História Wicked Game - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Contrato de Casamento


Fanfic / Fanfiction Wicked Game - Capítulo 5 - Contrato de Casamento

Os dias que se seguiram foram tremendamente melancólicos, principalmente por que nossa vida tinha se tornado um eterno talvez. Robert vivia com os Peaky Blinders para cima e para baixo, lentamente ele deixava de ser o irmão tão doce e carinhoso e tornava-se mais parecido com Thomas e sua trupe. Isso me partia o coração por completo...

Mal sabia eu que o pior ainda estava por vir. Estava distraída em meu piano quando a porta se abriu e Robert entrou acompanhado de Thomas, John e Arthur, sei que eram eles pois ouvi as suas vozes eufóricas conversarem. Me mantive no mesmo lugar, tocando como se os ignorasse por completo, mas após alguns breves minutos notei que todos estavam parados na mesma sala que eu, me observando. Me virei buscando paciência em lugares que eu nem sabia que poderia ter.
- Precisamos conversar, maninha! – Me dissera Robert seriamente.

Abri e fechei a boca duas ou três vezes antes de conseguir reagir ao que meus ouvidos tinham escutado ali. Passeei meu olhar por cada um deles que estavam ali, até parar em Thomas que mantinha-se inexpressivo, como se realmente estivesse apenas fazendo mais um negócio vantajoso.
- Quer que eu me case com você para cuidar de seu filho? – Falei por fim resumindo tudo que todos eles me disseram.
- E também para ficar mais segura, maninha. Ficaria melhor na casa de Tommy! E mais ainda sendo esposa dele.
- É claro! por que lá estarei sendo vigiada vinte e quatro horas. – Torci o nariz
- São tempos difíceis Sara! Eu preciso de você e você de mim. – Thomas falou me encarando com cautela, aquela cautela que me faz estremecer de medo.
- Você já não ferrou o suficiente com a minha família senhor Shelby? – Rebati furiosa.
- Sara...
- Tudo bem Robert! – Thomas falou erguendo a mão, cruzei os braços voltando-me ao meu irmão.
- É Rob, sei me defender sozinha.

- Senhorita! Outras gangues nos querem mortos. Todos nós, eu, John, Arthur, Robert ou a senhorita. – Engoli em seco.
- Ficar aqui pode ser perigoso para ambos! Agora se estiver por perto, facilitaria muito nosso trabalho. Tudo que quero é cumprir a promessa que fiz ao seu falecido pai. Manter você e seu irmão seguros. – Falou por fim. No final eu sabia que esta seria a única forma de não morrer tão rapidamente quanto provavelmente iria estando nessa vida. Os próximos a ele estavam sempre mais seguros, encarei meu irmão e pensei em todas as coisas perigosas que meu pai fizera para ter nos dado a vida que tivemos. Talvez eu devesse me sacrificar para tornar a vida de meu irmão segura também.
- Que seja. – Concordei voltando-me para o piano.

***

O casamento não foi nada lindo e feliz, na verdade mais parecia uma peregrinação minha direto para o inferno. E talvez de fato fosse isso, meu casamento seria com o próprio diabo e tudo que eu poderia fazer seria agradecê-lo por querer apenas casar-se comigo e não nos matar e devorar nossas almas.

A festa foi rápida e sem muita cerimônia, afinal este era o seu segundo casamento e ele de fato não queria nada saber de romantismos, até por que nosso casamento não haveria romantismo algum e era puramente negócios. As moças que produziram o casamento me fizeram vestir uma lingerie sensual e esperar por Thomas em seu quarto após toda a cerimônia e festa. A verdade era que eu estava com medo, muito medo. Poderia parecer besteira, mas eu nunca tive ninguém antes e sonhar que talvez um gângster que eu tanto abomino seja o primeiro homem a tocar em mim fazia todo meu corpo estremecer.
- Tem sorte de ter sido escolhida por Thomas, sabia? – Uma das mulheres falou antes de sair me deixando sozinha naquele quarto enorme. Mal, sabia ela que trocaria de lugar com ela se assim quisesse.

