História Wicked Heart - Capítulo 16


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Categorias Candelaria Molfese, Karol Sevilla, Ruggero Pasquarelli
Tags Lutteo, Ruggarol, Ruggelaria, Soy Luna
Visualizações 390
Palavras 4.689
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Poesias, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, de novo, e me perdoem pelo horário. Eu mesma tenho aula ainda hoje e cá estou eu, postando isso.

Boa Leitura. ♡

Capítulo 16 - Chapter Sixteen.



Renovada depois de um banho quente e vestindo meu roupão favorito, me afundo no sofá e ligo o celular. Imediatamente uma enxurrada de notificações de mensagens o faz apitar. Não reconheço a maioria dos números, então deduzo serem de repórteres, e os ignoro. Quando vejo que Ruggero tentou me ligar quinze vezes, aperto o celular com tanta força que quase quebro a tela. Jogo o celular no sofá e me dirijo à cozinha. Só há metade de uma garrafa de vinho tinto sobrando, mas meu nome parece estar escrito no rótulo. Nem me incomodo em pegar um copo.

Depois de tomar um gole gigantesco, volto ao sofá e ligo a tv. É claro que a primeira coisa que aparece é um programa de entretenimento sobre o escândalo com Ruggelaria.

— Caramba, universo — murmuro para a tela. — Eu normalmente gosto de um pouco de preliminares antes de ser fodida assim. Você poderia pelo menos me pagar o jantar.

Fico sentada lá como um zumbi e assisto ao circo da mídia cobrindo o escândalo. É o Ruggelariapocalipse, arrematado com entrevistas chorosas de fãs, profissionais de Hollywood especulando sobre o futuro do casal de ouro, e até mesmo um gráfico predizendo o quanto as vendas de Rageheart sofrerão ou aumentarão se eles se separarem. Vão aumentar, a propósito.

Nem mesmo sei o motivo de eu estar vendo isso.

Estupidez? Curiosidade doentia? Masoquismo puro? Depois de ter acreditado novamente em Ruggero, acho que mereço essa punição.

Na tela, Cande e Ruggero saem do nosso local de ensaios e enfrentam a barreira de repórteres escandalosos e flashes. Estão de mãos dadas. Ruggero parece incrível e contrito. Cande parece incrível e devastada. Rugg diz tudo. Lionel o mandou fazer isso.

Ele está à beira das lágrimas o tempo todo, o que me faz acreditar que ou ele genuinamente lamenta muito por seus atos ou precisa ganhar a merda de um Oscar em um futuro próximo.

Odeio como fico emocionada quando ele diz:

— Em toda minha vida, só amei uma mulher. E me sinto péssimo porque meus atos impensados e egoístas a magoaram. Posso apenas esperar que um dia  ela entenda que só quero estar com ela e encontre uma maneira de me perdoar.

Ele olha diretamente para a câmera quando diz isso, e seu desempenho é tão sincero e tocante que, ao final, até eu estou torcendo para que ele e Cande consigam passar por essa confusão.

Meu Deus, eu preciso de mais vinho.

Tomo dois grandes goles, e então troco o canal para uma reprise de Friends.

Phoebe está explicando como Rachel e Ross são almas gêmeas.

— Ela é sua lagosta — diz ela a Ross. — É um fato conhecido que as lagostas e apaixonam e ficam juntas a vida toda. Na verdade, você pode ver casais de lagostas velhas passeando pelos tanques, de garras dadas.

Imagino o que Phoebe diria se eu lhe contasse que minha lagosta não me escolheu. Ele decidiu ficar com a maravilhosa lagosta ruiva, cujas pernas são mais longas que meu corpo inteiro. Então, agora posso escolher outra lagosta, ou é isso? Eu vou passar pela vida sendo uma sem-lagosta?

Inesperadamente as lágrimas assomam e se espalham pelo meu rosto. Eu as limpo, impaciente.

— Que se danem você e as lagostas do mundo, Phoebe. Que se danem…

Não sei por quanto tempo chafurdo na dor e fixo o olhar na televisão. Tempo suficiente para terminar o vinho, de qualquer forma. Estou considerando sair para comprar mais quando ouço uma batida na porta. Droga. Jorge esquece as chaves com mais frequência do que se lembra delas. Acho que Cande não precisou dele para consolá-la, no final das contas.

