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História WILD - Taeyoonseok - Capítulo 3


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Notas do Autor


Boa Leitura...

Capítulo 3 - Chá de Hortelã


Fanfic / Fanfiction WILD - Taeyoonseok - Capítulo 3 - Chá de Hortelã

Quando Taehyung finalmente encontrou a cozinha, deparou-se com muitos empregados, que caminhavam de um lado para o outro de maneira habilidosa, não deixando que ninguém se trombasse, nas mãos carregavam verduras, colheres, panelas e tudo mais que poderia ser nescessário para o almoço, pôde até mesmo visualizar um homem que parecia ser o chef, com três frangos crus nos braços. Conversavam em pequenos grupos, que iam dos responsáveis das saladas, até os do prato principal.

Vê-los daquela forma fazia Taehyung pensar em quantas pessoas realmente teriam naquela refeição.

— No, No, No. Nada de cabelos na cozinha. — uma das senhoras responsáveis pela macarronada surge a sua frente com uma touca branca, a encaixando em sua cabeça com uma habilidade impressionante.

— Ãh, desculpe?

— Não fomos avisados de um novo ajudante... — diz a garota de cabelos escuros, enfiando a faca incrivelmente grande que tinha em mãos em uma beterraba. — Quem é você?

— Sou Taehyung, Kim Taehyung. Aparentemente eu sou um "novo híbrido". — explica acrescentando aspas em sua fala, está que atrai a atenção de alguns outros híbridos.

— Oh, então é de você que estavam comentando nestes últimos dias?! - a garota retorna a falar, com um sorriso debochado.

— Devo ser, e você quem é? — pergunta a medindo da cabeça aos pés, usava como a todos alí roupas inteiramente brancas, mas diferente dos outros, parecia ser bem jovem.

— Sou Momo, híbrida de coelho e ajudante de cozinha. Essa é a senhora Ayra, híbrida de puma e governanta. Se quiser conhecer os outros, saia perguntando. — diz brevemente, voltando a fazer seu serviço de cortar os legumes.

— Menina rabugenta. — a senhora resmunga, batendo com a colher de pau no braço da mesma. — Ajude o garoto.

— Esse não é o meu trabalho.

— Não me importa, ele está aqui como convidado da família real, acha que eles vão gostar que o deixemos desamparado? Ande, ande.

— E como sempre, sobra para mim. — rosnando baixinho, Momo largou novamente sua faca.

— Está com fome querido? Gostaria de levar um lanche? — Ayra pergunta com um sorriso simpático.

— Não obrigado.

Taehyung apressou seus passos para acompanhar Momo que andava depressa, está que entrava em corredores, subia escadas e adentraram cômodos em uma velocidade impressionante, a ponto de que mais uma vez, o lutador não decorara o caminho.

— Para que essa pressa toda? Parece até que está fugindo de alguém. — resmunga após subir mais um lance de escadas, se questionando quantos andares havia naquele palácio.

— Pode-se dizer que estou, sou uma ajudante de cozinha, não deveria estar perambulando por aí.

— Vai me dizer que você vive enfurnada naquela cozinha então?

— É exatamente o que estou dizendo, cozinheiros ficam na cozinha, jardineiros no jardim, guardas nos portões e tirando os membros da família ou visitantes, os únicos que podem ficar andando pelos cômodos, são os arrumadores, secretários, Yoongi ou Jinyoung.

— Yoongi? — Taehyung murmura baixinho, quase que de maneira inaudível.

— Sim, Yoongi é o cuidador de Hansol, o príncipe casula, e Jinyoung o ajudante do rei Seung, ambos escravos, assim como eu.

Diante as palavras proferidas, Taehyung para de andar quase que imediatamente no corredor.

— Escravos?!

  Momo notando que os passos atrás de si deixaram de soar, parou de frente para o mesmo, e com um suspiro, olha para os dois lados do corredor antes de puxa-lo até um dos quartos, que só então Taehyung nota ser o que aparentemente o pertencia.

— Parece que não lhe explicaram tudo por aqui não é mesmo.

— Não me explicaram basicamente nada, o tal Jimin apenas me entregou livros e mais livros.

— É de se esperar, os membros da realeza não querem que saiba da parte podre de Azzalia.

— Então me explica essa merda oras, já chega desse suspense todo. Não basta que me trouxeram para esse lugar estranho, ainda me escondem verdades sobre ele.

