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História Wicked Games - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Regret


Foi estranho reencontrá-lo depois da festa. Desde quando eu fico sem graça depois de transar com alguém? Que bobagem. Talvez seja uma mistura com os sentimentos pelo Jonas, e a leve culpa depois, e ir embora do nada... mesmo querendo ficar e repetir.

Mas enfim, evitar a presença é impossível. E la vem ele, como sempre. Passos rápidos com uma ginga que transparece certa marra que ele tem. Ou tenta ter. A marra desaparece em um instante com o sorriso doce que oferece a qualquer um sempre, agora, oferece à mim. Pra ele tudo está bem, claro. Ele é extremamente despreocupado, as vezes isso me irrita. Lá vem ele ser bonito, charmoso e despreocupado perto de mim.

Agora, eu e Jungle estamos exatamente o oposto aqui nesse salão vazio. Duas das meninas resolveram dar no pé. Estão erradas? Não. Elas estavam chateadas, por algo que eu fiz ou deixei de fazer. Detesto coisas inacabadas e mal resolvidas, mas nem o contato temos mais. É um sentimento de quase traição.

- Cadê todo mundo? – falou dobrando seu Ray Ban novamente e o prendendo na gola da camisa.

- Chegou na hora certa. Duas das garotas vazaram e eu tenho que ir ao banco, depositar algumas coisas, pagar algumas contas... – falei, me levantando do banco.

- É, está aqui sozinha... – olhou em volta. – Quem foi? Vazaram você diz... definitivamente?

- É. Você quase não as via por aqui, quase não estavam, aliás. Não faz diferença.

- Se você diz... Já estava achando que era Blue. – lhe dei um soquinho leve no braço e ele gargalhou. – Eu morreria.

- Foda-se vocês dois. – Bruno gargalhou.

- Sem raiva, sabe que só tem espaço pra você... – falou envolvendo o braço em meus ombros numa tentativa de abraço, mas me afastei.

- Sai! – o empurrei e me levantei. - Vou no banco. Vai ficar ai?

- Vou te fazer companhia. – levantou num pulo e me acompanhou.

Bruno tagarelava algo ao meu lado no carro, mas a culpa e certa tristeza em mim eram muito mais altas que o tom de sua voz. As lágrimas inundavam minha linha d’agua, e a qualquer piscada menos cuidadosa elas poderiam cair. Agora é tarde demais. Meu olhar se perdeu totalmente pra vida do lado de fora do carro. Fixei o olhar nos vultos de meio fio passando por nós para não deixar a lágrima cair. 

- Desculpa, o que você disse? - perguntei ainda sem encará-lo.

- Você não parece bem. 

- Sério?

- É... Foi... o lance das meninas?

- É... Eu meio que não consigo entender. E não consigo suportar que tenha um mal entendido que eu não só não posso resolver, como estou sendo impedida de resolver. É uma merda... Elas estavam bem lá.

- Você não sabe a necessidade interior delas, isso ninguém pode julgar. E você tem que estar de consciência limpa. As vezes damos tudo aos outros e ainda não se satisfazem, é a vida. - isso é. Fiquei quieta pensando sobre isso, que até me consolou um pouco. Concordei mentalmente com o que Kelsey disse sobre ele na madrugada, ele é bem útil às vezes. Se estivesse sozinha, já teria ficado louca. - E então? 

- Não vou ficar bem de uma hora pra outra. 

- Ok, estou aqui. - me abraçou quando o carro parou em um sinal vermelho. Do contrario que eu imaginei, eu conseguia sentir perfeitamente que o abraço foi puro carinho, e não com outras intenções pelo que aconteceu à noite. Relaxei um pouco mais. Me senti acolhida por alguns instantes.

- Obrigada. Elas são como minhas irmãs, eu acho que nunca mais as verei de novo.

- Quem sabe. Talvez tudo melhore para todo mundo e se acerte.

Chegamos ao banco, Bruno resolveu me esperar do lado de fora enquanto eu resolvia. Estava cheio e demorado, o que me deixou nervosa pois não gosto que esperem por mim. Até cheguei a mandar mensagem para ele, falando para ele ir embora e não parar seu dia por mim, mas ele quis continuar. E assim, quando saí, lá estava ele me esperando.

- Demorou tanto, achei que tinham te colocado no cofre junto. - disse enquanto descíamos as escadas. 

