História Wicked Game - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Segredos de Família


Fanfic / Fanfiction Wicked Game - Capítulo 3 - Segredos de Família

Uma semana foi o tempo que precisei. Para decidir se iria atrás do local endereçado na nota. Conferir com meus próprios olhos que a vozinha que me sussurrava que algo estaria errado, se equivocara. Investigar meu próprio irmão. Era algo demasiadamente sujo, mas um mal necessário. Esperei ele sair para trabalhar com os Shelby, pedi ao nosso motorista que me levasse até o endereço e que mantivesse a discrição não contando nada a ninguém.

O endereço levava até um velho estaleiro nas margens do rio Tamisa, estava trancado e possuía alguns homens por lá. Mas, eu precisava ver. Como uma menina de doze anos me escondi até conseguir ter acesso à uma das caixas que fosse. Levei quase o dia inteiro para conseguir ter poucos segundos para chegar até uma das caixas abertas e verificar a mercadoria lá. Paralisei quando vi o que tinha lá dentro. Armas. Muitas.

Pedi para que o motorista encostasse em algum lugar, vomitei ali.
- Senhorita! Eu entendo que esteja assustada, mas seu irmão e os Shelby tem feito estes tipos de negócios a tempos.
- Contrabando? – Perguntei enquanto tentava respirar normalmente ao lado do carro.
- É.
- E como não me disseram nada? Precisamos avisar a polícia e tirar Rob disso...
- Senhorita! Admiro sua nobreza, mas não há nada que se possa fazer.
- Como?
- Eles são os irmãos Shelby, líderes da gangue Peaky Blinders! A pior de Londres.
- Precisamos contar para a polícia.
- Eles praticamente controlam a polícia, senhorita! Fazer isso seria como abrir a própria cova. – O motorista dissera parecendo levemente entristecido.
- Entrar nisso é como assinar o atestado de morte, senhorita! – Acrescentou ainda.
- Pois eu irei tirar meu irmão disso, agora mesmo. Dirija até a casa dos Shelby.
- Mas, senhorita pode ser perigoso...
- Dirija. – Respondi irritada.

No caminho só a lembrança do rosto do tal Thomas já me irritava por completo, com aquele sorriso e calmaria, aquele ar simpático todo feito para atrair garotos bobos como Robert para sua matilha de imbecis. Poria um fim nisso agora mesmo, fosse por bem ou por mal.
- Senhorita William? – A tal Polly pareceu surpresa com minha presença.
- Quero falar com meu irmão, acho que ele está aqui?
- Sim, está no escritório com Tommy.
- Maravilha! Quero falar com os dois.
- Ah, claro... entre eu vou chamá-los.
- Não! Preciso falar com eles a sós.
- Claro, dê-me um minuto. – Ela desapareceu corredor a dentro e alguns minutos depois voltou dizendo que eu poderia segui-la.

Entrei em uma sala onde estavam, Robert me sorriu vindo na minha direção um pouco surpreso. Thomas estava de pé em um canto da sala.
- Maninha? Que bela visita... Thomas e eu estávamos acertando os detalhes do livro financeiro.
- Preciso falar com você... e com você. – Dirigi-me nada educada ao homem parado de pé com as mãos no bolso.
- Sente-se senhorita William!
- Obrigado, mas não quero me sentar. – Retruquei nervosa.
- Está tudo bem Sara? Você parece mal. – Robert falou preocupando-se.
- É por que estou mal.
- Mas, por quê? O que houve?

Retirei as notas as colocando sobre a mesa do senhor Shelby, Robert na hora ficou branco.
- Podem me explicar por que há armas nos estaleiros? Por que equipamento de contrabando e tráfico estão nos estaleiros de nosso pai? – Meu olhar ardeu sobre meu irmão que gaguejou um pouco nervoso.
- Senhorita William...
- Cale-se. Ainda não falei com você! – Thomas calou-se.
- Por Deus Sara! Que modos são esses?
- O exatos modos de alguém que descobre que esse traste enfiou meu único irmão no meio de algo tão horripilante que o único jeito de sair é com a morte.
- Sara!
- Explique-me Robert! Você faz parte da gangue?
- Sara...
- Você faz parte ou não? – Alterei meu tom de voz e Thomas mantinha-se apenas me observando atento.
- Sara, você está exaltada. Podemos conversar em casa?
- Você é ou não um Peaky Blinders? – Minha voz quase não saiu, senti meus olhos queimar.

Robert respirou fundo antes de dizer seco: - Sim. – Levei a mão até minha testa, sentindo minhas pernas falharem. Rob me segurou e eu me desvencilhei de suas mãos me afastando: - Você meteu nosso pai nisso! Ai meu Deus...
- Fique sabendo que não meti nosso pai em nada, foi ele quem entrou sozinho. – Robert agora falava sem carinho alguma na voz.
- O quê? Não.
- Pois pode acreditar! Nosso pai foi quem nos meteu no meio disso e agora minha irmã, não há como sair. – Voltei-me na direção de Thomas e me aproximei apontando-lhe o dedo: - A culpa disso acontecer é sua! Como pode? Como pode aceitar meu irmão no meio disso? Como permitiu? Você é um monstro. – A essa altura eu já não ligava de estar falando com um dos líderes de uma gangue terrível, queria apenas esbofeteá-lo até que minha raiva passasse. Comecei a chorar a plenos pulmões, aquilo era o fim da nossa família, estávamos no buraco de fato.

Thomas segurou-me pelos ombros com seu olhar sério, encarei seu rosto de perto cheio de manchinhas e olhos grandes: - Seu pai era meu amigo, senhorita William! E eu prometi que iria proteger vocês dois. Estou cumprindo com minha promessa... irei manter vocês seguros. – Falou mais alto que eu, lentamente fui perdendo as forças, era muito para digerir. Suspirei sentindo as lágrimas correrem pelo meu rosto devagar, meu irmão era um criminoso e ambos estávamos a mercê de criminosos e da polícia também. Peguei os últimos resquícios de forças após todo meu escândalo e professei contra Thomas Shelby: - Se alguma coisa acontecer ao meu irmão! Qualquer coisa que seja, vou até no inferno para acabar com você, ouviu bem Shelby? – Seu olhar frio e cortante como navalha manteve-se dentro dos meus: - Estarei esperando. – Dissera enquanto segurava meus braços.

Desvencilhei-me de suas mãos e caminhei para a porta, saindo logo em seguida. Haviam pessoas na sala, estavam todos em silêncio ouvindo nossa discussão lá dentro. Ouvi Thomas liberar Robert de seus serviços criminosos esta tarde para se concentrar em mim, não me despedi e sai batendo os pés.
- Sara! Sara! Espere. – Meu irmão gritava correndo pela rua atrás de mim.
- Não fale comigo, nunca mais! – Virei-me para ele com os olhos cheios de água.
- Não diga isso, maninha.
- Você mentiu para mim Robert! E olha onde se meteu, já pensou como as pessoas que entram nisso saem?
- Eu sei que está preocupada, mas...
- Sabe? Robert, você não é capaz de sonhar com tudo que estou sentindo. Se você morrer, como eu ficarei? Sozinha? Sem ninguém?
- Eu não vou morrer.
- Isto é o que você quer, mas não necessariamente o que vai acontecer.
- Sara...
- Eu não quero saber. Não me conte! Só não me inclua em nada que tenha haver com você ou seus amiguinhos os Shelby. Não quero acabar nas mãos de algum gângster que quer se vingar de você... – Dei as costas com um tremendo nó na garganta e os olhos ainda rasos d’água.



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