Piso duro até a porta e a abro.

— Você não tem jeito, você sabia que…? — Em vez de Jorge, Ruggero está parado lá, parecendo mais arrasado do que eu, se isso for possível. — Ka, você precisa saber que…

— Vá embora.

Tento fechar a porta, mas ele me impede com a mão.

— Espere. Me deixe explicar.

— Não precisa. Você já deixou seus sentimentos bem claros. Foi um erro. Não significou nada.

— Por favor, só me escute…

— Já cansei de escutar você, Ruggero! A única coisa que consegui te escutando foi me machucar. Por que você fica voltando pra me torturar? Você já fez sua escolha, e não sou eu. De novo! Já entendi!

— Não, você não entendeu! Esse é o problema. Essa situação é complicada.

— Ah, é? Porque parece muito simples: você é um idiota. E eu sou uma idiota por acreditar em você. Pensei que conhecia todo imbecil que existia, mas você realmente me enganou.

— Não, eu não estava te enganando! Há verdade em cada palavra que disse ontem. Quero estar com você. É tudo que eu sempre quis.

— O quão estúpida você pensa que eu sou? Você só parou na frente do mundo e reafirmou seu amor pela sua noiva!

Ele bate as mãos contra o batente da porta e me faz pular.

— Não, não reafirmei! Eu não tenho uma noiva! Tenho um maldito contrato que me obriga a fingir estar noivo da Cande, é isso! Nosso relacionamento é uma bobagem fabricada!

Ele está tão alterado que ofega, e meu coração está batendo tão furiosamente que levo um momento para entender o que acabei de ouvir. Quando assimilo a informação, um rastro de raiva percorre minha medula.

— O quê?!

Ruggero dá um passo adiante, mas se ele me tocar agora, não sei o que farei. Eu me viro e ando para o canto mais distante da sala.

— Tudo o que eu disse na coletiva de imprensa — diz ele, a voz mais branda, enquanto me fita com olhos cautelosos. — Toda aquela coisa sobre só ter amado uma única mulher na minha vida inteira. Era sobre você. Meu Deus, Ka. Você não entende? Sempre foi você. — Ele me olha fixamente, como se esperasse que eu explodisse. Mas não. Estou muito chocada para até mesmo me mexer, a não ser para abraçar a garrafa de vinho com tanta força que até dói. Quando o silêncio fica desconfortável, ele entra e fecha a porta gentilmente. Então simplesmente fica lá por alguns segundos, uma das mãos na maçaneta e a outra pendendo.

— Quando cheguei em casa na noite passada — diz ele, fitando o chão —, Lionel me esperava com essas fotos. Um amigo dele na tmz lhe contou que estávamos juntos, e ele ficou puto. Muito puto. Não posso tirar a razão dele. O que eu fiz com você foi estúpido. Não a parte do beijo, porque não posso me arrepender disso nem que apontem uma arma pra minha cabeça. Mas fazer uma coisa dessas em público? Foi imbecil. Depois do que houve no túmulo de Lino, eu deveria saber que estava sendo seguido, que aquele imbecil no bar nos seguiria no momento em que pisássemos na rua. — Ele esfrega o rosto. — Lionel ficou me enchendo pra descobrir sua identidade. Disse que se a jogássemos aos lobos, isso poderia me aliviar um pouco. É claro, não havia a menor hipótese de eu fazer isso, então neguei tudo, mesmo que isso me matasse. — Ele me olha, lamentando vividamente cada detalhe. — Lionel me observou como uma águia o dia todo, para ter certeza de que eu não faria nada para piorar a história. É por isso que não a avisei. Logo antes da coletiva, eu escapei para o banheiro para tentar te ligar e explicar, mas seu celular estava desligado. Eu sinto tanto.

Subitamente eu sei como Alice deve ter se sentido do outro lado do espelho. Eu me sinto como se estivesse no Mundo Bizarro. Isso é completamente surreal. 

— Mas, você e Cande…

— Não estamos noivos. Nunca estivemos. Nunca nem mesmo fizemos sexo. A coisa toda foi forjada pra gerar publicidade.