Encarei-me no espelho e engoli o choro. A menina sonhadora de meu pai tinha se tornado praticamente uma prostituta que se venderia em troca de proteção. Precisamos de seis meses para nos afundar no monte de estrume que eram os Shelby e sua gangue, seis meses para nos tornar parte da terrível história sanguinária que Thomas escrevia com suas próprias mãos. Ouvi um barulho no trinco da porta e fiquei de pé no meio do quarto, repuxando as bordas do roupão para cobrir mais meu corpo. A porta se abriu e Thomas praticamente caiu para dentro do quarto, fechando a porta logo em seguida. Meus ombros ficaram tencionados de imediato, ele estava alcoolizado.

O ouvi respirar fundo esticando-se ainda de frente para a porta, fiquei quieta. Ele se virou lentamente na minha direção parecendo surpreso ao me ver parada no meio do quarto daquele jeito. Eu não queria que ele tocasse em mim, mas tinha me submetido a essa situação pela minha proteção e a de meu irmão, eram tempos difíceis, como o próprio Thomas dissera. Seus olhos azuis aterrorizantemente calmos me analisaram de cima a baixo, caminhou até ficar tão perto que me foi capaz de sentir o cheiro do álcool, cigarro barato e prostitutas do bordel. Nosso casamento era tão feito somente por interesses que ele passou a noite de núpcias em um bordel com os amigos, não que eu me importasse é claro! Mas, isso demonstrava como não significávamos nada um para o outro. Deslizou os dedos pelos meus cabelos, abriu com delicadeza meu roupão analisando minha vestimenta. Desviei meu olhar para o chão sem conseguir esconder o nervosismo: - Está com medo, senhorita William? – Recolhi as últimas gotas de forças que me haviam e fitei seus olhos, seu olhar alternou entre meus olhos e meus lábios, deixando claro sua real intenção.

Retirou sua mão do meu cabelo alternando seu olhar entre meus olhos e minha boca, a confusão alcoólica era completamente visão em sua expressão. Mas, ainda assim mantinha-se imponente, assustadoramente autoritário.
- Não. – Respondi mentindo. Por mais que Thomas Shelby me fizesse tremer por completo, eu jamais me renderia à ele. Seus lábios se ergueram em um arco um tanto quanto sádico, passou a mão pelo rosto, Thomas parecia aéreo e distante.
- Então não se importaria se eu a despisse?
- Se eu entrei na chuva é por que sei que vou me molhar, senhor Shelby. – Rebati já tendo ciência do que aconteceria ali. Sua expressão tomou novamente aquele ar sério e superior habitual: - Foi tocada por algum homem, senhorita William?
- Sempre tive outras prioridades, senhor Shelby. – Disse-lhe prendendo-me a minha inútil arrogância, seu sorriso se formou novamente dando-lhe um estranho ar juvenil.

Tocou meu ombro direito delicadamente deslizando as pontas dos dedos até meu cotovelo, olhos presos aos meus que deviam estar completamente arregalados.
- E já foi beijada, senhorita William? – Indagou mais sério desta vez. Acenei positivamente um pouco mais de pressa do que gostaria, desta vez apenas um dos cantos de seus lábios se ergueram. Desceu vagarosamente o olhar até meus lábios, ele sabia o que faria e eu também sabia, mas mesmo assim assustei-me quando seu lábio tocou os meus causando uma corrente elétrica por todo meu corpo. Uma espécie adrenalina berrando pelas minhas veias o quão terrível aquilo que fazíamos era. E como eu estava profundamente fodida.

Ele parou o beijo abrindo os olhos bruscamente, me encarou voltando ao seu lugar de chefe novamente. Afastou-se até o sofá perto da janela retirando o casaco, fiquei paralisada no centro do quarto lhe observando.
- Vá dormir senhorita William. Eu posso ser o diabo, mas trato as mulheres com o devido respeito! – Pegou uma coberta no guarda roupa e deitou-se.
- Aproveite sua última noite como senhorita William, amanhã será senhora Shelby para sempre. Se o bom Deus permitir! – Fechou os olhos como se nada tivesse acontecido, respirei fundo com o estranho sentimento de ter passado bem perto da morte e conseguido sobreviver... mas, por quanto tempo?



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