— Venha aqui novato. — Momo indica a varanda, apoiando-se no parapeito e admirando igualmente a visão privilegiada. — Em Azzalia existe algo chamado "escravidão de dívida", é quando um híbrido está devendo algo a alguma família importante, ou ao governo bancário e não tem como pagar, quando isso acontece o híbrido tem a opção de ou ir para o calabouço depois de ser sentenciado pelo rei, ou pagar com a mão de obra, que é o que a maioria escolhe, tendo assim que prestar serviço ao palácio ou a outras instituições até que suas dúvidas sejam quitadas.

— Isso... Isso não é errado? Digo, a tempo da escravidão deixou de existir a anos.

— Deixou de existir no seu antigo mundo, aqui as coisas são bem diferentes. — a garota desvia o olhar, com um sorriso triste no canto dos lábios.

— E o que você fez para estar aqui? Digo, parece bem jovem para já estar endividada. — Taehyung vem a perguntar, temendo parecer muito indelicado, mesmo que a curiosidade falasse mais alto.

— Tenho dezenove se quer saber, e eu fui pega aos dezessete roubando. — explica com o olhar baixo, não parecendo se orgulhar de seu passado. — Eu sou das docas novato, e lá às coisas não são esse mar de rosas de ouro como aqui no palácio, então eu vi a oportunidade de pegar aquele dinheiro, e peguei, da primeira vez deu certo, da segunda também, mas na terceira eu não fui tão esperta.

— Sinto muito... - disse pela primeira vez sendo inteiramente sincero, pois ele mais do que ninguém sabia como era precisar de algo e não ter.

Por um momento, sentiu-se curioso do motivo de Yoongi também ser um escravo naquele palácio.

— O que são as docas? — pergunta diante o silêncio um tanto constrangedor.

— Lá são as docas. — aponta para a última casta da colina, lugar que mal se podia enxergar. — É onde a parte pobre de Azzalia vive, nós que trabalhamos como condenados aos das castas superiores, mas mesmo assim não recebemos o suficiente para viver ao menos no bairro baixo, quem diga do alto.

— Pode me explicar melhor sobre essa divisão?

— Agora eu tenho que voltar para a cozinha novato, minhas dúvidas não serão pagas com corpo mole, quem sabe da próxima eu te explique sobre a droga da divisão desse lugar.

— Estarei aguardando, obrigado pela ajuda coelhinha. — acena para Momo, que já se encontrava na porta

— Me chama assim de novo e eu arranco seus olhos.

  E assim se retirou deixando um Taehyung curioso para trás.

Ainda sentia-se confuso, aquela nova realidade era estranha e diferente, e se perguntava se havia alguma forma de voltar para sua casa, que bem, não era tão casa assim.

Mas ainda sim, o que mais martelava em sua cabeça, eram perguntas referentes ao híbrido escravo e o príncipe, e qual relação estranha que eles tinham.

A qual estava disposto a descobrir.

~•~

  Quando Taehyung foi deixado em frente uma das salas, deparasse com o luxo que já deveria estar acostumando-se. Foi avisado sobre o horário de jantar, e teve sorte em encontrar com uma híbrida gentil que o guiou até a sala de jantar. A extensa mesa era coberta por uma toalha vermelha e rodeada de cadeiras detalhadas em dourado, a cima lustres e mais lustres. Deveria caber pelo menos toda a torcida de uma luta sua alí, mas apenas cinco lugares estavam ocupados.

Se aproximou em passos curtos, até a ponta da mesa onde todos se mantinham de pé, com seus pratos e talheres intactos. Enrugou a testa em confusão, e entre os dois lugares vagos mais próximos, fez questão de sentar-se ao lado de Hoseok, que mantinha a postura ereta e braços para trás.

Ouviu então um rosnado baixinho, e o príncipe citado agarrar seu braço e colocá-lo de pé novamente.

— Mas que por...

— Boa noite.

Calou-se imediatamente ao que a voz rouca que o faz tremer um pouco soa. Sendo empurrando na cadeira de rodas preta por quem julgou ser Jinyong, estava Seung, rei de Azzalia.

Só então ajeitou melhor sua postura, tentando se assemelhar aos príncipes, ou quem sabe aos empregados em uma fila perfeita ao lado da mesa. Momo estava entre elas, está que prendia uma risada para o quão bobo o novato estava daquela forma.