Ele me observa com cuidado, analisando minha reação. Não sei por quanto tempo permaneço lá, o descrédito está estampado no meu rosto. Deve ser breve, porque em um determinado momento ele diz:

— Droga, Ka. Diga algo, por favor. Qualquer coisa. Só… reaja.

Recupero o fôlego, tentando processar toda a história. Não consigo. É tão ridícula que meu cérebro não a assimila. 

— Então você tem mentido? Pra mim? Pro mundo inteiro? Por anos?

— Karol, sinto muito.

A incredulidade inunda meu corpo, seguida da fúria. Subitamente, tenho muito a dizer, e tudo é acompanhado de emoções confusas e imensas, que aumentam meu tom de voz e deixam meu rosto úmido.

— Você tem alguma ideia do quanto você me magoou? O quão devastada eu fiquei há seis anos quando vi fotos suas e de Cande juntos? Quanto me magoou hoje quando pareceu tê-la escolhido novamente? E agora, você está me dizendo que foi tudo uma maldita farsa publicitária? — Bato a garrafa de vinho na mesa com tanta força que Ruggero se encolhe.

Enquanto tento me acalmar, ele fica lá, com a culpa e o arrependimento enchendo-lhe os olhos. Quando ele dá um passo à frente, dou um para trás. Ele estica as mãos, como se estivesse tentando aplacar um animal selvagem.

— Quando me ofereceram Rageheart — diz ele, pacientemente —, os produtores me disseram que eu tinha de concordar com a merda do romance falso deles ou perderia o emprego. Eu queria dizer a eles que enfiassem a ideia naquele lugar, mas precisava daquele filme pra quitar as dívidas de mamãe e papai. Depois de todos os processos, eles estavam afundando. Lionel me garantiu que esse tipo de coisa acontece o tempo todo e estaria acabada antes que eu percebesse, então concordei. — Ele olha para o chão. — Não podia te contar. O contrato de confidencialidade é brutal. Além do mais, estava envergonhado. Eu me vendi da pior maneira possível, e sabia disso.

— Essa é uma desculpa furada, Ruggero! Você me amava e eu amava você. Poderíamos ter dado um jeito.

Os ombros dele caem.

— Não, não poderíamos. Você pode dizer, honestamente, que estaria feliz se esgueirando por debaixo do pano enquanto eu fingia que Cande era o amor da minha vida? Você se sentiria como um segredo impróprio. E depois de um tempo, se ressentiria de mim por isso.

— Então, em vez disso, você decidiu rasgar meu coração? Usar meu pior medo contra mim?

Ele engole em seco e abaixa a cabeça.

— Sabia que assinar aquele contrato significava magoar você, e perder você, mas meus pais estavam lutando havia anos. Isso estava pesando na saúde do meu pai. E as famílias daqueles que morreram no acidente estavam lutando também. Eu me sentia como se tivesse uma dívida com eles, em nome do Lino. De alguma maneira doentia, pensava que o bem suplantaria o mal. Sabia que você e eu estaríamos muito infelizes, mas também sabia que muitas outras pessoas conseguiriam a ajuda de que precisavam.

Esfrego o rosto com a mão.

— Meu Deus, Ruggero…

— Foi por isso que parei de ligar pra você. Tentei me preparar para o que viria. Candelaria e eu fomos avisados que um fotógrafo nos seguiria, então interpretamos nossos papéis. Não a avisei porque… Bem, pensei que talvez uma pausa tornasse tudo mais fácil pra nós dois.

— Mais fácil? — A afirmação me faz rir. — Você disse que me amava! Por que fez isso quando sabia que não podia estar comigo?

— Até então eu não sabia. Eles me contaram sobre o contrato no dia seguinte em que eu liguei pra você, e… quando eu soube daquilo, fiquei enojado. Mesmo depois de ter me convencido a assiná-lo, me forcei a acreditar que nossa separação seria temporária. Então, quando tudo acabasse, eu poderia implorar seu perdão, e teríamos outra chance. Mas daí um filme virou dois e dois viraram quatro. A coisa toda com Candelaria se transformou nessa mina de ouro de publicidade pesada, e não importava o quanto estávamos infelizes com esse acordo, os produtores não discutiriam o rompimento do contrato. Eles nos convenceram de que a franquia morreria se rompêssemos antes do último filme ser lançado. Todos que trabalhavam nesses filmes se tornaram nossa família. Se nossos atos acabassem com tudo, seria como o acidente na construção, tudo novamente. Não conseguiria viver com a culpa de ter prejudicado mais vidas. Arruinado mais vidas. E assim continuamos. Então essa peça apareceu, mas eles só nos queriam como um pacote. Nós dois queríamos atuar nela, então nosso purgatório prosseguiu.