- Engraçadinho, só estava cheio. Te fiz perder o dia né? – paramos do alto da escada do banco e olhamos o horizonte a nossa frente. O céu ja estava alaranjado, fim de mais um dia. 

- Não, eu vou pro estúdio agora a noite mesmo. Terminei umas músicas, então acho que tenho bastante coisa pra fazer. 

- Isso é bom. Você me ajudou muito hoje, não foi em vão. - meu telefone vibrou no bolso, Jonas ligando. Me afastei e atendi. 

- Minha linda, como está? 

- Bem e você? - Bruno desceu as escadas sem me esperar e entrou no carro. Do jeito que desceu, pensei até que fosse ligar e partir sem mim, mas continuou no mesmo lugar.

- Bem também. Jura que está bem? Você quase não falou nesse fim de semana, não me ligou, só mandou umas mensagens e ainda está com essa voz. Eu fiz alguma coisa? 

- Não, Jonas... - pensei bem antes de falar qualquer coisa assim pra ele. Muito bonitinho ele se preocupar sim, mas Jonas é exagerado em tudo, acaba sendo sufocante. Fora que eu poderia falar demais sobre o assunto e abrindo o bico sobre o que eu não deveria. - Só tive uns problemas por aqui mesmo. 

- O que aconteceu? 

- Não quero falar sobre isso, foi com umas amigas... 

- Tem algo que eu possa fazer pra melhorar seu humor? 

- Não sei, eu... Gostaria de ficar sozinha. - comecei a descer as escadas devagar, indo em direção ao carro. 

- Ok, se mudar de ideia me liga. Beijos. 

- Obrigada, amor, beijos. - desliguei o telefone. Apertei o passo nos degraus que faltavam, entrei no carro e Bruno deu a partida imediatamente. 

- Achei que ia me deixar aqui. - ele não respondeu, mal tirou os olhos da direção. Ah, pronto, o que foi agora?

- Vai pra casa? – foi a unica coisa que disse.

- Uhum. – murmurei e continuei o observando. O que esta havendo? Foi a ligação do Jonas? Uma crise de ciúme? Bendita hora que resolvi ceder e beijá-lo naquela merda de festa. Bruno dirigiu rápido pra minha casa, mas fiquei tranquila, quem provavelmente tomaria uma multa não sou eu. 

- Obrigada, tchau, bom trabalho. – tentei agir naturalmente ao sair do carro e ele não me respondeu. Esperei a resposta até pisar na calçada, mas nada feito. Voltei pro carro, ele me olhou surpreso. - Porque está sendo infantil? - me virei de lado para encará-lo, com o cotovelo apoiado no encosto do meu banco.

- Infantil? – me olhou, franzindo o cenho. De fato estava confuso com minha pergunta, mas era inegável que tinha acumulado com a raiva que demonstrou o caminho inteiro.

- Sim, Bruno, até saiu de perto quando Jonas me ligou. Isso não tem fundamento, você devia ter vergonha...

- Está achando que estou com ciúmes de você? – me interrompeu.

- Eu tenho certeza, e não vejo por que. Só transamos duas vezes... 

- Que você jurou que só aconteceria uma vez. A segunda teve muita vontade, não só por descontar raiva ou qualquer coisa...

- Eu não sei o que você está pensando, você não sabe ficar com alguém casualmente? 

- Sabe o que eu não sei? Lidar com você, que cada dia age de um jeito, tem mil e uma personalidades.

- Isso tudo só porque eu transei contigo e tenho outra pessoa, ótimo. - ri, incrédula.

- Na sua mente!

- Você acha que eu estou a sua função como uma daquelas vadias da Jungle, isso sim, que vou estar sempre disponível pra você e não ter uma vida fora disso. E além de tudo é um egoísta. - saí do carro e bati a porta com tanta força que até um pedestre que tentava atravessar a rua no momento se virou para olhar.

O mundo tirou o dia pra se voltar contra mim, não é possível. Se ele está cansado das "mil e uma personalidades", imagina como eu não me sinto com aquele ego enorme. Eu tinha aprendido a gostar dele, de sua companhia, e tudo mais, mas não tenho paciência com essa infantilidade. Se ele acha que vou viver aos seus pés como o resto, está muito enganado.  


Notas Finais


e aí amores? lavando bem as mãos? passando muito alcool em gel? se cuidem.


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