— Boa noite. - tanto os filhos do rei, quanto os empregados responderam em uníssono.

— Vejo que essa noite teremos companhia. — murmurou Seung, analisando por alguns segundos constrangedores o lutador.

Por um momento Taehyung pensou se deveria tomado outro banho e vestido roupas mais adequadas, mesmo que aquelas já lhe parecessem boas o suficiente.

— Já conheceu a todos senhor Kim?

— Ãh, na verdade não. — responde, olhando rapidamente para Jimin que revira os olhos.

— Pois bem, sou Jung Seung, rei de Azzalia e esses são meus filhos, Hoseok o primogênito e meu sucessor, Jimin, Dahyun e o casula Hansol, todos de uma linhagem pura de híbridos de lobo. — o rei indica com orgulho, cada um de seus filhos.

Já havia visto Jimin e Hoseok, e agora, diante os outros membros da família, podia concluir o quão boa a genética dos Jung poderia ser. Assim como os irmãos mais velhos, Dahyun e Hansol tinham uma beleza delicada e minimalista, mas bem marcante. Diferentes de si, não haviam marcas de espinha em suas peles ou muito menos hematomas, os cabelos pareciam tão hidratados e brilhosos que poderia jurar terem saído a pouco de um salão de beleza.

— Acho que já podemos começar o jantar papai. — a princesa diz com um sorriso doce, e ao receber uma concordância do mais velho, senta-se em seu lugar.

Ao colocar-se novamente sentado, desta vez na hora certa, acompanhou com o olhar os demais híbridos colocarem a frente de cada um deles uma bandeja de prata, a qual tirando a tampa circular, revela a salada de folhas e rabanetes com molho de gengibre que seria a entrada, e Taehyung sabia disso, pois já havia assistindo muitos filmes.

E quando todos os outros empregados se afastaram, Taehyung pôde vê-lo novamente.

Yoongi mantinha-se em pé ao lado de Hansol, pronto para auxiliá-lo nas refeições, e apesar das vestes brancas e cabeça baixa fazendo com que os cabelos quase brancos cobrissem seu rosto, mais uma vez prendeu a atenção de Taehyung.

Até sentir certa ardência em seu tornozelo.

Olhou para Hoseok com uma careta, este que começava a comer sua salada como se não tivesse feito absolutamente nada.

Praguejando baixinho, Taehyung deixou sua atenção no prato.

Todos comiam em silêncio, tendo o único barulho ouvido sendo o dos talheres contra a porcelana. Quando todos os pratos se encontravam vazios, outro conjunto de empregados vieram para servir o prato principal. Arroz branco fresco, feijões, beterrabas em fatias e o principal, cortes grandes de carne mal passada.

Taehyung se conteve para não esboçar uma careta para o sangue que escorria da carne que tinha marcas de grelha. Engoliu a saliva de sua boca e se pôs a comer, não era de seu agrado mas sua barriga clamava por proteínas.

Vinho foi servido aos mais velhos em taças, e suco de laranja para Hansol, que até o momento permanecia da mesma forma, comendo calado, ereto e educado demais para uma criança da sua idade.

— Como andam as aulas de esgrima Dahyun? — Hoseok quebra o silêncio.

— Oh, muito bem, venho melhorado com a ajuda de Jimin. — a princesa parece contente em comentar sobre, diferente de seu pai, que vem a resmungar.

— Uma ômega não deveria se prestar a tais esportes.

— E por que não papai, Hoseok e até mesmo Hansol já praticam esgrima e treinamento com espadas, por que nós também não podemos? — Jimin diz afiado.

— Jimin...

— Por que Hoseok e Hansol são alfas.

— É claro, tudo por causa de alguns genes.

— Tenha mais respeito Jung-Park Jimin, ao menos na hora do jantar lembre-se da educação que eu lhe dei.

— Bela educação que o senhor nos deu. — Dahyun é quem murmura, afastando as beterrabas de seu prato.

— Cuidado Dahyun, lembre-se que nós Ômegas temos uma imagem a interpretar.

— Calados! — o rei usa de um tom acima do normal.

Os empregados encolhem seus ombros, e Dahyun, Jimin e Yoongi fecham os olhos com força.

Taehyung não sabia, mas Seung usou de um terço da sua voz de alfa.

— Será que podemos apenas comer em paz? — Hoseok diz, massageando o lado de sua cabeça.