Penso nas centenas de fotos de Ruggero e Candelaria que vi ao longo dos anos. Em cafés. Em férias. Estreias de filmes. Festivais de música. Imagino como seus fãs se sentirão quando descobrirem que foi tudo um golpe. É assim que me sinto agora. Enganada. Traída. Mais do que um pouco estúpida.

— Acreditei que vocês dois estavam apaixonados — digo, tentando manter a calma. — A maneira como você a olhava. E a tomava em seus braços. A beijava… — Minha voz se quebra e mordo a parte interna da bochecha para me impedir de chorar.

— Ka, eu sinto muito. Nossas aparições públicas não são diferentes de nenhuma outra atuação, exceto pelo fato de que improvisávamos as falas. Fiz meu trabalho, e fiz bem. Nada daquilo foi real. Como poderia ser? — Ele caminha até onde estou, devagar. — Nunca parei de amar você. Desde o dia em que nos conhecemos, você tem sido a única pra mim. Nunca houve outro alguém.

Cruzo os braços no peito. Há uma dor lá dentro chutando minhas costelas.

Uma mistura de incredulidade e desapontamento. Mas também há aquela pequena faísca de esperança que foi reprimida por tanto tempo, e não consigo decidir se essa nova informação vai matá-la ou lhe dar um choque capaz de trazê-la de volta à vida.

Ruggero me observa, e aqueles olhos impressionantes estão cheios de tanta dor que tenho que desviar o olhar.

— Ka… — Ele se adianta para me tocar, mas eu me afasto.

Balanço a cabeça.

— Não posso acreditar no que estou ouvindo. Em nada disso. — As lágrimas estão caindo agora.

Machucaria demais tentar impedi-las.

Atravesso para o outro lado da sala e olho fixo para a estante de livros. Ele não me segue, mas quando o fito de volta vejo seus olhos molhados também.

— Quis te dizer a verdade tantas vezes durante os anos, mas o que adiantaria? Mesmo que fizesse isso, não poderia estar com você. Não com a minha vida como está. Todo maldito dia testemunho as coisas que Cande enfrenta porque as pessoas acham que ela está comigo. O ódio. O bullying. O escrutínio e a crítica constantes. Isso a devora, Ka, mesmo que ela lide com esse tipo de porcaria desde criança. Como poderia te arrastar pra tudo isso? Amo você demais pra sequer considerar isso.

— Então, por que dizer aquelas coisas ontem? Por que me dar esperança de que poderíamos ficar juntos?

— Porque mesmo que seja muito egoísta querer você na minha vida maluca, eu finalmente percebi que tentando te afastar eu te condenei a ser tão infeliz quanto eu.

Fitamos um ao outro, e me sinto como se estivesse sendo atraída para ele e, ao mesmo tempo, repelida. Tantas emoções se entrelaçam em mim que não posso compreendê-las por inteiro.

— Minha linda Ka. — Liam se aproxima. — Por favor, diga que pode me perdoar. Fico pensando no que acontecerá quando essa produção acabar. A menos que eu conserte as coisas, voltaremos às nossas vidas separadas, eu na Califórnia e você aqui, e… — Ele aperta o peito. — Droga. Toda vez que imagino isso, dói tanto que quero dar um soco numa parede. — Ele fecha o punho e depois relaxa a mão, e posso sentir sua tensão preenchendo o espaço entre nós. — Me peça pra desistir de um membro e eu juro que vou dar um jeito de fazer isso. Mas não me peça pra viver mais sem você. Eu não posso. Estou tão perdidamente apaixonado por você que chega a doer.

Por tanto tempo sonhei com Ruggero Pasquarelli parado na minha frente dizendo que me amava. Em cada uma dessas fantasias, ele me olhava como olha agora, com um amor óbvio e despudorado. Mas as fantasias não te preparam para a realidade. Mesmo que eu sempre tenha pensado que correria para os braços dele e o cobriria de beijos, na verdade há mais do que mim e ele em que pensar.

