feia, de fato. – Acrescentou acendendo também um cigarro.
- E toda intelectualizada! Fiquei fascinado, não vou negar. – John caçoou soltando a fumaça para o alto.
- Quer um conselho irmão? – Thomas lançou lhe um olhar sério.
- Diga.
- Ela me parece uma mulher inteligente e mulheres inteligentes são péssimas para os negócios! Fique longe destas. – John riu e desta vez Thomas o acompanhou tragando logo em seguida.
- Não se preocupe. Eu sei irmão, eu sei!



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