O restante do jantar continuou, no mais absoluto silêncio de todas as partes. Taehyung mal havia chego ao palácio, o novo mundo de Azzalia, mas já notava que nem mesmo toda a beleza e formosura daquele lugar escapava dos conflitos que a humanidade trazia em seus interiores, mesmo que aqueles tivessem apenas uma parcela.

Mastigando lentamente, variou seus olhos aos presentes, os quais em um simples dia, já podia fazer breves julgamentos sobre.

E sinceramente, estava curioso para descobrir mais afundo sobre cada um deles.

Sobre o rei preconceito, e preocupado demais com as aparências.

O príncipe Jimin e seus próprios princípios.

A princesa que começava a seguir os passos do irmão.

Ao garoto Hansol, que parecia a tempos não ser mais uma criança.

E principalmente, ao príncipe primogênito e seus olhares trocados com o escravo ômega.

Uma família confusa, que estava muito longe de ser perfeita.

  No fim da noite, ao que nenhum membro da família estava afim de saborear a sobremesa, o rei os dispensa para que pudessem se retirar da mesa, e Taehyung, mesmo que quisesse provar da torna de cerejas que vira mais cedo, resolveu que o melhor era seguir a seu quarto também.

  Caminhava a alguns passos atrás dos outros, com Jimin ao seu lado. O rei, para o alívio de sua pressão, fora pelo elevador privado até seus aposentos.

— Quantos andares exatamente tem nesse lugar? — pergunta, no intuito de quebrar o gelo e sanar sua curiosidade.

  Já haviam subido dois lances de escada, e nada dos quartos.

— Ao todo, oito. Mas o último, no subsolo é onde ficam as alas de treinamento e o último, a área privada do papai, ninguém vai lá. — o rosado explica. — Tirando isso, temos três andares de quartos, e o restante de lazer.

— Impressionante.

— Você nunca esteve em um palácio antes? — é Dahyun quem pergunta, entrando no assunto de forma gentil.

— Vimos o estado que ele chegou aqui, é óbvio que nunca sequer esteve em uma casa de três andares. — Hoseok resmunga andando a frente.

— Assim como é óbvio que você nunca levou uns bons socos nesse seu rostinho... — bonito e marcante, completou em sua mente. Não daria a ele o gostinho de saber o que pensava sobre sua aparência.

— Humano insolente. — o príncipe mais velho fechou as mãos em punhos, fazendo suas veias ressaltarem.

— Então, Taehyung... — Dahyun volta a chamar sua atenção, diante o clima tenso. — Você era um lutador certo?

— Sim, eu participava de algumas lutas de rua, ou ilegais que valiam uma boa grana. — diz dando de ombros. Se fosse em outro momento, nunca diria aquilo a algum desconhecido, mas o que aqueles loucos poderiam fazer, castra-lo como um animal?!

— Oh, interessante, eu e Jimin sempre quisemos aprender outros tipos de luta. — a garota exclama animada.

— E quais lutas vocês já praticam?

— Fazemos apenas jiu jitsu uma vez por semana, contra as ordens do papai é claro, mas ele permitiu para que esquecessemos das lutas com espadas.

— Como se ele nos deixasse fazer algo que queremos. — Jimin se pronuncia, com uma carranca no rosto.

— Bom, se vocês quiserem podemos praticar, não é como se eu tivesse o que fazer além de estudar sobre... tudo isso.

— Papai não vai gostar nada disso... — Hoseok diz, bufando em seguida.

— Você é algum 'pau mandado do seu pai por um acaso? — Taehyung exclama revirando os olhos, Dahyun e Hansol prendem risadas mesmo que com os olhos arregalados, e Jimin segura Hoseok que parece pronto para virar e arrancar sua cabeça.

— Me pergunto o por quê você ter que ficar justamente aqui no palácio. — resmunga entre grunhidos.

— Agora, para ensinar boxe aos seus irmãos, aliás... — Taehyung assume um sorriso travesso. — Por que não ensinar a todos estes tais ômegas que vivem aqui no palácio, pelo que entendi no jantar, eles são bem privados de atividades.

— Isso seria fantástico! — Jimin é quem parece mais contente. Sabia que fazer aquilo acontecer, necessitando de uma autorização do rei, seria quase impossível, mas ainda sim era uma boa iniciativa.