Mesmo que superasse a decepção com ele, há Cande, e a peça, e os milhões de fãs que terão o coração partido quando ouvirem que o ídolo deles ama uma diretora de palco baixinha e loira, em vez de sua deusa etérea da tela prateada.

Limpo o rosto.

— E o contrato? Você e Cande ainda estão presos a ele?

Ruggero não se aproxima, mas fica claro que deseja fazer isso.

— Que se dane o contrato. Eu já ganhei mais dinheiro do que jamais imaginei, e estou infeliz. A única coisa que verdadeiramente quero não pode ser comprada. O estúdio pode me processar até meu último centavo. Desde que eu tenha você, serei o homem mais rico do mundo.

Eu o olho fixamente enquanto tudo que ele acabou de dizer gira em meu cérebro. Por um lado, nossa situação é tão inacreditável que eu quero rir, mas, por outro, meu coração sussurra que tudo finalmente faz sentido. Por anos me senti errada. Como se eu fosse uma estranha na minha própria vida. Sempre soube que era por causa de Ruggero, mas vivi em negação. Fingir que não estava vazia sem ele se tornou um estilo de vida. E parece que ele se sentia exatamente da mesma maneira.

Agora temos uma segunda chance, mas não tenho ideia de como isso funcionaria. O mundo dele é cheio de estreias de filmes e festas. Beleza e glamour. Eu passo a maior parte do tempo no escuro. Sou a pessoa que controla o holofote, não a que fica sob ele. Citando um antigo provérbio chinês: tudo bem se um pássaro e um peixe se apaixonarem, mas onde eles vão morar?

— Ka? — Quando olho para ele, há um medo verdadeiro em sua expressão. Ruggero está apavorado que eu vá dispensá-lo. Ele deveria estar. — Entendo que isso é muito pra se processar, e sei o quanto está brava comigo. E eu não te culparia se você me mandasse pro inferno e exigisse que eu nunca mais me aproxime de novo. Mas antes de fazer isso, por favor, só me diga uma coisa: você acredita que eu te amo?

— Sim. — Digo isso sem pensar. Talvez essa seja a melhor maneira de lidar com meu turbilhão emocional. Deus sabe que minha cabeça e meu coração têm desejos conflitantes. Talvez eu deva apenas confiar no meu instinto.

Olho Ruggero nos olhos. Ele entende, e sua postura muda completamente. Como se estivesse se contendo para não seguir seu instinto e me mostrar como se sente, ele inspira antes de dizer:

— Certo, então. A pergunta de um milhão de dólares: você me ama?

Ele não respira nos três segundos que levo para me decidir por ser honesta.

— Apesar de tudo, e mesmo tendo vontade de bater em você agora… Sim. Muito. — No momento em que digo isso, ele aperta a mandíbula, e posso dizer que ele está tentando se conter. Eu sei como se sente. Esse é um momento decisivo para nós, e tenho tanta adrenalina no corpo que meu coração parece ter perdido o ritmo.

— Karol — diz ele, a voz rouca de emoção. — Sei que tenho muito trabalho a fazer pra compensar pelo tanto que te machuquei, mas… Você ainda quer que fiquemos juntos?

Passo por um desses momentos nos quais tudo que não é ele recua para o fundo, e ele entra em um foco perfeito. O lindo Ruggero, cheio de esperança. Ele engole com dificuldade antes de continuar.

— Pense com cuidado na sua resposta, porque se você disser que sim… — diz ele baixinho, murmurando. — Se você disser sim, eu nunca mais vou ser desonesto com você. Nunca mais sobreporei a razão à emoção. E finalmente poderei te mostrar as maneiras infinitas como te amo.

Há uma distância considerável entre nós, mas agora parece que existe um cabo de aço conectando o coração dele ao meu. Esse cabo sempre esteve lá. Mas agora eu consigo vê-lo mais como uma bênção do que como uma maldição.

Inspiro e desfaço o nó do meu roupão com as mãos trêmulas. O tecido pesado se abre, revelando a minha óbvia falta de roupa de baixo. Seus olhos se arregalam, e sua expressão imediatamente se torna faminta. Meu corpo responde com uma explosão de calafrios.

— Sim. Quero ficar com você. Por favor. Agora.

Ele pisca duas vezes antes de murmurar

— Porra, sim. — Ele cruza a sala em segundos, e solta um gemido baixo e possessivo enquanto me aperta contra ele.

Seis anos de desejo contido e frustração sexual irrompem entre nós. Nós nos devoramos um ao outro, línguas provando e sugando. Meu roupão é tirado dos  meus ombros. A camisa dele é desabotoada em tempo recorde. Em todos os  lugares que ele me toca, o desejo nasce, cresce e desponta, e estou sem fôlego com a força desse sentimento. Eu o empurro contra a parede, com energia. A força do impacto faz o vidro da moldura de uma foto próxima se quebrar ao cair no chão. Nenhum de nós olha para ela. Ruggero joga a cabeça para trás quando cubro seu tórax e abdome com beijos quentes, provando a pele com a qual eu só pude sonhar durante muito tempo. Seus músculos se contraem por causa de sua respiração rápida, e ele geme quando passo minha língua e meus lábios nos planos deliciosos de seu tórax. Provo cada centímetro de sua pele… Seus mamilos, seu abdome. Não há nada delicado ou elegante no que estamos fazendo. Tudo é urgente, as mãos se movem e apertam, as respirações estão pesadas e os gemidos profundos. Estamos tão desesperados um pelo outro que  ficamos desastrados e rudes.

Quando volto à sua boca, ele geme contra a minha e percorre meu corpo com as mãos, até a minha bunda.

Com um movimento ágil, ele me ergue, e quando passo as pernas à sua volta, ele se vira e me empurra contra a estante. Os livros e bibelôs se espalham pelo chão, fazendo barulho, enquanto nos apertamos e nos tocamos. Eu estico o braço para trás e seguro uma das prateleiras, enquanto ele me beija pescoço abaixo e brinca com meus mamilos. Jogo a cabeça para trás e comprimo meu tórax contra ele, enquanto sua boca quente e linda se fecha sobre mim.

— Ah, meu Deus, Rugg…

Ele brinca com meus seios, e estou me agarrando a ele, para que continue.

Então, ele me arranca da estante e desliza até o sofá, esbarrando em um vaso e em uma luminária no caminho. Ruggero chuta a mesinha de centro, e o controle remoto da tv e uma pilha de revistas caem no chão.

— Merda — diz, sem fôlego. — Desculpe.

— Não ligo. Continue.

Ele se joga no sofá e me puxa para que eu me esparrame sobre ele. Cada centímetro da minha pele formiga e dói enquanto Ruggero traça as curvas dos meus seios e quadris com os dedos.

— Meu Deus, senti sua falta — sussurra ele contra minha pele. — Esse corpo, sua mente, seu coração. Tudo. Agora eu me sinto como uma criança cujo presente de Natal foi financiado por seis anos e finalmente pôde colocar as mãos nele. Você é tão perfeita, você vira minha cabeça. Ele me beija novamente, e sua língua doce me deixa tonta, enquanto suas mãos ligam cada terminação nervosa do meu corpo. Não posso mais esperar. A única coisa que supera a névoa de hormônios é uma necessidade que me consome, de tê-lo dentro de mim. De tê-lo novamente e de ser sua, me entregando inteira em retribuição.

Desço de seu colo para tirar sua calça jeans. Ele me ajuda, tirando os sapatos e as meias. Então fica de pé para que eu possa deslizar sua calça e roupa de baixo por suas pernas.

Quando ele está nu, preciso parar um momento, porque… Uau. Sério? Ele é uma obra de arte ambulante. Se Michelangelo tivesse usado Ruggero Pasquarelli como  modelo, não duvido que houvesse uma galeria inteira dedicada a ele. Talvez até mesmo com uma ala apenas para sua ereção espetacular.

Rugg se senta novamente no sofá e me encara com um desespero mal contido.

— Venha aqui. — Ele me puxa novamente sobre ele, e uso uma das mãos para nos alinhar. Olho em seus olhos enquanto me abaixo vagarosamente.

Ah.

Meu.

Deus.