  Dahyun igualmente demonstra animação, Hansol continua indiferente, enquanto Hoseok carrega uma expressão nada boa, sabia muito bem qual o principal intuito de Taehyung com aquela proposta.

  E ele não gostava nada disso.

— Quando vocês arrumarem o local e alguns dos matérias necessários, poderemos iniciar.

— Claro, claro. Vou ir atrás de preparar tudo o mais rápido possível.

— Você deveria preocupar-se no momento com o baile do outono Jimin, que está bem próximo...

— Eu sei Hobi, mas darei um jeito nos dois, fique tranquilo.

— Se você diz.

  Ao fim da terceira escadaria, Taehyung identificou aquele corredor como o de seu quarto, principalmente pela estátua do grande lobo em posição de ataque na entrada, e por Hoseok e Hansol continuarem a andar, sabia que os filhos do rei tinham mais uma bela subida pela frente. Todas aquelas escadas explicavam o por quê do porte físico de todos eles.

— Boa noite Taehyung, em breve trarei mais notícias sobre nossas aulas. — Jimin curvou-se um pouco, esperando pela irmã.

— Foi um prazer conhecê-lo. — a princesa ergue uma pequena parte de seu vestido de ceda, em uma despedida formal.

— Boa noite. — Taehyung apenas acena, os mandando uma piscadela antes de seguir até a porta de seu quarto.

  E com um belo sorriso no rosto, ambos irmãos ômegas apressaram o passo para acompanhar os outros, tendo os quatro igualmente, o pressentimento de que aquele novo híbrido traria mudanças naquele palácio.

  Só não sabiam se seriam boas ou ruins.

— Eu gostei de Taehyung, será bom conviver com ele aqui no palácio. — Dahyun diz animada.

— Novamente, acho uma péssima ideia ele ficar aqui.

— Hoseok, precisamos mantê-lo por perto até descobrir o que ele é.

— É eu sei, e espero que possamos descobrir logo.

~•~

  Quando Taehyung adentrou o quarto, deparou-se com um pijama de seda vermelho sobre sua cama, coisa que diante tudo o que já vinha acontecendo em sua vida, não o surpreendeu nem um pouco.  Tratou de se vestir rapidamente, notando ser do tamanho exato para seu corpo, e entrar embaixo dos cobertores grossos da cama alta e espaçosa. Logo capturou um dos livros que Jimin havia o entregado mais cedo, este empilhado com os outros na mesinha ao lado, mais especificamente que tratava sobre a comunidade abo, que havia despertado muito de sua curiosidade. Principalmente pelo fato de que se iria dar aulas para ômegas, precisava saber sobre eles.

  O livro em específico tinha a capa vermelha, com um triângulo preto no centro. Abriu na primeira página, já lendo as primeiras linhas da folha amarelada.

"Universo a/b/o,

Alfas, Betas e Ômegas..."

  Terminava de ler um dos parágrafos, chegando na explicação sobre a gravidez ômega, quando três batidinhas tímidas são depositadas da porta. Por alguma razão agradeceu, precisava de uma pausa urgente. Tudo aquilo estava começando a doer sua cabeça.

  Por Deus, o que era um cio?!

  Enrugou a testa e levantou-se seguindo até a mesma, e ao abri-la, enruga a testa ao não ver ninguém a sua espera, apenas pôde ver uma sombra no fim do corredor, desaparecendo de pressa na escuridão. Antes que fechasse a porta, viu algo próximo a seus pés cobertos por pantufas confortáveis.

  Uma bandeja prateada, onde havia um pratinho com uma fatia generosa de torta, uma xícara de chá de hortelã, e no canto, um papelzinho branco, onde uma caligrafia bonita desenhava palavras curtas.

"Boa noite."

  Perguntou-se quem teria se importado em trazer-lhe aquilo, enquanto adentrava o cômodo novamente, desta vez com a bandeja em mãos. Voltou a se sentar na cama, e por pura curiosidade, a ler o livro, mesmo que desta vez, tivesse um bom lanche para acompanhar.

~•~

  Enquanto isso, no segundo andar do palácio, adentrando o último dos corredores onde predominava os quartos dos empregados moradores do palácio, Min Yoongi voltava de sua costumeira caminhada noturna. Em sua mão, um pequeno bloquinho de papel e uma caneta preta, e na camiseta de seu uniforme, uma mancha de chá.