Nossas bocas se abrem. Nossas pálpebras tremem. Gemidos simultâneos enchem o apartamento enquanto balanço e tremo até que ele me preencha por completo. Quando estamos unidos, ofego e suspiro. Como posso me sentir tão incrivelmente ligada e relaxada ao mesmo tempo está além da minha compreensão. É disso que tenho sentido falta nesses anos todos. Não apenas o prazer físico de tê-lo dentro de mim, mas a conexão de almas e corações que me unir a ele traz. Nós nos olhamos profundamente, maravilhados, reconhecendo-nos mutuamente pelo fato de que até mesmo a fantasia mais vívida que tivemos quando separados é fraca se comparada a essa realidade excitante.

— Eu amo você, Ka — sussurra ele, enquanto acaricia meu rosto com dedos gentis. — Amo tanto você.

Eu o beijo.

— Amo você também.

Prendo minhas mãos em sua nuca e começo a cavalgá-lo, mantendo contato visual o tempo todo. Ele agarra meus quadris e me guia com estocadas longas eprofundas. A sensação é tão intensa, é quase insuportável. A sensação dele. A expressão incrível de seu rosto enquanto ele observa cada movimento meu. A cada vez que levanto os quadris, Rugg resmunga como se estivesse com dor.

Quando desço, ele geme de prazer. Cada movimento parece ser demais para ele, e eu entendo como se sente. Depois de não ter nada por tanto tempo, subitamente ter tudo é um choque para ambos.

Mantemos aquela conexão o tempo todo em que fazemos amor. Até mesmo quando sinto o orgasmo se aproximar, não desvio o olhar. Nem ele.

Eu me apoio em seus ombros quando começo a acelerar o ritmo. Quando os músculos das minhas coxas cedem, Rugg assume, debaixo de mim. Ele arremete, me preenchendo, vez após vez. Meu orgasmo se aproxima cada vez mais rápido, se retraindo e se expandindo com tanta força que mal posso respirar.

Agarro o cabelo dele quando seus movimentos se tornam mais rápidos e intensos. Ele trava o maxilar e geme, como se segurar o próprio orgasmo fosse doloroso.

Meu Deus, o prazer. O prazer debilitante que me tira o fôlego.

Quando ele goza, o gemido que vem dele é mais do que apaixonado. É como se falasse de um homem que esqueceu a extensão do que pode sentir. De alguém redescobrindo como ser real depois de tantos anos fingindo.

Faço um som similar quando meu clímax explode alguns segundos depois. Não é delicado ou bonito, mas nenhum dos meus sentimentos sobre Rugg é. Eles são gigantescos, bagunçados e inconvenientes, mas eu não os trocaria por nada.

Quando nossos estremecimentos finais desaparecem, desabo em cima dele, e Ruggero me envolve com seus braços, enterrando a cabeça em meu pescoço.

Nossa respiração frenética ecoa no apartamento silencioso, e não nos mexemos por muito tempo. Quando nos movemos, é só porque ele está duro novamente, e nossa segunda vez acaba se tornando um furacão. As cadeiras são derrubadas. A porta do banheiro, escancarada.

No momento em que entramos no meu quarto, há livros espalhados pelo chão, pratos e tigelas arremessados do balcão da cozinha e almofadas e roupas empilhados em cada centímetro do chão. O apartamento inteiro está arrasado.

Normalmente, nós dois não gostamos de bagunça, mas agora estamos envolvidos demais para ligar. Depois de Rugg me proporcionar o segundo orgasmo na minha cama, e o quarto da noite, ele cai de costas e me puxa para seu peito. Ele solta um imenso suspiro de satisfação e então fecha os olhos. Sei que precisamos falar mais sobre nossos caminhos turbulentos, mas tudo pode esperar até amanhã. Agora eu só quero desfrutar esse momento, estar nos braços da minha alma gêmea.

— Rugg? — sussurro, em uníssono com sua respiração.

— Hmmm? — Ele mal está consciente.

Não consigo deixar de sorrir quando ouço o ritmo hipnótico de seu coração sob meu ouvido.

— Obrigada por ser minha lagosta.





Notas Finais


EU NÃO SEI SE EU TÔ CHORANDO, SE EU TÔ FELIZ, SE EU TÔ PULANDO OU SE EU TÔ EXCITADA MESMO AAAAAAAAA MEU RUGGAROL PORRAAAAAAAAAA

Os vejo no próximo capítulo. ♡


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