  Entrou no pequeno quarto em silêncio, andando na ponta dos pés para que não acordasse a irmã mais nova, que dormia na cama a esquerda. Tirou os sapatos, e caminhou até o banheiro, tirou as vestes sujas do dia de trabalho e as colocou no cesto de roupas sujas, se banhou rápido na ducha morna, e enrolado em um roupão grande e branco, ganho a muito tempo, voltou ao quarto, procurando na cômoda um de seus pijamas.

— Demorou mais do que das outras vezes para voltar. — a voz sonolenta da garota o assusta.

— Por que não está dormindo Seulgi? — questiona, vestindo a uma cueca por baixo do roupão, e em seguida um conjunto de pijama de algodão, com biscoitos desenhados.

— Você também deveria estar dormindo e não está, e não me diga que estava com Hansol, o garoto tem horário para dormir, este que já passou a muito tempo.

— Eu só estava fazendo algumas coisas... — o híbrido desvia o olhar, sentindo as bochechas se avermelharem.

— Estava mais uma vez deixando chá de hortelã na porta do príncipe.

— E-eu não...

— Não tente mentir para mim Yoon, só me diga por que demorou mais dessa vez. Ele te viu?

— N-não, eu sou muito ágil. — diz orgulhoso de si mesmo.

  Tanto Yoongi quanto Seulgi sempre foram muito ágeis, desde filhotes, ágeis como um gato.

— Então me diga o por quê, ter ficado vinte minutos a mais fora do quarto, sabendo do toque de recolher que já soou a muito tempo.

— Eu... Eu deixei chá para mais uma pessoa. — murmura baixinho, olhando para as próprias mãos, sentiu o olhar duro e curioso da irmã sobre si, e engoliu em seco.

— Para quem? Yoongi o que você anda aprontando? — diante o silêncio do mais velho, Seulgi começa a supor a suposta pessoa a receber o famoso e delicioso chá de Yoongi. — É algum dos outros príncipes? Ou a princesa? Você nunca pensou em deixar chá para eles também, muito menos para o rei. É algum dos empregados? A senhora Ayra? Mas ela não era alérgica a hortelã? Talvez algum dos guardas ou jardineiros...

— Não, não é nenhum desses. — Yoongi grunhiu, sentou-se em sua cama e cruzou os braços com as bochechas inchadas.

— Então me diga quem!

— Senhor Kim, o novo híbrido que chegou ao palácio recentemente. — explica rapidamente, escondendo o rosto corado entre as mãos.

— Oh.

  A garota franzi o cenho, com a boca entreaberta. Havia visto Kim Taehyung mais cedo na cozinha, conversando com Ayra e Momo, pelo pouco que observou, notou a beleza eminente no rapaz apesar dos hematomas, cortes e cabelo desgrenhado.

— Por Luna Yoongi, o garoto acaba de chegar, como já pode estar deixando chá na porta dele, seu atirado.

— Eu não estou me atirando. Foi só uma forma de agradecer por ele ter sido gentil comigo.

— Gentil? Você não pode sair por aí dando chá para qualquer um que é gentil com você!

— Foi só chá e um pedaço de torta. — Yoongi resmunga, puxando seu travesseiro para abraça-lo. Viu como o Kim parecia querer provar da sobremesa, e não viu mal algum de levar um pedacinho também.

— Torta também?! Você acabou de conhecê-lo seu, seu... Seu gatinho safado.

— Não se pode mais nem ser legal com um novo morador.

— Yoon, a única pessoa a quem você leva seu chá toda noite é para o príncipe Hoseok, e sabemos o que ele significa para você. — Seulgi levanta-se e caminha até o irmão, se senta na cama do mesmo e o puxa para deitar seu colo.

— Não seja boba, só foi um agracimento, não é a mesma coisa que com Hoseok. — o híbrido de gato explica, aconchegando-se em seus lençóis macios.

  E vendo sua única família dormir em seus braços, Seulgi torce mentalmente para que realmente fosse, pois não estava pronta para o conflito que aquilo causaria, principalmente se significasse a mágoa de seu irmão.

  Enquanto Yoongi, em um pensamento ingênuo, pensava em como o sorriso de Taehyung era bonito, bonito como o sorriso de Hoseok.

  Os sorrisos mais bonitos que já havia visto.


Continua...


Notas Finais


E então? Gostaram?

Não se esqueçam de favoritar e comentar ❤️

Até loguinho🥀


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